Elemento Estrangeiro

Ele poderia ter sido a Fernanda Takai…

Assisti na sexta-feira passada à abertura de uma exposição de fotografias chamada “Nikkei Brasileiros!“, do fotógrafo japonês Mizuaki Wakahara. A exposição é a primeira de uma série de seis que a Embaixada do Brasil em Tóquio patrocina neste ano com o objetivo de mostrar a visão de fotógrafos japoneses sobre o Brasil.

Gosto muito de fotografia, mas fui à abertura da exposição por estrito dever profissional. Como Ministro-Conselheiro da Embaixada, sentia-me na obrigação de comparecer. Não pretendia escrever sobre ela aqui no blog.  Mas a verdade é que achei a exposição tão inspiradora que não resisti.

Mizuaki Wakahara na abertura de sua exposição

Mizuaki Wakahara é um fotógrafo jovem e bem conectado no panorama artístico de Tóquio. É simpático e me disse que, se pudesse escolher, “gostaria de ser brasileiro“.  Descobriu essa identificação por acaso. Nunca tivera qualquer vínculo com o país. Ninguém de sua família emigrara. Em seu imaginário, o Brasil era um lugar remoto, mais musical do que físico.

No entanto, em 2008, Wakahara tomou conhecimento da história do navio Kasato Maru, que, cem anos antes, levara 165 famílias (781 pessoas) da cidade japonesa de Kobe para o porto de Santos, em uma viagem que durou 52 dias. Foi o Kasato Maru que deu início ao fluxo imigratório que produziu cerca de 1,5 milhão de brasileiros com ascendência japonesa.

Tomar conhecimento de que tantos japoneses haviam partido para o outro lado do mundo para, de alguma maneira, se reinventarem e iniciarem uma vida nova lhe foi perturbador. Como em um exercício de projeção, passou a perguntar-se: “Se a minha família tivesse emigrado para o Brasil, e eu fosse brasileiro, que tipo de vida eu teria?”

Com essa indagação na cabeça, Wakahara viajou ao Brasil para ver de perto a realidade de gente cujos ancestrais haviam deixado o Japão para transformarem-se em brasileiros. A exposição é, justamente, fruto dessa viagem e apresenta-se como uma reportagem fotográfica que capta momentos da vida de pessoas -dos brasieliros-  que Wakahara poderia -ou gostaria de- ter sido e não foi.

Se você estiver em Tóquio e quiser assistir à exposição, ela fica em cartaz até o dia 25/05, de 9:00 às 17:00h, no Salão Manabu Mabe da Embaixada do Brasil (2-11-12 Kita-Aoyama, Minato-ku, Tóquio).

Mizuaki Wakahara podia ser a Fernanda Takai...

Wakahara poderia ter sido a Fernanda Takai...

 

...ou o Titi Freak...

...ou o Celso Kamura.

About Alexandre Vidal Porto

Alexandre Vidal Porto é diplomata e escritor. Autor de "Matias na Cidade" (Record, 2005), atualmente finaliza o seu segundo romance, "Silvio S. vai à América." Além de ficção, gosta de escrever sobre questões sociais e de traduzir poesia.
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Uma resposta para Ele poderia ter sido a Fernanda Takai…

  1. Gabriel Albuquerque says:

    Uma das melhores coisas é quando o que poderia ser insípido e sem graça torna-se inspirador, né? Abs.

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