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	<title>Elemento Estrangeiro</title>
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		<title>É só colocar um pé depois do outro.</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Oct 2012 15:01:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Vidal Porto</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Este é um post de despedida. Durante o último ano, publiquei, com muito gosto, semanalmente, pequenos textos sobre coisas que via e sentia. Foi um exercício mais que agradável, do qual sentirei falta. Mas assumi novas responsabilidades, e a manutenção &#8230; <a href="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/2012/10/05/e-so-colocar-um-pe-depois-do-outro/">Leia mais <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td valign="top">
<p style="text-align: justify">Este é um post de despedida. Durante o último ano, publiquei, com muito gosto, semanalmente, pequenos textos sobre coisas que via e sentia. Foi um exercício mais que agradável, do qual sentirei falta. Mas assumi novas responsabilidades, e a manutenção do blog tornou-se inviável para mim. Aos meus leitores, muito obrigado. Espero continuar em contato. Deixo-os com saudade, mas seguirei andando. Deixo-lhes com o que sinto neste momento e que Adriana Lisboa fez o favor, uma vez mais, de traduzir para mim. <em>Hasta la vista, Baby!</em></p>
<p style="text-align: justify">&#8220;Para andar, basta colocar um pé depois do outro. Um pé depois do outro. Não é complicado. Não é difícil. Dá para ter em mente pequenas metas: primeiro só a esquina. Aquele sinal com a faixa de pedestres e o homem esperando para atravessar com um gurada-chuva transparente e um cachorro de capa amarela.</p>
<p style="text-align: justify">O cachorro parece um labrador e olha para mim quando me aproximo.</p>
<p style="text-align: justify">Tem uma cara afável. Somos ocidentais nós dois, amigo. Se bem que você talvez tenha nascido aqui, não é? Nasceu? No canil de um criador? Claro, onde mais, você me responde, com a paciência dos labradores.</p>
<p style="text-align: justify">Eu não nasci aqui. Não sei se você está interessado em saber. Sou do outro lado do planeta. Pode-se dizer que vim escondida dentro da bagagem de outra pessoa. É como se eu tivesse entrado clandestina, apesar do visto no meu passaporte. De fininho, para que não me vissem, para que não vissem as coisas invsíveis que eu trazia na mala. Que ninguém me veja ainda, que ninguém suspeite. Nesse sentido, sou bem mais ocidental do que você, amigo de capa amarela. Não pertenço a este lugar.</p>
<p style="text-align: justify">E por que exatamente estou aqui, então, você poderia me perguntar se tivéssemos mais tempo para trocar olhares, se a sua coleira e o seu dono já não fossem te puxando para as suas obrigações &#8211; sejam elas quais forem, acompanhar, guiar, divertir.</p>
<p style="text-align: justify">Não sei muito bem, para ser honesta. Estive reaprendendo a andar. Estou reaprendendo a andar. Depois da tempestade, da era era glacial, da grande seca, a gente pode usar a imagem que quiser , ninguém vai se importar muito, afinal quem somos nós se não menos que anônimos aqui. Abriu-se esta porta. Agora não dá tempo de te contar como aconteceu. E ainda não sei se andar equivale a lembrar, se equivale a esquecer, e qual das duas coisas é o meu remédio, se nenhuma delas, se nenhuma opção existe e se andar é o mal e o remédio, o veneno que tece a morte e a droga que traz a cura. Se vim para lembrar &#8211; se vim para esquecer. Se vim para morrer ou para me vacinar. Talvez eu descubra. Talvez nunca seja possível descobrir, desvelar, levantar o toldo, remover qualquer traço de ilusão da ilusão de caminhar.</p>
<p>Seja como for, É só colocar um pé depois do outro.&#8221;</p>
<p style="text-align: right">( Adriana Lisboa in Rakushisha, Editora Rocco)</p>
<p><a href="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/2012/10/05/e-so-colocar-um-pe-depois-do-outro/p1030254/"  rel="attachment wp-att-20241"><img class="aligncenter size-large wp-image-20241" src="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/files/2012/10/P1030254-1024x768.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a></p>
<p>&nbsp;</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<div></div>
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		<title>&#8220;A casa não estava em parte alguma.&#8221;</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Aug 2012 13:34:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Vidal Porto</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Ontem, no horário do almoço, enquanto comia um sanduíche na minha sala de trabalho, assisti a um pequeno documentário/entrevista com a escritora Adriana Lisboa. O filme tem cerca de vinte minutos e não me surpreendeu, mas me impressionou. Como disse, &#8230; <a href="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/2012/08/28/a-casa-nao-estava-em-parte-alguma/">Leia mais <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><a href="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/2012/08/28/a-casa-nao-estava-em-parte-alguma/azul_corvo/"  rel="attachment wp-att-20081"><img class="aligncenter  wp-image-20081" src="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/files/2012/08/azul_corvo-682x1024.jpg" alt="" width="512" height="768" /></a></p>
<p style="text-align: justify">Ontem, no horário do almoço, enquanto comia um sanduíche na minha sala de trabalho, assisti a um pequeno documentário/entrevista com a escritora Adriana Lisboa. O filme tem cerca de vinte minutos e não me surpreendeu, mas me impressionou.</p>
<p style="text-align: justify">Como disse, não fiquei surpreso, só impressionado. Não me surpreendi porque já a conhecia e sabia que ela era uma pessoa singular. Mas gostei de ver, no filme, um pouco de sua rotina e de saber um pouco mais a respeito de sua vida.</p>
<p style="text-align: justify">Adriana é carioca, mas mora nos Estados Unidos, no Colorado. Ela é estrangeira e, em seus livros, escreve sobre gente que, como ela, está longe de casa. Ou melhor, escreve sobre gente que já não tem mais casa.</p>
<p style="text-align: justify">Leia um trecho do seu último livro, <em>Azul-Corvo</em>:</p>
<p style="text-align: right"><strong><em>&#8220;Fernando já tinha dado tantas voltas depois de sair de casa que já não lembrava mais qual o caminho. Claro: a casa já não estava mais lá, portanto o caminho não podia estar. E não é que a casa estivesse, agora, em toda parte -não, isso é para os cidadãos do mundo, para os que viajam por esporte. Para os que nunca se arrastaram sobre a lama congelada da China e nunca correram o risco de ser devorados  pelos ursos no Alaska. Não é que a casa estivesse em toda parte: a casa não estava em parte alguma&#8221;. </em></strong></p>
<p style="text-align: justify"> &#8221;<em>A casa não está em parte alguma</em>&#8220;. E não está mesmo, penso. Mas as coisas são o que são. A gente aprende a viver sem casa. Viver como estrangeiro, no final das contas, pode até não ser tão difícil assim para alguns.</p>
<p style="text-align: justify">Em <em>Azul-Corvo</em>,  Adriana mostra isso.</p>
<p style="text-align: justify">O video sobre ela que eu vi faz parte do <em>Heritage Film Project</em>, de Eduardo Montes-Bradley &lt;<a href="http://heritagefilmproject.com/" >http://heritagefilmproject.com/</a>&gt;. Vale a pena assistir:</p>
<p><a href="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/2012/08/28/a-casa-nao-estava-em-parte-alguma/"><em>Clique aqui para assistir o vídeo inserido.</em></a></p>
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		<title>Você mataria a pessoa feia que polui a beleza de sua praia?</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Aug 2012 11:39:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Vidal Porto</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Assisti a um filme excelente (&#8220;O homem do lado&#8221;/&#8221;El hombre de al lado&#8220;) neste último fim-de-semana. Sei que, no ano passado, ele esteve em cartaz no Brasil, mas em circuito limitado, e que ganhou vários prêmios internacionais, entre os quais &#8230; <a href="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/2012/08/20/voce-mataria-a-pessoa-feia-que-polui-a-beleza-de-sua-praia/">Leia mais <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify">Assisti a um filme excelente (&#8220;O homem do lado&#8221;/&#8221;<em>El hombre de al lado</em>&#8220;) neste último fim-de-semana. Sei que, no ano passado, ele esteve em cartaz no Brasil, mas em circuito limitado, e que ganhou vários prêmios internacionais, entre os quais o de melhor fotografia no Festival de Sundance. Faço sempre questão de deixar claro que não sou crítico nem de cinema, nem de arquitetura. Mas a verdade é que esse filme me fez pensar sobre várias coisas importantes para mim.</p>
<p style="text-align: justify"><p><a href="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/2012/08/20/voce-mataria-a-pessoa-feia-que-polui-a-beleza-de-sua-praia/"><em>Clique aqui para assistir o vídeo inserido.</em></a></p></p>
<p style="text-align: justify">A história é mais ou menos a seguinte: um <em>designer</em> internacionalmente famoso chamado Leonardo mora com sua mulher e sua filha na única residência construída pelo arquiteto franco-suíço Le Corbusier nas Américas.  A casa, que é maravilhosa, é conhecida como Casa Curutchet e fica na cidade de La Plata, a 60 km da capital argentina. No interior da residência, o universo estético está em perfeito equilíbrio. Tudo é bonito, tudo se harmoniza, tudo faz sentido.</p>
<div id="attachment_19901" class="wp-caption aligncenter" style="width: 548px"><a href="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/2012/08/20/voce-mataria-a-pessoa-feia-que-polui-a-beleza-de-sua-praia/el-hombre-de-al-lado-o-homem-ao-lado-031/"  rel="attachment wp-att-19901"><img class=" wp-image-19901 " src="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/files/2012/08/el-hombre-de-al-lado-o-homem-ao-lado-031.jpg" alt="" width="538" height="717" /></a><p class="wp-caption-text">Casa Curutchet - La Plata, Argentina</p></div>
<p style="text-align: justify">A Casa Curutchet foi construída no centro da cidade e está cercada de edifícios, com os quais divide paredes. Numa manhã, porém, esse equilíbrio estético é conspurcado por um vizinho chamado Victor, que é mais pobre, mais feio e mais rude do que Leonardo gostaria. Victor abre uma janela na parte de trás de sua casa, que, segundo ele, é muito escura. &#8220;Eu só quero um pouquinho do sol que você tem em excesso&#8221;, Victor explica a Leonardo.</p>
<p style="text-align: justify">Acontece que a janela de Victor devassará o interior da casa de Leonardo, que se opõe firmemente a sua abertura. No entanto, Victor, que é a parte mais fraca, tenta chegar a um acordo que lhe permita acesso a um pouco de claridade e luz do sol. Tenta conquistar seus vizinhos sofisticados com todo o tipo de gentileza. Chega ao ponto de salvar a família de Leonardo de um assalto, durante o qual é baleado. Como Leonardo lhe agradece? Prefere não chamar socorro e, enquanto finge ligar para uma ambulância, deixa-o morrer numa das rampas que dão acesso a sua bela casa. Com a morte de Victor, o problema se resolve: tapa-se o buraco da janela e a integridade estética da casa é restaurada. Em linhas gerais, é essa a história que o filme conta.</p>
<p style="text-align: justify">Claro que eu gosto da beleza, mas detesto a supervalorização de aspectos estéticos. Para mim, a única beleza que se sustenta sozinha é a beleza das cores. Qualquer outro tipo de beleza, na minha opinião, tem de estar vinculada a uma função, ainda que seja uma funçao abstrata, emocional.</p>
<p style="text-align: justify">Leonardo, provavelmente, discordaria de mim. Os aspectos estéticos da casa em que mora são mais importantes que os aspectos humanos da vida de Victor. Para não quebrar a estética da casa de Leonardo, é justo que Victor viva no escuro. É justo, até, que Victor morra, desapareça. Não tem problema.</p>
<p style="text-align: justify">A desumanização do outro -do pobre, do feio, do mal vestido- com base na supremacia da beleza é um fato na escala de valores de muita gente. Gosto de pensar que Le Corbusier, se pudesse, despejaria Leonardo da Casa Curutchet. Diria algo mais ou menos assim: &#8220;Saia de minha casa. Você não merece viver em meu projeto porque não entende que o valor da arquitetura transcende o estético e só se completa no humano. Procure outro lugar para morar.&#8221;</p>
<div id="attachment_19911" class="wp-caption aligncenter" style="width: 650px"><a href="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/2012/08/20/voce-mataria-a-pessoa-feia-que-polui-a-beleza-de-sua-praia/le-corbusier2/"  rel="attachment wp-att-19911"><img class="size-large wp-image-19911" src="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/files/2012/08/le-corbusier2-1024x976.jpg" alt="" width="640" height="610" /></a><p class="wp-caption-text">&quot;Leonardo, você não merece morar no meu projeto!&quot;</p></div>
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		<title>Sobre quando alguém decide viver, mas morre.</title>
		<link>http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/2012/08/04/sobre-quando-alguem-decide-viver-mas-morre/</link>
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		<pubDate>Sat, 04 Aug 2012 10:07:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Vidal Porto</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Ela se chamava Yuka. Eles, Shoji e Tommaso. Os três eram estrangeiros que moravam no Brasil. Ninguém deixaria a terra em que nasceu por uma terra estrangeira se não achasse que valeria a pena. Ninguém troca deliberadamente a vida que &#8230; <a href="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/2012/08/04/sobre-quando-alguem-decide-viver-mas-morre/">Leia mais <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_19711" class="wp-caption aligncenter" style="width: 650px"><a href="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/2012/08/04/sobre-quando-alguem-decide-viver-mas-morre/spirit-of-the-dead-watching-paul-gauguin-1892/"  rel="attachment wp-att-19711"><img class="size-large wp-image-19711" src="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/files/2012/08/Spirit-of-the-Dead-Watching-Paul-Gauguin-1892-1024x803.jpg" alt="" width="640" height="501" /></a><p class="wp-caption-text">O espírito dos mortos à espreita - Paul Gauguin, 1892</p></div>
<p style="text-align: justify">Ela se chamava Yuka. Eles, Shoji e Tommaso. Os três eram estrangeiros que moravam no Brasil.</p>
<p style="text-align: justify">Ninguém deixaria a terra em que nasceu por uma terra estrangeira se não achasse que valeria a pena. Ninguém troca deliberadamente a vida que tem por outra pior. Por isso acho que os três vieram para o Brasil cheios de otimismo.</p>
<p style="text-align: justify">Uso os verbos no pretérito porque nenhum deles existe mais. Morreram todos na última semana. Yuka, Shohji e Tommaso se enganaram. Não encontraram vida melhor no Brasil. Encontraram a morte, que esperava por eles em local e hora diferentes do que eles poderiam ter imaginado.</p>
<p style="text-align: justify">Tommaso morreu baleado pelas costas em um assalto, dois dias depois de se mudar para São Paulo. A morte o pegou na esquina da Avenida Nove de Julho com a Rua São Gabriel, no finalzinho da tarde, quando as pessoas estão a caminho de casa para encontrar suas famílias.</p>
<p style="text-align: justify">Shoji e Yuka morreram juntos. Haviam ido conhecer a Chapada dos Veadeiros. Era sábado e eles jamais regressaram a Brasília, onde viviam. O que lhes terá passado na estrada mal conservada e mal sinalizada do estado de Goiás em que viajavam poderemos deduzir, mas nunca saber ao certo.</p>
<p style="text-align: justify">Não há nada de especial em morrer. É a coisa mais natural do mundo. Todos morreremos. O meu nome e o seu, leitor, mais os de todas as pessoas que conhecemos, comporão listas de mortos, mais cedo ou mais tarde. Exatamente como os desses três estrangeiros radicados no Brasil.</p>
<p style="text-align: justify">O que faz as mortes de Shoji, Yuka e Tommaso singulares é que elas aconteceram desnecessariamente. Se tivessem escolhido um outro país que não o Brasil para morar, pode ser que os três  estivessem vivos.  Poderia até que um de nós viesse a conhecê-los e que eles se tornassem amigos. Quem sabe?</p>
<p style="text-align: justify">Se você for fatalista, insistirá que ninguém morre de véspera, que havia chegado o dia deles. Isso pode até ser verdade, mas, nesse caso, então, o destino veio ao Brasil para poder cumprir sua tarefa. Seria mais fácil realizá-la por aqui. Talvez o país tenha sido apenas um instrumento nas mãos do destino, que u<span style="line-height: 24px">tilizou nossa falta de segurança e nossas estradas mal conservadas e mal sinalizadas </span>para assassinar os três.</p>
<p style="text-align: justify">O triste é que continuará utilizando. Toda vez que o destino quiser cumprir seus designios e matar alguém otimista e saudável aos 24 anos anos, como fez com Yuka, ou aos 26, como fez com Tommaso, fará uma viagem ao Brasil. Quem sabe se trata de uma lei cósmica que não conhecemos, pela qual mortes desnecessárias tenham de ter lugar em nosso país?</p>
<p style="text-align: justify">Outro dia li, acho que no Facebook, alguém perguntando sobre onde andavam as canções de protesto. Ontem, no início do julgamento do Mensalão, o Procurador Geral da República citou uma, do Chico Buarque. Eu passei a semana passada inteira ouvindo outra (&#8220;Perfeição&#8221;), que Renato Russo escreveu no início dos anos 90, e que parece que foi escrita ontem, tal como a de Chico Buarque. Por que, 20, 30 anos depois, deixamos essas canções continuarem relevantes e urgentes para o Brasil?  O que mudou? O que fizemos é construção ou ruína?</p>
<p style="text-align: justify">
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		<item>
		<title>Ela fez uma orgia para despertar os mortos.</title>
		<link>http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/2012/07/23/ela-fez-uma-orgia-para-despertar-os-mortos/</link>
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		<pubDate>Mon, 23 Jul 2012 13:40:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Vidal Porto</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Quando cheguei a Tóquio no ano passado, a primeira exposição de arte que visitei foi uma pequena mostra do trabalho da artista japonesa Yayoi Kusama, realizada no Watarium -uma jóia de museu, projetado pelo arquiteto suíço Mario Botta para a &#8230; <a href="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/2012/07/23/ela-fez-uma-orgia-para-despertar-os-mortos/">Leia mais <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_19231" class="wp-caption aligncenter" style="width: 650px"><a href="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/2012/07/23/ela-fez-uma-orgia-para-despertar-os-mortos/kusama-8/"  rel="attachment wp-att-19231"><img class="size-full wp-image-19231" src="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/files/2012/07/Kusama-8.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a><p class="wp-caption-text">Yayoi Kusama</p></div>
<p><span style="text-align: justify">Quando cheguei a Tóquio no ano passado, a primeira exposição de arte que visitei foi uma pequena mostra do trabalho da artista japonesa Yayoi Kusama, realizada no Watarium -uma jóia de museu, projetado pelo arquiteto suíço Mario Botta para a familia Watari e que fica a dois quarteirões do meu escritório.</span></p>
<div id="attachment_19201" class="wp-caption aligncenter" style="width: 423px"><a href="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/2012/07/23/ela-fez-uma-orgia-para-despertar-os-mortos/819px-watarium/"  rel="attachment wp-att-19201"><img class=" wp-image-19201   " src="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/files/2012/07/819px-Watarium.jpg" alt="" width="413" height="516" /></a><p class="wp-caption-text">Museu Watarium, projeto do Mario Botta, no qual eu vi uma exposição da Yayoi Kusama pela primeira vez.</p></div>
<p style="text-align: justify">Desde então, parece que Yayoi Kusama está em todo lugar. Entre o ano passado e este, teve uma exposição (&#8220;<em>Eternity of Eternal Eternity</em>&#8220;) viajando por todo o Japão, além de retrospectivas em Madri (Museu Reina Sofia), Paris (Centro Georges Pompidou), Londres (Tate Gallery) e Nova York (Whitney Museum, ainda em cartaz até 30 de setembro). Em 2011, estabeleceu uma parceria com Marc Jacobs, diretor criativo da Louis Vuitton, e suas obras agora também estampam as lojas da grife mundo afora.</p>
<p style="text-align: justify">Yayoi Kusama nasceu em 1929. Sofreu abusos físicos na infância e, desde muito cedo, começou a desenvolver comportamento obsessivo e a ter alucinações recorrentes. Queria ser artista. A família se opunha à ideia, mas aceitou que ela fosse estudar arte tradicional japonesa (<em>Nihonga</em>) em Kyoto, antes de que se casasse, como convinha a uma moça de sua condição social. Kusama detestou a experiência em Kyoto, rebelou-se e, em 1957, fugiu para Nova York, de onde, segundo suas palavras,  &#8221;queria conquistar o mundo&#8221;.</p>
<p style="text-align: center"><a href="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/2012/07/23/ela-fez-uma-orgia-para-despertar-os-mortos/yayoi-kusama/"  rel="attachment wp-att-19261"><img class="aligncenter  wp-image-19261" src="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/files/2012/07/Yayoi-Kusama.jpg" alt="" width="640" height="460" /></a></p>
<p style="text-align: justify">Tinha bons contatos na cidade (correspondia-se com a pintora Georgia O&#8217;Keefe) e, aos poucos, integrou-se ao panorama artístico novaiorquino. Conectou-se com a contracultura e participava da vanguarda do pré-movimento <em>hippie</em>. Na época, procurava explorar as possibilidades do corpo humano como suporte artístico e fazia <em>performances</em>, que chamava de &#8220;Festivais do Corpo&#8221; (&#8220;<em>Body Festivals</em>&#8220;). No Museu de Arte Moderna de Nova York, por exemplo, realizou um &#8220;<em>happening</em>&#8221; chamado  &#8220;Grande orgia para despertar os mortos&#8221;, e  consta que se ofereceu para fazer sexo com Richard Nixon em troca do fim da Guerra do Vietnã.</p>
<p> <a href="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/2012/07/23/ela-fez-uma-orgia-para-despertar-os-mortos/yayoi-kusama-03/"  rel="attachment wp-att-19291"><img class=" wp-image-19291 " src="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/files/2012/07/yayoi-kusama-03.jpg" alt="" width="630" height="641" /></a></p>
<div class="mceTemp mceIEcenter">
<dl>
<dd>Nos tempos dos &#8220;Festivais do Corpo&#8221;</dd>
</dl>
</div>
<p style="text-align: justify">Suas pinturas e esculturas com padrões psicodélicos repetidos colocavam-na na interseção do expressionismo abstrato, do minimalismo e da arte feminista. Trabalhou com Donald Judd, Andy Warhol e Claes Oldenburg, entre outros.  Era uma mulher entre homens, uma oriental entre ocidentais e a vítima de seu próprio desquilíbrio mental.</p>
<div id="attachment_19331" class="wp-caption aligncenter" style="width: 650px"><a href="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/2012/07/23/ela-fez-uma-orgia-para-despertar-os-mortos/yayoi-kusama-04/"  rel="attachment wp-att-19331"><img class=" wp-image-19331 " src="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/files/2012/07/yayoi-kusama-04.jpg" alt="" width="640" height="428" /></a><p class="wp-caption-text">Instalação, Yayoi Kusama</p></div>
<p style="text-align: justify">Em 1973, consciente de sua enfermidade, resolveu voltar para o Japão. Internou-se voluntariamente em uma clínica para doentes mentais, onde vive até hoje. Porém seguiu produzindo e aprendeu a utilizar a alienação mental criativamente, com efeitos terapêuticos. Ela própria afirma que, se não fosse pela arte, já teria se suicidado. Utilizou vários meios de expressão (pintura, desenho, escultura. filme, ficção, poesia, performance, instalações), mas manteve a temática, que continuou a ser o limão de sua saúde psicológica, com o qual fez uma bela limonada.</p>
<p> <a href="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/2012/07/23/ela-fez-uma-orgia-para-despertar-os-mortos/images-13/"  rel="attachment wp-att-19321"><img class="size-full wp-image-19321" src="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/files/2012/07/images-13.jpg" alt="" width="464" height="600" /></a></p>
<div class="mceTemp mceIEcenter">
<dl>
<dd>&#8220;Limonada&#8221;, Yayoi Kusama</dd>
<dd></dd>
</dl>
</div>
<p style="text-align: justify">
<p style="text-align: justify">Alguém já disse que a arte traduz a experiência de estar vivo.  No caso de Yayoi Kusama, isso se confirma. Só que, em seu caso, a arte traduziu a experiência específica do desequilíbrio psiquiátrico. Ao permitir que suas obsessões ganhassem expressão gráfica e cromática e invadissem o mundo a seu redor, Kusama criou um universo estético fascinante, no qual a repetição exaustiva de desenhos e padrões deixa claro que, de alguma maneira, a loucura também pode ser bela.</p>
<p>Se quiser vê-la em ação, assista ao video abaixo:</p>
<p><a href="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/2012/07/23/ela-fez-uma-orgia-para-despertar-os-mortos/"><em>Clique aqui para assistir o vídeo inserido.</em></a></p>
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		<item>
		<title>Conversar é preciso.</title>
		<link>http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/2012/07/16/conversar-e-preciso/</link>
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		<pubDate>Mon, 16 Jul 2012 10:18:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Vidal Porto</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Tirei duas semanas de férias. Fui para os Estados Unidos. Passei uma semana em Nova York e uma semana em Washington. Ontem de madrugada voltei a Tóquio, preocupado em não me atrasar para o trabalho. Cedinho liguei para a minha &#8230; <a href="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/2012/07/16/conversar-e-preciso/">Leia mais <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/2012/07/16/conversar-e-preciso/impossibleconversations/"  rel="attachment wp-att-19031"><img class="aligncenter size-large wp-image-19031" src="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/files/2012/07/impossibleconversations-1024x677.jpg" alt="" width="640" height="423" /></a></p>
<p style="text-align: justify">Tirei duas semanas de férias. Fui para os Estados Unidos. Passei uma semana em Nova York e uma semana em Washington. Ontem de madrugada voltei a Tóquio, preocupado em não me atrasar para o trabalho.</p>
<p style="text-align: justify">Cedinho liguei para a minha secretária, Tomoko, para saber o que havia na agenda. Foi assim que descobri que hoje, segunda-feira, é feriado no Japão. Perdi um dia de férias. Mas ganhei um dia de descanso, para me readaptar ao fuso horário. Ja fui ao supermercado, passeei com os cachorros e desarrumei as malas. Realidade, aqui estou eu de volta.</p>
<p style="text-align: justify">Tinha planejado fazer milhões de coisas durante as férias. Queria encontrar milhões de pessoas. Mas a verdade é que as férias se acabaram antes de que eu tivesse feito um terço (um quarto?)  do que planejava fazer. Acho que, com férias, é sempre assim. Em setembro, irei, de novo cheio de planos, em férias, para o Brasil.</p>
<p style="text-align: justify">Logo que cheguei a Nova York, fui ver a instalação arquitetônica (&#8220;<em>Cloud City</em>&#8220;) do artista argentino Tomás Saraceno, no telhado do <em>Metropolitan Museum &lt;<a href="http://www.metmuseum.org/saraceno" >http://www.metmuseum.org/saraceno</a>&gt;</em>, mas cheguei adiantado.  Para aproveitar o tempo, resolvi, assim meio sem muita convicção, visitar outra exposição temporária chamada <em>“Schiaparelli &amp; Prada: conversas impossíveis”</em>. Para minha surpresa, essas &#8220;conversas impossíveis&#8221; acabaram sendo um dos pontos altos de minha viagem.</p>
<p><span style="text-align: justify">A ideia básica de “</span><em>Schiaparelli &amp; Prada</em><span style="text-align: justify">” é traçar um paralelo entre os trabalhos das estilistas italianas Miuccia Prada (1949-)  e Elsa Schiaparelli (1890-1973). A sala da exposição transforma-se em espaço multimídia, com projeções de um suposto diálogo  entre Prada e Schiaparelli, esta interpretada pela atriz Judy Davis.</span></p>
<div id="attachment_18931" class="wp-caption aligncenter" style="width: 650px"><a href="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/2012/07/16/conversar-e-preciso/img_7780/"  rel="attachment wp-att-18931"><img class="size-large wp-image-18931" src="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/files/2012/07/IMG_7780-1024x768.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a><p class="wp-caption-text">Judy Davis como Elsa Schiaparelli em &quot;Impossible Conversations&quot;, de Baz Luhrmann</p></div>
<p style="text-align: justify">Nas conversas imaginadas, cujas filmagens foram dirigidas por Baz Luhrmann (Romeo+Juliet, Moulin Rouge!), as duas discutem o papel da sexualidade, da subversão do padrão de beleza, da negação dos estereótipos sociais associados às mulheres na concepção e no desenvolvimento de seus respectivos trabalhos.</p>
<p style="text-align: justify">Ao mero espectador, a lição que fica é a de que o designer de moda pode ser um agente político poderoso. Explico-me: tanto Schiaparelli quanto Prada, cada uma a sua maneira e em seu tempo, subverteram a imagem idealizada da beleza feminina. Por meio de seu design, alteraram a percepção e as expectativas da sociedade em relação às mulheres e, ao apresentarem seus conceitos expandidos de mulher, ampliaram consequentemente o papel e as possibilidades femininas no mundo.</p>
<p>Simples assim.</p>
<div id="attachment_19021" class="wp-caption aligncenter" style="width: 650px"><a href="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/2012/07/16/conversar-e-preciso/hrrprd9845-11-001/"  rel="attachment wp-att-19021"><img class="size-large wp-image-19021" src="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/files/2012/07/2038843764_jiZF82an_EC9DB4EBAFB8ECA7802-1024x570.jpg" alt="" width="640" height="356" /></a><p class="wp-caption-text">Elsa Schiaparelli e Miuccia Prada</p></div>
<p>&#8220;Schiaparelli &amp; Prada: Impossible Conversations&#8221;.  Metropolitan Museum, Nova York, até 19 de agosto de 2012.</p>
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		<title>&#8220;Corações Sujos&#8221; &#8211; ou curta entrevista sobre não falar japonês.</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Jul 2012 18:10:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Vidal Porto</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Conheci o Vicente Amorim faz mais de quinze anos, quando eu morava em Nova York. Reencontrei-o na casa de amigos que temos em comum, aqui em Tóquio, onde ele veio preparar o lançamento de seu último filme, &#8220;Corações Sujos&#8221;, que &#8230; <a href="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/2012/07/01/coracoes-sujos-ou-curta-entrevista-sobre-nao-falar-japones/">Leia mais <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify">Conheci o Vicente Amorim faz mais de quinze anos, quando eu morava em Nova York. Reencontrei-o na casa de amigos que temos em comum, aqui em Tóquio, onde ele veio preparar o lançamento de seu último filme, &#8220;Corações Sujos&#8221;, que estreia no Japão no final do mês.</p>
<p style="text-align: justify">Para quem não o assistiu, &#8220;Corações Sujos&#8221; é um bonito filme, baseado no livro de Fernando Morais, que fala de intolerância e fundamentalismo. Fala também de fé, coragem e traiçao. Conta a história real de membros da colônia japonesa que pensavam que as notícias sobre a rendição do Imperador nipônico na Segunda Guerra Mundial eram fabricadas com o objetivo de solapar o moral e o orgulho dos japoneses no Brasil.</p>
<p style="text-align: justify">Entre 1945 e 1946, cerca de 80% dos colonos vindos do Japão nao acreditavam na derrota japonesa. Para eles, aceitar a falibilidade do Imperador e a derrota do Japão constituiam traição punível com a morte. &#8220;Corações Sujos&#8221; foi filmado em Paulínia e Campinas com um elenco quase inteiramente japonês. Vicente Amorim conseguiu reunir uma seleção de estrelas, e alguns dos melhores e mais famosos atores japoneses da atualidade trabalham no filme.</p>
<p style="text-align: justify">Durante nosso reencontro, jantando, conversamos sobre a experiência que ele teve de dirigir um elenco cuja língua ele não dominava. No dia seguinte, com a ajuda de meus amigos Roberto e Akemi, gravei uma pequena entrevista com o Vicente sobre isso.</p>
<p>Espero que gostem.</p>
<p><a href="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/2012/07/01/coracoes-sujos-ou-curta-entrevista-sobre-nao-falar-japones/"><em>Clique aqui para assistir o vídeo inserido.</em></a></p>
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		<title>O meu corpo é tão humano quanto o seu.</title>
		<link>http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/2012/06/26/o-meu-corpo-e-tao-humano-quanto-o-seu/</link>
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		<pubDate>Tue, 26 Jun 2012 13:38:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Vidal Porto</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Os moradores de rua sempre chamaram a minha atenção.Tenho curiosidade pelas dificuldades que enfrentam em seu dia-a-dia, mas, sobretudo, pelo trajeto que cada uma dessas pessoas, que vemos morando sob marquises nas grandes cidades, cumpriu até a sua primeira noite &#8230; <a href="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/2012/06/26/o-meu-corpo-e-tao-humano-quanto-o-seu/">Leia mais <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><a href="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/2012/06/26/o-meu-corpo-e-tao-humano-quanto-o-seu/images-4/"  rel="attachment wp-att-18651"><img class="aligncenter size-large wp-image-18651" src="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/files/2012/06/images1-1024x714.jpg" alt="" width="640" height="446" /></a></p>
<p style="text-align: justify">Os moradores de rua sempre chamaram a minha atenção.Tenho curiosidade pelas dificuldades que enfrentam em seu dia-a-dia, mas, sobretudo, pelo trajeto que cada uma dessas pessoas, que vemos morando sob marquises nas grandes cidades, cumpriu até a sua primeira noite nas ruas, sem casa.</p>
<p style="text-align: justify">Sei que há vários elementos clássicos que concorrem para essa situação de vulnerabilidade. Em cada sociedade esses elementos variam. Em geral, porém, estão vinculados à falta de apoio de estruturas sociais diante de contingências humanas pelas quais qualquer um de nós poderia passar, como desemprego, doença, pobreza, desagregação familiar ou dependência química.</p>
<p style="text-align: justify">O fotógrafo Boris Mikhailov nasceu em Kharkov, Ucrânia, em 1938. Depois de uma temporada na Alemanha, voltou a sua terra natal e deu-se conta de que seu país havia sofrido várias transformações com o colapso da União Soviética. Uma das diferenças mais marcantes que encontrou ao regressar foi o surgimento de uma nova classe social: os sem-teto (bomzhes, em russo).</p>
<div id="attachment_18671" class="wp-caption aligncenter" style="width: 650px"><a href="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/2012/06/26/o-meu-corpo-e-tao-humano-quanto-o-seu/mikhailov1/"  rel="attachment wp-att-18671"><img class="size-large wp-image-18671" src="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/files/2012/06/Mikhailov1-680x1024.jpg" alt="" width="640" height="963" /></a><p class="wp-caption-text">Sem título (Case HIstory Series), 1997-98 - Boris Mikhailov</p></div>
<p style="text-align: justify">Boris Mikhailov fez o registro dessa população subemergente em uma série de 400 fotos chamada &#8220;História de Caso&#8221; (&#8220;Case HIstory&#8221;), na qual documentou a vida &#8211; ou a existência- de pessoas que, à ausência do aparato de suporte social soviético, não conseguiram continuar inseridas na sociedade e em seus processos produtivos. Segundo Mikhailov, os sem-teto, objeto de suas fotografias, não existiam nos tempos do comunismo. Surgiram depois de 1991, &#8220;juntamente com os outdoors de publicidade nas ruas, que tampouco havia&#8221;.</p>
<div id="attachment_18731" class="wp-caption aligncenter" style="width: 650px"><a href="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/2012/06/26/o-meu-corpo-e-tao-humano-quanto-o-seu/boris_mikhailov_page_253/"  rel="attachment wp-att-18731"><img class="size-large wp-image-18731" src="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/files/2012/06/boris_mikhailov_page_253-674x1024.jpg" alt="" width="640" height="972" /></a><p class="wp-caption-text">Sem título (Case HIstory Series), 1997-98 - Boris Mikhailov</p></div>
<p style="text-align: justify">Mikhailov nunca estudou fotografia formalmente, mas é conisderado um dos grandes fotógrafos documentais do mundo. No ano passado, o MoMa de Nova York exibiu a série &#8220;História de Caso&#8221;, mas a mostra passou despercebida por mim. Só conheci o trabalho de Mikhailov recentemente, por acaso, surfando na Internet.</p>
<p style="text-align: justify">Ele é reconhecido internacionalmente pelo registro que faz de aspectos da realidade nas ex-repúblicas soviéticas. No entanto, na minha opinião, seu maior mérito é recordar que nem a marginalidade, nem a pobreza extrema conseguem desumanizar as pessoas inteiramente. Mikhailov procura resgatar a humanidade dos sem-teto que fotografa. Sua fotos são posadas. Quase todas exibem partes de corpos nus e parecem gritar: debaixo desta sujeira e desta miséria toda existe uma pessoa, viva, com um corpo humano, exatamente como você.</p>
<div id="attachment_18661" class="wp-caption aligncenter" style="width: 650px"><a href="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/2012/06/26/o-meu-corpo-e-tao-humano-quanto-o-seu/boris_mikhailov_page_356/"  rel="attachment wp-att-18661"><img class="size-large wp-image-18661" src="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/files/2012/06/boris_mikhailov_page_356-668x1024.jpg" alt="" width="640" height="981" /></a><p class="wp-caption-text">Sem título (Case HIstory Series), 1997-98 - Boris Mikhailov</p></div>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Jantar com medo de arrastão não é normal.</title>
		<link>http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/2012/06/18/jantar-com-medo-de-arrastao-nao-e-normal/</link>
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		<pubDate>Mon, 18 Jun 2012 17:58:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Vidal Porto</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[O escritor australiano Peter Carey, que ganhou duas vezes o prêmio Booker de literatura, publicou em 2005 um livro sobre uma viagem que fez a Tóquio com o seu filho de doze anos. O título do livro foi traduzido em português como &#8230; <a href="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/2012/06/18/jantar-com-medo-de-arrastao-nao-e-normal/">Leia mais <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_18131" class="wp-caption aligncenter" style="width: 420px"><a href="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/2012/06/18/jantar-com-medo-de-arrastao-nao-e-normal/rl_1775_capa/"  rel="attachment wp-att-18131"><img class=" wp-image-18131   " src="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/files/2012/06/RL_1775_capa-750x1024.jpg" alt="" width="410" height="558" /></a><p class="wp-caption-text">&quot;O Japão é um lugar estranho&quot;, de Peter Carey, publicado pela Editora Tinta da China, de Lisboa, em 2009</p></div>
<p style="text-align: justify">O escritor australiano Peter Carey, que ganhou duas vezes o prêmio Booker de literatura, publicou em 2005 um livro sobre uma viagem que fez a Tóquio com o seu filho de doze anos. O título do livro foi traduzido <span style="line-height: 16px">em português</span><span style="line-height: 16px"> </span>como <em>O Japão é um lugar estranho</em> (<em>Wrong about Japan</em>). Carey estava certo. O Japão é estranho mesmo. Mas é justamente essa estranheza que faz a vida de um estrangeiro aqui gratificante.</p>
<p style="text-align: justify">Por conta de minha profissão, morei fora do Brasil parte considerável de minha vida. A esta altura, acho que a melhor coisa na condição de estrangeiro é a possibilidade de viver experiências que não seriam possíveis em nossos países de origem. Aproveitar um momento insólito da existência, que, como nacionais, não poderíamos ter. No Japão, tenho essa sensação repetidas vezes. Algo como usar uma roupa que não nos pertence por uma noite.</p>
<p style="text-align: justify">Para muitos, Tóquio é a capital gastronômica do mundo. Os restaurantes da cidade têm mais estrelas no guia <em>Michelin</em> que os de Paris, Londres e Nova York somados. Eu sempre gostei de comer. Sabendo disso, logo que cheguei, comprei um guia <em>Michelin</em> e resolvi passá-lo em revista. Então, como não poderia deixar de ser, a primeira experiência insólita que tive no Japão foi engordar. Eu sempre fui magrelóide, mas em Tóquio comecei a ter, com uns dez anos de atraso, uma experiência que o resto da humanidade já tinha, mas que era desconhecida para mim: aqui se come e aqui se engorda.</p>
<div id="attachment_18161" class="wp-caption aligncenter" style="width: 420px"><a href="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/2012/06/18/jantar-com-medo-de-arrastao-nao-e-normal/photo-41/"  rel="attachment wp-att-18161"><img class=" wp-image-18161   " src="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/files/2012/06/photo-41-768x1024.jpg" alt="" width="410" height="546" /></a><p class="wp-caption-text">Meu Guia Michelin de Tóquio. Mais estrelas que Londres, Paris e Nova York juntos.</p></div>
<p style="text-align: justify">A maneira que encontrei de combater, ainda que psicologicamente, minha potencial obesidade foi comprar uma bicicleta. Uso-a na maioria de meus deslocamentos pela cidade. Especialmente para restaurantes. Neste fim-de-semana passado, não foi diferente. Jantei com dois casais de amigos em um restaurante francês chamado <em>Les Chanterelles</em>, que fica a uns seis, sete quilomêtros de minha casa, do outro lado do Parque Yoyogi. Pedalei todo o percurso de ida e volta.</p>
<p style="text-align: justify">O jantar foi ótimo. Saí do restaurante perto de meia-noite. Aí sim tive a minha experiência estrangeira especial pedalando minha bicicleta pela noite tranquila de Tóquio, sem preocupação nenhuma. Cruzei todo o Parque Yoyogi, sozinho. De vez em quando via um casal conversando enamoradamente em um banco. Eles não se preocuparam comigo, nem eu com eles. Passei por umas outras duas bicicletas e umas três pessoas andando pelo parque a caminho de algum lugar.</p>
<p style="text-align: justify">Com o vento da noite batendo em minha cara, pensei que, infelizmente, pouquíssimos brasileiros de minha geração teriam a oportunidade de, como eu naquele momento, voltar de um jantar com amigos pedalando suas bicicletas despreocupadamente, sem pensarem em assaltos, arrastões ou coisas do gênero. Perguntei-me quantos brasileiros poderiam aproveitar as cidades em que vivem, sem temor de qualquer ameaça além de uma queda ou um buraco no asfalto.</p>
<p style="text-align: justify">Aí voltamos ao começo. Como estrangeiro no Japão, eu sou capaz de ter essa experiência, que já não posso ter no Brasil -mas que deveria poder. A gente acaba achando normal ser assaltado, desrespeitado, ameaçado, e aceita conviver com todo tipo de incômodo urbano. Acaba pensando que isso é da vida, que é o preço a pagar para viver em cidade grande. Mas não tem de ser não. As coisas podem ser diferentes, e é essa a lição que eu levarei do Japão.</p>
<p style="text-align: justify">Morar em Tóquo deixa claro que nossas cidades poderiam funcionar melhor e serem mais agradáveis. No século passado, esta cidade foi destruída completamente. Não uma, mas duas vezes. Em 1923, sofreu um terremoto devastador e, na Segunda Guerra Mundial, foi reduzida a cinzas pelos bombardeios que a atingiram. Ainda assim se reergueu e se reinventou.</p>
<p style="text-align: justify">Se os japoneses restauraram uma cidade devastada, nós brasileiros também podemos restaurar as nossas. Para tanto, temos que readquirir a noção de que jantar com amigos e voltar para casa de bicicleta sem ter medo de ser arrastado ou assassinado é uma coisa normal, a que os cidadãos têm direito. Temos de nos convencer que anormal é ter de andar pela cidade como quem anda por uma selva <span style="line-height: 16px">ou uma zona de guerra</span>, temendo ataques de animais selvagens ou fugindo de balas perdidas, que nos ameaçam, sim, mas que não precisariam exisitir.</p>
<p style="text-align: justify">Abaixo, video de concentração de ciclistas em Tóquio na véspera do Natal. Filmado por  por Will Goodan, música de DJ Krush (Big City Lover).</p>
<p><a href="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/2012/06/18/jantar-com-medo-de-arrastao-nao-e-normal/"><em>Clique aqui para assistir o vídeo inserido.</em></a></p>
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		<title>A vitória do sonho.</title>
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		<pubDate>Mon, 04 Jun 2012 09:02:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Vidal Porto</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Meu fim-de-semana esteve cheio de referências à infância. Algumas tristes, outras alegres. No sábado, a convite da Embaixada da Suécia no Japão, participei de um seminário sobre o combate à pornografia infantil. Na ocasião, um dos expositores, funcionário sueco da &#8230; <a href="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/2012/06/04/a-vitoria-do-sonho/">Leia mais <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: justify">
<p><a href="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/2012/06/04/a-vitoria-do-sonho/vitorio-3-2/"  rel="attachment wp-att-17851"><img class="aligncenter size-large wp-image-17851" src="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/files/2012/06/vitorio-3-2-1024x512.jpg" alt="" width="640" height="320" /></a></p>
<p>Meu fim-de-semana esteve cheio de referências à infância. Algumas tristes, outras alegres.</p>
<p>No sábado, a convite da Embaixada da Suécia no Japão, participei de um seminário sobre o combate à pornografia infantil. Na ocasião, um dos expositores, funcionário sueco da Interpol, exibiu à audiência uma série de fotografias de crianças sendo abusadas sexualmente por adultos. As imagens eram explícitas, e confesso que ter a visão gráfica daqueles crimes  me deu uma perspectiva mais nítida do nível de violência psicológica e física praticada contra inocentes indefesos. Também me fez pensar nas sequelas que aquelas e outras vítimas infantis sofrerão por toda a vida.</p>
<p>Já de volta à minha casa, ainda abalado com o que tinha visto no seminário, encontrei um envelope enviado por um amigo do Brasil. Nele, a edição em papel da <em>Folha de São Paulo</em> na qual havia publicado <span style="line-height: 16px">recentemente </span>um artigo (&#8220;Uma ficção: ele, o corrupto&#8221;). Como só tinha visto a edição eletrônica do artigo, abri o jornal para ver como tinha ficado na página impressa do jornal.</p>
<p>No papel, mais que o artigo em si, me chamou a atenção a ilustração que acompanhava o texto. A ilustradora -Veridiana Scarpelli- havia lido minha mente: tinha desenhado meu personagem -o corrupto- exatamente como eu o havia imaginado.</p>
<p>Graças ao Facebook, descobri que Veridiana e eu tinhamos amigos em comum. Descobri, também, que ela está lançando seu primeiro livro infantil, pela editora Cosac Naify.</p>
<p>Recomendo muito o livro de Veridiana. Em primeiro lugar, o traço dela é elegante e vai ajudar a educar os olhos das crianças que o lerem. Afinal, aprende-se a ter bom gosto vendo-se coisas bonitas.</p>
<p>Mas Veridiana não fica só nisso, não. Além de bom gosto, seu livro ensina algo muito mais importante: sentido de possibilidade e auto-determinação. Mostra, basicamente, que a história de cada um de nós é feita por nós mesmos.</p>
<p>Ela escreve sobre um porquinho chamado Vitório. Seja vestido de super-herói mascarado, fantasiado de coelho ou em sua camisa listrada, Vitório é a prova de que o imaginário e o real são mais próximos do que parecem.</p>
<p>Em outras palavras, o porquinho Vitório que Veridiana nos apresenta ensina algo que toda criança pressente e que deve sempre ser confirmado: a imaginação pode tornar-se realidade. Vitório mostra que qualquer coisa é possível para as crianças, porque elas têm toda uma vida pela frente.</p>
<p>O nome do livro é &#8220;<em>O Sonho de Vitório</em>&#8220;, mas poderia também chamar-se &#8220;<em>A vitória do sonho</em>&#8220;.  E todas as crianças o deveriam ler.</p>
<p>O <em>trailer</em> do livro:</p>
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<div style="text-align: justify"><p><a href="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/2012/06/04/a-vitoria-do-sonho/"><em>Clique aqui para assistir o vídeo inserido.</em></a></p></div>
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<div id="attachment_17911" class="wp-caption aligncenter" style="width: 650px"><a href="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/2012/06/04/a-vitoria-do-sonho/vitorio-2-1/"  rel="attachment wp-att-17911"><img class="size-large wp-image-17911" src="http://bravonline.abril.com.br/blogs/elemento-estrangeiro/files/2012/06/vitorio-2-1-1024x512.jpg" alt="" width="640" height="320" /></a><p class="wp-caption-text">Ilustração de &quot;O sonho de Vitório&quot;, o belo livro de Veridiana Scarpelli lançado pela Cosac Naify..</p></div>
<p>&#8220;<em>O sonho de Vitório</em>&#8221;<br />
autor: Veridiana Scarpelli<br />
editora: Cosac Naify<br />
Formato: 21&#215;21 cm Páginas: 32 páginas Ilustrações: 16<br />
Tiragem: 1500<br />
Preço: R$ 35,00<br />
ISBN 978-85-405-0179-9</p>
</div>
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