Quando comecei a escrever a sério, ali pelos meus 18, 19 anos, tinha muitos devaneios. Como, por exemplo, ser o primeiro brasileiro a ganhar o Nobel de literatura – que coisa mais cafona, não? Hoje, penso que, se ganhar, recusarei o prêmio, tal como fez Sartre, só de birra.
Pensava também, claro, em ganhar o Jabuti, entrar para o Pen Club e, só de lambuja, levar um Pulitzer, mas na categoria de jornalismo. Para a ABL, nunca pensei em entrar, porque, como dizia Fernando Sabino, não entraria em um clube que me aceitasse como sócio.
Esses devaneios todos fazem parte do passado, e se me quiserem na Academia Ponto Centralina de Letras, estou dentro e não largo o osso [Ponto Central é o nome do bairro onde moro]. E se me derem o prêmio de melhor escritor do quarteirão, já me dou por satisfeito (mentira).
Digo isso em tom de brincadeira, mas sem esconder que há alguma coisa de verdade nesse discurso. Com o tempo, com o amadurecimento e o conhecimento da realidade das coisas, vamos desistindo de um algo ali, adaptando um desejo aqui, descobrindo outro objetivo acolá. Mas, ainda que a vida nos traga as maiores surpresas, sejam elas boas ou não, a verdade é que ela sempre vai ter o poder de nos surpreender ainda mais, não importa o quão vivido você seja.
E é por essa peculiaridade da vida – justamente o que dá graça ao fato de continuarmos vivendo, sem jamais saber o que nos aguarda -, que jamais imaginei, em nenhum de meus devaneios, em participar de uma antologia de contos acompanhado de Fernando Molica, Marcelino Freire, Henrique Rodrigues e André de Leones, pessoas – grandes caras – que conheci – virtual ou pessoalmente – nesses anos de andanças literárias. Jamais imaginei, também, que uma antologia dessas seria publicada por uma editora como a Record, e que o tema seria os Beatles. Impensável, também, que meu nome estaria, na capa, logo abaixo do de Nelson Motta, um cara que dispensa apresentações, devido a sua história no mundo da música, do jornalismo e da literatura.
“O livro branco”, título da antologia, ainda traz os escritores (listá-los-ei pela ordem em que estão na capa, que é a ordem alfabética) Ana Paula Maia, André Moura, André Sant’Anna, Carola Saavedra, Felipe Pena, Godofredo de Oliveira Neto, Lúcia Bettencourt, Marcia Tiburi, Marcelo Moutinho, Marcio Renato, Maurício de Almeida, Simone Campos, Stella Florence e Zeca Camargo. A organização do livro é de Henrique Rodrigues, que também organizou “Como se não houvesse amanhã”, antologia de contos inspirados em músicas da Legião Urbana.
Meu xará de sobrenome estará, inclusive, lançando “O livro branco” na Bienal do Livro de São Paulo neste sábado, dia 11, no estande da editora Record. Mas antes ele participa, às 18 horas, com Fernanda Takai, vocalista do Pato Fu, e Mário Bortolotto, de um bate-papo com o título: “Paixão radical – Música”.
Quem puder marcar presença no bate-papo e ir ao lançamento, não se arrependerá. Mas, quem não puder, pode ficar tranquilo: outros lançamentos de “O livro branco” estão para acontecer. E, enquanto isso, quem quiser comprá-lo, já pode fazê-lo através de algumas livrarias virtuais.
Ah, sim, quase esqueço: meu conto foi inspirado por “Don’t let me down”, e leva o título de “Amor incondicional”. Espero que gostem

vai ver o Fernando citou de memória, e não lembrou quem disse primeiro.
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