Hamlet
As Três Fridas
Ao mesmo tempo irreverente, uma cópia, assumidamente infiel, é uma releitura da artista Frida Kahlo que sobretudo se auto-retratou. Neste tríptico a fotografia de arte é uma obra que mais além da estética, questiona o narcisismo contemporâneo com tanta facilidade na produção de auto-imagens e acessibilidade a auto-exposição nas novas mídias.
O Nascimento de Vênus
A ironia nesta composição mistura o desarranjo de vários elementos decadentes com a disposição programada de objetos com cores evidentes e equilibradas. Se a cena retratada por Botticelli remetia ao ideal de beleza certamente esta recriação desvia a atenção da beleza para o humor.
Abaporu
Se a obra original da Tarsila inspirou o manifesto antropofágico, talvez esta releitura do quadro Abaporu seja autofágica. Uma fotografia emblemática no conjunto da obra do artista que trabalha auto-retratos a partir de releituras de obras de outros artistas ou imagens icônicas de diversas culturas. Com uma estética bastante vernacular imprime um contexto contemporâneo de reciclagens e releituras.
Não tem como não olhar para os auto-retratos do carioca Alexandre Mury e não esboçar ao menos um sorriso.
Seis fotografias dele já fazem parte da coleção Gilberto Chateaubriand, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.
Debochado e irônico, há quem o associe à americana Cindy Sherman, que nos anos 70 se registrava como uma atriz anônima em poses que lembram filmes b.
Mas não é preciso ir longe assim para reconhecer Mury como um bom artista, desses que arriscam, sabe?
Seu Hamlet com rolos de papel higiênico no pescoço é divertido e corajoso.
Comentário do Artista
O auto-retrato, Hamlet (2010), está na coleção de Gilberto Chateaubriand. Esta assim como outras fotografias minhas estão em diversas situações, cenários e personagens de maneira humorada, irônica, debochada e bastante crítica. Sempre reinventando o icônico e pictórico com uma identidade muito vernacular e improvisada. O Hamlet é uma livre interpretação recontextualizada pelo imaginário do artista inserindo novos elementos de maneira lúdica e intrigante.
Perfil do artista
Alexandre Mury, artista, publicitário, designer gráfico e professor. Artista por vocação, desde criança desenhou e pintou e aos 16 anos começa a fotografar. Expôs pela primeira vez no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ) na mostra "Novas aquisições da Coleção Gilberto Chateaubriand - 2007/ 2010". Joaquim Paiva, o maior colecionador de fotografia do país, foi o primeiro a adquirir sua obra. Alexandre Mury já tem diversos trabalhos de fotografia com outros importantes colecionadores.









Venho acompanhando seu trabalho há muito tempo e não me surpreende o sucesso alcançado. Parabéns!
esse Mury é foda
O Mury é um ótimo artista.
Boa matéria, com ótimo conteúdo!
Mury faz arte brincando e brinca com a arte. Nos surpreende e espanta a cada click. Ele mesmo é o ator, fotógrafo, diretor e produtor, muitos em um só, exigente e debochado nas suas criações, disputadas pelos colecionadores de arte que apostam no seu trabalho.
Alexandre Mury é inquieto, antes mesmo de todo o seu reconhecimento fazia arte sem perceber e por pura diversão. Agora artista prestigiado se reconhece como tal e está cada vez melhor, interessante é acompanhar seu processo criativo que faz brincando com a seriedade de quem sabe onde quer chegar. O resultado são criações que nos despertam para um novo olhar e variados sentimentos.
Irreverente e inquieto, me inspira demais. Muito sucesso para este meu amigo que vive seu talento e nos presenteia com sua personalidade, que como um objeto artístico é inevitavel não nos causar alguma empatia.
Adoro o trabalho de Alexandre Mury,sou fã incondicional dos trabalhos dele.Fico sempre atenta a simplicidade e naturalidade com que o faz,e quando olho para ele ,percebo que ele respira,ou transpira não sei bem como colocar…essa sua sensibilidade dele…Está na essência …
Genial o trabalho de Alexandre Mury! As Três Fridas são absolutamente memoráveis! Parabéns pelo trabalho! grande abraço
O artista nasceu em São Fidelis, Rio de Janeiro, portanto não é capixaba, mas residiu em Vitória até pouco tempo onde registrou sua obra Hamlet.
yrum ao avesso, assim também se intitula, é inteligente, irônico, cômico, genial… nos deleita com suas alegorias num processo criativo continuo e fruitivo.
BRAVO!
Muito bom! Maravilhoso!!
Existe alguma relação entre as obras de Mury e Yasumasa Morimura? Deveria considerar tais obras como apropriação de Morimura ou como apropriação dos artistas originais?
“Mas não é preciso ir longe assim para reconhecer Mury como um bom artista, desses que arriscam”… Achei interessante essa observação. Acho que ela pode ter outros desdobramentos: o que seria arriscar na arte contemporânea, visto que ela assume praticamente tudo que se enquadre na sua categoria? A relação com o riso também pode parecer ambigua, pois não sabia que humor em si era considerado arte, ou poderia supor Casseta e Planeta como uma obra midiática?
Adorei , incriveis imagens !