BRAVO! - Artes Visuais http://bravonline.abril.com.br/feed/atom 2012-05-18T18:09:11-03:00 BRAVO! http://bravo3.abrilm.com.br/imagem/favicon.ico Bravo! Cultura no Brasil - Feed Artes Visuais Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados http://bravonline.abril.com/materia/no-topo No Topo 2012-05-18T18:09:11-03:00 Bruno Moreschi <p> A exposi&#xE7;&#xE3;o O Mundo M&#xE1;gico de Escher, no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro, terminou em 27 de mar&#xE7;o de 2011, um domingo. Era dia de dois jogos importantes do campeonato carioca: Fluminense x Vasco e Flamengo x Madureira. Havia a previs&#xE3;o de est&#xE1;dios cheios. Mas fila mesmo foi a que se formou na rua Primeiro de Mar&#xE7;o, no Centro, em volta do pr&#xE9;dio hist&#xF3;rico do CCBB-RJ. Enquanto 34 mil pessoas dirigiram-se para os campos, 39 mil decidiram ver as 92 gravuras e desenhos do artista holand&#xEA;s M. C. Escher (1898-1972). No &#xFA;ltimo fim de semana em que esteve em cartaz, a mostra ficou aberta at&#xE9; a meia-noite e registrou 62 mil visitantes.</p> <p> O reconhecimento internacional veio no m&#xEA;s passado. De acordo com o ranking divulgado anualmente pelo jornal ingl&#xEA;s The Art Newspaper, a exposi&#xE7;&#xE3;o brasileira foi a mais vista do mundo em 2011. Em cartaz por pouco mais de dois meses, a mostra de Escher levou 573.691 pessoas ao CCBB-RJ. Com a in&#xE9;dita primeira coloca&#xE7;&#xE3;o, o evento ficou na frente de exposi&#xE7;&#xF5;es em institui&#xE7;&#xF5;es de prest&#xED;gio internacional, como o japon&#xEA;s Tokyo National Museum (segundo lugar) e o franc&#xEA;s Grand Palais (quinto). O Museu de Arte Moderna de Nova York, o MoMA, e o D&#x2019;Orsay, em Paris, n&#xE3;o figuram entre os dez primeiros, como seria de esperar. Respeitado no meio das artes visuais, The Art Newspaper promove o ranking desde 1996. Para elabor&#xE1;-lo, o jornal computou dados de mais de 400 institui&#xE7;&#xF5;es culturais de todo o mundo, levando em conta o total de visitantes das exposi&#xE7;&#xF5;es tempor&#xE1;rias e o per&#xED;odo em que permaneceram em cartaz.</p> <p> &#x201C;Desde que come&#xE7;amos o mapeamento, a popularidade das mostras cresceu. Mais pessoas est&#xE3;o vendo arte&#x201D;, diz um dos editores, Javier Pes. De fato, nas primeiras edi&#xE7;&#xF5;es do ranking, a frequ&#xEA;ncia registrada pelos museus n&#xE3;o superava 3 mil pessoas por dia. No ano passado, o n&#xFA;mero que levou o CCBB-RJ ao p&#xF3;dio foi de 9.677. Para Pes, o resultado de 2011 n&#xE3;o &#xE9; uma surpresa. No ano anterior, tr&#xEA;s mostras do pr&#xF3;prio CCBB-RJ &#x2013; Isl&#xE3;, Linha de Sombra, da ga&#xFA;cha Regina Silveira, e Rebeli&#xE3;o em Sil&#xEA;ncio, da alem&#xE3; Rebecca Horn &#x2013; ficaram bem posicionadas, com os 13&#xBA;, 14&#xBA; e 15&#xBA; lugares, respectivamente. &#x201C;Finalmente surgiu um rival de peso para os museus japoneses&#x201D;, aponta o editor.</p> <p> <strong>BEM NA FOTO</strong></p> <p> Segundo o diretor da institui&#xE7;&#xE3;o carioca, Marcelo Mendon&#xE7;a, os espa&#xE7;os interativos, a permiss&#xE3;o para o uso de m&#xE1;quina fotogr&#xE1;fica dentro do centro cultural e a entrada gratuita foram cruciais para a popularidade do CCBB: &#x201C;Na exposi&#xE7;&#xE3;o de Escher, era comum ver jovens se fotografarem diante das obras e colocarem as imagens nas redes sociais. Tivemos uma divulga&#xE7;&#xE3;o espont&#xE2;nea sem precedentes em nossa hist&#xF3;ria&#x201D;. Apesar de n&#xE3;o constarem do ranking do The Art Newspaper, o CCBB de S&#xE3;o Paulo e o de Bras&#xED;lia tamb&#xE9;m ostentam longas filas. A institui&#xE7;&#xE3;o deve inaugurar em outubro seu quarto endere&#xE7;o, desta vez em Belo Horizonte. A f&#xF3;rmula &#xE9; a mesma: ocupa&#xE7;&#xE3;o de uma constru&#xE7;&#xE3;o hist&#xF3;rica restaurada &#x2013; no caso, um palacete na pra&#xE7;a da Liberdade, na Savassi.</p> <p> N&#xE3;o h&#xE1; d&#xFA;vida de que o Brasil entrou no calend&#xE1;rio das megaexposi&#xE7;&#xF5;es internacionais, chamadas pelos especialistas de blockbusters, como a de Escher. H&#xE1; dez anos, Mendon&#xE7;a tinha dificuldade em convencer grandes museus a ceder suas cole&#xE7;&#xF5;es para nossas mostras. &#x201C;Isso mudou. Recebi recentemente visitas do Smithsonian, de Washington, e do D&#x2019;Orsay. Ambos querem expor aqui.&#x201D; No ano passado, a diretoria do Pompidou interessou-se em saber mais sobre &#x201C;a tal institui&#xE7;&#xE3;o&#x201D; que figurou t&#xE3;o bem no ranking. &#x201C;Claro que o feito merece comemora&#xE7;&#xE3;o&#x201D;, diz Rodrigo Moura, curador do Instituto de Arte Contempor&#xE2;nea Inhotim, de Minas Gerais. &#x201C;Melhor ainda, por&#xE9;m, vai ser quando essa not&#xED;cia incentivar o investimento em museus com cole&#xE7;&#xF5;es permanentes, j&#xE1; que o CCBB n&#xE3;o tem acervo pr&#xF3;prio.&#x201D;</p> <div class="onde-quando"> <p> <strong>CCBB - RJ</strong></p> <p> <em>Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro </em>(r. Primeiro de Mar&#xE7;o, 66, Centro, Rio de Janeiro, RJ, tel. 0++/21/3808-2020). De 3&#xAA; a dom., das 9h &#xE0;s 21h. Gr&#xE1;tis.</p> </div> Saiba por que a exposição de Escher no CCBB do Rio de Janeiro foi a mostra mais visitada do mundo em 2011, de acordo com recente levantamento do jornal <em>The Art Newspaper</em> 2012-05-18T17:59:36-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 177 - Maio 2012 Saiba por que a exposição de Escher no CCBB do Rio de Janeiro foi a mostra mais visitada do mundo em 2011, de acordo com recente levantamento do jornal The Art Newspaper Artes Visuais BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/as-dicas-de As Dicas de Tadeu Chiarelli, diretor do MAC 2012-05-11T13:26:03-03:00 Redação Bravo! <p> A revista <strong>BRAVO!</strong>pediu ao diretor do Museu de Arte Contempor&#xE2;nea da Universidade de S&#xE3;o Paulo para selecionar algumas obras que despertaram seu interesse na lista de pe&#xE7;as exibidas na SP-Arte. Confira suas indica&#xE7;&#xF5;es:</p> <p> <strong>T&#xE9;rreo</strong></p> <p> Front Light #4(2012), de Pablo Lobato. Luciana Brito Galeria</p> <p> <em>Biblioteca 9</em> (2011), de Debora Bolsoni. Galeria Marilia Razuk (acima, na galeria)</p> <p> Mat&#xE9;ria dos Sonhos(2012) de Gustavo Rezende. Galeria Marilia Razuk</p> <p> <em>Oblivio</em> (2011), de Wagner Malta Tavares. Galeria Marilia Razuk</p> <p> <em>Sem T&#xED;tulo</em>(2012), de Laercio Redondo. Silvia Cintra Galeria de Arte + Box 4 (acima, na galeria)</p> <p> Da s&#xE9;rie <em>Foi Assim que me Ensinaram</em> (2012), de Felipe Cama. Galeria Leme</p> <p> &#xA0;</p> <p> <strong>2o piso</strong></p> <p> <em>Sem T&#xED;tulo</em>(2011), de Bartolomeo Gelpi. Central Galeria de Arte</p> <p> <em>Escultura</em> (2012), de Lucas Sim&#xF5;es. Galeria Emma Thomas</p> <p> <em>Da S&#xE9;riePaisagem Dissociada</em>(2012), de Erica Ferrari. Galeria Emma Thomas (acima, na galeria)</p> A revista <strong>BRAVO!</strong> pediu ao diretor do Museu de Arte Contemporânea para selecionar algumas obras que despertaram seu interesse na lista de peças exibidas na SP-Arte.&nbsp; 2012-05-10T18:09:36-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 177 - Maio 2012 A revista BRAVO! pediu ao diretor do Museu de Arte Contemporânea para selecionar algumas obras que despertaram seu interesse na lista de peças exibidas na SP-Arte.  Artes Visuais BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/acumulacao Acumulação 2012-05-09T17:40:44-03:00 Redação <p> A reportagem de capa da edi&#xE7;&#xE3;o de maio, sobre a Feira Internacional de Arte de S&#xE3;o Paulo, motivou uma fotografia da artista pl&#xE1;stica Fl&#xE1;via Junqueira e do fot&#xF3;grafo Edouard Fraipont. Convidada por <strong>BRAVO!</strong>, a paulistana reuniu em um s&#xF3; espa&#xE7;o 27 obras que estar&#xE3;o no evento, dando origem a uma nova imagem. A montagem aconteceu na Galeria Bar&#xF3;, em S&#xE3;o Paulo. Assista ao v&#xED;deo com o <em>making of</em> da produ&#xE7;&#xE3;o abaixo, e conhe&#xE7;a as pe&#xE7;as usadas por Fl&#xE1;via e Edouard <a href="http://bravonline.abril.com.br/flash/sparte" rel="clicanco aqui">clicanco aqui</a></p> <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="349" width="620"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=41851411&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=0&amp;show_byline=0&amp;show_portrait=0&amp;color=00adef&amp;fullscreen=1&amp;autoplay=0&amp;loop=0"/><embed allowscriptaccess="always" height="349" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=41851411&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=0&amp;show_byline=0&amp;show_portrait=0&amp;color=00adef&amp;fullscreen=1&amp;autoplay=0&amp;loop=0" type="application/x-shockwave-flash" width="620"/></object></p> Um vídeo mostra o processo de criação da fotografia feita pelos artistas Flávia Junqueira e Edouard Fraipont para&nbsp;<strong>BRAVO!</strong> de maio, com obras que estarão na SP-Arte 2012-05-09T17:40:44-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Um vídeo mostra o processo de criação da fotografia feita pelos artistas Flávia Junqueira e Edouard Fraipont para BRAVO! de maio, com obras que estarão na SP-Arte Artes Visuais BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/o-mercado-virou-curador O Mercado Virou Curador 2012-05-07T13:01:24-03:00 Gisele Kato <p> Mat&#xE9;ria ainda indispon&#xED;vel!Compre nossa revista ou acesse <a href="http://www.assine.abril.com.br/portal/revista!initRevista.action?codProjeto=978&amp;origem=sr/ba/by" rel="AQUI" target="_blank">AQUI</a> para ser um assinante de BRAVO!</p> Maior feira latino-americana de telas, esculturas, fotografias e instalações, a SP-Arte chega ao oitavo ano com o intuito de ser também uma megaexposição 2012-05-07T12:59:59-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 177 - Maio 2012 Maior feira latino-americana de telas, esculturas, fotografias e instalações, a SP-Arte chega ao oitavo ano com o intuito de ser também uma megaexposição Artes Visuais BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/mas-o-que-isso-significa “Mas o que isso significa?” 2012-04-30T13:13:18-03:00 Paula Braga <p> Aarte contempor&#xE2;nea brasileira &#xE9; forte em produ&#xE7;&#xF5;es que respeitam o pensamento da forma, ou seja, as ideias que emanam da pura fisicalidade das pe&#xE7;as. <em>Storyboard</em>, com 17 trabalhos de Jos&#xE9; Damasceno, no Centro Cultural S&#xE3;o Paulo, e curadoria de Jos&#xE9; Augusto Ribeiro, exemplifica bem esse segmento. Percorrer a mostra exige sintonizar-se com a obra do artista carioca em um n&#xED;vel nada usual, para al&#xE9;m daquela rea&#xE7;&#xE3;o muito r&#xE1;pida da raz&#xE3;o, que bloqueia a estranheza do que n&#xE3;o &#xE9; familiar com a pergunta &#x201C;o que isso significa?&#x201D;.</p> <p> <em>Cinemagma</em> (2000), por exemplo, imp&#xF5;e-se como uma presen&#xE7;a absolutamente nova, que n&#xE3;o pode ser submetida a um conceito ou significado anterior. O espectador aproxima-se de um amontoado de estopa, no meio do qual h&#xE1; uma porta aberta. De dentro da porta saem c&#xE1;psulas de vidro contendo mais estopa. Como se houvesse um campo de for&#xE7;a invis&#xED;vel, a instala&#xE7;&#xE3;o envolve o visitante pelo sensorial: a porta convida o corpo a um mergulho, enquanto desafia &#x2013; e quase ofende &#x2013; o entendimento racional.</p> <p> V&#xE1;rias pe&#xE7;as da exposi&#xE7;&#xE3;o recusam se enquadrar numa categoria. <em>Em Par&#xE1;bola</em> (2000), Damasceno calculou muito bem a escala de um labirinto em miniatura, cujas paredes s&#xE3;o feitas com pequenos tijolos de m&#xE1;rmore, deixando a obra entre a escultura e a instala&#xE7;&#xE3;o. Trata-se certamente de uma cria&#xE7;&#xE3;o tridimensional. Mas, como as paredes baixas geram uma linha sinuosa que se emaranha para formar o labirinto, o trabalho transmite tamb&#xE9;m a sensa&#xE7;&#xE3;o de se estar diante de um tra&#xE7;o bidimensional, como se houvesse mesmo um desenho sobre o ch&#xE3;o.</p> <p> <strong>Campo de Possibilidades</strong></p> <p> A linha, o fio, o fluxo &#xE9; uma constante na produ&#xE7;&#xE3;o do artista de 43 anos. <em>Organograma</em> (2001) adensa ainda mais esse jogo com as dimens&#xF5;es ao unir, em uma esp&#xE9;cie de colar, letras de porcelana que v&#xE3;o formando as palavras &#x201C;ontem&#x201D;, &#x201C;hoje&#x201D; e &#x201C;amanh&#xE3;&#x201D;.</p> <p> Ainda remetendo ao tempo, na individual convivem trabalhos realizados de 1989 a 2011, inclusive<em> Cartograma</em> (2000), que esteve na Bienal de Veneza em 2007. Mas n&#xE3;o h&#xE1; a pretens&#xE3;o de ser uma retrospectiva, palavra que implica uma linearidade, uma sequ&#xEA;ncia de produ&#xE7;&#xE3;o. Segundo o pr&#xF3;prio artista, o que se d&#xE1; em cada obra e na exposi&#xE7;&#xE3;o como um todo &#xE9; a manuten&#xE7;&#xE3;o de um campo de possibilidades em que pensamentos e sensa&#xE7;&#xF5;es ocorram. Os do espectador e os dele mesmo. Isso n&#xE3;o &#xE9; dado de gra&#xE7;a: exige que o visitante suporte a perplexidade da falta de sentido.</p> <div class="descricao-autor"> <p> <strong>Paula Braga </strong>&#xE9; curadora e cr&#xED;tica de arte. Integra o conselho curatorial da Zipper Galeria, em S&#xE3;o Paulo.</p> </div><div class="onde-quando"> <p> <strong>A EXPOSI&#xC7;&#xC3;O</strong></p> <p> <em>Storyboard &#x2013; Jos&#xE9; Damasceno</em>. Centro Cultural S&#xE3;o Paulo (r. Vergueiro, 1000, Para&#xED;so, S&#xE3;o Paulo, SP, tel. 0++/11/3397-4002). At&#xE9; 27/5. De 3&#xAA; a 6&#xAA;, das 10h &#xE0;s 20h; s&#xE1;b. e dom., das 10h &#xE0;s 18h. Gr&#xE1;tis.</p> </div> Para desfrutar de “Storyboard”, mostra do carioca José Damasceno, o público deve se desvencilhar da pergunta inevitável 2012-04-30T13:02:36-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 176 - Abril 2012 Para desfrutar de “Storyboard”, mostra do carioca José Damasceno, o público deve se desvencilhar da pergunta inevitável Artes Visuais BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/o-jardim-barroco-de-david-lachapelle O jardim barroco de David LaChapelle 2012-04-27T18:52:22-03:00 Gisele Kato <p> Numa tarde de 2005, David LaChapelle recebeu uma liga&#xE7;&#xE3;o de Madonna. O telefonema em si n&#xE3;o tinha nada de extraordin&#xE1;rio. Os dois j&#xE1; haviam realizado v&#xE1;rios projetos juntos e discutiam mais um: o clipe para o sucesso Hung Up. Sem chegar a um acordo, no entanto, o fot&#xF3;grafo norte-americano conta que foi afastando lentamente o celular do ouvido. Num rompante, apertou o bot&#xE3;o vermelho de seu aparelho e deixou a cantora gritando sozinha do outro lado da linha. Nunca mais se falaram. Agora, sete anos depois dessa &#x201C;travessura&#x201D;, LaChapelle apresenta uma s&#xE9;rie de dez fotografias com 1,83 m de altura cada uma, em galerias de Nova York, Londres, Mil&#xE3;o e St. Moritz. E o fato de ter desligado o telefone na cara de Madonna tem tudo a ver com isso.</p> <p> &#x201C;Foi um momento libertador na minha vida. Decidi que n&#xE3;o faria mais aquilo&#x201D;, declarou o fot&#xF3;grafo recentemente. &#x201C;Aquilo&#x201D; significava uma carreira de duas d&#xE9;cadas com editoriais de moda nas principais revistas do mundo, como Vanity Fair, Vogue, i-D e The Face, e ensaios com as maiores celebridades do momento, de Lady Gaga a Hillary Clinton, passando por Angelina Jolie, Michael Jackson e, sim, Madonna. Depois da discuss&#xE3;o, LaChapelle permaneceu anos recolhido em sua casa em Maui, no Hava&#xED;. Portanto, em certo sentido, a s&#xE9;rie com o t&#xED;tulo de Earth Laughs in Flowers (Terra Ri em Flores) marca uma esp&#xE9;cie de renascimento. A reapari&#xE7;&#xE3;o ocorre em galerias, o que refor&#xE7;a o desejo de LaChapelle de se separar cada vez mais da cena comercial. Finalmente, o garoto que aos 18 anos foi descoberto por ningu&#xE9;m menos do que o multiartista Andy Warhol e come&#xE7;ou a trabalhar na publica&#xE7;&#xE3;o dos sonhos de qualquer um na &#xE9;poca, a Interview, adentra o circuito da arte.</p> <p> Para realizar suas naturezas-mortas, ele negociou com floriculturas e conseguiu reunir flores em um est&#xE1;gio intermedi&#xE1;rio de seu ciclo: nem t&#xE3;o frescas nem completamente murchas. Misturou aos arranjos folhagens artificias de seda e de pl&#xE1;stico. E somou ainda &#xE0;s composi&#xE7;&#xF5;es diversos objetos-s&#xED;mbolo do mundo de hoje: celulares, embalagens de vitaminas, comidas enlatadas, bal&#xF5;es e brinquedos sexuais. As fotos, que em conjunto assumem um tom um tanto pesado, diferem muito do LaChapelle c&#xE9;lebre, alegre, f&#xFA;til de algum modo. Ao mesmo tempo, t&#xEA;m muito do fot&#xF3;grafo tamb&#xE9;m, pelas cores saturadas e pelo exagero, que esbarra no kitsch e provoca rea&#xE7;&#xF5;es sempre extremadas. Nessas p&#xE1;ginas, BRAVO! exibe sete imagens da s&#xE9;rie Earth Laughs in Flowers, todas finalizadas no ano passado.</p> <p> &#xA0;</p> <p> &#xA0;</p> O fotógrafo norte-americano começou a carreira trabalhando para ninguém menos do que Andy Warhol. Por 20 anos, retratou as maiores celebridades do mundo, mas cansou da vida entre as estrelas e, recentemente, decidiu investir nas flores 2012-04-27T18:52:23-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 176 - Abril 2012 O fotógrafo norte-americano começou a carreira trabalhando para ninguém menos do que Andy Warhol. Por 20 anos, retratou as maiores celebridades do mundo, mas cansou da vida entre as estrelas e, recentemente, decidiu investir nas flores Artes Visuais BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/a-lista-de-bravo-esta-servido A Lista de BRAVO!&nbsp; - Está Servido? 2012-04-24T13:48:57-03:00 Nina Rahe <p> Em uma noite qualquer do ano passado, a artista Brittany Powell teve um estalo: &#x201C;Eu posso fazer um quadro de Rothko com duas fatias de queijo&#x201D;. Dias depois, foi &#xE0;s compras levando uma lista de ingredientes e algumas obras de arte na cabe&#xE7;a. Saiu da mercearia com sacolas carregadas de p&#xE3;es de f&#xF4;rma, queijos, salames, verduras e temperos. E em apenas uma tarde de janeiro, preparou dez sandu&#xED;ches, todos inspirados em grandes criadores. Na hora da escolha, optou apenas por trabalhos que pudessem ser facilmente identificados. As &#x201C;bolinhas coloridas&#x201D; do brit&#xE2;nico Damien Hirst, aparentemente simples de reproduzir, provaram-se as mais trabalhosas. Num primeiro momento, Brittany tentou fazer c&#xED;rculos de alface com uma faca. Escorregadias, as folhas precisaram ser cortadas com tesoura.</p> <p> <strong>OPS! Um Rothko</strong></p> <p> A releitura do pintor franc&#xEA;s Claude Monet acabou no lixo sem nem um registro. O fundo em mostarda e o palheiro feito com peda&#xE7;os de carne n&#xE3;o passaram de uma confus&#xE3;o. J&#xE1; a releitura de Mark Rothko &#xE9; a favorita da norte-americana, que produz obras nas mais diversas linguagens, de cer&#xE2;mica a instala&#xE7;&#xF5;es. Pela simplicidade da composi&#xE7;&#xE3;o, com fatias de queijo sobre uma camada de mostarda, ela acredita que vers&#xF5;es do g&#xEA;nero devam surgir muitas vezes por acaso, no momento em que algu&#xE9;m esteja montando de forma despretensiosa um sandu&#xED;che. A s&#xE9;rie completa est&#xE1; no blog lowcommitmentprojects.com.</p> Na cozinha da artista Brittany Powell, pode-se pedir um Mondrian, um Hirst, um Pollock. Durante uma tarde, a norte-americana montou dez sanduíches inspirados em obras de grandes criadores 2012-04-24T13:48:57-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 176 - Abril 2012 Na cozinha da artista Brittany Powell, pode-se pedir um Mondrian, um Hirst, um Pollock. Durante uma tarde, a norte-americana montou dez sanduíches inspirados em obras de grandes criadores Artes Visuais BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/o-observador-impertinente O Observador Impertinente 2012-04-13T18:01:57-03:00 Bruno Moreschi <p> Quando 2012 acabar, poder&#xE1; se afirmar sem exageros que uma importante lacuna foi finalmente preenchida no cen&#xE1;rio das artes visuais na Am&#xE9;rica Latina. Isso porque S&#xE3;o Paulo, Rio Janeiro e Buenos Aires receber&#xE3;o pela primeira vez uma mostra completa de Alberto Giacometti (1901-1966), um dos mais importantes e geniais nomes da arte moderna. Tirando a escultura Quatre Figures sur un Socle (Quatro Figuras em um Pedestal), de 1950, que integra a exposi&#xE7;&#xE3;o e pertence ao acervo do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, n&#xE3;o h&#xE1; pe&#xE7;as do mestre su&#xED;&#xE7;o no Brasil.</p> <p> Em cartaz at&#xE9; 17 de junho na Pinacoteca do Estado de S&#xE3;o Paulo e de 17 de julho a 16 de setembro no MAM carioca, a retrospectiva oferece um panorama bastante completo dos 40 anos de produ&#xE7;&#xE3;o do artista. S&#xE3;o cerca de 280 esculturas, pinturas, desenhos e gravuras, em uma sele&#xE7;&#xE3;o que inclui obras-primas como L&#x2019;Homme que Marche I (Homem Caminhando I), de 1960, sua mais c&#xE9;lebre vers&#xE3;o da conhecida figura em bronze de um homem esqu&#xE1;lido.</p> <p> Duas publica&#xE7;&#xF5;es importantes sobre o artista s&#xE3;o lan&#xE7;adas por aqui em abril, pela editora Cosac Naify. A primeira, Giacometti, &#xE9; organizada pela pr&#xF3;pria curadora da exposi&#xE7;&#xE3;o, V&#xE9;ronique Wiesinger, que dirige a Funda&#xE7;&#xE3;o Alberto e Annette Giacometti. J&#xE1; Um Olhar sobre Giacometti foi escrita por David Sylvester, um dos mais festejados cr&#xED;ticos de arte do s&#xE9;culo passado e amigo &#xED;ntimo do homenageado. Em um relato bem pessoal, Sylvester n&#xE3;o s&#xF3; analisa v&#xE1;rias das obras atualmente em cartaz no Brasil como tamb&#xE9;m revela as divaga&#xE7;&#xF5;es que Giacometti tinha com a quest&#xE3;o do olhar. Muitas vezes, o artista afirmou que via as coisas em escalas menores do que o normal &#x2013; uma percep&#xE7;&#xE3;o que nos ajuda a compreender as anatomias pouco usuais de suas cria&#xE7;&#xF5;es.</p> <p> <strong>Fazer e refazer</strong></p> <p> Diferentemente de outros criadores do in&#xED;cio do s&#xE9;culo 20, Giacometti sempre recebeu apoio incondicional dos pais para seguir o caminho que escolheu. Prova disso &#xE9; um desenho de seu padrinho, Cuno Amiet. Ali est&#xE1; o menino de 9 anos abra&#xE7;ado a seu pai, enquanto esse observa orgulhoso os exerc&#xED;cios art&#xED;sticos do filho. Com 13 anos, Giacometti j&#xE1; havia criado um monograma com suas letras iniciais. Estava pronta a assinatura para os seus futuros trabalhos.</p> <p> Uma de suas mais citadas influ&#xEA;ncias &#xE9; o pintor franc&#xEA;s Paul C&#xE9;zanne (1839-1906). O mestre su&#xED;&#xE7;o dizia que cen&#xE1;rio e objetos passaram a ter para ele a mesma import&#xE2;ncia quando viu pela primeira vez as telas do p&#xF3;s-impressionista. Entretanto, foram as esculturas que fizeram dele um nome de prest&#xED;gio. Apreciar suas pe&#xE7;as de bronze e gesso &#xE9; se deparar com um modo original e obsessivo de representar o corpo humano. Em uma entrevista para a televis&#xE3;o, o artista lembrou que fitava as pessoas nos caf&#xE9;s de Paris de uma maneira t&#xE3;o interessada que muitas vezes elas reclamavam de seu olhar impertinente. Mas, apesar de ser um observador atento, Giacometti teve poucos modelos. O de que mais gostava era Annette, sua mulher, hoje &#xE0; frente da funda&#xE7;&#xE3;o respons&#xE1;vel por seu esp&#xF3;lio.</p> <p> Circulava um boato na capital francesa de que o artista costumava fazer e refazer suas esculturas tantas vezes que n&#xE3;o era raro destruir algumas delas. Ele n&#xE3;o sa&#xED;a de seu ateli&#xEA; por nada e cruzou o Atl&#xE2;ntico apenas uma vez, meses antes de morrer, em 1965. Portanto, o que est&#xE1; em cartaz no Brasil atualmente &#xE9; resultado do talento de um dos criadores mais insistentes do s&#xE9;culo 20, que afirmava que uma obra nunca termina: &#x201C;Uma escultura &#xE9; uma interroga&#xE7;&#xE3;o, uma quest&#xE3;o, uma resposta. Ela n&#xE3;o pode ser acabada nem perfeita.&#x201D;</p> <div class="descricao-autor"> <p> <strong>Bruno Moreschi</strong> &#xE9; jornalista e artista pl&#xE1;stico.</p> </div><div class="onde-quando"> <p> <strong>A EXPOSI&#xC7;&#xC3;O</strong></p> <p> <em>Alberto Giacometti: Cole&#xE7;&#xE3;o da Fondation Alberto et Annette Giacometti</em>. Pinacoteca do Estado de S&#xE3;o Paulo (p&#xE7;. da Luz, 2, SP). At&#xE9; 17/6. De 3&#xAA; a dom., das 10h &#xE0;s 18h; 5&#xAA;, at&#xE9; 22h. R$ 6. Gr&#xE1;tis s&#xE1;bado.</p> </div> <p> <strong>VIOL&#xCA;NCIA COMO MAT&#xC9;RIA-PRIMA</strong></p> <p> Giacometti talvez tenha sido o primeiro artista a retratar adequadamente e sem lam&#xFA;rias a forma&#xE7;&#xE3;o do indiv&#xED;duo moderno, feito da somat&#xF3;ria de gestos imprecisos e parciais. - <strong>Por Rodrigo Naves</strong></p> <p> A produ&#xE7;&#xE3;o de Alberto Giacometti costuma ser dividida em dois per&#xED;odos: suas constru&#xE7;&#xF5;es de m&#xE1;rmore, gesso, bronze e madeira, realizadas entre 1925 e 1934, em estreito contato com surrealistas, cubistas e a escultura africana; e as esculturas de bronze posteriores a 1945, cuja contraparte s&#xE3;o desenhos e pinturas em que linhas e pinceladas se sobrep&#xF5;em angustiadamente, na tentativa de chegar &#xE0; forma justa, sempre adiada. Entre 1935 e o fim da Segunda Guerra Mundial, Giacometti n&#xE3;o exp&#xF5;e.</p> <p> Esses dois momentos &#x2013; ao menos nas esculturas &#x2013; s&#xE3;o orientados por procedimentos consideravelmente distintos. No primeiro, predomina a articula&#xE7;&#xE3;o de volumes e figuras. No segundo, ocorre um retorno &#xE0; tradi&#xE7;&#xE3;o da modelagem e ao mon&#xF3;lito. Muitas vezes, essa diferen&#xE7;a tamb&#xE9;m levou a escolhas excludentes por parte da cr&#xED;tica de arte, j&#xE1; que n&#xE3;o haveria termo comum entre as constru&#xE7;&#xF5;es de (vaga) origem cubista e a modelagem de vi&#xE9;s rodiniano. Clement Greenberg, Rosalind Krauss e William Tucker puseram suas fichas no primeiro Giacometti. Jean-Paul Sartre, Ives Bonnefoy e David Sylvester, no segundo.</p> <p> No entanto, acredito que seja poss&#xED;vel aproximar ao menos parte dos dois momentos e tirar da&#xED; algum proveito cr&#xED;tico. V&#xE1;rias das melhores esculturas do come&#xE7;o da carreira de Giacometti apontam uma viol&#xEA;ncia latente, ligada ao erotismo ou &#xE0; percep&#xE7;&#xE3;o. Em Bola Suspensa (1930-31, cuja vers&#xE3;o de 1965 est&#xE1; na mostra), o contato entre a meia-lua e a esfera sugere uma amea&#xE7;a sutil &#xE0; completude da bola pela l&#xE2;mina que a ro&#xE7;a. O toque ligeiro, quase car&#xED;cia, fala tamb&#xE9;m do rompimento de uma inteireza poderosa, num jogo que remete &#xE0; virgindade e seus tabus. Desse modo, a suposta constru&#xE7;&#xE3;o cubista aciona significados latentes, o que confere &#xE0; obra uma sensualidade inquietante, j&#xE1; que se insinua num reino que aspiraria &#xE0; pureza das ess&#xEA;ncias.</p> <p> Nas obras do segundo Giacometti, por certo nas mais bem-sucedidas, a viol&#xEA;ncia se transfere para a pr&#xF3;pria fatura das esculturas, dos desenhos e das pinturas. A sucess&#xE3;o de gestos mais ou menos malogrados &#x2013; que consome vertiginosamente a argila das esculturas e que faz linhas e pinceladas se acumularem &#x2013; fala de uma dupla viol&#xEA;ncia. De um lado, sup&#xF5;e um sujeito fraturado, incapaz de transpor para a mat&#xE9;ria uma inteireza que reinou desde o Renascimento. De outro, aponta para um mundo que nos acossa vertiginosamente e que, portanto, torna impens&#xE1;veis a frontalidade e a completude que viabilizaram a grande arte da tradi&#xE7;&#xE3;o.</p> <p> S&#xE3;o os trabalhos da &#xFA;ltima fase de Giacometti que predominam na atual mostra. Se, nas esculturas, a subtra&#xE7;&#xE3;o incessante da argila caracteriza seu processo de trabalho, penso que &#xE9; poss&#xED;vel extrair desse procedimento crit&#xE9;rios de avalia&#xE7;&#xE3;o das pr&#xF3;prias obras. Quando come&#xE7;a a trabalhar sistematicamente com argila (depois fundidas em bronze), na d&#xE9;cada de 1940, Giacometti chega a realizar esculturas de apenas 11,6 cm de altura, sendo que &#xE0;s vezes a figura propriamente dita n&#xE3;o tem mais que 4 cm. &#xC9; impressionante como essa opera&#xE7;&#xE3;o inverte a no&#xE7;&#xE3;o corrente de monumentalidade. Por se adequar com perfei&#xE7;&#xE3;o a seu processo de trabalho, a no&#xE7;&#xE3;o de dimens&#xE3;o parece se inverter, ganhando pot&#xEA;ncia &#xE0; medida que se reduz.</p> <p> Por certo, esculturas um pouco maiores tamb&#xE9;m alcan&#xE7;aram resultados formid&#xE1;veis. Mas acredito que, quando elas crescem muito em volume ou em altura, algo se perde. Giacometti talvez tenha sido o primeiro artista a descrever adequadamente e sem lam&#xFA;rias a forma&#xE7;&#xE3;o do indiv&#xED;duo moderno, feito mais da somat&#xF3;ria de gestos imprecisos e parciais do que do desdobramento de uma vontade inteiri&#xE7;a e poderosa. E parte disso pode se perder se o resultado forem formas demasiado s&#xF3;lidas.</p> <div class="descricao-autor"> <p> <strong>Rodrigo Naves</strong> &#xE9; cr&#xED;tico de arte e historiador, autor de <em>A Forma Dif&#xED;cil &#x2014; Ensaios sobre Arte Brasileira</em>, entre outros.</p> </div> <p> &#xA0;</p> <p> &#xA0;</p> Pela primeira vez, o Brasil recebe uma retrospectiva de Alberto Giacometti. O artista suíço estudou como poucos as formas do corpo humano e acreditava que uma escultura nunca estava pronta 2012-04-13T14:17:16-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 176 - Abril 2012 Pela primeira vez, o Brasil recebe uma retrospectiva de Alberto Giacometti. O artista suíço estudou como poucos as formas do corpo humano e acreditava que uma escultura nunca estava pronta Artes Visuais BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/arte-no-pao-de-formagt Arte no pão de forma: dia 6 2012-04-13T15:57:56-03:00 Redação <p> Em uma tarde, a norte-americana Brittany Powell fez dez sandu&#xED;ches que homenageiam a obra de artistas consagrados, como o brit&#xE2;nico Damien Hirst e o norte-americano Jackson Pollock. Inspirada por esse trabalho, a reda&#xE7;&#xE3;o deBRAVO!far&#xE1; o mesmo durante uma semana.</p> <p> <img src="http://imgms.bravonline.abril.com.br/85/renan1.jpg" alt="renan1"/></p> <p> Acima, o sandu&#xED;che do estagi&#xE1;rio de arte Renan Goulart e a capa do disco The Beatles, da banda brit&#xE2;nica, tamb&#xE9;m conhecido como &#x201C;O &#xC1;lbum Branco&#x201D;, de 1968.</p> <p> Veja o projeto da artista<a href="http://lowcommitmentprojects.com/2012/01/02/sandwich-artist/" rel="aqui">aqui</a></p> Veja os lanches feitos pela redação de BRAVO! 2012-04-12T14:13:21-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 176 - Abril 2011 Veja os lanches feitos pela redação de BRAVO! Artes Visuais BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/arte-no-pao-de-forma-dia-5 Arte no Pão de Forma - Dia 5 2012-04-11T13:22:09-03:00 Redação <p> Em uma tarde, a norte-americana Brittany Powell fez dez sandu&#xED;ches que homenageiam a obra de artistas consagrados, como o brit&#xE2;nico Damien Hirst e o norte-americano Jackson Pollock. Inspirada por esse trabalho, a reda&#xE7;&#xE3;o de<strong> BRAVO!</strong> far&#xE1; o mesmo durante uma semana.</p> <p> A editora Gisele Kato montou o quinto da s&#xE9;rie. Com p&#xE3;o australiano e a&#xE7;&#xFA;car, ela reproduziu a interven&#xE7;&#xE3;o <em>Spiral Jetty</em> (<em>Pier</em> ou<em> Cais em Espiral</em>), do norte-americano Robert Smithson. A obra original foi realizada na d&#xE9;cada de 1970, no Grande Lago Salgado, em Utah, nos Estados Unidos.</p> <p> <img src="http://imgms.bravonline.abril.com.br/85/gikato.jpg" alt="gikato"/></p> <p> &#xA0;</p> <p> Veja o projeto da artista <a href="http://lowcommitmentprojects.com/2012/01/02/sandwich-artist/" rel="aqui" target="_blank">aqui</a></p> Veja os lanches feitos pela redação de BRAVO! 2012-04-11T13:21:21-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 176 - Abril 2011 Veja os lanches feitos pela redação de BRAVO! Artes Visuais BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/arte-no-pao-de-forma-dia-4 Arte no Pão de Forma - Dia 4 2012-04-10T13:19:41-03:00 Redação <p> Em uma tarde, a norte-americana Brittany Powell produziu dez sandu&#xED;ches que homenageiam a obra de artistas consagrados, como o brit&#xE2;nico Damien Hirst e o norte-americano Jackson Pollock. Inspirada por esse trabalho, a reda&#xE7;&#xE3;o de <strong>BRAVO!</strong> far&#xE1; o mesmo durante uma semana.</p> <p> O quarto da s&#xE9;rie foi produzido pela editora-assistente Mariana Delfini. O cream cheese com a barata - de pl&#xE1;stico, claro - remetem ao trecho do livro <em>A Paix&#xE3;o Segundo GH</em>, de Clarice Lispector.</p> <p> <img src="http://imgms.bravonline.abril.com.br/85/mariana.jpg" alt="mariana"/></p> <p> &#xA0;</p> <p> Veja o projeto da artista <a href="http://lowcommitmentprojects.com/2012/01/02/sandwich-artist/" rel="aqui" target="_blank">aqui</a></p> Veja os lanches feitos pela redação de<strong> BRAVO!</strong> 2012-04-10T12:51:31-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 176 - Abril 2011 Veja os lanches feitos pela redação de BRAVO! Artes Visuais BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/arte-no-pao-de-forma-dia-3 Arte no Pão de Fôrma - Dia 3 2012-04-09T12:25:07-03:00 Redação <p> Em uma tarde, a norte-americana Brittany Powell produziu dez sandu&#xED;ches que homenageiam a obra de artistas consagrados, como o brit&#xE2;nico Damien Hirst e o norte-americano Jackson Pollock. Inspirada por esse trabalho, a reda&#xE7;&#xE3;o de <strong>BRAVO!</strong> far&#xE1; o mesmo durante uma semana.</p> <p> O terceiro da s&#xE9;rie foi produzido pelo estagi&#xE1;rio de arte Renan Goulart. Com cream cheese e uma banana, ele reproduziu a capa do disco antol&#xF3;gico <em>The Velvet Underground &amp; Nico</em>, da banda norte-americana The Velvet Underground, assinada pelo artista Andy Warhol.</p> <p> <img src="http://imgms.bravonline.abril.com.br/85/renan2.jpg" alt="renan2"/></p> <p> Veja o projeto da artista <a href="http://lowcommitmentprojects.com/2012/01/02/sandwich-artist/" rel="aqui" target="_blank">aqui</a></p> Veja os lanches feitos pela redação de <strong>BRAVO!</strong> 2012-04-09T12:25:07-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 176 - Abril 2011 Veja os lanches feitos pela redação de BRAVO! Artes Visuais BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/arte-pao-forma-dia-2 Arte no Pão de Fôrma - Dia 2 2012-04-04T19:12:44-03:00 Redação <p> Em uma tarde, a norte-americana Brittany Powell produziu dez sandu&#xED;ches que homenageiam a obra de artistas consagrados, como o brit&#xE2;nico Damien Hirst e o norte-americano Jackson Pollock. Inspirada por esse trabalho, a reda&#xE7;&#xE3;o deBRAVO!far&#xE1; o mesmo durante uma semana.</p> <p> O segundo da s&#xE9;rie foi produzido pela designer Renata Miwa. Com os ingredientes cl&#xE1;ssicos do cachorro-quente, ela se inspirou no quadro <em>Ceci N'est pas Une Pipe</em> do surrealista belga Ren&#xE9; Magritte. </p> <p> <img src="http://imgms.bravonline.abril.com.br/85/renata.jpg" alt="renata"/></p> <p> Veja o projeto da artista <a href="http://lowcommitmentprojects.com/2012/01/02/sandwich-artist/" rel="aqui" target="_blank">aqui</a></p> Veja os lanches feitos pela redação de BRAVO! 2012-04-04T17:54:08-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 176 - Abril 2011 Veja os lanches feitos pela redação de BRAVO! Artes Visuais BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/arte-no-pao-de-forma Arte no Pão de Fôrma 2012-04-03T18:51:24-03:00 Redação <p> Em uma tarde, a norte-americana Brittany Powell produziu dez sandu&#xED;ches que homenageiam a obra de artistas consagrados, como o brit&#xE2;nico Damien Hirst e o norte-americano Jackson Pollock. Inspirada por esse trabalho, a reda&#xE7;&#xE3;o de <strong>BRAVO!</strong> far&#xE1; o mesmo durante uma semana.</p> <p> O primeiro da s&#xE9;rie &#xE9; da rep&#xF3;rter Barbara Heckler. Com mostarda e canela em pau, ela reproduziu a capa do disco <em>Circulad&#xF4; Vivo</em>, do cantor Caetano Veloso. A ilustra&#xE7;&#xE3;o original foi assinada por Helio Eichbauer e Arthur Fr&#xF3;es, em 1992.</p> <p> Veja o projeto da artista em <a href="http://lowcommitmentprojects.com/2012/01/02/sandwich-artist/" rel="http://lowcommitmentprojects.com/2012/01/02/sandwich-artist/" target="_blank">http://lowcommitmentprojects.com/2012/01/02/sandwich-artist/</a></p> <p> &#xA0;</p> Veja os lanches feitos pela redação de <strong>BRAVO! </strong> 2012-04-03T17:51:45-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 176 - Abril 2011 Veja os lanches feitos pela redação de BRAVO! Artes Visuais BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/misterio-no-museuu Mistério no Museu 2012-03-29T14:45:17-03:00 Gisele Kato <p> De longe, o palha&#xE7;o mascarado parece um boneco. Sentado, im&#xF3;vel, com uma buzina nas m&#xE3;os, costas apoiadas em uma das paredes do museu, tem pernas desproporcionais, compridas de um jeito que s&#xF3; o mundo da fantasia comporta. Mas, &#xE0; medida que o espectador se aproxima, muitas das impress&#xF5;es sentidas de bate pronto, no primeiro olhar, v&#xE3;o se desfazendo. Foi ele quem apertou a buzina agora h&#xE1; pouco? Esse movimento por baixo da roupa estampada de azul-marinho e bege &#xE9; o da respira&#xE7;&#xE3;o? Um ombro mexeu? Dispositivos eletr&#xF4;nicos ou mec&#xE2;nicos podem simular tudo isso? At&#xE9; que ele faz outro movimento, coisa r&#xE1;pida, mas o suficiente para concluir que uma pessoa est&#xE1; mesmo por tr&#xE1;s daquele figurino todo. E a sensa&#xE7;&#xE3;o que vem a partir da&#xED; &#xE9; quase sempre igual. Saber da exist&#xEA;ncia de um homem na obra tira o p&#xFA;blico da suposta situa&#xE7;&#xE3;o de seguran&#xE7;a vivenciada em um museu. O palha&#xE7;o deixa os visitantes intrigados. Uma parte reage ent&#xE3;o de modo tenso diante de sua figura. A outra parte ri, d&#xE1; gargalhadas at&#xE9;. Muitos tiram fotos. E quase todos passam pelo corredor de novo antes de ir embora. Vai que ele saiu de l&#xE1;. Mas &#xE9; principalmente por permanecer est&#xE1;tico, abandonado em certo sentido, que o trabalho causa tanta curiosidade. Justo o palha&#xE7;o, personagem que domina a plateia e mant&#xE9;m-se sempre em a&#xE7;&#xE3;o, encontra-se ali com os bra&#xE7;os ca&#xED;dos sobre as coxas, inerte.</p> <p> <em>Palha&#xE7;o com Buzina Reta &#x2013; Monte de Ir&#xF4;nicos</em>, criado pela artista mineira Laura Lima em 2007, &#xE9; a obra mais popular da mostra <em>O Retorno da Cole&#xE7;&#xE3;o Tamagni: At&#xE9; as Estrelas por Caminhos Dif&#xED;ceis</em>, em cartaz no Museu de Arte Moderna de S&#xE3;o Paulo. A exposi&#xE7;&#xE3;o, que atraiu 9 mil espectadores desde o dia 12 de janeiro, confronta as pe&#xE7;as doadas &#xE0; institui&#xE7;&#xE3;o em 1967 por Carlo Tamagni, na &#xE9;poca conselheiro do MAM, todas bidimensionais (pinturas, gravuras e desenhos), com as instala&#xE7;&#xF5;es incorporadas ao acervo recentemente e que revelam o car&#xE1;ter experimental do museu hoje. Foi por causa do inc&#xF4;modo que o palha&#xE7;o provoca &#x2013; tanto no p&#xFA;blico como na pr&#xF3;pria institui&#xE7;&#xE3;o &#x2013; que os curadores Felipe Chaimovich e Fernando Oliva o selecionaram para a coletiva. &#x201C;Ele desconserta os espectadores. De repente, tem uma coisa ali que n&#xE3;o se encaixa. Tanto &#xE9; que, na legenda comentada, questionamos: &#x2018;O que faz um palha&#xE7;o sentado no meio de um museu?&#x2019; H&#xE1; desde quem se aproxime do personagem de uma maneira bem afetiva at&#xE9; pessoas que chegam de um jeito extremamente agressivo&#x201D;, diz Chaimovic.</p> <p> <strong>Obra que pega &#xF4;nibus</strong></p> <p> Nessa temporada, dois jovens revezam-se no papel de palha&#xE7;o. De ter&#xE7;a-feira a domingo, cada um encara uma jornada de trabalho de quatro horas di&#xE1;rias com direito a 15 minutos de intervalo por hora. A tal roupa azul-marinho e bege, com v&#xE1;rias camadas de babado, esconde um cano de PVC que prolonga suas pernas. Na ponta, est&#xE3;o os tradicionais sapatos grandes, de bico arredondado. Como o figurino impede que os participantes da obra simplesmente se levantem e saiam de cena no momento do intervalo, eles t&#xEA;m de se livrar da fantasia na frente dos visitantes. E causam novo impacto quando o tule laranja e a m&#xE1;scara de papel mach&#xEA;, totalmente fechada, revelam sua cabe&#xE7;a.</p> <p> Foi a pr&#xF3;pria Laura quem escolheu os tecidos, desenhou a roupa e encomendou a fantasia a uma costureira. Nesse sentido, projetou o palha&#xE7;o como se fosse uma escultura. Moldou tamb&#xE9;m a m&#xE1;scara de papel mach&#xEA;. Atualmente, existem sete vers&#xF5;es da obra, algumas em poder da pr&#xF3;pria artista, outras at&#xE9; com colecionadores particulares. O MAM possui uma delas, o que significa que, al&#xE9;m da vestimenta propriamente dita, &#xE9; o guardi&#xE3;o do conceito da pe&#xE7;a, que pode ser remontada quantas vezes o museu quiser. Para isso, basta seguir as instru&#xE7;&#xF5;es da artista, bastante diretas: o participante precisa ficar em uma posi&#xE7;&#xE3;o relaxada, mas im&#xF3;vel, pelo maior espa&#xE7;o de tempo poss&#xED;vel. Ele s&#xF3; pode se mexer quando absolutamente necess&#xE1;rio e, assim mesmo, da forma mais discreta que conseguir. N&#xE3;o precisa disfar&#xE7;ar a respira&#xE7;&#xE3;o. N&#xE3;o pode falar. A buzina n&#xE3;o deve ser tocada na frente de um visitante do museu e, quando for acionada, a a&#xE7;&#xE3;o deve ser feita de um jeito sutil. &#x201C;N&#xE3;o estou atr&#xE1;s de entreter o p&#xFA;blico&#x201D;, pontua Laura. A pr&#xF3;pria artista, no entanto, reconhece que lidar com gente implica um risco, ligado &#xE0; imprevisibilidade da natureza humana. Laura sabe que as obras tamb&#xE9;m &#x201C;se rebelam&#x201D; de vez em quando. H&#xE1; um v&#xED;deo no YouTube, postado um m&#xEA;s atr&#xE1;s, em que o palha&#xE7;o buzina justamente quando uma espectadora encontra-se ao seu lado. Ela leva um susto. Todos em volta levam um susto. A orienta&#xE7;&#xE3;o n&#xE3;o foi seguida &#xE0; risca naquele momento. Em uma entrevista concedida &#xE0; revista <em>Arte Ensaios</em>, em outubro de 2010, a artista falou sobre o limite do controle que exerce sobre suas cria&#xE7;&#xF5;es: &#x201C;Parte dessa obra sai, vai para casa, pega &#xF4;nibus, volta; o risco que corro de essa imagem n&#xE3;o estar l&#xE1; no dia seguinte &#xE9; gigantesco, mas &#xE9; t&#xE3;o fascinante esse limiar t&#xEA;nue...&#x201D;</p> <p> <strong>Obra que dorme</strong></p> <p> Mineira de Governador Valadares e radicada no Rio de Janeiro desde a adolesc&#xEA;ncia, Laura Lima formou-se em filosofia pela Uerj, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro, e mais tarde fez cursos na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Desde 2003, dirige junto com os artistas Ernesto Neto e M&#xE1;rcio Botner uma galeria especializada na produ&#xE7;&#xE3;o contempor&#xE2;nea no centro do Rio, A Gentil Carioca. Como criadora, projetou-se no fim dos anos 90, sempre com trabalhos que envolviam animais. Ou pessoas. &#x201C;Gosto de falar que lido com coisas vivas&#x201D;, diz Laura na tentativa de explicar sua produ&#xE7;&#xE3;o. No in&#xED;cio da carreira, em 1994, levou uma vaca de montanha para uma praia urbana, a do Arpoador, em Ipanema. Tr&#xEA;s anos depois, produziu <em>Dopada</em>, uma de suas obras mais pol&#xEA;micas, em que uma mulher, vestida com uma longa camisola branca, toma 15 mg do rem&#xE9;dio Dormonid, um sedativo poderoso, e dorme na frente do p&#xFA;blico por cerca de cinco horas. Essa cria&#xE7;&#xE3;o pertence hoje ao Instituto Inhotim, em Brumadinho, Minas Gerais, que j&#xE1; chegou a exibi-la por quatro meses seguidos, o que exigiu uma quantidade enorme de volunt&#xE1;rias: quem toma o comprimido em um dia n&#xE3;o pode repetir a dose por semanas sob o risco de se viciar.</p> <p> &#x201C;Laura usa o corpo humano ou de animais como uma mat&#xE9;ria qualquer. &#xC9; como se o corpo fosse madeira, tecido ou tinta&#x201D;, diz o curador Moacir dos Anjos, respons&#xE1;vel pela escolha de <em>Palha&#xE7;o com Buzina Reta &#x2013; Monte de Ir&#xF4;nicos</em> para o 30&#xBA; Panorama da Arte Brasileira, no MAM de S&#xE3;o Paulo, em 2007 &#x2013; a primeira vez em que foi mostrado. Logo depois de terminada a exposi&#xE7;&#xE3;o coletiva, a obra acabou sendo adquirida pelo museu por indica&#xE7;&#xE3;o do conselho consultivo da institui&#xE7;&#xE3;o &#x2013; na &#xE9;poca formado pela historiadora Annateresa Fabris e pelos cr&#xED;ticos de arte Lisette Lagnado e Luiz Camillo Os&#xF3;rio &#x2013; com fundos doados pela empresa de telecomunica&#xE7;&#xF5;es Telefonica. Por contrato, seu valor &#xE9; mantido em sigilo. Mas, segundo a galeria Luisa Strina, que representa Laura em S&#xE3;o Paulo, um exemplar custa em m&#xE9;dia 25 mil reais. Quando o MAM decidiu comprar o trabalho, pesou bastante o fato de o museu j&#xE1; ter outras cria&#xE7;&#xF5;es de Laura com o mesmo car&#xE1;ter: <em>Quadris de Homem=Carne/Mulher=Carne</em>, de 1995, e <em>Bala de Homem=Carne/Mulher=Carne</em>, de 1997, ambas obtidas em 2000. <em>Bala </em>coloca um sujeito chupando o doce com a boca permanentemente aberta por um aparelho e <em>Quadris </em>traz dois homens movimentando-se amarrados pela cintura. Na &#xE9;poca, as aquisi&#xE7;&#xF5;es ganharam as manchetes dos jornais como as primeiras performances a entrar na cole&#xE7;&#xE3;o de um museu brasileiro.</p> <p> <strong>E o palha&#xE7;o, o que &#xE9;?</strong></p> <p> A associa&#xE7;&#xE3;o de Laura &#xE0; performance n&#xE3;o ocorreu &#xE0; toa. Na produ&#xE7;&#xE3;o contempor&#xE2;nea, costuma-se atribuir esse termo &#xE0;s a&#xE7;&#xF5;es que envolvem pessoas e combinam preceitos das artes visuais com o teatro e a m&#xFA;sica. Performance tamb&#xE9;m est&#xE1; frequentemente ligada a algo ef&#xEA;mero, que n&#xE3;o se repete. Laura Lima nega a exist&#xEA;ncia de uma encena&#xE7;&#xE3;o teatral em seu trabalho. E suas pe&#xE7;as, uma vez em poder de um museu ou um colecionador particular, podem ser remontadas quantas vezes forem as vontades de seu dono. Por isso, quando o MAM chamou de performance as suas obras, a artista pegou-se dividida. Ao mesmo tempo em que comemorou a estreia em um acervo importante do pa&#xED;s, irritou-se com a nomenclatura usada para classificar suas cria&#xE7;&#xF5;es.</p> <p> Mas, em um primeiro momento, nem ela sabia dizer ao certo o que eram. Nasceu assim a necessidade de elaborar um gloss&#xE1;rio particular para seu universo criativo. &#x201C;Os participantes s&#xE3;o apenas mais um dos elementos que comp&#xF5;em a pe&#xE7;a. Fazem parte de uma estrutura po&#xE9;tica que n&#xE3;o leva em conta a experi&#xEA;ncia pessoal deles, a hist&#xF3;ria de cada um. Nesse sentido, se coisificam. Recebem instru&#xE7;&#xF5;es sobre a obra, a tarefa que devem cumprir, e a realizam. N&#xE3;o h&#xE1; ensaio&#x201D;, diz Laura. Na tentativa de fugir do termo performance que teimam em associ&#xE1;-la, adotou oficialmente a express&#xE3;o Homem=Carne/Mulher=Carne. Para o curador Moacir dos Anjos, essa dificuldade de se encaixar em classifica&#xE7;&#xF5;es est&#xE1; no cerne do trabalho da artista: &#x201C;Laura atravessa defini&#xE7;&#xF5;es. Ela nos obriga a negociar com o que vemos diante de n&#xF3;s. Considero isso bem corajoso, ela se despoja da zona de conforto&#x201D;. &#xC0; frente da exposi&#xE7;&#xE3;o O Retorno da Cole&#xE7;&#xE3;o Tamagni, o curador Fernando Oliva defende que uma discuss&#xE3;o nesse sentido nem sequer &#xE9; pertinente para alguns criadores atuais, como &#xE9; o caso de Laura: &#x201C;Para Laura Lima e outros artistas, o suporte, a m&#xED;dia, o g&#xEA;nero n&#xE3;o s&#xE3;o assunto, mas apenas ferramentas, algo de que eles se utilizam com o objetivo de atingir outros patamares de linguagem, falar de quest&#xF5;es e problemas para al&#xE9;m do que se v&#xEA; em um primeiro contato&#x201D;. Felipe Chaimovich, que divide com Oliva a curadoria da mostra no MAM e &#xE9; tamb&#xE9;m curador do museu desde 2007, enxerga o palha&#xE7;o como um &#x201C;quadro vivo&#x201D;. De acordo com ele, a artista fluminense remete a s&#xE3;o Francisco de Assis, que, no s&#xE9;culo 13, montou o primeiro pres&#xE9;pio da hist&#xF3;ria: &#x201C;S&#xE3;o Francisco fez um quadro vivo. Ele bolou toda a situa&#xE7;&#xE3;o e apresentou aquilo como um quadro&#x201D;.</p> <p> A produ&#xE7;&#xE3;o de Laura n&#xE3;o desafia seus interlocutores dentro das institui&#xE7;&#xF5;es s&#xF3; pela nomenclatura. Os museus tamb&#xE9;m precisam se preparar para conviver com uma obra dela. O descritivo mesmo de <em>Palha&#xE7;o com Buzina Reta &#x2013; Monte de Ir&#xF4;nicos</em>, esp&#xE9;cie de manual de instru&#xE7;&#xF5;es que o MAM deveria ter com sua equipe de pesquisadores para consultar a cada vez que o trabalho fosse remontado &#x2013; e que Laura costuma chamar de <em>modus operandi </em>da pe&#xE7;a &#x2013;, ainda n&#xE3;o est&#xE1; pronto. Ou seja, as orienta&#xE7;&#xF5;es passadas aos palha&#xE7;os, por enquanto, s&#xE3;o apenas verbais. &#x201C;Se n&#xE3;o me engano, na primeira vez em que o palha&#xE7;o foi apresentado, tinha uma hist&#xF3;ria de que ele s&#xF3; podia tocar a buzina tr&#xEA;s vezes por dia. Essa regra acabou se perdendo. N&#xE3;o sei se a quantidade de buzinadas &#xE9; algo que ainda importa para Laura. E &#xE9; no momento em que o museu se prop&#xF5;e a formalizar isso que a gente at&#xE9; faz o artista pensar&#x201D;, diz Chaimovich.</p> <p> Outras obras do museu est&#xE3;o exigindo o mesmo tipo de iniciativa, ainda que n&#xE3;o se valham de pessoas. Aconteceu recentemente com o Tot&#xF3; Treme-Terra, do coletivo carioca Chelpa Ferro, outro trabalho da mostra <em>O Retorno da Cole&#xE7;&#xE3;o Tamagni</em>. A instala&#xE7;&#xE3;o, de 2006, inclui uma mesa de pebolim e, em uma tarde, estimulou o p&#xFA;blico a improvisar um campeonato animado dentro do museu. A equipe do acervo entrou em contato com o grupo para saber se era mesmo essa a inten&#xE7;&#xE3;o deles. Recebeu como resposta a sugest&#xE3;o de um uso controlado da mesa. &#x201C;Mas n&#xE3;o &#xE9; um jogo? N&#xE3;o est&#xE1; aberto? Ent&#xE3;o se cria um problema de verdade&#x201D;, diz Chaimovich, que para atender ao pedido do Chelpa Ferro colocou educadores na sala onde fica a pe&#xE7;a. &#x201C;Tais situa&#xE7;&#xF5;es obrigam a institui&#xE7;&#xE3;o a se repensar, a lidar com a contemporaneidade. Os pr&#xF3;prios artistas n&#xE3;o haviam estipulado uma condi&#xE7;&#xE3;o para isso ainda.&#x201D;</p> <p> Durante a produ&#xE7;&#xE3;o desta reportagem, BRAVO! se viu diante de um impasse t&#xED;pico desse cen&#xE1;rio atual. Logo no primeiro contato com Laura, a artista deixou claro seu desejo de que n&#xE3;o revel&#xE1;ssemos a exist&#xEA;ncia de um homem por tr&#xE1;s da roupa de palha&#xE7;o: &#x201C;Voc&#xEA;s v&#xE3;o estragar parte da minha obra&#x201D;. Tanto ela quanto o MAM tamb&#xE9;m mencionaram o contrato assinado entre ambos para impedir que os participantes do trabalho dessem entrevistas. Respeitamos apenas o contrato. Por mais que os artistas decretem regras para suas cria&#xE7;&#xF5;es, &#xE9; imposs&#xED;vel exercer o controle absoluto sobre uma obra de arte.</p> <div class="onde-quando"> <p> <strong>A EXPOSI&#xC7;&#xC3;O</strong></p> <p> <em>O Retorno da Cole&#xE7;&#xE3;o Tamagni: At&#xE9; as Estrelas por Caminhos Dif&#xED;ceis</em>. Museu de Arte Moderna de S&#xE3;o Paulo (parque do Ibirapuera, port&#xE3;o 3, SP). At&#xE9; 11/3. De 3&#xAA; a dom., das 10h &#xE0;s 18h. R$ 5,50.</p> </div> <p> </p> <p> <strong>O Corpo como Mat&#xE9;ria</strong></p> <p> Outros artistas j&#xE1; usaram pessoas em suas obras com um conceito pr&#xF3;ximo ao de Laura Lima</p> <p> por <strong>Bruno Moreschi</strong></p> <p> <img src="http://imgms.bravonline.abril.com.br/81/175-capa-11.jpg" alt="175-capa-11"/></p> <p> <strong>1. <em>ABAJUR</em>, DE CILDO MENDES</strong></p> <p> Em 1995, Cildo Meireles rascunhou a obra em seu bloco de anota&#xE7;&#xF5;es. Mas demorou 15 anos para tir&#xE1;-la do papel. Na 29&#xAA; Bienal de S&#xE3;o Paulo, em 2010, o artista carioca montou tr&#xEA;s grandes cilindros, um dentro do outro, numa sala de 70 m2. Uma imagem de mar com navio, aves e nuvens ilustrava as pe&#xE7;as redondas que giravam. Ao subir uma pequena escada, o visitante percebia que o cen&#xE1;rio movia-se gra&#xE7;as ao esfor&#xE7;o de quatro homens. Seus movimentos lembravam os dos escravos nos moinhos de a&#xE7;&#xFA;car do Brasil colonial. Ainda neste ano, Cildo pretende remontar a obra. Dessa vez, na Funda&#xE7;&#xE3;o Serralves, na cidade do Porto, em Portugal.</p> <p> <img src="http://imgms.bravonline.abril.com.br/81/175-capa-12.jpg" alt="175-capa-12"/></p> <p> <strong>2. <em>BRA&#xC7;O DE UM TRABALHADOR</em>, DE SANTIAGO SIERRA</strong></p> <p> Grande parte da produ&#xE7;&#xE3;o do espanhol Santiago Sierra critica a explora&#xE7;&#xE3;o nos ambientes de trabalho. Em 2004, o artista contratou dois homens para se revezarem numa obra que causou pol&#xEA;mica na Cidade do M&#xE9;xico. Eles colocavam o bra&#xE7;o num buraco aberto no teto da galeria. Quem a visitava se deparava apenas com o bra&#xE7;o saindo de uma fenda. Cada um permaneceu no papel tr&#xEA;s horas por dia e recebeu um sal&#xE1;rio m&#xED;nimo.</p> <p> <img src="http://imgms.bravonline.abril.com.br/81/175-capa-13.jpg" alt="175-capa-13"/></p> <p> <strong>3. <em>UNFAIR</em>, DE DAMIEN HIRST</strong></p> <p> Em 1992, o artista brit&#xE2;nico Damien Hirst contratou Ingo e Torsten, dois g&#xEA;meos id&#xEA;nticos, para ficarem sentados na frente de duas de suas pinturas de bolinhas coloridas. Desde ent&#xE3;o, o trabalho foi repetido com outros pares de g&#xEA;meos id&#xEA;nticos em alguns museus do mundo, como a Tate Modern, de Londres. A &#xFA;nica exig&#xEA;ncia &#xE9; que os irm&#xE3;os sejam de fato muito parecidos e se vistam com roupas tamb&#xE9;m iguais. Encontrar candidatos n&#xE3;o costuma ser uma dificuldade. Na National Gallery do Canad&#xE1;, em Ottawa, mais de 60 duplas concorreram por uma vaga em 2010.</p> Uma estranha figura, criada pela artista mineira <strong>Laura Lima</strong>, confunde o público e vira atração numa mostra coletiva em São Paulo 2012-03-28T16:53:29-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 175 - Março 2012 Uma estranha figura, criada pela artista mineira Laura Lima, confunde o público e vira atração numa mostra coletiva em São Paulo Artes Visuais BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/a-mais-radical-da-turma A Mais Radical da Turma 2012-03-19T13:09:04-03:00 Mario Gioia <p> Uma grande instala&#xE7;&#xE3;o com fios brilhantes que ligavam o piso ao teto de uma antiga edifica&#xE7;&#xE3;o em Veneza come&#xE7;ou a colocar Lygia Pape (1927-2004) entre os artistas brasileiros de prest&#xED;gio no exterior. Era junho de 2009 e a op&#xE7;&#xE3;o aparentemente arriscada dos curadores Daniel Birnbaum e Jochen Volz para o Arsenale, principal espa&#xE7;o expositivo da bienal na cidade italiana, revelou-se certeira. A obra, sucesso de p&#xFA;blico e de cr&#xED;tica, ajudou a ampliar a import&#xE2;ncia de Lygia para al&#xE9;m do movimento neoconcreto, tanto pelo car&#xE1;ter experimental de seu legado como pela diversidade de linguagens e solu&#xE7;&#xF5;es visuais que a artista fluminense adotou ao longo de sua trajet&#xF3;ria.</p> <p> Assim como ocorreu com H&#xE9;lio Oiticica (1937-1980), Mira Schendel (1919-1988) e Cildo Meireles, a cena internacional acolheu Lygia Pape. Neste m&#xEA;s, a Esta&#xE7;&#xE3;o Pinacoteca, em S&#xE3;o Paulo, sedia <em>Espa&#xE7;o Imantado</em>, extensa retrospectiva que j&#xE1; passou pelo Centro de Arte Reina Sof&#xED;a, em Madri, e pela Serpentine Gallery de Londres. <em>Tt&#xE9;ia</em>, a instala&#xE7;&#xE3;o apresentada em Veneza, integra a mostra no museu paulistano e ganha ainda neste semestre um pavilh&#xE3;o exclusivo no Instituto Inhotim, em Brumadinho, Minas Gerais. Com <em>Espa&#xE7;o Imantado</em>, o p&#xFA;blico tem acesso a uma excelente antologia, que re&#xFA;ne cerca de 200 obras, entre pinturas, relevos, xilogravuras e a&#xE7;&#xF5;es perform&#xE1;ticas, bastante representativas das v&#xE1;rias fases da artista.</p> <p> <strong>Roda dos prazeres</strong></p> <p> Sua versatilidade &#xE9; bem explorada na exposi&#xE7;&#xE3;o. T&#xE3;o importante quanto o registro fotogr&#xE1;fico de <em>Divisor</em>, a performance em que dezenas de participantes colocam sua cabe&#xE7;a em fendas abertas em um pano branco de 30 x 30 m, &#xE9; o coment&#xE1;rio de Lygia sobre o trabalho, em carta datilografada de 1985. &#x201C;O mito da exist&#xEA;ncia de cada um como po&#xE9;tica: transforma&#xE7;&#xE3;o em realidade&#x201D;, escreve. N&#xE3;o faltam na sele&#xE7;&#xE3;o outras pe&#xE7;as conhecidas, caso de <em>Roda dos Prazeres</em>, de 1968, com tigelas cheias de l&#xED;quidos coloridos dispostas em c&#xED;rculo, e <em>Espa&#xE7;os Imantados</em>, do mesmo ano. Essa s&#xE9;rie de fotos, que inspira o t&#xED;tulo da retrospectiva, re&#xFA;ne imagens de apresenta&#xE7;&#xF5;es de artistas de rua e do com&#xE9;rcio popular.</p> <p> O visitante, contudo, n&#xE3;o pode deixar de prestar aten&#xE7;&#xE3;o em obras menos vistas de Lygia, como a ousada <em>Caixa de Baratas</em>. Feita em 1967, a pe&#xE7;a consiste em um recipiente de acr&#xED;lico com os insetos mortos, dispostos em s&#xE9;rie. Trata-se de uma forte cr&#xED;tica a uma situa&#xE7;&#xE3;o que ainda hoje impera no pa&#xED;s: o anacronismo e a pouca mobilidade de museus e acervos p&#xFA;blicos.</p> <p> &#xA0;</p> Retrospectiva em São Paulo reúne 200 obras da artista fluminense Lygia Pape, que levou ao pé da letra um dos lemas do movimento neoconcreto: a experimentação 2012-03-19T12:48:56-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 175 - Março 2012 Retrospectiva em São Paulo reúne 200 obras da artista fluminense Lygia Pape, que levou ao pé da letra um dos lemas do movimento neoconcreto: a experimentação Artes Visuais BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/ode-ao-realismo Ode ao Realismo 2012-03-05T13:29:31-03:00 José Francisco Botelho <p> Outros saber&#xE3;o com mais habilidade animar o bronze e o m&#xE1;rmore. Mas tuas artes, romano, s&#xE3;o estas: impor a paz, escrever as leis, poupar os vencidos e dominar os soberbos.&#x201D; Como demonstram esses versos da <em>Eneida, </em>o poema &#xE9;pico de Virg&#xED;lio, os antigos romanos eram monumentais at&#xE9; mesmo em sua mod&#xE9;stia. Demasiado ocupados em governar o mundo conhecido, consideravam-se pouco afeitos &#xE0;s sutilezas da arte &#x2013; nas quais seus vizinhos gregos eram tidos como mestres incontest&#xE1;veis. Tal ideia foi passada para a posteridade, mas n&#xE3;o se revela de todo justa. Isso fica evidente na exposi&#xE7;&#xE3;o <em>Roma &#x2013; A Vida e os Imperadores</em>, que, at&#xE9; abril, leva ao Museu de Arte de S&#xE3;o Paulo 370 obras originais, produzidas entre os s&#xE9;culos 1 a.C. e 3 d.C. &#x2013; ou melhor: no per&#xED;odo final da Rep&#xFA;blica romana e nos primeiros s&#xE9;culos do Imp&#xE9;rio.</p> <p> Realizada num di&#xE1;logo respeitoso com os modelos da Gr&#xE9;cia cl&#xE1;ssica, a arte romana representa sem d&#xFA;vida uma abundante festa para os olhos. A fun&#xE7;&#xE3;o original desse caudal de coisas belas n&#xE3;o era apenas a de encantar os sentidos. Na Roma antiga, esculturas e afrescos estavam atrelados de forma insepar&#xE1;vel &#xE0; vida pr&#xE1;tica. &#x201C;O conceito de arte era muito diferente do que temos hoje. N&#xE3;o havia arte aut&#xF4;noma: os artistas trabalhavam sempre por encomenda, possu&#xED;am baixo status social e ningu&#xE9;m se lembrava de seu nome&#x201D;, explica o curador do Masp, Teixeira Coelho. &#x201C;A figura do artista independente, que pinta ou esculpe ao sabor da imagina&#xE7;&#xE3;o, surgiu apenas no s&#xE9;culo 19.&#x201D;</p> <p> As obras geralmente tinham fun&#xE7;&#xF5;es religiosas ou pol&#xED;ticas. Representar a beleza dos deuses era uma forma de atrair sua boa vontade. As est&#xE1;tuas dos imperadores, espalhadas por todo o Imp&#xE9;rio, serviam para enfatizar a onipresen&#xE7;a do soberano. Retratos de pessoas comuns marcavam o lugar delas na sociedade &#x2013; fossem comerciantes, fil&#xF3;sofos ou aristocratas. Murais com imagens de marchas e batalhas eram testemunhos p&#xFA;blicos da gl&#xF3;ria romana e cimentavam a lealdade dos s&#xFA;ditos.</p> <p> <strong>C&#xD3;PIA FIEL</strong></p> <p> N&#xE3;o se pode negar que o legado daqueles art&#xED;fices an&#xF4;nimos excedeu em muito servi&#xE7;os prestados ao Imp&#xE9;rio. &#x201C;Os romanos deram um passo importante e realizaram algo que n&#xE3;o ocorrera na Gr&#xE9;cia: eles introduziram o realismo na arte. Os gregos tendiam a idealizar a forma humana, enquanto os romanos buscavam reproduzir com fidelidade as fisionomias, revelando tra&#xE7;os nem sempre lisonjeiros&#x201D;, diz Guido Clemente, historiador da Universidade de Floren&#xE7;a e curador da exposi&#xE7;&#xE3;o. Gra&#xE7;as ao gosto que os romanos nutriam pelo detalhe revelador, sabemos que J&#xFA;lio C&#xE9;sar era meio calvo, que Nero estava um tanto acima do peso e que Vespasiano tinha fei&#xE7;&#xF5;es atarracadas. Sem contar os rostos de romanos e romanas cujos nomes a hist&#xF3;ria apagou, mas cujos afetos, humores e inquieta&#xE7;&#xF5;es sobrevivem, ainda hoje, no bronze e no m&#xE1;rmore trabalhados por artes&#xE3;os esquecidos.</p> <div class="descricao-autor"> <p> <strong>Jos&#xE9; Francisco Botelho</strong> &#xE9; mestre em letras, escritor e jornalista, autor de <em>A &#xC1;rvore que Falava Aramaico</em>.</p> </div><div class="onde-quando"> <p> <strong>A EXPOSI&#xC7;&#xC3;O</strong></p> <p> <em>Roma &#x2013; A Vida e os Imperadores</em>. Museu de Arte de S&#xE3;o Paulo (av. Paulista, 1578, SP). At&#xE9; 22/4. De 3a a dom., das 11h &#xE0;s 18h. 5a, das 11h &#xE0;s 20h. R$ 15. Gr&#xE1;tis &#xE0;s ter&#xE7;as.</p> </div> Mostra reúne 370 peças produzidas na Roma antiga. Esculturas, afrescos e mosaicos revelam o talento de artesãos anônimos para retratar a vida cotidiana 2012-03-05T13:29:31-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 175 - Fevereiro 2012 Mostra reúne 370 peças produzidas na Roma antiga. Esculturas, afrescos e mosaicos revelam o talento de artesãos anônimos para retratar a vida cotidiana Artes Visuais BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/lygia-pape Lygia Pape ganha retrospectiva em São Paulo 2012-02-28T18:22:26-03:00 Redação <p> &#xA0;</p> <p> A artista Lygia Pape seguiu o lema de sua &#xE9;poca: a experimenta&#xE7;&#xE3;o. Um dos principais nomes da arte contempor&#xE2;nea no pa&#xED;s, a fluminense destacou-se nos anos 1950 junto ao coletivo de artistas Grupo Frente, pioneiro do neoconcretismo brasileiro. Suas cria&#xE7;&#xF5;es, no entanto, transitaram em outras formas e linguagens, como o cinema.</p> <p> Sua vasta e vers&#xE1;til obra &#x2013; que conta com pinturas, relevos, xilogravuras e a&#xE7;&#xF5;es perform&#xE1;ticas &#x2013; ser&#xE1; apresentada em S&#xE3;o Paulo a partir de mar&#xE7;o, na Esta&#xE7;&#xE3;o Pinacoteca.</p> <p> Confira acima uma galeria de imagens das obras que estar&#xE3;o expostas na mostra.</p> <p> <strong>Servi&#xE7;o</strong></p> <p> <em>Lygia Pape &#x2013; Espa&#xE7;o Imantado.</em>Esta&#xE7;&#xE3;o Pinacoteca(lgo. General Os&#xF3;rio, 66, S&#xE3;o Paulo, SP.Tel. 0++/11/3335-4990) de 17/03 a 13/5. De 3&#xAA; a domingo, das 120h &#xE0;s 18h</p> <p> Leia cr&#xED;tica<em>A Mais Radical da Turma</em>sobre a exposi&#xE7;&#xE3;o de Lygia Pape na edi&#xE7;&#xE3;o de mar&#xE7;o/175.</p> Mostra “Espaço Imantado” reúne cerca de 200 obras da artista fluminense em São Paulo 2012-02-28T18:22:26-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Mostra “Espaço Imantado” reúne cerca de 200 obras da artista fluminense em São Paulo Artes Visuais BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/um-museu-com-duas-vidas Um Museu com duas Vidas 2012-02-24T11:56:10-02:00 Paula Braga <p> Mais do que uma mostra de acervo, <em>Cole&#xE7;&#xE3;o Tamagni: At&#xE9; as Estrelas por Caminhos Dif&#xED;ceis</em> &#xE9; uma reflex&#xE3;o sobre a import&#xE2;ncia dos museus na moderniza&#xE7;&#xE3;o do Brasil nos anos 50. Com curadoria de Felipe Chaimovich e Fernando Oliva, a exposi&#xE7;&#xE3;o tem como tema central a hist&#xF3;ria do Museu de Arte Moderna de S&#xE3;o Paulo, fundado em 1948 pelo industrial Ciccillo Matarazzo. Datam da &#xE9;poca diversas iniciativas culturais &#xE0; altura das pretens&#xF5;es desenvolvimentistas do pa&#xED;s.</p> <p> O MAM sofreu um baque em 1963, quando Ciccillo transferiu sua cole&#xE7;&#xE3;o para o rec&#xE9;m-aberto Museu de Arte Contempor&#xE2;nea da USP. Fadada a acabar, a institui&#xE7;&#xE3;o nasceu de novo gra&#xE7;as a um grupo de intelectuais e empres&#xE1;rios, que insistiram em manter o museu ativo, mesmo sem pr&#xE9;dio e sem obras. As atas de reuni&#xF5;es da diretoria nesse per&#xED;odo integram a coletiva ao lado dos 81 trabalhos que o colecionador Carlo Tamagni doou ao MAM em 1968, incluindo pinturas de Di Cavalcanti (1897-1976), Jos&#xE9; Pancetti (1902-1958) e Aldo Bonadei (1906-1974). Adquirida segundo crit&#xE9;rios afetivos, a sele&#xE7;&#xE3;o n&#xE3;o &#xE9; expressiva como amostra da arte moderna brasileira, mas n&#xE3;o se pode contestar seu valor simb&#xF3;lico, de retorno do MAM em um novo corpo f&#xED;sico.</p> <p> <strong>Diferente todo dia</strong></p> <p> Pensando sobre o renascimento do museu, a curadoria juntou a Cole&#xE7;&#xE3;o Tamagni a instala&#xE7;&#xF5;es contempor&#xE2;neas do acervo. Para exibir as telas, usa a proposta de <em>M&#xE1;quina Curatorial</em>, obra feita pelo argentino Nicolas Guagnini em 2009. Trata-se de um conjunto de pain&#xE9;is girat&#xF3;rios nos quais as pinturas que pertenciam a Tamagni est&#xE3;o penduradas. O espectador pode mover as estruturas, alterando assim a disposi&#xE7;&#xE3;o dos trabalhos no espa&#xE7;o. Outro aspecto vari&#xE1;vel da mostra &#xE9; a trilha sonora, a cargo do coletivo Fora do Eixo. A combina&#xE7;&#xE3;o de sons eletr&#xF4;nicos com a cole&#xE7;&#xE3;o modernista de Tamagni acentua o conv&#xED;vio de v&#xE1;rios tempos dentro do espa&#xE7;o expositivo. E n&#xE3;o se assuste se algumas das obras estiverem cobertas por um papel&#xE3;o. Trata-se de uma interven&#xE7;&#xE3;o do paulistano Fabiano Marques, que prop&#xF5;e um rod&#xED;zio de aus&#xEA;ncias: a cada dia, pe&#xE7;as diferentes amanhecer&#xE3;o cobertas. Enfim, pode-se voltar v&#xE1;rias vezes ao MAM e o programa nunca ser&#xE1; o mesmo.</p> <p> Ali&#xE1;s, esta &#xE9; uma das inten&#xE7;&#xF5;es da curadoria: provar que o retorno para o museu de obras vistas pela &#xFA;ltima vez em 1968 nunca &#xE9; o mesmo. Algumas coisas, no entanto, demoram para mudar. Ao colocar em evid&#xEA;ncia a doa&#xE7;&#xE3;o feita por Tamagni, a coletiva provoca nossas elites: o patronato cultural vem crescendo, mas ainda n&#xE3;o &#xE9; significativo no Brasil.</p> <div class="descricao-autor"> <p> <strong>Paula Braga </strong>&#xE9; curadora e cr&#xED;tica de arte. Integra o conselho curatorial da Zipper Galeria, em S&#xE3;o Paulo.</p> </div><div class="onde-quando"> <p> <strong>A EXPOSI&#xC7;&#xC3;O</strong></p> <p> <em>O Retorno da Cole&#xE7;&#xE3;o Tamagni: At&#xE9; as Estrelas por Caminhos Dif&#xED;ceis</em>. Museu de Arte Moderna de S&#xE3;o Paulo (parque do Ibirapuera, port&#xE3;o 3, SP) At&#xE9; 11/3. De 3&#xAA; a dom., das 10h &#xE0;s 18h. R$ 5,50. Gr&#xE1;tis aos domingos.</p> </div> De 1963 a 1968, o MAM de São Paulo funcionou sem obras. Uma exposição recupera essa história e exibe a coleção que marcou seu renascimento ao lado de trabalhos adquiridos recentemente 2012-02-24T11:56:10-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 174 - Fevereiro 2012 De 1963 a 1968, o MAM de São Paulo funcionou sem obras. Uma exposição recupera essa história e exibe a coleção que marcou seu renascimento ao lado de trabalhos adquiridos recentemente Artes Visuais BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/a-voz-dos-muros A Voz dos Muros 2012-02-23T16:37:25-02:00 Bruno Moreschi <p> Organizado pelo designer Chico Homem de Melo e pela diretora de arte da editora Cosac Naify, Elaine Ramos, <em>Linha do Tempo do Design Gr&#xE1;fico no Brasil</em>, um calhama&#xE7;o de 744 p&#xE1;ginas, re&#xFA;ne 1.659 imagens que datam desde a primeira d&#xE9;cada do s&#xE9;culo 19 at&#xE9; os &#xFA;ltimos anos do s&#xE9;culo 20. Dividida em dez cap&#xED;tulos, a publica&#xE7;&#xE3;o corrige uma aus&#xEA;ncia grave: at&#xE9; hoje n&#xE3;o havia no pa&#xED;s um livro que tra&#xE7;asse uma vis&#xE3;o geral e cronol&#xF3;gica desse segmento, que envolve capas de livros e discos, jornais, s&#xED;mbolos, selos postais e cartazes. Para Melo, o design gr&#xE1;fico brasileiro possui pelo menos tr&#xEA;s momentos altos. Dois deles j&#xE1; s&#xE3;o bastante conhecidos: as d&#xE9;cadas de 1960 e 70, marcadas pelo construtivismo. Um terceiro per&#xED;odo, no entanto, surpreendeu os editores durante os tr&#xEA;s anos dedicados &#xE0; pesquisa: &#x201C;N&#xE3;o t&#xED;nhamos ideia da riqueza da linguagem nos anos 20. E n&#xE3;o estou falando s&#xF3; de pe&#xE7;as relacionadas &#xE0; Semana de Arte Moderna de 1922&#x201D;, diz o designer. Entre os trabalhos dessa &#xE9;poca, est&#xE1; por exemplo uma revista popular, a <em>Para Todos...</em>, que chegou a ser dirigida por nomes como o escritor baiano Jorge Amado e o arquiteto carioca Oscar Niemeyer.</p> <p> Uma das maiores dificuldades na produ&#xE7;&#xE3;o do livro foi encontrar os cartazes. Com exce&#xE7;&#xE3;o dos relacionados aos filmes, que em sua maioria pertencem ao acervo da Cinemateca Brasileira, em S&#xE3;o Paulo, essas obras s&#xE3;o dif&#xED;ceis de serem localizadas. <strong>BRAVO! </strong>apresenta a seguir uma sele&#xE7;&#xE3;o com alguns dos p&#xF4;steres mais marcantes da hist&#xF3;ria do design gr&#xE1;fico brasileiro.</p> <div class="descricao-autor"> <p> <strong>Bruno Moreschi </strong>&#xE9; jornalista e artista pl&#xE1;stico,</p> </div><div class="onde-quando"> <p> <strong>O LIVRO</strong></p> <p> <em>Linha do Tempo do Design Gr&#xE1;fico Brasileiro</em>. Organiza&#xE7;&#xE3;o de Chico Homem de Melo e Elaine Ramos. Editora Cosac Naify, 744 p&#xE1;gs., R$ 198.</p> </div> Livro recupera a história do design gráfico no Brasil. Entre as mais de 1.600 peças reunidas pela publicação, BRAVO! destaca oito cartazes 2012-02-23T16:37:25-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 174 - Fevereiro 2012 Livro recupera a história do design gráfico no Brasil. Entre as mais de 1.600 peças reunidas pela publicação, BRAVO! destaca oito cartazes Artes Visuais BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/a-vida-como-ela-nem-sempre-e A Vida como ela (nem sempre) É 2012-02-17T12:14:43-02:00 Daniela Name <p> At&#xE9; onde vai o poder de uma imagem? A melhor resposta talvez seja a de que n&#xE3;o h&#xE1; uma. A norte-americana Nan Goldin vem provando isso n&#xE3;o s&#xF3; pela qualidade e pelo car&#xE1;ter &#xFA;nico de suas fotografias mas tamb&#xE9;m pelo impacto que acabam gerando. O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro abre neste m&#xEA;s uma exposi&#xE7;&#xE3;o com obras da artista que muito antes de ser inaugurada j&#xE1; causou pol&#xEA;mica: inicialmente prevista para ocupar o Oi Futuro, a mostra mudou de endere&#xE7;o depois de a dire&#xE7;&#xE3;o do centro cultural alegar, em comunicado oficial, que n&#xE3;o havia um alinhamento do projeto com seus preceitos &#xE9;ticos e educativos. Algumas fotos da s&#xE9;rie <em>Heartbeat</em> (Batida de Cora&#xE7;&#xE3;o) e da cultuada <em>The Ballad of Sexual Dependency </em>(A Balada da Depend&#xEA;ncia Sexual), selecionadas para a individual no pa&#xED;s, revelam crian&#xE7;as nuas, ou pr&#xF3;ximas a situa&#xE7;&#xF5;es er&#xF3;ticas, o que, segundo o Oi Futuro, entraria em conflito com o Estatuto da Crian&#xE7;a e do Adolescente.</p> <p> Indignada, em novembro do ano passado, a cr&#xED;tica de arte Ligia Canongia, que divide a curadoria da exposi&#xE7;&#xE3;o com Adon Peres, mandou uma carta aberta a um grupo de curadores, artistas e formadores de opini&#xE3;o contando o epis&#xF3;dio e iniciando um debate acalorado na grande imprensa e nas redes sociais sobre proibi&#xE7;&#xF5;es e a fragilidade de um programa p&#xFA;blico de incentivo &#xE0; cultura. A certa altura do texto, dizia: &#x201C;Atos como este s&#xF3; se inscreveram na hist&#xF3;ria durante o nazismo, o fascismo e as ditaduras&#x201D;. Ligia afirmava ainda que seu trabalho, de dois anos, poderia se perder, o que felizmente n&#xE3;o ocorreu. A empresa de telefonia Oi decidiu interromper os planos de montagem, mas manteve o patroc&#xED;nio da mostra, obtido por meio de leis de ren&#xFA;ncia fiscal, o que permitiu que o MAM carioca acolhesse ent&#xE3;o o projeto. Transgressora, a produ&#xE7;&#xE3;o de Nan Goldin acabou por destacar a zona cinzenta que existe entre o pudor, a patrulha e a ruptura de padr&#xF5;es numa sociedade.</p> <p> &#x201C;Essa &#xE1;rea cinza &#xE9; justamente o espa&#xE7;o de atua&#xE7;&#xE3;o da arte&#x201D;, diz o cr&#xED;tico Moacir dos Anjos, que ao lado de Agnaldo Farias respondeu pela &#xFA;ltima Bienal de S&#xE3;o Paulo e foi um dos nomes que se solidarizaram com Ligia e Peres na troca de mensagens pela internet. &#x201C;Se existe um lugar no mundo que &#xE9; pr&#xF3;prio da arte, esse &#xE9; o da sinaliza&#xE7;&#xE3;o clara de que outras formas de organizar a vida podem ser imaginadas e talvez tornadas realidade.&#x201D; Essas outras formas de organiza&#xE7;&#xE3;o a que Moacir se refere, no caso de Nan, concretizam-se com o embaralhamento entre o p&#xFA;blico e o privado. Na contram&#xE3;o do que realiza sua conterr&#xE2;nea Cindy Sherman &#x2013; cujo trabalho p&#xF4;de ser visto recentemente na coletiva <em>Em Nome dos Artistas</em>, na Funda&#xE7;&#xE3;o Bienal de S&#xE3;o Paulo &#x2013;, Nan Goldin n&#xE3;o encena enredos ou encarna personagens. Sua fotografia eterniza momentos ef&#xEA;meros e muitas vezes bastante &#xED;ntimos de figuras reais: ela mesma, os parceiros, amigos, travestis, mulheres espancadas, namorados apaixonados, casais em crise. O bochicho que ocorreu no Rio n&#xE3;o &#xE9; uma situa&#xE7;&#xE3;o nova em sua carreira: ela foi chamada de oportunista, mas pela primeira vez sua obra sofreu a amea&#xE7;a de n&#xE3;o ser exposta (o caso brasileiro j&#xE1; est&#xE1; em seu perfil em ingl&#xEA;s do site Wikipedia, que o classifica como &#x201C;censura&#x201D;). De qualquer forma, a perturba&#xE7;&#xE3;o, no melhor dos sentidos, &#xE9; uma das principais caracter&#xED;sticas da obra dessa artista nascida em Washington, em 1953.</p> <p> <strong>Influ&#xEA;ncia de Delacroix</strong></p> <p> Suas imagens come&#xE7;aram a chamar a aten&#xE7;&#xE3;o nos anos 70, quando documentou as comunidades gays da cidade norte-americana de Boston. Na d&#xE9;cada seguinte, j&#xE1; em Nova York, mergulhou no submundo do new wave e do punk, movimentos que viviam seu auge. O uso do filme cibachrome &#x2013; vulgo &#x201C;cromo&#x201D;, com uma impress&#xE3;o feita direto no slide, diferentemente do &#x201C;negativo&#x201D;, que traz a imagem invertida &#x2013; faz com que as transpar&#xEA;ncias e a luz estourada levem ainda mais dramaticidade a cada clique. &#x201C;Nan Goldin &#xE9; uma das maiores artistas da atualidade e seu trabalho traz quest&#xF5;es importantes para a discuss&#xE3;o da pr&#xF3;pria natureza da fotografia&#x201D;, diz Ligia Canongia. &#x201C;A maneira saturada da luz, a turbul&#xEA;ncia da cor e as texturas do corpo aproximam sua produ&#xE7;&#xE3;o do universo pict&#xF3;rico. Muitos viram em suas fotos a luz de Caravaggio <em>(1571-1610)</em> ou alus&#xF5;es a Veronese <em>(1528-1588)</em>, mas prefiro relacion&#xE1;-la ao romantismo e ao erotismo de Delacroix.&#x201D; A compara&#xE7;&#xE3;o com Eug&#xE8;ne Delacroix (1789-1863) tem sentido: pintor das causas pol&#xED;ticas, ele usava cores contrastantes para atribuir emo&#xE7;&#xE3;o a obras como <em>O Massacre de Quios</em>, de 1822, e <em>A Liberdade Guiando o Povo</em>, de 1830.</p> <p> No MAM-RJ, Nan apresenta tr&#xEA;s grandes s&#xE9;ries de slideshows &#x2013; <em>Heartbeat</em> (Batida de Cora&#xE7;&#xE3;o), sobre rela&#xE7;&#xF5;es amorosas, feita entre 2000 e 2001, <em>The Other Side</em> (O Outro Lado), um conjunto em aberto que come&#xE7;ou em 1972 e retrata drag queens em v&#xE1;rios lugares do mundo, e a t&#xE3;o falada <em>The Ballad of Sexual Dependency</em> (A Balada da Depend&#xEA;ncia Sexual), produzida de 1978 a 1986 e que traz Nan e seus amigos em momentos bem intimistas &#x2013; al&#xE9;m de 15 fotografias impressas em m&#xE9;dio formato intituladas <em>Landscapes</em>, de 1994 a 2008. As fotos com crian&#xE7;as, que provocaram a celeuma com o Oi Futuro, est&#xE3;o na sele&#xE7;&#xE3;o. Quando julga necess&#xE1;rio, o MAM-RJ sinaliza uma recomenda&#xE7;&#xE3;o de faixa et&#xE1;ria ao p&#xFA;blico. H&#xE1; ainda a possibilidade de Nan produzir imagens in&#xE9;ditas no Rio, com drag queens, para se somarem no futuro &#xE0; s&#xE9;rie <em>The Other Side</em>, que j&#xE1; conta com cerca de 230 cenas em slide, passadas sempre em looping. A pausa e o barulho do aparelho anal&#xF3;gico usado para a exibi&#xE7;&#xE3;o colaboram para certa suspens&#xE3;o que sua obra provoca. Entra-se em outro tempo. &#x201C;O trabalho de Nan lida com quest&#xF5;es complexas que desestabilizam um olhar mais convencional. A radicalidade de suas imagens incomoda&#x201D;, diz o curador do MAM-RJ, Luiz Camillo Osorio, satisfeito em ser o anfitri&#xE3;o da mostra no Brasil. &#x201C;Lidar com o atrito e a diferen&#xE7;a &#xE9; ao mesmo tempo a qualidade art&#xED;stica e educativa da obra de Nan.&#x201D;</p> <p> <strong>A dona da festa</strong></p> <p> Foi com <em>The Ballad of Sexual Dependency</em>, apresentada pela primeira vez em 1979 em uma casa noturna nova-iorquina (a Mudd Club, durante o anivers&#xE1;rio do m&#xFA;sico norte-americano Frank Zappa) que a artista se projetou de fato. A s&#xE9;rie n&#xE3;o &#xE9; a mais conhecida por acaso: com cor saturada e meia-luz, as imagens revelam cenas triviais e outras profundamente &#xED;ntimas da vida privada de Nan e seu c&#xED;rculo de amigos. Como numa esp&#xE9;cie de fotonovela com muito estofo, acompanhamos personagens como a pr&#xF3;pria artista &#x2013; que aparece na cama com seu namorado, Bryan, e depois de ser espancada por ele. Nan &#xE9; frequentemente associada com o voyeurismo &#x2013; os cr&#xED;ticos mais mordazes de sua obra chegam a compar&#xE1;-la aos paparazzi &#x2013;, o que ela julga ser um clich&#xEA;: &#x201C;H&#xE1; uma no&#xE7;&#xE3;o popular de que o fot&#xF3;grafo &#xE9; um voyeur por natureza, o &#xFA;ltimo que deveria ser convidado para uma festa. Mas esta &#xE9; a minha festa. Esta &#xE9; minha fam&#xED;lia, minha hist&#xF3;ria&#x201D;. Para a artista, a compara&#xE7;&#xE3;o mais pertinente &#xE9; a de que oferece essas imagens ao p&#xFA;blico com a mesma naturalidade com que nos serviria uma x&#xED;cara de caf&#xE9;, como declarou ao jornal ingl&#xEA;s <em>The Guardian</em> em 2008.</p> <p> O despudor no trato com esse lado &#xE0;s vezes obscuro que h&#xE1; na vida entre quatro paredes, sobretudo quando o sexo est&#xE1; envolvido, acabou influenciando uma gama enorme de artistas contempor&#xE2;neos que lidam com a fotografia &#x2013; o norte-americano Larry Clark e a brit&#xE2;nica Corinne Day (1965-2010) entre eles. Sua import&#xE2;ncia, no entanto, extrapola o campo das artes visuais. Quase cinema, suas s&#xE9;ries influenciaram muitos diretores, que passaram a filmar sem tantos efeitos de fotografia e luz, apostando na naturalidade e nos cen&#xE1;rios dom&#xE9;sticos. Um bom exemplo &#xE9; o norte-americano Steven Soderbergh, que em 1989 lan&#xE7;ou <em>Sexo, Mentiras e Videotape</em>. A est&#xE9;tica grunge, que tomou conta dos editoriais de moda depois da explos&#xE3;o do cantor e guitarrista do Nirvana, Kurt Cobain, tamb&#xE9;m tem em Nan uma antecessora evidente. Com tantas correspond&#xEA;ncias e di&#xE1;logos, Nan Goldin s&#xF3; se prova, cada vez mais, uma cronista do nosso tempo.</p> <div class="descricao-autor"> <p> <strong>Daniela Name</strong> &#xE9; jornalista, curadora e cr&#xED;tica de arte.</p> </div><div class="onde-quando"> <p> <strong>ONDE E QUANDO</strong></p> <p> <em>Nan Goldin</em>. Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (av. Infante Dom Henrique, 85, parque do Flamengo, Rio de Janeiro, RJ, tel. 0++/21/2240-4944). De 9/2 a 8/4. De 3&#xAA; a 6&#xAA;, das 12h &#xE0;s 18h; s&#xE1;b, e dom., das 12h &#xE0;s 19h. R$ 8.</p> </div> Ao embaralhar os limites entre público e privado, a norte-americana <strong>Nan Goldin </strong>retrata um mundo fora do convencional e, quatro décadas depois dos primeiros trabalhos, ainda causa indignação 2012-02-17T12:14:43-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 174 - Fevereiro 2012 Ao embaralhar os limites entre público e privado, a norte-americana Nan Goldin retrata um mundo fora do convencional e, quatro décadas depois dos primeiros trabalhos, ainda causa indignação Artes Visuais BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/atropelado-pela-historia Atropelado pela História 2012-02-08T12:09:04-02:00 Marcelo Bortoloti <p> Em 2009, enquanto o Theatro Municipal do Rio de Janeiro era restaurado, um oper&#xE1;rio encontrou por acaso uma enorme obra do pintor italiano, naturalizado brasileiro, Eliseu Visconti (1866-1944). Com 60 m2 e feito entre 1906 e 1908, o painel estava escondido atr&#xE1;s de outra parede do endere&#xE7;o carioca e era tido como destru&#xED;do havia mais de 70 anos. Festejada inicialmente, a descoberta acabou se convertendo em um drama. A parede onde fica a pintura localiza-se na parte de cima do palco, pr&#xF3;xima ao teto. Retir&#xE1;-la dali &#xE9; poss&#xED;vel, mas envolveria um trabalho t&#xE3;o complexo de engenharia que a dire&#xE7;&#xE3;o do teatro preferiu esquecer o assunto. Na pr&#xE1;tica, trata-se de um investimento alto demais. Resignado, o neto do artista, Tobias Visconti, reconhece que a obra do av&#xF4; n&#xE3;o &#xE9; t&#xE3;o prestigiada nos dias de hoje a ponto de encorajar uma opera&#xE7;&#xE3;o assim dispendiosa: &#x201C;Se fosse um Portinari, seria mais f&#xE1;cil&#x201D;.</p> <p> De fato, h&#xE1; uma excessiva desvaloriza&#xE7;&#xE3;o n&#xE3;o apenas de Visconti mas tamb&#xE9;m de outros pintores da sua gera&#xE7;&#xE3;o, os chamados pr&#xE9;-modernos. O termo designa um grupo de artistas do final do s&#xE9;culo 19 e in&#xED;cio do 20, influenciados pelo impressionismo europeu e que muitos alegam terem dado os primeiros passos para o modernismo no Brasil. Cr&#xED;ticos e estudiosos defendem que a hist&#xF3;ria da arte reduziu equivocadamente sua import&#xE2;ncia a ponto de, hoje, seus nomes serem praticamente desconhecidos da grande maioria do p&#xFA;blico. </p> <p> Com o surgimento de estrelas da ordem de Tarsila do Amaral (1886-1973), Anita Malfatti (1889-1964), Di Cavalcanti (1897-1976) e Candido Portinari (1903-1962), os artistas anteriores ficaram com a pecha de acad&#xEA;micos por supostamente seguirem ainda f&#xF3;rmulas divulgadas pela Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, escorada nos preceitos neocl&#xE1;ssico e rom&#xE2;ntico. Mas a designa&#xE7;&#xE3;o, atualmente com um tom um tanto pejorativo, oculta pintores muitas vezes revolucion&#xE1;rios, fundamentais para esse momento de transi&#xE7;&#xE3;o e, sobretudo, cuja obra n&#xE3;o se tornou datada. Entre esses nomes &#xE9; poss&#xED;vel localizar Belmiro de Almeida (1858-1935), que chocou a sociedade com os primeiros quadros pontilhistas do pa&#xED;s, Giovanni Castagneto (1851-1900), com pe&#xE7;as mais preocupadas em captar os efeitos da luz do que com o desenho propriamente dito, Almeida J&#xFA;nior (1850-1899), pioneiro na introdu&#xE7;&#xE3;o de uma tem&#xE1;tica regionalista na pintura, e Eliseu Visconti, introdutor do design no pa&#xED;s, e cujas pinturas refletiam pela primeira vez a ilumina&#xE7;&#xE3;o e o colorido tipicamente tropicais. Uma retrospectiva com cerca de 250 obras de Visconti, com o t&#xED;tulo de <em>Eliseu Visconti &#x2013; A Modernidade Antecipada</em>, est&#xE1; em cartaz na Pinacoteca do Estado de S&#xE3;o Paulo e pode ser vista como um esfor&#xE7;o para redimensionar seu legado na arte brasileira. Com curadoria de Rafael Cardoso, Myrian Seraphin e Tobias Visconti, a mostra, que re&#xFA;ne pinturas, desenhos, cer&#xE2;micas e documentos, de 1890 a 1940, &#xE9; a maior exposi&#xE7;&#xE3;o do artista j&#xE1; realizada no pa&#xED;s desde 1949.</p> <p> <strong>Entre o palat&#xE1;vel e a vanguarda</strong></p> <p> O curador Paulo Herkenhoff, que n&#xE3;o gosta do termo pr&#xE9;-moderno, defende que esse grupo foi moderno antes do modernismo. &#x201C;O que eu reivindico &#xE9; que se d&#xEA; a eles o mesmo tratamento dos demais artistas do s&#xE9;culo 20&#x201D;, diz. N&#xE3;o &#xE9; tarefa simples. A turma est&#xE1; fora do circuito de exposi&#xE7;&#xF5;es. Seus nomes s&#xE3;o pouco falados nas escolas. E sua presen&#xE7;a chega a ser insignificante no mercado de arte. Em maio do ano passado, o leiloeiro carioca Evandro Carneiro vendeu uma pintura de Visconti, <em>Tarde em Saint Hubert</em>, de 1916, pertencente a uma das melhores fases impressionistas do artista. O valor: 310 mil reais. Foi uma boa venda, o dobro do pre&#xE7;o pedido inicialmente. Mas, segundo Carneiro, um quadro do mesmo porte de Di Cavalcanti ou Portinari n&#xE3;o sairia por menos de 5 ou 6 milh&#xF5;es de reais.</p> <p> Para Jorge Coli, professor de hist&#xF3;ria da arte da Unicamp, esses valores refletem uma situa&#xE7;&#xE3;o de in&#xE9;rcia cultural. &#x201C;Muitos artistas modernos, hoje valorizados, eram p&#xED;fios. Nem todos tiveram a suprema for&#xE7;a e a admir&#xE1;vel inven&#xE7;&#xE3;o de uma Anita Malfatti. Por outro lado, um Visconti ou um Almeida J&#xFA;nior s&#xE3;o t&#xE3;o grandes quanto a artista paulistana&#x201D;, defende. &#xC9; de Almeida J&#xFA;nior, por exemplo, o m&#xE9;rito de ter organizado a primeira exposi&#xE7;&#xE3;o individual da hist&#xF3;ria do pa&#xED;s. Em 1882, o pintor paulista alugou um barrac&#xE3;o para exibir suas obras e cobrou ingresso na porta. &#x201C;Foi um sucesso&#x201D;, conta o historiador da arte Rafael Cardoso. De todos eles, no entanto, Visconti foi quem alcan&#xE7;ou mais prest&#xED;gio. Ele participava da maioria das mostras do circuito brasileiro. Em 1908, construiu um pr&#xE9;dio de tr&#xEA;s andares para abrigar seu ateli&#xEA; no Rio. Visconti transitava entre o palat&#xE1;vel ao p&#xFA;blico e a vanguarda. Mas justamente por alternar muito do novo ao antigo, acabou fora da Semana de Arte Moderna de 1922. E, a partir da&#xED;, as coisas come&#xE7;aram a mudar. N&#xE3;o exatamente por sua aus&#xEA;ncia no Theatro Municipal de S&#xE3;o Paulo, que teve repercuss&#xE3;o restrita na &#xE9;poca, mas pelo antagonismo que tomou forma no per&#xED;odo. De um lado, os modernos defendiam a liberta&#xE7;&#xE3;o est&#xE9;tica e a tem&#xE1;tica nacional. Do outro, o grupo ligado sobretudo &#xE0; Escola Nacional de Belas Artes, no Rio, via as mudan&#xE7;as radicais com desconfian&#xE7;a.</p> <p> De acordo com a historiadora Mirian Seraphin, os pr&#xE9;-modernos sentiram o primeiro baque dos novos ventos em 1931. Como diretor da Escola de Belas Artes carioca, o modernista Lucio Costa promoveu uma exposi&#xE7;&#xE3;o anual que pela primeira vez deixou de fora medalh&#xF5;es como Visconti e incorporou pintores modernos. Uma reportagem de <em>O Jornal</em>, de janeiro daquele ano, consolidava o clima latente de rivalidade e a dificuldade em apontar uma opini&#xE3;o dominante: &#x201C;Esta se divide de tal modo que cria ao observador os mais s&#xE9;rios embara&#xE7;os, deixando-o atordoado com os lamentos dos conservadores que assinalam a decad&#xEA;ncia da pintura nacional e com a grita dos pintores evolu&#xED;dos que pretendem impor com exclusivismo caracterizado suas avan&#xE7;adas na zona de guerra da nossa &#xE9;poca&#x201D;.</p> <p> Os modernos venceram a batalha e provaram seu valor. Nos anos seguintes, suas obras passaram a ser associadas a uma produ&#xE7;&#xE3;o nacional aut&#xEA;ntica. Como a rivalidade inicial foi necess&#xE1;ria para for&#xE7;ar o rompimento com os padr&#xF5;es anteriores, artistas que estavam fora do grupo foram indiscriminadamente apontados como passadistas. &#x201C;Na Europa, tamb&#xE9;m houve esse momento de ca&#xE7;a &#xE0;s bruxas, mas depois ocorreu uma reabilita&#xE7;&#xE3;o&#x201D;, diz Rafael Cardoso. Segundo ele, no Brasil, as d&#xE9;cadas seguintes serviram apenas para refor&#xE7;ar o mito da cultura modernista como a &#xFA;nica legitimamente brasileira. Uma hist&#xF3;ria que, acreditam os defensores do grupo, precisa ser reescrita.</p> <div class="descricao-autor"> <p> <strong>Marcelo Bortoloti</strong> &#xE9; jornalista.</p> </div><div class="onde-quando"> <p> <strong>ONDE E QUANDO</strong></p> <p> <em>Eliseu Visconti &#x2013; A Modernidade Antecipada</em>. Pinacoteca do Estado (p&#xE7;a. da Luz, 2, Luz, S&#xE3;o Paulo, SP, tel. 0++/11/3324-1000). At&#xE9; dia 26. De 3&#xAA; a dom., das 10h &#xE0;s 18h. R$ 6. Gr&#xE1;tis aos s&#xE1;bados.</p> </div> O pintor <strong>Eliseu Visconti</strong> abriu caminho para o movimento modernista no Brasil. Mas o sucesso da turma de Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti ofuscou seu legado 2012-02-08T12:09:04-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 174 - Fevereiro 2012 O pintor Eliseu Visconti abriu caminho para o movimento modernista no Brasil. Mas o sucesso da turma de Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti ofuscou seu legado Artes Visuais BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/uma-imagem-em-211 Uma Imagem em&nbsp; 211 Palavras 2012-02-02T12:06:33-02:00 Gisele Kato <p> Entre os dias 15/7 e 27/8, a galeria Leme, de S&#xE3;o Paulo, abriga uma individual de Sandra Gamarra - a terceira da pintora na cidade. A artista de 38 anos, uma das mais importantes do Peru, nasceu em Lima e se radicou em Madri, na Espanha. Batizada de &#x201C;Mantos&#x201D;, a mostra paulistana re&#xFA;ne 14 telas, que relacionam a hist&#xF3;ria da arte com epis&#xF3;dios da vida de Sandra.</p> 2011-07-15T17:32:49-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 167 - Julho 2011 Artes Visuais ALFA BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/razao-e-velocidade Razão e velocidade 2012-01-31T14:07:12-02:00 Mario Gioia <p> 8 de julho de 1978. Um inc&#xEA;ndio destroi todos os trabalhos presentes em uma retrospectiva do uruguaio Joaqu&#xED;n Torres Garc&#xED;a (1874-1949) no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, al&#xE9;m de outras pe&#xE7;as de nomes como Picasso, Dal&#xED; e Magritte. A trag&#xE9;dia foi respons&#xE1;vel por parte significativa da m&#xE1; reputa&#xE7;&#xE3;o da salvaguarda e preserva&#xE7;&#xE3;o de obras de arte no Brasil, ao lado de outros epis&#xF3;dios lament&#xE1;veis, como o roubo de telas de Matisse e Monet, entre outros, nos Museus Castro Maya, em 2006, e de outro inc&#xEA;ndio, desta vez queimando parte do acervo de H&#xE9;lio Oiticica (1937-1980), em 2009.</p> <p> Mais de 33 anos depois da perda de por&#xE7;&#xE3;o decisiva da obra do artista uruguaio no Rio, agora com o Brasil vivendo um momento efusivo no circuito das artes em &#xE2;mbito internacional, novamente um conjunto importante de pinturas, desenhos, colagens, objetos e publica&#xE7;&#xF5;es de Torres Garc&#xED;a volta ao pa&#xED;s para uma exposi&#xE7;&#xE3;o. <em>Joaqu&#xED;n Torres Garc&#xED;a &#x2013; Geometria, Cria&#xE7;&#xE3;o, Propor&#xE7;&#xE3;o</em> segue at&#xE9; o dia 26 de fevereiro na Pinacoteca do Estado, em S&#xE3;o Paulo, depois de ter passado pela Funda&#xE7;&#xE3;o Iber&#xEA; Camargo, em Porto Alegre.</p> <p> De certa forma, a mostra pode ser vista como um pedido de desculpas tardio do sistema de arte brasileiro &#xE0; obra do uruguaio. Dois dos mais bonitos edif&#xED;cios museol&#xF3;gicos do pa&#xED;s, constru&#xED;dos por laureados arquitetos - o portugu&#xEA;s &#xC1;lvaro Siza assina o projeto na capital ga&#xFA;cha, enquanto Paulo Mendes da Rocha modernizou o pr&#xE9;dio paulistano - sediam a individual, que apresenta de forma clara todas as fases da trajet&#xF3;ria do artista.</p> <p> No recorte elaborado pelos curadores Alejandro Diaz e Jimena Perera, contudo, a fase construtiva de Torres Garc&#xED;a &#xE9; de longe a mais robusta, vis&#xED;vel em especial pelos quadros pertencentes &#xE0; cole&#xE7;&#xE3;o Patricia Phelps de Cisneros, de Nova York. Reunidas, as pinturas <em>Esta&#xE7;&#xE3;o</em> (1932), <em>Composi&#xE7;&#xE3;o Construtiva 16</em> (1943) e <em>Construtivo Linha Dupla</em> (1932), por exemplo, s&#xE3;o exemplares em dar uma dimens&#xE3;o adequada a tal momento po&#xE9;tico do artista. &#x201C;Tinha de ordenar esse mundo que, agora, parecia um caos&#x201D;, destacou o uruguaio.</p> <p> Especialista em &#xF3;leos sobre cart&#xE3;o, <em>Rua de Barcelona</em> (1917), <em>Nova York</em> (1920) e <em>O Porto de Barcelona</em> (1919) s&#xE3;o interessantes por atestar a habilidade do uruguaio em captar ritmos, velocidades e novos equipamentos urbanos e por exibir uma certa redu&#xE7;&#xE3;o formal na sua trajet&#xF3;ria. Colagens de jornais com interven&#xE7;&#xF5;es feitas por ele em 1920 e 1921 tamb&#xE9;m comprovam o interesse dele na r&#xE1;pida circula&#xE7;&#xE3;o que caracterizavam as metr&#xF3;poles da &#xE9;poca.</p> <p> Obras de pequeno porte est&#xE3;o entre os bons achados da exposi&#xE7;&#xE3;o, como <em>M&#xE1;scara com Olhos de Corti&#xE7;a</em> (1930), em que o material banal empregado em rolhas &#xE9; central na composi&#xE7;&#xE3;o da pe&#xE7;a, e <em>Construtivo com Varetas Sobrepostas</em> (1930), no qual filetes de madeira dispostos em um plano ajudam a compor a estrutura construtiva do trabalho. Uma das paix&#xF5;es de Torres Garc&#xED;a, os brinquedos tamb&#xE9;m est&#xE3;o presentes na mostra, como <em>Cachorro</em> (1922) e <em>Ferrovi&#xE1;rio</em> (1921-22). Curiosamente, a f&#xE1;brica nova-iorquina que confeccionava os objetos tamb&#xE9;m passou por um inc&#xEA;ndio, em 1925, e, depois, o artista apenas realizaria artesanalmente essa produ&#xE7;&#xE3;o. A habilidade na elabora&#xE7;&#xE3;o de pe&#xE7;as de escalas diversas &#xE9; outra qualidade que transparece nesse novo olhar sobre a obra do uruguaio.</p> <p> &#xA0;</p> <div class="autor"> <p> <strong>Mario Gioia</strong> &#xE9; jornalista, cr&#xED;tico de arte e curador independente.</p> <p> <strong>A Exposi&#xE7;&#xE3;o</strong></p> <p> <em>Joaqu&#xED;n Torres Garc&#xED;a &#x2013; Geometria, Cria&#xE7;&#xE3;o, Propor&#xE7;&#xE3;o. </em>Pinacoteca do Estado (Pra&#xE7;a da Luz, 02, Luz, SP. tel. 0/++/11/3324-1000). At&#xE9; dia 26 de fevereiro. De 3&#xAA; a dom., das 10h &#xE0;s 17h30. R$ 6,00 (gr&#xE1;tis aos s&#xE1;bados).</p> </div> Exposição do uruguaio Joaquín Torres García evidencia seu empenho em ordenar e ao mesmo tempo retratar o fluxo intenso das grandes metrópoles 2012-01-31T14:05:34-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Fevereiro de 2012 Exposição do uruguaio Joaquín Torres García evidencia seu empenho em ordenar e ao mesmo tempo retratar o fluxo intenso das grandes metrópoles Artes Visuais BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/modernidade-antecipada O legado de Eliseu Visconti 2012-01-30T14:54:44-02:00 Redação <p> O trabalho de Eliseu Visconti, artista que abriu caminho para o movimento modernista no Brasil, e cujas pinturas refletiam a ilumina&#xE7;&#xE3;o e o colorido tipicamente tropicais, acabou ofuscado com o surgimento de nomes como Tarsila do Amaral, Anita Malfatti e Candido Portinari.</p> <p> A retrospectiva <em>Eliseu Visconti &#x2013; A Modernidade Antecipada</em>, em cartaz na Pinacoteca do Estado de S&#xE3;o Paulo, torna poss&#xED;vel reavaliar o legado do pintor. A mostra, que re&#xFA;ne pinturas, desenhos, cer&#xE2;micas e documentos, &#xE9; a maior exposi&#xE7;&#xE3;o do artista j&#xE1; realizada no pa&#xED;s desde 1949. Veja acima algumas das obras que estar&#xE3;o expostas.</p> <p> <em>Eliseu Visconti &#x2013; a modernidade</em> <em>antecipada</em></p> <p> 10/12 &#xE0; 26/02/2012</p> <p> Pinacoteca do Estado</p> <p> Pra&#xE7;a da Luz, 02, S&#xE3;o Paulo, SP</p> <p> Ter&#xE7;a a domingo.</p> <p> Das 10h &#xE0;s 18h.</p> <p> R$ 6</p> <p> &#xA0;</p> <p> Leia mat&#xE9;ria <em>Atropelado pela Hist&#xF3;ria </em>sobre o pintor Eliseu Visconti na edi&#xE7;&#xE3;o de fevereiro / 174.</p> Retrospectiva redimensiona o papel do pintor na arte brasileira 2011-12-09T14:35:42-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Fevereiro de 2012 Retrospectiva redimensiona o papel do pintor na arte brasileira Artes Visuais BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/um-museu-e-sua-historia Um museu e sua história 2012-01-27T17:13:21-02:00 Redação <p> O Museu de Arte Moderna de S&#xE3;o Paulo sofreu um golpe em 1963, quando seu fundador, o industrial Ciccillo Matarazzo, transferiu sua cole&#xE7;&#xE3;o para o Museu de Arte Contempor&#xE2;nea da USP. O renascimento s&#xF3; aconteceu cinco anos depois, ap&#xF3;s o colecionador Carlo Tamagni doar ao museu 81 trabalhos. Em cartaz no espa&#xE7;o at&#xE9; mar&#xE7;o, uma exposi&#xE7;&#xE3;o exibe, ao lado da cole&#xE7;&#xE3;o de Tamagni, instala&#xE7;&#xF5;es contempor&#xE2;neas do acervo. Confira acima algumas das obras.</p> <p> <em>O Retorno da Cole&#xE7;&#xE3;o Tamagni: At&#xE9; as Estrelas por Caminhos Dif&#xED;ceis</em></p> <p> At&#xE9; 11/03</p> <p> De ter&#xE7;a a dom., das 10h &#xE0;s 18h.</p> <p> Museu de Arte Moderna de S&#xE3;o Paulo</p> <p> Pq. do Ibirapuera, port&#xE3;o 3, S&#xE3;o Paulo/SP</p> <p> R$5,50</p> <p> Gr&#xE1;tis aos domingos.</p> <p> &#xA0;</p> <p> Leia cr&#xED;tica <em>Um Museu com Duas Vidas</em> sobre a exposi&#xE7;&#xE3;o <em>O Retorno da Cole&#xE7;&#xE3;o Tamagni: At&#xE9; as Estrelas por Caminhos Dif&#xED;ceis</em> na edi&#xE7;&#xE3;o de fevereiro/174.</p> Exposição exibe trabalhos que marcaram o renascimento do MAM ao lado de aquisições recentes 2012-01-27T17:13:21-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Fevereiro de 2012 Exposição exibe trabalhos que marcaram o renascimento do MAM ao lado de aquisições recentes Artes Visuais BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/a-alquimia-de-sigmar-polke A Alquimia de Sigmar Polke 2012-01-27T15:02:25-02:00 Paula Braga <p> Com <em>Sigmar Polke: Realismo Capitalista e Outras Hist&#xF3;rias Ilustradas</em>, o Museu de Arte de S&#xE3;o Paulo d&#xE1; prosseguimento a uma programa&#xE7;&#xE3;o que estimula o tra&#xE7;ado de rela&#xE7;&#xF5;es entre a arte contempor&#xE2;nea alem&#xE3; e a do Brasil. Depois da exposi&#xE7;&#xE3;o de fotografias do cineasta Win Wenders e da coletiva de pintura intitulada <em>Sen&#xE3;o Nesse Tempo</em>, os curadores Teixeira Coelho e Tereza Arruda apresentam agora um estimulante recorte da produ&#xE7;&#xE3;o gr&#xE1;fica de Sigmar Polke (1941-2010). S&#xE3;o ao todo 220 estampas e objetos feitos entre 1963 e 2009 e pertencentes ao colecionador Axel Ciesielski.</p> <p> No in&#xED;cio dos anos 60, em plena Guerra Fria, Polke juntou-se aos colegas Gerhard Richter e Konrad Fischer para criar o &#x201C;realismo capitalista&#x201D;, movimento que ao mesmo tempo ridicularizava o realismo socialista &#x2013; que dominou a Alemanha Oriental no p&#xF3;s-guerra &#x2013; e criticava a obsess&#xE3;o pelo consumo da sociedade capitalista. Enquanto o ideal fomentado pela ex-URSS n&#xE3;o permitia duplas interpreta&#xE7;&#xF5;es e funcionava como propaganda dos regimes de inspira&#xE7;&#xE3;o stalinista, a obra de Polke trabalhava com a multiplicidade de leituras, a sobreposi&#xE7;&#xE3;o de imagens e a fragmenta&#xE7;&#xE3;o dos assuntos.</p> <p> <strong>Desenho malfeito</strong></p> <p> D&#xE1; para dizer que explorar camadas de significado virou a marca da produ&#xE7;&#xE3;o de Polke. Empregando v&#xE1;rias t&#xE9;cnicas de impress&#xE3;o para construir composi&#xE7;&#xF5;es multifacetadas, o artista mistura fotografias e imagens apropriadas de jornais. Junta a isso tra&#xE7;os espont&#xE2;neos de desenhos feitos a m&#xE3;o. O que faz de um Polke ser um Polke &#xE9; o empilhamento de cenas disparatadas, sem hierarquiza&#xE7;&#xE3;o de figura e fundo. Cada trabalho dele &#xE9; um instante de hist&#xF3;ria contempor&#xE2;nea. O drama vem exatamente da banalidade, refor&#xE7;ada pelo desenho malfeito. O esvaziamento pela repeti&#xE7;&#xE3;o, caracter&#xED;stica da arte pop, imprime-se em sua obra pelo uso da imagem midi&#xE1;tica feita com pontos pretos, que imitam uma impress&#xE3;o superampliada de fotografia de revista (anterior &#xE0; era digital).</p> <p> No Masp, <em>Sigmar Polke: Realismo Capitalista e Outras Hist&#xF3;rias Ilustradas </em>inclui as 25 pe&#xE7;as da s&#xE9;rie <em>Day by Day</em>, que combinam t&#xE9;cnicas de colagem e desenho. Na Bienal de S&#xE3;o Paulo de 1975, os trabalhos foram reproduzidos e distribu&#xED;dos como folheto. Polke ganhou o pr&#xEA;mio m&#xE1;ximo de pintura naquela ocasi&#xE3;o e sua passagem pelo pa&#xED;s deixou marcas na Gera&#xE7;&#xE3;o 80, grupo de jovens pintores brasileiros que originou nomes hoje consagrados, como o carioca Daniel Senise e a paulistana Leda Catunda. Agora &#xE9; esperar pelas poss&#xED;veis consequ&#xEA;ncias dessa segunda presen&#xE7;a, p&#xF3;stuma, de Polke no Brasil.</p> <div class="descricao-autor"> <p> <strong>Paula Braga</strong> &#xE9; curadora e cr&#xED;tica de arte. Integra o conselho curatorial da Zipper Galeria, em S&#xE3;o Paulo.</p> </div><div class="onde-quando"> <p> <strong>A EXPOSI&#xC7;&#xC3;O</strong></p> <p> <em>Sigmar Polke &#x2013; Realismo Capitalista e Outras Hist&#xF3;rias Ilustradas</em>. Masp (av. Paulista, 1578, SP, tel. 0++/11/3251-5644). At&#xE9; dia 29. De 3&#xAA; a dom., das 11h &#xE0;s 18h; 5&#xAA;, das 11h &#xE0;s 20h. R$ 15 (gr&#xE1;tis &#xE0;s 3as).</p> </div> Mestre na sobreposição das cenas mais díspares, o artista alemão é dono de uma obra que tem tudo a ver com o espírito de hoje 2012-01-27T15:02:25-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 173 - Janeiro 2012 Mestre na sobreposição das cenas mais díspares, o artista alemão é dono de uma obra que tem tudo a ver com o espírito de hoje Artes Visuais BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/prestigio-dividido Prestígio Dividido 2012-01-27T14:56:20-02:00 Rafael Tonon <p> A fotografia nunca teve tanto valor quanto hoje. E isso em termos financeiros e est&#xE9;ticos. Entrou nos acervos dos museus mais respeitados. Est&#xE1; tamb&#xE9;m em cole&#xE7;&#xF5;es particulares e ganhou de vez a aten&#xE7;&#xE3;o dos cr&#xED;ticos e curadores. Na Europa, essa ascens&#xE3;o da linguagem ao universo da arte pode ser localizada nos anos 90, com a presen&#xE7;a incisiva dos fot&#xF3;grafos alem&#xE3;es e suas ic&#xF4;nicas imagens de paisagem no circuito das grandes bienais. Depois disso, n&#xE3;o demorou muito para institui&#xE7;&#xF5;es como a Tate Modern, em Londres, e o Museu de Arte Moderna de Nova York criarem departamentos espec&#xED;ficos para o setor. Aqui, no Brasil, a aceita&#xE7;&#xE3;o da fotografia no cen&#xE1;rio art&#xED;stico &#xE9; mais recente. Hoje, no entanto, o curador Di&#xF3;genes Moura, respons&#xE1;vel pelo segmento na Pinacoteca do Estado de S&#xE3;o Paulo h&#xE1; 11 anos, n&#xE3;o tem d&#xFA;vidas de que os fot&#xF3;grafos j&#xE1; disputam as paredes do museu com a mesma for&#xE7;a dos pintores, para ficar em um exemplo de suporte bem tradicional.</p> <p> Em 2011, s&#xF3; na capital paulistana, foram inauguradas seis galerias especializadas em foto. Ao longo de 2012, devem ocorrer ainda 32 festivais de fotografia pelo pa&#xED;s, do FestFotoPoA, no Rio Grande do Sul, ao Manaus Bem na Foto, no Amazonas. E a feira SP-Arte/Foto, criada em 2007 pela colecionadora e empres&#xE1;ria Fernanda Feitosa, chegou &#xE0; quinta edi&#xE7;&#xE3;o com o t&#xED;tulo de um dos mais importantes encontros do g&#xEA;nero na Am&#xE9;rica Latina. Em setembro do ano passado, o evento reuniu 26 galerias, entre nacionais e estrangeiras, sete delas voltadas exclusivamente para o setor. &#x201C;A Fernanda revolucionou a &#xE1;rea de um jeito elaborado, profissional&#x201D;, diz o fot&#xF3;grafo carioca Claudio Edinger. &#x201C;E isso s&#xF3; vai crescer. Talentos das artes pl&#xE1;sticas t&#xEA;m migrado para a fotografia. Tudo j&#xE1; foi feito e ao mesmo tempo nada foi feito ainda.&#x201D; Edinger defende tamb&#xE9;m que o p&#xFA;blico hoje est&#xE1; mais preparado para entender esse tipo de trabalho. Segundo ele, a tecnologia digital popularizou o acesso &#xE0;s imagens e est&#xE1; ajudando a sofisticar o olhar do espectador.</p> <p> Isso explica o sucesso do site Fotospot, uma esp&#xE9;cie de galeria virtual que vende tiragens originais limitadas de artistas com qualidade &#x201C;museol&#xF3;gica&#x201D;, ou seja, com apresenta&#xE7;&#xE3;o e impress&#xE3;o iguais &#xE0;s de museus e galerias. Projeto dos fot&#xF3;grafos paulistanos C&#xE1;ssio Vasconcellos, Lucas Lenci e Andr&#xE9; Andrade, o Fotospot representa atualmente 24 nomes reconhecidos no mercado, como Mario Cravo Neto e Cl&#xE1;udia Jaguaribe, e em um ano de funcionamento vendeu 470 imagens por pre&#xE7;os que variam entre 450 e 2,9 mil reais. &#x201C;A maioria dos colecionadores que conhe&#xE7;o hoje se interessa por todos os suportes&#x201D;, diz o curador Eder Chiodetto. As assinaturas e as tiragens limitadas foram tamb&#xE9;m estrat&#xE9;gias adotadas pelos fot&#xF3;grafos que ajudaram a aumentar o prest&#xED;gio da linguagem no universo da arte. Para se valorizar, a fotografia restringiu, portanto, um princ&#xED;pio de sua natureza, a reprodutibilidade. &#x201C;Eu sempre acreditei na c&#xF3;pia da fotografia como parte de seu car&#xE1;ter, mas por demanda do mercado foi preciso adotar a redu&#xE7;&#xE3;o das amplia&#xE7;&#xF5;es. No meu caso, as imagens tiradas a partir de 2009 t&#xEA;m entre cinco e dez exemplares somente&#x201D;, diz o fot&#xF3;grafo paraense Luiz Braga. &#x201C;Essa medida foi determinante para o pre&#xE7;o das obras e para o posicionamento da fotografia em um novo patamar art&#xED;stico&#x201D;, concorda Fernanda.</p> <p> <strong>Na casa do milh&#xE3;o</strong></p> <p> O resultado disso l&#xE1; fora &#xE9; not&#xE1;vel. Em novembro, um panorama do rio Reno tirado pelo alem&#xE3;o Andreas Gursky em 1999 tornou-se a foto mais cara j&#xE1; vendida na hist&#xF3;ria ao ser arrematada em um leil&#xE3;o da Christie&#x2019;s de Nova York por 4,3 milh&#xF5;es de d&#xF3;lares. At&#xE9; maio, o recorde era da norte-americana Cindy Sherman, que teve seu autorretrato <em>Untitled #96</em>, de 1981, vendido por 3,9 milh&#xF5;es de d&#xF3;lares. &#x201C;Fotos de um milh&#xE3;o de d&#xF3;lares s&#xE3;o cada vez mais comuns. E isso &#xE9; s&#xF3; o come&#xE7;o. Se voc&#xEA; considerar que um autorretrato sem a menor gra&#xE7;a do Andy Warhol custa 70 milh&#xF5;es de d&#xF3;lares, as fotos ainda est&#xE3;o baratas&#x201D;, diz Braga.</p> <p> A seguir, <strong>BRAVO! </strong>publica imagens in&#xE9;ditas de quatro fot&#xF3;grafos brasileiros que representam justamente esse momento de euforia da fotografia de arte no Brasil. gUi Mohallem, Claudio Edinger, C&#xE1;ssio Vasconcellos e Luiz Braga s&#xE3;o alguns dos nomes que, cada um com uma est&#xE9;tica muito particular, transitam hoje no circuito das galerias e museus do pa&#xED;s, participam de feiras e figuram na lista de inten&#xE7;&#xF5;es de muitos colecionadores.</p> Foi-se o tempo em que a pintura reinava soberana nos museus. Agora, as grandes instituições e os colecionadores estão também atrás da fotografia 2012-01-27T14:56:20-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 173 - Janeiro 2012 Foi-se o tempo em que a pintura reinava soberana nos museus. Agora, as grandes instituições e os colecionadores estão também atrás da fotografia Artes Visuais BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/cessar-fogo Cessar-fogo 2012-01-23T17:38:30-02:00 Gisele Kato <p> Em 1996, pode-se dizer que M&#xF4;nica Nador era uma artista do &#x201C;circuit&#xE3;o&#x201D;, ou seja, uma vez por ano apresentava uma individual em uma galeria de prest&#xED;gio do pa&#xED;s, como a Luisa Strina, em S&#xE3;o Paulo, e tinha no curr&#xED;culo participa&#xE7;&#xF5;es em duas bienais paulistanas &#x2013; a de 1983 e a de 1991 &#x2013;, al&#xE9;m de coletivas em alguns dos principais museus brasileiros. Sua trajet&#xF3;ria seguia o term&#xF4;metro do grupo que ficou conhecido como Gera&#xE7;&#xE3;o 80, com os jovens que, sa&#xED;dos da faculdade naquela d&#xE9;cada, encontraram o mercado sedento para acolh&#xEA;-los sem reservas. Em pouco tempo, desfrutavam de visibilidade e dinheiro. Por 13 anos, M&#xF4;nica esteve no meio deles. At&#xE9; que um ensaio, escrito pelo historiador norte-americano Douglas Crimp em 1981, caiu em suas m&#xE3;os. Intitulado <em>O Fim da Pintura</em>, o texto questionava o formalismo acad&#xEA;mico e expunha uma esp&#xE9;cie de impasse a que a atividade estritamente pict&#xF3;rica estaria submetida. Pouco importa aqui se muita gente depois de Crimp voltaria a declarar a morte da pintura e a pintura insistiria &#x2013; sempre com louvor &#x2013; em provar sua vivacidade. Na hist&#xF3;ria de M&#xF4;nica, as palavras do cr&#xED;tico tiveram um efeito definitivo. A paulista de Ribeir&#xE3;o Preto abandonou por anos as telas. Em busca de uma arte mais pr&#xF3;xima do mundo, foi pintar paredes.</p> <p> &#xC9; bem verdade que a primeira delas ainda n&#xE3;o era l&#xE1; muito distante do tal &#x201C;circuit&#xE3;o&#x201D;. Naquele ano de 1996, M&#xF4;nica Nador ocupou o estreito corredor em frente ao restaurante do Museu de Arte Moderna de S&#xE3;o Paulo: &#x201C;Foi ali que me dei conta de que conseguia pintar uma parede e de que era isso o que queria fazer dali para a frente&#x201D;. Para concluir a obra no MAM, a artista aprendeu a usar est&#xEA;ncil &#x2013; os moldes vazados com padronagens &#x2013; e spray. Teve de tirar o foco das refer&#xEA;ncias cl&#xE1;ssicas e olhar para a rua. Mas hoje, 15 anos depois, a artista j&#xE1; n&#xE3;o exibe uma atitude e um discurso muito radicais. Gra&#xE7;as ao conv&#xED;vio com jovens e adultos do bairro Jardim Miriam, na periferia da Zona Sul paulistana, fez as pazes com as galerias e... voltou &#xE0;s telas. Pode-se dizer que os integrantes do Jardim Miriam Arte Clube, o Jamac, coletivo que fundou em 2004, dilu&#xED;ram seu preconceito em rela&#xE7;&#xE3;o ao mercado. Prova disso &#xE9; a exposi&#xE7;&#xE3;o <em>M&#xF4;nica Nador &#x2013; Autoria Compartilhada</em>, em cartaz neste m&#xEA;s na galeria Luciana Brito, em S&#xE3;o Paulo. Depois de romper de forma um tanto brusca com os endere&#xE7;os tradicionais, M&#xF4;nica retorna a esses espa&#xE7;os de um jeito leve: &#x201C;Eu tenho uma tese que &#xE9; a da beleza pura, de enfeitar os lugares e com isso mexer com as pessoas&#x201D;. Na mostra, as quatro paredes da principal sala expositiva est&#xE3;o tomadas por padronagens criadas pelo Jamac. Ao todo, oito pessoas trabalharam por tr&#xEA;s semanas no endere&#xE7;o, decidindo em parceria as cores &#x2013; predominam o vermelho e o verde &#x2013; e o n&#xFA;mero de sobreposi&#xE7;&#xF5;es dos desenhos &#x2013; em alguns casos, at&#xE9; quatro camadas foram pintadas. Integram a individual ainda nove obras em papel, quatro telas e um videodocument&#xE1;rio com parte da hist&#xF3;ria do grupo.</p> <p> <strong>PANO DE PRATO E MUSEU</strong></p> <p> At&#xE9; chegar &#xE0; inaugura&#xE7;&#xE3;o do Jamac, no entanto, o caminho em nada se pareceu com aquele in&#xED;cio de carreira, t&#xE3;o facilitado por um mercado em ebuli&#xE7;&#xE3;o. Depois de 1996, com o projeto <em>Paredes Pinturas </em>formatado, M&#xF4;nica viajou para diversos estados do pa&#xED;s, realizando trabalhos ainda pontuais. Em 1998, tomou conta de um coreto em Cora&#xE7;&#xE3;o de Maria, na Bahia, e de uma casa de palafita no Amazonas. No ano seguinte, transformou as fachadas de resid&#xEA;ncias da Vila Rhodia, em S&#xE3;o Jos&#xE9; dos Campos (SP). E em 2001 entrou pela primeira vez em contato com a comunidade do Jardim Miriam, a convite na &#xE9;poca de uma ONG dirigida pela empres&#xE1;ria Mil&#xFA; Villela. A parceria n&#xE3;o deu certo, mas M&#xF4;nica n&#xE3;o saiu mais do bairro.</p> <p> O Jamac propriamente dito funciona atualmente em um galp&#xE3;o que pode ser descrito como um misto de ateli&#xEA; aberto e espa&#xE7;o cultural para jovens e adultos da comunidade local. Sem um apoio oficial, M&#xF4;nica mudou-se em definitivo para o endere&#xE7;o no mesmo ano de sua abertura, em 2004: &#x201C;Morar l&#xE1; faz toda a diferen&#xE7;a. N&#xE3;o sou mais uma pessoa de fora que chega definindo regras. Estou l&#xE1; de igual para igual&#x201D;, diz. A afinidade entre os dez frequentadores mais ass&#xED;duos do galp&#xE3;o &#xE9; tanta que o nome de M&#xF4;nica nem aparece mais sozinho na assinatura de uma pe&#xE7;a. Juntos, eles criam novas padronagens e transformam paredes aplicando v&#xE1;rias camadas de est&#xEA;ncil, em um processo criativo que fica vis&#xED;vel ao espectador. E os trabalhos s&#xE3;o registrados como &#x201C;M&#xF4;nica Nador + Jamac&#x201D;. Quem conhece suas pe&#xE7;as do fim dos anos 80 e in&#xED;cio dos 90 percebe as mudan&#xE7;as que a produ&#xE7;&#xE3;o incorporou com o deslocamento dos circuitos protegidos das galerias e dos museus para as ruas. O uso das cores &#xE9; mais atrevido. A aplica&#xE7;&#xE3;o dos tra&#xE7;os &#xE9; mais solta. Por outro lado, a artista n&#xE3;o deixa de falar para os companheiros de ateli&#xEA; sobre nomes como Josef Albers (1888-1976) e sua s&#xE9;rie <em>Homenagem ao Quadrado</em>, por exemplo. H&#xE1; muito do legado do mestre alem&#xE3;o nas pe&#xE7;as do grupo.</p> <p> &#x201C;Tenho hoje outra percep&#xE7;&#xE3;o do mundo e da arte. Porque nosso principal intuito aqui n&#xE3;o &#xE9; mercado, e sim o efeito que teremos na vida das pessoas. A gente usa uma t&#xE9;cnica que pode pintar pano de prato e estar ao mesmo tempo em museu&#x201D;, diz Paulo C&#xE9;sar Meira, 26 anos, artista do Jamac desde seu in&#xED;cio e que hoje cursa arquitetura na Faculdade Anhembi Morumbi. J&#xE1; Cristiane Aparecida Alves da Silva, 33 anos, tamb&#xE9;m artista do coletivo, produz tudo de forma mais intuitiva. &#x201C;Vou testando cores, vendo o que funciona. Fiz as m&#xE1;scaras de duas paredes da galeria Luciana Brito, em exibi&#xE7;&#xE3;o agora&#x201D;, diz a jovem. Na busca pela &#x201C;beleza pura&#x201D; e por uma arte capaz de ser entendida por um n&#xFA;mero maior de pessoas, M&#xF4;nica faz hoje uma revolu&#xE7;&#xE3;o de car&#xE1;ter mais inclusivo: mant&#xE9;m um p&#xE9; no circuito e outro na periferia.</p> <div class="onde-quando"> <p> <strong>ONDE E QUANDO</strong></p> <p> <em>M&#xF4;nica Nador &#x2013; Autoria Compartilhada. </em>Luciana Brito Galeria (r. Gomes de Carvalho, 842, Vila Ol&#xED;mpia, S&#xE3;o Paulo, SP, tel. 0++/11/3842-0634).</p> <p> At&#xE9; dia 28. De 3&#xAA; a s&#xE1;b., das 10h &#xE0;s 19h. Gr&#xE1;tis.</p> </div> Como artistas da periferia paulistana fizeram Mônica Nador retornar à pintura de telas e se reaproximar das galerias 2012-01-23T13:14:34-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 173 - Janeiro de 2012 Como artistas da periferia paulistana fizeram Mônica Nador retornar à pintura de telas e se reaproximar das galerias Artes Visuais BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/autoria-compartilhada Autoria Compartilhada 2012-01-18T18:38:52-02:00 Redação <p> Nos anos 80, a paulista M&#xF4;nica Nador j&#xE1; se questionava sobre o formalismo acad&#xEA;mico na pintura. Duas d&#xE9;cadas depois, instalou-se no bairro Jardim Miriam, na periferia de S&#xE3;o Paulo, onde fundou o Jardim Miriam Arte Clube. O espa&#xE7;o funciona como um ateli&#xEA; aberto aos moradores locais. Em sua nova esposi&#xE7;&#xE3;o, ela assina as obras em conjunto com o grupo. Assista ao v&#xED;deo sobre o trabalho da artista:</p> <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="450" width="600"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=35263744&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=0&amp;show_byline=0&amp;show_portrait=0&amp;color=c9ff23&amp;fullscreen=1&amp;autoplay=1&amp;loop=0"/><embed allowscriptaccess="always" height="450" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=35263744&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=0&amp;show_byline=0&amp;show_portrait=0&amp;color=c9ff23&amp;fullscreen=1&amp;autoplay=1&amp;loop=0" type="application/x-shockwave-flash" width="600"/></object></p> <p> &#xA0;</p> Assista a um vídeo sobre o processo de transição artística de Mônica Nador 2012-01-18T17:29:07-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Assista a um vídeo sobre o processo de transição artística de Mônica Nador Artes Visuais Abril BRAVO!