Fetiche pouco é bobagem. Acaba de sair a Playboy das estantes. No lugar das mulheres revelando piercings recônditos e ex-BBBs em fotos artísticas de um trabalho mais intimista, sabe?, “Unpacking my library” traz fotografias, altamente eróticas, de prateleiras de bibliotecas de arquitetos. Específico, não? Mas é próprio das taras serem mesmo específicas.
O livro, bancado pela Yale University Press, é o companion de uma exposição realizada pela Urban Center Books, livraria do The Municipal Art Society de Nova York. Reúnem dez arquitetos que abrem sua intimidade – acho que pouca coisa é mais íntima do que uma biblioteca – em entrevistas e fotos: primeiro tomadas gerais das bibliotecas, depois, ocupando a extensão do volume, em formato horizontal como uma prateleira, detalhes de estantes. Sem nenhum comentário.
O titulo é emprestado de um dos textos mais delicados de Walter Benjamin, “Desempacotando minha biblioteca”, uma tocante reflexão sobre a arte de colecionar livros que é reproduzido como prefácio. Há um detalhe interessante: nenhum dos personagens é exatamente um bibliófilo; logo, o que se vê são livros usados, surrados, com lombadas vincadas – como na casa de qualquer um.
Olha uma prateleira é também olhar a cabeça de alguém. E, na grande maioria dos casos, as prateleiras escolhidas não se dedicam à arquitetura, mas a arte, filosofia, literatura ou cinema. No site da exposição, Toshiko Mori, Peter Eisenman e Michael graves falam sobre seus livros – mas nada mais eloqüente do que as fotos de suas bibliotecas.
No espírito do livro, fiz para este post a foto de uma de minhas estantes. É, como se vê, dedicada à New Yorker e seus escritores. Junta numa mesma redação imaginária David Remnick, Dorothy Parker, A. J. Liebling, Janet Flanner e Joseph Mitchell. Específico, não? Pois é, tara é assim. Muito específica.
