Susana e Matias casaram-se no dia dezoito de maio. Três anos antes, na mesma data, haviam sido apresentados por um amigo comum.
O namoro foi quase monótono. Nenhum rompimento ou grande dúvida. O tempo foi dando a medida do que, entre eles, deveria, dia a dia, acontecer.
Noivaram dois anos depois do primeiro encontro. Na festa do noivado, Matias, maravilhado, orgulhoso, descobria-se homem, pronto para casar.
Naquela mesma noite, em sua cama, antes de dormir, sonhou a vida que queria com Susana. Levemente bêbado, imaginou uma fazenda com cães pastores tangendo ovelhas, num país longínquo, bem distante do Brasil.
Casaram-se um ano depois.
O mesmo padre que batizara Susana celebrou seu casamento. Não que isso fizesse a menor diferença para ela àquela altura da vida. Só muitos anos depois descobriria a religião. Mas sua mãe, que era católica, conhecia Padre Justino há anos e fez questão de que fosse ele a casá-la.
Para Susana, naquela cerimônia, só interessava mesmo o fato de estar-se casando. Por meio de Matias, ela operava uma metamorfose em sua vida. Padre Justino abençoava aquela transformação. Susana também sonhava com uma fazenda, cães pastores e ovelhas num país longínquo, do outro lado do mundo.
O noivo estava satisfeito, mas não feliz. Não caberia falar de felicidade ali. A satisfação de Matias era outra. Dos elementos que a compunham, o orgulho era o mais importante. Sentia orgulho de sua noiva e quase queria que seus sogros houvessem sido também seus pais.
O casamento era uma função, uma brincadeira, uma partida de tênis que poderia transformar-se em frescobol na praia ou em futebol na lama. Matias Grappeggia cumpria o seu destino de homem. Casava-se bem. Levava seu nome adiante.
Incluía-se na ordem natural das coisas: do pó ao pó. O padre lhe falou de eternidade, de mais uma geração. Confirmava-se a intuição que ele já tinha de que o casamento é uma eterna construção, como a catedral em Barcelona sobre a qual lera na revista Manchete.
Para não sobrecarregar os recursos do noivo, Susana escolheu uma praia perto de São Paulo para a lua-de-mel. Um motorista os levou num carro alugado. No banco de trás, olhando a paisagem, Matias perguntava-se se aquela vegetação fechada ainda abrigaria macacos. Susana não pensava em nada. Enjoava nas curvas da estrada, feliz com sua nova vida, que descia a serra em direção ao litoral.
Perdeu a virgindade cerca de quarenta minutos após a chegada ao hotel, mas não conseguiu identificar o momento exato do defloramento. As três taças de champanhe que engoliu a confundiram, sem relaxá-la. Fato consumado, abraçou as costas do marido, ao mesmo tempo em que lhe beijava o pescoço.
Mudou sua vida sem choro. O sexo seria só uma atividade a mais na rotina do seu novo estado. Entendia que sua virgindade não valia nada. Não mudava nada. Dava-se conta de que defendera sua virgindade contra os avanços do namorado inutilmente.
Durante o resto da lua-de-mel tomaram banhos de mar, comeram camarões e fizeram sexo duas vezes todos os dias, de manhã e à noite.
(Matias na cidade, Editora Record)

q patetico…. mas eu gostei do cachorro!! ^^,
eu acho que isso e legal os significado das coisas dos objetos acho muito interesante.
xau xau adoei.^^