BRAVO! - Cinema http://bravonline.abril.com.br/feed/atom 2012-05-17T12:40:35-03:00 BRAVO! http://bravo3.abrilm.com.br/imagem/favicon.ico Bravo! Cultura no Brasil - Feed Cinema Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados http://bravonline.abril.com/materia/o-ano-em-que-meu-irmao-saiu-de-ferias O Ano em que meu Irmão saiu de Férias 2012-05-17T12:40:35-03:00 Lúcia Monteiro <p> Como fui presa pol&#xED;tica muito jovem, acho que a tortura vai marcar para sempre meu trabalho.&#x201D; N&#xE3;o &#xE9; dif&#xED;cil relacionar a frase acima, da cineasta carioca L&#xFA;cia Murat, com seu primeiro longa, Que Bom Te Ver Viva. Lan&#xE7;ado em 1988, o filme combinava um mon&#xF3;logo encenado pela atriz Irene Ravache com depoimentos de oito mulheres que militaram contra a ditadura e que, na pris&#xE3;o, foram v&#xED;timas da tortura. Era preciso descrever a experi&#xEA;ncia do c&#xE1;rcere, falar dos companheiros desaparecidos e, assim, elaborar duas sensa&#xE7;&#xF5;es d&#xED;spares: a culpa por ter sobrevivido e a vit&#xF3;ria (ainda que amarga) de ter sobrevivido. Com sua mais recente produ&#xE7;&#xE3;o, Uma Longa Viagem, que tem estreia prevista para este m&#xEA;s, L&#xFA;cia Murat volta a tratar dos anos de chumbo no Brasil. Mas de uma perspectiva diferente. O foco agora est&#xE1; na pequena hist&#xF3;ria. Ou em como a ditadura militar e a milit&#xE2;ncia pol&#xED;tica da diretora repercutiram em sua fam&#xED;lia, mais especialmente no destino do irm&#xE3;o ca&#xE7;ula, Heitor.</p> <p> L&#xFA;cia atuava no movimento estudantil e em 1971, aos 22 anos, foi presa. Saiu da Penitenci&#xE1;ria de Bangu tr&#xEA;s anos mais tarde. Com medo de que o filho mais novo tivesse a mesma sorte, os pais o mandam para uma temporada de estudos em Londres, que se transformou em imers&#xE3;o na contracultura. Heitor se jogou no universo do rock, das drogas, da liberdade total. Iniciava-se ali um p&#xE9;riplo que incluiria pa&#xED;ses como Nova Zel&#xE2;ndia, Estados Unidos, Gr&#xE9;cia, Marrocos e Afeganist&#xE3;o e s&#xF3; acabaria na &#xCD;ndia, depois de nove anos, num surto esquizofr&#xEA;nico. Nesse per&#xED;odo, Miguel, irm&#xE3;o mais velho de L&#xFA;cia, formou-se m&#xE9;dico, casou-se, teve filhos. Sua morte prematura motiva o filme, que no entanto n&#xE3;o revela muito sobre o primog&#xEA;nito &#x2014; &#xE9; uma das lacunas da hist&#xF3;ria. &#x201C;N&#xE3;o foi uma decis&#xE3;o. Aconteceu assim&#x201D;, explica a diretora.</p> <p> Uma Longa Viagem &#xE9; um leg&#xED;timo &#x201C;filme-processo&#x201D;, que exp&#xF5;e a procura pela pr&#xF3;pria forma. Document&#xE1;rio que conta com recursos ficcionais, combina as entrevistas com Heitor a cenas em que o ator Caio Blat interpreta as brilhantes cartas enviadas pelo filho viajante &#xE0; fam&#xED;lia. Em ambos os corpos, a lucidez e o senso de humor do personagem impressionam. Em determinado momento, L&#xFA;cia intercala uma descri&#xE7;&#xE3;o que faz de sua passagem por Cannes como cineasta com a do irm&#xE3;o, numa improv&#xE1;vel escala a caminho da &#xC1;frica. Em imagens dos anos 30, garotas dan&#xE7;am canc&#xE3; na praia e uma delas sai do ritmo. Al&#xE9;m de ilustrar a diferen&#xE7;a entre as experi&#xEA;ncias dos dois irm&#xE3;os na C&#xF4;te d&#x2019;Azur, a sequ&#xEA;ncia condensa um desajuste comum aos filmes que trabalham a mem&#xF3;ria do per&#xED;odo de ditadura. Seus realizadores lidam com uma hist&#xF3;ria feita de mist&#xE9;rios e lacunas.</p> <p> Mais avan&#xE7;ados no processo de julgamento dos crimes cometidos durante suas ditaduras militares, Argentina e Chile viram surgir, h&#xE1; cerca de uma d&#xE9;cada, cineastas interessados nas repercuss&#xF5;es desse per&#xED;odo pol&#xED;tico na pequena hist&#xF3;ria. Seus filmes recuperam o olhar de crian&#xE7;as que cresceram em meio a reuni&#xF5;es clandestinas, mudan&#xE7;as de pa&#xED;s e passaportes falsos. &#xC9; o caso das fic&#xE7;&#xF5;es Kamchatka, lan&#xE7;ada pelo argentino Marcelo Pi&#xF1;eyro em 2002, e Machuca, de 2004, do chileno Andr&#xE9;s Wood, e tamb&#xE9;m de produ&#xE7;&#xF5;es mais recentes, como o document&#xE1;rio equatoriano-chileno Abuelos, de Carla Valencia D&#xE1;vila, e a fic&#xE7;&#xE3;o El Pr&#xE9;mio, da argentina Paula Markovitch.</p> <p> <strong>Avers&#xE3;o a reuni&#xF5;es</strong></p> <p> No Brasil, a primeira fic&#xE7;&#xE3;o sobre a ditadura a adotar uma perspectiva familiar &#x2014; no caso, a de um garoto de 12 anos &#x2014; foi O Ano em que Meus Pais Sa&#xED;ram de F&#xE9;rias, de 2006, de Cao Hamburger. De 2011, o document&#xE1;rio Di&#xE1;rio de uma Busca, da ga&#xFA;cha Flavia Castro, tamb&#xE9;m adota um ponto de vista &#xED;ntimo, o pr&#xF3;prio: filha de dois militantes, a diretora cresceu no ex&#xED;lio, na Argentina, no Chile e na Fran&#xE7;a. Sua narrativa oscila entre o policial e o filme de fam&#xED;lia. Ao lado do irm&#xE3;o antrop&#xF3;logo Jo&#xE3;o Paulo Castro, o Joca, ela tenta juntar os peda&#xE7;os da hist&#xF3;ria de seu pai, o jornalista Celso Castro, ex-membro do Partido Oper&#xE1;rio Brasileiro que morreu baleado em 1984, num suposto assalto, que nunca ganhou uma explica&#xE7;&#xE3;o convincente. O longa combina de maneira emocionada a revolta da menina, que n&#xE3;o entende por que o pai deve deixar o Brasil justo no dia em que ele faz anivers&#xE1;rio, &#xE0; dor de ter a casa de Santiago revirada por militares chilenos (com um dos moradores preso e morto) depois do golpe que derrubou o presidente Salvador Allende. Assim como Carla Valencia D&#xE1;vila e Paula Markovitch, Flavia faz parte de um grupo de cineastas filhos de militantes. Se compartilham com seus predecessores uma arguta consci&#xEA;ncia pol&#xED;tica, n&#xE3;o herdaram o mesmo engajamento.</p> <p> &#x201C;Detesto reuni&#xF5;es&#x201D;, diz Flavia Castro, 46 anos. &#x201C;N&#xE3;o fiz um filme militante. Estava interessada na viv&#xEA;ncia &#xED;ntima, nos aspectos menos vis&#xED;veis da hist&#xF3;ria.&#x201D; L&#xFA;cia Murat, representante da gera&#xE7;&#xE3;o anterior (ela tem 63 anos), ensaia uma explica&#xE7;&#xE3;o: &#x201C;Talvez o fato de vivermos um tempo em que as utopias ca&#xED;ram em desuso nos leve a abordar a hist&#xF3;ria com base em experi&#xEA;ncias pessoais&#x201D;. Flavia e L&#xFA;cia continuam o trabalho em seus pr&#xF3;ximos filmes. Ser&#xE3;o fic&#xE7;&#xF5;es e t&#xEA;m t&#xED;tulos pr&#xF3;ximos, respectivamente A Mem&#xF3;ria &#xC9; um M&#xFA;sculo da Imagina&#xE7;&#xE3;o e A Mem&#xF3;ria que Me Contam.</p> <p> Nesse conjunto de produ&#xE7;&#xF5;es, a grande e a pequena hist&#xF3;ria se entrela&#xE7;am, combinando as duas palavras que os gregos tinham para definir o ato de lembrar: mn&#xE8;m&#xE8; (recorda&#xE7;&#xE3;o que deriva do afeto) e anamn&#xE8;sis (a busca intencional pela lembran&#xE7;a). No dia 29 de mar&#xE7;o, enquanto se comemorava o Golpe de 1964 no Clube Militar, no Rio de Janeiro, Di&#xE1;rio de uma Busca e Uma Longa Viagem eram exibidos nas paredes externas da entidade, num ato em defesa da Comiss&#xE3;o da Verdade, para investigar as viola&#xE7;&#xF5;es dos direitos humanos entre 1946 e 1988. A lei que a criou j&#xE1; foi sancionada. Falta agora nomear seus membros. &#xC9; poss&#xED;vel que, no final do processo, algumas lacunas sejam preenchidas e se chegue mais perto do que o fil&#xF3;sofo franc&#xEA;s Paul Ricoeur chamou de &#x201C;pol&#xED;tica da mem&#xF3;ria justa&#x201D;.</p> <div class="descricao-autor"> <p> <strong>L&#xFA;cia Monteiro</strong> &#xE9; jornalista e mestre em cinema.</p> </div><div class="onde-quando"> <p> <strong>O FILME</strong></p> <p> <em>Uma Longa Viagem,</em> de L&#xFA;cia Murat. Com Caio Blat. Estreia neste m&#xEA;s.</p> </div> À semelhança de outros filmes latino-americanos, o documentário “Uma Longa Viagem”, de Lúcia Murat, adota a perspectiva familiar para tratar da ditadura 2012-05-17T12:40:35-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 177 - Maio 2012 À semelhança de outros filmes latino-americanos, o documentário “Uma Longa Viagem”, de Lúcia Murat, adota a perspectiva familiar para tratar da ditadura Cinema BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/uma-versao-decaida-de-bertolucci Uma versão decaída de Bertolucci 2012-05-04T18:31:32-03:00 Paulo Roberto Pires <p> Mulher e homem encontram-se por acaso nas ruas de Paris. Em poucas horas, transam em p&#xE9;, encostados numa cerca. Dali em diante, quando n&#xE3;o est&#xE3;o na cama discutem asperamente e dedicam-se &#xE0; milenar arte de destrui&#xE7;&#xE3;o rec&#xED;proca.</p> <p> Sim, caro leitor, voc&#xEA; j&#xE1; viu esse filme. E eu tamb&#xE9;m. Por isso, fica dif&#xED;cil n&#xE3;o enxergar em <em>Amor e Dor</em> uma vers&#xE3;o deca&#xED;da de<em> O &#xDA;ltimo Tango em Paris</em>. Com o agravante de o diretor chin&#xEA;s Lou Ye n&#xE3;o ser exatamente um Bertolucci e, desnecess&#xE1;rio dizer, o par formado pela chinesa Corinne Yam<em> (Hua</em>) e pelo franc&#xEA;s Tahar Rahim<em> (Mathieu)</em> n&#xE3;o lembrar, em nenhum aspecto, Maria Schneider e Marlon Brando.</p> <p> Proibido de filmar em seu pa&#xED;s desde o lan&#xE7;amento, em 2006, de <em>Pal&#xE1;cio de Ver&#xE3;o</em>, Lou Ye escolheu como parceiro de sua estreia no Ocidente outro perseguido pelo regime chin&#xEA;s, o escritor Jie Liu-Falin, autor de <em>Bitch </em>(&#x201C;Vagabunda&#x201D;, numa tradu&#xE7;&#xE3;o mais polida), romance no qual o filme se baseia. A ideia de ex&#xED;lio multiplica-se, assim, al&#xE9;m da trama envolvendo uma tradutora chinesa que, abandonada por um namorado franc&#xEA;s, engata o romance t&#xF3;rrido com um oper&#xE1;rio de origem &#xE1;rabe que pratica pequenos delitos.</p> <p> <strong>Falta subst&#xE2;ncia e sobra pretens&#xE3;o</strong></p> <p> Tudo em <em>Amor e Dor</em> &#xE9; cuidadosamente pensado para causar desconforto &#x2013; o que acaba acontecendo, mas n&#xE3;o necessariamente pelos melhores motivos. A fotografia &#xE9; suja, a montagem nervosa e os protagonistas irritantes por sua simplifica&#xE7;&#xE3;o: Mathieu &#xE9; ostensivamente machista e chantagista, chora que nem crian&#xE7;a e acredita candidamente que mulher n&#xE3;o presta; Hua, a chinesa, &#xE9; dissimuladamente manipuladora e tem o misterioso dom de encantar os homens que dela se aproximam.</p> <p> O que falta &#xE0; trama em subst&#xE2;ncia sobra em pretens&#xE3;o. Pois &#xE9; evidente que diretor e roteirista querem imprimir conota&#xE7;&#xF5;es pol&#xED;ticas e filos&#xF3;ficas aos desencontros do casal. Al&#xE9;m das &#xF3;bvias refer&#xEA;ncias &#xE0; situa&#xE7;&#xE3;o da China &#x2013; em dado momento Hua volta ao pa&#xED;s para servir de int&#xE9;rprete a um document&#xE1;rio sobre democratiza&#xE7;&#xE3;o &#x2013; o filme ro&#xE7;a na marginaliza&#xE7;&#xE3;o dos imigrantes na Fran&#xE7;a, didatizada quando se descobre que Mathieu &#xE9; casado com uma mulher de Ruanda sob o pretexto de mant&#xEA;-la legalmente no pa&#xED;s.</p> <p> <em>Amor e Dor </em>parece estar, o tempo todo, insurgindo-se contra algo que n&#xE3;o fica bem claro ou definido. Lou Ye tem, &#xE9; claro, motivos de sobra para conceber o cinema como uma forma de enfrentamento pol&#xED;tico. Mas todos sabemos que nunca se fez filme para valer com uma ideia na cabe&#xE7;a e uma c&#xE2;mera na m&#xE3;o &#x2013; ainda mais quando a ideia n&#xE3;o &#xE9; clara e a c&#xE2;mera, hesitante.</p> <p> &#xA0;</p> <p> <strong>PAULO ROBERTO PIRES</strong><em> &#xE9; jornalista e escritor, autor dos romances</em> Do Amor Ausente<em> e</em> Se um de N&#xF3;s Dois Morrer.</p> Em<em> Amor e Dor</em>, o diretor chinês Lou Ye aproxima-se de<em> O Último Tango em Paris</em> com um casal dedicado à arte milenar de destruição recíproca 2012-05-04T18:30:25-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Em Amor e Dor, o diretor chinês Lou Ye aproxima-se de O Último Tango em Paris com um casal dedicado à arte milenar de destruição recíproca Cinema BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/retratos-pessoais-de-uma-longa-viagem Retratos Da Ditadura 2012-05-04T16:23:39-03:00 Lúcia Murat <p> O document&#xE1;rio <em>Uma Longa Viagem</em> trata do regime militar sob uma perspectiva &#xED;ntima. A diretora L&#xFA;cia Murat mostra como sua fam&#xED;lia viveu o per&#xED;odo pol&#xED;tico iniciado em 1964 - ela foi para a pris&#xE3;o, enquanto seu irm&#xE3;o ca&#xE7;ula, Heitor, dava a volta ao mundo, mergulhado na contracultura. A cineasta selecionou fotografias do seu arquivo pessoal tiradas na &#xE9;poca, al&#xE9;m de registros das filmagens. Veja as imagens e leia as hist&#xF3;rias que L&#xFA;cia conta sobre cada uma delas acima.</p> O filme&nbsp;<em>Uma Longa Viagem</em> trata do regime militar sob uma perspectiva íntima. A diretora Lúcia Murat mostra como sua família viveu o período político iniciado em 1964 2012-05-03T18:42:00-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Só no Site O filme Uma Longa Viagem trata do regime militar sob uma perspectiva íntima. A diretora Lúcia Murat mostra como sua família viveu o período político iniciado em 1964 Cinema BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/calca-osklen-e-tenis-nike-no-xingu Calça Osklen e tênis Nike no Xingu 2012-04-23T12:42:29-03:00 Lúcia Monteiro <p> Cena 1, julho de 1945.</p> <p> Iniciada em Uberl&#xE2;ndia, em 1944, durante a Segunda Guerra Mundial, com o objetivo de ocupar a regi&#xE3;o central do Brasil, a Expedi&#xE7;&#xE3;o Roncador Xingu faz contato com os xavantes. At&#xE9; ent&#xE3;o, as rela&#xE7;&#xF5;es desse povo com os brancos n&#xE3;o haviam sido pac&#xED;ficas &#x2013; o coronel brit&#xE2;nico Percy Harrison Fawcet desaparecera nos anos 20 quando tentava aproximar-se dele. &#xC0; frente do grupo, os irm&#xE3;os Orlando, Cl&#xE1;udio e Leonardo Villas B&#xF4;as ganham a confian&#xE7;a do cacique depois de oferecerem uma mir&#xED;ade de objetos brilhantes. Corta. Em 1974, ao receber o t&#xED;tulo de doutor honoris causa pela Universidade Federal do Mato Grosso, Orlando diria: &#x201C;N&#xE3;o nos seria poss&#xED;vel analisar em profundidade o intrincado problema do relacionamento entre a sociedade nacional e as etnias ind&#xED;genas, nem mesmo as desastrosas consequ&#xEA;ncias advindas desse contato (...). Exclu&#xED;dos alguns &#xEA;xitos parciais ou moment&#xE2;neos, tudo quanto se fez at&#xE9; agora resultou em malogro. O decr&#xE9;scimo da popula&#xE7;&#xE3;o ind&#xED;gena, o desaparecimento de 98 tribos na primeira metade deste s&#xE9;culo e as frentes de penetra&#xE7;&#xE3;o, que, valendo-se das novas rodovias, assediam e amea&#xE7;am a sobreviv&#xEA;ncia de muitas tribos, s&#xE3;o suficientes para nos dispensar de maiores coment&#xE1;rios a respeito do desacerto da pol&#xED;tica indigenista brasileira.&#x201D;</p> <p> Cena 2, mar&#xE7;o de 2010.</p> <p> Com o apoio da Funda&#xE7;&#xE3;o Nacional do &#xCD;ndio (Funai), a equipe de pr&#xE9;-produ&#xE7;&#xE3;o do filme <em>Xingu</em> faz sua primeira entrada no Parque Ind&#xED;gena de 27 mil km2criado em 1961 gra&#xE7;as aos esfor&#xE7;os dos Villas B&#xF4;as. O objetivo &#xE9; negociar com as etnias os direitos para contar suas hist&#xF3;rias, al&#xE9;m de definir loca&#xE7;&#xF5;es e encontrar atores e figurantes. A produtora executiva Bel Berlinck e o produtor de elenco ind&#xED;gena, Francisco Accioly, chegam de monomotor a Canarana, no Mato Grosso, onde passam a noite. De madrugada, percorrem de 4x4 uma estrada de terra por duas horas e meia e, em seguida, encaram mais sete horas de lancha voadeira, das quais quatro sob chuva. &#xC0; margem do rio Xingu, foi preciso aguardar um trator para enfrentar os &#xFA;ltimos 7 km at&#xE9; a aldeia Kalapalo, onde pernoitariam. Ali, ganharam rede, comida e... a visita de uma on&#xE7;a. &#x201C;H&#xE1; uma grande cerim&#xF4;nia na hora de chegar &#xE0; aldeia&#x201D;, diz o ex-ator Francisco Accioly, 47 anos, que depois fez &#x201C;moitar&#xE1;&#x201D; com os &#xED;ndios &#x2013; ou melhor, trocou camiseta por pulseira, cal&#xE7;a jeans por colar e bermuda por panela de barro. &#x201C;Eles v&#xE3;o confiando aos poucos, com a conviv&#xEA;ncia.&#x201D; Bel e Accioly voltaram ao Xingu diversas vezes. &#x201C;Antes das negocia&#xE7;&#xF5;es, n&#xF3;s e os &#xED;ndios tom&#xE1;vamos banho de rio juntos&#x201D;, recorda Bel, que se locomovia entre as ocas de bicicleta. Por quatro meses, Accioly revezou-se entre as aldeias Kalapalo, Caiabi, Kuikuru, Ywalapiti e Waur&#xE1; e fez testes com 600 ind&#xED;genas. Selecionou 75 figurantes e cinco atores principais. Hoje s&#xE3;o amigos (Kwaliup, que faz o papel de Carolina, &#xE0;s vezes lhe telefona para dar not&#xED;cias e pedir ajuda, inclusive financeira).</p> <p> &#xA0;</p> <p> <strong>Profecia</strong></p> <p> &#x201C;N&#xE3;o se preocupe. No Xingu, nada acontece por acaso.&#x201D; Proferida em 2008 pela enfermeira aposentada Marina Villas B&#xF4;as, vi&#xFA;va de Orlando, em sua casa no Alto da Lapa, em S&#xE3;o Paulo, abarrotada de cer&#xE2;micas, cestas e toda sorte de objetos xinguanos, a frase tranquilizou o diretor Cao Hamburger quando ainda preparava sua primeira visita ao Parque do Xingu. A ideia do longa sobre os irm&#xE3;os indigenistas viera de Noel Villas B&#xF4;as, filho de Orlando, que procurou a produtora paulistana O2. Fernando Meirelles, um dos s&#xF3;cios da O2, delegou a miss&#xE3;o a Cao. A hist&#xF3;ria ganha as telas neste m&#xEA;s. Antes disso, <em>Xingu</em> foi exibido no Amazonas Film Festival, em Manaus, em novembro do ano passado, e no Festival de Berlim, em fevereiro. Ainda em abril, uma fita viaja para o Festival de Tribeca, em Nova York.</p> <p> Ao iniciar o projeto, Cao Hamburger e a tarimbada equipe da O2 n&#xE3;o tinham ideia de o quanto essa experi&#xEA;ncia os transformaria. Com or&#xE7;amento de 15,5 milh&#xF5;es de reais (1 milh&#xE3;o a menos do que <em>Lula, o Filho do Brasil,</em> de 2009, tido como o filme mais caro do cinema nacional), a filmagem de <em>Xingu</em> envolveu o aluguel de dois avi&#xF5;es, deslocou 200 pessoas de S&#xE3;o Paulo e do Rio de Janeiro por nove semanas para o Mato Grosso, onde fica o parque, e o estado vizinho do Tocantins. O Posto Leonardo, base dentro do Xingu onde os Villas B&#xF4;as viveram, foi reconstru&#xED;do pelo diretor de arte Cassio Amarante no Jalap&#xE3;o (TO), uma obra de engenharia com10 mil m2que levou tr&#xEA;s meses para ficar pronta. &#x201C;Foi o trabalho mais dif&#xED;cil que j&#xE1; fiz&#x201D;, diz Cao. Em certa medida, pode-se dizer que os percal&#xE7;os enfrentados, da pr&#xE9;-produ&#xE7;&#xE3;o &#xE0; primeira exibi&#xE7;&#xE3;o, s&#xE3;o equivalentes &#xE0;s aventuras dos Villas B&#xF4;as. Durante a filmagem, todo mundo ficou doente ao menos uma vez: gripe, alergia, dor de barriga... Ningu&#xE9;m estava habituado ao calor de 40 oC, &#xE0; &#xE1;gua e &#xE0; comida nem a tomar banho frio. Um dos sets foi invadido por uma on&#xE7;a e outro por jacar&#xE9;s. Uma loca&#xE7;&#xE3;o pegou fogo (era a &#xE9;poca de queimadas no Tocantins) e o respons&#xE1;vel pelos efeitos especiais precisou fazer as vezes de bombeiro.</p> <p> &#xA0;</p> <p> <strong>Ant&#xED;doto e veneno</strong></p> <p> N&#xE3;o seria exagero afirmar que o maior desafio dos Villas B&#xF4;as tenha sido menos de ordem pr&#xE1;tica e mais ligado a quest&#xF5;es &#xE9;ticas e ideol&#xF3;gicas. Num surto de gripe que dizimou uma aldeia, os irm&#xE3;os se deram conta de que, ao tentar proteger os &#xED;ndios, traziam-lhes riscos. Ao mesmo tempo que lutavam para lhes garantir a posse de terras (o que culminaria com a cria&#xE7;&#xE3;o do Parque do Xingu), contribu&#xED;am para expuls&#xE1;-los de seus territ&#xF3;rios. &#x201C;Somos o ant&#xED;doto e o veneno&#x201D;, constata Cl&#xE1;udio, num dado momento do filme. O diretor de arte Cassio Amarante parece compartilhar desse triste paradoxo ao refletir sobre o pr&#xF3;prio trabalho: &#x201C;A gente &#xE9; igual a Pedro &#xC1;lvares Cabral com sua camisa bufante: vamos ao Xingu com cal&#xE7;a Osklen e t&#xEA;nis Nike. N&#xE3;o passo de um centuri&#xE3;o romano querendo me aproveitar dos gauleses&#x201D;.</p> <p> Para Cao, a crise &#xE9; outra: &#x201C;Eu me apaixonei pelo universo dos &#xED;ndios e depois percebi o preconceito contra eles. Ainda prevalece o estere&#xF3;tipo de que s&#xE3;o sujos e pregui&#xE7;osos. Mas &#xE9; o contr&#xE1;rio: s&#xE3;o muito limpos, civilizados e trabalhadores. T&#xEA;m uma cultura sofisticad&#xED;ssima e praticam no dia a dia uma filosofia de alto n&#xED;vel&#x201D;.</p> <p> Com um cord&#xE3;o de palha ianom&#xE2;mi no pulso, Cao projeta um novo filme, dessa vez na Amaz&#xF4;nia, sobre etnias isoladas &#x2013; o t&#xED;tulo provis&#xF3;rio &#xE9; <em>N&#xE3;o Contactados</em>. &#x201C;Precisamos aprender com os &#xED;ndios.&#x201D;</p> <div class="descricao-autor"> <p> <strong>L&#xFA;cia Monteiro</strong> &#xE9; jornalista e mestre em cinema.</p> </div><div class="onde-quando"> <p> <strong>O FILME</strong></p> <p> <em>Xingu</em>, de Cao Hamburger. Com Felipe Camargo, Jo&#xE3;o Miguel, Caio Blat. Estreia neste m&#xEA;s.</p> </div> <p> <strong>FILME DE &#xCD;NDIO</strong></p> <p> Como outras produ&#xE7;&#xF5;es trataram a quest&#xE3;o ind&#xED;gena brasileira</p> <p> <img src="http://imgms.bravonline.abril.com.br/91/176-ci-xingu-5.jpg" alt="176-ci-xingu-5"/></p> <p> <em>Terra Vermelha</em> (2008)</p> <p> Com dire&#xE7;&#xE3;o do &#xED;talo-chileno Marco Bechis e roteiro de Luiz Bolognesi, o longa, que concorreu ao Le&#xE3;o de Ouro no Festival de Veneza, narra o conflito entre os guaranis-kaiow&#xE1;s e fazendeiros do Mato Grosso do Sul. Pressionados pelo avan&#xE7;o da soja, os personagens ind&#xED;genas enfrentam problemas como alcoolismo e suic&#xED;dio. O filme toca numa quest&#xE3;o tabu, tamb&#xE9;m levantada por <em>Xingu</em>: a rela&#xE7;&#xE3;o amorosa entre brancos e &#xED;ndios.</p> <p> <img src="http://imgms.bravonline.abril.com.br/91/176-ci-xingu-6.jpg" alt="176-ci-xingu-6"/></p> <p> <em>Serras da Desordem</em> (2006)</p> <p> Por mais de dez anos, o cineasta &#xED;talo-brasileiro Andrea Tonacci percorreu a regi&#xE3;o central do Brasil para contar a hist&#xF3;ria do &#xED;ndio Carapiru, sobrevivente de um massacre que dizimou quase toda a sua fam&#xED;lia. Rodado em v&#xED;deo e em 35 mil&#xED;metros, com cenas em cores e outras em preto e branco, o longa mistura o registro documental &#xE0; fic&#xE7;&#xE3;o e, &#xE0;s vezes, coloca em cena o filho de Carapiru no papel do pai.</p> <p> <img src="http://imgms.bravonline.abril.com.br/91/176-ci-xingu-7.jpg" alt="176-ci-xingu-7"/></p> <p> <em>Iracema, uma Transa Amaz&#xF4;nica</em> (1974)</p> <p> Realizado por Jorge Bodansky e Orlando Senna, o filme se apoia no sarc&#xE1;stico caminhoneiro Jo&#xE3;o Brasil Grande, interpretado por Paulo C&#xE9;sar Pereio, e na inocente Iracema, ind&#xED;gena vivida por Edna de C&#xE1;ssia, que se degrada pouco a pouco ao longo da hist&#xF3;ria. Bodansky e Senna misturam o registro ficcional ao document&#xE1;rio e instauram uma rela&#xE7;&#xE3;o agressiva com os filmados, como se tentassem reproduzir a perversidade de brancos com &#xED;ndios.</p> Para filmar a trajetória dos irmãos Villas Bôas pelo Brasil Central, Cao Hamburger enfrentou desafios equivalentes aos de seus personagens na década de 1940 2012-04-20T15:08:45-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 176 - Abril 2012 Para filmar a trajetória dos irmãos Villas Bôas pelo Brasil Central, Cao Hamburger enfrentou desafios equivalentes aos de seus personagens na década de 1940 Cinema BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/drama-de-menos Drama de Menos 2012-04-18T15:06:29-03:00 Álvaro Machado <p> Para al&#xE9;m do esbanjamento de sensualidade de sua atriz principal, Camila Pitanga, e do achado po&#xE9;tico de seu t&#xED;tulo quilom&#xE9;trico, o grande trunfo de <em>Eu Receberia as Piores Not&#xED;cias dos Seus Lindos L&#xE1;bios</em> &#xE9; sua intrincada e instigante hist&#xF3;ria, retirada do romance hom&#xF4;nimo de Mar&#xE7;al Aquino.</p> <p> A colabora&#xE7;&#xE3;o entre o diretor Beto Brant e Aquino, iniciada em 1997 com o bem-sucedido<em> Os Matadores</em>, produziu outros cinco t&#xED;tulos, e o novo filme poderia representar o &#xE1;pice da dupla. Contudo, seu maior problema &#x2013; que em &#xFA;ltima an&#xE1;lise acaba comprometendo todo o resultado &#x2013; localiza-se justamente nesta promissora fonte: o roteiro, coassinado por Aquino, n&#xE3;o chega a se libertar da narrativa liter&#xE1;ria.</p> <p> De que outra maneira explicar os afrouxamentos de condu&#xE7;&#xE3;o das cenas, evidentes na segunda hora de proje&#xE7;&#xE3;o? Obst&#xE1;culo que nem a adequa&#xE7;&#xE3;o do elenco (muito acima da m&#xE9;dia) nem os magnetismos da paisagem dos arredores de Santar&#xE9;m, no Par&#xE1; (bem captados pelo diretor de fotografia, Lula Ara&#xFA;jo) conseguem transpor.</p> <p> Publicada em livro em 2005, a hist&#xF3;ria tem a cara do Brasil atual. Lav&#xED;nia (Camila), uma prostituta que se dopa pelas ruas de Copacabana, &#xE9; resgatada pelo pastor evang&#xE9;lico Ernani (Zecarlos Machado), um ex-usu&#xE1;rio de drogas. Juntos, seguem para uma cidade na Amaz&#xF4;nia, onde passam a pregar contra os garimpos ilegais e a extra&#xE7;&#xE3;o predadora de madeira. Cauby (Gustavo Machado), um fot&#xF3;grafo de passagem pelo lugar, se envolve com Lav&#xED;nia e com Viktor (Gero Camilo), um jornalista marginalizado, avis rara em meio &#xE0; restrita mentalidade dominante.</p> <p> <strong>NOT&#xCD;CIA NOS L&#xC1;BIOS ERRADOS</strong></p> <p> Com seus amores desesperados e redentores em meio &#xE0; violenta saga do desbravamento amaz&#xF4;nico, o longa poderia ter alcan&#xE7;ado a grandeza dos melhores faroestes norte-americanos. A irrefre&#xE1;vel expans&#xE3;o capitalista n&#xE3;o mais dizima os povos aut&#xF3;ctones, mas os integra com efic&#xE1;cia, aniquilando, por&#xE9;m, o ecossistema-base de suas culturas. Romance e filme deixam claro o partido que tomam, numa trama de complexidades sociais sem termos de compara&#xE7;&#xE3;o com outros argumentos hoje no mundo inteiro. O que torna ainda mais lament&#xE1;vel a car&#xEA;ncia de tens&#xE3;o interna na maior parte da encena&#xE7;&#xE3;o &#x2013; na m&#xE3;o inversa de outro filme amaz&#xF4;nico, o excessivo <em>A Festa da Menina Morta</em> (de Matheus Nachtergaele) &#x2013; e principalmente o tratamento dado pelo roteiro a dois fatos centrais na hist&#xF3;ria: mortes que chegam ao espectador reduzidas &#xE0; narrativa verbal de um policial, personagem secund&#xE1;rio da trama.</p> <div class="descricao-autor"> <p> <strong>Alvaro Machado</strong> &#xE9; jornalista, cr&#xED;tico de cinema e artes visuais e organizador dos livros Amos Gitai &#x2013; Percursos e Abbas Kiarostami, entre outros.</p> </div><div class="onde-quando"> <p> <strong>O FILME</strong></p> <p> <em>Eu Receberia as Piores Not&#xED;cias dos Seus Lindos L&#xE1;bios, de Beto Brant e Renato Ciasca</em>. Com Camila Pitanga, Gustavo Machado. Estreia neste m&#xEA;s.</p> </div> O grande trunfo de “Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios” é também seu maior problema: o filme não chega a se libertar do romance que o inspirou 2012-04-18T14:09:28-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 176 - Abril 2012 O grande trunfo de “Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios” é também seu maior problema: o filme não chega a se libertar do romance que o inspirou Cinema BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/troca-de-experiencias Troca de Experiências 2012-04-05T17:50:54-03:00 Redação <p> Novo trabalho do diretor paulistano Cao Hamburger <em>(&#xE0; esq.)</em><em>, Xingu</em> mostra o contato dos irm&#xE3;os Villas B&#xF4;as com os povos ind&#xED;genas em suas expedi&#xE7;&#xF5;es pelo Brasil Central. A convite de <strong>BRAVO!</strong>, Luiz Bolognesi <em>(&#xE0; dir.)</em>, roteirista de <em>Terra Vermelha</em> - longa-metragem que narra o embate entre &#xED;ndios guaranis-kaiow&#xE1;s e fazendeiros do Centro-Oeste -, assistiu ao filme de Cao.</p> <p> Confira a conversa entre os dois cineastas.</p> <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="338" width="600"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=39770884&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=0&amp;show_byline=0&amp;show_portrait=0&amp;color=00adef&amp;fullscreen=1&amp;autoplay=1&amp;loop=0"/><embed allowscriptaccess="always" height="338" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=39770884&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=0&amp;show_byline=0&amp;show_portrait=0&amp;color=00adef&amp;fullscreen=1&amp;autoplay=1&amp;loop=0" type="application/x-shockwave-flash" width="600"/></object></p> Veja o bate-papo do diretor Cao Hamburger com o roteirista de <em>Terra Vermelha</em>, Luiz Bolognesi 2012-04-05T17:50:55-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 176 - Abril 2011 Veja o bate-papo do diretor Cao Hamburger com o roteirista de Terra Vermelha, Luiz Bolognesi Cinema BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/principe-na-sarjeta Príncipe na Sarjeta 2012-03-16T16:36:02-03:00 Cacá Diegues <p> H&#xE1; v&#xE1;rias maneiras de abordar a vida de um her&#xF3;i &#x2013; a mais comovente delas &#xE9; pelo seu fracasso. Somos capazes de amar os her&#xF3;is desde que os achemos parecidos conosco ou com aquilo que gostar&#xED;amos de ser. Nossa solidariedade ser&#xE1; absoluta. N&#xE3;o poderemos deixar de sofrer a dor de quem &#xE9; nosso semelhante, de quem somos n&#xF3;s mesmos.</p> <p> Foi assim que o diretor Jos&#xE9; Henrique Fonseca (de <em>O Homem do Ano)</em> construiu o seu <em>Heleno</em>, filme sobre o grande craque de futebol das d&#xE9;cadas de 1940 e 50, o primeiro jovem de elite, morador da Zona Sul carioca, a abra&#xE7;ar essa carreira e se tornar um &#xED;dolo nela, apesar do temperamento explosivo, da indisciplina, do gosto pela boemia e do v&#xED;cio em drogas, como o lan&#xE7;a-perfume. Ou, se quisermos narrar a hist&#xF3;ria de outro jeito, o primeiro jogador de futebol a n&#xE3;o se deixar escravizar por seus patr&#xF5;es nem ser v&#xED;tima de seus admiradores. O primeiro a impor sua vida, suas ideias e seus costumes &#xE0; servid&#xE3;o de uma atividade que n&#xE3;o admitia e ainda custa a admitir exce&#xE7;&#xF5;es.</p> <p> Infelizmente, nunca vi Heleno de Freitas (1920-1959) jogar. Meu amor pelo Botafogo, time em que o atacante brilhou durante oito anos, come&#xE7;ou muito cedo na minha vida, mas tarde demais na carreira dele. S&#xF3; me lembro de ter acompanhado pelo r&#xE1;dio sua estreia no Am&#xE9;rica do Rio de Janeiro, a &#xFA;ltima equipe em que atuou, depois de curtas temporadas no Boca Juniors, Vasco da Gama, Junior de Barranquilla e Santos. A partida, que ocorreu em 1951, se revelou um momento de pura poesia tr&#xE1;gica na hist&#xF3;ria do futebol brasileiro. Decadente e consumido pela s&#xED;filis, que o levou &#xE0; loucura, Heleno mal se aguentava em campo. N&#xE3;o dava nenhum sinal de que, um dia, se formara advogado ou frequentara os sal&#xF5;es refinados do hotel Copacabana Palace.</p> <p> O Am&#xE9;rica decidira escal&#xE1;-lo apenas para que n&#xE3;o terminasse sua carreira sem ter jogado no Maracan&#xE3;, seu sonho desde a Copa do Mundo de 1950, para a qual n&#xE3;o foi convocado. Naquela tarde, a cidade inteira, sem distin&#xE7;&#xE3;o de torcidas, se despedia do atleta sem alarde, mas com l&#xE1;grimas nos olhos.</p> <p> Jos&#xE9; Henrique tamb&#xE9;m fez seu longa com l&#xE1;grimas nos olhos, solid&#xE1;rio &#xE0; trag&#xE9;dia da diferen&#xE7;a que marcou seu personagem a vida inteira. E com a nobreza de n&#xE3;o procurar culpados, carrascos volunt&#xE1;rios de Heleno. Os respons&#xE1;veis pela dor de Heleno, seus parceiros ou n&#xE3;o, s&#xE3;o todos gentis, se esfor&#xE7;am para entender o que se passa, tentam ajud&#xE1;-lo mesmo que lhe fa&#xE7;am um mal involunt&#xE1;rio.</p> <p> Sua mulher (interpretada pela linda Alinne Moraes), o amigo Alberto, o m&#xE9;dico do Botafogo, o pobre enfermeiro do sanat&#xF3;rio em Barbacena (MG), onde Heleno morreu, e at&#xE9; o cartola (que distribui o &#x201C;bicho&#x201D; aos jogadores pelo esfor&#xE7;o feito, mesmo tendo perdido o campeonato) s&#xE3;o todos inocentes, incapazes de compreender o desejo da v&#xED;tima. Ningu&#xE9;m &#xE9; diferente impunemente, sobretudo num Brasil ing&#xEA;nuo e desastrado como aquele, vivendo ainda as consequ&#xEA;ncias do longo per&#xED;odo de escravid&#xE3;o (leia o historiador Joaquim Nabuco), se esfor&#xE7;ando para ganhar o mundo e os mundiais.</p> <p> <strong>&#xCA;nfase nos sentimentos</strong></p> <p> Uma das vantagens do cinema sobre a vida &#xE9; que o cinema pode recorrer a elipses e a vida &#xE9; toda em um &#xFA;nico e linear plano sequ&#xEA;ncia, com v&#xE1;rios tempos mortos, sem nenhum interesse. Jos&#xE9; Henrique usa essas elipses cinematogr&#xE1;ficas para concentrar seu filme naquilo que realmente interessa, apenas nos momentos fortes da hist&#xF3;ria e de seu personagem.</p> <p> N&#xE3;o importa a cronologia em que as coisas aconteceram &#x2013; o que o realizador mostra s&#xE3;o os afetos do personagem, independentemente de datas. Para entender o paradoxo de Heleno, precisamos mais da &#xEA;nfase nos sentimentos do que nos acontecimentos. O futebol que n&#xF3;s comentamos com os amigos depois do jogo nunca &#xE9; aquele que de fato aconteceu no est&#xE1;dio. S&#xE3;o essas emo&#xE7;&#xF5;es, narradas com o cora&#xE7;&#xE3;o e n&#xE3;o com a mem&#xF3;ria, que fazem a grandeza do esporte e desse filme.</p> <p> Poucas vezes vimos, no cinema recente, uma interpreta&#xE7;&#xE3;o t&#xE3;o pungente e certeira como a de Rodrigo Santoro no papel de Heleno. A &#xFA;nica lembran&#xE7;a a que me remete &#xE9; a de Robert De Niro em <em>Touro Indom&#xE1;vel</em>. Como o ator norte-americano em rela&#xE7;&#xE3;o ao boxeador Jake LaMotta, Santoro &#xE9; capaz de acompanhar os diferentes momentos da vida de Heleno com espantosa mudan&#xE7;a de estado de esp&#xED;rito e de forma do corpo, mais do que qualquer maquiagem poderia acrescentar a seu rosto.</p> <p> A colaborar com esse feito, al&#xE9;m da dire&#xE7;&#xE3;o de Jos&#xE9; Henrique, a fotografia em preto e branco de Walter Carvalho &#xE9; de uma grande imagina&#xE7;&#xE3;o e bom gosto, sem ceder &#xE0; tenta&#xE7;&#xE3;o de reproduzir uma &#x201C;imagem de &#xE9;poca&#x201D;, quando o que se conta nada tem a ver com isso. Nesse sentido, o filme se comporta com grande delicadeza e pudor, abdicando do apelo t&#xE3;o convencional &#xE0; imita&#xE7;&#xE3;o de Marc Ferrez e Augusto Malta, os fot&#xF3;grafos do Rio antigo.</p> <p> Craque excepcional, homem elegante, bonito, rico e famoso, Heleno de Freitas viveu sua vida num mundo de ang&#xFA;stias e insatisfa&#xE7;&#xF5;es, um mundo em que o desejo est&#xE1; sempre em conflito com a conveni&#xEA;ncia. Ele construiu, nos poucos anos de seu apogeu como atleta, um paradoxo que s&#xF3; podia se desenrolar numa equipe alvinegra. Sendo preto e branco, o Botafogo &#xE9; ao mesmo tempo a aus&#xEA;ncia e a soma de todas as cores. E o filme de Jos&#xE9; Henrique Fonseca, a prop&#xF3;sito desse her&#xF3;i moderno, d&#xE1; bem conta de tamanha contradi&#xE7;&#xE3;o.</p> <div class="descricao-autor"> <p> O botafoguense <strong>Cac&#xE1; Diegues</strong> &#xE9; cineasta, diretor de <em>Xica da Silva</em> e <em>Bye Bye Brasil</em>, entre outros filmes.</p> </div><div class="onde-quando"> <p> <strong>O FILME</strong></p> <p> <em>Heleno</em>, de Jos&#xE9; Henrique Fonseca. ComRodrigo Santoro, Alinne Moraes. Estreia prevista para este m&#xEA;s.</p> </div> “Heleno” retrata com delicadeza o percurso trágico de um craque tão contraditório quanto as cores do time em que brilhou,o alvinegro Botafogo 2012-03-16T16:36:02-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 175 - Março 2012 “Heleno” retrata com delicadeza o percurso trágico de um craque tão contraditório quanto as cores do time em que brilhou,o alvinegro Botafogo Cinema BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/dedicado-a-pina Dedicado a Pina 2012-03-13T18:00:10-03:00 Ana Francisca Ponzio <p> As palavras eram insuficientes para a alem&#xE3; Pina Bausch. Por isso, nunca gostou de falar sobre suas cria&#xE7;&#xF5;es. Transpor, portanto, para o cinema a eloqu&#xEA;ncia n&#xE3;o verbal de seus espet&#xE1;culos parecia uma tarefa imposs&#xED;vel inclusive para o compatriota Wim Wenders. O cineasta conviveu estreitamente com a core&#xF3;grafa e s&#xF3; duas d&#xE9;cadas mais tarde, com o surgimento da tecnologia 3D, convenceu-se de que poderia realizar um document&#xE1;rio sobre a obra da artista.</p> <p> O longa-metragem <em>Pina</em>, finalizado depois da morte s&#xFA;bita da core&#xF3;grafa, em 2009, cinco dias ap&#xF3;s receber o diagn&#xF3;stico de um c&#xE2;ncer, marca um encontro art&#xED;stico raro. Com delicadeza e discri&#xE7;&#xE3;o, Wenders consegue mostrar a amiga sem explorar detalhes de sua biografia. Seria mesmo desnecess&#xE1;rio revelar muito da vida pessoal de Pina, j&#xE1; que suas cria&#xE7;&#xF5;es falam tanto dela pr&#xF3;pria quanto de qualquer espectador, n&#xE3;o importando ra&#xE7;a, cultura ou faixa et&#xE1;ria a qual perten&#xE7;a.</p> <p> Com sua dan&#xE7;a-teatro renovadora, Pina parecia juntar peda&#xE7;os do mundo &#x2013; seja do exterior, seja do interior de cada indiv&#xED;duo &#x2013; para compor um painel multifacetado da humanidade. Seu elenco, com profissionais de diversas idades e nacionalidades, trouxe para suas obras uma gama de gestos, express&#xF5;es, sensualidades e emo&#xE7;&#xF5;es que ela soube conjugar a sonoridades de todas as origens, em trilhas musicais sem fronteiras entre o pop e o erudito.</p> <p> <strong>&#x201C;Dancem, dancem&#x201D;</strong></p> <p> A fim de retratar esse universo, que sempre cala fundo nas plateias, Wenders usou recursos tecnol&#xF3;gicos para ampliar perspectivas e criar vias de acesso ao legado da alem&#xE3;. Por meio do 3D, o diretor transformou a sala de proje&#xE7;&#xE3;o em um espa&#xE7;o compartilhado, onde o espectador ganha a sensa&#xE7;&#xE3;o do deslocamento. Na dan&#xE7;a ritualista de <em>A Sagra&#xE7;&#xE3;o da Primavera</em>, por exemplo, coreografia de 1975 que aparece logo no in&#xED;cio do filme, a proximidade acentua a tens&#xE3;o vinda dos bailarinos ofegantes. Os efeitos, envolventes, chegam a ser l&#xFA;dicos e Pina certamente teria gostado da experi&#xEA;ncia.</p> <p> Tamb&#xE9;m na coreografia <em>Kontakthof</em>, o cineasta tira proveito da tecnologia para fundir imagens e discutir assim temas como apar&#xEA;ncia e exposi&#xE7;&#xE3;o social. A pe&#xE7;a, lan&#xE7;ada em 1978, foi remontada em 2000 por Pina, quando ela usou um elenco de adolescentes e pessoas entre 65 e 80 anos, nenhum deles bailarinos ou atores.</p> <p> Permeado por coment&#xE1;rios dos integrantes de sua companhia, a Tanztheater Wuppertal, o document&#xE1;rio tamb&#xE9;m &#xE9; um tributo &#xE0; core&#xF3;grafa. Com economia de palavras, Wenders constr&#xF3;i a hist&#xF3;ria art&#xED;stica de Pina com pung&#xEA;ncia, poesia e humanismo e enfatiza no longa um recado dela: &#x201C;Dancem, dancem, sen&#xE3;o estaremos perdidos&#x201D;.</p> <div class="descricao-autor"> <p> <strong>Ana Francisca Ponzio</strong> &#xE9; jornalista, curadora e cr&#xED;tica de dan&#xE7;a, editora do site Conectedance.</p> </div><div class="onde-quando"> <p> <strong>O FILME</strong></p> <p> <em>Pina</em>, de Wim Wenders. Estreia prevista para este m&#xEA;s.</p> </div> O diretor Wim Wenders, amigo da coreógrafa alemã, recorre à tecnologia 3D para fazer um tributo à artista, que morreu em 2009 2012-03-13T18:00:10-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 175 - Março 2012 O diretor Wim Wenders, amigo da coreógrafa alemã, recorre à tecnologia 3D para fazer um tributo à artista, que morreu em 2009 Cinema BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/as-duas-vidas-de-fellini As Duas Vidas de Fellini 2012-03-09T18:32:15-03:00 Thomaz Souto Corrêa <p> Deixei de fazer coisas importantes na minha vida&#x201D;, disse uma vez Federico Fellini, &#x201C;porque andava sempre muito ocupado.&#x201D; Se, depois de tudo o que fez, o cineasta italiano (1920-1993) ainda deixou de realizar coisas importantes, s&#xF3; nos resta passear pela mostra <em>Tutto Fellini</em>, montada no Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro, para sentir que o grande mestre devia estar brincando.</p> <p> A sele&#xE7;&#xE3;o inclui 400 itens. Caricaturas, cartazes, revistas com reportagens dos paparazzi da &#xE9;poca da &#x201C;dolce vita&#x201D;, trechos de filme, fotos de bastidores das produ&#xE7;&#xF5;es, rascunhos de roteiros. Imagens dos artistas que viraram s&#xED;mbolos da obra felliniana: Anita Eckberg, a Anitona, f&#xEA;mea-padr&#xE3;o da fantasia do diretor, de seios enormes e n&#xE1;degas proeminentes; Marcello Mastroianni, o alter ego; Giuletta Masina, a mulher, marcada pela figura triste de Gelsomina. E a vida fren&#xE9;tica da Via Veneto dos anos 60, a s&#xE1;tira dos religiosos, a cr&#xED;tica &#xE0; ditadura de Mussolini, a ang&#xFA;stia dos intelectuais, e os sonhos, ah, os sonhos.</p> <p> As imagens mais belas da exposi&#xE7;&#xE3;o s&#xE3;o os sonhos. Aconselhado por um analista, Fellini desenhava e descrevia os sonhos ao acordar. Os desenhos desta p&#xE1;gina e das que se seguem revelam alguns deles. &#x201C;Quando estava com 6, 7 anos, eu tinha certeza de que existiam duas vidas&#x201D;, disse o cineasta numa entrevista. &#x201C;Uma vida com os olhos abertos, outra com os olhos fechados.&#x201D;</p> <p> Era tal a sofistica&#xE7;&#xE3;o do sistema on&#xED;rico do jovem Federico que ele havia batizado os quatro cantos da cama com os nomes dos cinemas de Rimini, cidade onde nasceu: Fulgor, Savoia, Opera Nazionale Balilla e Sultano. &#x201C;O espet&#xE1;culo come&#xE7;ava quando eu fechava os olhos.&#x201D; Uma escurid&#xE3;o que se transformava numa gal&#xE1;xia, luzes coloridas que mudavam de &#xE2;ngulo, fazendo com que o espet&#xE1;culo passasse de uma sala virtual de cinema para outra, alternando os quatro cantos da cama.</p> <p> Fellini adulto registrou sonhos durante 22 anos, a partir de 1960. Tinha um caderno na mesa de cabeceira, encapado com couro, p&#xE1;ginas de papel de desenho. Eram o que veio a se chamar &#x201C;livros dos sonhos&#x201D;. Fala-se que chegou a fazer quatro volumes e que dois desapareceram. Os dois que sobreviveram foram juntados na obra <em>Il Libro dei Sogni</em>, editado pela Rizzoli, j&#xE1; traduzido para o ingl&#xEA;s, um livr&#xE3;o de quase 600 p&#xE1;ginas, para alegria e gozo dos fellin&#xF3;logos.</p> <p> A intimidade de Fellini com o desenho veio desde cedo. Come&#xE7;ou ganhando a vida como caricaturista. No fim da Segunda Guerra Mundial, abriu com alguns amigos uma lojinha para fazer caricaturas dos passantes, a maioria soldados norte-americanos. Da&#xED; o nome do neg&#xF3;cio ser em ingl&#xEA;s: The Funny Face Shop.</p> <p> Nos desenhos dos sonhos, um personagem &#xE9; recorrente: o mulher&#xE3;o que domina a cena. O pr&#xF3;prio diretor tamb&#xE9;m &#xE9; personagem frequente. &#xC0;s vezes, pequeno subjugado; outras, comandando a a&#xE7;&#xE3;o. E suas anota&#xE7;&#xF5;es, numa letrinha mi&#xFA;da, dif&#xED;cil de ler, n&#xE3;o s&#xF3; descrevem o que acontece no desenho, mas ensaiam explica&#xE7;&#xF5;es psicanal&#xED;ticas motivadas pela raz&#xE3;o que levou o autor aos registros.</p> <p> Muitas dessas imagens foram parar em filmes, n&#xE3;o exatamente iguais, mas inspirando a identidade cinematogr&#xE1;fica que Fellini construiu em sua obra. Filmes feitos de cenas de pura fantasia on&#xED;rica e de momentos de uma realidade dura, em que a pureza da vida n&#xE3;o tem for&#xE7;a para atrair o her&#xF3;i perdido na dissipa&#xE7;&#xE3;o, como no fim de <em>La Dolce Vita</em>.</p> <p> A exposi&#xE7;&#xE3;o <em>Tutto Fellini</em> est&#xE1; longe de ser tudo sobre o mestre. Mas &#xE9; um bom trailer do que ele fez, enquanto andava muito ocupado. &#x201C;Tivesse tido tempo para fazer coisas importantes&#x201D;, como ironizou antes de morrer, a vida n&#xE3;o seria nunca um filme. Seria sempre um trailer.</p> <div class="descricao-autor"> <p> <strong>Thomaz Souto Corr&#xEA;a</strong> &#xE9; vice&#xAD;&#x2013;presidente do conselho editorial da Abril.</p> </div><div class="onde-quando"> <p> <strong>A EXPOSI&#xC7;&#xC3;O</strong></p> <p> <em>Tutto Fellini</em>. Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro (r. Marqu&#xEA;s de S&#xE3;o Vicente, 476, G&#xE1;vea, RJ). De 11/3 a 17/6. De 3&#xAA; a 6&#xAA;, das 13h &#xE0;s 20h. S&#xE1;b. e dom., das 11h &#xE0;s 20h. Gr&#xE1;tis.</p> </div> Exposição no Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro reúne extenso material sobre o cineasta italiano. Há cartazes, fotografias e trechos de filmes. Mas imperdíveis mesmo são os desenhos em que o diretor registra seus sonhos 2012-03-09T14:36:06-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 175 - Março 2012 Exposição no Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro reúne extenso material sobre o cineasta italiano. Há cartazes, fotografias e trechos de filmes. Mas imperdíveis mesmo são os desenhos em que o diretor registra seus sonhos Cinema BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/os-premiados Os premiados 2012-02-27T16:14:54-03:00 Redação <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="81" width="100%"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="https://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F38018002%3Fsecret_token%3Ds-ng0Pb&amp;show_comments=true&amp;auto_play=false&amp;color=ff7700"/><embed allowscriptaccess="always" height="81" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="https://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F38018002%3Fsecret_token%3Ds-ng0Pb&amp;show_comments=true&amp;auto_play=false&amp;color=ff7700" type="application/x-shockwave-flash" width="100%"/></object></p> Crítica de cinema de <strong>BRAVO!</strong>, Neusa Barbosa comenta a cerimônia do Oscar deste ano 2012-02-27T16:14:54-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Crítica de cinema de BRAVO!, Neusa Barbosa comenta a cerimônia do Oscar deste ano Cinema BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/heroi-alvinegro Herói Alvinegro 2012-02-27T15:52:38-03:00 Redação <p> <em>Heleno</em>, longa-metragem sobre o jogador de futebol que se tornou &#xED;dolo do pa&#xED;s, chega neste m&#xEA;s aos cinemas, com dire&#xE7;&#xE3;o de Jos&#xE9; Henrique Fonseca. Ou&#xE7;a o depoimento de Rodrigo Santoro, protagonista do filme, sobre sua prepara&#xE7;&#xE3;o para viver o botafoguense que, nas d&#xE9;cadas de 1940 e 50, era um dos grandes craques brasileiros.</p> <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="81" width="100%"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="https://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F37699906&amp;show_comments=true&amp;auto_play=false&amp;color=ffd800"/><embed allowscriptaccess="always" height="81" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="https://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F37699906&amp;show_comments=true&amp;auto_play=false&amp;color=ffd800" type="application/x-shockwave-flash" width="100%"/></object></p> <p> Leia a mat&#xE9;ria <em>Pr&#xED;ncipe na Sarjeta</em>, assinada pelo cineasta Cac&#xE1; Diegues, sobre o filme <em>Heleno </em>na edi&#xE7;&#xE3;o de mar&#xE7;o/175.</p> Ouça um podcast com o ator Rodrigo Santoro sobre a cinebiografia do jogador botafoguense Heleno 2012-02-27T15:52:38-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Ouça um podcast com o ator Rodrigo Santoro sobre a cinebiografia do jogador botafoguense Heleno Cinema BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/balsamo-e-veneno Bálsamo e Veneno 2012-02-24T14:23:57-02:00 Sérgio Telles <p> O novo filme do canadense David Cronenberg, <em>Um M&#xE9;todo Perigoso</em>, visita com engenhosidade momentos importantes do in&#xED;cio da psican&#xE1;lise. Para assegurar o futuro da nova disciplina, o austr&#xED;aco Sigmund Freud (Viggo Mortensen) necessitava tirar dela a pecha de &#x201C;ci&#xEA;ncia judaica&#x201D;. Era fundamental, portanto, que seguidores n&#xE3;o judeus aderissem &#xE0; causa. Entre os que surgiram, Carl Gustav Jung (Michael Fassbender) &#x2013; su&#xED;&#xE7;o protestante, psiquiatra do Burgh&#xF6;lzli, prestigioso hospital de Zurique &#x2013; ocupou lugar de destaque.</p> <p> Os dois homens acabaram estabelecendo uma intensa liga&#xE7;&#xE3;o, que se rompeu de forma traum&#xE1;tica. Jung discordava da import&#xE2;ncia que o austr&#xED;aco dava &#xE0; sexualidade, e este achava pouco cient&#xED;fico o misticismo do su&#xED;&#xE7;o.</p> <p> Como demonstra o longa, anos antes da briga, Sabine Spielrein (magnificamente representada pela inglesa Keira Knightley) fora internada no Burgh&#xF6;lzli, onde, com &#xEA;xito, Jung lhe aplicara a <em>talking cure</em> (cura pela fala), tratamento &#x201C;experimental&#x201D; inventado por Freud. A paciente, at&#xE9; ent&#xE3;o muito afetada pela histeria, p&#xF4;de retomar sua vida, cursar medicina e tornar-se uma psicanalista. Mas, nesse trajeto, virou amante de Jung &#x2013; algo proibido na rela&#xE7;&#xE3;o entre paciente e psicanalista tanto naquela &#xE9;poca (come&#xE7;o do s&#xE9;culo 20) como nos dias atuais. Ocorre que Freud se viu envolvido no caso, pois Sabine lhe escreveu denunciando a conduta do su&#xED;&#xE7;o. Ela terminou por se aproximar do austr&#xED;aco, quando lhe exp&#xF4;s suas ideias originais sobre o que veio a ser chamado de &#x201C;puls&#xE3;o de morte&#x201D;, ou &#x201C;t&#xE2;natos&#x201D;.</p> <p> <strong>Toxicidade</strong></p> <p> O t&#xED;tulo do filme, <em>Um M&#xE9;todo Perigoso</em>, capta bem os tempos heroicos da funda&#xE7;&#xE3;o da psican&#xE1;lise, quando Freud delimitava seu objeto de pesquisa &#x2013; a dimens&#xE3;o inconsciente do psiquismo &#x2013; e esbo&#xE7;ava os procedimentos necess&#xE1;rios a sua abordagem. &#xC0; semelhan&#xE7;a dos f&#xED;sicos Pierre e Marie Curie, pioneiros no estudo da radioatividade, que desconheciam o poder letal dos elementos que manejavam, os primeiros psicanalistas lidavam com afetos intensos e primitivos (os deles pr&#xF3;prios e os de seus pacientes) sem terem ainda conhecimento das consequ&#xEA;ncias disso. O envolvimento entre Jung e Sabine ilustra essa condi&#xE7;&#xE3;o, que, no entanto, n&#xE3;o se d&#xE1; apenas no &#xE2;mbito sexual. A intelig&#xEA;ncia do paciente Otto Gross, uma figura desafiadora e rebelde, tamb&#xE9;m afetou o m&#xE9;dico su&#xED;&#xE7;o.</p> <p> Os psicanalistas de hoje continuam trabalhando com o mesmo material, mas, gra&#xE7;as &#xE0; experi&#xEA;ncia de seus antecessores, t&#xEA;m agora mais recursos para neutralizar tais riscos e fazer com que sua toxicidade n&#xE3;o seja t&#xE3;o danosa para si mesmos e seus pacientes.</p> <div class="descricao-autor"> <p> <strong>S&#xE9;rgio Telles</strong> &#xE9; psicanalista e colunista do jornal O Estado de S.Paulo.</p> </div><div class="onde-quando"> <p> <strong>O FILME</strong></p> <p> <em>Um M&#xE9;todo Perigoso</em>, de David Cronenberg. Com Michel Fassbender, Viggo Mortensen. Estreia neste m&#xEA;s.</p> </div> Longa de David Cronenberg demonstra à perfeição como Freud e Jung, pioneiros da psicanálise, lidaram com os efeitos colaterais da terapia que conceberam 2012-02-24T14:23:57-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 174 - Fevereiro 2012 Longa de David Cronenberg demonstra à perfeição como Freud e Jung, pioneiros da psicanálise, lidaram com os efeitos colaterais da terapia que conceberam Cinema BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/quando-a-igreja-vai-a-terapia Quando a Igreja vai à Terapia 2012-02-17T16:55:17-02:00 José Geraldo Couto <p> A nova obra do ator e diretor italiano Nanni Moretti, <em>Habemus Papam</em>, pode ser vista como uma trag&#xE9;dia pol&#xED;tica que se dissolve engenhosamente em farsa. Seu entrecho &#x2013; a ang&#xFA;stia que paralisa o papa rec&#xE9;m-eleito (Michel Piccoli) e leva o Vaticano a chamar um psicanalista (o pr&#xF3;prio Moretti) para torn&#xE1;-lo apto a assumir seu posto &#x2013; &#xE9; c&#xF4;mico, quase burlesco, mas poucos filmes parecem t&#xE3;o sintonizados com o momento de perplexidade e desorienta&#xE7;&#xE3;o vivido hoje pela Europa.</p> <p> Muito do humor vem do embate entre esses dois sistemas de cren&#xE7;as, um milenar (o cristianismo), o outro moderno (a psican&#xE1;lise) e, tamb&#xE9;m, dos estilos contrastantes dos atores/personagens que os encarnam: o lac&#xF4;nico e insond&#xE1;vel Piccoli e o verborr&#xE1;gico e transparente Moretti. O sil&#xEA;ncio do papa &#xE9; inversamente proporcional &#xE0; loquacidade do psicanalista, mas ambos s&#xE3;o impotentes para resolver o impasse. A f&#xE9; se cala, a ci&#xEA;ncia fala sem parar. Enquanto isso os fi&#xE9;is esperam, aflitos, na pra&#xE7;a S&#xE3;o Pedro, em Roma, ou diante da televis&#xE3;o.</p> <p> Como romper esse n&#xF3;, como escapar desse beco aparentemente sem sa&#xED;da? Moretti, ele pr&#xF3;prio um homem de esquerda que vem questionando de modo agudo as antigas certezas pol&#xED;ticas, n&#xE3;o oferece uma resposta inequ&#xED;voca a essa quest&#xE3;o. Mas o desenvolvimento de sua narrativa aponta de modo sutil para conclus&#xF5;es mais ou menos claras. A principal delas &#xE9; a fal&#xEA;ncia dos grandes edif&#xED;cios ideol&#xF3;gicos de explica&#xE7;&#xE3;o do mundo: o cristianismo (por extens&#xE3;o, toda religi&#xE3;o), a psican&#xE1;lise (por extens&#xE3;o, a ci&#xEA;ncia e a filosofia), o marxismo (por extens&#xE3;o, toda doutrina pol&#xED;tica). Na conviv&#xEA;ncia for&#xE7;ada dos cardeais entre si e com o psicanalista, h&#xE1; uma progressiva e m&#xFA;tua corros&#xE3;o de dogmas e certezas. Sa&#xED;dos da rotina autom&#xE1;tica de seu dia a dia, todos s&#xE3;o for&#xE7;ados a uma autorreflex&#xE3;o e a uma revis&#xE3;o de conceitos.</p> <p> Como em <em>O Anjo Exterminador</em>, filme de 1962 do diretor espanhol Luis Bu&#xF1;uel, a dilata&#xE7;&#xE3;o excessiva de um confinamento que deveria ser provis&#xF3;rio leva a uma desestabiliza&#xE7;&#xE3;o geral. As m&#xE1;scaras sociais caem, os indiv&#xED;duos se revelam de modo mais verdadeiro. Mas, se na obra-prima de Bu&#xF1;uel os confinados se animalizam, deixando aflorar a barb&#xE1;rie que latejava sob a fina capa da civiliza&#xE7;&#xE3;o, aqui ocorre o contr&#xE1;rio: os cardeais se humanizam, assumem sua falibilidade humana, abrem-se ao outro.</p> <p> <strong>Torneio de V&#xF4;lei entre Cardeais</strong></p> <p> S&#xE3;o particularmente tocantes, nesse aspecto, as cenas em que os cardeais s&#xE3;o flagrados pela c&#xE2;mera em momentos de solid&#xE3;o e intimidade, fazendo gin&#xE1;stica, tomando rem&#xE9;dios, jogando paci&#xEA;ncia. A esse movimento centr&#xED;peto &#x2013; do grupo de cardeais fechados no Vaticano &#x2013; corresponde um movimento centr&#xED;fugo do papa, que, aproveitando-se de uma sa&#xED;da para uma sess&#xE3;o de an&#xE1;lise, foge para o mundo real, mistura-se com as pessoas comuns.</p> <p> Essa &#xFA;ltima situa&#xE7;&#xE3;o lembra uma passagem feliz de <em>As Sand&#xE1;lias do Pescador</em>, filme dirigido pelo ingl&#xEA;s Michael Anderson em 1968, baseado em best-seller do escritor australiano Morris West, na qual um novo papa (Anthony Quinn) escapa furtivamente do Vaticano para se imiscuir com os homens comuns e vivenciar seu drama. Em <em>Habemus Papam</em>, n&#xE3;o s&#xF3; fora mas tamb&#xE9;m dentro dos muros do Vaticano h&#xE1; um movimento de curiosidade pelo outro, de abertura ao que &#xE9; diferente. Isso acontece n&#xE3;o s&#xF3; no interc&#xE2;mbio dos cardeais com o psicanalista, mas nas rela&#xE7;&#xF5;es entre os pr&#xF3;prios religiosos. A culmin&#xE2;ncia desse impulso ecum&#xEA;nico se d&#xE1;, no filme, no arremedo de torneio ol&#xED;mpico de v&#xF4;lei organizado pelo psicanalista.</p> <p> Cardeais de todas as culturas e etnias, divididos por continentes para fins de disputa esportiva, igualam-se em sua comovente inaptid&#xE3;o atl&#xE9;tica. Aprendem a respeitar companheiros e advers&#xE1;rios, a rir das pr&#xF3;prias defici&#xEA;ncias. A cr&#xED;tica de Moretti pode ser corrosiva com rela&#xE7;&#xE3;o aos dogmas e sistemas, mas seu olhar para os indiv&#xED;duos &#xE9; de afeto e compaix&#xE3;o. Seu humor n&#xE3;o &#xE9; sarc&#xE1;stico &#x2013; &#xE9; amoroso.</p> <p> O que costura as v&#xE1;rias inst&#xE2;ncias de <em>Habemus Papam</em>, unindo o religioso e o laico, o Vaticano e a vida real, &#xE9; um profundo humanismo, traduzido pela can&#xE7;&#xE3;o <em>Todo Cambia </em>(Tudo Muda), do chileno Julio Numhauser, na voz poderosa da argentina Mercedes Sosa, que inunda o momento epif&#xE2;nico do filme. Moretti pode zombar do cristianismo, da psican&#xE1;lise e do marxismo, mas parece ter preservado o melhor que cada uma dessas cren&#xE7;as tem ou tinha a oferecer, respectivamente o amor ao pr&#xF3;ximo, o desejo de autoconhecimento e a vontade de mudar o mundo.</p> <div class="descricao-autor"> <p> <strong>Jos&#xE9; Geraldo Couto</strong> &#xE9; cr&#xED;tico de cinema e assina a coluna Jos&#xE9; Geraldo Couto: No Cinema em blogdoims.uol.com.br.</p> </div><div class="onde-quando"> <p> <strong>O FILME</strong></p> <p> <em>Habemus Papam</em>, de Nanni Moretti. Com Nanni Moretti, Michel Piccoli. Estreia prevista para este m&#xEA;s.</p> </div> Novo filme do italiano Nanni Moretti coloca o papa no divã para desconstruir o poder da religião e da ciência 2012-02-17T12:00:00-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 174 - Fevereiro 2012 Novo filme do italiano Nanni Moretti coloca o papa no divã para desconstruir o poder da religião e da ciência Cinema BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/por-que "Por Quê?" 2012-02-03T15:28:19-02:00 Paulo Roberto Pires <p> <em>Precisamos Falar Sobre o Kevin</em> est&#xE1; em algum lugar entre a trag&#xE9;dia e o filme de terror. Como no g&#xEA;nero fundador do teatro ocidental, ficamos diante de personagens entregues &#xE0; a&#xE7;&#xE3;o devastadora do destino, que tudo arrasta para um confronto com for&#xE7;as essenciais e violentas, raramente resultando em final feliz. E, a exemplo da est&#xE9;tica do susto, atravessamos seus 112 minutos tensos e intrigados, sem querer acreditar no que sabemos que de fato vai acontecer e, sobretudo, sem querer ver o que nos &#xE9; mostrado com bem dosada crueza.</p> <p> Revelar aqui o fim do personagem-t&#xED;tulo n&#xE3;o estraga a surpresa: adolescente de classe m&#xE9;dia alta, Kevin perpetra um assassinato em s&#xE9;rie na escola, em um buc&#xF3;lico sub&#xFA;rbio norte-americano. Conduzindo a narrativa como uma colagem de tempos &#x2013; e n&#xE3;o como um mero flashback &#x2013;, a diretora brit&#xE2;nica Lynne Ramsay observa de perto a vida de Eva Khatchadourian, escritora de livros de viagem e talvez a mais solit&#xE1;ria sobrevivente do massacre: ela &#xE9; a m&#xE3;e de Kevin.</p> <p> O que importa, portanto, n&#xE3;o &#xE9; saber o que acontece, mas como acontece. E a&#xED; <em>Precisamos Falar Sobre o Kevin</em> mostra sua originalidade. A base dos superlativos &#xEA;xitos de Lynne Ramsay &#xE9; a decis&#xE3;o de adaptar o livro hom&#xF4;nimo de Lionel Shriver, editado no Brasil pela Intr&#xED;nseca. Vencedor em 2005 do Orange Prize, pr&#xEA;mio ingl&#xEA;s dedicado &#xE0; fic&#xE7;&#xE3;o escrita por mulheres, o romance da escritora norte-americana &#xE9; uma engenhosa vis&#xE3;o da trag&#xE9;dia, narrada por meio de cartas que Eva dirige ao marido. Envolvente nos detalhes, o texto tem uma qualidade paradoxal: ainda altamente emocional, n&#xE3;o h&#xE1; nele nem uma &#xFA;nica derrapada no sentimentalismo.</p> <p> &#xC9; esse ponto de vista, a um s&#xF3; tempo engajado e distante, que Lynne consegue recriar num roteiro excepcional. Pois duas tenta&#xE7;&#xF5;es rondam um epis&#xF3;dio dessa natureza. A primeira, o psicologismo, que confunde a liberdade pr&#xF3;pria da fic&#xE7;&#xE3;o como &#xE1;libi para &#x201C;entrar na cabe&#xE7;a&#x201D; de um sociopata e fabular suas motiva&#xE7;&#xF5;es. A segunda, o realismo pseudodocument&#xE1;rio, que faria do fetiche de reconstitui&#xE7;&#xF5;es a exposi&#xE7;&#xE3;o de uma trag&#xE9;dia &#x201C;como ela &#xE9;&#x201D; &#x2013; ou seria.</p> <p> <strong>Uma bola, uma caixa de giz, o pres&#xED;dio</strong></p> <p> Do livro para o filme, Eva deixa de ser a narradora para ser observada por uma c&#xE2;mera imparcial &#x2013; e, para aguentar esse tranco, s&#xF3; mesmo a soberba atriz inglesa Tilda Swinton. Como num pesadelo, desfilam momentos cruciais em sua vida: a juventude leve e liberta, o amor bo&#xEA;mio com Franklin (John C. Reilly), o casamento, a indesejada gravidez de Kevin, a exaust&#xE3;o f&#xED;sica e psicol&#xF3;gica da maternidade, a mudan&#xE7;a for&#xE7;ada da amada Nova York para um sub&#xFA;rbio idealizado a fim de &#x201C;criar os filhos&#x201D;.</p> <p> &#xC9; importante observar que o filme &#xE9; permeado, sem feminismos de almanaque, pelas intemp&#xE9;ries da condi&#xE7;&#xE3;o feminina. Sobretudo na exig&#xEA;ncia de a mulher conformar-se &#xE0; procria&#xE7;&#xE3;o, assunto desconfort&#xE1;vel ainda hoje, mais de 30 anos depois de a francesa Elisabeth Badinter ter lan&#xE7;ado o petardo <em>Um Amor Conquistado &#x2013; O Mito do Amor Materno</em>, estudo que mostra como se construiu historicamente um suposto &#x201C;instinto&#x201D; de maternidade.</p> <p> Insidiosamente, o que se instaura &#xE9; um desentendimento primordial entre m&#xE3;e e filho, agravado pela chegada de Celia (Ashley Gerasimovich), nova filha n&#xE3;o planejada. Numa narrativa em que nada se desperdi&#xE7;a, Lynne cria cenas sim&#xE9;tricas desses enfrentamentos entre Eva e Kevin (vivido assustadoramente por Ezra Miller na adolesc&#xEA;ncia e por Jasper Newell e Rock Duer em fases distintas da inf&#xE2;ncia). Em tempos diferentes, os dois est&#xE3;o frente a frente, separados por uma bola, uma caixa de giz de cera, a mesa de um restaurante ou o parlat&#xF3;rio de um pres&#xED;dio: h&#xE1; uma tens&#xE3;o insuport&#xE1;vel, de poucas e duras palavras e olhares desafiantes. H&#xE1;, tamb&#xE9;m, analogias visuais e sonoras, com a m&#xFA;sica e os ru&#xED;dos do ambiente transformados em personagens e uma meticulosa explora&#xE7;&#xE3;o visual do vermelho &#x2013; em tomates, geleia, cartazes, figurinos e sangue.</p> <p> <strong>Nem Michael Moore nem Gus van Sant</strong></p> <p> O que sai da&#xED; &#xE9; uma fieira de perguntas perturbadoras: as explos&#xF5;es de viol&#xEA;ncia do adolescente nascem das pirra&#xE7;as da crian&#xE7;a? Kevin torna-se quem &#xE9; por um protesto radical ao suposto desamor da m&#xE3;e? Ao negar a maternidade como um destino, Eva torna-se um monstro? Coadjuvante na vida familiar, o pai &#xE9; amoroso ou fraco? O quanto de manipula&#xE7;&#xE3;o suporta uma rela&#xE7;&#xE3;o entre pais e filhos? O ovo da serpente est&#xE1; no meio da fam&#xED;lia ou na sociedade?</p> <p> Na areia movedi&#xE7;a das perspectivas, o filme sustenta n&#xE3;o haver ch&#xE3;o seguro. Todos seriam, em alguma medida, v&#xED;timas e algozes. N&#xE3;o h&#xE1; aqui, para citar dois filmes com situa&#xE7;&#xF5;es semelhantes, a resposta populista de um Michael Moore, que em <em>Tiros em Columbine</em> (2002) responsabiliza o armamentismo da sociedade norte-americana pelo massacre que dois adolescentes realizaram em 1999 na escola do Colorado, nem a estetiza&#xE7;&#xE3;o do universo jovem como em <em>Elefante </em>(2003), do norte-americano Gus Van Sant.</p> <p> A singularidade de <em>Precisamos Falar Sobre o Kevin</em> est&#xE1; em mostrar que, no centro do radicalmente disfuncional, n&#xE3;o se encontra apenas a complexidade do humano ou a a&#xE7;&#xE3;o destrutiva da sociedade, mas uma &#xE1;rea de opacidade que resiste &#xE0;s interpreta&#xE7;&#xF5;es. Por isso, Kevin n&#xE3;o &#xE9; nem mesmo um arqu&#xE9;tipo poss&#xED;vel para personagens semelhantes e terrivelmente presentes no notici&#xE1;rio. H&#xE1; nele algo de irredut&#xED;vel &#xE0;s generaliza&#xE7;&#xF5;es. Ao, por exemplo, nome&#xE1;-lo &#x201C;monstro&#x201D; e responsabilizar sua m&#xE3;e pela trag&#xE9;dia, a sociedade resolve seu problema, reafirma sua suposta normalidade &#x2013; mas n&#xE3;o chega ao lugar essencial e desde sempre inacess&#xED;vel.</p> <p> Em dado momento, Eva est&#xE1; perplexa ao descobrir que Kevin coleciona v&#xED;rus de computador. &#x201C;Qual o prop&#xF3;sito?&#x201D;, pergunta ela, no di&#xE1;logo que resume esse filme brilhante e perturbador. &#x201C;N&#xE3;o h&#xE1; nenhum prop&#xF3;sito&#x201D;, responde ele. &#x201C;Esse &#xE9; o prop&#xF3;sito&#x201D;.</p> <div class="descricao-autor"> <p> <strong>Paulo Roberto Pires</strong> &#xE9; jornalista e escritor, autor dos romances Do Amor Ausente e Se Um de N&#xF3;s Dois Morrer.</p> </div><div class="onde-quando"> <p> <strong>O FILME</strong></p> <p> <em>Precisamos Falar Sobre o Kevin</em>, de Lynne Ramsay. Com Tilda Swinton, John C. Reilly, Ezra Miller. Em cartaz nos cinemas.</p> </div> <p> &#xA0;</p> A pergunta, feita pela mãe a seu filho assassino no filme “Precisamos Falar sobre o Kevin”, norteia a trama, uma tragédia em que todos são ao mesmo tempo vítimas e algozes 2012-02-03T11:33:48-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 174 - Fevereiro 2012 A pergunta, feita pela mãe a seu filho assassino no filme “Precisamos Falar sobre o Kevin”, norteia a trama, uma tragédia em que todos são ao mesmo tempo vítimas e algozes Cinema BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/declaracao-de-amor Declaração de Amor 2012-02-02T15:15:39-02:00 Ana Paula Sousa <p> Ao saber que se tratava de um filme mudo, em preto e branco, os jornalistas e convidados da sess&#xE3;o de <em>O Artista</em>, no Festival de Cannes, no ano passado, ficaram com um p&#xE9; atr&#xE1;s. Dez minutos de proje&#xE7;&#xE3;o foram suficientes para que o temor se dissipasse e, no lugar do suposto t&#xE9;dio, a plateia experimentasse as gargalhadas. Come&#xE7;ava a bem-sucedida carreira do longa dirigido pelo franc&#xEA;s Michel Hazanavicius. De Cannes, a produ&#xE7;&#xE3;o saiu com o pr&#xEA;mio de melhor ator para o protagonista, Jean Dujardin. Viriam depois tr&#xEA;s Globos de Ouro (melhor filme e melhor ator na categoria musical ou com&#xE9;dia e melhor trilha sonora), conquistados em janeiro, feito in&#xE9;dito para um longa franc&#xEA;s.</p> <p> &#x201C;Acho que fiz um filme modesto. Queria que fosse visto como uma hist&#xF3;ria de amor&#x201D;, disse o cineasta. O adjetivo &#x201C;modesto&#x201D; talvez tenha sido exagerado &#x2013; a defini&#xE7;&#xE3;o de g&#xEA;nero, por&#xE9;m, foi precisa. <em>O Artista</em>, que se desenvolve entre 1927 e 1933, conta a hist&#xF3;ria de dois amores: aquele vivido entre os atores George Valentin (Dujardin) e Peppy Miller (B&#xE9;r&#xE9;nice Bejo) e o de Hazanavicius por seu of&#xED;cio. Sua paix&#xE3;o pelas imagens em movimento transborda pela tela e desperta, tamb&#xE9;m, a por&#xE7;&#xE3;o cin&#xE9;fila de cada um de n&#xF3;s.</p> <p> O Artista tem a capacidade de fazer com que os espectadores se sintam seduzidos pelo cinema. N&#xE3;o &#xE9; de surpreender que tenha ca&#xED;do nas gra&#xE7;as dos cr&#xED;ticos da ind&#xFA;stria de Hollywood. H&#xE1; um fiapo de cada um deles nos personagens centrais: o astro Valentin, dono de um sorriso &#xE0; la Rodolfo Valentino e um bigode de Douglas Fairbanks, e a aspirante ao estrelato Peppy. Os dois caminham com ritmo chapliniano e a evidente refer&#xEA;ncia ao mestre ingl&#xEA;s &#xE9; uma das chaves para o sucesso da produ&#xE7;&#xE3;o: um pouco como faz Quentin Tarantino, Hazanavicius retorna ao cinema mudo seguindo toda a sua cartilha, &#xE0;s vezes exagerando em algumas das regras, quando ent&#xE3;o nos faz rir. Impressiona o seu virtuosismo. Da entrada das cartelas de di&#xE1;logos &#xE0;s cenas panor&#xE2;micas, tudo em <em>O Artista</em> nos coloca em um improv&#xE1;vel t&#xFA;nel do tempo.</p> <p> &#xC9; impag&#xE1;vel, por exemplo, a passagem em que Valentin, estupefato, ouve o barulho dos objetos caindo, os saltos femininos batendo no ch&#xE3;o. O som chegou. N&#xF3;s, na plateia, ouvimos esses ru&#xED;dos todos, mas, de repente, Valentin move os l&#xE1;bios e, de sua boca, as palavras n&#xE3;o saem. &#x201C;Eu n&#xE3;o queria me levar a s&#xE9;rio demais&#x201D;, diz o diretor para explicar a cena intencionalmente bizarra. &#x201C;N&#xE3;o queria fazer um filme nost&#xE1;lgico. Ao contr&#xE1;rio. Queria mostrar que a gente tem de se adaptar &#xE0;s mudan&#xE7;as&#x201D;, defendeu ao falar sobre a derrocada de Valentin a partir do momento em que os filmes entram em uma nova era.</p> <p> <strong>TONS DE CINZA</strong></p> <p> <em>O Artista</em>, nesse sentido, &#xE9; parente de dois cl&#xE1;ssicos: <em>O Crep&#xFA;sculo dos Deuses</em> (1950), de Billy Wilder, e <em>Cantando na Chuva </em>(1952), de Stanley Donen e Gene Kelly. Esses n&#xE3;o foram, no entanto, os t&#xED;tulos de cabeceira de Hazanavicius durante o projeto: &#x201C;Eu vi filmes da era muda. Vi John Ford, Fritz Lang e Tod Browning&#x201D;, enumerou. &#x201C;Tive de respeitar as regras desse cinema. O uso de v&#xE1;rios tons de cinza era importante porque, quando n&#xE3;o se tem a fala, qualquer detalhe t&#xE9;cnico ajuda a criar nuances.&#x201D;Ao retornar &#xE0; pr&#xE9;-hist&#xF3;ria do cinema, Hazanavicius nos leva ao tempo de certa ingenuidade, em que o cinema era crian&#xE7;a. E &#xE9; fascinante descobrir que, mesmo diante da tenta&#xE7;&#xE3;o do 3D, ainda somos capazes de embarcar em uma fantasia silenciosa.</p> <div class="descricao-autor"> <p> <strong>Ana Paula Sousa</strong> &#xE9; cr&#xED;tica de cinema e redatora-chefe da revista Harper&#x2019;s Bazaar.</p> </div><div class="onde-quando"> <p> <strong>O FILME</strong></p> <p> <em>O Artista</em>, de Michel Hazanavicius. Com Jean Dujardin e B&#xE9;r&#xE9;nice Bejo. Estreia neste m&#xEA;s.</p> </div> Em “O Artista”, o diretor francês Michel Hazanavicius retorna à era do cinema mudo e prova que ainda somos capazes de nos emocionar com uma fantasia silenciosa 2012-02-02T15:05:56-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 174 - Fevereiro 2012 Em “O Artista”, o diretor francês Michel Hazanavicius retorna à era do cinema mudo e prova que ainda somos capazes de nos emocionar com uma fantasia silenciosa Cinema BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/centrifuga-de-influencias Centrífuga de Influências 2012-01-27T15:33:23-02:00 Neusa Barbosa <p> Dois dinamarqueses abalaram o Festival de Cannes do ano passado: Lars Von Trier e Nicolas Winding Refn. Os diretores competiam pela Palma de Ouro, Von Trier com <em>Melancolia</em> e Refn com <em>Drive</em>. Levou a melhor quem falou menos &#x2013; no caso, Refn, que conquistou o trof&#xE9;u de melhor dire&#xE7;&#xE3;o enquanto Von Trier gastava seu tempo explicando suas bizarras declara&#xE7;&#xF5;es de que &#x201C;entendia Hitler&#x201D;.</p> <p> Nascido em Copenhagen, mas criado em Nova York, Refn &#x2013; conhecido por trabalhos europeus, como <em>Pusher</em>, de 1996, e <em>O Guerreiro Silencioso</em>, de 2009, lan&#xE7;ados no Brasil em DVD &#x2013; imprime uma adrenalina invej&#xE1;vel na condu&#xE7;&#xE3;o desse thriller, que marca sua estreia em Hollywood. O filme, que entra em cartaz neste m&#xEA;s por aqui, acompanha um h&#xE1;bil motorista e dubl&#xEA;, vivido pelo canadense Ryan Gosling e sintomaticamente chamado apenas de Driver. Homem de pouqu&#xED;ssimas palavras, ele se expressa quase que somente pela per&#xED;cia na dire&#xE7;&#xE3;o de autom&#xF3;veis, que tamb&#xE9;m conserta de olhos fechados. Sua rapidez atr&#xE1;s do volante torna-o candidato ideal para alguns servi&#xE7;os extras arriscados e muito bem pagos, como o de c&#xFA;mplice que recolhe assaltantes &#xE1;vidos para deixar uma cena de crime, mas n&#xE3;o tolera deles um minuto de atraso.</p> <p> <strong>Mestre ninja perdido no tempo</strong></p> <p> Apegando-se a poucos princ&#xED;pios de uma &#xE9;tica particular, na fronteira da legalidade, Driver esconde atr&#xE1;s do rosto de pedra uma natureza cavalheiresca. No fundo, &#xE9; uma esp&#xE9;cie de mestre ninja perdido no tempo, identidade que deixa escapar em alguns sinais, como sua jaqueta de inspira&#xE7;&#xE3;o oriental, com um escorpi&#xE3;o desenhado nas costas. Essa nobreza oculta encontra vaz&#xE3;o quando ele conhece uma vizinha, Irene, interpretada pela inglesa Carey Mulligan, e seu pequeno filho, Benicio (Kaden Leos), cujo respectivo pai, Standard (Oscar Isaacs), est&#xE1; na cadeia.</p> <p> Desabrochando inteiro para Irene e o filho, o instinto protetor de Driver tempera uma trama recheada de viol&#xEA;ncia, em torno de um assalto fracassado, uma mala de dinheiro, um agiota (Albert Brooks) e um mafioso (Ron Perlman). O suspense &#xE9; garantido pela altern&#xE2;ncia de sensacionais persegui&#xE7;&#xF5;es e cenas em que a tens&#xE3;o &#xE9; meticulosamente derramada, como a impag&#xE1;vel descida num elevador ocupado apenas por Driver, Irene e um matador.</p> <p> Visivelmente, Refn &#xE9; uma centr&#xED;fuga de influ&#xEA;ncias, que passam pelos filmes dos norte-americanos Steve McQueen e Clint Eastwood, com uma parada em Quentin Tarantino e no ingl&#xEA;s Guy Ritchie. Entretanto, &#xE9; justo observar que ele absorveu tudo, metabolizou e assinou embaixo porque o filme &#xE9; seu e de mais ningu&#xE9;m.</p> <div class="descricao-autor"> <p> <strong>Neusa Barbosa </strong>&#xE9; cr&#xED;tica de cinema.</p> </div><div class="onde-quando"> <p> <strong>O FILME</strong></p> <p> <em>Drive</em>, de Nicolas Winding Refn. Com Ryan Gosling, Carey Mulligan, Oscar Isaacs. Estreia neste m&#xEA;s.</p> </div> Primeira produção norte-americana do dinamarquês Nicolas Winding Refn, “Drive” renova o gênero thriller ao combinar estilos tão diversos quanto os de Clint Eastwood e Tarantino 2012-01-27T15:32:27-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 173 - Janeiro 2012 Primeira produção norte-americana do dinamarquês Nicolas Winding Refn, “Drive” renova o gênero thriller ao combinar estilos tão diversos quanto os de Clint Eastwood e Tarantino Cinema BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/nossas-apostas Nossas Apostas 2012-01-27T15:07:06-02:00 Redação <p> No dia 24 de fevereiro, a Academia de Hollywood anunciou os indicados ao Oscar 2012. Os jornalistas Paulo Roberto Pires, Neusa Barbosa e Ana Paula Sousa avaliam os concorrentes ao pr&#xEA;mio - que ser&#xE1; entregue no dia 26 de fevereiro - e comentam a festa do ano passado , quando <em>O Discurso do Rei </em>recebeu quatro estatuetas, entre elas, a de melhor filme.</p> <p> Paulo Roberto Pires:</p> <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="81" width="100%"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="https://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F34594244&amp;show_comments=true&amp;auto_play=false&amp;color=fcff00"/><embed allowscriptaccess="always" height="81" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="https://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F34594244&amp;show_comments=true&amp;auto_play=false&amp;color=fcff00" type="application/x-shockwave-flash" width="100%"/></object></p> <p> &#xA0;</p> <p> Neusa Barbosa:</p> <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="81" width="100%"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="https://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F34594474&amp;show_comments=true&amp;auto_play=false&amp;color=fcff00"/><embed allowscriptaccess="always" height="81" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="https://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F34594474&amp;show_comments=true&amp;auto_play=false&amp;color=fcff00" type="application/x-shockwave-flash" width="100%"/></object></p> <p> &#xA0;</p> <p> Ana Paula Sousa:</p> <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="81" width="100%"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="https://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F34594352&amp;show_comments=true&amp;auto_play=false&amp;color=fcff00"/><embed allowscriptaccess="always" height="81" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="https://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F34594352&amp;show_comments=true&amp;auto_play=false&amp;color=fcff00" type="application/x-shockwave-flash" width="100%"/></object></p> <p> &#xA0;</p> <p> Leia a mat&#xE9;ria <em>Declara&#xE7;&#xE3;o de Amor </em>sobre o filme <em>O Artista</em>, que concorre a 10 estatuetas no Oscar 2012, na edi&#xE7;&#xE3;o de fevereiro / 174.</p> Críticos de <strong>BRAVO!</strong> comentam lista de indicados ao Oscar 2012 2012-01-26T12:09:09-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Fevereiro de 2012 Críticos de BRAVO! comentam lista de indicados ao Oscar 2012 Cinema BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/atracao-e-repulsa Atração e Repulsa 2012-01-26T13:04:26-02:00 Lourenço Mutarelli <p> Abaixo, ele expressa graficamente o que sentiu</p> <p> <img src="http://imgms.bravonline.abril.com.br/17/173-ci-mutar-hq-1-ee.jpg" alt="173-ci-mutar-hq-1"/></p> <p> <img src="http://imgms.bravonline.abril.com.br/17/173-ci-mutar-hq-2.jpg" alt="173-ci-mutar-hq-2"/></p> Depois de ver o filme de Spielberg a convite de BRAVO!, o quadrinista <strong>Lourenço Mutarelli</strong> ficou confuso: por um lado, gostou (“As cores me impressionaram”) e, por outro, detestou (“Há exageros desnecessários na trama”). 2012-01-26T13:03:05-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 173 - Janeiro 2012 Depois de ver o filme de Spielberg a convite de BRAVO!, o quadrinista Lourenço Mutarelli ficou confuso: por um lado, gostou (“As cores me impressionaram”) e, por outro, detestou (“Há exageros desnecessários na trama”). Cinema BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/um-heroi-pueril-na-era-digital Um Herói Pueril na era Digital 2012-01-20T13:02:31-02:00 Paulo Nogueira <p> Em 1983, meses antes de morrer, o belga Georges Remi, conhecido como Herg&#xE9; e criador das aventuras do cultuado rep&#xF3;rter Tintim, declarou: &#x201C;Se algu&#xE9;m consegue transpor adequadamente essas hist&#xF3;rias para o cinema, &#xE9; o norte-americano Steven Spielberg&#x201D;. Na &#xE9;poca, o diretor rodava seu segundo <em>Indiana Jones</em>, uma esp&#xE9;cie de suced&#xE2;neo adulto do jovem personagem de Herg&#xE9;. Quase 30 anos depois, Tintim est&#xE1; na tela grande &#x2013; e pelas m&#xE3;os de Spielberg. Mas n&#xE3;o exatamente do jeito previsto por seu idealizador. Com um vasto arsenal tecnol&#xF3;gico &#xE0; disposi&#xE7;&#xE3;o, o cineasta se sentiu &#xE0; vontade para imprimir uma boa dose de realismo ao her&#xF3;i.</p> <p> Basta descrever uma cena, no come&#xE7;o do longa de anima&#xE7;&#xE3;o, em que o pr&#xF3;prio Herg&#xE9; surge como um caricaturista de rua, esbo&#xE7;ando o rep&#xF3;rter para o diretor. Ouve-se uma exclama&#xE7;&#xE3;o, provavelmente do pr&#xF3;prio cineasta: &#x201C;Nada mal!&#x201D; Trata-se de um rito de passagem. Spielberg assume o leme do gale&#xE3;o Unic&#xF3;rnio. Fica entendido: &#xE1;guas v&#xE3;o rolar.</p> <p> A vers&#xE3;o cinematogr&#xE1;fica, intitulada <em>As Aventuras de Tintim: O Segredo do Licorne</em>, que estreia neste m&#xEA;s no Brasil e baseia-se em tr&#xEA;s hist&#xF3;rias &#x2013; <em>O Caranguejo das Tenazes de Ouro </em>(1941), <em>O Tesouro de Rackham </em>(1945) e <em>O Segredo do Licorne</em> (1943) propriamente dito &#x2013;, aparece banhada em t&#xE9;cnicas que a HQ n&#xE3;o permite e que o cinema at&#xE9; h&#xE1; pouco ignorava. Dois exemplos: o 3-D e a <em>motion capture animation, </em>recurso que transforma, no computador, os atores em criaturas animadas (no caso do protagonista, quem lhe empresta o corpo &#xE9; o ingl&#xEA;s Jamie Bell). Ou seja, Spielberg mobiliza os &#xFA;ltimos recursos da tecnologia para conferir a Tintim tridimensionalidade n&#xE3;o apenas gr&#xE1;fica mas tamb&#xE9;m pessoal. O rep&#xF3;rter deixa de ser apenas uma &#x201C;persona&#x201D; com cacoetes reconhec&#xED;veis e se torna uma pessoa prism&#xE1;tica &#x2013; a identidade refletida nas express&#xF5;es faciais muito mais realistas.</p> <p> Mesmo assim, por baixo do verniz do avatar moderno, prevalecem os crit&#xE9;rios mais importantes de enredo, personagens e di&#xE1;logos. E notamos que aquilo que temos &#xE0; nossa frente (por vezes, ao nosso lado ou acima, gra&#xE7;as ao 3-D) &#xE9; uma odisseia antiquada, de paragens ex&#xF3;ticas, a&#xE7;&#xE3;o esbaforida e um her&#xF3;i que brada coisas como &#x201C;Com mil dem&#xF4;nios!&#x201D; &#x2013; sem um laivo de ironia p&#xF3;s-moderna.</p> <p> <strong>Inf&#xE2;ncia Chata</strong></p> <p> As 23 aventuras completas de Tintim, que v&#xE3;o de <em>O Pa&#xED;s dos Sovietes </em>(1930) a <em>Os P&#xED;caros </em>(1976), venderam ao todo 300 milh&#xF5;es de exemplares no mundo, at&#xE9; o lan&#xE7;amento do longa. O personagem, que come&#xE7;ou em folhetins, nos anos 50 ganhou uma revista pr&#xF3;pria e, logo depois, capa dura para as hist&#xF3;rias exclusivas. Herg&#xE9;, para o bem e para o mal, foi um produto da tacanha burguesia cat&#xF3;lica de Bruxelas. O seu principal bi&#xF3;grafo, Harry Thompson, chama assim o segundo cap&#xED;tulo do livro <em>Herg&#xE9; and His Creation</em> (Herg&#xE9; e Sua Cria&#xE7;&#xE3;o): <em>Herg&#xE9; e a Inf&#xE2;ncia Inacreditavelmente Chata</em>. Uma vulgata psicanal&#xED;tica diria que ele inventou sua obra para se vingar daquela zica. Foi escoteiro e criou Totor, um proto-Tintim, para o jornal <em>Le Boy Scout Belge</em>. H&#xE1; em Tintim o esp&#xED;rito alerta para aventuras e o anseio da &#x201C;boa a&#xE7;&#xE3;o&#x201D;. Mas, diferentemente do gregarismo dos escoteiros, o rep&#xF3;rter age sozinho ou, no m&#xE1;ximo, com seu anjo da guarda bebum, que &#xE9; o Capit&#xE3;o Haddock (o cachorro Milu &#xE9; irracional, embora por vezes fale).</p> <p> Os desafetos de Herg&#xE9; derivam de raz&#xF5;es pol&#xED;ticas. Em 1925, o artista trabalhou para um jornal conservador, o <em>Vingti&#xE9;me Si&#xE8;cle</em>, cujo diretor queria que Tintim revelasse aos belgas os perigos do bolchevismo. O personagem viajou para o Congo, onde os negros foram retratados em atitudes entre a bo&#xE7;alidade e a indol&#xEA;ncia. Herg&#xE9; redesenhou a trama em 1946. Na obra original, por&#xE9;m, Tintim chega a entrar numa escola e saudar os alunos nativos: &#x201C;Crian&#xE7;as, hoje vou-lhes falar sobre a p&#xE1;tria de voc&#xEA;s, a B&#xE9;lgica!&#x201D;</p> <p> Mas &#xE9; bom lembrar que, da primeira &#xE0; &#xFA;ltima aventura, reina no mundo de Tintim o princ&#xED;pio do prazer. E esse prazer, quer no Tintim de Herg&#xE9; quer no de Spielberg, &#xE9; o da pr&#xE9;-sexualidade. O personagem mede 1,45 m e, como Peter Pan, n&#xE3;o ganha um p&#xE9; de galinha em 40 anos. Sexo? Passa a vida com homens solteiros e sem namorada. Ele &#xE9; do tempo em que a inf&#xE2;ncia podia ser pueril e um pr&#xE9;-adolescente n&#xE3;o precisava ser pri&#xE1;pico. (Para depois, quando a hora chegar, conseguir ser realmente maduro.) Veste-se sempre do mesmo jeito, com aquela cal&#xE7;a de golfista &#x2013; nele, o anacronismo n&#xE3;o parece obsoleto. Tudo o que Tintim quer &#xE9; brincar. O mundo como parque de divers&#xF5;es, com alguns sustos para amplificar o prazer. Enfim, a inf&#xE2;ncia recuperada, uma crian&#xE7;a que se embrenha em selvas e abismos, e n&#xE3;o num monitor de TV, computador ou iPad<strong>.</strong></p> <div class="descricao-autor"> <p> <strong>Paulo Nogueira </strong>&#xE9; jornalista e escritor, autor do romance O Suicida Feliz, entre outros.</p> </div><div class="onde-quando"> <p> <strong>O FILME</strong></p> <p> <em>As Aventuras de Tintim: O Segredo do Licorne,</em> de Steven Spielberg e Peter Jackson. Com Jamie Bell e Daniel Craig. Estreia neste m&#xEA;s.</p> </div> Em “<strong>As Aventuras de Tintim</strong>”, Spielberg recorre à tecnologia para dar feições realistas ao jovem repórter – que não perde a ingenuidade do passado e continua bradando coisas como “Com mil demônios!” 2012-01-20T13:02:31-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 173 - Janeiro 2012 Em “As Aventuras de Tintim”, Spielberg recorre à tecnologia para dar feições realistas ao jovem repórter – que não perde a ingenuidade do passado e continua bradando coisas como “Com mil demônios!” Cinema BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/fa-inveterado Fã inveterado 2012-01-11T16:13:57-02:00 Redação <p> Quando soube da adora&#xE7;&#xE3;o de Louren&#xE7;o Mutarelli pelo rep&#xF3;rter Tintim, cria&#xE7;&#xE3;o do belga Herg&#xE9;, <strong>BRAVO!</strong> convidou o quadrinista para assistir ao filme de Steven Spielberg, <em>As Aventuras de Tintim</em>. Em um podcast, o autor paulistano fala de sua rela&#xE7;&#xE3;o com o personagem, por quem &#xE9; aficionado desde os 10 anos.</p> <p> Ou&#xE7;a o coment&#xE1;rio:</p> <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="81" width="100%"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="https://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F33079575&amp;show_comments=true&amp;auto_play=false&amp;color=fcff00"/><embed allowscriptaccess="always" height="81" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="https://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F33079575&amp;show_comments=true&amp;auto_play=false&amp;color=fcff00" type="application/x-shockwave-flash" width="100%"/></object></p> <p> Confira a cr&#xED;tica em HQ sobre o filme <em>As Aventuras de Tintim</em> na edi&#xE7;&#xE3;o de janeiro / 173</p> O quadrinista Lourenço Mutarelli fala sobre sua relação com o personagem Tintim e comenta a adaptação de Steven Spielberg que estreia dia 20 nos cinemas 2012-01-11T15:24:08-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Janeiro de 2012 O quadrinista Lourenço Mutarelli fala sobre sua relação com o personagem Tintim e comenta a adaptação de Steven Spielberg que estreia dia 20 nos cinemas Cinema BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/habito-antigo Hábito antigo 2012-01-11T13:16:06-02:00 Redação <p> Em <em>O Palha&#xE7;o</em>, seu segundo longa-metragem como diretor, Selton Mello mant&#xE9;m o h&#xE1;bito que tem se tornado uma de suas marcas: o resgate de atores afastados do m&#xE9;tier. Entre os integrantes do elenco est&#xE3;o o m&#xFA;sico Moacyr Franco e o comediante Ferrugem. Essa postura teve in&#xED;cio durante o programa de entrevistas Tarja Preta, comandado por Selton no Canal Brasil entre 2004 e 2009. Ali, o humorista Jorge Loredo, que se tornou conhecido pela cria&#xE7;&#xE3;o do personagem Z&#xE9; Bonitinho, hoje no elenco de <em>A Pra&#xE7;a &#xC9; Nossa</em>, foi escalado como protagonista do curta <em>Quanto o Tempo Cair</em>. A partir da conversa, na qual Loredo declarou que n&#xE3;o fazia cinema por n&#xE3;o ser convidado, Selton criou um roteiro sobre um idoso que n&#xE3;o conseguia retornar ao mercado de trabalho. O depoimento de Darlene Gl&#xF3;ria, uma das musas do cinema novo, tamb&#xE9;m foi inspira&#xE7;&#xE3;o para que o diretor criasse um personagem para seu primeiro longa, <em>Feliz Natal</em> &#x2013; a atriz interpreta a m&#xE3;e de uma fam&#xED;lia disfuncional.</p> <p> Confira trechos das entrevistas abaixo:</p> <p> <a href="http://video.globo.com/Videos/Player/Entretenimento/0,,GIM1741931-7822-SELTON+E+JOSE+LOREDO,00.html" target="_blank"><img src="http://imgms.bravonline.abril.com.br/12/extra-selton-mello-1.jpg" alt="extra-selton-mello-1"/></a></p> <p> <a href="http://video.globo.com/Videos/Player/Entretenimento/0,,GIM1741931-7822-SELTON+E+JOSE+LOREDO,00.html"/></p> <p> <a href="http://video.globo.com/Videos/Player/Entretenimento/0,,GIM1032894-7822-DARLENE+GLORIA,00.html" target="_blank"><img src="http://imgms.bravonline.abril.com.br/12/extra-selton-mello-2.jpg" alt="extra-selton-mello-2"/></a></p> <p> &#xA0;</p> <p> Veja mat&#xE9;ria <em>O Sedutor</em>, sobre a dire&#xE7;&#xE3;o de Selton Mello no longa <em>O Palha&#xE7;o</em>, na edi&#xE7;&#xE3;o de janeiro /173.</p> Nos seus filmes, o mineiro Selton Mello costuma escalar para o elenco colegas afastados do cinema 2012-01-10T15:44:19-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Janeiro de 2012 Nos seus filmes, o mineiro Selton Mello costuma escalar para o elenco colegas afastados do cinema Cinema BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/o-sedutor O Sedutor 2012-01-11T13:15:49-02:00 Anna Rachel Ferreira e Nina Rahe <p> Em um pequeno audit&#xF3;rio, no bairro carioca da G&#xE1;vea, uma menina de cabelos longos e loiros est&#xE1; diante do ator e diretor Selton Mello. Depois de esperar por mais de uma hora ao lado de dezenas de outras crian&#xE7;as, Larissa Manoela segue as instru&#xE7;&#xF5;es do cineasta: pega uma espada e age como se fosse integrante de um circo, acostumada a esbarrar em palha&#xE7;os e acrobatas. Um m&#xEA;s depois desse encontro, no dia de seu anivers&#xE1;rio (28 de dezembro de 2009), a garota atende o telefone de casa, em S&#xE3;o Paulo. Do outro lado da linha, Selton lhe daria um presente e tanto: a confirma&#xE7;&#xE3;o de que havia passado no teste para viver a pequena Guilhermina no filme <em>O Palha&#xE7;o</em>. O longa-metragem estreou em outubro e j&#xE1; fez mais de 1,4 milh&#xE3;o de espectadores, tornando-se uma das surpresas cinematogr&#xE1;ficas de 2011.</p> <p> O fato de a not&#xED;cia chegar a Larissa pouco antes de come&#xE7;ar a sua festa de 9 anos n&#xE3;o foi uma coincid&#xEA;ncia. Selton esperou mesmo a data, uma aten&#xE7;&#xE3;o que pode ser interpretada como excessiva, mas n&#xE3;o excepcional. O diretor manteve uma rela&#xE7;&#xE3;o de intensa proximidade com cada ator de seu elenco. Eram trocas de presentes, elogios, cumplicidades, enfim, toda a sorte de delicadezas. Foi numa visita ao ator e amigo Paulo Jos&#xE9;, por exemplo, que a atriz Teuda Bara encontrou um pacote de cor parda, com o roteiro de <em>O Palha&#xE7;o</em>. Junto ao texto, um bilhete: &#x201C;Dona Za&#xED;ra foi escrita para voc&#xEA;. Espero que goste. Beijos, Selton Mello&#x201D;. J&#xE1; o convite a Tonico Pereira, colega de longa data, come&#xE7;ou com os seguintes dizeres: &#x201C;Lu&#xED;s da Gama, 23 anos, estudante de engenharia. Tenho muito apre&#xE7;o por seu pai&#x201D;. Tonico proferia as frases no filme <em>Guerra de Canudos</em> (1997), de que Selton tamb&#xE9;m participou. Mais de dez anos depois, o cineasta ainda recorda a fala e a repete sempre que v&#xEA; o amigo. &#x201C;&#xC9; uma brincadeira maravilhosa. Algo muito carinhoso da parte dele&#x201D;, diz Tonico.</p> <p> Tamanho cuidado com a equipe de <em>O Palha&#xE7;o</em> revelou-se uma das marcas mais fortes de Selton na dire&#xE7;&#xE3;o. Por meio de tais demonstra&#xE7;&#xF5;es de afeto, ele acabou criando relacionamentos que sobreviveram ao t&#xE9;rmino das filmagens. Se alguns cineastas obt&#xEA;m o controle com atitudes intimidadoras ou autorit&#xE1;rias, Selton prefere alcan&#xE7;&#xE1;-lo por meio da sedu&#xE7;&#xE3;o &#x2013; estrat&#xE9;gia que j&#xE1; se insinuava em <em>Feliz Natal</em>, seu primeiro longa, de 2008. &#x201C;&#xC9; mais f&#xE1;cil desrespeitar um diretor que vive dando esporro. O Selton te desarma e, se acontece alguma coisa de que ele n&#xE3;o gosta, &#xE9; s&#xF3; um olhar e acabou. Todo mundo respeita&#x201D;, diz o ator Paulo Guarnieri, que trabalhou em<em> Feliz Natal</em>.</p> <p> Para esta reportagem, <strong>BRAVO! </strong>conversou com 15 atores que j&#xE1; foram dirigidos por ele. Todos ainda mant&#xEA;m contato frequente com o cineasta. No document&#xE1;rio <em>Palha&#xE7;o.Doc</em>, de Marcelo Pontes, sobre o novo filme, Selton exp&#xF5;e o quanto se sente respons&#xE1;vel pela atmosfera no set: &#x201C;Dizem que o humor do palha&#xE7;o dita o humor do circo. Eu acho que, da mesma forma, o humor do diretor dita o humor do filme&#x201D;.</p> <p> <strong>Mapa Astral</strong></p> <p> Desde a cria&#xE7;&#xE3;o da p&#xE1;gina de <em>O Palha&#xE7;o</em> no Facebook, Selton se encarrega pessoalmente de quase todas as postagens. Dos 184 posts publicados nos &#xFA;ltimos tr&#xEA;s meses, 63 s&#xE3;o rever&#xEA;ncias do diretor aos envolvidos no processo. Diariamente, ele se lembra de sua equipe, com escritos que v&#xE3;o de felicita&#xE7;&#xF5;es de anivers&#xE1;rio a agradecimentos pela participa&#xE7;&#xE3;o no longa. Selton compartilhou, por exemplo, um v&#xED;deo dos cantores Moacyr Franco e Nelson Ned de 1976 e escreveu: &#x201C;Moacyr n&#xE3;o canta no filme. Preferi assim. Ele j&#xE1; est&#xE1; soberbo no papel de delegado&#x201D;. Quando <em>O Palha&#xE7;o</em> atingiu 1 milh&#xE3;o de espectadores, um texto de comemora&#xE7;&#xE3;o seguia a mesma linha: &#x201C;Fabiana Karla, queria que 1 milh&#xE3;o de pessoas soubessem que voc&#xEA; antes de tudo &#xE9; uma verdadeira atriz&#x201D;.</p> <p> &#x201C;Muitos integrantes da equipe comentaram que sentiram algo in&#xE9;dito durante as filmagens. Parecia que a V&#xE2;nia <em>(Catani, produtora)</em> e o Selton tinham contratado um astr&#xF3;logo e consultado o mapa astral de cada um para saber se ia dar certo&#x201D;, conta &#xC1;lamo Fac&#xF3;, um dos irm&#xE3;os Lorota, dupla de m&#xFA;sicos do circo fict&#xED;cio Esperan&#xE7;a. Para gravar uma das cenas mais delicadas do longa, na qual Benjamin &#x2013; incorporado pelo pr&#xF3;prio Selton &#x2013; decide abandonar o circo, o diretor pediu que os atores fossem mais cedo para o set. Quando chegaram, tocava a m&#xFA;sica <em>Aus&#xEA;ncia</em>, cantada por Cesaria Evora. Selton os abra&#xE7;ou coletivamente e, partindo desse abra&#xE7;o, cada um contou hist&#xF3;rias que julgavam importantes para sua vida. &#x201C;Acho que o Selton queria que v&#xED;ssemos que n&#xE3;o somos t&#xE3;o diferentes dos personagens de circo que interpret&#xE1;vamos&#x201D;, relembra &#xC1;lamo.</p> <p> Em grande parte das entrevistas que concedeu sobre <em>O Palha&#xE7;o</em>, Selton Mello mencionou a import&#xE2;ncia de Paulo Jos&#xE9; para a realiza&#xE7;&#xE3;o do trabalho (no filme, o veterano ator e diretor ga&#xFA;cho vive o dono do circo, Valdemar). Sua contribui&#xE7;&#xE3;o pode ser entendida pelo que aconteceu justamente naquela sequ&#xEA;ncia de despedida do personagem Benjamin. Embalado por Cesaria Evora, Selton estava bastante emocionado, e isso transpareceu em sua atua&#xE7;&#xE3;o. No dia seguinte, durante o caf&#xE9; da manh&#xE3;, Paulo lhe perguntou: &#x201C;Quando voc&#xEA; fez a cena, ser&#xE1; que era aquilo mesmo?&#x201D; Foi o suficiente para que Selton filmasse tudo novamente, de forma mais comedida. &#x201C;O Paulo foi elegante... Ele tem tamb&#xE9;m um olhar de diretor e, na hora, entendi que eu havia feito mais do que precisava&#x201D;, diz o cineasta.</p> <p> <strong>&#x201C;Jamais falaria sobre isso&#x201D;</strong></p> <p> Nem sempre, por&#xE9;m, essa atmosfera un&#xE2;nime de cumplicidade imperou na recente carreira de Selton como diretor. Um epis&#xF3;dio pol&#xEA;mico envolveu <em>Feliz Natal</em>, seu primeiro longa. Em 2008, pouco antes do lan&#xE7;amento do filme, o ator Pedro Cardoso leu na abertura de uma sess&#xE3;o do Festival do Rio um manifesto contra a nudez no cinema e na televis&#xE3;o. Em seu discurso, disse ser &#x201C;frequente que cineastas de primeiro filme exibam para seus amigos, em sess&#xF5;es priv&#xEA;, as cenas ousadas que conseguiram arrancar de determinada atriz&#x201D;. E declarou que o fato de namorar uma int&#xE9;rprete acentuou sua preocupa&#xE7;&#xE3;o, por ver a mulher que amava &#x201C;ter de se defender diariamente no trabalho contra a pornografia reinante&#x201D;. Sua namorada na &#xE9;poca era Graziella Moretto (hoje os dois est&#xE3;o casados), atriz que fez sua primeira cena de nudez no filme de Selton. Em resposta, o diretor publicou no site do longa: &#x201C;<em>Feliz Natal</em> foi concebido e realizado em um ambiente de harmonia, com todos os envolvidos trabalhando com respeito m&#xFA;tuo e delicadeza. Delicadeza &#xE9; o sentimento que reinou antes, durante e mesmo depois das filmagens, com manifesta&#xE7;&#xF5;es carinhosas trocadas entre toda a equipe e elenco&#x201D;. Tr&#xEA;s anos depois desse acontecimento, o assunto ainda &#xE9; um tabu. &#x201C;Jamais falaria sobre isso&#x201D;, diz o cineasta.</p> <p> Para Selton, seu diferencial &#xE9; ser um ator que dirige. &#x201C;J&#xE1; fui dirigido por gente atenciosa, meticulosa, sem paci&#xEA;ncia ou que me destratou. Sei como rendo melhor. Conhe&#xE7;o as minhas limita&#xE7;&#xF5;es e tamb&#xE9;m as de outros atores. Sei quem &#xE9; absolutamente intuitivo, quem precisa de conversa, quem n&#xE3;o gosta de ensaio. Existem v&#xE1;rios tipos de atores e eu conhe&#xE7;o esses tipos&#x201D;, explica.</p> <p> Outra marca de Selton &#xE9; o costume de trabalhar com amigos. Em quase todos os seus projetos, pode-se encontrar na ficha t&#xE9;cnica o roteirista Marcelo Vindicatto e os atores &#xC1;lvaro Diniz, Oberdan Jr. e Hossen Minussi. Os quatro, Selton e mais alguns outros se conheceram com pouco menos de 20 anos, no fim da d&#xE9;cada de 1980, quando cursavam teatro no tradicional O Tablado, do Rio de Janeiro. Desde ent&#xE3;o, o diretor mant&#xE9;m as mesmas amizades e, sempre que pode, as leva para seus projetos. Isso j&#xE1; era evidente no programa <em>Tarja Preta</em>, dirigido e apresentado por ele no Canal Brasil, de 2004 a 2009, com um intervalo em 2008. Os colegas apareciam em diferentes quadros que entrecortavam as entrevistas.</p> <p> Selton Mello j&#xE1; disse in&#xFA;meras vezes que sua escola de dire&#xE7;&#xE3;o foi o <em>Tarja Preta</em>. A afirma&#xE7;&#xE3;o &#xE9; justificada pelos cinco anos testando linguagens e pelas entrevistas com mais de 100 profissionais do cinema nacional: &#x201C;Eu sempre brincava que, depois desse tempo, poderia participar de um <em>quiz</em> sobre a cinematografia brasileira&#x201D;. O interesse pela dire&#xE7;&#xE3;o, no entanto, pode ter surgido bem antes. Seus amigos contam que era comum v&#xEA;-lo com uma filmadora, registrando improvisa&#xE7;&#xF5;es e brincadeiras. Ainda na adolesc&#xEA;ncia, chegou a dirigir um filme com Oberdan Jr. no elenco. &#x201C;Selton era o nosso Glauber. J&#xE1; perdi as contas de quantas vezes o vi com uma c&#xE2;mera nas m&#xE3;os&#x201D;, diz Vindicatto.</p> <p> Foi tamb&#xE9;m depois de uma das entrevistas realizadas no programa do Canal Brasil que Selton resolveu rodar seu primeiro curta-metragem, em 2006, chamado <em>Quando o Tempo Cair</em>. A hist&#xF3;ria de um velho aposentado, que precisa arrumar emprego para sustentar a fam&#xED;lia e n&#xE3;o consegue retornar ao mercado de trabalho, foi roteirizada ap&#xF3;s a declara&#xE7;&#xE3;o do ator e comediante Jorge Loredo de que n&#xE3;o fazia mais cinema por n&#xE3;o ser convidado &#x2013; no curta, ele &#xE9; o protagonista. O humorista tornou-se famoso ao criar o personagem Z&#xE9; Bonitinho, que hoje est&#xE1; no elenco de <em>A Pra&#xE7;a &#xC9; Nossa</em>, no SBT. Em<em> O Palha&#xE7;o</em>, Loredo interpreta o dono de uma loja de ventiladores. O ator, que tamb&#xE9;m foi sondado para fazer <em>Feliz Natal</em>, mas na &#xE9;poca n&#xE3;o p&#xF4;de participar por um problema de agenda, junta-se a muitos outros colegas que Selton est&#xE1; se habituando a garimpar &#x2013; ora redescobrindo profissionais afastados do <em>m&#xE9;tier</em>, ora dando pap&#xE9;is inesperados a atores que pareciam condenados a um &#xFA;nico g&#xEA;nero, ora reafirmando parcerias antigas. Para o diretor, o resgate, al&#xE9;m de uma homenagem a pessoas que admira, &#xE9; um ato de resist&#xEA;ncia: &#x201C;Quando o Loredo me diz que o maior fantasma para um ator n&#xE3;o &#xE9; a morte, mas a morte em vida, isso me comove. Eu posso ser ele daqui a 40 anos&#x201D;.</p> <div class="onde-quando"> <p> <strong>O FILME</strong></p> <p> <em>O Palha&#xE7;o, </em>de Selton Mello. Com Selton Mello, Paulo Jos&#xE9;, Teuda Bara, &#xC1;lamo Fac&#xF3;, Tonico Pereira, Larissa Manoela. Em cartaz nos cinemas.</p> </div> Abraços coletivos no elenco, presentes de aniversário, elogios pelo Facebook. Em “O Palhaço”, seu segundo e bem-sucedido longa como diretor, Selton Mello agrada a equipe para garantir a harmonia no set 2012-01-11T13:07:52-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 173 - Janeiro 2012 Abraços coletivos no elenco, presentes de aniversário, elogios pelo Facebook. Em “O Palhaço”, seu segundo e bem-sucedido longa como diretor, Selton Mello agrada a equipe para garantir a harmonia no set Cinema BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/o-lado-musical-de-scorsese O lado musical de Scorsese 2011-12-14T15:50:34-02:00 Ana Laura Malmaceda <p> O cl&#xE1;ssico do m&#xEA;s de <strong>BRAVO!</strong> em dezembro &#xE9; o livro <em>Conversas com Scorsese</em>, uma s&#xE9;rie de entrevistas do cr&#xED;tico Richard Schickel com o diretor nova-iorquino Martin Scorcese. Al&#xE9;m de ter feito parte da gera&#xE7;&#xE3;o de cineastas que mudou o cinema em Hollywood, abrindo espa&#xE7;o para as produ&#xE7;&#xF5;es mais autorais nos Estados Unidos, Scorsese teve uma rela&#xE7;&#xE3;o &#xED;ntima com bandas de rock e desenvolveu um trabalho documental rico sobre m&#xFA;sica. Confira a sele&#xE7;&#xE3;o de alguns document&#xE1;rios essenciais da filmografia de Scorsese:</p> <p> &#xA0;</p> <p> <strong>Woodstock</strong></p> <p> No in&#xED;cio de sua carreira, Scorsese participou da montagem e das grava&#xE7;&#xF5;es do festival Woodstock, marco do movimento hippie nos anos 60 e tamb&#xE9;m dos filmes de concertos. Em <em>Conversas com Scorsese</em>, o diretor cita um epis&#xF3;dio em que o iluminador Chip Monk, que, segundo ele, &#x201C;fazia a melhor luz para shows de rock naquela &#xE9;poca&#x201D;, genialmente escolheu o violeta para destacar os black powers da banda funk Sly and The Family Stone. As pel&#xED;culas eram extremamente sens&#xED;veis, incapazes de aguentar o estouro de cores gerado pela combina&#xE7;&#xE3;o entre a pele negra dos m&#xFA;sicos e os holofotes de tom p&#xFA;rpura. O resultado foram as imagens reluzentes de &#x201C;I Want to Take You Higher&#x201D;:</p> <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="360" width="480"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/3Ig-6f0g55c?version=3&amp;hl=pt_BR"/><embed allowscriptaccess="always" height="360" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="http://www.youtube.com/v/3Ig-6f0g55c?version=3&amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" width="480"/></object></p> <p> &#xA0;</p> <p> <strong>The Last Waltz</strong></p> <p> O v&#xED;deo abaixo faz parte de <em>The Last Waltz</em>, filme sobre o &#xFA;ltimo show da banda canadense The Band. O document&#xE1;rio &#xE9; a &#x201C;&#xFA;ltima valsa&#x201D; do grupo, que se separou depois de 16 anos na estrada. No v&#xED;deo, os convidados (Neil Young, Muddy Waters, Joni Mitchell, Ron Wood, Joan Baez, Ringo Starr...) cantam "I Shall Be Released", composi&#xE7;&#xE3;o do tamb&#xE9;m participante Bob Dylan. A apresenta&#xE7;&#xE3;o ocorreu no dia de a&#xE7;&#xE3;o de gra&#xE7;as de 1976, mesmo ano de lan&#xE7;amento de <em>Taxi Driver</em>, t&#xED;tulo mais consagrado da filmografia do diretor. Scorsese produzia dois filmes na &#xE9;poca, o musical <em>New York, New York</em> &#x2013; um de seus trabalhos mais conturbados &#x2013; e <em>Caminhos Perigosos</em>. A proposta inicial era apenas registrar algumas cenas do show. Entretanto, o material rendeu um filme, que Scorsese montou de gra&#xE7;a. Outra curiosidade: dizem que na filmagem original, Neil Young aparece com uma sujeira branca no canto do nariz, retirada pelo diretor na edi&#xE7;&#xE3;o.</p> <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="274" width="480"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/cqJJdiG61jo?version=3&amp;hl=pt_BR"/><embed allowscriptaccess="always" height="274" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="http://www.youtube.com/v/cqJJdiG61jo?version=3&amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" width="480"/></object></p> <p> &#xA0;</p> <p> <strong>Bad</strong></p> <p> Engana-se quem pensa que a hist&#xF3;ria de gangues mais famosa da filmografia do diretor &#xE9; entre Bill "A&#xE7;ougueiro" Cutting e Amsterdam Vallon, vividos respectivamente pelos atores Daniel Day-Lewis e Leonardo DiCaprio, em <em>Gangues de Nova Iorque</em>. Scorsese dirigiu um dos videoclipes mais famosos de Michael Jackson, <em>Bad</em>. Repare no minuto 3:45 do v&#xED;deo. O foragido no cartaz n&#xE3;o parece o diretor?</p> <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="355" width="480"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/dsUXAEzaC3Q?version=3&amp;hl=pt_BR"/><embed allowscriptaccess="always" height="355" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="http://www.youtube.com/v/dsUXAEzaC3Q?version=3&amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" width="480"/></object></p> <p> &#xA0;</p> <p> <strong>Bob Dylan: No direction Home</strong></p> <p> <em>No Direction Home</em> &#xE9; um retrato de Bob Dylan entre 1961 e 1966. O filme mostra a fase mais conturbada - e tamb&#xE9;m mais inventiva - da carreira do m&#xFA;sico. Registros in&#xE9;ditos at&#xE9; ent&#xE3;o, como o do show no qual ele &#xE9; chamado de "Judas" por ter trocado o viol&#xE3;o pela guitarra, aparecem pela primeira vez no t&#xED;tulo. Segundo o diretor, o fio condutor do longa &#xE9; &#x201C;Dylan ser ele mesmo onde quer que fosse levado&#x201D;. Durante o filme, o cantor est&#xE1; sempre em movimento, durante as turn&#xEA;s &#x201C;eletrificadas&#x201D; de 1965. A fuga dos r&#xF3;tulos e da figura de &#x201C;voz de uma gera&#xE7;&#xE3;o&#x201D; do m&#xFA;sico mostra-se presente em todas as cenas, dentro e fora do palco. Mesmo n&#xE3;o tendo filmado o document&#xE1;rio &#x2013; a proposta de realizar <em>No Direction Home</em> veio do produtor e arquivista de Bob Dylan, Jeff Rosen, que abriu horas de filmagens in&#xE9;ditas &#x2013;, Scorsese diz que o trabalho foi mais engrandecedor do que <em>O &#xDA;ltimo Concerto de Rock</em> e <em>Shine a Light</em>.</p> <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="355" width="480"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/QOUtzHizr9A?version=3&amp;hl=pt_BR"/><embed allowscriptaccess="always" height="355" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="http://www.youtube.com/v/QOUtzHizr9A?version=3&amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" width="480"/></object></p> <p> &#xA0;</p> <p> <strong>Shine a Light</strong></p> <p> Gravado em 2006, <em>Shine a Light</em> &#xE9; um document&#xE1;rio sobre um show dos Rolling Stones durante a turn&#xEA; <em>A Bigger Bang Tour</em>. O f&#xF4;lego intermin&#xE1;vel da banda &#xE9; o fio condutor do filme, que mescla cenas de arquivo, imagens de backstage e o show propriamente dito, cheio de convidados especiais como Christina Aguilera, Buddy Guy, Jack White e at&#xE9; Bill Clinton. Em <em>Shine a Light</em>, Scorsese n&#xE3;o dirigiu os Stones, apenas registrou a performance. Prova disso &#xE9; que o diretor n&#xE3;o sabia quais seriam as can&#xE7;&#xF5;es dos dois dias filmagem.</p> <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="274" width="480"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/yVj8Sh4phzM?version=3&amp;hl=pt_BR"/><embed allowscriptaccess="always" height="274" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="http://www.youtube.com/v/yVj8Sh4phzM?version=3&amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" width="480"/></object></p> <p> &#xA0;</p> <p> <strong>George Harrison, Frank Sinatra, Mick Jagger...</strong></p> <p> Al&#xE9;m do document&#xE1;rio <em>Living in The Material World,</em> sobre o introspectivo ex-beatle George Harrison, o diretor prepara para 2012 mais uma incurs&#xE3;o musical, desta vez sobre Frank Sinatra, e tem planos para uma s&#xE9;rie de televis&#xE3;o sobre a hist&#xF3;ria da m&#xFA;sica, em parceria com Mick Jagger. Veja o trailer do document&#xE1;rio sobre George Harrison para a emissora de televis&#xE3;o HBO, assinado pelo diretor:</p> <p> &#xA0;</p> <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="244" width="480"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/mPS3FFDSIj4?version=3&amp;hl=pt_BR"/><embed allowscriptaccess="always" height="244" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="http://www.youtube.com/v/mPS3FFDSIj4?version=3&amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" width="480"/></object></p> <p> <strong>O livro</strong></p> <p> <em>Conversas com Scorsese</em>, de Richard Schickel.</p> <p> Editora: Cosac Naify e Mostra Internacional de Cinema em S&#xE3;o Paulo.</p> O cineasta norte-americano não é consagrado só por sua obra ficcional, mas também como documentarista de música 2011-12-14T15:50:34-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados O cineasta norte-americano não é consagrado só por sua obra ficcional, mas também como documentarista de música Cinema Abril BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/eu-sou-um-ator-coutinho “Eu sou um ator” 2011-12-08T19:08:26-02:00 Nina Rahe <p> Em 2009, no m&#xEA;s de lan&#xE7;amento do filme <em>Moscou</em>, o documentarista Eduardo Coutinho disse a <strong>BRAVO!</strong> que se sentia como um &#x201C;velho de fraldas&#x201D;. O longa foi a experi&#xEA;ncia mais dolorosa de sua carreira. Nas tr&#xEA;s semanas em que acompanhou a montagem de uma pe&#xE7;a do russo Anton Tch&#xE9;khov &#x2013; objeto do document&#xE1;rio &#x2013;, ele n&#xE3;o deixou de questionar o que estava fazendo ali. Limitado a observar a dire&#xE7;&#xE3;o teatral de Enrique Diaz e o trabalho de improvisa&#xE7;&#xE3;o dos integrantes do Grupo Galp&#xE3;o, Coutinho quase n&#xE3;o fez entrevistas, atividade que compara ao exerc&#xED;cio de um ator. &#xC9; assim, interpretando, construindo cumplicidade, que ele estabelece com o entrevistado uma rela&#xE7;&#xE3;o de entrega. &#x201C;Se n&#xE3;o estou falando com a pessoa, nada me interessa&#x201D;, disse. Passados dois anos e superados o que ele definiu como &#x201C;oito meses no inferno&#x201D;, Coutinho encontrou al&#xED;vio em <em>As Can&#xE7;&#xF5;es</em>, que estreia neste m&#xEA;s e foi resultado de uma escolha regida pelo prazer. Nesse trabalho, 18 pessoas cantam e contam as hist&#xF3;rias das can&#xE7;&#xF5;es que marcaram sua vida. J&#xE1; Coutinho reassume seu papel: o de entrevistador, ou seja, ator. E &#xE9; dessa fase de felicidade, na qual tudo parece voltar ao lugar, que o documentarista fala a seguir.</p> <p> <strong>Na &#xE9;poca em que voc&#xEA; lan&#xE7;ou <em>Moscou</em> (2009), li entrevistas nas quais dizia que depois de <em>Jogo de Cena</em> (2007) n&#xE3;o havia mais sentido voltar a fazer o tipo de document&#xE1;rio que realizava antes. Como decidiu por esse novo projeto?</strong></p> <p> A verdade &#xE9; que queria fazer um filme que seria demasiado intelectual, o oposto de As Can&#xE7;&#xF5;es. Mas, ao mesmo tempo, me perguntava se queria realizar esse trabalho, que era caro e complicado e teria centenas de atores. Quando se faz essa pergunta, &#xE9; melhor n&#xE3;o prosseguir. Dois meses antes de inici&#xE1;-lo, desisti, e da&#xED; havia uma equipe contratada. Optei ent&#xE3;o por algo f&#xE1;cil e no qual eu teria prazer. A pesquisa foi feita nos meses de dezembro e janeiro, filmamos em seis dias e a montagem demorou pouco mais de dois meses. Nenhum filme meu foi t&#xE3;o barato, r&#xE1;pido e simples. N&#xE3;o sofri nesse processo e amo As Can&#xE7;&#xF5;es porque escolhi sabendo que n&#xE3;o havia nada de dif&#xED;cil nem de original, embora seja original em sua forma. Sei que a cr&#xED;tica ir&#xE1; dizer que &#xE9; uma dilui&#xE7;&#xE3;o de <em>Jogo de Cena</em> e que n&#xE3;o fui adiante, mas existe nele algo sobre m&#xFA;sica que nenhum outro filme possui, pois &#xE9; poss&#xED;vel entender que a can&#xE7;&#xE3;o e o Brasil t&#xEA;m algo de particular. &#xC9; tamb&#xE9;m um trabalho em que deixo de perguntar &#xE0;s pessoas coisas como &#x201C;onde voc&#xEA; nasceu&#x201D;. N&#xE3;o quero fazer mais isso e dessa forma sinto que parei.</p> <p> <strong>&#x201C;Nunca fui t&#xE3;o desconhecedor do que fiz como em Moscou&#x201D;, voc&#xEA; declarou dois anos atr&#xE1;s. A sensa&#xE7;&#xE3;o influenciou na escolha de algo simples?</strong></p> <p> N&#xE3;o sei dizer. Em Moscou, houve um momento em que ningu&#xE9;m achava que existia um filme e foi o Jo&#xE3;o (Jo&#xE3;o Moreira Salles, cineasta) quem nos deu uma l&#xF3;gica, sem a qual n&#xE3;o teria achado o caminho. Eu gosto de Moscou, mas sabendo que &#xE9; para poucos. N&#xE3;o me arrependo nada de t&#xEA;-lo feito, mas a experi&#xEA;ncia foi a mais dolorosa que tive.</p> <p> <strong>Na Mostra de Cinema de S&#xE3;o Paulo deste ano, voc&#xEA; definiu <em>As Can&#xE7;&#xF5;es</em> como um longa mais para o afeto do que para o intelecto. Por qu&#xEA;? </strong></p> <p> Sempre adorei que uma pessoa cantasse &#xE0; capela. Se h&#xE1; uma pessoa ligada &#xE0; m&#xFA;sica, eu pe&#xE7;o que cante. <em>Santa Marta &#x2013; Duas Semanas no Morro </em>(1987), por exemplo, tem dez m&#xFA;sicas. A diferen&#xE7;a &#xE9; que, na montagem, eu n&#xE3;o deixava somente a c&#xE2;mera na pessoa. Embora o cinema seja audiovisual, a fala ligada &#xE0; imagem de quem a produz vale mais do que tudo. Se voc&#xEA; tem pessoas que contam uma hist&#xF3;ria, para que filmar um pr&#xE9;dio? Passei a considerar abomin&#xE1;vel que isso fosse feito.</p> <p> <strong>Como foi a sele&#xE7;&#xE3;o dos personagens?</strong></p> <p> Algu&#xE9;m da Videofilmes (produtora) fez uma placa com um escrito dizendo: &#x201C;Se voc&#xEA; tem uma m&#xFA;sica que mudou sua vida, cante e conte sua hist&#xF3;ria&#x201D;. Duas pesquisadoras ficaram nos lugares mais variados, com uma c&#xE2;mera, esperando que algu&#xE9;m fosse at&#xE9; elas. Vi quase 250 v&#xED;deos, dos quais 200 foram eliminados. E dos 42 selecionados, 18 ficaram. Houve gente que de cara eu j&#xE1; sabia que n&#xE3;o iria entrar porque, nos primeiros cinco minutos de conversa, j&#xE1; estava com &#xF3;dio da pessoa. Toda vez que entrevisto algu&#xE9;m ruim, o doloroso &#xE9; ter que fingir que essa pessoa ir&#xE1; entrar. Se gosto, &#xE9; diferente. A&#xED; quero entender a pessoa, embora saiba que n&#xE3;o vou entend&#xEA;-la porque tenho apenas um fragmento. Os que est&#xE3;o em <em>As Can&#xE7;&#xF5;es</em>, os amo, o que n&#xE3;o quer dizer que consiga passar dois dias com eles. Se passar, fico louco, mas o personagem constru&#xED;do &#xE9; extraordin&#xE1;rio.</p> <p> <strong>Voc&#xEA; disse que em<em> Pe&#xF5;es</em> (2004) n&#xE3;o conseguiu lidar com o sil&#xEA;ncio de um personagem e o interrompeu. J&#xE1; se emocionou em uma conversa? </strong></p> <p> Vontade de chorar? Nunca. O fundamental &#xE9; saber guardar a dist&#xE2;ncia, &#xE9; preciso estar ao lado do outro sem se fundir. Em <em>O Fim e o Princ&#xED;pio</em> (2006), um cara cat&#xF3;lico me perguntou se eu acreditava em outra vida. Para manter o di&#xE1;logo, tenho que mentir e respondo que sim. Ele pergunta de novo e, como n&#xE3;o h&#xE1; tempo, digo: &#x201C;Gostaria de acreditar que houvesse muitas&#x201D;. Fui verdadeiro sem romper a possibilidade de que a rela&#xE7;&#xE3;o continuasse. Outras vezes, para manter a comunica&#xE7;&#xE3;o, falo bobagens. Em <em>As Can&#xE7;&#xF5;es</em>, digo para uma das mulheres: &#x201C;Voc&#xEA; n&#xE3;o sabe que a vida &#xE9; triste?&#x201D; A frase escapou, mas &#xE9; uma tolice.</p> <p> <strong>Soube que na &#xFA;nica vez em que refez uma entrevista, detestou o resultado. Como foi?</strong></p> <p> Foi no filme <em>Santo Forte</em> (2002). A mulher tinha uma hist&#xF3;ria espantosa, mas era prolixa. O marido entrou contando o epis&#xF3;dio, mas eu achava que era ela quem deveria contar. Tentei a segunda vez. N&#xE3;o deu certo. Comecei irritado porque j&#xE1; sabia as respostas. N&#xE3;o fui suficientemente ator para fingir que n&#xE3;o sabia. Quando voc&#xEA; finge mal, n&#xE3;o d&#xE1;. &#xC9; preciso ser um ator. Eu sou um ator, ali&#xE1;s. Voc&#xEA; acha que na vida real sou como nas entrevistas? Sou mal-educado! Pobre das pessoas que me conhecem.</p> <p> <strong>Uma mulher que est&#xE1; em <em>As Can&#xE7;&#xF5;es</em> havia participado de <em>Babil&#xF4;nia 2000 </em>(1999), n&#xE3;o?</strong></p> <p> Em Babil&#xF4;nia, a F&#xE1;tima cantava Janis Joplin com um ingl&#xEA;s que s&#xF3; ela entendia e era sensacional. Mas eu n&#xE3;o queria repetir a mesma m&#xFA;sica. Fizemos ent&#xE3;o uma entrevista de uma hora, na qual ela cantou uns sete louvores, entre eles, um lind&#xED;ssimo. Em uma primeira vers&#xE3;o, ela entrava cantando esse louvor. Acontece que era t&#xE3;o poderoso que esmagava os outros. No fim, ela disse que iria cantar para mim e cantou Ternura, da Wanderlea. Ela se lembrou do pedido que eu havia feito na &#xE9;poca de Babil&#xF4;nia. &#xC9; a &#xFA;nica fraude do filme porque Ternura n&#xE3;o &#xE9; a can&#xE7;&#xE3;o da vida de F&#xE1;tima.</p> <p> <strong>Em <em>Moscou</em>, tamb&#xE9;m pediu aos atores que cantassem Ternura. Por qu&#xEA; essa m&#xFA;sica?</strong></p> <p> A primeira fic&#xE7;&#xE3;o que fiz foi em 1967, O Pacto. Come&#xE7;ava em um bar, onde um homem e uma mulher dan&#xE7;avam. Eu precisava escolher uma m&#xFA;sica e achei um LP chamado Hits da Jovem Guarda. Nesse &#xE1;lbum, estava Ternura e a escolhi para essa cena. Mal sabia que ficaria como um fantasma na minha vida. Talvez seja porque o filme n&#xE3;o funcionou, mas me d&#xE1; a impress&#xE3;o de que era algo que tinha que ser: um LP que encontrei numa loja, o coloquei no longa e de repente passou a ter um significado maior. N&#xE3;o possuo m&#xFA;sica da minha vida, mas, se tivesse, Ternura seria uma delas. E h&#xE1; uma parte em que a Wanderlea fala &#x201C;engratid&#xE3;o&#x201D;, em vez de ingratid&#xE3;o. Tenho a tese de que ingratid&#xE3;o voc&#xEA; perdoa, mas &#x201C;engratid&#xE3;o&#x201D; n&#xE3;o.</p> <p> <strong>Voc&#xEA; costuma cantar?</strong></p> <p> N&#xE3;o, canto mal, mas adoraria ser um grande cantor. E talvez tenha feito esse filme por causa disso. Acho que ser um cantor &#xE9; algo fascinante. Parei tamb&#xE9;m de escutar m&#xFA;sica h&#xE1; 20 anos. N&#xE3;o teve nenhum motivo espec&#xED;fico. Deixei tamb&#xE9;m de ir ao teatro, a recitais. A inven&#xE7;&#xE3;o do CD coincidiu com a &#xE9;poca em que decidi me afastar do mundo. H&#xE1; pouco tempo, descobri que o CD toca tamb&#xE9;m em DVD. Se voc&#xEA; perguntar o que sei dos Beatles para c&#xE1;, n&#xE3;o sei de nada. Ent&#xE3;o n&#xE3;o me pergunte o que &#xE9; house e o que &#xE9; techno porque n&#xE3;o saberia dizer.</p> O cineasta Eduardo Coutinho diz que precisa interpretar para conseguir bons depoimentos nos documentários. Seu mais novo filme, “As Canções”, estreia neste mês 2011-12-08T19:08:26-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Dezembro de 2011 O cineasta Eduardo Coutinho diz que precisa interpretar para conseguir bons depoimentos nos documentários. Seu mais novo filme, “As Canções”, estreia neste mês Cinema BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/cinco-filmes-de-eduardo-coutinho Cinco filmes de Eduardo Coutinho 2011-12-05T16:47:49-02:00 Redação <p> Na <strong>BRAVO!</strong> deste m&#xEA;s, o cineasta Eduardo Coutinho fala de seu novo longa, <em>As Can&#xE7;&#xF5;es</em>. Durante a conversa, para especificar seu m&#xE9;todo, o documentarista cita alguns de seus trabalhos. Selecionamos as passagens que ele se refere. Assista abaixo:</p> <p> <em>Santa Marta - Duas Semanas no Morro</em> (1987)</p> <p> &#x201C;Se h&#xE1; uma pessoa ligada &#xE0; m&#xFA;sica, eu pe&#xE7;o que ela cante. <em>Santa Marta &#x2013; Duas Semanas no Morro</em> (1987), por exemplo, tem dez m&#xFA;sicas. A diferen&#xE7;a &#xE9; que, na montagem, eu n&#xE3;o deixava a c&#xE2;mera na pessoa. Embora o cinema seja audiovisual, a fala ligada &#xE0; imagem de quem a produz vale mais do que tudo. Se voc&#xEA; tem pessoas que contam uma hist&#xF3;ria, para que filmar um pr&#xE9;dio? Passei a considerar abomin&#xE1;vel que isso fosse feito.&#x201D;</p> <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="360" width="640"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/7fcsI-ToDhM?version=3&amp;hl=pt_BR"/><embed allowscriptaccess="always" height="360" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="http://www.youtube.com/v/7fcsI-ToDhM?version=3&amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" width="640"/></object></p> <p> <em>Babil&#xF4;nia 2000 </em>(1999)</p> <p> &#x201C;Em <em>Babil&#xF4;nia</em>, a F&#xE1;tima cantava Janis Joplin com um ingl&#xEA;s que s&#xF3; ela entendia e era sensacional. Mas eu n&#xE3;o queria repetir a mesma m&#xFA;sica em <em>As Can&#xE7;&#xF5;es</em>. Fizemos ent&#xE3;o uma entrevista de uma hora, na qual ela cantou uns sete louvores, entre eles, um lind&#xED;ssimo (...) No fim, ela disse que iria cantar para mim e cantou <em>Ternura</em>, da Wanderlea. Ela se lembrou do pedido que eu havia feito na &#xE9;poca de <em>Babil&#xF4;nia</em>.&#x201D;</p> <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="360" width="640"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Z1B9qB861Bk?version=3&amp;hl=pt_BR"/><embed allowscriptaccess="always" height="360" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="http://www.youtube.com/v/Z1B9qB861Bk?version=3&amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" width="640"/></object></p> <p> <em>Pe&#xF5;es </em>(2004)</p> <p> Em <em>Pe&#xF5;es</em>, Coutinho n&#xE3;o conseguiu lidar com o sil&#xEA;ncio de um personagem e o interrompeu. "O fundamental &#xE9; saber guardar a dist&#xE2;ncia, &#xE9; preciso estar do lado do outro sem se fundir."</p> <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="360" width="640"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/QRe2foopogk?version=3&amp;hl=pt_BR"/><embed allowscriptaccess="always" height="360" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="http://www.youtube.com/v/QRe2foopogk?version=3&amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" width="640"/></object></p> <p> <em>O Fim e o Princ&#xED;pio </em>(2006)</p> <p> &#x201C;Em <em>O Fim e o Princ&#xED;pio</em> (2006), um cara cat&#xF3;lico me perguntou se eu acreditava em outra vida. Para manter o di&#xE1;logo, tenho que mentir e respondo que sim. Ele pergunta de novo e , como n&#xE3;o h&#xE1; tempo, digo: 'Gostaria de acreditar que houvesse muitas'. Fui verdadeiro sem romper a possibilidade de que a rela&#xE7;&#xE3;o continuasse.&#x201D;</p> <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="360" width="640"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/tsIXQ-eeT5g?version=3&amp;hl=pt_BR"/><embed allowscriptaccess="always" height="360" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="http://www.youtube.com/v/tsIXQ-eeT5g?version=3&amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" width="640"/></object></p> <p> <em>Moscou</em> (2009)</p> <p> Em <em>Moscou</em>, o diretor pediu que os atores cantassem <em>Ternura</em>. &#x201C;N&#xE3;o possuo m&#xFA;sica da minha vida, mas, se tivesse, <em>Ternura</em> seria uma delas. E h&#xE1; uma parte em que a Wanderlea fala 'engratid&#xE3;o', em vez de ingratid&#xE3;o. Tenho a tese de que ingratid&#xE3;o voc&#xEA; perdoa, mas 'engratid&#xE3;o' n&#xE3;o.&#x201D;</p> <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="360" width="640"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/TcjQkiUwTVU?version=3&amp;hl=pt_BR"/><embed allowscriptaccess="always" height="360" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="http://www.youtube.com/v/TcjQkiUwTVU?version=3&amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" width="640"/></object></p> <p> &#xA0;</p> Assista a trechos de documentários do diretor, comentados por ele em entrevista 2011-12-05T16:13:56-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Dezembro de 2011 Assista a trechos de documentários do diretor, comentados por ele em entrevista Cinema BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/dicas-da-semana-o-garoto-da-bicicleta Dicas da semana: <em>O Garoto de Bicicleta</em> 2011-12-02T09:09:08-02:00 Redação <p> O jornalista e escritor Paulo Nogueira assinana edi&#xE7;&#xE3;o de dezembro de<strong>BRAVO!</strong>a mat&#xE9;ria <em>Parcim&#xF4;nia de Emo&#xE7;&#xF5;es,</em> sobre <em>O Garoto de Bicicleta</em>, dirigido pelos irm&#xE3;os belgas Jean-Pierre e Luc-Dardenne. No podcast, que voc&#xEA; confere abaixo, Nogueira comenta filmes que dialogam com temas centrais do longa, buscando uma "genealogia de refer&#xEA;ncias".</p> <p> Ou&#xE7;a o podcast:</p> <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="81" width="100%"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="https://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F29281683&amp;show_comments=true&amp;auto_play=false&amp;color=ffe600"/><embed allowscriptaccess="always" height="81" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="https://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F29281683&amp;show_comments=true&amp;auto_play=false&amp;color=ffe600" type="application/x-shockwave-flash" width="100%"/></object></p> <p> Veja o trailer:</p> <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="360" width="640"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/TbSKYcXUMhQ?version=3&amp;hl=pt_BR"/><embed allowscriptaccess="always" height="360" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="http://www.youtube.com/v/TbSKYcXUMhQ?version=3&amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" width="640"/></object></p> Jornalista e escritor,&nbsp;Paulo Nogueira fala sobre longas que dialogam com os temas do fime 2011-11-30T11:16:55-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados 30 de novembro de 2011 Jornalista e escritor, Paulo Nogueira fala sobre longas que dialogam com os temas do fime Cinema BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/parcimonia-de-emocoes Parcimônia de Emoções 2011-12-02T09:09:08-02:00 Paulo Nogueira <p> Em uma sucess&#xE3;o de epis&#xF3;dios bem demarcados, crus e singelos, <em>O Garoto de Bicicleta</em> conta a hist&#xF3;ria de Cyril, um menino de 11 anos confiado a um orfanato. O garoto n&#xE3;o se conforma com o abandono e decide encontrar o pai, ajudado por uma cabeleireira local, que concorda em ficar com ele aos fins de semana. &#xC9; uma demanda penosa, durante a qual as ilus&#xF5;es infantis ser&#xE3;o despeda&#xE7;adas.</p> <p> Esse relato linear rendeu aos diretores, os irm&#xE3;os belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne, o Grande Pr&#xEA;mio do J&#xFA;ri do Festival de Cannes deste ano (rachado com <em>Era Uma Vez na Anat&#xF3;lia</em>, do turco Nuri Bilge Ceylan). Desde o primeiro plano, transparece a inten&#xE7;&#xE3;o de evitar o sentimentalismo lacrimejante, sempre virtual numa narrativa que envolve crian&#xE7;as amarguradas. Ali&#xE1;s, os irm&#xE3;os, oriundos do document&#xE1;rio, s&#xE3;o not&#xF3;rios pela ascese mon&#xE1;stica da sua cinematografia &#x2013; nada de balangand&#xE3;s narrativos. Consta que aqui afrouxaram a frugalidade, introduzindo trilha sonora e elenco midi&#xE1;tico. Discordo.</p> <p> O esfor&#xE7;o para regular a voltagem emocional &#xE9; obsessivo. O menino (Thomas Doret, selecionado entre 200 garotos) n&#xE3;o &#xE9; propriamente um querubim: irasc&#xED;vel e taciturno, n&#xE3;o inspira empatia incondicional &#x2013; &#xE0;s vezes, temos vontade de lhe dar uns cascudos. E o orfanato, com quadras, videogames e gramados que parecem aparados com uma pin&#xE7;a, n&#xE3;o evoca exatamente a Febem.</p> <p> No papel da cabeleireira Samantha est&#xE1; a belga C&#xE9;cile De France. Uma atriz conhecida? OK, ela guarneceu <em>Al&#xE9;m da Vida</em>, filme de 2010, do norte-americano Clint Eastwood. Mas a sua composi&#xE7;&#xE3;o em <em>O Garoto</em><em> de Bicicleta</em> se submete a uma austeridade espartana. A do&#xE7;ura &#xE9; transmitida apenas pela linguagem corporal &#x2013; n&#xE3;o aflora nem um murm&#xFA;rio de ternura. Perto do final, ela pede um m&#xED;sero beijinho &#xE0; crian&#xE7;a, que lhe concede o beijo mais mixuruca do mundo. Certos momentos fazem lembrar uma frase de <em>O Dem&#xF4;nio das Onze Horas </em>(1965), do franc&#xEA;s Jean-Luc Godard: &#x201C;N&#xE3;o d&#xE1; para conversar com voc&#xEA;. Voc&#xEA; nunca tem ideias, s&#xF3; sentimentos&#x201D;. Neste caso, &#xE9; o contr&#xE1;rio: uma parcim&#xF4;nia de emo&#xE7;&#xF5;es numa hist&#xF3;ria eminentemente visceral.</p> <p> <strong>Band-Aid Emocional</strong></p> <p> A princ&#xED;pio, o roteiro previa que Samantha fosse uma fada, uma fantasia do menino rejeitado. Felizmente, essa op&#xE7;&#xE3;o estapaf&#xFA;rdia foi descartada. Por&#xE9;m o teor da personagem continuou desequilibrado. &#xC9; dif&#xED;cil engolir o altru&#xED;smo samaritano da cabeleireira &#x2013; afinal, Cyril, que at&#xE9; ontem ela nunca vira mais gordo, &#xE9; um pestinha que logo de cara escangalha o sal&#xE3;o de beleza.</p> <p> Tamb&#xE9;m &#xE9; dif&#xED;cil aceitar a frieza do pai do garoto &#x2013; implaus&#xED;vel, embora n&#xE3;o imposs&#xED;vel. A trilha sonora brota precisamente nas ocasi&#xF5;es em que a rejei&#xE7;&#xE3;o paterna &#xE9; mais ign&#xF3;bil&#xAD;. Segundo os diretores, mobilizaram a m&#xFA;sica para oferecer um consolo a Cyril. E n&#xE3;o passa disso: um band-aid emocional. Ningu&#xE9;m pense que a coisa se transfigurou num musical da Metro coreografado pelo norte-americano Bubsy Berkley. Paradoxo: um filme realista, mas nem sempre veross&#xED;mil.</p> <p> <em>O Garoto de Bicicleta </em>recorda a cada cin&#xE9;filo uma genealogia subjetiva. A mim, ocorreu <em>Gl&#xF3;ria</em> (dirigido pelo norte-americano John Cassavetes em 1980),<em> Pixote: A Lei do Mais Fraco</em> (filme do argentino naturalizado brasileiro Hector Babenco, de 1981, expurgado da sordidez barroca) e, inevitavelmente, <em>Ladr&#xF5;es de Bicicleta</em> (o cl&#xE1;ssico neorrealista do italiano Vittorio De Sica, de 1948). Tamb&#xE9;m aqui a bicicleta &#xE9; um s&#xED;mbolo sutil: do afeto fugidio (presente do pai, que depois a vendeu), da dimens&#xE3;o l&#xFA;dica da inf&#xE2;ncia (Cyril faz acrobacias para Samantha, na sua &#xFA;nica efus&#xE3;o carinhosa) e da liberdade (com esse meio de transporte, ele pode ir aonde quiser).</p> <p> Oscilando entre o rep&#xFA;dio e a tenta&#xE7;&#xE3;o da emo&#xE7;&#xE3;o, <em>O Garoto de Bicicleta</em> vende o seu peixe. Por vezes, essa bicicleta solta os freios e lembra menos um an&#xF3;dino brinquedo do que aquelas motos dos globos da morte dos circos de antigamente. A qualquer instante, pode tombar e semear a trag&#xE9;dia. Mas ningu&#xE9;m &#x2013; nem os irm&#xE3;os Dardenne &#x2013; &#xE9; de ferro. A inoc&#xEA;ncia tra&#xED;da &#xE9; resgatada. Resta saber se ainda &#xE9; inf&#xE2;ncia.</p> <div class="descricao-autor"> <p> <strong>Paulo Nogueira </strong>&#xE9; jornalista e escritor, autor do romance O Suicida Feliz, entre outros.</p> </div><div class="onde-quando"> <p> <strong>O FILME</strong></p> <p> <em>O Garoto de Bicicleta</em>, de Jean-Pierre e Luc Dardenne. Com C&#xE9;cile De France e Thomas Doret. Em cartaz nos cinemas.</p> </div> No filme “O Garoto de Bicicleta”, os irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne se esforçam de maneira obsessiva para evitar o sentimentalismo lacrimejante 2011-11-29T15:59:29-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 172 - Dezembro 2011 No filme “O Garoto de Bicicleta”, os irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne se esforçam de maneira obsessiva para evitar o sentimentalismo lacrimejante Cinema BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/aberto-as-surpresas-da-vida Aberto às Surpresas da Vida 2011-12-02T09:09:00-02:00 José Geraldo Couto <p> &#xC9; conhecida uma frase do diretor franc&#xEA;s Jean-Luc Godard segundo a qual o melhor document&#xE1;rio &#xE9; o que parece fic&#xE7;&#xE3;o e a melhor fic&#xE7;&#xE3;o &#xE9; a que parece document&#xE1;rio. Uma ideia semelhante norteia <em>O C&#xE9;u sobre os Ombros</em>, o h&#xED;brido longa-metragem de estreia do mineiro S&#xE9;rgio Borges, premiado com cinco Candangos no Festival de Bras&#xED;lia do ano passado, inclusive os de melhor filme e dire&#xE7;&#xE3;o.</p> <p> Acompanham-se ali cenas da vida cotidiana de tr&#xEA;s personagens an&#xF4;nimos que s&#xF3; t&#xEA;m em comum o fato de morarem na mesma cidade, Belo Horizonte. Descrever o que o filme nos d&#xE1; a ver de cada um deles &#xE9; apontar desde logo para um de seus maiores m&#xE9;ritos: o de solapar os estere&#xF3;tipos, os preconceitos, as apar&#xEA;ncias enganosas. Um dos personagens &#xE9; um rapaz que trabalha numa pastelaria e numa empresa de telemarketing, &#xE9; hare krishna praticante e membro da torcida organizada Galoucura, do Atl&#xE9;tico Mineiro. Outro &#xE9; um aspirante a escritor, desencantado e marginal, que tem uma rela&#xE7;&#xE3;o espinhosa com o filho excepcional. Por fim, h&#xE1; um travesti que de noite faz programas na rua (&#x201C;R$ 10 oral; R$ 30 completo&#x201D;) e de dia d&#xE1; aulas sobre autores como Michel Foucault e Judith Butler a uma turma de universit&#xE1;rios.</p> <p> <strong>C&#xE2;meras de vigil&#xE2;ncia</strong></p> <p> Essas hist&#xF3;rias s&#xE3;o vividas pelos personagens reais, que encenam a si pr&#xF3;prios (respectivamente Murari Krishna, Lwei Bakongo e Everlyn Barbin, ganhadores do pr&#xEA;mio especial do j&#xFA;ri em Bras&#xED;lia) e apresentadas de forma fragmentada. As tramas n&#xE3;o se entrela&#xE7;am, os protagonistas n&#xE3;o se cruzam. Estranhamente, por&#xE9;m, uma trajet&#xF3;ria reverbera de algum modo na outra. Filmando de modo discreto, &#x201C;neutro&#x201D;, como se capturasse seus personagens com c&#xE2;meras de vigil&#xE2;ncia em meio ao fluxo da vida, S&#xE9;rgio Borges acaba por fazer uma esp&#xE9;cie de document&#xE1;rio &#xED;ntimo que ilumina sem &#x201C;explicar&#x201D; e comove sem lan&#xE7;ar m&#xE3;o de recursos f&#xE1;ceis, como a m&#xFA;sica (a n&#xE3;o ser a produzida em cena).</p> <p> Por sua profunda humanidade e por sua abertura aos acidentes de filmagem &#x2013; por exemplo, a cena em que o aspirante a escritor interage com seu filho deficiente &#x2013;, <em>O C&#xE9;u sobre os Ombros</em> pode ser inclu&#xED;do numa linhagem recente de filmes brasileiros muito diferentes entre si, mas que comp&#xF5;em em conjunto uma po&#xE9;tica dos afetos, da qual fazem parte, por exemplo, <em>Transeunte</em>, de Eryk Rocha, e <em>A Alegria</em>, de Felipe Bragan&#xE7;a e Marina Meliande, ambos de 2010. Um cinema poroso, tateante, sem as certezas do cinema novo e sem o escracho desesperado do cinema dito marginal. Um cinema, em suma, perme&#xE1;vel &#xE0;s imperfei&#xE7;&#xF5;es e surpresas da vida.</p> <div class="descricao-autor"> <p> <strong>Jos&#xE9; Geraldo Couto </strong>&#xE9; cr&#xED;tico de cinema, tradutor e autor do blogdozegeraldo.wordpress.com.</p> </div><div class="onde-quando"> <p> <strong>O FILME</strong></p> <p> <em>O C&#xE9;u sobre os Ombros, </em>de S&#xE9;rgio Borges. Com Murari Krishna, Lwei Bakongo e Everlyn Barbin. Estreia prevista para este m&#xEA;s.</p> </div> Híbrido de ficção e documentário, o premiado O Céu sobre os Ombros, do mineiro Sérgio Borges, trata de personagens anônimos sem reduzi-los a estereótipos sociais 2011-11-28T14:23:16-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Ediição 171 - Novembro 2011 Híbrido de ficção e documentário, o premiado O Céu sobre os Ombros, do mineiro Sérgio Borges, trata de personagens anônimos sem reduzi-los a estereótipos sociais Cinema BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/dicas-da-semana-chaplin-e Dicas da Semana: <em>Chaplin e a sua imagem</em> 2011-12-02T09:08:53-02:00 Redação <p> Na dica para este final de semana, Anna Rachel Ferreira, rep&#xF3;rter de <strong>BRAVO!</strong>, recomenda a exposi&#xE7;&#xE3;o <em>Chaplin e a sua imagem</em>. A mostra que conta com mais de 200 fotografias, al&#xE9;m de trechos de filmes, <em>fac-s&#xED;miles </em>de documentos e filmes caseiros est&#xE1; em cartaz no Instituto Tomie Othake.</p> <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="81" width="100%"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="https://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F28957223&amp;secret_url=false"/><embed allowscriptaccess="always" height="81" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="https://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F28957223&amp;secret_url=false" type="application/x-shockwave-flash" width="100%"/></object></p> <p> <em>Chaplin e a sua imagem</em></p> <p> At&#xE9; 27 de novembro de 2011</p> <p> De ter&#xE7;a a domingo, das 11h &#xE0;s 20h</p> <p> Av. Faria Lima, 201 - Pinheiro - S&#xE3;o Paulo/SP</p> <p> Tel: 0/XX/11/2245 1900</p> <p> Gr&#xE1;tis</p> Repórter de <strong>BRAVO!</strong>, Anna Rachel Ferreira recomenda exposição <em>Chaplin e a sua imagem</em>, em cartaz no Instituto Tomie Othake até domingo, 27/11 2011-11-25T16:26:32-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados 25 de novembro de 2011 Repórter de BRAVO!, Anna Rachel Ferreira recomenda exposição Chaplin e a sua imagem, em cartaz no Instituto Tomie Othake até domingo, 27/11 Cinema BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/ele-decidiu-nao-jogar-mais “Ele decidiu não jogar mais” 2011-12-02T09:08:27-02:00 Pablo Stoll em depoimento à jornalista Denise Mota, de Montevidéu <p> <em>Aos 30 anos, o uruguaio Pablo Stoll entrou para a hist&#xF3;ria de seu pa&#xED;s. Seu segundo longa, </em>Whisky<em> (2004), dirigido em parceria com Juan Pablo Rebella &#x2013; os dois trabalharam juntos por quase uma d&#xE9;cada &#x2013;, angariou pr&#xEA;mios e colocou o cinema uruguaio no circuito de arte. Um cap&#xED;tulo dessa epopeia chegou ao fim em 2006, com o suic&#xED;dio de Rebella &#x2013; epis&#xF3;dio tr&#xE1;gico do qual Stoll demorou dois anos para se recuperar. </em>Hiroshima: Um Musical Silencioso<em>, em cartaz nos cinemas, &#xE9; sua primeira produ&#xE7;&#xE3;o solo. Em depoimento &#xE0; jornalista Denise Mota, o montevideano falou</em> <em>sobre o labirinto em que esteve mergulhado. E do qual saiu com um filme nas m&#xE3;os.</em></p> <p> A inocente ideia de que se pode esticar a adolesc&#xEA;ncia para sempre morreu junto com Juan naquela noite de julho de 2006. Depois de uns minutos no inferno, voc&#xEA; perde a inoc&#xEA;ncia. Lembro que a primeira coisa que pensei foi: &#x201C;Nada vai ser como antes&#x201D;. E estava certo. Agora sou mais chato e mais s&#xE9;rio. N&#xE3;o sou t&#xE3;o radical e entendo mais as atitudes dos outros, ainda que continue com vontade de dar uns tapas em algumas pessoas.</p> <p> Nunca vou deixar de ser &#x201C;um dos caras de <em>Whisky</em>&#x201D;, ou seja, parte de um duo de diretores que fez dois filmes bem-sucedidos, <em>25 Watts</em> e <em>Whisky</em>. O &#xFA;ltimo gerou coisas maravilhosas, mas trouxe um peso com o qual n&#xE3;o foi f&#xE1;cil lidar: o de n&#xE3;o saber se conseguiria finalizar outro longa. No dia de estreia de <em>Hiroshima</em>, me senti mais leve, com vontade de realizar outras produ&#xE7;&#xF5;es e encarar novos projetos.</p> <p> Acho que, de todos os filmes que poderia ter feito, esse &#xE9; o que melhor representa esse momento da minha vida, que &#xE9; o de busca. <em>Hiroshima</em> &#xE9; um passeio interior por uma terra arrasada, uma viagem sem destino, mas que deixa claro que h&#xE1; coisas das quais n&#xE3;o se pode escapar. &#xC9; uma com&#xE9;dia estranha, mas uma com&#xE9;dia do princ&#xED;pio ao fim. Em <em>Hiroshima</em> est&#xE3;o expostas coisas que havia pensado com Juan, como o prop&#xF3;sito de fazer um filme sobre um personagem extraviado. Tamb&#xE9;m est&#xE3;o todas as minhas influ&#xEA;ncias: as hist&#xF3;rias em quadrinhos, o rock, o cinema. E Juan, claro, como influ&#xEA;ncia permanente nos &#xFA;ltimos dez anos da minha vida.</p> <p> Carrego Juan comigo o tempo todo, &#xE0;s vezes at&#xE9; demais. N&#xE3;o &#xE9; algo que dependa da minha vontade. Ele est&#xE1; a&#xED;, e minha homenagem a ele &#xE9; me levantar e respirar todos os dias. Penso nele quando vejo coisas de que ele gostaria. H&#xE1; coisas que queria ter visto com ele: as s&#xE9;ries <em>Little Britain </em>e <em>Peep Show</em>, os filmes dos nossos amigos, os meus filmes. Sinto saudades de nossas conversas obstinadas, das liga&#xE7;&#xF5;es telef&#xF4;nicas &#xE0;s 2 da manh&#xE3; s&#xF3; para terminarmos discutindo se Daniel Rey <em>(produtor musical da banda de punk rock norte-americana Ramones) </em>merecia mais cr&#xE9;dito que Johnny Ramone por ter escrito as letras de algumas can&#xE7;&#xF5;es.</p> <p> <strong>"COMO TERIA FEITO RUAN REBELLA"</strong></p> <p> N&#xE3;o sinto sua falta no set ou quando estou escrevendo. Nesses momentos, sempre fomos indiv&#xED;duos com pontos de vista pr&#xF3;prios. Por isso, discut&#xED;amos bastante, como &#xE9; normal, mas as discuss&#xF5;es terminavam antes da rodagem. Muitas vezes, tamb&#xE9;m, sab&#xED;amos tudo o que t&#xED;nhamos que fazer sem precisar falar nada. Contam que Billy Wilder, que foi o melhor diretor de cinema do mundo, tinha no seu escrit&#xF3;rio um cartaz que dizia: &#x201C;Como teria feito Lubitsch <em>(Ernst Lubitsch, ator e diretor de cinema alem&#xE3;o)</em>?&#x201D;, a quem recorria nos momentos de d&#xFA;vida. Eu n&#xE3;o tenho um cartaz, mas sei &#x201C;como teria feito Rebella&#x201D; e sei que &#xE0;s vezes n&#xE3;o tinha raz&#xE3;o. Em outras, sim, e sigo seu conselho.</p> <p> A ideia de <em>Hiroshima</em> surgiu um pouco antes de sua morte. Est&#xE1;vamos escrevendo um roteiro novo e eu via que se tratava de um projeto que iria tomar tempo. Queria filmar algo menor e ent&#xE3;o me ocorreu falar sobre o meu irm&#xE3;o e combinamos que, se fizesse esse filme, o rodaria sozinho. Meu irm&#xE3;o &#xE9; um cara calado, muito inteligente. Prefere n&#xE3;o estudar nem trabalhar. Quando se v&#xEA; encurralado, aceita algum trabalho que realiza meticulosamente, como se do fato de embalar biscoitos dependesse o destino da humanidade. &#xC9; um cara estranho e foi ao querer investigar essa esquisitice que comecei a pensar no filme. Nisso Juan morreu, e a ideia desse filme &#x2013; como as de todos os outros &#x2013; caiu em uma gaveta, da qual me custou tirar.</p> <p> Procurei ref&#xFA;gio em um grupo de amigos que estava fazendo o programa de TV semanal de humor pol&#xED;tico <em>Los Informantes</em>. Comecei como diretor, escrevi roteiros e terminei atuando. Foi uma experi&#xEA;ncia terap&#xEA;utica e libertadora. Um dia, a emissora decidiu tir&#xE1;-lo do ar, e isso coincidiu com uma viagem que fiz &#xE0; Espanha, onde tive tempo livre e recuperei a vontade de fazer um filme. Era a &#xFA;nica coisa que podia filmar naquele momento porque era um assunto que conhecia bem. Senti que se tratava da continua&#xE7;&#xE3;o de algo que havia estado em pausa. Juan era meu amigo, mas sempre fomos diferentes e quisemos coisas diferentes. Ele decidiu n&#xE3;o jogar mais. Eu n&#xE3;o. Eu quero continuar jogando, ainda que as regras do jogo mudem o tempo todo.</p> <p> &#xA0;</p> <div class="onde-quando"> <p> <strong>O FILME</strong></p> <p> <em>Hiroshima: Um Musical Silencioso</em>. Com Juan Andr&#xE9;s Stoll. Em cartaz nos cinemas.</p> </div> Como consegui rodar “Hiroshima: Um Musical Silencioso” depois do suicídio do meu amigo e parceiro, o também cineasta uruguaio Juan Pablo Rebella 2011-11-22T12:07:37-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 171 - Novembro 2011 Como consegui rodar “Hiroshima: Um Musical Silencioso” depois do suicídio do meu amigo e parceiro, o também cineasta uruguaio Juan Pablo Rebella Cinema BRAVO! BRAVO!