
Dezembro/2000 | Assunto do dia
Ana Francisca Ponzio
Veja uma galeria de imagens do livro "Pina", lançado em 2000 pela editora Quadriga, na Alemanha
A entrevista que Fabio Cypriano fez com a coreógrafa falecida nesta terça-feira, 30/6
Pina Bausch, um teatro do movimento
A entrevista de Norbert Servos com a coreógrafa
A vida que se move, reportagem sobre Para as Crianças de Ontem, Hoje e Amanhã, última coreografia de sua companhia apresentada no país, em 2006
Entre a Alegria e a Perfídia, por Norbert Servos
Nos anos 70, quando Pina Bausch começou a produzir o repertório de seu grupo - o Tanztheater Wuppertal -, a arte mundial ganhou uma das linguagens cênicas mais contundentes de todos os tempos. Com seu teatro-dança, ela inventou uma nova forma de espetáculo que, embora vinculada à tradição expressionista alemã de Kurt Joos, conquistou identidade própria, passando a demarcar um novo ponto de partida para as gerações seguintes. Neste mês, a volta de Pina e seu elenco ao Brasil, para apresentações do espetáculo Masurca Fogo no Teatro Alfa de São Paulo, ganha significado especial porque a visita incluirá o início do processo criativo da próxima obra da coreógrafa, que terá como fonte de inspiração a cultura brasileira e tem estréia prevista para 2002.
Nascida na cidade alemã de Solingen em 1940 e formada na Escola Folkwang de Essen, Philippine Bausch tem feito da condição humana a matéria-prima de seus espetáculos, como uma espécie de consciência de um mundo enigmático e sem fronteiras. Hoje um patrimônio universal, o repertório de Pina passou a incluir, a partir de 1986, conteúdos relativos a determinadas cidades. Roma, que inaugurou essa temática, deu origem a Viktor - assim como Viena resultou em Uma Tragédia (Ein Trauerspiel, 1994) e Hong Kong em O Limpador de Vidraças (De Fensterputzer, 1997). Masurca Fogo uma co-produção com a Expo-98, fez de Portugal o fio condutor, aludindo às danças tradicionais das ilhas de Cabo Verde, que foram colônias portuguesas até 1975.
Pina vem demonstrando interesse pelo Brasil há algum tempo. Duas brasileiras - Regina Advento e Ruth Amarante - integram seu elenco, que tem bailarinos de vários países. A trilha sonora de Masurca Fogo incluiu músicas de Radamés Gnatalli e Baden Powell. E neste mês, logo após a temporada em São Paulo, ela inicia um período de estudos em algumas localidades brasileiras. Após essa coleta de informações, começará a ser gestado mais um espetáculo da fase que vem sendo considerada a mais jubilosa da carreira de Pina, que antes preferia expressar as idiossincrasias humanas de forma bem mais sombria.
A alegria serena que pontua suas últimas criações é comentada por Pina na entrevista que se segue - concedida a Norbert Servos após o evento que comemorou os 25 anos do Tanztheater Wuppertal - e BRAVO! publica com exclusividade na imprensa mundial. Reconhecido como o maior especialista da obra de Pina no momento, Servos - que também assina um ensaio nesta edição - publicou sete livros sobre a coreógrafa e a dança-teatro alemã. Os textos são ilustrados com fotografias inéditas no país, feitas por Walter Vogel, que conviveu com a coreógrafa nos anos 60, quando ela integrou a Escola Folkwang. Reunidas no livro Pina, recém-lançado na Alemanha, as imagens, surpreendentes, revelam sua personagem no esplendor da juventude e em glamour desconhecido, mais tarde substituído pela aparência taciturna que se tornou sua marca. Por meio dos dois autores, revela-se quão multifacetada é a arte e a personalidade de Pina Bausch.
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