A frase que dá título a este post está em uma das paredes da sala expositiva ocupada por Artur Barrio na Bienal de Veneza. O artista português radicado no Brasil desde 1955 é o nosso representante na 54a edição da mostra, aberta a partir de sábado ao público e em cartaz até 27 de novembro. Escolhido pelos curadores Moacir dos Anjos e Agnaldo Farias, Barrio é um criador avesso a todas as convenções do circuito. Sua obra não envolve necessariamente nenhuma matéria-prima comum ao repertório da arte – como tinta, moldura, bronze, coisas assim. O artista que se tornou célebre na década de 1970 depois de espalhar trouxas com carne ensanguentada pelo Rio de Janeiro, hoje, quase sempre produz suas instalações no local em que serão apreciadas. Mistura frases provocadoras com desenhos, traços, cheiros.
Agora, em Veneza, ele diz que chegou à cidade e foi logo recebido por um produtor ansioso para lhe conseguir os materiais exigidos para o trabalho inédito. Ele, calmo, respondeu que ainda não sabia do que iria precisar. Diante de um rosto em pânico, resolveu pedir uns barbantes. A história promete entrar para as anedotas da Bienal, não? Junto com os barbantes, sua obra inclui copos, vinho, arame, pó de café e bacalhau.
