A Virada noturna não fez as pessoas perderem o fôlego, durante o dia, lá estavam elas prestigiando os eventos.
O conselho que se tira depois de ter planejado em ir a quatro shows na madrugada da Virada Cultural e ter conseguido ver somente um é: escolha dois shows com horários bem afastados e tente ver algum deles.
Foram selecionados os dez melhores pastéis da cidade, mas experimentá-los não era tão fácil assim. Com a fome, resolvi encarar uma fila quilométrica na Estação da Luz. Depois de uma hora, e quase chegando a minha vez, não tive coragem de sair e acabei ouvindo as primeiras notas retumbantes de Carmina Burana, com a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, na própria fila.
Como já tinha perdido grande parte da orquestra até ter em mãos o meu quitute, resolvi ir à Praça da República ver o Baile do Simonal. Metrô? Estava pior que a Estação da Sé na hora do rush. Quando saí, dei de cara com um mar de pessoas pertencentes a tantas tribos, que seria um prato cheio para qualquer antropólogo. Ali estava representado São Paulo – na verdade, a minha sensação era de que todos os paulistanos estavam ali no centro.
Alguns quilômetros me separavam do palco de Max de Castro e Simoninha. Frustrada, resolvi ir para a Rua São João. Ali, onde pude respirar um pouco, acabei me deparando com o “Palco de uma pessoa só”. De repente, um jovem cantor animadíssimo começou a cantar Don’t Worry, Be Happy, de Bobby McFerrin, misturando com What’s Up do 4 No Blonds, à la beat box (quando o cantor faz os sons da música com a boca). Júnior Meirelles conseguiu parar os transeuntes que, como eu, não sabiam para onde ir.
Resolvi tentar ver pelo menos um show inteiro. No caminho para o Bulevar São João vi a pérola da minha noite. Num cruzamento de ruas que tocava música eletrônica, um caminhão com uma caçamba de lixo resolveu entrecortar a multidão até que algumas pessoas começaram a subir no caminhão. As “algumas” se transformaram e um “monte”, e praticamente transformaram o veículo em um trio elétrico trance!
Aguardei meia hora até o grupo The Temptations subir ao palco. Os americanos ficaram conhecidos na década de 60 pelas coreografias e pelas músicas como My Girl e Just My Imagination. Apesar de cheio, consegui cumprir pelo menos com uma das minhas programações. Quando fui embora, tive a sensação de ter visto muita coisa e, ao mesmo, não ter visto nada. Talvez a grande dica da Virada é tentar ver as programações mais alternativas, saindo um pouco da concentração de pessoas e torcer para que elas não tenham o mesmo plano que o seu.

J1
Se você ainda não se moveu para ver alguma coisa da Virada Cultural, ainda dá tempo de ver a saideira com o grupo Letieres Leite e Orkestra Rumpilezz, às 17hs, o último show no palco Bulevar São João. Apadrinhados pelo cantor Ed Motta, apresentam-se como uma big band e misturam influências jazzísticas com bossa nova e ritmos africanos.