Arteria

“A sua pressa não é a minha pressa”

A frase que dá título a este post está em uma das paredes da sala expositiva ocupada por Artur Barrio na Bienal de Veneza. O artista português radicado no Brasil desde 1955 é o nosso representante na 54a edição da mostra, aberta a partir de sábado ao público e em cartaz até 27 de novembro. Escolhido pelos curadores Moacir dos Anjos e Agnaldo Farias, Barrio é um criador avesso a todas as convenções do circuito. Sua obra não envolve necessariamente nenhuma matéria-prima comum ao repertório da arte – como tinta, moldura, bronze, coisas assim. O artista que se tornou célebre na década de 1970 depois de espalhar trouxas com carne ensanguentada pelo Rio de Janeiro, hoje, quase sempre produz suas instalações no local em que serão apreciadas. Mistura frases provocadoras com desenhos, traços, cheiros.

Agora, em Veneza, ele diz que chegou à cidade e foi logo recebido por um produtor ansioso para lhe conseguir os materiais exigidos para o trabalho inédito. Ele, calmo, respondeu que ainda não sabia do que iria precisar. Diante de um rosto em pânico, resolveu pedir uns barbantes. A história promete entrar para as anedotas da Bienal, não? Junto com os barbantes, sua obra inclui copos, vinho, arame, pó de café e bacalhau.

Artur Barrio prepara instalação na Bienal de Veneza
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Tá na mesa

O norte-americano Christopher Boffoli é obcecado por maquetes desde pequeno. Quando virou artista, juntou a adoração pelas miniaturas com outra, a por comida, e o resultado é a série Disparity, que vem fazendo bastante sucesso em exposições nos Estados Unidos. Não é pra menos. As fotografias são tão divertidas que foi bem difícil escolher as que viriam pra cá.

 

 

 

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Crônica em desenho

Descobri os desenhos do romeno Saul Steinberg (1914-1999) outro dia. O que sabia dele até então era que o cara havia sido o maior ilustrador da revista norte-americana The New Yorker. De fato, foi nas páginas da publicação que Steinberg virou grife. Mas ele traçou uma trajetória independente, como artista, também bastante digna dos mais altos elogios. E cheia de obras incríveis, que traduzem bem a cultura dos Estados Unidos com toques de humor e crítica. Os estudiosos de seu legado enxergam nos trabalhos de riscado simples uma veia literária, como se o artista estivesse sempre a contar uma história. Suas obras, que logo mais entram em cartaz no Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro, já passaram por museus como o MoMA de Nova York e… o Masp.

Aliás, a primeira capa que Steinberg fez na vida foi para uma revista brasileira, a pedido de Victor Civita, fundador da editora Abril. A publicação chamava Sombra. Saiu em 1941. E desde que coloquei os olhos na capa, não me canso de olhar para ela. Acho divertida na medida. E leve. E iluminada.

revista Sombra, 1941
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Contraste

Está em cartaz aqui em São Paulo uma exposição com sete filmes do artista sul-africano William Kentridge. Se você ainda não conhece o cara, precisa conhecer. Mesmo. A arte contemporânea da África é meio a bola da vez entre os críticos e analistas de mercado e… entre os africanos, Kentridge brilha há algum tempo no topo da lista. Já participou da festejada Documenta de Kassel, na Alemanha, da Bienal de Veneza, e expôs no ano passado no MoMA, em Nova York. Seus vídeos, que exploram muito o contraste entre o preto-e-branco, são geralmente feitos com uma única folha de papel, sobre a qual ele risca todos os desenhos e depois aplica o stop motion. Saber disso, pra mim, tornou a experiência de desfrutar um de seus trabalhos ainda mais legal.

Abaixo está Monument, de 1990, que integra a seleção da galeria Soso. A obra fala das diferenças da África branca e negra. Um magnata branco resolve erguer uma estátua em homenagem ao trabalhador negro. Na cerimônia de inauguração, o monumento ganha vida. A expressão de seu rosto… Tá, não vou falar mais nada.

httpv://www.youtube.com/watch?v=kSjqwzPjbe0

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Para imaginar volumes

Cinco esculturas do artista carioca Waltercio Caldas inauguram a nova sede da galeria Raquel Arnaud, na Vila Madalena, em São Paulo. O conjunto, chamado de Série Negra, está sustentado em mesas de mármore preto e é feito com fios de lã e barras de metal. Mesmo com tons assim mais escuros, Waltercio consegue manter a leveza e o jogo de imagens que caracteriza sua obra. Sabe quando um crítico de arte escreve que a peça de um artista faz desenhos no ar? Pois sempre que leio algo assim penso em Waltercio. Diante de uma escultura dele, parece que não há espaços vazios. Meus olhos, pelo menos, sempre preenchem os buracos entre as linhas. Por isso ele me fascina tanto. Seus trabalhos, escorados em conceitos da metafísica e aparentemente frios, têm pra mim uma dimensão sensorial tocante.

Escultura da Série Negra, de 2005, de Waltercio Caldas
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