
Revista BRAVO! | Dezembro/2008
iPod
Jonathan Ive e Apple Design Group
Com design e tecnologia inovadores, o aparelho da Apple revolucionou o mercado de tocadores de música portátil e se transformou em marca de sofisticação e bom gosto
Ouvir música em qualquer lugar. Nas últimas décadas do século 20, essa foi a grande questão para as grandes indústrias de eletroeletrônicos. Desde a revolução do transistor, desenvolvido na virada da década de 1940 para a de 1950 no chamado Vale do Silício, nos Estados Unidos, a portabilidade se tornou não apenas uma necessidade, mas também um valor cultural. No início da era dos aparelhos para ouvir música de pequenas dimensões, quem saiu na frente foi a japonesa Sony, em 1979, com o lançamento do Walkman. Cinco anos depois, em 1984, a mesma empresa lançou o Diskman - em que a novidade de então, o CD, substituía a ultrapassada fita cassete. Nada, contudo, que condissesse com a revolução digital do novo século.
A Apple, que em 1979 já iniciara uma revolução tecnológica na área da computação pessoal com o Apple II e, em 1984, sacudiu de vez o mercado com o Macintosh 128K (leia texto na pág. xx), deu a resposta. A partir da evolução dos aparelhos de reprodução do formato de música digital MP3, a empresa americana colocou no mercado o iPod - o dia era 23 de outubro de 2001, pouco mais de um mês depois dos atentados terroristas de 11 de setembro, nos Estados Unidos. Compatível somente com os computadores fabricados pela Apple, o primeiro modelo do aparelho pesava menos de 200 gramas, tinha capacidade para armazenar até mil músicas, bateria recarregável com 10 horas de duração e um sofisticado sistema de busca para encontrar rapidamente a faixa desejada - o que acabou sendo o grande diferencial em seu design. No jargão da indústria da informática, era "amigável". Ou seja, era fácil de operar, sem abrir mão da potência - então surpreendentes 5 GB de memória, capacidade de absorver outros formatos de música digital, transferência de arquivos 45 vezes mais rápido que os concorrentes e fones de ouvido de alta-fidelidade.
O criador do design clean e funcional do aparelho foi o inglês Jonathan Paul Ive, responsável também pelo sucesso de outros produtos da Apple. Nascido em Londres, em 1967, Ive estudou arte e design na Universidade de Newcastle, antes de fundar a Tangerine em 1990, empresa de consultoria em design que desenvolveu desde pentes de cabelo até televisões. Em 1992, um dos clientes da Tangerine, a Apple, ofereceu a ele um emprego na Califórnia. Ive não pensou duas vezes e foi trabalhar na empresa de Steve Jobs.
Hoje, Ive é o vice-presidente de design industrial da Apple e responsável pelo design de produtos como o iMac, iBook, eMac, Power Mac G4, G5 e o próprio iPod. Seu nome é referência obrigatória quando o assunto é design de aparelhos eletrônicos. Em 1997, já com cinco anos como funcionário da Apple, Ive foi responsável pela criação do primeiro iMac, produto que revitalizou a marca, que na época via suas vendas despencarem diante do avanço dos computadores pessoais fabricados para operar com o Windows, o sistema operacional da também americana Microsoft. Com o iPod, a Apple pulverizou a concorrência nos tocadores portáteis de música, estabelecendo o novo padrão do mercado. Desde seu lançamento, e em suas várias versões, já foram comercializados cerca de 100 milhões de unidades. Nos primeiros dois meses, as vendas chegaram a 125 mil unidades - um recorde para qualquer aparelho eletrônico até então.
Para navegar no iPod, bastava girar o menu circular de 5 cm de diâmetro com o dedo polegar e acessar a lista completa de músicas. O design ainda permite operar o aparelho com apenas umas das mãos. Os fones de ouvido, brancos, tornaram-se não apenas sinônimo de qualidade, mas também, e sobretudo, uma marca de distinção de seus usuários. Com o iPod, a Apple conseguiu aliar a discrição da portabilidade com a capacidade de unir consumidores numa "tribo". No novo imaginário, esses consumidores de música seriam associados aos valores de bom gosto e sofisticação - o que é uma das mais notáveis capacidades do design.
O modelo deu tão certo que novas gerações do aparelho foram lançadas de forma continuada, em tamanhos variados, e cada vez com maior capacidade de armazenamento. Alguns modelos podem guardar vídeos e fotos num espaço de até 80 GB. O iPod ganhou diversos prêmios pela excelência de engenharia eletrônica como o mais inovador produto de áudio e o quarto melhor produto de computador em 2006.
O nome do aparelho foi dado pelo publicitário americano Vinnie Chieco, que foi convidado pela Apple para preparar a campanha da divulgação do aparelho. Depois de ter visto o protótipo, Chieco lembrou da pequena nave de serviço EVA Pods, do filme 2001: Uma Odisséia no Espaço, do diretor Stanley Kubrick. A Apple fez uma busca para saber se o nome estava livre para ser utilizado, mas encontrou um registro em nome de Joseph N. Grasso, de Nova Jersey, que havia requerido o direito em 2000 junto ao departamento americano de patentes. O nome era usado em quiosques de internet que Grasso tinha espalhados pela cidade. Após longa negociação, Grasso finalmente cedeu os direitos de uso da palavra "Pod" à Apple.
AUTOR: Jonathan Ive e Apple Design Group
MATERIAL: Plástico e components eletrônicos
DIMENSÕES: D10.2 cm x 6.4 cm x 2.2 cm
ANO: 2001
2º lugar - Garrafa de Coca-Cola - Alexander Samuelson e Earl Dean
10º lugar - iPod - Jonathan Ive e Apple Design Group
27º lugar - Cadeira Wassily - Marcel Breuer
30º lugar - Fusca - Ferdinand Porsche
40º lugar - Saca-rolhas Anna G - Alessandro Mendini
51º lugar - Isqueiro Zippo - George Grant Blaisdell
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