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EDIÇÃO DE Neusa Barbosa
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UM HOMEM DE MORAL (Brasil, 2008). 1h24. Documentário. Direção: Ricardo Dias O que é: Documentário sobre o zoólogo e compositor Paulo Vanzolini (foto), contando sua vida e apresentando várias composições suas, como Ronda, Volta por Cima, Praça Clóvis e outras, pela voz de diversos intérpretes e amigos. Por que ver: Conhecido do compositor desde criança, o cineasta Ricardo Dias (No Rio das Amazonas) deixa o artista bem à vontade, tirando partido de sua prodigiosa memória aos 85 anos, além de realçar sua relação especial com a cidade de São Paulo. Preste atenção: Na sequência em que a famosa Volta por Cima é apresentada de maneira originalíssima: cada um de seus versos é cantado por pessoas comuns, nas ruas, praças e bares da capital paulista, comprovando sua popularidade em todas as camadas sociais. O que já se disse: “A ideia principal, de expor o letrista sensibilíssimo, o intelectual antenado com o povo, o homem sem frescura e sem retórica, o artista inspirado, é cumprida pelo filme” (Luiz Zanin, Blog do Estadão). |
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CANTORAS DO RÁDIO (Brasil, 2008). 1h20. Documentário. Realização: Gil Baroni e Marcos Avellar. Roteiro: Ricardo Cravo Albin, Gil Baroni e Monica Rischbieter. O que é: Documentário sobre os áureos tempos do rádio brasileiro, nos anos 40, quando florescia a popularidade de inúmeros intérpretes. O ponto de partida é um show no Rio de Janeiro, unindo cantoras da época, como Ellen de Lima e Carmélia Alves (foto). Por que ver: Fugindo do saudosismo, o filme consegue reviver diversos sucessos musicais de décadas passadas, como Risque, Mensagem e Vagalume, contando com a espontaneidade e a simpatia de cantoras como Violeta Cavalcanti e Carminha Mascarenhas e boa montagem. Preste atenção: À homenagem a diversas intérpretes já mortas, como Carmen Miranda, Elizeth Cardoso, Dolores Duran e Nora Ney, evidenciando a qualidade da pesquisa de Ricardo Cravo Albin, organizador do show que deu origem ao projeto. O que já se disse: “Elas mudaram um pouco a voz, mas não perderam nem a afinação, nem a ginga” (Luciano Ramos, programacinemafalado.blogspot.com). |
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LOKI — ARNALDO BAPTISTA (Brasil, 2008). 2h. Documentário. Direção: Paulo Henrique Fontenelle. O que é: Cinebiografia do músico Arnaldo Baptista (foto), integrante da banda Os Mutantes, que, reunindo depoimentos de familiares, amigos, produtores e músicos, traça uma trajetória de superação diante de problemas com drogas e uma tentativa de suicídio. Por que ver: Primeiro longa-metragem com produção integral do Canal Brasil, o filme faz um perfil ao mesmo tempo honesto, profundo e emotivo do músico, retratando-o sob o prisma pessoal e captando a consagração internacional de suas criações. Preste atenção: Às raras imagens e fotos de arquivo que mostram Arnaldo Baptista, Sérgio Dias e Rita Lee em momentos históricos, como o Festival da Record de 1967, quando tocaram com Gilberto Gil. E aos elogios de artistas como Sean Lennon. O que já se disse: “Fontenelle consegue um feito raro: ampliar o interesse por Baptista além dos cinemas, o que a grande maioria dos perfis de artistas não consegue” (Danilo Lima, Portal Terra). |
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UM ROMANCE DE GERAÇÃO (Brasil, 2008). 1h20. Comédia. Direção: David França. Elenco: Susana Ribeiro, Isaac Bernat (foto), Lorena da Silva, Nina Morena. O que é: Escritor que há tempos não escreve uma linha recebe o pedido de entrevista de uma jornalista. Decidido a aproveitar a ocasião, começa a inventar uma história para impressionar a moça. Por que ver: Adaptado de um livro de Sérgio Sant’Anna, o enredo brinca com mal-entendidos e flerta com a metalinguagem, ao imaginar diferentes soluções para as situações retratadas, envolvendo criação literária e romance. Preste atenção: Ao detalhe de que a personagem feminina é interpretada por três atrizes diferentes, recriando o tom dos incidentes ocorridos entre ela e o escritor cada vez que uma delas entra em cena. O que já se disse: “A produção, totalmente independente, tem particularidades interessantes que comprovam a criatividade do diretor” (Mário Abbate, O Globo.com). |
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A FESTA DA MENINA MORTA (Brasil, 2008). 1h55. Drama. Direção: Matheus Nachtergaele. Roteiro: Hilton Lacerda e Matheus Nachtergaele. Elenco: Daniel Oliveira (foto), Dira Paes, Jackson Antunes, Juliano Cazarré, Cássia Kiss. O que é: Pequena comunidade da Amazônia vive em função de um estranho ritual, à espera das previsões anuais do místico Bentinho. O jovem ganhou esse status quando, menino, encontrou os restos da roupa de uma menina morta em circunstâncias misteriosas. Por que ver: Estreia do ator Matheus Nachtergaele na direção, o filme exibe força dramática e personalidade. A première mundial foi no Festival de Cannes 2008, na mostra Un Certain Regard. Foi premiado nos festivais de Chicago, Rio e Gramado. Preste atenção: Às cores fortes da fotografia de Lula Carvalho, à câmera na mão, ao ritmo febril e aos personagens extremos, detalhes que proporcionam uma ligação com o Cinema Novo dos anos 60 e 70, uma fonte de inspiração assumida pelo diretor. O que já se disse: “A atuação irrepreensível de Jackson Antunes e a bem-vinda presença de Dira Paes conferem ao filme o brilho necessário ao ingresso de um diretor no mundo do cinema” (Aline Gattoni, Guia da Folha Online). |
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HÁ TANTO TEMPO QUE TE AMO (Il y a Longtemps que Je T’Aime, França/Alemanha, 2008). 1h47. Drama. Direção: Philippe Claudel. Elenco: Kristin Scott Thomas (foto), Elsa Zylberstein, Serge Hazanavicius, Frédéric Pierrot. O que é: Mulher sai da prisão após ter cumprido uma pena de 15 anos e retorna à casa de seus familiares, onde terá de lidar com estranheza e rejeição, tentando reconstruir a própria vida. Por que ver: A obra de estreia do roteirista Philippe Claudel foi lembrada em diversas premiações internacionais, vencendo o César de filme de estreante e melhor atriz coadjuvante (Elsa Zylberstein) e o Bafta de melhor filme em língua não inglesa. Preste atenção: À interpretação de Kristin Scott Thomas, que venceu o prêmio da Academia Europeia. Dispensando maquiagem e usando um figurino destituído de qualquer charme, ela encarna com perfeição a dor e a culpa de uma mulher que causou uma morte. O que já se disse: “Claudel definitivamente coloca seu coração e sua alma neste roteiro, garantindo que nenhuma cena seja gratuita e nenhuma tomada seja descuidada” (Maggie Lee, The Hollywood Reporter). |
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CARAMELO (Sukkar Bannat, França/Líbano, 2007). 1h35. Comédia dramática. Direção: Nadine Labaki. Roteiro: Rodney El Haddad e Jihad Hojeily. Elenco: Nadine Labaki (foto), Yasmine Elmasri, Sihame Haddad. O que é: Num salão de beleza em Beirute, cinco mulheres trocam confidências. Amante de um homem casado, Layale espera pelo divórcio, Nisrine não sabe como como contar ao noivo que é muçulmana, e Rima tem atração por mulheres. Por que ver: Selecionada para o Festival de Toronto 2007 e para a Quinzena dos Realizadores de Cannes daquele ano, a estreia da diretora libanesa instaura um delicado clima feminino e intimista, lembrando Instituto de Beleza Vênus (1998), de Tonie Marshall. Preste atenção: : À diretora Nadine Labaki, que, além de comandar o filme, atua como sua protagonista, Layale. E à sua dedicatória final — “à minha Beirute” —, homenageando a luta de seus habitantes pela normalidade numa cidade muito maltratada por várias guerras. O que já se disse: “A diretora aborda de leve o problema da hipocrisia nas comunidades cristã e muçulmana, destacando um vínculo feminino comum” (Jay Wessberg, Variety.com). |
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TINHA QUE SER VOCÊ (Last Chance Harvey, EUA/Inglaterra, 2008). 1h32. Drama/romance. Direção: Joel Hopkins. Elenco: Dustin Hoffman (foto), Emma Thompson, Eileen Atkins, Kathy Baker, James Brolin. O que é: Compositor de jingles na meia-idade, divorciado e em crise profissional, vai a Londres para o casamento da filha caçula. Lá encontra Kate, uma pesquisadora simpática que começa a quebrar sua armadura emocional e leva-o a apaixonar-se novamente. Por que ver: Pela leveza da história, que tira bom partido das características opostas dos dois protagonistas, Dustin Hoffman e Emma Thompson, ambos indicados ao Globo de Ouro, transformando-as em combustível de um romance improvável. Preste atenção: À cena em que Emma Thompson e Dustin Hoffman compartilham um piano. E também aos cenários londrinos em que se desenrolam seus encontros e desencontros. O que já se disse: “Apesar da diferença de mais de 20 anos, há uma química genuinamente doce entre os dois atores, que é a grande razão para assistir a este filme” (Aaron Hillis, The Village Voice). |
EDIÇÃO DE André Albert
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JANAINA TSCHÄPE — FOTOGRAFIA, VÍDEO E DESENHO Trata-se de: Individual de Janaina Tschäpe com 11 fotografias, três vídeos e um desenho de sua produção recente. A maioria dos trabalhos aborda a relação entre homem e natureza. Importância: Janaina, que nasceu em Munique e viveu no Brasil até os 11 anos, é cada vez mais conhecida mundo afora. Em 2009, participa da Trienal do Centro Internacional de Fotografia, em Nova York, e de individuais na Bélgica e no Japão. Preste atenção: Nas fotografias The Sea and the Mountain (2004), After the Rain (2003) e Melantropics (2004), em que ela apresenta um universo com seres híbridos, mistura de homens e plantas. Onde: Galeria Laura Alvim (av. Vieira Souto, 176, Rio de Janeiro, tel. 0++/21/2332-2017). Quando: Até 12/7. De 3ª a dom., das 13h às 21h. Grátis. Veja também: A individual de Janaina no Galpão Fortes Vilaça (rua James Holland, 71, São Paulo), que reúne pinturas inéditas. Até 4/7. Grátis. |
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DESENHO E DESIGN: AMILCAR DE CASTRO E WILLYS DE CASTRO Trata-se de: 340 objetos dos mineiros Amilcar de Castro e Willys de Castro. Com curadoria de Lorenzo Mammì, a produção de design dos artistas é apresentada ao lado de suas pinturas e esculturas. Importância: Amilcar e Willys estão entre os mais importantes artistas brasileiros da segunda metade do século 20. Logo no início de suas carreiras, eles aderiram ao neoconcretismo, produzindo obras muito distintas. Preste atenção: Em como a incursão dos artistas nas artes gráficas incorpora princípios de suas produções plásticas. De Amilcar, por exemplo, há a relação entre seu projeto gráfico para o Jornal do Brasil e suas esculturas. Onde: Instituto de Arte Contemporânea (rua Maria Antonia, 258, São Paulo, tel. 0++/11/3255-2009). Quando: Até 2/8. De 3ª a sáb., das 10h às 18h; dom., das 12h às 17h. Grátis. Veja também: A exposição Volpi: Dimensões da Cor, que reúne, no Instituto Moreira Salles (rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea, Rio de Janeiro), 61 obras do artista dos anos 50 e 60. Até 5/7. Grátis. |
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OCUPAÇÃO NELSON LEIRNER Trata-se de: Quatro obras dos anos 60 do paulistano Nelson Leirner. A mostra abre as exposições do Itaú Cultural com obras de artistas veteranos das artes plásticas brasileiras. Importância: Estão em exposição trabalhos de Leirner que expandem o território da arte. Entre as obras, Stripencores, uma roupa feminina feita para ilustrar as páginas de um jornal. Preste atenção: Na peça Porco Empalhado. Aceita pelo júri do 4o Salão de Arte Contemporânea de Brasília, em 1967, a peça protagonizou uma discussão sobre sua entrada na mostra. Onde: Itaú Cultural (av. Paulista, 149, São Paulo, tel. 0++/11/2168-1776). Quando: Até 28/6. De 3ª a 6ª, das 10h às 21h; sáb., dom. e feriados, das 10h às 19h. Grátis. Veja também: Vestidas de Branco, do mesmo artista, com obras que tratam do casamento, no Centro Cultural Banco do Nordeste (rua Floriano Peixoto, 941, Fortaleza), de 1/6 a 4/7. Grátis. |
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IBERÊ CAMARGO: UMA EXPERIÊNCIA DA PINTURA Trata-se de: Individual com 67 obras de Iberê Camargo. A mostra apresenta duas fases do pintor: as telas com carretéis, que, com o tempo, se tornaram abstratas, e as últimas pinturas, mais melancólicas. Importância: A exposição faz parte das comemorações de um ano de abertura da sede da Fundação Iberê Camargo, construída em Porto Alegre. Concebida especialmente para o Espaço Cultural Unifor, em Fortaleza, a mostra exibe obras ícones do pintor gaúcho. Preste atenção: Em como Iberê Camargo construía suas pinturas a partir de um processo obsessivo. Ele repintava várias vezes suas telas para causar dramaticidade às cenas. Onde: Espaço Cultural da Universidade de Fortaleza (av. Washington Soares, 1.321, Fortaleza, tel. 0++/85/3477-3319). Quando: Até 2/8. De 3ª a 6ª, das 10h às 20h; sáb. e dom., das 10h às 18h. Grátis. Veja também: Dédale, filme de Pierre Coulibeuf inspirado na obra do pintor gaúcho que será exibido de 4/6 a 30/8 na Fundação Iberê Camargo (av. Padre Cacique, 2.000, Porto Alegre). Grátis. |
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GERALDO DE BARROS - MODULAÇÃO DE MUNDOS Trata-se de: Mostra com obras do pintor, fotógrafo e designer Geraldo de Barros, um dos artistas brasileiros mais importantes do concretismo. A exposição abrange 50 anos de sua carreira. Importância: Barros foi um dos pioneiros da fotografia abstrata e da arte concreta no país. Preste atenção: No filme Geraldo de Barros — Sobras em Obras, com direção de Michel Favre, que será exibido durante a mostra. Realizado em 1998, ano da morte do artista, apresenta um panorama de toda a sua produção. Onde: Sesc Pinheiros (rua Paes Leme, 195, São Paulo, tel. 0++/11/ 3095-9400). Quando: Até 28/6. De 3ª a 6ª, das 10h30 às 21h30; sáb., dom. e feriados, das 10h30 às 18h30. Grátis. Veja também: As séries de desenhos e fórmicas que Carlos Fajardo apresenta na Galeria Marilia Razuk (rua Jerônimo da Veiga, 62 lj.2, Itaim Bibi, São Paulo). Até 11/6. Grátis. |
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PAISAGEM: ENOTORNO E RETORNO — COLEÇÃO SOUYAMA Trata-se de: Mostra com trabalhos de diferentes estilos, técnicas, sensibilidades e propostas que têm como ponto comum o interesse pela paisagem. Importância: A exposição evidencia o diálogo entre a paisagem europeia e mexicana. Entre as 72 obras, há trabalhos de ícones franceses, como Claude Monet (1840-1926), e do mexicano José María Velasco (1840-1912). Preste atenção: Na paisagem do francês Jean-Baptiste-Camille Corot (1796-1875), um dos fundadores da Escola de Barbizon. Ele influenciou os impressionistas ao tratar a natureza como fonte primordial de inspiração artística. Onde: Museu Oscar Niemeyer (rua Marechal Hermes, 999, Centro Cívico, Curitiba, tel. 0++/41/3350-4400). Quando: Até 12/7. De 3ª a dom., das 10h às 18h. R$ 4. Veja também: Autocromos: Irmãos Lumière, que retrata, também no Museu Oscar Niemeyer, os primórdios da fotografia colorida. Até 13/9. R$ 4.4 |
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MEIAS VERDADES — SOPHIE CALLE, VALÉRIE BELIN E PIERRICK SORIN Trata-se de: Trabalhos dos artistas contemporâneos franceses Sophie Calle, Valérie Belin e Pierrick Sorin. As fotografias e vídeos ocupam os três andares do prédio Oi Futuro, no Rio de Janeiro. Importância: Os três artistas trabalham no limite entre a realidade e a ficção, especulando muitas vezes sobre a ambiguidade dos acontecimentos reais e dos inventados. Pierrick Sorin, por exemplo, apresenta vídeos em que é o único ator, misturando verdade e imaginário. Preste atenção: No longa-metragem Double Blind (1992), de Sophie Calle, conhecida por utilizar fatos de sua vida em seus trabalhos. O filme é um diário íntimo entre ela e um amigo durante viagem de carro de Nova York à Califórnia. Onde: Oi Futuro (rua Dois de Dezembro, 63, Flamengo, Rio de Janeiro, tel. 0++/21/3131-3060). Quando: Até 28/6. De 3ª a dom., das 11h às 20h. Grátis. Veja também: A mostra retrospectiva do cineasta francês Chris Marker. Nas unidades do Centro Cultural Banco do Brasil no Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo. Até 5/7. Grátis. |
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POÉTICA TÊXTIL Trata-se de: 50 obras de nove artistas que usam suportes têxteis. Entre eles, Ana Miguel e Nino Cais. A exposição inaugura a sala dedicada à arte contemporânea na Oficina Cultural Oswald de Andrade, em São Paulo. Importância: Ao trabalhar com artistas da cena atual que lidam com tecidos, fios ou rendas, a mostra relaciona a tradição têxtil do bairro paulistano do Bom Retiro com a arte contemporânea. Preste atenção: Nas fotografias cômicas do paulistano Nino Cais, que retratam o artista usando objetos domésticos, como panos e toalhas, em situações pouco convencionais. Onde: Oficina Cultural Oswald de Andrade (rua Três Rios, 363, Bom Retiro, São Paulo, tel. 0++/11/3221-5558). Quando: Até 5/7. De 3ª a 6ª, das 8h às 22h; sáb., das 13h às 18h; dom., das 14h às 18h. Grátis. Veja também: A exposição Yves Saint Laurent — Viagens Extraordinárias, que revela, no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro (rua Primeiro de Março, 66, Rio de Janeiro), o universo criativo do estilista. Até 19/7. Grátis. |
EDIÇÃO DE Irineu Franco Perpetuo E José Flávio Júnior
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POPOLOAD GIG O festival reúne as bandas americanas Matt & Kim (foto) e No Age, a escocesa The View, a paulistana Holger e a capixaba Mickey Gang. Programa: Essa será a primeira edição do festival, que leva o nome do blog do jornalista Lúcio Ribeiro, especializado em rock alternativo. Todos os shows devem ser curtos, uma vez que as bandas são iniciantes. Por que ir: O Popload Gig oferece um panorama do que está rolando de mais incensado na cena independente mundial. O The View conseguiu vender 300 mil cópias de seu álbum de estreia e voltou a lançar disco no começo do ano, com produção de Owen Morris (Oasis, The Verve). Preste atenção: Na dupla Matt & Kim, uma das sensações de 2009. Formado há cinco anos em Nova York, o grupo baseia seu som em teclados e bateria, indo do punk rock à dance music. O clipe de Lessons Learned causou polêmica por trazer os dois músicos se despindo. Onde: Clash Club (rua Barra Funda, 969, Barra Funda, São Paulo, tel. 0++/11/3661-1500). Quando: Dias 6 e 7/6, a partir das 20h. R$ 40. Ouça: Grand (Matt & Kim Album) (Fader Label — importado); Witch Bitch? (1965 Records — importado), de The View; Nouns (Sub Pop — importado), de No Age. |
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RIO DAS OSTRAS JAZZ & BLUES FESTIVAL O festival reúne artistas como Spyro Gyra (foto), The Bad Plus, Rudder, DJ Logic e Ari Borger. Programa: Na sétima edição, o festival fluminense reforça sua condição de ótima opção para quem aprecia jazz e blues. Serão ao todo 14 atrações espalhadas por Rio das Ostras, em apresentações gratuitas. Por que ir: Além de trazer artistas lendários, caso do Spyro Gyra, o Rio das Ostras aposta em nomes que tiveram destaque nesta década. Um deles é o trio The Bad Plus, que tem visitado o país todos os anos, mas desta vez chega com a vocalista convidada Wendy Lewis. Preste atenção: Em Ari Borger. O organista representa o Brasil com seu trabalho blueseiro, calcado no órgão Hammond. No repertório de Borger convivem composições do próprio músico com versões inusitadas, como a de O Caminho do Bem, da fase Racional de Tim Maia. Onde: Praia da Tartaruga, lagoa de Iriry e Cidade do Jazz e do Blues (Costazul, Rio das Ostras, RJ). Quando: De 10 a 14/6, a partir das 14h15. Grátis. Informações: www.riodasostrasjazzeblues.com. Ouça: For All I Care (Universal), de Bad Plus; Acess All Areas (Amherst — importado), de Spyro Gyra; Blues da Garantia (ST2), de Ari Borger. |
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JENS LEKMAN O músico sueco volta ao país após as comentadas apresentações em 2006. Programa: O cantor e multiinstrumentista deve mostrar temas de seus dois álbuns, entre elas A Postcard to Nina, The Opposite of Hallelujah e Sipping on the Sweet Nectar. O setlist ainda pode trazer canções inéditas. Por que ir: Jens Lekman é mais um entre os vários artistas suecos com trânsito no Brasil. Isso se deve aos eventos chamados de Invasão Sueca, que têm o apoio do Sweedish Institute e estão ajudando a disseminar o pop rock produzido lá na cena independente daqui. Preste atenção: Em como Lekman trabalha com samples e colagens, sem que isso entre em conflito com as melodias. Seu trabalho tem uma premissa experimental, mas o resultado é bastante acessível, já que ele tem como heróis artistas dedicados à música pop. Onde: Studio SP (rua Augusta, 591, Centro, São Paulo, tel. 0++/11/3129-4040). O músico ainda passa por Porto Alegre (14), Recife (16) e Curitiba (17). Quando: Dia 13/6, às 23h. R$ 40. Ouça: When I Said I Wanted to Be Your Dog (Secretly Canadian — importado) e Night Falls over Kortedala (Secretly Canadian — importado), ambos de Jens Lekman. |
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UMA NOITE COM MARK LANEGAN E GREG DULLI O show reúne os dois cantores americanos. Programa: Desde 2003, Mark Lanegan e Greg Dulli trabalham usando a alcunha The Gutter Twins (“gêmeos da sarjeta”). Além de tocarem as músicas do único CD do projeto, como Idle Hands, eles devem relembrar hits de seus antigos grupos. Por que ir: Lanegan e Dulli são dois dos cantores mais importantes do cenário roqueiro americano dos anos 90. Ambos participaram do movimento grunge, mas não ficaram presos a ele. Dulli injetou soul music em seu grupo, o Af-ghan Whigs, e depois montou o The Twilight Singers, mais eletrônico. Preste atenção: Na voz e presença soturna de Lanegan. Após fazer carreira com o Screaming Trees, o cantor lançou cultuados CDs de baladas. Em 2001, entrou para o Queens of The Stone Age, grupo mais criativo desta década. Hoje, mantém um duo com Isobel Campbell. Onde: Bourbon Street (rua dos Chanés, 127, Moema, São Paulo, tel. 0++/11/5095-6100). Quando: Dia 1º/7, às 22h30 (Bourbon Street). R$ 80 (pista) e R$ 125 (mesa). Ouça: Saturnalia (Sub Pop — importado), de Gutter Twins; Bubblegum (Sum), de Mark Lanegan Band; Congregation (Trama), de The Afghan Whigs. |
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JOSHUA BELL O violinista faz concertos com a Orquestra Sinfônica Brasileira. Programa: Bruch — Concerto nº 1 para Violino e Orquestra; Beethoven — Abertura em Dó Maior, Op. 115 “Namensfeier” e Sinfonia nº 3, “Eroica”. Por que ir: Mais do que um popstar da música clássica — o violinista foi o solista do filme O Violino Vermelho (1998) —, Joshua Bell exibe um virtuosismo que chega a ser comparado ao de Paganini, o lendário violinista do século 19. Preste atenção: No violino de Bell, um Gibson Stradivarius feito em 1713 e avaliado em US$ 3,5 milhões. O instrumento pertenceu ao virtuose polonês Bronislaw Huberman. Onde: Sala São Paulo (pça. Júlio Prestes, s/nº, São Paulo, tel. 0++/11/3323-3966). Quando: Dias 25 e 26, às 21h; 27, às 16h30. R$ 30 a R$ 104. Ouça: Villa-Lobos: Sinfonia nº 10, Ameríndia (Harmonia Mundi — importado), com a Orquestra Sinfônica de Tenerife, sob a regência de Víctor Pablo Pérez. |
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RUDOLF BUCHBINDER O pianista austríaco se apresenta como solista e regente com a Orquestra de Câmara de Zurique. Programa: Dia 9: Haydn — Concerto para Piano em Ré Maior; Mozart — Concertos para Piano nos 9 e 12. Dia 10: Mozart — Concertos para Piano nos 14, 17 e 27. Por que ir: Quando veio ao Brasil em 2006, acompanhado da Orquestra de Câmara de Zurique, Rudolf Buchbinder foi ovacionado por suas interpretações de Mozart. Preste atenção: No Concerto para Piano nº 27, o último escrito por Mozart, cujas cadências são executadas com a técnica precisa de Buchbinder — especialista na música do século 18. Onde: Sala São Paulo (pça. Júlio Prestes, s/nº, São Paulo, tel. 0++/11/3323-3966). Quando: Dias 9 e 10, às 21h. R$ 80 a R$ 200. Ouça: Joseph Haydn: Complete Piano Sonatas (Warner Classics), gravação da obra integral para piano de Haydn, vencedora do Grand Prix du Disque. |
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HILARY HAHN A violinista americana faz concerto solo em São Paulo. Programa: Ysaÿe — Rêve d’Enfant e Sonatas nos 4 e 6; C. Ives — Sonatas nos 1, 2 e 4; Brahms — Danças Húngaras (seleção); Bartók — Danças Folclóricas Romenas. Por que ir: Hilary Hahn, que começou a tocar violino aos 3 anos em um programa de televisão, acaba de ganhar o Grammy de melhor performance de solista instrumental por suas gravações de concertos de Schoenberg e Sibelius. Preste atenção: No modo como Hilary consegue fazer interpretações despretensiosas, porém impecáveis, mesmo em peças que exigem vigor físico, como as Danças Húngaras, de Brahms. Onde: Sala São Paulo (pça. Júlio Prestes, s/nº, São Paulo, tel. 0++/11/3323-3966). Quando: Dias 16 e 17, às 21h. R$ 90 a R$ 230. Ouça: Schoenberg & Sibelius Violin Concertos (Deutsche Grammophon — importado), com a Orquestra Sinfônica da Rádio Sueca, sob a regência do finlandês Esa-Pekka Salonen. |
EDIÇÃO DE Helio Ponciano
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AS MENINAS Companhia das Letras Autor: Romancista e contista, Lygia Fagundes Telles nasceu em São Paulo, em 1923. Entre suas obras, estão Ciranda de Pedra, Verão no Aquário, Antes do Baile Verde, Seminário dos Ratos, A Disciplina do Amor, Invenção e Memória. Preste atenção: Em como o livro, parte do relançamento da obra da escritora em novas edições, ainda mantém o encanto. Mais do que os recursos formais, permanece admirável a criação das personagens. Tema: Durante a ditadura militar, três universitárias vivem em um pensionato: a sensível Lorena, virgem que tem um romance com um homem casado; a viciada em drogas Ana Clara; e a empenhada Lia, que está ligada a um grupo armado e quer tirar o namorado da prisão. Por que ler: Publicado em 1973, o romance apresenta uma estrutura em que a narração oscila da terceira pessoa à primeira, nas três personagens. Por meio dessas vozes, cria-se um painel rico do período. Trecho: “Bach? Encosto o disco na face. M.N., meu amado, queria tanto ser amada ouvindo este prelúdio. Não peço nada em seguida, vou me embora para sempre mas antes você precisa me amar, tem que ser você, está me ouvindo?” (pág. 116) |
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A ESTRANHA MORTE DO PROFESSOR ANTENA 7Letras Autor: O contista e poeta português Mário de Sá-Carneiro (1890-1916) publicou, entre outros livros, A Confissão de Lúcio, Amizade, Dispersão, Indícios de Oiro, Céu em Fogo; Cartas a Fernando Pessoa é uma publicação póstuma. Preste atenção: Nos temas subjacentes que são caros ao poeta: a tensão entre espírito e corpo; a incompatibilidade entre o sujeito e o mundo; a insatisfação com o presente; o esforço da criação. Tema: Conto (da coletânea Céu em Fogo) em que o Professor Antena almeja romper as barreiras entre o passado e o presente e, dessa forma, tomar contato com a vida humana anterior. Ele defende que a alma é imortal e o homem passa por uma série de vidas sucessivas. Por que ler: Contemporâneo de Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro teve sua produção posta à sombra do colega. Cada reedição de obra é um convite para reavaliar o seu valor literário e a sua originalidade. Trecho: “Na vida de ontem, saberíamos que o nosso porvir na de hoje, variaria conforme existíssemos a de então. [...] ao desenvolvermo-nos na vida actual que o nosso destino em Amanhã, seria diverso segundo procedêssemos em Hoje.” (pág. 43) |
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VIDA CONJUGAL Companhia das Letras Autor: O ensaísta, tradutor e diplomata Sergio Pitol nasceu no México em 1933. Entre suas obras, estão El Tañido de una Flauta, Juegos Florales e Domar a la Divina Garza. Recebeu os prêmios Juan Rulfo, em 1999, e Cervantes, em 2005. Preste atenção: Na descrição da sociedade mexicana feita pelo escritor. Na festa de sete anos de casamento de Jacqueline e Nicolás, há uma impiedosa visão da personagem sobre o vestuário de seus parentes. Tema: Quatro décadas do casamento de Jacqueline Cascorro e Nicolás Lobato. Ao mesmo tempo em que consegue ingressar na alta sociedade, o casal entra em crise. Para cada novo amante, Jacqueline pede que mate o marido, mas o plano tende sempre a falhar. Por que ler: Entre as obras da trilogia formada ainda por O Desfile do Amor e La Divina Garza, este romance é o que melhor emprega o humor para tratar da asfixia que toma a vida do casal de protagonistas. Trecho: “Narrava suas pequenas misérias, seus sonhos toscos, o rancor que as embriagava e enturvava seus dias toda vez que se referiam à irmã vitoriosa, seu triste percurso entre a cafonice, a frustração e o tédio.” (pág. 71) |
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CADERNOS DE INFÂNCIA Record Autor: A poeta e romancista argentina Norah Lange nasceu em 1905 e morreu 1972. É autora de La Calle de la Tarde, Los Días y las Noches, Personas en la Sala, entre outros. Recebeu o Grande Prêmio de Honra da Sociedade Argentina de Escritores. Preste atenção: Na composição da figura da mãe, que representa a fonte de carinho de que seus seis filhos necessitavam. E nas cenas comoventes de penúria, como a que antecede a venda de um piano. Tema: As memórias da narradora, de origem norueguesa, em Buenos Aires e Mendoza, nos anos 1920. Quando tinha 5 anos, ela começa a assistir à decadência da família, que não perde contudo a postura de seus tempos de nobreza e fartura. Seu destino é ser escritora. Por que ler: Publicada em 1937, a obra é a terceira incursão na prosa por Norah Lange, cuja poesia tinha sido elogiada por Borges. Aqui, seu trabalho ficcional de “recuperação de paisagens” revela-se lírico. Trecho: “Suas mãos descansadas e sua intransigência quando decidíamos representar alguma peça de teatro constituem as duas circunstâncias de sua meninice que eu mais recordo. [...] Todas aceitávamos, sem nenhuma objeção, a parte que nos correspondia.” (pág. 51) |
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FILOCTETES Editora 34 Autor: O dramaturgo e poeta grego Sófocles (496-406 a.C.) forma com Eurípides e Ésquilo a trindade do teatro grego antigo. Entre as peças que escreveu, estão Édipo Rei, Antígona, Édipo em Colono, Electra, Ájax e As Traquínias. Preste atenção: Em Neoptólemo, filho de Aquiles, que concentra o maior dilema dos personagens: não enganar um herói injustiçado ou provar sua capacidade de jovem guerreiro a seus comandantes. Tema: Na viagem para a guerra em Troia, o arqueiro Filoctetes é abandonado em uma ilha depois de picado por uma serpente. Dez anos depois, um oráculo afirma que os gregos somente vencerão a guerra com a presença dele. Caberá a Odisseu e a Neoptólemo convencê-lo a lutar. Por que ler: Pelo que o texto apresenta de diverso das tragédias tradicionais. O evento funesto — no caso, o exílio e o sofrimento — já se consumou, e o que predomina é conflito ético e psicológico. Trecho: “Que júbilo notar que já não sofres,/ que pulsas normalmente, pois, há pouco,/ os sintomas nos davam a impressão/ de que do surto a morte avizinhava!/ Fica em pé, ou preferes que eles cuidem/ do teu transporte?” (pág. 105) |
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QUANDO TODOS OS ACIDENTES ACONTECEM 7Letras Autor: O poeta piauiense Manoel Ricardo de Lima nasceu em 1970. Vive atualmente em Florianópolis, onde leciona literatura na Universidade Federal de Santa Catarina. Entre seus livros, estão Embrulho, As Mãos, 55 Começos. Preste atenção: Em Quadrado Branco, Um e Quadrado Branco, Dois e em como o poeta explora bem tecnicamente noções de forma e espaço. Esses poemas em prosa revelam um autor maduro. Tema: Coletânea de 26 poemas. Alguns títulos parecem anunciar os núcleos temáticos: Os Dias não Têm Palavras, Esboço, Um Campo de Trabalho, Sempre É Possível Mentir. Finaliza o volume a série Groove, três poemas compostos em parceira com Aníbal Cristobo. Por que ler: Autor de sólida formação no campo da teoria literária, Manoel Ricardo de Lima tem a seu favor o uso consciente de invenções formais. Trecho: “sem força e percurso, sem/ vaga, o trem rasga/ corta e carrega a pergunta:/ qual destino, e o tempo. é/ sem cuidado, sem morrer. o/ sulco nos carros vazios e/ a troça, cheios dos olhos da/ gente. lugar aqui lugar ali, não/ importa muito onde estamos/ de novo.” (pág. 29) |
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TEATRO COMPLETO Nova Aguilar Autor: O dramaturgo e poeta inglês William Shakespeare (1564-1616) nasceu em Stratford-upon-Avon. Além de Sonetos, é também autor de peças como Hamlet, Romeu e Julieta, Rei Lear, Otelo, Sonho de uma Noite de Verão. Preste atenção: No discurso de Marco Antônio em Júlio César; nas hesitações do príncipe Hamlet; nos valores morais de Timon de Atenas, todas peças do volume 1. Tema: A produção teatral shakespeariana em três volumes: Tragédias e Comédias Sombrias; Comédias e Romances; e Peças Históricas. Todas as peças têm tradução de Barbara Heliodora, uma das maiores especialistas brasileiras em Shakespeare. Por que ler: Citado, estudado e analisado como um dos cânones da literatura ocidental, Shakespeare é fundamental para a formação de um leitor. Os volumes facilitam a fruição de seu vasto repertório. Trecho: “E todo ontem conduziu os tolos/ À via em pó da morte. Apaga, vela! A vida é só uma sombra: um mau ator/ Que grita e se debate pelo palco,/ Depois é esquecido; é uma história/ Que conta o idiota, toda som e fúria,/ Sem querer dizer nada.” (Macbeth, vol. 1, pág. 793) |
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UM EXPERIMENTO NA CRÍTICA LITERÁRIA Editora Unesp Autor: O irlandês Clive Staples Lewis nasceu em 1898 e morreu em 1963. Foi poeta, teólogo, crítico literário e autor de, entre outros, As Crônicas de Nárnia, Cristianismo Puro e Simples, A Cadeira de Prata e O Cavalo e Seu Menino. Preste atenção: No capítulo Sobre Realismos, em que trata de definições como “livros para crianças”. Autor de clássicos da chamada literatura infantil, Lewis questiona essa classificação. Tema: Conjunto de ensaios em que Lewis defende a avaliação da obra literária por próprio valor, e não por noções que escapam de critérios objetivos. Para o autor, a boa literatura deve proporcionar “experiências alheias” e gerar a ilusão com diálogos e personagens. Por que ler: Pela clareza da abordagem. Em 13 textos, Lewis expõe sua erudição antes a favor do entendimento ao citar o mito de Édipo, Rabelais, Racine, Dickens, Dante Alighieri, Júlio Verne, entre outros. Trecho: “Ele pode acabar fazendo uma triste imagem aos olhos da posteridade, pois um trabalho que foi considerado mero lixo comercial para o cognoscenti de uma geração pode vir a se tornar um clássico para outras gerações.” (pág. 96) |
EDIÇÃO DE Gabriela Mellão (Teatro)
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LIZ De Reinaldo Montero. Direção de Rodolfo García Vázquez. Com Cléo de Paris (foto), entre outros.De Reinaldo Montero. Direção de Rodolfo García Vázquez. Com Cléo de Paris (foto), entre outros. O espetáculo: Retrata um acontecimento político do reino de Elizabeth 1ª, no século 16, no qual dois autores ingleses, Walter Raleigh e Christopher Marlowe, fundam o grupo Escola da Noite para questionar o poder. Por que ir: Premiado em Cuba em 2008, o espetáculo — que celebra os 20 anos da Cia. Os Satyros, uma das mais importantes do país — faz uma crítica sobre o poder. Preste atenção: Em como Vázquez se serve de estéticas inventivas para refletir sobre questões sociais atuais. Nesta peça, o painel histórico caótico é desenhado por meio de uma linguagem farsesca. Onde: Espaço dos Satyros Um (praça Roosevelt, 214, Centro, São Paulo, tel. 0++/11/3258-345). Quando: 6a e sáb., às 21h. De R$ 5 a R$ 20. Veja também: Justine. Adaptação e direção de Rodolfo García Vázquez para a obra homônima de Marquês de Sade. Com Cia. Os Satyros. A peça que encerra a trilogia libertina do grupo também é concebida com intensa criatividade. No Espaço dos Satyros Dois, (tel. 0++/11/3258-345). |
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VESTIDO DE NOIVA De Nelson Rodrigues. Direção de Gabriel Villela. Com Leandra Leal, Marcello Anthony (foto), Vera Zimmermann, Mila Moreira, entre outros. O espetáculo: Desenrola-se a partir do atropelamento de Alaíde, moça rica carioca, por meio da intersecção de três planos: memória, alucinação e realidade. Enquanto ela é operada, a trama acontece, envolvendo um crime. Por que ir: Grande clássico do maior dramaturgo brasileiro, a peça é considerada o marco inicial do teatro moderno do país por investigar aspectos psicológicos do homem e ser concebida em três planos. Preste atenção: Em como o diretor não demarca arquitetonicamente os três planos criados pelo dramaturgo. E busca enfatizar passagens dramáticas por meio de música e dança, presentes em todo o espetáculo. Onde: Teatro Vivo (av. Chucri Zaidan, 860, Morumbi, São Paulo, tel. 0++/11/7420-1520). Quando: De 5a a sáb., às 21h30, e dom., às 19h. Até 5/7. De R$ 35 a R$ 70. Veja também: As Noivas de Nelson. De Nelson Rodrigues. Direção de Marco Antônio Braz. Com Cia. Paulista de Artes. Baseada em contos de A Vida como Ela É, a peça retrata com humor o patético do ser humano. No Centro Cultural Solar de Botafogo, no Rio de Janeiro (tel. 0++/21/2543-5411). |
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MUSIC HALL De Jean-Luc Lagarce. Direção de Luiz Päetow. Com Gabriela Flores e Sílvio Restiffe (foto), entre outros. O espetáculo: Ancorada em um banquinho e em recordações, uma artista de music-hall, o chamado teatro de variedades, repassa a vida que levou, refletindo sobre como se apresentou a um público cada vez mais grosseiro e desinteressado. Por que ir: Para ver um texto inédito de Lagarce, um dos dramaturgos mais encenados no mundo. Nesse texto, ele questiona o fazer teatral. Preste atenção: Em como o diretor amplia a universalidade do texto e sua possibilidade de identificação com o espectador. Na montagem, seis atores vivem a protagonista, evitando a definição de um único personagem. Onde: Teatro Imprensa — Sala Vitrine (rua Jaceguai, 400, São Paulo, tel. 0++/11/3241-4203). Quando: Sáb., às 21h, e dom., às 19h30. De 13/6 a 30/8. Até 15/7, o ingresso é uma lata de leite em pó. Depois, R$ 10. Veja também: De Vita Sua. De Marilia Toledo. Direção de Kleber Montanheiro. Com Cia. da Revista. Baseada na obra Um Monge no Divã, do psicanalista David Levisky, a peça faz uma reflexão sobre a adolescência na Idade Média. No Miniteatro, em São Paulo (tel. 0++/11/2865-5955). |
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SESSENTA MINUTOS PARA O FIM Texto e direção de Cesar Ribeiro. Com Ulisses Sakurai, Paulo Campos (foto) e Priscilla Maia. Realização Grupo Garagem 21. O espetáculo: Dois atores são condenados por um coelho a fazer uma apresentação teatral para um público que nunca aparece. O mais velho parece deter o poder, mas depende do companheiro inexperiente para situar-se no mundo. Por que ir: Inspirada sobretudo em Esperando Godot e Fim de Partida, de Samuel Beckett, a peça retrata o absurdo da existência humana com originalidade, por meio de uma trama em que não há vencedores. Preste atenção: Como em Beckett, a linguagem da peça é esvaziada. O velho ator dá as cartas, mas está diante da morte e do esquecimento, representados pelo público inexistente, recebendo informações deturpadas. Onde: Espaço dos Satyros Dois (praça Roosevelt, 134, Centro, São Paulo, tel. 0++/11/3258-6345). Quando: Sáb. e dom., às 18h30. Até 28/6. R$ 20. Veja também: Desfigura. De Pierre Charras. Adaptação e direção de Regina Miranda. Com Edi Botelho. A peça também joga luz sobre a existência ao reunir impressões sobre a vida e obra de Francis Bacon. No Espaço Parlapatões, em São Paulo (tel. 0++/11/3258-4449). |
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ANATOMIA FROZEN De Bryony Lavery. Direção de Marcio Aurelio. Com Joca Andreazza e Paulo Marcello (foto). Realização Cia. Razões Inversas. O espetáculo: Retrata 25 anos da vida de um pedófilo, da mãe de uma de suas vítimas e de uma psiquiatra que trabalha em uma tese sobre assassinatos em série, a partir do desaparecimento da garotinha Rhona. Por que ir: O texto, que estreou no Royal National Theatre em 2002, chega ao Brasil com os atores e o diretor de Agreste, uma das peças mais importantes dos últimos anos. Preste atenção: O diretor redimensiona a poética do texto, evita o melodrama e dá prosseguimento a um modelo de encenação em que os atores se alternam em todos os papéis. Onde: Teatro Imprensa — Sala Vitrine (rua Jaceguai, 400, Bela Vista, São Paulo, tel. 0++/11/3241-4203). Quando: 5a e 6a, às 21h. De 11/6 a 28/8. Até 3/7, o ingresso é uma lata de leite em pó. Depois, R$ 10. Veja também: Gloriosa. De Peter Quilter. Direção geral de Charles Möeller. Com Marília Pêra e outros. Trata-se de uma comédia musical também inspirada em fatos reais; no caso, a vida da soprano Florence Jenkins. No Teatro Procópio Ferreira, em São Paulo (tel. 0++/11/3083-4475). |
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SOBRE TOMATES, TAMANCOS E TESOURAS Roteiro e dramaturgia de Andréa Macera (foto), que atua, e de Rhena de Faria, que dirige. Realização Barracão Teatro. O espetáculo: Retrata um crime que envolve o uso de tomates, uma tesoura, um tamanco e a apresentação de uma artista de cabaré. Por meio de flashbacks, o espectador conhece uma realidade deturpada dos fatos. Por que ir: O solo é criado por artistas de dois importantes núcleos de pesquisa da arte clownesca. Preste atenção: Em como no espetáculo, inspirado em clichês de filmes noir, a plateia é obrigada a tirar as próprias conclusões sobre o que de fato aconteceu. Onde: Centro Cultural Sesi Vila Leopoldina (rua Carlos Weber, 835, Vila Leopoldina, São Paulo, tel. 0++/11/3834-5523). Quando: 5a, às 20h; 6a, às 15h e 20h; sáb., às 20h; e dom., às 18h. De 5/6 a 26/7. Grátis. Veja também: The Cachorro Manco Show. De Fábio Mendes. Direção de Moacir Chaves. Com Leandro Daniel Colombo. A peça, na qual o protagonista interpreta um cão que vaga pelas ruas, também é um monólogo cômico. No Sesc Avenida Paulista, em São Paulo (tel. 0++/11/3179-700). |
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TURISMO INFINITO De António M. Feijó, baseado em textos de Fernando Pessoa e em cartas de Ofélia Queirós. Direção de Ricardo Pais. Com Teatro Nacional São João. Com Pedro Almendra (foto). O espetáculo: Retrata Fernando Pessoa segundo suas poesias e cartas escritas a Ofélia Queirós, grande amor do poeta. Por que ir: Considerado o melhor de Portugal em 2007, o espetáculo é de uma companhia cujo trabalho transformou o teatro português. Preste atenção: Em como a peça parte da fragmentação do protagonista em seus vários heterônimos — como o guarda-livros Bernardo Soares — para construir (ainda que ficcionalmente) sua totalidade. Onde: Sesc Pinheiros (rua Paes Leme, 195, Pinheiros, São Paulo, tel. 0++/11/3095-9400). Quando: 5ª a sáb., às 21h, e dom., às 18h. De 19/6 a 28/6. De R$ 5 a R$ 20. Veja também: O Fingidor. Texto e direção de Samir Yazbek. Com Hélio Cícero, Eduardo Semerijan e outros. Obra — que comemora uma década de sucesso — também leva ao palco a vida do poeta Fernando Pessoa. No Teatro Tuca, em São Paulo (tel. 0++/11/3670-8455). |
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FESTIVAL DE CENAS CURTAS DO GALPÃO CINE HORTO Curadoria de Chico Pelúcio, Leonardo Lessa, Paulo André, Anderson Aníbal e Fernando Mencarelli. O espetáculo: O festival apresenta 16 cenas de 15 minutos de duração. Da mostra, são escolhidas pelo público as quatro melhores, que, juntamente com uma selecionada pela curadoria, cumprem curta temporada no Galpão Cine Horto. Por que ir: Para ver pequenas montagens variadas e de qualidade. O festival promove a formação de novos grupos, como o Espanca!, o Luna Lunera e a Cia. Clara, criados no projeto. Preste atenção: Na cena Para Aqueles que Lavaram as Mãos (na foto, Paulo Azevedo), de Renato Rebouças, que trata da busca da identidade e reúne integrantes de três importantes grupos: Grupo XIX de Teatro, Espanca! e Luna Lunera. Onde: Galpão Cine Horto (rua Pitangui, 3.613, Horto, Belo Horizonte, tel. 0++/31/3481-5580). Quando: De 18/6 a 21/6. Mais informações no site http://www.galpaocinehorto.com.br. Veja também: Primeiras Rosas. Dramaturgia de Beto Andretta. Direção de Alexandre Fávero, entre outros. Com a Cia. Pia Fraus. Inspirado em contos de Guimarães Rosa, o espetáculo se destaca nas cenas de impacto visual. No Teatro Sesi Paulista, em São Paulo (tel. 0++/11/3146-7405). |


