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O cantor Bonnie ''Prince'' Billy num cenário bucólico. Baladas tristes e calcadas no folk que podem agradar a fãs de Mallu Magalhães
O cantor Bonnie ''Prince'' Billy num cenário bucólico. Baladas tristes e calcadas no folk que podem agradar a fãs de Mallu Magalhães

 

Revista BRAVO! | Novembro/2008

Crítica: Em Busca da Felicidade

Mestre em explorar dor e sofrimento em suas canções, o americano Bonnie ''Prince'' Billy, que se apresenta em São Paulo neste mês, entrega um álbum com alguma esperança

José Flávio Júnior

No dia 27, o Studio SP, esfumaçada casa noturna da rua Augusta, vai receber um cantor e compositor americano de vários nomes e uma única faceta. Desde o começo dos anos 90, Will Oldham já assinou Palace Brothers, Palace Music, Palace Songs e simplesmente Palace. Lançou material usando o nome de batismo em 1997 e, dois anos depois, surgiu com a alcunha Bonnie "Prince" Billy. Mas quem acompanha o trovador do Kentucky nunca se perdeu no emaranhado de apelidos, já que ele sempre foi fiel às baladas tristes, calcadas em acordes do folk. E é exatamente isso que Oldham, mais uma vez como Bonnie "Prince" Billy, entrega em Lie Down in the Light.

Em comparação com I See a Darkness (1999), o disco mais celebrado de sua trajetória, o novo álbum soa até esperançoso. Naquele trabalho, embalado por uma capa sombria, ele celebrava a chegada da morte para todo mundo (em Death to Everyone) e dizia que só conseguia enxergar a escuridão (na faixa-título, mais tarde regravada por­ Joh­nny Cash, em dueto com o autor). Em Easy Does It, canção de forte acento country que abre Lie Down in the Light, Billy canta que há um caminho, há uma praia, há seus irmãos, suas namoradas, seus pais. E que isso é tudo o que precisa existir. É como se ele ainda estivesse tateando no breu, mas já sentisse alguma segurança no que o cerca.

Na canção seguinte, You Remind Me of Something (The Glory Goes), Billy parece ainda mais animado, dizendo "Eu gosto de lugares em que a noite não significa um fim/ Onde os sorrisos correm soltos e a surpresa é sua amiga". O refrão é uma das coisas mais inspiradas de toda a sua carreira: "Você me lembra algo/ Uma canção que eu sou/ E você me canta de volta para mim/ Quando acordo, quando estou dormindo/ Essa canção é um homem e uma mulher/ E todas as outras coisas".

Na terceira música, o ouvinte já está convencido de que o amor salva. "Agora eu quero que o mundo me veja/ Todos olhem para mim/ Sou uma pessoa boa e livre/ E ela me ama", comemora a letra de So Everyone. Ela revela um dos grandes trunfos de Billy. Apesar de ser mestre em explorar as mazelas da alma e de estar quase sempre cunhando versos com algum rebuscamento poético, o americano não tem vergonha de soar ingênuo quando a história da canção pede por isso. E sua singeleza aparece sempre nas horas certas, para dar uma aliviada no drama.

É inegável que Bonnie "Prince" Billy apela mais aos atormentados, aos que estão com o coração dilacerado. Mas sua música é essencialmente pop, capaz de despertar interesse até em quem se liga nas composições fofinhas de Mallu Magalhães. Os arranjos conjugam violão, piano, sopros e pedal steel, a guitarra de colo. E são sempre belos. Essa é a única condição.

O Disco
Lie Down in the Light (Spunk — importado), de Bonnie "Prince" Billy. Produtor: Mark Nevers. Preço médio: R$ 50.

Ouça Também
Em Outro Lugar (independente), de Thiago Pethit. O cantor que vai abrir o show de Billy combina a canção francesa e o universo de Tom Waits.

 

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