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Se você não sabe aonde quer ir

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011 por Mariana Delfini

Último final de semana de O Amor e Outros Estranhos Rumores, peça do Grupo 3 de Teatro, dirigida por Yara de Novaes (que também esteve à frente da incrível A Mulher que Ri). O texto é uma adaptação de Silvia Gomez (da igualmente incrível O Céu Cinco Minutos Antes da Tempestade) para contos do escritor mineiro Murilo Rubião.

Última chance de ver ao vivo as sobrancelhas cênicas, a bolsa de poodle e a dancinha com o coelho. Além de todo o resto.

Penúltimo parágrafo: este blog não falará apenas de adaptações literárias para o palco (embora eu esteja preparando pelo menos mais um post sobre isso na próxima semana), muito menos de adaptações de escritores não-realistas para o palco.

Último parágrafo: na seção Máscara da Bravo! de fevereiro, a entrevistada é a personagem Bárbara, de O Amor e Outros Estranhos Rumores, vivida por Débora Falabella.

O Amor e Outros Estranhos Rumores

Texto de Murilo Rubião. Adaptação de Silvia Gomez. Direção de Yara de Novaes.  Com Débora falabella, Maurício de Barros, Rodolfo Vaz e Priscila Jorge.

Tuca (r. Monte Alegre, 1024, Perdizes, São Paulo, tel. 0++/11/3188-4156). Sextas e sábados às 21h30 e domingos às 19h. Até 13/02. R$ 30.

Grand finale

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011 por Mariana Delfini

Começaremos pelo fim, pelo momento imediatamente anterior às luzes que se acendem, aos aplausos, começaremos antes de a cortina se fechar. Cena final do espetáculo A Lua Vem da Ásia: Chico Diaz encerra seu monólogo de noventa minutos, caminha até o fundo do palco, posta-se sob a lua e espera. Suado e ofegante, acabou de fugir de um hospício (que também parecia um hotel de luxo, um campo de concentração…), percorreu o mundo todo (boa parte dele a nado), discursou inflamadamente a respeito da liberdade do homem, discutiu com um irmão sepulto em si (um irmão gêmeo dentro dele e que um dia brotará de seu corpo como um dente de siso retardado) e deixou sua derradeira mensagem em uma garrafa.

Astrogildo, que antes teve três outros nomes, está se despedindo. “Enjoei de mim”, justifica o personagem do mineiro Campos de Carvalho, autor do romance surrealista A Lua Vem da Ásia, base do monólogo de Diaz. “Como não sou obrigado a viver de enjoo, cortei simplesmente o mal pela raiz, eliminando-me da minha vista.” Na peça, o Astrogildo de Chico Diaz é menos funéreo e mais poético; com um truque dramatúrgico de Diaz, autor da adaptação, o último suspiro transmuta-se em despedida – do personagem, mas também do ator que assiste a cortina se fechar.

Diaz explica que o suicídio do personagem é também simbólico. “Campos de Carvalho estava se livrando de uma coisa existencial pesada que ele tinha, deixando seu clown vir à tona. Em seu próximo livro, O Púcaro Búlgaro, isso fica bastante claro, o riso se torna sua principal ferramenta.” O ator mergulhou na obra do escritor em 2006, depois de conhecer Campos de Carvalho por meio da montagem de O Púcaro…, do diretor Aderbal Freire-Filho. “Quando vi as palavras e o discurso dele, quis fazê-las minhas. Elas têm a ver com a minha natureza, essa questão da ânsia por liberdade.”

Assista à cena final e a outros trechos da peça.

A Lua Vem da Ásia

Texto de Campos de Carvalho. Adaptação de Chico Diaz. Direção de Moacir Chaves. Supervisão dramatúrgica de Aderbal Freire-Filho. Com Chico Diaz.

Centro Cultural Banco do Brasil – RJ (r. Primeiro de Março, 66, Centro, Rio de Janeiro, tel. 0++/21/3808-2020) De 4ª a domingo, às 20h. Até 27/2. R$ 10.