Estou no meio do processo de mudança. Tenho de empacotar uma casa (grande) inteira. Durante o processo, cada garfo, cada meia, cada livro, cada móvel: tudo tem de ser descrito e avaliado. Colocar uma vida inteira em ordem e empacotá-la em dias é possível, mas é difícil. Sobretudo nos dias de chuve, como hoje, vem um desesperozinho, que paira, ameaça, mas não chega a assustar. Para esse estado de espírito, de desespero latente, um poema do Murilo Komniski, diplomata como eu, que acaba de lançar o seu segundo livro de poesias:
“Dizem
Os mais velhos e,
sempre, os mais
loucos,
Da escuridão há de
brotar um grão de luz
Aguardo.
Espreito.
Resisto.
Nada vem.
Espreitam-me
os ossos, a face,
os cabelos já brancos.
Tenho tios mortos
de faca, avô, de tiro
e muitos irmãos
de pobreza e inanição.
Não tenho o direito de desesperar.”
(Murilo Vieira Komniski, in “Poema de amor e outras vozes”, Editora 7 Letras, RJ, 2011.)
Acho que, como diria o Elsworth Kelly (1923), o négócio mesmo é ser simples:

Muito boa a ideia do blog! Parabens. Ja li quase tudo e espero que continue com o alto nivel. A proposito, acho que vou assistir tio vanya. Nunca assisti no palco, mas o filme que o Laurence Olivier dirigiu nos 60 com o Michael Redgrave no papel de Vanya, ja assiti algumas vezes pois tenho aqui. Quanto a plateia de DC, ja vi de tudo por aqui meu chapa. Ja vi gente comendo ao assitir um espetaculo do Merce Cunningham – alias o ultimo que ele dirigiu no Kennedy Center antes de morrer. Parecia uma daquelas cenas dantescas que o Peter Gay narrava em Coracao Desvelado.
Abraco, Chico.