
Setembro/2008 | Assunto do dia
Por Sheyla Miranda
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Assista ao trailer de Alice, a nova série da HBO
Veja trecho da série Mandrake, dirigida por José Henrique Fonseca
Acompanhe o trailer de Filhos do Carnaval, de Cao Hamburguer
Trailer do longa de Helvécio Ratton, Pequenas Histórias
A série Alice, dirigida pelo cineasta Karim Aïnouz, estreou no último domingo (21) e dá sinais de que será mais uma investida de sucesso do HBO Latin America, canal de TV paga que já financiou e transmitiu outras duas produções do gênero. A primeira, Filhos do Carnaval, foi ao ar em 2005, com direção geral do cineasta Cao Hamburguer. Já Mandrake, teve a maioria dos capítulos assinados pelo cineasta José Henrique Fonseca, que está trabalhando em uma segunda temporada. Agraciadas pelo público e pela crítica, ambas as produções foram indicadas ao Emmy Internacional, o Oscar da TV. E não só a rede paga que investe em profissionais de fora da TV: estréiam na Globo, em 2009, minisséries dirigidas por Fernando Meirelles e Luiz Fernando Carvalho, diretores de longas-metragens premiados.
As produções acima citadas têm em comum o fato de serem dirigidas por cineastas. Bons e jovens cineastas, ganhadores de prêmios nacionais e internacionais. A migração deles para a televisão pode ser explicada por razões como o desejo de que seus trabalhos sejam vistos por um maior número de pessoas, fato apontado pela crítica de TV Bia Abramo: "Apesar da retomada do cinema brasileiro, o público que vai ao cinema ainda é restrito, elitizado. Essa geração de cineastas quer ser vista, tem desejo de público, sobretudo de um público que não costuma assisti-los nos cinemas".
Diretor dos longas Madame Satã e O Céu de Suely, Karim Aïnouz ficou dois anos imerso na realização de Alice e confirma a tese de Bia. "Muito por conta do enorme alcance, televisão é um veículo indispensável no Brasil. Tive vontade de aprender a mexer com essa mídia, de produzir para um canal pago, em que é possível desenvolver um trabalho mais autoral". A possibilidade de experimentar a linguagem e as especificidades da televisão também são atrativos aos cineastas. Bia explica ainda que os projetos mais ambiciosos em quesitos técnicos - roteiros verossímeis, produção eficiente, elenco diferenciado - costumam ser abocanhados por eles, já que as emissoras preferem correr o risco a entregar a direção para os profissionais de televisão.
"A equipe com que trabalhei em Alice é fantástica, e as experiências que acumulei a partir desta série certamente serão incorporadas ao meu cinema. Claro que pude tentar coisas novas, fazer experimentos. E acredito que hoje posso dirigir melhor um filme, porque este trabalho foi um bom laboratório para aprender a filmar um grande volume de cenas num tempo curto, dirigir atores, decupar, editar...", declara Karim. Mas esclarece que é necessário saber e respeitar as regras do jogo desde o princípio. Não nega que são necessárias algumas adaptações, porque o formato de um programa para TV exige que sejam cumpridas.
Cineasta carioca da velha guarda, Domingos Oliveira - que entre um filme e outro dirigiu algumas séries para a TV aberta - acredita que "as adaptações para trabalhar em TV são um saco: escalar um elenco com atores famosos, obedecer as regras de alguns diretores da emissora...enfim, temos que respeitar alguns vícios da linguagem novelística que tolhem um pouco a criatividade do cineasta". E arremata: "Para fazer séries, pode ser muito interessante, pode ser um exercício de aprendizagem. O grande problema é que há muito cacique para pouco índio, e não existe na televisão a liberdade de que os verdadeiros artistas precisam. Aí não agüentam e voltam a fazer cinema".
Embora defenda que o casamento entre a televisão e o cinema seja necessário no Brasil, o cineasta Helvécio Ratton, diretor de Batismo de Sangue e Pequenas Histórias, não acha que seja possível fazer cinema na televisão. "Mesmo que se trabalhe com uma fotografia mais apurada e com uma câmera só e que se imprima uma marca mais autoral, as séries não permitem que seja totalmente cinema. Em oposição às histórias feitas para a telona, que podem ser mais profundas, as produzidas para televisão tendem a ter questões de entendimento mais direto". E no que se refere à experimentação, também é categórico: "Isso de experimentar fica contido nos limites do meio. Uma coisa muito experimental não funciona na televisão, o público em geral não aceita bem".
Com opiniões dissonantes em alguns aspectos, os entrevistados concordam ao menos em um ponto: o hibridismo entre as linguagens cinematográfica e televisiva é saudável e fundamental para o bom desenvolvimento e o sucesso dos dois formatos, o que mostra que esse deslocamento de profissionais de cinema para a TV tem grandes chances de continuar acontecendo.
| 23/02/2009 associação pelotense do cinema - diz: |
| 21/11/2008 Raisa - diz: |
| 04/11/2008 Carlos Eduardo Theobaldo - diz: |
| 27/10/2008 tatiana sales - diz: |
| 30/09/2008 Maria Angela - diz: |
| 30/09/2008 Jessica - diz: |
| 29/09/2008 Celso Marconi - diz: |
| 29/09/2008 gilberto - diz: |
| 29/09/2008 Felipe Augusto - diz: |
| 26/09/2008 Fernanda de Paula - diz: |
| 24/09/2008 Chubaruba - diz: |
| 23/09/2008 Rodrigo Capella - diz: |
| 23/09/2008 Luís Gonzaga - diz: |
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