
Revista BRAVO! | Dezembro/2008
Cadeira Wassily
Marcel Breuer
Nome que homenageia o pintor Kandinsky evidencia a rigidez e a elegânciado móvel da Bauhaus
Não passava de estratégia de marketing chamar de Wassily a cadeira que Marcel Breuer (1902-1981) desenhou quando dirigia um dos departamentos da Bauhaus. O artista russo Wassily Kandinsky dava aula na escola alemã quando a cadeira foi desenhada, em 1925. Mas não teve nenhum envolvimento com o projeto a não ser ganhar uma das primeiras unidades de presente, quando admirou os contornos retilíneos do objeto - o apelido Wassily só virou referência quando uma marca italiana lançou o produto com o nome do pintor.
Mas a associação não chega a ser tão aleatória. O que levou Kandinsky a se interessar pelo desenho de Breuer talvez tenha sido a preocupação do colega com a estrutura, uma rigidez que não trava o desenvolvimento das formas, não impede a passagem dos traços e sustenta uma série de planos retangulares, de simplicidade e elegância em sintonia com os ideais do modernismo então nascente.
Estrutura, aliás, foi a grande obsessão de Kandinsky como artista. Seus borrões abstratos obedeciam a padrões muito rigorosos de composição. Se as tiras de couro horizontais da cadeira Wassily inspiram gravidade, é a estrutura de aço tubular dobrado, ou seja, uma peça única sem remendos, que dá uma idéia sutil de movimento à peça, a leveza que marcou o mobiliário da Bauhaus.
Vale lembrar que as curvas na estrutura de aço que Breuer conseguiu criar copiam a tecnologia que ele mesmo descobrira quando desenhou a bicicleta Adler, que tinha um guidão em forma de meia-lua. Não espanta ter sido o desenho de uma bicicleta o embrião de todo o movimento contido na cadeira Wassily - tudo isso permitido pelo avanço tecnológico da Mannesmann, fabricante de aço que conseguiu fazer dobrar os tubos metálicos sem precisar soldar partes separadas para formar as vigas.
Breuer sempre trabalhou juntando arte e tecnologia. Foi isso que garantiu sua ascensão na hierarquia da Bauhaus e ajudou a projetar seu nome também no exterior. Quando foi dissolvida a escola, Breuer se mudou para Londres, onde fez os primeiros experimentos com madeira curvada, e, mais tarde, Nova York, onde passaria o resto da vida à frente de projetos arquitetônicos.
Foram obras como o Whitney Museum of American Art que o transformaram num dos maiores arquitetos brutalistas do mundo, ou seja, que fazia a própria estrutura como principal atrativo dos projetos. É a mesma proposta, bastante explícita, aliás, da cadeira Wassily: a estrutura que dribla a forma e se torna atração.
AUTOR: Marcel Breuer
MATERIAL: aço e couro
DIMENSÕES: 71,8 x 78,1 x 71,1 cm
ANO: 1925
2º lugar - Garrafa de Coca-Cola - Alexander Samuelson e Earl Dean
10º lugar - iPod - Jonathan Ive e Apple Design Group
27º lugar - Cadeira Wassily - Marcel Breuer
30º lugar - Fusca - Ferdinand Porsche
40º lugar - Saca-rolhas Anna G - Alessandro Mendini
51º lugar - Isqueiro Zippo - George Grant Blaisdell
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