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A trajetória da personagem Alice, interpretada pela atriz Andréa Horta, é o fio condutor da trama. Com 13 episódios, já todos filmados, a série recebeu investimento de cerca de 13 milhões de reais
A trajetória da personagem Alice, interpretada pela atriz Andréa Horta, é o fio condutor da trama. Com 13 episódios, já todos filmados, a série recebeu investimento de cerca de 13 milhões de reais

 

Setembro/2008 | Assunto do dia

A televisão é um laboratório para os cineastas?

O diretor de cinema Karim Aïnouz, que assina Alice, nova série do canal a cabo HBO, acredita que trabalhar para a televisão pode ser um bom exercício de aprendizado. Como ele, muitos cineastas querem levar a linguagem cinematográfica para a TV. Helvécio Ratton, também cineasta, não acha que seja possível fazer cinema na televisão. E você, o que acha?

Por Sheyla Miranda

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• Assista ao trailer de Alice, a nova série da HBO
Veja trecho da série Mandrake, dirigida por José Henrique Fonseca
• Acompanhe o trailer de Filhos do Carnaval, de Cao Hamburguer
• Trailer do longa de Helvécio Ratton, Pequenas Histórias

A série Alice, dirigida pelo cineasta Karim Aïnouz, estreou no último domingo (21) e dá sinais de que será mais uma investida de sucesso do HBO Latin America, canal de TV paga que já financiou e transmitiu outras duas produções do gênero. A primeira, Filhos do Carnaval, foi ao ar em 2005, com direção geral do cineasta Cao Hamburguer. Já Mandrake, teve a maioria dos capítulos assinados pelo cineasta José Henrique Fonseca, que está trabalhando em uma segunda temporada. Agraciadas pelo público e pela crítica, ambas as produções foram indicadas ao Emmy Internacional, o Oscar da TV. E não só a rede paga que investe em profissionais de fora da TV: estréiam na Globo, em 2009, minisséries dirigidas por Fernando Meirelles e Luiz Fernando Carvalho, diretores de longas-metragens premiados.

As produções acima citadas têm em comum o fato de serem dirigidas por cineastas. Bons e jovens cineastas, ganhadores de prêmios nacionais e internacionais. A migração deles para a televisão pode ser explicada por razões como o desejo de que seus trabalhos sejam vistos por um maior número de pessoas, fato apontado pela crítica de TV Bia Abramo: "Apesar da retomada do cinema brasileiro, o público que vai ao cinema ainda é restrito, elitizado. Essa geração de cineastas quer ser vista, tem desejo de público, sobretudo de um público que não costuma assisti-los nos cinemas".

Diretor dos longas Madame Satã e O Céu de Suely, Karim Aïnouz ficou dois anos imerso na realização de Alice e confirma a tese de Bia. "Muito por conta do enorme alcance, televisão é um veículo indispensável no Brasil. Tive vontade de aprender a mexer com essa mídia, de produzir para um canal pago, em que é possível desenvolver um trabalho mais autoral". A possibilidade de experimentar a linguagem e as especificidades da televisão também são atrativos aos cineastas. Bia explica ainda que os projetos mais ambiciosos em quesitos técnicos - roteiros verossímeis, produção eficiente, elenco diferenciado - costumam ser abocanhados por eles, já que as emissoras preferem correr o risco a entregar a direção para os profissionais de televisão.

"A equipe com que trabalhei em Alice é fantástica, e as experiências que acumulei a partir desta série certamente serão incorporadas ao meu cinema. Claro que pude tentar coisas novas, fazer experimentos. E acredito que hoje posso dirigir melhor um filme, porque este trabalho foi um bom laboratório para aprender a filmar um grande volume de cenas num tempo curto, dirigir atores, decupar, editar...", declara Karim. Mas esclarece que é necessário saber e respeitar as regras do jogo desde o princípio. Não nega que são necessárias algumas adaptações, porque o formato de um programa para TV exige que sejam cumpridas.

Cineasta carioca da velha guarda, Domingos Oliveira - que entre um filme e outro dirigiu algumas séries para a TV aberta - acredita que "as adaptações para trabalhar em TV são um saco: escalar um elenco com atores famosos, obedecer as regras de alguns diretores da emissora...enfim, temos que respeitar alguns vícios da linguagem novelística que tolhem um pouco a criatividade do cineasta". E arremata: "Para fazer séries, pode ser muito interessante, pode ser um exercício de aprendizagem. O grande problema é que há muito cacique para pouco índio, e não existe na televisão a liberdade de que os verdadeiros artistas precisam. Aí não agüentam e voltam a fazer cinema".

Embora defenda que o casamento entre a televisão e o cinema seja necessário no Brasil, o cineasta Helvécio Ratton, diretor de Batismo de Sangue e Pequenas Histórias, não acha que seja possível fazer cinema na televisão. "Mesmo que se trabalhe com uma fotografia mais apurada e com uma câmera só e que se imprima uma marca mais autoral, as séries não permitem que seja totalmente cinema. Em oposição às histórias feitas para a telona, que podem ser mais profundas, as produzidas para televisão tendem a ter questões de entendimento mais direto". E no que se refere à experimentação, também é categórico: "Isso de experimentar fica contido nos limites do meio. Uma coisa muito experimental não funciona na televisão, o público em geral não aceita bem".

Com opiniões dissonantes em alguns aspectos, os entrevistados concordam ao menos em um ponto: o hibridismo entre as linguagens cinematográfica e televisiva é saudável e fundamental para o bom desenvolvimento e o sucesso dos dois formatos, o que mostra que esse deslocamento de profissionais de cinema para a TV tem grandes chances de continuar acontecendo.

 

23/02/2009

associação pelotense do cinema - diz:
Inscreva-se no www.cinepel.com.br/festival VOCE VAI FAZER DE TUDO PARA PARTICIPAR DESTE FESTIVAL NACIONAL DE CINEMA... - SÃO 19 (DEZENOVE) DIAS DE EXIBIÇÃO DE FILMES; - TODOS OS FILMES INSCRITOS SERÃO EXIBIDOS NO FESTIVAL; - TODOS OS FILMES RECEBERÃO "DIAGNÓSTICO" DA NOSSA COMISSÃO JULGADORA; - POSSIBILIDADE DE EXIBIR + DE 480 CURTAS; - SALA DE EXIBIÇÃO COM CAPACIDADE PARA 300 PESSOAS; + EXIBIÇÃO ON-LINE; - INSCRIÇÃO GRATUÍTA; - EVENTO PARTICIPANTE DA FENADOCE, FEIRA JÁ CONSAGRADA NACIONALMENTE, COM PÚBLICO MÉDIO DE 350 MIL VISITANTES; (DE 03 À 21 DE JUNHO 2009) - SÃO 13 CATEGORIAS DE PREMIAÇÃO; - OS 13 FILMES VENCEDORES FARÃO PARTE DE UM DVD DISTRIBUÍDO NACIONALMENTE; NÃO PERCA TEMPO, INSCREVA SEU CURTA AGORA, GARANTINDO A EXIBIÇÃO NO FESTIVAL ! INSCRIÇÃO E MAIS DETALHES, ACESSE: www.cinepel.com.br/festival 1° CINE GRANDES CURTAS FESTIVAL NACIONAL DE CINEMA DA CIDADE DE PELOTAS NA FENADOCE 2009 "A DOCE ARTE DO CINEMA" INFORME: CINEPEL - ASSOCIAÇÃO PELOTENSE DO CINEMA INDEPENDENTE PELOTAS / R.G DO SUL FONE: (53) 3228.9339

21/11/2008

Raisa - diz:
Os públicos são distintos,e na tv a restrição ao diretor e roteirista pode ser maior,já no cinema a liberdade em utilizar a criatividade abordando qualquer tema sendo caracteristico da sétima arte,aumenta essa distinção, mas não impede que seja plantado uma noção cinematográfica naqueles que trabalham com tv.

04/11/2008

Carlos Eduardo Theobaldo - diz:
FUSÃO DE LINGUAGENS. A tendência é que as linguagens unam-se, numa saudável fusão. De fato, no caso, televisão não é cinema, e vice-versa. Mas o produto final gerado é lago na fronteira e de certa forma, antropofagicamente, extrai o melhor de cada forma de ver o mundo para o deleite do expectador. Mas o que mostram o cinema, e a televisão, em última instância? Contam uma história. Já houve fusão de quadrinhos com outras linguagens, e só acrescentou do que desmereceu. O cinema bebe muito nessa fonte. E o diríamos da fusão literatura-cinema? Há muito Rubem Fonseca já escrevia como um roteiro, com espírito cinematográfico..Estas experiências poderão tornar-se o embrião de algo maior, de peso, que os anos dirão...

27/10/2008

tatiana sales - diz:
é maravilhoso. Mais democratico q isso impossivel... o sinal da tv chega para todos. entra na casa de qq um. bacana é expandir boas produções tb para os canais abertos. um abraço.

30/09/2008

Maria Angela - diz:
Karim Ainouz e Sergio Machado assinam a direção geral de ALICE, sendo responsáveis também pelos roteiros da série. São eles os "pais" de ALICE, mas a direção dos episódios contou também com o talento de dois excelentes cineastas: Marcia Faria, nos episódios 3 e 4, e Johnny Araújo nos episódios 5 e 8. É importante dizer ainda que, como todo trabalho coletivo, ALICE reúne um time competentíssimo - formado por profissionais de cinema - em todas áreas. Um time reunido com sabedoria pelos produtores Caio e Fabiano Gullane. Em suma: o cinema se faz presente em ALICE não apenas na direção mas em toda a sua equipe!!

30/09/2008

Jessica - diz:
Falha total citar apenas o nome de Karim Aïnouz na direção da série Alice. Também participaram da direção dos episódios: Sergio Machado e Marcia Faria.

29/09/2008

Celso Marconi - diz:
Essas três séries brasileiras são a prova de que cinema & TV não estão tão distantes. A linguagem ágil na narrativa serve para os dois. É uma questão de criação e a TV, no caso, deu chances dos diretores criarem.

29/09/2008

gilberto - diz:
Acho válida pois enriquecerá a nossa TV. A linguagem de cinema já é utilizada nos seriados americanos, tão criticados aqui, que são todos filmados em película e com linguagem visual típica de cinema. O que não se pode é transferir a linguagem de TV para o cinema, como ocorre em muitas produções nacionais. Planos fechados, claustrofóbicos, e excesso de diálogos empobrecem o cinema.

29/09/2008

Felipe Augusto - diz:
Acredito que a televisão no final das contas estrague o cineasta, entendam que, quando voce faz uma escola de cinema voce entra em contato com o conhecimento mais profundo da linguagem audiovisual, já na televisão, essa linguagem é trabalhada de forma medíocre, a camera se torna apenas uma ferramenta 100% controlada e perde seu valor dinamico e artístico

26/09/2008

Fernanda de Paula - diz:
O aprendizado na TV pode agregar ao conhecimento e domínio de um cineasta tanto em questão de linguagem quanto de público. O desafio está em entender a linguagem para abordar o público de cada um, sem acretidar que não existe distinção entre os dois meios.

24/09/2008

Chubaruba - diz:
pode ser que seja impossível transpor essa linguagem... mas experimentações estão em curso: vide o que o ótimo diretor Luiz Fernando Carvalho apronta com suas séries malucas na TV. O fato de algo ser transplando para a TV não tira seus méritos e qualidade.

23/09/2008

Rodrigo Capella - diz:
A televisão e o cinema têm linguagens e visões distintas. É um absurdo compará-las. Enquanto na telinha, os personagens estão retidos a diálogos pobres e cenas corriqueiras; na sétima arte, eles ganham vida, falas nobres, ações metafóricas e, principalmente, posturas que jamais serão encontradas nas novelas. Dessa forma, o que se aprende em televisão, não pode ser adaptado e aproveitado para o cinema.

23/09/2008

Luís Gonzaga - diz:
Acredito que é impossível transpor a linguagem do cinema para a TV.

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