Pois bem, fui a Pequim comprar o tal do fraque (caso você não saiba a que me refiro, dê uma olhada em meu post O fraque e a globalização, de 13/11). Tudo deu muito certo, e acho que estarei bem vestido quando for cumprimentar o Imperador do Japão.
Para um neófito, processar os estímulos que se encontram em Pequim pode ser meio assustador. Sobretudo para quem vive em Tóquio. Em Pequim, como diriam os Titãs, tudo acontece ao mesmo tempo agora. Em Tóquio, tudo tem o momento exato para acontecer. Nada sai do script. Em Pequim, não existe script algum: qualquer surpresa é possível. Comigo não foi diferente.
Não pense que me queixo. As surpresas que se têm na China podem ser muito gratificantes. Além do fraque e de outras coisinhas que acabei comprando por lá, trouxe de Pequim algo que não esperava: um reencontro.
Explico-me:
Quando era adolescente conheci no Acampamento dos Pumas, em Campos do Jordão, onde passava as férias, um garoto que carregava um violão onde quer que andasse. Inventava palavras, melodias e abusava do non-sense. Relatava musicalmente tudo o que vivíamos no acampamento: a queda do cavalo do Octavio Pires, o namoro da Alexandra Violante com o Ricardo Bachert: tínhamos a trilha sonora de tudo.
Chamava-se André Abujamra, e seu exemplo foi importante para mim. Ele, sem saber, me mostrou uma série de possibilidades em termos de expressão individual que eu, sozinho, nunca teria conseguido vislumbrar. Aos 15 anos, André já cumpria a função do grande artista que viria a se tornar: abrir os olhos das pessoas para o óbvio invisível.
Sempre quis agradecer-lhe por isso, mas não o via há 30 anos. No sábado, por total casualidade, reencontramo-nos em Pequim. Ele me disse que tinha vindo ao mundo para ser feliz – e era. Eu concordei com ele e com o sentimento que ele tinha.
Abaixo, André Abujamra, o meu amigo reencontrado, cantando mais uma verdade:
A gravação abaixo foi feita na noite de nosso reencontro, muito precariamente, com um I-phone trêmulo, em uma boate cheia de gente dançando. Tenha indulgência comigo, é só o registro da noite do reencontro pequinês. (Au-Au!)


Foi um show muito, muito divertido para nós que conhecemos seu trabalho, e sensacional para o público estrangeiro e local.
Eis que ao “googar” meu nome de solteira, deparo-me com este post. Além da surpresa agradável, e olha que nem estou em Pequim, me diverti (re)vendo meu tb amigo Abujanra, e lendo meu grande amigo Ale! Valeu queridos! Alexandra Violante (agora Sapia)…