Ontem fui assistir ao espetáculo Ten Chi, da Pina Bausch (1940-2009). Inspirada na cultura japonesa, a peça é fruto de uma criação conjunta da coreógrafa e seus bailarinos, que cumpriram uma espécie de residência no país em 2004. Por um tempo Pina adotou bastante essa estratégia: mudar-se com a companhia para uma região e, dessa imersão na realidade local, produzir um trabalho novo. Suas obras falam muito também das relações humanas. Dizem que ela costumava trazer para o teatro muito de suas próprias vivências e esperava o mesmo dos colegas de profissão. Das conversas entre eles, sobre tudo mesmo - família, amor, angústias e trapalhadas – surgiam passos, diálogos e pas-de-deux. Aliás, diálogo e dança é uma mistura que define muito a herança de Pina Bausch. Ela de fato inovou sua área ao introduzir elementos da dramaturgia nas coreografias, algo que no começo inclusive assustou a platéia. As pessoas simplesmente levantavam-se no meio das peças e iam embora.
Saber de tudo isso antes de assistir a uma criação de Pina é bom, mas não indispensável. Ten Chi tem humor, tensão e muita beleza, naquele sentido mais clássico do termo. Daquelas belezas capazes de emudecer. Depois de ver a performance dos bailarinos debaixo de uma neve fina que caía no palco incessantemente (feita de papel de seda picado), tudo o que eu escrever aqui sobre o espetáculo propriamente dito fica parecendo bobo. E definitivamente não dá conta da experiência que tive. Aliás, Pina não tinha medo de ser brega. E sentimental. E até meio boba às vezes. E acho isso o máximo nela. (Por isso estou com coragem de publicar esse post mesmo assim!)



