"O personagem Rubem Fonseca" - clique aqui para ler a matéria
CONTEÚDO
Literatura, Rubem Fonseca e sua obra
HABILIDADES
Analisar e discutir o conto Manhã de Sol de Rubem Fonseca destacando uma possível correspondência entre o personagem Comissário e o autor
TEMPO SUGERIDO
Três aulas
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As diversas faces de Rubem Fonseca
Desperte o interesse dos alunos sobre um dos maiores mestres da ficção brasileira
A prática da leitura entre os alunos do Ensino Médio muitas vezes é vista como uma tarefa laboriosa, desvinculada de prazer e, por isso, entediante. No entanto, essa percepção muda quando os alunos se depararam com textos de linguagem e temáticas que se assemelham ao contexto político-social em que vivem. Assim, a obra do ficcionista Rubem Fonseca torna-se um prato cheio para professores interessados em despertar nos alunos o prazer da leitura.
Atividades
1ª aula - Antes de começar a trabalhar Rubem Fonseca em sala de aula, faça uma pesquisa das obras do autor em bibliotecas e separe o maior número possível de livros para que os alunos possam manuseá-los - muitas vezes, a biblioteca da própria escola possui alguns exemplares. O contato direto com os livros favorece o interesse da turma pela leitura.
Com os livros em mãos, comece a aula procurando saber quem conhece a obra de Rubem Fonseca. Pergunte se alguém já leu algum conto, crônica ou romance do autor. Enquanto essas informações preliminares vão sendo colhidas, distribua os livros à moçada. Provavelmente, alguns deles iniciarão a leitura, e, em uma rápida olhadela, encontrarão situações que lhes interessam (cenas de sexo, violência, linguajar chulo...). Tudo isso servirá como estímulo à leitura.
Num segundo momento, apresente aos alunos a reportagem de BRAVO!. Comente as características da vida e da obra do escritor e procure esclarecer as dúvidas que surgirem. Vale destacar a relação entre o autor e seus personagens - mostrada na revista - e explicar que ela acontece tanto nos contos e crônicas, quanto nos romances. Destes últimos, você pode destacar o personagem comissário Mattos, de Agosto (1990), e José, protagonista de O Seminarista (2009). Para enriquecer a dinâmica da aula utilize, também, o ensaio do crítico João Luiz Lafetá (1946-1996) intitulado Rubem Fonseca, do Lirismo à Violência. A obra contribui bastante para a compreensão do autor e enfatiza a análise crítica dos contos por ele escritos.
Realizada esta segunda etapa, é hora de provocar os jovens (no bom sentido, claro) com um conto impactante. Algumas sugestões são: Desempenho, Passeio Noturno - Parte I, Feliz Ano Novo ou Relato de Ocorrências em que Qualquer Semelhança não é Mera Coincidência. É possível encontrar alguns desses contos na internet.
Para finalizar, sugira, como atividade extraclasse, que os estudantes busquem novas informações sobre o autor na internet, bibliotecas ou locadoras de vídeo. Importante: essa atividade torna-se muito mais prazerosa se não for obrigatória.
2ª aula - Faça uma aula expositiva conceituando o gênero conto. Instigue a turma a tentar caracterizar este gênero literário. Peça comparações entre o conto, a crônica e o romance. Quais são os pontos em comum? Onde eles se distanciam?
Você pode encontrar referências teóricas sobre a origem e as características do conto nos livros Formas Simples de André Jolles, e Formas Breves de Ricardo Piglia (veja na bibliografia abaixo).
Enriqueça sua aula com considerações sobre o destino da literatura na Era Moderna feita por um dos maiores nomes da ficção policial de todos os tempos, o escritor norte-americano Edgar Allan Poe (1809-1849). Ele discorre sobre as novas tendências dos textos ficcionais em decorrência da expansão e solidificação da imprensa. Em De "Marginalia" (Excertos), Poe já percebeu "o primeiro indício de uma era em que se irá caminhar para o que é breve, condensado, bem digerido, e se irá abandonar a bagagem volumosa; é o advento do jornalismo e a decadência da dissertação". É justamente por esta propensão "ao texto enxuto que os homens da era da imprensa possuem o pensamento mais ágil, mais rápido, mais reto, mais metódico, menos pesado. [...] Somos inclinados a enfeixar o máximo possível de ideias no mínimo de volume, a espelhá-las o mais rapidamente que pudermos".
Poe Museum/Divulgação
Polivalente: Edgar Allan Poe foi um dos precursores do gênero policial
e se tornou célebre pelos contos de horror, mas também gostava
de escrever sátiras e de teorizar sobre a literatura
Em outro importante ensaio, A Filosofia da Composição, Poe procura explicar o seu modus operandi por meio da análise composicional de seu poema mais conhecido, O Corvo. Nele, o escritor revela que toda a construção do poema seguiu "a precisão e a sequência rígida de um problema matemático". A esquematização desse processo foi esboçada por ele desta forma: a) a intenção do autor; b) o efeito que a obra deve produzir no leitor; c) o tom que a obra deve adquirir; d) uma estrutura que amarre os acontecimentos e incidentes da obra.
Procure discutir estas ideias com seus alunos de maneira que eles possam participar com opiniões, asserções e questionamentos a respeito do conto, do novo rumo da escrita após o advento e consolidação da imprensa e do método composicional de Poe. Pergunte se alguma das características do conto estudadas nesta aula confere com o texto lido na aula anterior. Faça uma releitura do conto se necessário.
3ª aula - A última aula é dedicada à análise do conto Manhã de Sol, de Rubem Fonseca, presente na obra Lúcia McCartney, de 1967, e que está sendo relançada pela Editora Agir. Antes da leitura, contextualize o período de lançamento do livro - os anos de chumbo da ditadura militar, onde a liberdade de expressão foi fortemente reprimida. Esta introdução histórica é fundamental. A leitura pode ser realizada individualmente ou pela mediação do professor ou de algum aluno voluntário.
Em Manhã de Sol a proximidade entre personagem e autor empírico está presente na personagem do Comissário de um Distrito Policial. A história se desenvolve após uma tentativa frustrada de furto. Uma funcionária pública que estava a caminho da feira leva um encontrão de um "Punguista" e, percebendo suas intenções, se atraca com ele enquanto pede socorro. "Policiais Militares" aparecem e levam o acusado ao Distrito Policial da região.
Durante todo o processo da prisão em flagrante e do depoimento da "Vítima", o homem detido jura inocência. O interrogatório do "Comissário" vai se tornando mais rigoroso e, diante do impasse, a "Vítima" procura ir embora dali, sem sucesso. Estranhamente, o preso começa a dar cabeçadas contra a grade da cela. O "Comissário" manda chamar um "Professor" no colégio ao lado para que sirva de testemunha de que o preso estava "causando em si mesmo lesões corporais".
Discuta com a turma a temática abordada no conto e aproveite para aprofundar a discussão sobre os recursos formais do texto: os nomes próprios são escritos com letras minúsculas enquanto as profissões dos personagens são grafadas com a inicial maiúscula, e o uso de uma linguagem sintética, tal como a de um escrivão da polícia. A ausência de alguns sinais de pontuação favorece este último recurso.
Para finalizar, peça um comentário por escrito sobre o autor e o conto estudado.
BIBLIOGRAFIA
Lúcia McCartney, Ruben Fonseca, Ed. Francisco Alves, tel. (21) 2240-7989
A Dimensão da Noite, J. L. Lafetá, Ed. 34, tel. (11) 3816-6777
Formas Simples, André Jolles, Ed. Cultrix, tel. (11) 6166-9000
Formas Breves, Ricardo Piglia, Companhia das Letras, tel. (11) 3707-3500
Poemas e Ensaios, Edgar Allan Poe, Ed. Globo, tel. 0300-789-1700
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Atividade proposta por Rodrigo Priante Ugá, mestrando em Literatura e Crítica Literária pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP) e professor do Ensino Médio da Rede Pública do Estado de São Paulo.
16/11/2009
socorro lira - diz: Ótimo texto, bem como a sugestão de aula. Parabéns!!!
13/11/2009
Tatiana Bueno - diz: Muito boa sugestão! Vou difundir no CEU que trabalho...
11/11/2009
roberta priante chaves lima - diz: Parabéns pelo texto e pela sugestão. Roberta Priante