BRAVO! - Música http://bravonline.abril.com.br/feed/atom 2012-05-16T18:17:21-03:00 BRAVO! http://bravo2.abrilm.com.br/imagem/favicon.ico Bravo! Cultura no Brasil - Feed Música Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados http://bravonline.abril.com/materia/um-super-heroi-a-chinesa Um Super-herói à Chinesa 2012-05-16T18:17:21-03:00 João Marcos Coelho <p> Lang Lang n&#xE3;o &#xE9; apenas um pianista erudito. Trata-se da ponta de lan&#xE7;a musical de um processo muito mais amplo de expans&#xE3;o da influ&#xEA;ncia chinesa no mundo. S&#xF3; que, diferentemente dos t&#xEA;xteis, brinquedos e lojinhas de R$ 1,99 que se alastram pelo planeta para o desespero dos concorrentes locais, o int&#xE9;rprete &#xE9; visto como uma miragem pela moribunda ind&#xFA;stria fonogr&#xE1;fica, ansiosa pelo enorme mercado chin&#xEA;s de grava&#xE7;&#xF5;es e concertos de m&#xFA;sica cl&#xE1;ssica. S&#xF3; um pa&#xED;s com 1,3 bilh&#xE3;o de habitantes poderia ter 100 milh&#xF5;es de estudantes de m&#xFA;sica &#x2013; e de f&#xE3;s potenciais do compatriota Lang Lang. O instrumentista, que chega a S&#xE3;o Paulo para dois concertos neste m&#xEA;s, parece ser a figura mais propensa a conquistar novos consumidores: venerado pelos adolescentes chineses, &#xE9;, aos 29 anos, um dos pianistas mais bem remunerados do mundo.</p> <p> Aos olhos do Ocidente, Lang Lang estreou em 1997, ao gravar para o selo independente norte-americano Telarc. Logo foi contratado pela Deutsche Grammophon e, h&#xE1; pouco mais de um ano, transferiu-se para a Sony, o que lhe rendeu luvas de 3 milh&#xF5;es de d&#xF3;lares. &#xC9; mixaria perto do passe de jogadores de futebol, mas uma fortuna improv&#xE1;vel no mundo da m&#xFA;sica cl&#xE1;ssica. Meses atr&#xE1;s, o jornalista brit&#xE2;nico Norman Lebrecht denunciou que as listas de maiores vendas de CDs cl&#xE1;ssicos da Billboard s&#xE3;o uma farsa: para figurar em primeiro lugar, o &#xE1;lbum n&#xE3;o precisa vender mais do que 100 c&#xF3;pias. Em um mercado an&#xEA;mico, que sobrevive hoje basicamente de apresenta&#xE7;&#xF5;es ao vivo, Lang Lang &#xE9; uma esp&#xE9;cie de bilhete premiado. Se 1% da popula&#xE7;&#xE3;o chinesa comprar um de seus CDs, o investimento estar&#xE1; pago pelas pr&#xF3;ximas d&#xE9;cadas. Essa expectativa n&#xE3;o &#xE9; exagerada: ela se baseia no fato de que, na China, a m&#xFA;sica cl&#xE1;ssica tem uma imagem de juventude, parecida com a do pop no resto do mundo.</p> <p> <strong>GINASTA</strong></p> <p> Neymar e Messi lan&#xE7;am chuteiras? Pois Lang Lang j&#xE1; tem seu pr&#xF3;prio modelo de t&#xEA;nis Adidas, em tiragem especial de 100 mil pares. Nas apresenta&#xE7;&#xF5;es, ele veste palet&#xF3;s acintosamente acetinados, de tons viv&#xED;ssimos. &#xC9; f&#xE3; do ex-jogador de basquete Michael Jordan e do golfista Tiger Woods. Adora hip-hop. Em resumo: &#xE9; o que o p&#xFA;blico chin&#xEA;s quer consumir. Martha Argerich jamais gravaria, como fez Lang Lang, o v&#xED;deo, visto por 1,7 milh&#xE3;o de pessoas no YouTube, em que toca um trecho do Concerto N&#xBA; 3 de Prokofiev &#x2013; justamente a pe&#xE7;a que celebrizou a pianista argentina. O m&#xFA;sico intercala sua performance com gestos de kung fu inspirados no jogo de videogame Street Fighter. &#xC9; hil&#xE1;rio, engra&#xE7;ado, vivo. Lang Lang adora a m&#xFA;sica cl&#xE1;ssica, mas n&#xE3;o a sacraliza.</p> <p> &#x201C;Ele toca como um ginasta&#x201D;, cutucou anos atr&#xE1;s o respeitado cr&#xED;tico Michael Kimmelman, do jornal The New York Times. H&#xE1; verdade e veneno na observa&#xE7;&#xE3;o. Tecnicamente, o int&#xE9;rprete &#xE9; irrepreens&#xED;vel. O problema est&#xE1; no que os cr&#xED;ticos identificam como ingenuidade art&#xED;stica. Lang entende a m&#xFA;sica cl&#xE1;ssica ocidental como uma t&#xE9;cnica. E isso tem a ver com a hist&#xF3;ria.</p> <p> <strong>UM CRAVO PARA O IMPERADOR</strong></p> <p> Em 1601, quando o jesu&#xED;ta italiano Matteo Ricci desembarcou em Pequim disposto a iniciar a cristianiza&#xE7;&#xE3;o da China, trazia um cravo de presente para o imperador Wanli, da dinastia Ming. Ricci esperou nove anos at&#xE9; ser recebido na Cidade Imperial. Ao ver o desconhecido instrumento, o soberano encantou-se e quis ter aulas. Outros jesu&#xED;tas instalaram &#xF3;rg&#xE3;os de igreja por l&#xE1;. Era o primeiro contato dos chineses com a m&#xFA;sica cl&#xE1;ssica ocidental. No s&#xE9;culo seguinte, o imperador Kangxi aprendeu a tocar cravo e fez publicar um manual com ensinamentos ocidentais e chineses lado a lado. Mais tarde, o imperador Qianlong chegou a ter seu ex&#xE9;rcito de eunucos cantando como os castrati italianos. Mas o impulso decisivo para o desenvolvimento da m&#xFA;sica cl&#xE1;ssica na China foi a chegada a Xangai de refugiados russos, entre eles czaristas e judeus, expulsos pela Revolu&#xE7;&#xE3;o de 1917. No ano seguinte, aportou na cidade o pianista e maestro italiano Mario Paci, que, doente, l&#xE1; permaneceu e acabou montando a primeira orquestra de m&#xFA;sica ocidental da China. D&#xE9;cadas depois, a expans&#xE3;o do g&#xEA;nero foi interrompida, no &#xFA;nico epis&#xF3;dio hist&#xF3;rico em que o piano foi banido de um pa&#xED;s &#x2013; no caso, pela Revolu&#xE7;&#xE3;o Cultural de Mao Ts&#xE9;-Tung, que, entre 1966 e 1976, destruiu instrumentos e partituras. Dezenas de professores dos conservat&#xF3;rios se suicidaram e sinfonias ocidentais s&#xF3; voltaram a ser executadas ap&#xF3;s a morte de Mao.</p> <p> De l&#xE1; para c&#xE1;, o piano paulatinamente deixou de ser um &#x201C;corpo estranho&#x201D;. Hoje, &#xE9; respons&#xE1;vel pelo &#x201C;grande salto&#x201D; do pa&#xED;s na &#xE1;rea musical. O maior boom do instrumento no mundo se deu justamente via Lang Lang. Quase tudo na China tem dimens&#xF5;es monumentais, e a m&#xFA;sica cl&#xE1;ssica n&#xE3;o &#xE9; mais exce&#xE7;&#xE3;o. O Conservat&#xF3;rio de Sichuan, em Chengdu, que possui 800 salas para estudo de piano, est&#xE1; concluindo uma ambiciosa amplia&#xE7;&#xE3;o, que o deixar&#xE1; com 10 mil. &#xC9; um dos nove megaconservat&#xF3;rios do pa&#xED;s, para onde se encaminham os aspirantes a Lang Lang. Seu instrumento est&#xE1; em primeiro lugar na prefer&#xEA;ncia dos estudantes chineses, seguido por violino e violoncelo &#x2013; estima-se em 50 milh&#xF5;es o total de crian&#xE7;as e adolescentes martelando diariamente pianos de arm&#xE1;rio. Se isso garante um mercado gigante, representa tamb&#xE9;m uma concorr&#xEA;ncia terr&#xED;vel. Desde muito cedo, Lang Lang mentalizou que precisaria ser &#x201C;o n&#xFA;mero 1&#x201D;. A fam&#xED;lia pobre investiu o que tinha e o que n&#xE3;o tinha. O pai largou o emprego e a m&#xE3;e sustentou marido e filho em Pequim com um sal&#xE1;rio de telefonista em Shenyang.</p> <p> &#xC9; n&#xE3;o apenas curioso mas tamb&#xE9;m sintom&#xE1;tico que a educa&#xE7;&#xE3;o musical chinesa seja famosa pelo m&#xE9;todo Suzuki, de treinamento mec&#xE2;nico baseado em repeti&#xE7;&#xE3;o e memoriza&#xE7;&#xE3;o. Quando se fixou nos Estados Unidos, Lang Lang foi criticado por ter t&#xE9;cnica demais e sentimento de menos &#x2013; ouviu isso nas aulas do pianista e regente Daniel Barenboim. Resultado: o chin&#xEA;s logo se bandeou para os maneirismos exagerados. Tornou-se over. Em vez de uma l&#xE1;grima, chora convulsivamente ao piano. Em vez de um meio sorriso, estoura em gargalhadas, como se o p&#xFA;blico precisasse de doses exageradas de emo&#xE7;&#xE3;o e virtuosismo para se interessar pelo que rola no palco. &#x201C;Quero reproduzir a sensa&#xE7;&#xE3;o do balan&#xE7;o de Tiger Woods e da enterrada de Michael Jordan&#x201D;, explica. De que ele sabe tocar piano, ningu&#xE9;m duvida. Que tem uma t&#xE9;cnica fenomenal, superlativa, tamb&#xE9;m &#xE9; &#xF3;bvio. Falta controlar os excessos. Mas, se justamente os excessos &#x2013; tanto ao piano quanto no modo de se vestir &#x2013; constituem a raz&#xE3;o de seu sucesso planet&#xE1;rio, n&#xE3;o seria o caso de nos perguntarmos, como sugere Kimmelman, &#x201C;o que sua maneira de tocar diz sobre n&#xF3;s mesmos&#x201D;?</p> <p> Ela indicaria que somos parte de uma sociedade do espet&#xE1;culo, em que o show n&#xE3;o pode parar &#x2013; e as nov&#xED;ssimas atra&#xE7;&#xF5;es precisam se suceder vertiginosamente, cada uma mais extravagante e bizarra que a anterior. Engrenagem perversa, em que tudo se faz para chamar a aten&#xE7;&#xE3;o de nossos ouvidos. Em sua precoce autobiografia, Lang Lang diz que, em 2000, aos 18 anos, teve uma das maiores emo&#xE7;&#xF5;es de sua vida: &#x201C;Eu faria os concertos em seguida &#xE0;s apresenta&#xE7;&#xF5;es de Evgeny Kissin, um pianista russo dez anos mais velho, que eu adorava desde garotinho. Kissin ocupava a sala de estudos pr&#xF3;xima &#xE0; minha e fiquei empolgado por estar perto do homem que admirava tanto&#x201D;.</p> <p> Doze anos depois, a situa&#xE7;&#xE3;o se inverte. Lang Lang e Evgeny Kissin integram a atual temporada da Sociedade de Cultura Art&#xED;stica em S&#xE3;o Paulo. Desta vez, o chin&#xEA;s toca antes. Kissin, formid&#xE1;vel representante da escola russa, apresenta-se em junho. Ambos j&#xE1; estiveram no Brasil. Agora, o frisson mesmo &#xE9; por causa de Lang Lang, joia principal da temporada que marca o centen&#xE1;rio da Cultura Art&#xED;stica. Vai ser interessante comparar o chin&#xEA;s e o russo em repert&#xF3;rios semelhantes, com um ciclo de confronto direto: ambos tocam os Estudos Opus 25 de Chopin, quintess&#xEA;ncia do chamado &#x201C;piano rom&#xE2;ntico&#x201D;. Fa&#xE7;am suas apostas.</p> <div class="descricao-autor"> <p> <strong>Jo&#xE3;o Marcos Coelho</strong> &#xE9; jornalista e cr&#xED;tico do jornal O Estado de S.Paulo.</p> </div><div class="onde-quando"> <p> <em>Lang Lang toca Partita N&#xBA; 1, de Bach, Sonata em Si bemol, D.960, de Schubert, e 12 Estudos, Op. 25, de Chopin</em>. Dias 20 e 22/5. Na Sala S&#xE3;o Paulo (p&#xE7;a. J&#xFA;lio Prestes, s/n, S&#xE3;o Paulo, 0++/11/3258-3344).</p> </div> Como Lang Lang, o pianista fã de hip-hop e videogame, tornou-se um ídolo pop visto como salvador pela indústria fonográfica 2012-05-16T18:17:21-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 177 - Maio 2012 Como Lang Lang, o pianista fã de hip-hop e videogame, tornou-se um ídolo pop visto como salvador pela indústria fonográfica Música BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/o-fim-e-tambem-um-comeco O Fim é Também um Começo 2012-05-15T17:36:36-03:00 José Flávio Júnior <p> Ainda que tenha recebido elogios entusiasmados de parte da cr&#xED;tica e de expoentes da nova gera&#xE7;&#xE3;o da MPB, o primeiro disco de Rodrigo Campos merecia mais. S&#xE3;o Mateus N&#xE3;o &#xC9; um Lugar Assim T&#xE3;o Longe (2009) apresentava um cantor e compositor com imensa habilidade para transformar em samba hist&#xF3;rias vividas na periferia de S&#xE3;o Paulo. A inspira&#xE7;&#xE3;o vinha de S&#xE3;o Mateus, quebrada da Zona Leste em que ele cresceu, e o olhar sobre aquele universo lembrava o de um rapper. O t&#xED;tulo de seu novo trabalho, Bahia Fant&#xE1;stica, sugere uma nova geografia. Mas a mudan&#xE7;a &#xE9; relativa.</p> <p> <strong>Areia de Itapu&#xE3;</strong></p> <p> Se na estreia o artista cantava cr&#xF4;nicas com personagens e situa&#xE7;&#xF5;es inspirados em fatos reais, dessa vez o ambiente &#xE9; muito mais imaginado. Bahia Fant&#xE1;stica tomou forma ap&#xF3;s uma temporada de dez dias num hotel em Itapu&#xE3;, bairro de Salvador, quando o artista sa&#xED;a de um per&#xED;odo de depress&#xE3;o. At&#xE9; pelo escasso tempo de observa&#xE7;&#xE3;o, o resultado est&#xE1; longe de constituir um tratado sobre ritmos e humores locais. Na verdade, parece que a Bahia &#xE9; um apelido que ele d&#xE1; a S&#xE3;o Mateus. Muitas das caracter&#xED;sticas de suas primeiras cria&#xE7;&#xF5;es seguem intactas: Campos continua falando de gente (e de si mesmo). Dininho Cruz, Andreza e Alexandre est&#xE3;o entre os nomes mencionados nos versos. S&#xF3; que as letras ficaram mais sucintas e convidam o ouvinte a fantasiar novas estrofes para concluir as cr&#xF4;nicas.</p> <p> A morte &#xE9; o assunto dominante, mas quase nunca como saldo da viol&#xEA;ncia das ruas, algo recorrente em S&#xE3;o Mateus... Ela aparece mais para simbolizar o t&#xE9;rmino de coisas menores do que a vida, como a pr&#xF3;pria depress&#xE3;o que angustiou o artista. &#x201C;Ana vai morrer, n&#xE3;o tem problema/ Todo fim de tarde Aninha morre&#x201D;, ele canta em Aninha. &#x201C;Elias vem/ Elias vai nascer de novo&#x201D;, diz em Elias.</p> <p> Musicalmente, Bahia Fant&#xE1;stica supera seu antecessor. Campos se aproxima da soul music norte-americana (principalmente da obra de Curtis Mayfield) em v&#xE1;rias faixas, flerta com timbres de afrobeat em Princesa do Mar e Sou de Salvador e, mesmo sem ter a inten&#xE7;&#xE3;o, encarna Marcos Valle no balan&#xE7;o de General Geral, o &#xE1;pice do CD. Criolo, Luisa Maita e Ju&#xE7;ara Mar&#xE7;al contribuem cantando um tema cada um. Os m&#xFA;sicos mais presentes na grava&#xE7;&#xE3;o s&#xE3;o todos citados como produtores do &#xE1;lbum. Isso s&#xF3; comprova o car&#xE1;ter coletivo da empreitada, ainda que Campos assine a &#xED;ntegra das composi&#xE7;&#xF5;es.</p> <p> Por for&#xE7;a de tantas conex&#xF5;es e refer&#xEA;ncias bacanas, &#xE9; bem prov&#xE1;vel que o artista tenha mais sorte com Bahia Fant&#xE1;stica. Quem entrar na dele provavelmente buscar&#xE1; o in&#xED;cio de tudo em S&#xE3;o Mateus... Rodrigo Campos, ent&#xE3;o, vai nascer de novo.</p> <div class="onde-quando"> <p> <strong>O &#xC1;LBUM</strong></p> <p> <em>Bahia Fant&#xE1;stica </em>(ybmusic), de Rodrigo Campos. Produtores: Gustavo Lenza, Romulo Fr&#xF3;es, Kiko Dinucci, Marcelo Cabral, Maur&#xED;cio Fleury, M. Takara, Thiago Fran&#xE7;a e Rodrigo Campos. Pre&#xE7;o m&#xE9;dio: R$ 25.</p> </div> <em>Bahia Fantástica</em>, segundo álbum do paulistano Rodrigo Campos, vê a morte como símbolo dos renascimentos que a vida nos propõe 2012-05-15T15:24:28-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 177 - Maio 2012 Bahia Fantástica, segundo álbum do paulistano Rodrigo Campos, vê a morte como símbolo dos renascimentos que a vida nos propõe Música BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/9-motivos-para-ouvir-e-nao-apenas-ver-gaby-amarantos 9 Motivos para Ouvir (e não apenas ver) Gaby Amarantos 2012-04-26T12:33:56-03:00 José Flávio Júnior <p> Chega neste m&#xEA;s &#xE0;s lojas f&#xED;sicas e virtuais o &#xE1;lbum Treme, primeiro (e aguardado) trabalho solo de Gaby Amarantos. A cantora paraense, que se destacou &#xE0; frente do grupo Tecno Show, conta com a simpatia dos meios de comunica&#xE7;&#xE3;o &#x2013; ainda que o foco das reportagens esteja em geral menos na m&#xFA;sica do que no figurino ex&#xF3;tico e nas compara&#xE7;&#xF5;es um tanto for&#xE7;adas com Lady Gaga e Beyonc&#xE9;. Mas o som de Gaby, uma artista popular que vem seduzindo cada vez mais a elite, n&#xE3;o merece ficar em segundo plano. A seguir, nove motivos para apreci&#xE1;-lo.</p> <p> <strong>1 - Gaby est&#xE1; apresentando para o resto do pa&#xED;s o tecnobrega, </strong>manifesta&#xE7;&#xE3;o eletr&#xF4;nica genuinamente amaz&#xF4;nica. O estilo irreverente e dan&#xE7;ante ganhou ramifica&#xE7;&#xF5;es como o tecnomelody e o eletromelody e j&#xE1; desperta a aten&#xE7;&#xE3;o de DJs internacionais.</p> <p> <strong>2 - Ela &#xE9; a ponta-de-lan&#xE7;a da cena pop de Bel&#xE9;m, a mais interessante do Brasil hoje. </strong>Se virar mesmo um &#xED;cone nacional, Gaby deve abrir portas para outros nomes da capital paraense, como Felipe Cordeiro, parceiro na roqueira Ela T&#xE1; no Ar.</p> <p> <strong>3 - A cantora vai al&#xE9;m do ritmo que a projetou. </strong>Treme inclui o brega cl&#xE1;ssico Ex Mai Love, escolhido para a abertura da pr&#xF3;xima novela das 7 da Globo, e a c&#xFA;mbia Cora&#xE7;&#xE3;o Est&#xE1; em Peda&#xE7;os, originalmente uma balada de Zez&#xE9; di Camargo.</p> <p> <strong>4 - A dire&#xE7;&#xE3;o art&#xED;stica de Treme &#xE9; de Carlos Eduardo Miranda, a principal antena do pop brasileiro. </strong>Ele contou com a colabora&#xE7;&#xE3;o de F&#xE9;lix Robatto, m&#xFA;sico-chave para o resgate da guitarrada (uma lambada instrumental), e do DJ de tecnobrega Waldo Squash.</p> <p> <strong>5 - J&#xE1; uma grande int&#xE9;rprete, Gaby est&#xE1; em plena evolu&#xE7;&#xE3;o. </strong>Inezita Barroso e Maria Alcina, por exemplo, se derreteram em elogios. Na grava&#xE7;&#xE3;o do &#xE1;lbum solo, a produtora Cyz Zamorano foi fundamental para tirar o melhor do vozeir&#xE3;o de Gaby.</p> <p> <strong>6 - Ela joga luz em compositores talentosos, </strong>mas pouco conhecidos fora dos dom&#xED;nios paraenses. &#xC9; o caso de Al&#xED;pio Martins (1944-1997), de quem Gaby gravou Vem Me Amar. Martins ajudou a popularizar o carimb&#xF3; e a lambada nos anos 70.</p> <p> <strong>7 - A artista canta versos provocadores, como &#x201C;eu vou samplear, eu vou te roubar&#x201D;. </strong>A passagem est&#xE1; na bem-humorada Xirley, que brinca com o conceito de samplear, utilizar um trecho de uma m&#xFA;sica, com autoriza&#xE7;&#xE3;o ou n&#xE3;o, para criar outra.</p> <p> <strong>8 - Fernanda Takai participa da faixa Pimenta com Sal. </strong>A cantora do Pato Fu, tamb&#xE9;m de origem amaz&#xF4;nica, estrela um bel&#xED;ssimo dueto com Gaby nessa can&#xE7;&#xE3;o escrita pelo poeta roraimense Eliakin Rufino.</p> <p> <strong>9 - A int&#xE9;rprete tem a b&#xEA;n&#xE7;&#xE3;o de cantoras paraenses veteranas. </strong>Faf&#xE1; de Bel&#xE9;m &#xE9; uma das maiores incentivadoras de Gaby e Dona Onete, a criadora do carimb&#xF3; chamegado, d&#xE1; canja em Mesti&#xE7;a, de sua pr&#xF3;pria autoria, a faixa mais folcl&#xF3;rica de Treme.</p> <p> &#xA0;</p> Simplesmente brega ou um grande talento do pop? Alheia aos rótulos, a cantora de Belém atrai do povão à elite 2012-04-26T12:33:56-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 176 - Abril 2012 Simplesmente brega ou um grande talento do pop? Alheia aos rótulos, a cantora de Belém atrai do povão à elite Música BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/nada-de-showman Nada de showman 2012-04-25T11:50:49-03:00 Rafael Nardini <p> V&#xEA;-lo ao vivo &#xE9; estranho. N&#xE3;o &#xE9; mais aquele garoto que escreveu<em> It Ain&#x2019;t Me, Babe</em> no in&#xED;cio dos anos 60 &#x2013; a segunda apresentada na noite de domingo, 22, em S&#xE3;o Paulo &#x2013; nem as reencarna&#xE7;&#xF5;es que se seguiram. &#xC9; um outro Bob Dylan, agora beirando os 71 anos, que soma tudo o que criou em meio s&#xE9;culo de estrada.</p> <p> Com as luzes apagadas, os primeiros acordes deram in&#xED;cio a<em> Leopard Skin Pill-Box Hat</em> para segundos depois os refletores o exibirem debaixo de seu chap&#xE9;u branco. A voz, ponto de discuss&#xE3;o desde sempre, apareceu despeda&#xE7;ada como de costume nos &#xFA;ltimos anos. H&#xE1; quem diga que menos surrada que na &#xFA;ltima visita ao pa&#xED;s. Para quem cobra vitalidade eterna, o f&#xF4;lego de antigamente reapareceria na terceira can&#xE7;&#xE3;o, a oscarizada <em>Things Have Changed</em>, que recebeu arranjo de gaita e as primeiras palmas mais entusiasmadas.</p> <p> O p&#xFA;blico sugeria maior aprecia&#xE7;&#xE3;o hist&#xF3;rica do que fanatismo. Meia hora antes do show, a bilheteria vendia ingressos que chegavam a custar R$ 900, mas n&#xE3;o havia disputa aos tapas. Mesmo assim, l&#xE1; de cima deu para ver que os lugares foram devidamente ocupados para o in&#xED;cio do show. Mas n&#xE3;o haveria exce&#xE7;&#xF5;es. O jogo seria duro para quem queria algo mais pessoal: nenhuma palavra dirigida ao p&#xFA;blico. O que importava ali era, claramente, a m&#xFA;sica. E para isso, Dylan trouxe um bando de bluesmen mais do que competente.</p> <p> As recria&#xE7;&#xF5;es para <em>Tangle Up In Blue</em> e <em>Simple Twist Of Fate</em> e a execu&#xE7;&#xE3;o de<em> Thunder On The Mountain</em>, rock dos anos 50 que ganhou ares de rockabilly, s&#xE3;o provas de um m&#xFA;sico caminhando solit&#xE1;rio e insatisfeito, algu&#xE9;m que procura por algo. Pistas de que ele olha para tr&#xE1;s, sim. Mas sem perder de vista o pr&#xF3;ximo passo. A vers&#xE3;o do cl&#xE1;ssico <em>Ballad of a Thin Man</em> apresentada bem que poderia ser a definitiva daqui em diante. O timbre cavernoso da voz ganhou eco e casou perfeitamente com as guitarras estridentes, substitutas do piano e do &#xF3;rg&#xE3;o da grava&#xE7;&#xE3;o original.</p> <p> A tend&#xEA;ncia mundial em fazer de todo show uma experi&#xEA;ncia multim&#xED;dia, simular intera&#xE7;&#xE3;o e disponibilizar uma overdose de closes e imagens n&#xE3;o serve a Dylan. A ilumina&#xE7;&#xE3;o &#xE9; propositalmente prec&#xE1;ria e o cen&#xE1;rio, inexistente. Nada de tel&#xF5;es, de imprensa ou fot&#xF3;grafos. Uma megaprodu&#xE7;&#xE3;o, s&#xF3; que ao contr&#xE1;rio. Ele s&#xF3; quer mostrar que tem can&#xE7;&#xF5;es e disposi&#xE7;&#xE3;o suficiente para fazer o que quiser com elas. Seja no teclado, na gaita ou solando a guitarra. O Robert Allen Zimmerman visto na capital paulista &#xE9; outro tipo de artista: o que nunca se preocupou em agradar. Talvez por tr&#xE1;s de tudo haja um certo receio dele em subir ao palco. Uma avers&#xE3;o ao showman, mesmo que aparente se divertir, ao seu modo, com sua banda. Mas que n&#xE3;o aceita de forma alguma o tamanho que ganhou. Ao menos, &#xE9; a impress&#xE3;o que passou &#xE0; dist&#xE2;ncia, da poltrona em que estive sentado.</p> <p> <em>Conte&#xFA;do de ALFA</em></p> Em seu segundo show em São Paulo, Bob Dylan deu nova mostra da sua arte de surpreender (ou enganar) plateias 2012-04-25T11:50:49-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Em seu segundo show em São Paulo, Bob Dylan deu nova mostra da sua arte de surpreender (ou enganar) plateias Música BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/herois-da-resistencia Heróis da Resistência 2012-04-24T20:29:57-03:00 José Flávio Jr <p> Poucas testemunhas estavam no Chevrolet Hall &#xE0;s 2h20 da madrugada de domingo para segunda, quando o incendi&#xE1;rio grupo portugu&#xEA;s Buraka Som Sistema finalizou seu &#xFA;ltimo kuduro, colocando um bel&#xED;ssimo ponto final na 20&#xAA; edi&#xE7;&#xE3;o do Abril pro Rock. Sob forte concorr&#xEA;ncia das turn&#xEA;s de Paul McCartney e Chico Buarque, que ocorreram no Recife no mesmo fim de semana, o festival pernambucano, decano dos independentes, s&#xF3; teve p&#xFA;blico volumoso mesmo na sexta-feira, o primeiro dia. Pudera. O Los Hermanos escolheu voltar &#xE0; estrada l&#xE1;, no evento que possibilitou que a banda assinasse seu primeiro contrato com gravadora, em 1999. Cerca de 15 mil pessoas urraram com o repert&#xF3;rio dos cariocas, composto por 30 can&#xE7;&#xF5;es, sendo quatro delas boas surpresas: duas in&#xE9;ditas ainda sem nomes escritas por Rodrigo Amarante e duas da carreira solo de Marcelo Camelo &#x2013; no dia seguinte, era curioso procurar na internet pelos v&#xED;deos das in&#xE9;ditas e encontrar gente postando as de Camelo como se fossem novas, sinal de que boa parte dos f&#xE3;s dos Hermanos ignora o momento solo do autor de Anna J&#xFA;lia (ali&#xE1;s, essa n&#xE3;o rolou e foi pouco pedida, como de praxe). Levando em conta o alto astral da banda no palco, todos altinhos pelo significativo consumo de &#xE1;lcool no camarim, o saldo foi positivo para o in&#xED;cio desse giro de reencontro com os f&#xE3;s, ainda que a banda tenha evitado maiores contatos com seus saudosos seguidores. A equipe de 32 pessoas (com direito a fot&#xF3;grafa e DJ oficiais) seguiu para Fortaleza protegida por um esquema que lembrava bandas gringas de primeiro escal&#xE3;o.</p> <p> Amarante pediu do palco que as pessoas voltassem aos outros dias de festival e prestigiassem as bandas menos conhecidas. Quase em v&#xE3;o. Um ter&#xE7;o do p&#xFA;blico deu as caras no s&#xE1;bado, o dispens&#xE1;vel &#x201C;dia do metal&#x201D;, para ver bons shows dos endiabrados mexicanos do Brujeria, do duo paulistano Test (que fez o show no ch&#xE3;o da casa de espet&#xE1;culos, no meio dos &#x201C;camisas-pretas&#x201D;) e de um monte de outras bandas que n&#xE3;o merecem men&#xE7;&#xE3;o especial. O dia de festival que realmente interessava era o domingo, quando o lend&#xE1;rio organizador Paulo Andr&#xE9; e seus parceiros encadearam uma sequ&#xEA;ncia com os indies americanos do Nada Surf, o &#x201C;pimpado&#x201D; Mundo Livre S/A, o coletivo de afrobeat Antibalas, o sempre lesado Otto e o Buraka, que se apresentou com dois bateristas &#x201C;descendo a m&#xE3;o&#x201D;.</p> <p> Um encadeamento desse n&#xED;vel s&#xF3; &#xE9; poss&#xED;vel no Abril, que n&#xE3;o se importa em torrar uma grana preta para trazer os nova-iorquinos da Antibalas (12 pessoas em cima do palco, fazendo o melhor show do festival, com direito &#xE0; matadora Indictment no encerramento, m&#xFA;sica que n&#xE3;o rolou nas duas apresenta&#xE7;&#xF5;es paulistanas) para manter a chama do festival acesa. Tudo bem, o fanatismo dos f&#xE3;s dos Hermanos ajudou a organiza&#xE7;&#xE3;o a viabilizar essa extravag&#xE2;ncia. Mas, mesmo assim, justificou a exist&#xEA;ncia e a resist&#xEA;ncia do APR por duas d&#xE9;cadas, ensinando a plateia pernambucana a pagar pelo ingresso, revelando artistas nacionais como o Test (que n&#xE3;o &#xE9; Chico Science, revelado na primeira edi&#xE7;&#xE3;o, mas tamb&#xE9;m ousa no formato e ati&#xE7;a a audi&#xEA;ncia) e fazendo um servi&#xE7;o que os meios oficiais de comunica&#xE7;&#xE3;o t&#xEA;m abdicado sem pudor algum: celebrar a m&#xFA;sica diferente. Parab&#xE9;ns, novo adulto!</p> <p> <em>Jos&#xE9; Fl&#xE1;vio Jr &#xE9; jornalista.</em></p> Em sua 20ª edição, Abril Pro Rock é palco da volta dos Los Hermanos e ratifica sua força na música independente 2012-04-24T20:27:14-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Em sua 20ª edição, Abril Pro Rock é palco da volta dos Los Hermanos e ratifica sua força na música independente Música BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/zeca-galhofeiro Zeca Galhofeiro 2012-04-20T18:31:40-03:00 Pedro Alexandre Sanches <p> Zeca Baleiro lan&#xE7;ou mais um &#xE1;lbum. Caetano Veloso adorou. O cr&#xED;tico Nelson Motta e o pesquisador musical Hermano Vianna tamb&#xE9;m. Revistas e jornais de grande circula&#xE7;&#xE3;o abriram manchetes generosas para o trabalho. Ainda n&#xE3;o terminamos o primeiro semestre, mas todo mundo j&#xE1; sabe: &#xE9; o melhor CD de 2012. Trata-se, no entanto, de uma s&#xE1;tira. O int&#xE9;rprete e compositor de Arari (MA) sabe que dificilmente<em> O Disco do Ano</em> ser&#xE1;, de fato, o disco do ano. Um dos mais inventivos e prof&#xED;cuos m&#xFA;sicos brasileiros de sua gera&#xE7;&#xE3;o, Zeca nunca foi unanimidade. Em 2002, por exemplo, Caetano declarou publicamente sua antipatia por <em>Lenha</em>, can&#xE7;&#xE3;o do maranhense que Rita Ribeiro lan&#xE7;ara em 1997.</p> <p> O in&#xED;cio do par&#xE1;grafo acima &#xE9; inspirado em <em>Mam&#xE3;e no Face</em>, faixa que encerra o novo &#xE1;lbum, previsto para chegar &#xE0;s lojas neste m&#xEA;s: &#x201C;O fato &#xE9; que eu t&#xF4; na moda/ mam&#xE3;e, fiz um disco foda/ faz um download e ouve a&#xED;&#x201D;. Zeca planejava lan&#xE7;&#xE1;-lo apenas em pen drive, de modo a satirizar o formato redondo (e anacr&#xF4;nico) dos CDs. Mas a ideia foi adiada pelo contrato com a Som Livre, das Organiza&#xE7;&#xF5;es Globo. &#x201C;Como &#xE9; que voc&#xEA; prop&#xF5;e a uma gravadora um disco s&#xF3; virtual? Acabei caindo na mais convencional das m&#xED;dias&#x201D;, ri da pr&#xF3;pria contradi&#xE7;&#xE3;o. &#x201C;O disco do ano &#xE9; uma obsess&#xE3;o jornal&#xED;stica. A m&#xED;dia cultural precisa de fatos. Quando n&#xE3;o tem, ela cria.&#x201D;</p> <p> &#x201C;Com o tempo, os resultados v&#xE3;o ficando previs&#xED;veis, por mais que voc&#xEA; tente surpreender&#x201D;, continua ele, que recrutou 15 produtores para as 12 faixas do CD. &#xC9; verdade que <em>O Disco do Ano</em> se parece com outros &#xE1;lbuns de Zeca Baleiro. Na arquitetura de sua obra, por&#xE9;m, um ponto de imprevisibilidade o torna essencialmente &#xED;mpar: &#x201C;N&#xE3;o sou mainstream nem sou cult&#x201D;, anuncia, na letra de <em>Mam&#xE3;e no Face</em>. Prestes a completar 46 anos, Zeca &#xE9; um artista que consegue combinar caracter&#xED;sticas positivas do underground e do topo das paradas. &#xC9; considerado maldito, mas seu repert&#xF3;rio re&#xFA;ne alguns hits bem populares, como <em>Flor da Pele</em> (1997),<em> N&#xE3;o Tenho Tempo</em> (1999), <em>Babylon</em> (2000), <em>Telegrama</em> (2002) e <em>Muzak</em> (2005).</p> <p> <strong>Lob&#xE3;o do Nordeste</strong></p> <p> Zeca &#xE9; herdeiro direto de um &#x201C;maldito&#x201D; por excel&#xEA;ncia: Itamar Assump&#xE7;&#xE3;o. E tem cultivado o h&#xE1;bito de iluminar uma s&#xE9;rie de artistas maltratados pela cr&#xED;tica &#x2013; ou por serem considerados comerciais demais, ou por exagerarem em experimentalismo e complexidade. Em seu &#xE1;lbum de estreia, fez duetos com Wanderl&#xE9;a e Genival Lacerda. Em 1999, resgatou a reflexiva <em>Tem que Acontecer</em>, do marginal setentista S&#xE9;rgio Sampaio, de quem mais adiante lan&#xE7;aria, por seu selo independente Sarav&#xE1;, o disco p&#xF3;stumo<em> Cruel </em>(2006). Em 2003, criou um CD em dupla com Fagner. Em 2006, gravou <em>Eu, Voc&#xEA; e a Pra&#xE7;a</em>, de Odair Jos&#xE9;, e dirigiu um disco coletivo de poemas musicados de Hilda Hilst. Lan&#xE7;ou-o &#xE0;s pr&#xF3;prias custas, evidentemente.</p> <p> Em dois &#xE1;lbuns de 2010, recolocou em circula&#xE7;&#xE3;o can&#xE7;&#xF5;es de Walter Franco (Respire Fundo), Tet&#xEA; Esp&#xED;ndola (Cunhataipor&#xE3;), Camisa de V&#xEA;nus (Eu N&#xE3;o Matei Joana d&#x2019;Arc), Assis Valente (Tem Francesa no Morro) e Cartola (Autonomia). Guarda tamb&#xE9;m o costume de homenagear suas refer&#xEA;ncias, inclusive no t&#xED;tulo das can&#xE7;&#xF5;es, como em Kid Vinil (1997), Meu Nome &#xC9; Nelson Rodrigues (2002) e Como Diria Odair (2008).</p> <p> Para dar vaz&#xE3;o a sua natureza dupla, Zeca oscila entre contratos de distribui&#xE7;&#xE3;o com grandes gravadoras e empreitadas independentes pelo Sarav&#xE1; &#x2013; a pr&#xF3;xima deve ser a produ&#xE7;&#xE3;o de um disco in&#xE9;dito de, mais uma vez, Odair Jos&#xE9;. De mansinho e sem alarde, vai enxertando o pop na marginalidade e a rebeldia na engrenagem.</p> <p> Zelador de &#x201C;malditos&#x201D; e &#x201C;cafonas&#x201D;, tem sido abertamente amoroso com a m&#xFA;sica brasileira de seus predecessores. Tributa esse carinho ao parceiro Chico C&#xE9;sar. &#x201C;Quando cheguei a S&#xE3;o Paulo, estava numa pegada muito rebelde. Chico me chamava de &#x2018;o Lob&#xE3;o do Nordeste&#x2019;. Eu era o cara que gostava de estragar a festa, de provocar. Ia e tocava umas m&#xFA;sicas porn&#xF4;s que tinha composto para um disco que nunca fiz&#x201D;, conta.</p> <p> Ele se exp&#xF5;e, em subtextos que v&#xE3;o bem al&#xE9;m da s&#xE1;tira. &#x201C;Isso estava em mim. Como sa&#xED; de uma realidade tacanha, de prov&#xED;ncia, eu queria ser o cara, o especial, o inigual&#xE1;vel, o inimit&#xE1;vel&#x201D;, diz, &#xE0;s gargalhadas, numa clara refer&#xEA;ncia ao disco<em> O Inimit&#xE1;vel</em> (1968), de Roberto Carlos. &#x201C;Eu tendia mais &#xE0; turma da vanguarda paulistana do que &#xE0; tradi&#xE7;&#xE3;o brasileira. E tinha as influ&#xEA;ncias do rock e do folk norte-americanos. Chico me fez voltar a ter apego pela can&#xE7;&#xE3;o brasileira.&#x201D;</p> <p> Cantada em tom de rap, em duo com Chor&#xE3;o (do grupo Charlie Brown Jr.), a nova <em>O Desejo</em> cita can&#xE7;&#xF5;es de Erasmo Carlos (&#x201C;Estou s&#xF3; &#xE0; beira do caminho&#x201D;), Belchior (&#x201C;Voc&#xEA;, guardado por Deus, conta seus metais por detr&#xE1;s das janelas&#x201D;) e Raul Seixas (&#x201C;Voc&#xEA; se olha no espelho e v&#xEA; que tudo &#xE9; mentira&#x201D;), enquanto critica amargamente &#x201C;tanto canalha no topo&#x201D; e o costume de &#x201C;adular endinheirados&#x201D;. <em>Nada Al&#xE9;m</em>, que j&#xE1; havia sido gravada pelo coautor, Frejat, tripudia dos queixumes do tipo &#x201C;classe m&#xE9;dia sofre&#x201D;: &#x201C;Voc&#xEA; n&#xE3;o quer ver nada al&#xE9;m do seu umbigo&#x201D;, &#x201C;Voc&#xEA; n&#xE3;o quer ver nada al&#xE9;m do seu mundinho&#x201D;, &#x201C;Voc&#xEA; acha que ningu&#xE9;m sofre mais que voc&#xEA;/ talvez porque n&#xE3;o saiba ao certo o que &#xE9; sofrer&#x201D;. Poderia ser um recado, merecido, &#xE0; turma da MPB a que ele pertence. Ou aos jornalistas. Ou a voc&#xEA;.</p> <p> Corre veneno no sangue de Zeca (como no seu e no meu), e ele n&#xE3;o se exime de destil&#xE1;-lo. Sem hesita&#xE7;&#xE3;o, devolve com humor a provoca&#xE7;&#xE3;o de Caetano: &#x201C;O cara &#xE9; uma comadre linguaruda, n&#xE9;? Adoro o Caetano, mas a atua&#xE7;&#xE3;o dele nos bastidores &#xE9; pass&#xED;vel de cr&#xED;tica. Essa coisa de querer ser sempre o juiz. Ningu&#xE9;m perguntou, ent&#xE3;o n&#xE3;o fala, p&#xF4;&#x201D;.</p> <p> <strong>Hipop&#xF3;tamo insone</strong></p> <p> Ao mesmo tempo que celebra explicitamente Lulu Santos na letra e na melodia da nova <em>O Amor Viajou</em>, diverte-se em critic&#xE1;-lo: &#x201C;Lulu &#xE9; um chato, uma pessoa insuport&#xE1;vel. Mas &#xE9; um g&#xEA;nio da can&#xE7;&#xE3;o. Tive uma experi&#xEA;ncia desagradabil&#xED;ssima com ele no programa <em>Altas Horas</em>, da Globo. Era para fazermos umas intera&#xE7;&#xF5;es, e Lulu foi insuportavelmente deselegante, colocou empecilhos em todas as minhas sugest&#xF5;es, prop&#xF4;s can&#xE7;&#xF5;es que s&#xF3; ele conhecia. N&#xE3;o rolou, ficou um mal-estar terr&#xED;vel. Ele &#xE9; psic&#xF3;tico, man&#xED;aco, sociopata, n&#xE3;o me deixava nem falar&#x201D;.</p> <p> Desbocado, mas nem tanto, evita dizer a quem dedicaria<em> Arm&#xE1;rio</em> (2010), uma das mais ferinas de sua safra recente, com versos de tapas beijos entre dois homens (ou duas mulheres): &#x201C;N&#xE3;o posso, n&#xE3;o posso/ j&#xE1; falei que eu n&#xE3;o posso/ n&#xE3;o &#xE9; que eu n&#xE3;o queira/ mas &#xE9; t&#xE3;o dif&#xED;cil pra mim (...) j&#xE1; que eu n&#xE3;o posso sair do arm&#xE1;rio/ pe&#xE7;o que voc&#xEA; entre no arm&#xE1;rio tamb&#xE9;m&#x201D;. &#x201C;Ah, essa eu dedicaria a um monte de gente, mas n&#xE3;o quero ficar sujo&#x201D;, gargalha.</p> <p> A s&#xE1;tira afiada rende dissabores, admite. &#x201C;Voc&#xEA; cria inimigos. Um monte de gente me odeia por causa de Bienal.&#x201D; Lan&#xE7;ada em 1999, a m&#xFA;sica debocha da arte contempor&#xE2;nea e compara a fei&#xFA;ra de uma obra &#xE0; de um hipop&#xF3;tamo insone. &#x201C;Voc&#xEA; n&#xE3;o pode criticar um cara da hora porque v&#xE3;o te julgar invejoso. N&#xE3;o estou nem a&#xED;. Conquistei a possibilidade de dizer o que quero. Isso &#xE9; dignidade.&#x201D; Para l&#xE1; do fogo criativo, eis a contribui&#xE7;&#xE3;o crucial de Zeca Baleiro: arte acompanhada de cr&#xED;tica e autocr&#xED;tica.</p> <div class="descricao-autor"> <p> <strong>Pedro Alexandre Sanches</strong> &#xE9; jornalista e editor do site musical Farofaf&#xE1; (www.farofafa.com.br).</p> </div><div class="onde-quando"> <p> <strong>O &#xC1;LBUM</strong></p> <p> <em>O Disco do Ano</em> (Som Livre), de Zeca Baleiro. Produtores: v&#xE1;rios. Pre&#xE7;o m&#xE9;dio: R$ 30.</p> </div> Novo álbum do cantor e compositor maranhense, <em>O Disco do Ano</em> ri de si mesmo, zomba da crítica e provoca a indústria. Sobra até para o público 2012-04-20T16:12:27-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 176 - Abril 2012 Novo álbum do cantor e compositor maranhense, O Disco do Ano ri de si mesmo, zomba da crítica e provoca a indústria. Sobra até para o público Música BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/a-banqueta-da-vez A Banqueta da Vez 2012-04-17T12:43:32-03:00 Arthur Dapieve <p> Quando Alfred Brendel, ent&#xE3;o aos 77 anos, anunciou que penduraria suas partituras, em 2009, teve in&#xED;cio a inevit&#xE1;vel busca por um herdeiro para o &#x201C;pianista-fil&#xF3;sofo&#x201D; (o t&#xED;tulo deve-se principalmente aos penetrantes ensaios que Brendel escreveu sobre Mozart,Beethoven e Schubert). Parecia n&#xE3;o haver ningu&#xE9;m &#xE0; altura do austr&#xED;aco que ocupara a banqueta com brilhantismo, aliando sensibilidade e rigor intelectual. Pois bem: o brit&#xE2;nico Paul Lewis, um de seus ex-alunos, interessado pelo mesmo repert&#xF3;rio do mestre, tem sido cada vez mais apontado como um poss&#xED;vel sucessor.</p> <p> No finalzinho do ano passado, Lewis lan&#xE7;ou pelo selo <em>Harmonia Mundi</em> um &#xE1;lbum duplo, ainda in&#xE9;dito no Brasil, com tr&#xEA;s sonatas tardias de Franz Schubert (1797-1828), al&#xE9;m de outras de suas pe&#xE7;as para piano. A clara articula&#xE7;&#xE3;o que Lewis d&#xE1; &#xE0; <em>Sonata em R&#xE9; Maior D850, Op. 53</em>, e &#xE0; <em>Sonata em D&#xF3; Maior D840</em>, apelidada de <em>Rel&#xED;quia</em> por nunca ter sido completada, &#xE9; poderosa. J&#xE1; os seus<em> Impromptus D899, Op. 90</em>, rivalizam em lirismo e for&#xE7;a expressiva com a aclamada vers&#xE3;o da portuguesa Maria Jo&#xE3;o Pires.</p> <p> <strong>Fasc&#xED;nio por Beethoven</strong></p> <p> Trata-se, na verdade, de um retorno a Schubert para Lewis. Dez anos antes, o pianista gravara quatro sonatas do compositor, em dois diferentes discos para o Harmonia Mundi. Depois mergulhou na obra de Ludwig van Beethoven (1770-1827): registrou para o mesmo selo, e sempre com aplausos, as 32 sonatas, as <em>Varia&#xE7;&#xF5;es Diabelli</em> e os cinco concertos do alem&#xE3;o (estes com a Orquestra Sinf&#xF4;nica da BBC, sob a reg&#xEA;ncia do tcheco Jir&#xED; Belohl&#xE1;vek). &#xC9; como se, tal qual Schubert, Lewis precisasse dar vaz&#xE3;o ao fasc&#xED;nio nutrido pelo gigante ensurdecido antes de poder afirmar a sua pr&#xF3;pria personalidade.</p> <p> Agora, aos 39 anos, o m&#xFA;sico nativo de Liverpool, filho de estivador, ressurge no universo schubertiano com nova maturidade. Certamente ajuda o fato de, antes, ele ter gravado com o tenor Mark Padmore os tr&#xEA;s ciclos de can&#xE7;&#xF5;es de Schubert. Afinal, mesmo quando escrevia pe&#xE7;as instrumentais, Schubert continuava sendo, na ess&#xEA;ncia, um compositor de can&#xE7;&#xF5;es. Quer dizer, de lieder, o feliz casamento entre o melhor da m&#xFA;sica para piano e o melhor da poesia em l&#xED;ngua alem&#xE3;. Escute, por exemplo, o segundo movimento (con moto) da <em>Sonata em R&#xE9; Maior </em>e tente n&#xE3;o cantarolar o tema principal.</p> <p> Quando escreveu a cr&#xED;tica do novo &#xE1;lbum de Lewis para a edi&#xE7;&#xE3;o de fevereiro da revista brit&#xE2;nica <em>Gramophone</em>, Harriet Smith disse que, ao ouvi-lo, tinha vontade de dan&#xE7;ar nas ruas e distribuir c&#xF3;pias do disco aos passantes. Seu entusiasmo, por incr&#xED;vel que pare&#xE7;a, n&#xE3;o &#xE9; exagerado.</p> <div class="descricao-autor"> <p> <strong>ARTHUR DAPIEVE</strong> &#xE9; jornalista e escritor, autor do romance Black Music, entre outros.</p> </div><div class="onde-quando"> <p> <strong>O &#xC1;LBUM</strong></p> <p> <em>Schubert: Piano Sonatas D840, 850 e 894, Impromptus D899, Klavierst&#xFC;cke D946 </em>(Harmonia Mundi, importado), de Paul Lewis. Pre&#xE7;o m&#xE9;dio: R$ 40.</p> </div> Discípulo de Alfred Brendel, o pianista inglês Paul Lewis lança álbum duplo com peças de Franz Schubert e desperta nos ouvintes a vontade de sair dançando pelas ruas 2012-04-16T17:08:47-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 176 - Abril 2012 Discípulo de Alfred Brendel, o pianista inglês Paul Lewis lança álbum duplo com peças de Franz Schubert e desperta nos ouvintes a vontade de sair dançando pelas ruas Música BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/de-olho-no-principe De Olho no Príncipe 2012-04-16T18:04:39-03:00 Paula Nadal <p> No intervalo da &#xF3;pera duas senhoras conversam: &#x201C;Voc&#xEA; viu? Eu achei isso tudo muito estranho. O pr&#xED;ncipe &#xE9; uma mulher!&#x201D;. E a outra: &#x201C;Ah, mas as vozes s&#xE3;o bonitas, voc&#xEA; n&#xE3;o achou?&#x201D;. &#x201C;Eu achei, mas o pr&#xED;ncipe &#xE9; uma mulher!&#x201D;, retrucou inconformada.</p> <p> A &#xF3;pera era <em>Cendrillon</em> &#x2013; para n&#xF3;s, <em>Cinderela</em> &#x2013;, de Jules Massenet (1842-1912) e, para a surpresa das senhoras na plateia, a Royal Opera House tratou de fazer uma montagem que seguisse as recomenda&#xE7;&#xF5;es do original, com libreto de Henri Cain: nesta &#xF3;pera c&#xF4;mica, o<em> Prince charmant</em> deveria ser interpretado por uma soprano com sentimento. E a mezzo, Alice Coote, destacou-se tanto pela bel&#xED;ssima voz, quanto pela virilidade que demonstrou no papel.</p> <p> A exibi&#xE7;&#xE3;o de espet&#xE1;culos das maiores casas de &#xF3;pera do mundo &#x2013; como o Metropolitan Opera House, de Nova York, ou a Royal Opera inglesa, em quest&#xE3;o &#x2013; j&#xE1; n&#xE3;o &#xE9; novidade em muitas salas de cinema brasileiras. E a iniciativa tem m&#xE9;ritos: o som e a imagem s&#xE3;o excelentes. Al&#xE9;m disso, as telonas ajudam a socorrer os amantes de &#xF3;pera em tempos de vacas magras nas temporadas dos teatros, contribuem para a forma&#xE7;&#xE3;o de p&#xFA;blico e, qui&#xE7;&#xE1;, para a amplia&#xE7;&#xE3;o do repert&#xF3;rio dos ouvintes &#x2013; <em>Cendrillon</em>, por exemplo, n&#xE3;o &#xE9; muito encenada.</p> <p> N&#xE3;o se pode, contudo, ir &#xE0; &#xF3;pera em um cinema e esperar a mesma intensidade da experi&#xEA;ncia ao vivo. E isso n&#xE3;o significa que a tela propicie uma experi&#xEA;ncia menor. Ela s&#xF3; &#xE9; completamente diferente. E embora olhar bem de perto as fei&#xE7;&#xF5;es do pr&#xED;ncipe que &#xE9; uma &#x201C;mo&#xE7;a&#x201D; cause estranheza (ou desapontamento, no caso da senhora), pode-se acompanhar toda a hist&#xF3;ria com legendas em portugu&#xEA;s. Tamb&#xE9;m se notam detalhes do cen&#xE1;rio inteligent&#xED;ssimo de Barbara de Limburg, que reproduz as p&#xE1;ginas do conto de fadas. E ainda vemos os m&#xFA;sicos da orquestra regida por Bertrand de Billy e a magn&#xED;fica expressividade da contralto polonesa Ewa Podl&#xE9;s, int&#xE9;rprete da madrasta, que rouba a cena em v&#xE1;rios momentos.</p> <p> Vale experimentar!</p> <p> <strong>SERVI&#xC7;O | ROYAL OPERA HOUSE NOS CINEMAS</strong></p> <p> <em>Cendrillon</em>, 19 de abril</p> <p> <em>Rigoletto</em>, 17 de abril (ao vivo)</p> <p> <em>Cos&#xEC; Fan Tutte</em>, 19 de abril e 3 de maio</p> <p> <em>Il Trittico</em>, 26, 27 e 29 de maio</p> <p> <em>Macbeth</em>, 26, 27 e 29 de maio</p> <p> Ingressos: R$ 60</p> <p> Mais informa&#xE7;&#xF5;es sobre os hor&#xE1;rios e cinemas participantes <a href="http://www.cinemark.com.br/royal-opera-house" rel="aqui" target="_blank">aqui</a>.</p> <p> &#xA0;</p> Assistir a uma ópera no cinema pode desviar o foco de atenção – da música à "cara" dos intérpretes. Mas a experiência tem, sim, boas vantagens 2012-04-16T18:04:39-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Assistir a uma ópera no cinema pode desviar o foco de atenção – da música à "cara" dos intérpretes. Mas a experiência tem, sim, boas vantagens Música BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/cancoes-e-satiras Canções e Sátiras 2012-04-03T12:15:00-03:00 Redação <p> Neste m&#xEA;s, o int&#xE9;rprete e compositor <strong>Zeca Baleiro</strong> <em>(foto)</em> lan&#xE7;a seu mais recente trabalho, <em>O Disco do Ano</em>. No &#xE1;lbum, o artista maranhense abusa de sua ironia habitual para alfinetar a cr&#xED;tica, zombar de colegas m&#xFA;sicos e at&#xE9; provocar o p&#xFA;blico.</p> <p> Assista ao v&#xED;deo em que Zeca aparece cantando <em>Mam&#xE3;e no Face</em>, uma das mais &#xE1;cidas e engra&#xE7;adas faixas do CD.</p> <p> &#xA0;</p> <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="338" width="600"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=39661005&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=0&amp;show_byline=0&amp;show_portrait=0&amp;color=00adef&amp;fullscreen=1&amp;autoplay=1&amp;loop=0"/><embed allowscriptaccess="always" height="338" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=39661005&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=0&amp;show_byline=0&amp;show_portrait=0&amp;color=00adef&amp;fullscreen=1&amp;autoplay=1&amp;loop=0" type="application/x-shockwave-flash" width="600"/></object></p> <p> &#xA0;</p> Assista ao vídeo do cantor tocando uma faixa do seu novo disco especialmente para <strong>BRAVO!</strong> 2012-04-03T12:15:00-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 176 - Abril 2011 Assista ao vídeo do cantor tocando uma faixa do seu novo disco especialmente para BRAVO! Música BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/afinidade-antiga-gaby Afinidade antiga 2012-04-02T18:10:23-03:00 Redação <p> O produtor Carlos Eduardo Miranda conheceu a paraense Gaby Amarantos em 2004, durante um festival de m&#xFA;sica em Bel&#xE9;m. Desde ent&#xE3;o tornaram-se amigos e parceiros de trabalho. O resultado &#xE9; o disco <em>Treme</em>, primeiro &#xE1;lbum solo da cantora. Acompanhe uma entrevista de Miranda sobre a sua rela&#xE7;&#xE3;o com a artista.</p> <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="338" width="600"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=39650350&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=0&amp;show_byline=0&amp;show_portrait=0&amp;color=00adef&amp;fullscreen=1&amp;autoplay=1&amp;loop=0"/><embed allowscriptaccess="always" height="338" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=39650350&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=0&amp;show_byline=0&amp;show_portrait=0&amp;color=00adef&amp;fullscreen=1&amp;autoplay=1&amp;loop=0" type="application/x-shockwave-flash" width="600"/></object></p> <p> &#xA0;</p> O produtor Carlos Miranda fala sobre o a transição artística de Gaby Amarantos 2012-04-02T18:10:23-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados O produtor Carlos Miranda fala sobre o a transição artística de Gaby Amarantos Música BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/adeus-rabeca Adeus, Rabeca 2012-03-29T18:50:05-03:00 Ronaldo Bressane <p> A brisa, por ser carinhosa, &#xE9; quem mais tem castigado.&#x201D; A frase, por ser capciosa, &#xE9; das que mais t&#xEA;m chamado a aten&#xE7;&#xE3;o no novo &#xE1;lbum de Siba, <em>Avante</em>. O rep&#xF3;rter leu no verso da can&#xE7;&#xE3;o <em>Brisa</em> uma met&#xE1;fora da condi&#xE7;&#xE3;o de todo artista inquieto: de como o conforto pode colocar em risco a evolu&#xE7;&#xE3;o do criador. Siba ri: &#x201C;Rapaz... Tu j&#xE1; viveste o pior dentro do melhor? Era s&#xF3; isso...&#x201D;, sugere o recifense de 44 anos, dando a entender que refletia somente um dos paradoxos do amor. Mas n&#xE3;o exclui completamente a leitura cabe&#xE7;a acima. Afinal, o disco todo &#xE9; uma autoan&#xE1;lise da (des)constru&#xE7;&#xE3;o de sua identidade. A hist&#xF3;ria de seu aperreio como artista, que o arrancou de um lugar est&#xE1;vel para jog&#xE1;-lo no redemoinho da p&#xE1;gina em branco, segunda metamorfose em sua vida.</p> <p> Faz seis anos que Siba gravou o aplaudido <em>Toda Vez que Eu Dou um Passo o Mundo Sai do Lugar</em>, indicado ao Grammy. &#xC0; frente da Fuloresta do Samba, banda formada por m&#xFA;sicos de Nazar&#xE9; da Mata, norte da Zona da Mata pernambucana, ele chegava ao &#xE1;pice de seu projeto de beber na fonte das tradi&#xE7;&#xF5;es: maracatu rural, coco, ciranda, samba, frevo... &#x201C;Descobri que aquela cena cultural era mais inovadora que o mundo <em>mainstream</em>, de show e disco, em que a m&#xFA;sica &#xE9; separada do dia a dia do homem&#x201D;, afirma Siba, enquanto toma um suco de tangerina num restaurante da Vila Madalena, S&#xE3;o Paulo, cidade em que acaba de ancorar. Ele havia se fixado em Nazar&#xE9; em 2002, logo ap&#xF3;s o fim do Mestre Ambr&#xF3;sio, grupo que foi, no tratamento rock&#x2019;n&#x2019;roll de forr&#xF3;, maracatu e cavalo-marinho, um dos pilares do manguebeat, ao lado do Mundo Livre S/A, de Fred Zero Quatro, e da Na&#xE7;&#xE3;o Zumbi, de Chico Science.</p> <p> Cabelo e barba crescidos, roupas urbanas e chap&#xE9;u ausente: no visual, Siba tamb&#xE9;m parece mudado. Se no Mestre Ambr&#xF3;sio, surgido em 1992, ele se destacava por mixar na mesma magra figura um guitarrista, um rabequeiro e um cantador, na Fuloresta seu projeto se radicalizou: o ex-metaleiro f&#xE3; de Mot&#xF6;rhead incorporou a persona de um tiozinho elegante e ladino, de chap&#xE9;u e bigode, um azougue na arte de improvisar rimas. Viveu dez anos nas sambadas da mata, convivendo com lendas como Biu Roque. Nesse tempo, dividia-se em quatro: vivia em Nazar&#xE9;, mas o escrit&#xF3;rio ficava na casa da m&#xE3;e, no Recife; muitos parceiros musicais estavam em S&#xE3;o Paulo, onde tinha morado na &#xE9;poca do Mestre Ambr&#xF3;sio; e o filho Vicente, 5 anos, ficava em S&#xE3;o Lu&#xED;s, no Maranh&#xE3;o, com a m&#xE3;e. Foi ent&#xE3;o que bateu a crise dos 40.</p> <p> &#x201C;N&#xE3;o vejo nada que n&#xE3;o tenha desabado/ nem mesmo entendo como estou de p&#xE9;/ olhando um outro num espelho pendurado/ que reconhe&#xE7;o mas n&#xE3;o sei quem &#xE9;.&#x201D; Essa estrofe, de <em>Preparando o Salto,</em> abre o novo &#xE1;lbum. Ao tratar da crise, Siba alterna alexandrinos e decass&#xED;labos de rimas ricas e ecos internos, coisa rara de se topar na m&#xFA;sica pop brasileira. A letra sofisticada passeia sobre um rock suave, cujo arranjo intrinca o vibrafone com ares de jazz, a tuba caracter&#xED;stica das orquestras de frevo fazendo papel de baixo, e a guitarra de fraseado limpo, suja por leve efeito, que remete &#xE0; m&#xFA;sica do Congo. Parece complicado, mas soa bem simples.</p> <p> <strong>PERNAMBUCO-KINSHASA</strong></p> <p> &#x201C;Quando sa&#xED; de Nazar&#xE9;, me questionei: que tipo de artista sou eu? Que tipo de m&#xFA;sica eu quero?&#x201D;, recorda. Dar conta de um grupo de dez integrantes como o Fuloresta era invi&#xE1;vel &#x2013; o projeto parecia ter chegado ao limite. Siba precisava de uma banda enxuta e de uma m&#xFA;sica que atendesse a outras sedes, que se abrisse &#xE0; descoberta da m&#xFA;sica congolesa &#x2013; em especial o congotronics, som dos sub&#xFA;rbios de Kinshasa, e a discografia de um nome importante da &#xC1;frica: Franco. &#x201C;Ele me iluminou, me tirou do bloqueio. Porque pega a m&#xFA;sica cubana, desconstr&#xF3;i e transforma numa coisa rude, tocando uma guitarra inusual&#x201D;, conta.</p> <p> Siba tinha largado a guitarra havia 20 anos para abra&#xE7;ar a rabeca, desprezada em <em>Avante</em>. E olha que ele &#xE9; autor de <em>A Rabeca na Zona da Mata Norte de Pernambuco</em>, pesquisa escrita quando estudava m&#xFA;sica na universidade, e j&#xE1; tocou com o mitol&#xF3;gico rabequeiro Mestre Salu. Abandonar um instrumento no qual &#xE9; PhD foi t&#xE3;o radical quanto ter abra&#xE7;ado a rabeca no in&#xED;cio dos anos 90, &#xE9;poca em que dedilhava uma Gibson SG, a favorita de Angus Young, do AC/DC. &#x201C;Amigos roqueiros e colegas de universidade gozavam de meu interesse por m&#xFA;sica regional: pra eles, era o lixo do lixo. Em 1990, montar banda com rabeca e cantar maracatu na mata foi uma atitude punk&#x201D;, afirma. O interesse pela m&#xFA;sica tradicional vinha de longe: f&#xE3; de cantoria, o pai, egresso de Olho d&#x2019;&#xC1;gua de Dentro, no Agreste, levava Sibinha a tiracolo nas rodas e vivia assoviando as can&#xE7;&#xF5;es que n&#xE3;o sabia tocar na viola. O culpado por fazer Siba empunhar de novo uma Fender foi o <em>guitar hero</em> cearense Fernando Catatau, l&#xED;der da Cidad&#xE3;o Instigado e produtor do disco <em>I&#xEA; I&#xEA; I&#xEA;</em>, de Arnaldo Antunes. &#x201C;Catatau me ensinou que falar de si &#xE9; como falar de todo mundo&#x201D;, diz. O guitarrista &#xE9; respons&#xE1;vel por dar liga &#xE0; banda de <em>Avante, </em>formada de elementos d&#xED;spares: o tubista pernambucano L&#xE9;o Gerv&#xE1;zio e o baterista paulista Samuca Fraga, al&#xE9;m de vibrafone e teclados do talentoso mineiro Ant&#xF4;nio Loureiro.</p> <p> Impressiona como a infinidade de refer&#xEA;ncias n&#xE3;o descose o resultado. <em>Qasida</em> retoma o tema do poeta que retorna ao acampamento e o encontra destru&#xED;do, um cl&#xE1;ssico da l&#xED;rica &#xE1;rabe pescado em <em>Poemas Suspensos</em>, de Alberto Mussa. Sua constru&#xE7;&#xE3;o baseia-se no martelo agalopado, nome dado, na literatura de cordel, &#xE0; estrofe de dez versos decass&#xED;labos; a guitarra psicod&#xE9;lica de Catatau encerra a can&#xE7;&#xE3;o. Apesar do que pode sugerir a fina figura de Siba, nem tudo &#xE9; s&#xE9;rio em sua obra. H&#xE1; passeios pelo rock brega, como em <em>Ariana</em>, que trata de amores escusos, e pelo frevo de cabar&#xE9;, como na engra&#xE7;ad&#xED;sima <em>A Bagaceira</em>, sobre um sujeito perdido no Carnaval. O &#xE1;lbum termina com a doce <em>Bravura e Brilho</em>, dedicada ao filho, Vicente, que aparece na capa. Siba diz que nina o filho lendo trechos da <em>Odisseia</em>, poema &#xE9;pico atribu&#xED;do a Homero. &#x201C;Ulisses foi o primeiro her&#xF3;i dele&#x201D;, orgulha-se S&#xE9;rgio Roberto Veloso de Oliveira. Siba &#xE9; apelido de apelido: vem de &#x201C;sibito baleado&#x201D;, g&#xED;ria pernambucana para um cabra magro, parecido com um sibito, passarinho que solta um pio ossudo. Seu som lembra o vento e o assovio do pai, que lhe deu de presente a guitarra que tamb&#xE9;m figura na capa do disco. Como as idas e voltas em sua vida comprovam, na obra desse artista m&#xFA;ltiplo, met&#xE1;foras e metamorfoses fazem sentido.</p> <div class="descricao-autor"> <p> <strong>Ronaldo Bressane</strong> &#xE9; jornalista.</p> </div> Ex-líder da Fuloresta do Samba e do Mestre Ambrósio, Siba deixa o universo do maracatu rural e reinventa a carreira no disco <em>Avante</em>, que mistura rock, ciranda e congotronics 2012-03-29T15:38:35-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 175 - Março 2012 Ex-líder da Fuloresta do Samba e do Mestre Ambrósio, Siba deixa o universo do maracatu rural e reinventa a carreira no disco Avante, que mistura rock, ciranda e congotronics Música BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/mais-do-mesmo-mesmo Mais do mesmo. Mesmo? 2012-03-29T15:29:04-03:00 José Flávio Júnior <p> Durante as sess&#xF5;es de grava&#xE7;&#xE3;o de seu mais recente &#xE1;lbum, houve um momento em que Paul McCartney ficou indeciso com uma quest&#xE3;o qualquer. Em vez de perder o sono, ele disparou: &#x201C;N&#xE3;o t&#xF4; nem a&#xED;. Estou em Los Angeles. Sou brit&#xE2;nico. Sou um turista. Estou no est&#xFA;dio A da gravadora Capitol, cantando no microfone de Nat King Cole. Estou de f&#xE9;rias!&#x201D; O relato se encontra no encarte de <em>Kisses on the Bottom</em> e resume o astral do CD. Trata-se de um disco de f&#xE9;rias, uma divers&#xE3;o a que um cara com o curr&#xED;culo de Paul pode se permitir de vez em quando.</p> <p> O ex-Beatle acalentou por anos a ideia de registrar m&#xFA;sicas que a gera&#xE7;&#xE3;o de seus pais cantava nas festas de fim de ano. Ou seja,<em> standards</em> do jazz, gemas do grande cancioneiro norte-americano, coisas que o pequeno Paul aprendeu em casa pouco antes de descobrir Elvis Presley e Chuck Berry. Em <em>Kisses on the Bottom</em>, o cantor mergulha nessa mem&#xF3;ria afetiva pr&#xE9;-roqueira, com arranjos reverentes, mas sem abandonar seu saud&#xE1;vel h&#xE1;bito de acrescentar algo diferente.</p> <p> Em vez de gravar <em>Cheek to Cheek </em>ou <em>The Way You Look Tonight</em>, algumas de suas m&#xFA;sicas favoritas e que seriam escolhas &#xF3;bvias, Paul preferiu pesquisar temas menos batidos, chegando at&#xE9; mesmo a interpretar uma composi&#xE7;&#xE3;o que nunca havia escutado antes: <em>More I Cannot Wish You</em>, do musical <em>Guys and Dolls</em>. Faixas como essa pintaram porque o cantor ouviu sugest&#xF5;es do experiente produtor Tommy LiPuma e da pianista Diana Krall, que toca praticamente no disco inteiro. Paul &#xE9; amigo e parceiro de Elvis Costello, marido de Diana, mas esse n&#xE3;o participa do &#xE1;lbum. O escalado para cuidar das guitarras foi John Pizzarelli, que lan&#xE7;ou em 1998 um disco com cl&#xE1;ssicos dos Beatles vertidos para a linguagem do jazz.</p> <p> <strong>&#xC0; Beira dos 70</strong></p> <p> Escorado num time dessa categoria, o ingl&#xEA;s s&#xF3; precisou cantar. E isso ele fez com muito charme. Paul se beneficiou da natureza dos temas peneirados, quase todos rom&#xE2;nticos e para cima (segundo o m&#xFA;sico, os preferidos das fam&#xED;lias que se recuperavam da Segunda Guerra Mundial), tais como <em>Ac-cent-tchu-ate the Positive</em> e <em>My Very Good Friend the Milkman</em>. O &#xFA;nico momento cafona &#xE9; <em>My Valentine</em>, ironicamente uma das duas in&#xE9;ditas que Paul escreveu para o repert&#xF3;rio. Nem o viol&#xE3;o de Eric Clapton salva a enjoativa balada. J&#xE1; <em>Only Our Hearts</em>, com Stevie Wonder na gaita, &#xE9; mais simp&#xE1;tica.</p> <p> Trabalhos como <em>Chaos and Creation in the Backyard</em> (2005) e <em>singles</em> como <em>Ever Present Past</em> (2007) n&#xE3;o deixam d&#xFA;vida de que Paul vinha num grande momento autoral. Mas, prestes a completar 70 anos, &#xE9; compreens&#xED;vel que ele d&#xEA; uma olhadela para tr&#xE1;s. A n&#xF3;s, f&#xE3;s, cabe esperar o fim de suas merecidas f&#xE9;rias bem embalados por <em>Kisses on the Bottom</em>.</p> <div class="descricao-autor"> <p> <strong>Jos&#xE9; Fl&#xE1;vio J&#xFA;nior</strong> &#xE9; jornalista.</p> </div><div class="onde-quando"> <p> <strong>O &#xC1;LBUM</strong></p> <p> <em>Kisses on the Bottom</em> (Universal), de Paul McCartney. Produtor: TommyLiPuma. Pre&#xE7;o m&#xE9;dio: R$ 30.</p> </div> Podia ser um disco meramente burocrático. Mas o novo álbum de Paul McCartney, com clássicos do cancioneiro norte-americano, se revela criativo e sedutor 2012-03-29T15:29:04-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 175 - Março 2012 Podia ser um disco meramente burocrático. Mas o novo álbum de Paul McCartney, com clássicos do cancioneiro norte-americano, se revela criativo e sedutor Música BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/de-choro-em-choro De Choro em Choro 2012-03-13T17:06:07-03:00 Barbara Heckler <p> </p> <p> &#xA0;</p> <p> &#xA0;</p> O Centro Cultural Banco do Brasil abriga, de 13/3 a 6/5, uma exposição em Brasília sobre<strong> Pixinguinha.</strong> A curadoria é de Lu Araújo. Confira alguns dos cartazes, discos, fotos e informações que estão na mostra 2012-03-13T13:48:22-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 175 - Março 2012 O Centro Cultural Banco do Brasil abriga, de 13/3 a 6/5, uma exposição em Brasília sobre Pixinguinha. A curadoria é de Lu Araújo. Confira alguns dos cartazes, discos, fotos e informações que estão na mostra Música BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/metamorfose-ambulante Metamorfose Ambulante 2012-03-02T17:44:50-03:00 Redação <p> &#xA0;</p> <p> O cantor recifense acaba de ancorar na capital paulistana. A mudan&#xE7;a n&#xE3;o foi s&#xF3; geogr&#xE1;fica. No novo disco, <em>Avante</em>, Siba deixa a rabeca de lado e adere &#xE0; guitarra, depois de vinte anos imerso em ritmos mais tradicionais como o maracatu, a ciranda, entre outros.</p> <p> Leia o breve question&#xE1;rio que elaboramos para o compositor, ex-l&#xED;der da Fuloresta do Samba e do Mestre Ambr&#xF3;sio:</p> <p> <strong>Voc&#xEA; acaba de voltar para S&#xE3;o Paulo depois de um longo per&#xED;odo em Nazar&#xE9;. De que forma essa mudan&#xE7;a refletiu em seu trabalho?</strong></p> <p> N&#xE3;o d&#xE1; para desassociar os dois fatos. Tudo vem junto para mim: a vida, o que estou fazendo no momento, onde moro e com quem trabalho. Embora o senso comum possa apontar para um &#xE1;lbum mais el&#xE9;trico, pelo fato de eu estar em S&#xE3;o Paulo, o que acontece &#xE9; o contr&#xE1;rio. As mudan&#xE7;as da minha m&#xFA;sica e da minha concep&#xE7;&#xE3;o como artista me trouxeram pra c&#xE1;. Al&#xE9;m de eu gostar demais da cidade e tamb&#xE9;m ter todos meus amigos aqui, o estilo de vida de S&#xE3;o Paulo me agrada muito. Tudo isso junto me trouxe de volta.</p> <p> <strong>Voc&#xEA; disse que em Nazar&#xE9; a m&#xFA;sica n&#xE3;o era s&#xF3; um produto, era vivida e criada no dia-a-dia. Tem algum lugar em S&#xE3;o Paulo onde voc&#xEA; se inspira ou cria? </strong></p> <p> A inspira&#xE7;&#xE3;o relacionada a algum lugar n&#xE3;o &#xE9;, para mim, determinante. O que existe &#xE9; uma rela&#xE7;&#xE3;o de conflu&#xEA;ncia entre o momento, o tempo e o espa&#xE7;o onde voc&#xEA; est&#xE1;. Ela pode ou n&#xE3;o criar uma situa&#xE7;&#xE3;o que de alguma forma ilumine o seu processo criativo. A cidade de S&#xE3;o Paulo me abre muitas portas profissionais e &#xE9; um lugar que me possibilita um tipo de vida pessoal muito agrad&#xE1;vel e confort&#xE1;vel. Por isso me inspiro aqui. Al&#xE9;m do que, um lugar que essencialmente tem que me estimular sempre &#x2013; e eu cuido para que seja assim &#x2013; &#xE9; a minha casa. Onde quer que ela esteja, &#xE9; a principal fonte.</p> <p> <strong>Quando saiu do Nordeste, voc&#xEA; se questionava que artista era e que tipo de m&#xFA;sica queria. Hoje essas quest&#xF5;es j&#xE1; foram respondidas?</strong></p> <p> Elas est&#xE3;o sempre na mesa, s&#xE3;o as primeiras quest&#xF5;es que tento me colocar. Nunca v&#xE3;o ser completamente respondidas, pelo menos espero, pois &#xE9; isso que faz com que eu consiga me movimentar de tempos em tempos. No momento, a resposta &#xE9; o meu trabalho, principalmente o show, que acontece a partir do disco, da sua concep&#xE7;&#xE3;o, e que vai ter uma vida de alguns anos. A partir disso, as quest&#xF5;es se renovam, surge a busca para um novo momento que vir&#xE1; num futuro pr&#xF3;ximo.</p> <p> <strong>Ulisses foi o primeiro her&#xF3;i do seu filho. Qual foi o seu primeiro her&#xF3;i?</strong></p> <p> Pergunta dif&#xED;cil. N&#xE3;o sei exatamente, talvez o meu av&#xF4;, um senhor que eu e a fam&#xED;lia inteira admir&#xE1;vamos muito. Era um tipo de her&#xF3;i distante, um agricultor de setenta anos na &#xE9;poca. O que tenho certeza &#xE9; de que ele e meu pai foram os primeiros. Agora, o de fantasia talvez o Lampi&#xE3;o, porque era uma figura do imagin&#xE1;rio heroico do ambiente em que eu vivia.</p> <p> <strong>Tem algum f&#xE3;, algu&#xE9;m que voc&#xEA; saiba que gosta da sua m&#xFA;sica, e que voc&#xEA; admire tamb&#xE9;m? </strong></p> <p> Complicado, pois vou ter que dizer que algu&#xE9;m &#xE9; meu f&#xE3;, uma posi&#xE7;&#xE3;o meio curiosa. O que posso dizer &#xE9; que a C&#xE9;u assumidamente admira meu trabalho e que &#xE9; uma pessoa que admiro muito no cen&#xE1;rio atual da m&#xFA;sica brasileira.</p> O músico Siba responde a cinco perguntas sobre a nova fase de seu trabalho 2012-03-02T17:44:50-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados O músico Siba responde a cinco perguntas sobre a nova fase de seu trabalho Música BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/encontro-de-gigantes Encontro de gigantes 2012-02-24T18:53:26-02:00 Redação <p> Um dos maiores mestres do choro ter&#xE1; sua trajet&#xF3;ria exposta na mostra <em>Pixinguinha</em>, em Bras&#xED;lia, de 13 de mar&#xE7;o a 06 de maio. Fotos, documentos e v&#xED;deos preencher&#xE3;o doze salas do Centro Cultural Banco do Brasil, idealizadas pela pesquisadora Lu Ara&#xFA;jo, com o neto do artista, Marcelo Vianna, e o maestro Caio Cezar.</p> <p> Um dos espa&#xE7;os ser&#xE1; dedicado ao filme <em>Sol Sobre a Lama</em>, longa dos anos 60, dirigido por Alex Viany. Na &#xE9;poca, o cineasta convidou Pixinguinha e Vinicius de Moraes para compor a trilha sonora. Assista ao document&#xE1;rio <em>N&#xF3;s Somos um Poema</em>, produzido pela pr&#xF3;pria curadora da exposi&#xE7;&#xE3;o, que recupera essa hist&#xF3;rica parceria entre os dois gigantes da m&#xFA;sica brasileira.</p> <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="450" width="600"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=36360430&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=0&amp;show_byline=0&amp;show_portrait=0&amp;color=00adef&amp;fullscreen=1&amp;autoplay=1&amp;loop=0"/><embed allowscriptaccess="always" height="450" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=36360430&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=0&amp;show_byline=0&amp;show_portrait=0&amp;color=00adef&amp;fullscreen=1&amp;autoplay=1&amp;loop=0" type="application/x-shockwave-flash" width="600"/></object></p> Exposição de Pixinguinha resgata documentário sobre a parceria do compositor com o poeta Vinicius de Moraes 2012-02-24T18:53:26-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Exposição de Pixinguinha resgata documentário sobre a parceria do compositor com o poeta Vinicius de Moraes Música BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/filhos-de-fela Filhos de Fela 2012-02-15T12:46:28-02:00 José Flávio Júnior <p> Apresenta&#xE7;&#xF5;es lotadas, disco de estreia citado em v&#xE1;rias listas como um dos melhores de 2011, reconhecimento de artistas do naipe de Lucas Santtana e a turma da Na&#xE7;&#xE3;o Zumbi. Nada mal para um grupo instrumental formado n&#xE3;o faz nem dois anos, cujo DNA exibe uma vertente sonora ainda pouco conhecida por aqui: o afrobeat. A ascens&#xE3;o da paulistana Bixiga 70 no circuito Sesc&#x2013;Rua Augusta est&#xE1; diretamente relacionada &#xE0; redescoberta do g&#xEA;nero que o nigeriano Fela &#x201C;Anikulapo&#x201D; Ransome-Kuti (1938 -1997) criou na virada da d&#xE9;cada de 1960 para a de 70. A banda n&#xE3;o &#xE9; a &#xFA;nica forma&#xE7;&#xE3;o contempor&#xE2;nea a investir no ritmo &#x2013; nem o &#xFA;nico ind&#xED;cio de que esse som est&#xE1; em evid&#xEA;ncia. A hist&#xF3;ria do seu inventor chegou &#xE0; Broadway com o premiado musical <em>Fela!</em> (produ&#xE7;&#xE3;o dos rappers Jay-Z e Will Smith) e, em 2013, deve virar filme: &#xE0; frente do projeto, o incensado diretor Steve McQueen e o ator Chiwetel Ejiofor (conhecido por <em>Salt</em> e <em>G&#xE2;ngster Americano</em>).</p> <p> Cantor, compositor, saxofonista e tecladista, Fela Kuti teve uma trajet&#xF3;ria incomum. Nascido numa fam&#xED;lia de professores e ativistas de Abeokuta, na Nig&#xE9;ria, deixou o pa&#xED;s em 1958 para estudar medicina na Inglaterra. Mas, interessado por m&#xFA;sica desde pequeno, desviou a rota para a Trinity School of Music, em Londres, contra a vontade dos pais. O jovem Fela logo se encantou pelo jazz de Miles Davis, pelo som de James Brown e pela onda funk que explodiu no fim dos anos 60. Uma viagem para os Estados Unidos em 1969 colocou o nigeriano em contato com as ideias do grupo radical Panteras Negras e com autores engajados em causas antirracistas, que mais tarde influenciariam suas letras &#x2013; como o ativista Malcolm X. Assim se formou em sua cabe&#xE7;a a equa&#xE7;&#xE3;o do afrobeat: uma m&#xFA;sica que, apoiada na tradi&#xE7;&#xE3;o dos polirritmos africanos, promove o casamento dos grooves dan&#xE7;antes do funk com os improvisos do jazz e cuja for&#xE7;a pol&#xED;tica se apresenta nas letras que tratam de problemas sociais. Em 30 anos de carreira, Fela manteve a f&#xF3;rmula &#x2013; composi&#xE7;&#xF5;es longas, forte presen&#xE7;a de sopros, muitos solos de piano el&#xE9;trico e saxofone, guitarra repetitiva marcando o ritmo. Sem esses elementos, uma m&#xFA;sica dificilmente pode ser classificada como afrobeat.</p> <p> <strong>Abaixo o conservadorismo</strong></p> <p> Auxiliado pelos talentosos instrumentistas da banda de apoio Africa 70 &#x2013; entre eles, o baterista Tony Allen, que traduziu para as baquetas a levada original do afrobeat &#x2013;, o nigeriano causou como&#xE7;&#xE3;o dentro e fora do seu continente com discos formid&#xE1;veis, como <em>Shakara </em>(1972) e <em>Zombie</em> (1976). Na d&#xE9;cada de 1980, j&#xE1; acompanhado pela Egypt 80, seguiu dando suas estocadas sonoras e se engalfinhando com as autoridades oficiais de seu pa&#xED;s &#x2013; onde sempre fez quest&#xE3;o de morar. Suas provoca&#xE7;&#xF5;es eram as mais diversas. Ele colocou uma cerca ao redor do terreno de sua casa em Lagos e determinou que ali era uma nova na&#xE7;&#xE3;o, a Rep&#xFA;blica de Kalakuta. Tamb&#xE9;m promoveu uma cerim&#xF4;nia em que se casou com 27 mulheres ao mesmo tempo, muitas cantoras e dan&#xE7;arinas de sua banda (mais tarde adotaria um rod&#xED;zio de, no m&#xE1;ximo, 12 esposas). A maior afronta, por&#xE9;m, foi tentar concorrer &#xE0; presid&#xEA;ncia da Nig&#xE9;ria duas vezes. As candidaturas n&#xE3;o vingaram, mas renderam ao m&#xFA;sico a eterna alcunha de Black President (Presidente Negro).</p> <p> Em 1997, ap&#xF3;s muitas pris&#xF5;es e persegui&#xE7;&#xE3;o policial &#x2013; que fizeram com que sua casa de shows, a Africa Shrine, mudasse de endere&#xE7;o algumas vezes &#x2013;, Fela morreu vitimado por complica&#xE7;&#xF5;es relacionadas &#xE0; aids. Sua m&#xFA;sica seguiu influente pelo mundo, de tal modo que, em 1998, surgiu a banda nova-iorquina Antibalas Afrobeat Orchestra (hoje Antibalas), prestando tributo ao mestre e tamb&#xE9;m fundindo o afrobeat com outras fontes, como o p&#xF3;s-rock. Na montagem original do musical <em>Fela!</em>, o grupo foi encarregado de executar os temas do espet&#xE1;culo.</p> <p> Produtor do &#xE1;lbum da Bixiga 70 e baixista da Antibalas em algumas ocasi&#xF5;es, o norte-americano Victor Rice lembra que a febre afrobeat em Nova York come&#xE7;ou durante a gest&#xE3;o do prefeito linha-dura Rudolph Giuliani e tra&#xE7;a um paralelo com a capital paulista: &#x201C;Faz sentido que o afrobeat esteja forte em S&#xE3;o Paulo agora, pois a cidade passa por um momento conservador, sob o governo de Gilberto Kassab. Na tentativa de compensar o clima pesado, os artistas produzem coisas mais vibrantes. Dan&#xE7;ar &#xE9; necess&#xE1;rio para aliviar a tens&#xE3;o &#x2013; uma resposta natural&#x201D;. Na opini&#xE3;o do DJ e fot&#xF3;grafo carioca Mauricio Valladares, que toca afrobeat em seus programas e festas desde os anos 80, o fato de a atual m&#xFA;sica pop brasileira ter sido influenciada por cantores com um p&#xE9; na &#xC1;frica, como Jorge Ben Jor e Gilberto Gil, permitiu que o legado de Fela se tornasse mais bem compreendido hoje. &#x201C;Sem contar que o ouvinte daqui est&#xE1; em sintonia com japoneses, alem&#xE3;es e italianos, que tiveram suas aten&#xE7;&#xF5;es voltadas ao afrobeat pela incapacidade de o rock, o jazz, o blues, a eletr&#xF4;nica e o reggae seduzirem novas audi&#xEA;ncias&#x201D;, avalia. O cubano Carlos Moore, autor de <em>Fela &#x2013; Esta Vida Puta</em> (Editora Nandyala), biografia do m&#xFA;sico lan&#xE7;ada no Brasil em 2011, acha que a crise na ind&#xFA;stria fonogr&#xE1;fica favoreceu o g&#xEA;nero. &#x201C;Esses per&#xED;odos de mudan&#xE7;as s&#xE9;rias permitem a apari&#xE7;&#xE3;o de m&#xFA;sicas mais aut&#xEA;nticas. Isso tamb&#xE9;m aconteceu nos anos 70, quando o reggae virou um fen&#xF4;meno mundial.&#x201D; Moore acrescenta que Fela &#xE9; um personagem &#x201C;anti-establishment&#x201D;, o que tem grande apelo sobre os jovens que se op&#xF5;em &#xE0;s institui&#xE7;&#xF5;es financeiras. &#x201C;Ele foi o maior campe&#xE3;o na luta contra a selvageria econ&#xF4;mica&#x201D;, afirma, em refer&#xEA;ncia &#xE0;s letras e brigas do nigeriano.</p> <p> <strong>Fela &#xE9; festa</strong></p> <p> V&#xE1;rias cidades do mundo promovem baladas em homenagem a Fela Kuti todo 15 de outubro, data de seu anivers&#xE1;rio. Capitaneado por abnegados devotos do afrobeat, o Fela Day chegou ao Brasil na d&#xE9;cada passada. Em 2009, numa dessas festas, surgiu a Abayomy Afrobeat Orquestra, banda carioca que vai gravar o primeiro &#xE1;lbum neste ano, com produ&#xE7;&#xE3;o de Kassin. Suas composi&#xE7;&#xF5;es em portugu&#xEA;s, ingl&#xEA;s e iorub&#xE1; atraem centenas em shows no Rio de Janeiro. Guitarrista da Abayomy e tamb&#xE9;m do grupo Do Amor, Gustavo Benj&#xE3;o co-organiza outra festa peri&#xF3;dica dedicada aos sons africanos, a Makula: &#x201C;Nas primeiras edi&#xE7;&#xF5;es, discotec&#xE1;vamos para 20 amigos. O boca a boca chamou gente ligada ao universo afro e hoje movimentamos 400 pessoas&#x201D;.</p> <p> Um ano mais nova que a Abayomy, a Bixiga 70 se diferencia da forma&#xE7;&#xE3;o carioca por n&#xE3;o ter vocal. Em seu &#xE1;lbum de estreia, que leva o nome do grupo, o afrobeat predomina, mas h&#xE1; tamb&#xE9;m faixas que o fundem com o dub jamaicano e com estilos de ra&#xED;zes africanas mais populares no Brasil &#x2013; caso do samba. &#x201C;No primeiro ensaio, definimos que n&#xE3;o ser&#xED;amos uma banda s&#xF3; de afrobeat&#x201D;, conta o tecladista e guitarrista Mauricio Fleury. &#x201C;A gente gosta de jazz, de Hermeto Pascoal, do grupo vocal Os Tinco&#xE3;s e de toda a escola percussiva brasileira, basicamente afro&#x201D;, justifica. Talvez resida a&#xED; o sucesso inicial da banda. Mais do que explorar a cria&#xE7;&#xE3;o de Fela Kuti, a Bixiga 70 e outros jovens artistas envolvidos nesse enredo querem agregar ao estilo algo pr&#xF3;prio. Se o inventivo Fela estivesse vivo, certamente daria a sua b&#xEA;n&#xE7;&#xE3;o.</p> Bandas como<em> Abayomy</em> e <em>Bixiga 70 </em>redescobrem o suingue e o engajamento do afrobeat, gênero criado pelo nigeriano Fela Kuti, o “Presidente Negro” 2012-02-15T12:46:28-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 174 - Fevereiro 2012 Bandas como Abayomy e Bixiga 70 redescobrem o suingue e o engajamento do afrobeat, gênero criado pelo nigeriano Fela Kuti, o “Presidente Negro” Música BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/o-encanto-da-sereia O Encanto da Sereia 2012-02-06T12:27:44-02:00 Lucas Nobile <p> Arranjos inusitados, experi&#xEA;ncias sonoras e demais alquimias est&#xE9;ticas s&#xF3; fazem sentido se um disco, em sua ess&#xEA;ncia, tiver can&#xE7;&#xF5;es bem constru&#xED;das, belas e consistentes. &#xC9; o que ocorre com o novo &#xE1;lbum de C&#xE9;u, repleto de melodias, harmonias, ritmos, instrumenta&#xE7;&#xF5;es e letras encantadores. Tr&#xEA;s anos ap&#xF3;s <em>Vagarosa</em>, a cantora e compositora paulistana volta a evoluir em <em>Caravana Sereia Bloom</em>, que transparece verdade e entrega. &#xC0; primeira vista, o t&#xED;tulo pode soar como uma viagem de hippie chique. Mas n&#xE3;o &#xE9;: traduz com naturalidade o esp&#xED;rito do &#xE1;lbum, como se uma sereia, &#xE0; frente de sua trupe, sa&#xED;sse por a&#xED; soltando a voz enfeiti&#xE7;ante e hipn&#xF3;tica.</p> <p> &#xC0; semelhan&#xE7;a do que fazia nos trabalhos anteriores, C&#xE9;u opta por registrar alguns temas-p&#xED;lula, vinhetas ef&#xEA;meras e bonitas, como <em>Teju na Estrada</em>, <em>Sereia</em> (dedicada a Rosa, sua filha com o m&#xFA;sico Gui Amabis) e <em>Fffree</em>. A produ&#xE7;&#xE3;o j&#xE1; n&#xE3;o conta com Beto Villares, mas tem novamente C&#xE9;u e Gui, al&#xE9;m de Rica Amabis (na faixa <em>Chegar em Mim</em>, escrita por Jorge Du Peixe). O &#xE1;lbum ainda traz a excelente banda da cantora, que re&#xFA;ne nomes como Lucas Martins e Bruno Buarque. Entre os instrumentistas convidados, chamam a aten&#xE7;&#xE3;o Pupillo, L&#xFA;cio Maia, Dengue, Fernando Catatau, Curumin, Thiago Fran&#xE7;a e Nahor Gomes. Tamb&#xE9;m merecem destaque os coros et&#xE9;reos do Negresko Sis, trio formado por Anelis Assump&#xE7;&#xE3;o, Thalma de Freitas e pela pr&#xF3;pria C&#xE9;u.</p> <p> <strong>Odair Jos&#xE9; e Lupic&#xED;nio Rodrigues</strong></p> <p> Outro ponto em comum com os dois primeiros CDs s&#xE3;o as regrava&#xE7;&#xF5;es. A int&#xE9;rprete j&#xE1; havia dado sua cara para <em>Concrete Jungle</em> (Bob Marley) e <em>Rosa, Menina Rosa</em> (Jorge Ben Jor). Agora, imprime sua assinatura em <em>You Won&#x2019;t Regret It </em>(Lloyd Robinson e Glen Brown) e <em>Palha&#xE7;o </em>(Nelson Cavaquinho, Oswaldo Martins e Washington Fernandes), que gravou acompanhada por seu pai, Edgard Po&#xE7;as, no viol&#xE3;o e no assovio.</p> <p> Como compositora, ela continua mostrando habilidade. Isso se evidencia em pelo menos quatro can&#xE7;&#xF5;es: <em>Amor de Antigos </em>(setentista e singela), <em>Retrovisor </em>(moderna e, ao mesmo tempo, lupiciniana), <em>Baile de Ilus&#xE3;o</em> (uma joia com ares de Odair Jos&#xE9;) e <em>Asfalto e Sal</em> (que exibe versos arrebatadores, como &#x201C;eu vou lhe conservar no sal do meu mar&#x201D;).</p> <p> O sambista portelense Argemiro Patroc&#xED;nio costumava dizer que, em &#x201C;panela em que muito se mexe, a comida estraga&#x201D;. <em>Caravana Sereia Bloom</em> segue a receita habitual, com temas simples, burilados na medida certa. Que C&#xE9;u n&#xE3;o demore mais tr&#xEA;s anos para compartilhar suas belezas.</p> <div class="descricao-autor"> <p> <strong>Lucas Nobile</strong> &#xE9; jornalista.</p> </div><div class="onde-quando"> <p> <strong>O &#xC1;LBUM</strong></p> <p> <em>Caravana Sereia Bloom (Urban Jungle/Universal)</em>, de C&#xE9;u. Produtores: C&#xE9;u e Gui Amabis. Pre&#xE7;o m&#xE9;dio: R$ 25</p> </div> Em novo trabalho,<strong> Céu</strong> oferece músicas bem construídas e demonstra, mais uma vez, que sobressai no mar de jovens cantoras brasileiras 2012-02-06T12:27:44-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 174 - Fevereiro 2012 Em novo trabalho, Céu oferece músicas bem construídas e demonstra, mais uma vez, que sobressai no mar de jovens cantoras brasileiras Música BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/cancoes-do-exilio Canções do Exílio 2012-01-27T15:51:03-02:00 José Flávio Júnior <p> Tania Maria deixou o Brasil em meados da d&#xE9;cada de 1970 e, desde ent&#xE3;o, vive em estado permanente de banzo. Requisitada no circuito jazz&#xED;stico internacional, a pianista e cantora nunca regressou. Chegou a passar 30 anos sem se apresentar por aqui &#x2013; s&#xF3; recentemente &#xE9; que ela reencontrou nossos palcos, com shows em 2005, 2007, 2008 e 2011. Na sua obra, por&#xE9;m, o pa&#xED;s nunca perdeu espa&#xE7;o. A cada disco, a maranhense criada em Volta Redonda (RJ), hoje com 63 anos, aprofunda a busca por suas ra&#xED;zes.</p> <p> <em>Tempo</em>, lan&#xE7;ado recentemente na Fran&#xE7;a e com previs&#xE3;o de chegar aos mercados brit&#xE2;nico e norte-americano no pr&#xF3;ximo m&#xEA;s, &#xE9; mais um cap&#xED;tulo nessa procura pela p&#xE1;tria a que, de certa forma, a cantora renunciou. Registrado s&#xF3; com piano, voz e contrabaixo, o &#xE1;lbum repete a f&#xF3;rmula do espetacular <em>Tania Maria in Copenhagen</em> (1979), dividido com o baixista dinamarqu&#xEA;s Niels-Henning Orsted Pedersen (1946-2005). Dessa vez, o baixo ac&#xFA;stico fica a cargo de Eddie Gomez, porto-riquenho que durante anos integrou o conjunto do norte-americano Bill Evans. O resultado &#xE9; exuberante. <em>Tempo</em> chega perto do que a artista produziu em sua fase mais cultuada, que vai do final dos anos 60 at&#xE9; a metade dos 80.</p> <p> <strong>Suingue</strong></p> <p> Dois temas da d&#xE9;cada de 1950 chamam a aten&#xE7;&#xE3;o entre as oito faixas. Um &#xE9; <em>Bronzes e Cristais</em>, gravado por Maysa em seu terceiro &#xE1;lbum. Fica clara a inten&#xE7;&#xE3;o de homenagear uma cantora e pianista de personalidade t&#xE3;o forte quanto a de Tania. A outra can&#xE7;&#xE3;o do per&#xED;odo &#xE9; <em>A Chuva Caiu</em>, de Tom Jobim e Luiz Bonf&#xE1;, registrada por Angela Maria em 1956. Quase na mesma pegada, <em>Estate</em>, <em>standard</em> que Jo&#xE3;o Gilberto popularizou em 1977, aparece logo na abertura do disco.</p> <p> Mas a releitura que se destaca &#xE9; a de <em>Sentado &#xE0; Beira do Caminho</em>, composi&#xE7;&#xE3;o de Roberto e Erasmo Carlos, que Tania exibiu aqui nos shows de 2007 e n&#xE3;o tem mais constado nos seus <em>setlists</em>. Ela assistiu &#xE0; coroa&#xE7;&#xE3;o do Rei com desd&#xE9;m enquanto ainda morava no Brasil. J&#xE1; no auto-ex&#xED;lio &#x2013; conforme contou numa apresenta&#xE7;&#xE3;o no Teatro Fecap (SP) &#x2013;, reconheceu que Roberto tinha &#x201C;uns boler&#xF5;es bonitos&#x201D;. A balada, que trata de saudade (como todo o repert&#xF3;rio de <em>Tempo</em>), nunca tinha sido interpretada com tamanho suingue.</p> <p> Ainda no quesito balan&#xE7;o, nada supera <em>Dear Dee Vee</em>, um samba autoral, j&#xE1; gravado em 1993. O tema arremata um bloco com tr&#xEA;s instrumentais em que o di&#xE1;logo entre o piano de Tania e o baixo de Gomez fica mais n&#xED;tido. No encerramento, surge a faixa-t&#xED;tulo, que &#xE9; basicamente um refr&#xE3;o cantado tr&#xEA;s vezes ao longo dos 8 minutos e 24 segundos de uma bel&#xED;ssima melodia. &#x201C;N&#xE3;o ponha a culpa no tempo, n&#xE3;o/ O tempo que passou foi bom, bob&#xE3;o&#x201D;. Com Tania Maria na vitrola, n&#xE3;o h&#xE1; tempo ruim.</p> <div class="onde-quando"> <p> <strong>O DISCO</strong></p> <p> <em>Tempo </em>(Na&#xEF;ve, importado), de Tania Maria. Produtores: Eric Kressmann e Tania Maria. Pre&#xE7;o m&#xE9;dio: R$ 50.</p> </div> A saudade permeia o álbum “Tempo”, mais recente trabalho da jazzista maranhense Tania Maria, que construiu sólida carreira no exterior 2012-01-27T15:51:03-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 173 - Janeiro 2012 A saudade permeia o álbum “Tempo”, mais recente trabalho da jazzista maranhense Tania Maria, que construiu sólida carreira no exterior Música BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/o-dissidente-sutil O Dissidente Sutil 2012-01-27T15:44:23-02:00 Arthur Dapieve <p> O compositor russo Dmitri Shostakovich (1906-1975) foi:</p> <p> a) Um lacaio do regime sovi&#xE9;tico, compondo obras que refletiam os prop&#xF3;sitos do &#x201C;realismo socialista&#x201D;: patri&#xF3;ticas, grandiosas e acess&#xED;veis.</p> <p> b) Um formalista, enredando suas pe&#xE7;as em fr&#xED;volos esquemas intelectuais que as tornavam incompreens&#xED;veis para a grande massa trabalhadora.</p> <p> c) Um dissidente pol&#xED;tico, contrabandeando cr&#xED;ticas sarc&#xE1;sticas aos l&#xED;deres do Partido Comunista no meio de uma &#xF3;pera e de muitas de suas 15 sinfonias.</p> <p> d) Um autor convencional, praticamente alheio ao atonalismo, que inflamou o debate musical na primeira metade do s&#xE9;culo 20.</p> <p> e) Um deprimido, como comprovam seus 15 quartetos de cordas, esp&#xE9;cie de di&#xE1;rio pessoal.</p> <p> f) Todas as respostas acima.</p> <p> Acertou quem cravou a alternativa F, claro &#x2013; do contr&#xE1;rio, n&#xE3;o haveria sentido propor um teste. Ao longo da vida, o compositor revelou-se um homem de m&#xFA;ltiplas escolhas, n&#xE3;o raro contradit&#xF3;rias. Musicalmente, todas est&#xE3;o representadas nos quatro CDs da caixa <em>Shostakovich</em>, terceiro lan&#xE7;amento da s&#xE9;rie Acervo Russo, da Biscoito Fino/Dell&#x2019;Arte. H&#xE1; tr&#xEA;s sinfonias, dois quartetos de cordas, a sonata para viola, um trio para piano, violino e violoncelo e uma sonata para piano, entre outras pe&#xE7;as. Assim como nos lan&#xE7;amentos anteriores, dedicados a composi&#xE7;&#xF5;es de Igor Stravinsky e a interpreta&#xE7;&#xF5;es do pianista Sviatoslav Richter, as grava&#xE7;&#xF5;es da caixa foram realizadas ao vivo para a Gostelradio, uma de tantas estatais sovi&#xE9;ticas, entre 1954 e 1985 &#x2013; o que resulta em diferentes n&#xED;veis t&#xE9;cnicos, aceit&#xE1;veis para registros hist&#xF3;ricos (vez por outra, ouve-se algu&#xE9;m tossir na plateia).</p> <p> Entre os executantes da colet&#xE2;nea, est&#xE3;o alguns dos maiores astros da m&#xFA;sica cl&#xE1;ssica da URSS, como os maestros Evgeny Mravinsky e Rudolf Barshai, a Orquestra Filarm&#xF4;nica de Leningrado, o violista Yuri Bashmet e o pianista Richter. Os temas que eles interpretam s&#xE3;o fulgurantes, emotivos e, acima de tudo, demasiado humanos, mesmo quando, &#xE0;s vezes, recaem no intelectualismo, do qual o compositor foi acusado pelo regime ditatorial de Josef Stalin. Na maior parte do tempo, por&#xE9;m, s&#xE3;o facilmente assimilados por qualquer ouvinte, chegando a ser divertidos. O quanto dessa &#x201C;facilidade&#x201D; foi volunt&#xE1;ria ou induzida pelo medo dos campos de trabalho for&#xE7;ado ainda est&#xE1; em aberto.</p> <p> <strong>FORMALISTA, VULGAR E PRIMITIVA</strong></p> <p> Na verdade, os problemas de Shostakovich com Stalin n&#xE3;o eram bem musicais e nem derivavam do excesso de opacidade, mas, pelo contr&#xE1;rio, se deviam ao excesso de transpar&#xEA;ncia. Em 1936, o ditador ficou furioso depois de assistir a uma apresenta&#xE7;&#xE3;o da &#xF3;pera <em>Lady Macbeth</em> <em>de Mtsensk </em>&#x2013; que n&#xE3;o consta dessas grava&#xE7;&#xF5;es da Gostelradio &#x2013; por enxergar no assassinato do sogro prepotente pela protagonista uma cr&#xED;tica a si pr&#xF3;prio e a seu governo. Provavelmente tinha raz&#xE3;o. Seja como for, logo um artigo intitulado <em>Desordem em Vez de M&#xFA;sica</em>, no jornal <em>Pravda</em>, condenava a &#xF3;pera por ser formalista, vulgar e primitiva. N&#xE3;o era um bom ano para cair em desgra&#xE7;a com Stalin: 1936 marca o in&#xED;cio dos Grandes Expurgos, nos quais, acredita-se, algo em torno de 1,5 milh&#xE3;o de sovi&#xE9;ticos foram presos ou mortos. Sem alternativa, Shostakovich acabou fazendo rapidamente uma autocr&#xED;tica. O que surpreende &#xE9; que, lidos hoje, os termos do pedido de desculpas soam bastante ir&#xF4;nicos. Seus amigos, como Isaak Glikman, diziam que, se ele declarava &#x201C;estou me sentindo &#xF3;timo&#x201D;, talvez quisesse expressar o contr&#xE1;rio.</p> <p> A Segunda Guerra, que se aproximava e que iria contrapor os sovi&#xE9;ticos aos alem&#xE3;es, lhe daria a oportunidade de &#x201C;fazer as pazes&#x201D; com o regime, ao compor pe&#xE7;as heroicas destinadas a elevar o moral da popula&#xE7;&#xE3;o. Uma de suas sinfonias mais famosas na URSS foi a <em>S&#xE9;tima</em>, estreada em 1942 e intitulada <em>Leningrado</em>. A antiga S&#xE3;o Petersburgo era a cidade onde o compositor nasceu. Ela ficaria sitiada pelas tropas de Adolf Hitler por 900 dias e sofreria com a fome. Deu-se um jeito de fazer a partitura superar o bloqueio, e a obra foi ouvida na terra de ningu&#xE9;m. Pode-se imaginar a como&#xE7;&#xE3;o popular. No entanto, at&#xE9; nela, Shostakovich tratou de criticar o stalinismo, ainda que por tabela, ao atacar o nazismo, numa marcha sinistra que parodia o <em>Bolero </em>de Ravel. Totalitarismo, afinal, &#xE9; totalitarismo. Essa vis&#xE3;o se tornou corrente ap&#xF3;s a publica&#xE7;&#xE3;o, em 1979 (ou seja, depois da morte do compositor), de mem&#xF3;rias supostamente ditadas a Solomon Volkov. No livro, Shostakovich ressurge como um dissidente sutil e injusti&#xE7;ado por seus pares, um opositor cujas mensagens nem sempre eram compreendidas.</p> <p> Duas sinfonias que estrearam ap&#xF3;s essa primeira grave crise do ex-menino prod&#xED;gio com o regime &#x2013; haveria outra, em 1948 &#x2013; abrem a caixa do Acervo Russo, ambas sob a batuta de Yevgeny Mravisnky, justamente o seu primeiro regente: a <em>Quinta</em> e a <em>Sexta</em>. S&#xE3;o consideradas mais convencionais do que as anteriores, mas, como tudo no autor, h&#xE1; nuances e beleza. Numa, o terceiro movimento (Largo, lento) &#xE9; um &#xF3;timo exemplo da profundidade emocional alcan&#xE7;ada. Noutra, o terceiro movimento (Presto, r&#xE1;pido) traz a ironia furiosa, tamb&#xE9;m caracter&#xED;stica do autor. Entre outros destaques da caixa ora lan&#xE7;ada no Brasil, est&#xE3;o transcri&#xE7;&#xF5;es para orquestra de c&#xE2;mara de nove prel&#xFA;dios escritos para piano e do sombrio <em>Quarteto de Cordas N&#xBA; 8</em>, composto depois de uma visita &#xE0; cidade alem&#xE3;-oriental de Dresden. Em 1960, ela permanecia no estado ruinoso ao qual fora reduzida por bombardeios ingleses durante os estertores da Segunda Guerra. Mais uma vez, ao dedicar o quarteto &#x201C;&#xE0;s v&#xED;timas do fascismo e da guerra&#x201D;, Shostakovich soou amb&#xED;guo. Ningu&#xE9;m matou tantos alem&#xE3;es quanto os russos. E vice-versa.</p> <div class="descricao-autor"> <p> <strong>Arthur Dapieve</strong> &#xE9; jornalista e escritor, autor do romance De Cada Amor Tu Herdar&#xE1;s S&#xF3; o Cinismo.</p> </div><div class="onde-quando"> <p> <strong>OS &#xC1;LBUNS</strong></p> <p> <em>Acervo Russo &#x2013; Shostakovich (Biscoito Fino/Dell&#x2019;Arte)</em>, caixa com quatro discos, que re&#xFA;nem pe&#xE7;as de Dmitri Shostakovich. Produ&#xE7;&#xE3;o: Pipeline Music. Pre&#xE7;o m&#xE9;dio: R$ 90.</p> </div> Criações de Dmitri Shostakovich, reunidas em quatro discos, demonstram que o compositor russo manteve uma relação ambígua com o ditador Josef Stalin 2012-01-27T15:44:23-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 173 - Janeiro 2012 Criações de Dmitri Shostakovich, reunidas em quatro discos, demonstram que o compositor russo manteve uma relação ambígua com o ditador Josef Stalin Música BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/todos-cantam-tom-jobim Todos cantam Tom Jobim 2012-01-18T12:22:53-02:00 Redação <p> Um dos grandes nomes da bossa, Tom Jobim, &#xE9; destaque na edi&#xE7;&#xE3;o de janeiro de<strong>BRAVO!</strong>. A mat&#xE9;ria<em>Um Banquinho, Um Avi&#xE3;o</em>, assinada pelo jornalista e escritor S&#xE9;rgio Cabral - tamb&#xE9;m autor do livro<em>Ant&#xF4;nio Carlos Jobim - Uma Biografia</em>-, retrata o lado intercontinental do compositor carioca. Suas can&#xE7;&#xF5;es ganharam fama mundial nas vozes de artistas como Ella Fitzgerald, Frank Sinatra e italiana Mina.</p> <p> Escute outras vozes interpretando can&#xE7;&#xF5;es do compositor:</p> <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="315" width="420"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/NNjLvAAE2e8?version=3&amp;hl=pt_BR"/><embed allowscriptaccess="always" height="315" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="http://www.youtube.com/v/NNjLvAAE2e8?version=3&amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" width="420"/></object></p> <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="315" width="420"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/PbL9vr4Q2LU?version=3&amp;hl=pt_BR"/><embed allowscriptaccess="always" height="315" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="http://www.youtube.com/v/PbL9vr4Q2LU?version=3&amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" width="420"/></object></p> <p> &#xA0;</p> <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="315" width="420"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/zLNG1OcA6Ak?version=3&amp;hl=pt_BR"/><embed allowscriptaccess="always" height="315" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="http://www.youtube.com/v/zLNG1OcA6Ak?version=3&amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" width="420"/></object></p> <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="315" width="420"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/8AMu4x7vPmk?version=3&amp;hl=pt_BR"/><embed allowscriptaccess="always" height="315" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="http://www.youtube.com/v/8AMu4x7vPmk?version=3&amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" width="420"/></object></p> <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="315" width="560"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/cMCm1I25IJA?version=3&amp;hl=pt_BR"/><embed allowscriptaccess="always" height="315" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="http://www.youtube.com/v/cMCm1I25IJA?version=3&amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" width="560"/></object></p> <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="315" width="420"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/BueNd0yfijo?version=3&amp;hl=pt_BR"/><embed allowscriptaccess="always" height="315" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="http://www.youtube.com/v/BueNd0yfijo?version=3&amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" width="420"/></object></p> <p> &#xA0;</p> De Ella Fitzgerald a Iggy Pop, cantores de diferentes países e ritmos já inerpretaram as canções do compositor 2012-01-12T17:02:40-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados De Ella Fitzgerald a Iggy Pop, cantores de diferentes países e ritmos já inerpretaram as canções do compositor Música BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/um-banquinho-um-aviao Um Banquinho, Um Avião 2012-01-18T12:22:35-02:00 Sérgio Cabral <p> A trajet&#xF3;ria internacional do autor de <em>Garota de Ipanema</em> &#x2013; retratada no document&#xE1;rio <em>A M&#xFA;sica Segundo Tom Jobim</em>, de Nelson Pereira dos Santos e Dora Jobim, que estreia neste m&#xEA;s &#x2013; teve in&#xED;cio em 1961. Foi quando, involuntariamente, o maestro e pianista carioca virou pelo avesso a pol&#xED;tica de divulga&#xE7;&#xE3;o das produ&#xE7;&#xF5;es musicais norte-americanas, implantada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos. Naquela &#xE9;poca, o governo de l&#xE1; patrocinava excurs&#xF5;es de renomados instrumentistas do jazz pelo mundo, e o Brasil os recebeu em grande n&#xFA;mero. Eles rapidamente se apaixonaram por nossa m&#xFA;sica e sa&#xED;ram daqui com as malas repletas de discos. Assim, as cria&#xE7;&#xF5;es de Antonio Carlos Jobim (1927-1994) acabaram conquistando tanto &#xEA;xito na Am&#xE9;rica que, dali a pouco tempo, o brasileiro seria considerado pela cr&#xED;tica e pelos m&#xFA;sicos locais um compositor t&#xE3;o importante quanto George Gershwin e Cole Porter.</p> <p> A isca foi o <em>Samba de Uma Nota S&#xF3;</em>, can&#xE7;&#xE3;o de Tom e Newton Mendon&#xE7;a, que o trompetista Shorty Rogers e o trombonista Curtis Fuller gravaram em 1961. Logo depois, o genial trompetista Dizzy Gillespie ouviu o disco de Jo&#xE3;o Gilberto lan&#xE7;ado nos Estados Unidos e incluiu <em>Desafinado</em> (tamb&#xE9;m da dupla Tom e Newton Mendon&#xE7;a) nas apresenta&#xE7;&#xF5;es que fazia em Chicago, no Sutherland Lounge. Mas o sucesso mesmo s&#xF3; chegou quando o guitarrista Charlie Byrd, ap&#xF3;s se apresentar no Brasil, telefonou para Creed Taylor, produtor da gravadora Verve, e sugeriu realizar um disco apenas com m&#xFA;sicas da bossa nova. Taylor lhe prop&#xF4;s dividir o &#xE1;lbum com o saxofonista Stan Getz. A grava&#xE7;&#xE3;o ocorreu no dia 13 de fevereiro de 1962, data em que o produtor, os dois m&#xFA;sicos e mais alguns instrumentistas se reuniram num est&#xFA;dio improvisado, na Sala Pierce, da Igreja Unit&#xE1;ria de Todas as Almas, em Washington. Com um equipamento paup&#xE9;rrimo &#x2013; um modesto gravador Ampex, cuja fita rodava na velocidade nada recomendada de 7 &#xBD; &#x2013;, conceberam o <em>long play Jazz Samba</em>. O disco vendeu mais de 1 milh&#xE3;o de c&#xF3;pias, n&#xFA;mero espantoso para a Verve na &#xE9;poca (e ainda hoje).</p> <p> <strong>Quatro contra um</strong></p> <p> Em julho de 1962, outro motivo fez com que as composi&#xE7;&#xF5;es de Tom Jobim ficassem ainda mais conhecidas nos Estados Unidos: a exibi&#xE7;&#xE3;o por l&#xE1; do filme &#xED;talo-franco-brasileiro <em>Orfeu Negro</em>, adapta&#xE7;&#xE3;o da pe&#xE7;a <em>Orfeu da Concei&#xE7;&#xE3;o</em>, de Vinicius de Moraes. Tom assinava tanto a trilha do espet&#xE1;culo quanto a do longa. Em agosto do mesmo ano, ele, Vinicius, Jo&#xE3;o Gilberto e Os Cariocas protagonizaram um show no restaurante Au Bon Gourmet, em Copacabana, que chamou a aten&#xE7;&#xE3;o de empres&#xE1;rios norte-americanos. Resultado: em novembro, parte da turma se apresentaria no Carnegie Hall, principal casa de espet&#xE1;culos de Nova York.</p> <p> Tamb&#xE9;m em agosto daquele ano, Stan Getz gravou o disco <em>Big Band Bossa Nova</em>, incluindo nele <em>Chega de Saudade</em> (de Tom e Vinicius), que logo seria registrada por diversos cantores norte-americanos. No entanto, a vers&#xE3;o criada pela dupla Hendricks-Cavanaugh provocou em Tom o primeiro de muitos desgostos com as transposi&#xE7;&#xF5;es para o ingl&#xEA;s das letras de suas m&#xFA;sicas. Ele quase brigou, por exemplo, com o amigo Norman Gimbel porque o parceiro n&#xE3;o queria colocar o nome da praia ao traduzir <em>Garota de Ipanema</em>. O pretexto era que o norte-americano comum n&#xE3;o tinha a menor ideia do significado dessa palavra. Tom venceu a discuss&#xE3;o e o planeta inteiro aprendeu que existe um lugar chamado Ipanema. A m&#xFA;sica, ali&#xE1;s, se tornou uma das mais gravadas e tocadas em todo o s&#xE9;culo 20.</p> <p> O medo de avi&#xE3;o quase impediu Tom de participar do espet&#xE1;culo no Carnegie Hall. Na v&#xE9;spera da viagem, o artista acabou convencido a embarcar pelo escritor Fernando Sabino, que foi &#xE0; casa dele especialmente para tratar do assunto. &#x201C;Voc&#xEA; garante que o avi&#xE3;o n&#xE3;o vai cair, Fernando?&#x201D;, perguntou. &#x201C;Garanto&#x201D;, respondeu o cronista. &#x201C;Ent&#xE3;o eu vou.&#x201D; O fato &#xE9; que ele driblou a fobia e permaneceu v&#xE1;rios meses nos Estados Unidos, onde fez diversos amigos entre os nomes mais famosos do jazz, al&#xE9;m de gravar o &#xE1;lbum instrumental <em>The Composer of Desafinado, Plays</em>, considerado por muitos o melhor de sua carreira. Em 1967, retornou &#xE0; Am&#xE9;rica especialmente para dividir um disco com o mito Frank Sinatra.</p> <p> Converteu-se, assim, num dos m&#xFA;sicos mais executados naquele pa&#xED;s durante a d&#xE9;cada de 1960. A partir de 1964, s&#xF3; perdia para os Beatles, desvantagem que encarava com realismo e bom humor: &#x201C;Eu sou apenas um. Eles s&#xE3;o quatro&#x201D;.</p> <div class="descricao-autor"> <p> <strong>S&#xE9;rgio Cabral </strong>&#xE9; jornalista, compositor e autor de Antonio Carlos Jobim &#x2013; Uma Biografia.</p> </div><div class="onde-quando"> <p> <strong>O FILME</strong></p> <p> <em>A M&#xFA;sica Segundo Tom Jobim</em>, de Nelson Pereira dos Santos e Dora Jobim. Estreia prevista para este m&#xEA;s.</p> </div> Alheias ao medo de voar que perseguia Tom Jobim, suas canções viajaram para os Estados Unidos e, depois, cruzaram o mundo, como demonstra o novo filme de Nelson Pereira dos Santos 2012-01-18T10:48:03-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 173 - Janeiro 2012 Alheias ao medo de voar que perseguia Tom Jobim, suas canções viajaram para os Estados Unidos e, depois, cruzaram o mundo, como demonstra o novo filme de Nelson Pereira dos Santos Música BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/a-voz-e-o-tempo A Voz e o Tempo 2011-12-29T11:23:30-02:00 Pedro Alexandre Sanches <p> At&#xE9; 2011, o mais c&#xE9;lebre duelo com a tecnologia protagonizado por Gal Costa se chamava <em>Meu Nome &#xC9; Gal</em>. A can&#xE7;&#xE3;o, de Roberto e Erasmo Carlos, est&#xE1; gravada na &#xFA;ltima faixa de seu disco de 1979, <em>Gal</em><em> Tropical</em>. Ent&#xE3;o com 34 anos, ela usava a composi&#xE7;&#xE3;o para esgrimir a pr&#xF3;pria voz com os acordes da guitarra de Robertinho de Recife, a garganta humana desafiando e superando os sons agudos produzidos pelo instrumento. Hoje com 66 anos, a cantora baiana atualiza a batalha de <em>Meu Nome &#xC9; Gal</em> em seu novo trabalho,<em> Recanto</em>, um &#xE1;lbum todo tomado pelo confronto entre mulher e computador. Onde a guitarra el&#xE9;trica esteve um dia, agora se encontram softwares como o Auto-Tune (um programa afinador de vozes e instrumentos), sintetizadores e baterias eletr&#xF4;nicas. Das 11 faixas que integram o CD, apenas uma n&#xE3;o se utiliza desses recursos.</p> <p> Mas a mais poderosa das m&#xE1;quinas com que Gal digladia &#xE9; um homem: Caetano Veloso. Principal porta-voz do compositor conterr&#xE2;neo desde as primeiras grava&#xE7;&#xF5;es, em 1965, ela havia registrado at&#xE9; aqui mais de oito dezenas de can&#xE7;&#xF5;es do amigo. <em>Recanto</em> expande a parceria: &#xE9; o primeiro &#xE1;lbum de Gal formado exclusivamente por cria&#xE7;&#xF5;es in&#xE9;ditas de Caetano. Aos 69 anos, o m&#xFA;sico tamb&#xE9;m atua como diretor art&#xED;stico e produtor do projeto, dividindo a segunda fun&#xE7;&#xE3;o com seu filho mais velho, Moreno Veloso. S&#xF3; havia ocupado tais posi&#xE7;&#xF5;es num disco anterior de Gal, em 1974, o hippie e id&#xED;lico <em>Cantar</em>.</p> <p> De sonoridade bastante contempor&#xE2;nea, <em>Recanto</em> conduz a int&#xE9;rprete a um ambiente parecido com o que Caetano construiu em seus dois discos solo de est&#xFA;dio mais recentes, <em>C&#xEA;</em> (2006) e <em>Zii e Zie &#x2013; Transambas</em> (2009), invadidos por m&#xFA;sicos da gera&#xE7;&#xE3;o de seus filhos. Entre os jovens alquimistas que acompanham e modernizam a voz da &#x201C;Vaca Profana&#x201D; (como Caetano a nomeou em 1984), est&#xE3;o Moreno e Zeca Veloso (outro filho do baiano), Kassin, Pedro S&#xE1;, Davi Moraes (filho do cantor Moraes Moreira) e Donatinho (filho do pianista Jo&#xE3;o Donato). Na se&#xE7;&#xE3;o &#x201C;velha guarda&#x201D;, bem mais discreta do que a outra, figuram instrumentistas de gera&#xE7;&#xF5;es anteriores, como Jaques Morelenbaum, ao violoncelo.</p> <p> Quatro d&#xE9;cadas e meia atr&#xE1;s, a guerra entre as violas enluaradas e as guitarras envenenadas marcou a gera&#xE7;&#xE3;o heroica da MPB universit&#xE1;ria. Ao se centrar no embate voz-computador, <em>Recanto</em> alude &#xE0;quele per&#xED;odo. Mas os tempos de 1967 est&#xE3;o mortos, e o novo confronto evoca mais uma proposta de pacto do que uma declara&#xE7;&#xE3;o de guerra. Por isso, talvez seja mais preciso falarmos em di&#xE1;logo, e n&#xE3;o em duelo, batalha, embate ou confronto.</p> <p> A faixa <em>Autotune Autoer&#xF3;tico</em> &#xE9; a que melhor traduz o esp&#xED;rito do disco. Gal a inicia for&#xE7;ando a voz, de modo a lembrar uma matrona do Rec&#xF4;ncavo Baiano. A garganta experimenta andar na corda bamba entre a afina&#xE7;&#xE3;o e a desafina&#xE7;&#xE3;o e termina reprocessada pelo Auto-Tune, num efeito rob&#xF3;tico que a veterana cantora norte-americana Cher inaugurou em 1998, no &#xE1;lbum bem mais deslavadamente pop <em>Believe</em>. &#x201C;N&#xE3;o, o Autotune n&#xE3;o basta pra fazer o canto andar/ pelos caminhos que levam &#xE0; grande beleza&#x201D;, avisa Gal, de maneira espertamente contradit&#xF3;ria. Por um lado, desanca o afinador de voz. Por outro, faz uso dele para obter efeitos que n&#xE3;o alcan&#xE7;aria naturalmente.</p> <p> H&#xE1;, no entanto, muitos outros n&#xFA;cleos de tens&#xE3;o criativa em <em>Recanto</em>, e dois dos maiores s&#xE3;o <em>Miami Maculel&#xEA;</em> e <em>Neguinho</em>. O primeiro obriga Gal a brincar com os sons eletr&#xF4;nicos e extremamente pop do funk carioca e dos fliperamas, enquanto a voz faz malabarismos com as s&#xED;labas de &#x201C;s&#xE3;o Dimas, Robin Hood e o anjo 45/ todos dan&#xE7;ando comigo&#x201D;. As cita&#xE7;&#xF5;es conectam o Jorge Ben de 1969 (&#x201C;Charles, anjo 45/ protetor dos fracos e dos oprimidos/ Robin Hood dos morros, rei da malandragem&#x201D;) com os Racionais MC&#x2019;s de 2002 (&#x201C;aos 45 do segundo, arrependido/ &#xE9; Dimas, o bandido/ primeiro vida loka da hist&#xF3;ria&#x201D;). O compositor baiano segue Mano Brown e equipara s&#xE3;o Dimas, &#x201C;o bom ladr&#xE3;o&#x201D; do imagin&#xE1;rio crist&#xE3;o, aos meninos das favelas brasileiras, enquanto prega a reconcilia&#xE7;&#xE3;o entre o hip-hop paulistano e o funk carioca.</p> <p> <em>Negu</em><em>inho</em> &#xE9; provavelmente o maior pulo do gato de Caetano no novo disco. A princ&#xED;pio, os versos parecem se referir a algu&#xE9;m que n&#xE3;o &#xE9; nem o compositor, nem a cantora, nem o p&#xFA;blico supostamente refinado que costuma acompanh&#xE1;-los &#x2013; uma refer&#xEA;ncia muitas vezes cr&#xED;tica: &#x201C;Neguinho compra tr&#xEA;s TVs de plasma, um carro GPS e acha que &#xE9; feliz/ (...) neguinho vai pra Europa, States, Disney e volta cheio de si/ neguinho cata lixo no Jardim Gramacho&#x201D;. Ao final, esclarece-se o enigma (&#x201C;neguinho que eu falo &#xE9; n&#xF3;s&#x201D;) e a cr&#xED;tica vira autocr&#xED;tica.</p> <p> Outro ponto que agu&#xE7;a a reflex&#xE3;o em <em>Recanto</em> diz respeito tanto ao autor quanto a Gal (ou a qualquer um que os ouve). No disco <em>C&#xEA;</em>, Caetano despistava as dores de envelhecer com afirma&#xE7;&#xF5;es de pot&#xEA;ncia sexual. Desta vez, por&#xE9;m, tais dores aparecem expl&#xED;citas. &#x201C;Tudo d&#xF3;i&#x201D;, frase repetida in&#xFA;meras vezes pela cantora na faixa de mesmo nome, &#xE9; exemplo que soaria quase engra&#xE7;ado, n&#xE3;o fosse o tom soturno da grava&#xE7;&#xE3;o e os versos amaros: &#x201C;Viver &#xE9; um desastre que sucede a alguns&#x201D;.</p> <p> <strong>Tristeza Profunda</strong></p> <p> Se em 2005 a int&#xE9;rprete gravara uma composi&#xE7;&#xE3;o de Caetano denominada <em>Luto</em>, hoje a can&#xE7;&#xE3;o <em>Madre Deus</em> vai mais longe. Mira a morte de frente, sem meios-tons, sob melodia mon&#xF3;tona revestida de ru&#xED;dos r&#xED;spidos, desagrad&#xE1;veis: &#x201C;Meu corpo todo desmede-se/ despede-se de si&#x201D;, &#x201C;frente ao infindo/ costas contra o planeta/ j&#xE1; sou a seta sem dire&#xE7;&#xE3;o/ instintos e sentidos extintos/ mas sei-me indo&#x201D;.</p> <p> Os temas de morte e envelhecimento s&#xE3;o os mais n&#xED;tidos, mas n&#xE3;o os &#xFA;nicos a afirmar que a tristeza &#xE9; um dos (muitos) legados tropicalistas &#x2013; n&#xE3;o estamos mais nos anos 1990, quando m&#xFA;sicas como <em>A Luz de Tieta</em> (1996) dilu&#xED;am a melancolia em profiss&#xE3;o de f&#xE9; na alegria feroz da ax&#xE9; music. Nessa linha, <em>Recanto</em> <em>Escuro </em>constitui outro dos n&#xFA;cleos nervosos do CD. A voz potente de Gal e a linda e grave melodia s&#xE3;o perturbadas o tempo todo por interfer&#xEA;ncias de r&#xE1;dio, ou agulhas raspando no vinil, ou coisa que o valha. &#x201C;Eu venho de um recanto escuro&#x201D;, &#x201C;o &#xE1;lcool me faz chorar&#x201D;, &#x201C;s&#xF3; Deus sabe o duro que eu dei&#x201D;, assume a voz sofrida da cantora.</p> <p> &#x201C;Tristeza profunda&#x201D; &#xE9; um termo que surge expl&#xED;cito em <em>Segunda</em>, a faixa de encerramento. &#xC9; o &#xFA;nico recanto totalmente org&#xE2;nico, anal&#xF3;gico de <em>Recanto</em>, com Moreno Veloso solando no viol&#xE3;o, no violoncelo, no prato e na faca, num arranjo sertanejo-urbano, profundamente nordestino. A letra adota perspectiva prolet&#xE1;ria, de um(a) protagonista egresso(a) do processo de ascens&#xE3;o das classes C e D no Brasil. &#x201C;N&#xE3;o vejo o nascer do dia/ mas pela Virgem Maria/ tenho dinheiro e patr&#xE3;o&#x201D;, &#x201C;eu mesmo sou mei galego/ o meu chefe no emprego/ &#xE9; que &#xE9; mulato pra negro:/ s&#xF3; ecos da escravid&#xE3;o&#x201D;, &#x201C;mas agora a minha sala/ tem geladeira de gala/ &#xE0; dele quase se iguala/ muda o mundo em barafunda&#x201D;.</p> <p> Neguinho pode padecer de tristeza profunda, mas tamb&#xE9;m luta bravamente para compreender a sociedade em que vive e para se transformar, como j&#xE1; fazia antes mesmo de se inventar tropicalista. Neguinho &#xE9; Gal, &#xE9; Caetano, &#xE9; n&#xF3;s.</p> <div class="descricao-autor"> <p> <strong>Pedro Alexandre Sanches</strong> &#xE9; jornalista, autor do livro Tropicalismo &#x2013; Decad&#xEA;ncia Bonita do Samba (Boitempo).</p> </div><div class="onde-quando"> <p> <strong>O DISCO</strong></p> <p> <em>Recanto </em>(Universal), de Gal Costa. Produ&#xE7;&#xE3;o: &#xAD;Caetano e Moreno Veloso. Pre&#xE7;o m&#xE9;dio: R$ 30.</p> </div> Em novo disco, Gal Costa interpreta apenas composições inéditas de Caetano Veloso e trava um inesperado diálogo com softwares que alteram o som. Enquanto tenta se modernizar, também expõe as dores do envelhecimento 2011-11-28T15:59:19-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 172 - Dezembro 2011 Em novo disco, Gal Costa interpreta apenas composições inéditas de Caetano Veloso e trava um inesperado diálogo com softwares que alteram o som. Enquanto tenta se modernizar, também expõe as dores do envelhecimento Música BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/sem-perder-a-ternura Sem perder a Ternura 2011-12-29T10:24:50-02:00 José Flávio Júnior <p> A audi&#xE7;&#xE3;o do novo &#xE1;lbum de Leslie Feist &#xE9; li&#xE7;&#xE3;o de casa para cantoras antenadas do mundo inteiro. Canadense, 35 anos, ela teve um grande &#xEA;xito comercial em 2007, quando soltou seu terceiro disco de est&#xFA;dio, <em>The Reminder</em>. Seu folk rock saiu do <em>underground</em> gra&#xE7;as &#xE0; utiliza&#xE7;&#xE3;o da faixa <em>1234</em> num comercial do iPod Nano. Com o <em>hit</em> nas paradas, outras preciosidades do CD (<em>I Feel It All, My Moon My Man</em>) foram sendo descobertas e usadas em s&#xE9;ries de TV e filmes. At&#xE9;<em> Mushaboom</em>, lan&#xE7;ada no disco de 2004, voltou a ter boa execu&#xE7;&#xE3;o. Nos anos seguintes, foi poss&#xED;vel sentir um pouquinho de Feist em quase todas as cantoras que se deram bem no mercado adulto: Florence Welch (do Florence and The Machine), Ya&#xEB;l Na&#xEF;m, Corinne Bailey Rae (em seu segundo e introspectivo trabalho) etc.</p> <p> N&#xE3;o que Feist tenha inventado a roda ou seja o farol de uma gera&#xE7;&#xE3;o de int&#xE9;rpretes. Mas ela inaugurou uma tend&#xEA;ncia no pop: a das can&#xE7;&#xF5;es autorais com toques experimentais e letras densas, que ainda assim soam fofas, acess&#xED;veis, prontas para sonorizar cenas de amor ou propagandas da Apple. Seu quarto &#xE1;lbum comprova a tese. <em>Metals</em> &#xE9; mais angustiado do que o antecessor. A primeira faixa diz que, quando um homem bom e uma mulher boa n&#xE3;o conseguem encontrar o que h&#xE1; de bom neles, emerge o pior de cada um <em>(The Bad in Each Other)</em>. J&#xE1; o nome do tema seguinte fala por si s&#xF3;: <em>Graveyard </em>(cemit&#xE9;rio). Mas os arranjos, repletos de sopros, violinos e corais, n&#xE3;o deixam o ouvinte deprimido.</p> <p> A cantora dos &#x201C;virais&#x201D;</p> <p> Um dos pontos altos do repert&#xF3;rio &#xE9; <em>A Commotion,</em> que descreve um cen&#xE1;rio apocal&#xED;ptico nas estrofes. At&#xE9; que pinta o refr&#xE3;o, e um coro de vozes masculinas grita o t&#xED;tulo da faixa. &#xC9; t&#xE3;o surpreendente que chega a ser c&#xF4;mico, dando novo sentido ao clima tenso criado anteriormente. Feist completa o refr&#xE3;o sussurrando: &#x201C;Se isso acaba contigo/ o rancor ainda domina teu cora&#xE7;&#xE3;o&#x201D;. <em>How Come You Never Go There</em>, primeiro single do CD, traz outra passagem po&#xE9;tica, que em breve dever&#xE1; pipocar no Facebook de quem enfrenta problemas no relacionamento. &#x201C;O quarto est&#xE1; cheio, mas os cora&#xE7;&#xF5;es est&#xE3;o vazios/ como as cartas que voc&#xEA; nunca me mandou/ palavras s&#xE3;o como um la&#xE7;o/ mas voc&#xEA; &#xE9; uma m&#xFA;sica instrumental.&#x201D;</p> <p> Menos amarga, <em>The Circle Married the Line</em> tem potencial para ser a <em>1234 </em>do disco. Ao piano, Feist conduz uma bel&#xED;ssima melodia, cantando que tudo que ela quer &#xE9; uma linha do horizonte. A faixa &#xE9; sucedida por <em>Bittersweet Melodies</em>, outra que periga ser &#x201C;viralizada&#x201D;. Com certeza, as tais cantoras antenadas estar&#xE3;o atentas a esse lan&#xE7;amento. Seja para entender o tempo em que vivem, seja s&#xF3; para apreciar mais uma obra bonita de uma artista que tem algo a mostrar.</p> <div class="descricao-autor"> <p> <strong>Jos&#xE9; Fl&#xE1;vio J&#xFA;nior</strong> &#xE9; jornalista.</p> </div><div class="onde-quando"> <p> <strong>O &#xC1;LBUM</strong></p> <p> <em>Metals </em>(Universal), de Feist. Produtores: Feist, Chilly Gonzales, Mocky e Valgeir Sigurdsson. Pre&#xE7;o m&#xE9;dio: R$ 30.</p> </div> “Metals”, o novo trabalho da compositora canadense Feist, ainda mantém a linha de canções fofas com letras densas e toques experimentais 2011-12-29T10:24:50-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 172 - Dezembro 2011 “Metals”, o novo trabalho da compositora canadense Feist, ainda mantém a linha de canções fofas com letras densas e toques experimentais Música BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/arautos-do-amor-e-do-prazer Arautos do Amor (e do Prazer) 2011-12-19T15:03:51-02:00 Inês Pedrosa <p> Devo &#xE0;s can&#xE7;&#xF5;es do Brasil a minha f&#xE9; no amor. N&#xE3;o &#xE9; coisa pouca nem leve; acredito no amor como outros acreditam na Virgem de F&#xE1;tima: &#xE0; revelia dos trope&#xE7;os das hist&#xF3;rias e do ceticismo da Hist&#xF3;ria. N&#xE3;o h&#xE1; l&#xE1;grima que eu n&#xE3;o transforme em prisma de uma nova vis&#xE3;o do mundo, nem ru&#xED;nas de ilus&#xE3;o sob as quais n&#xE3;o encontre o sinal de uma alegria maior. As can&#xE7;&#xF5;es brasileiras, em particular as de Caetano Veloso e Chico Buarque, deram-me um doutorado naquilo a que o Padre Ant&#xF4;nio Vieira chamou &#x201C;amor fino&#x201D; &#x2013; o amor a fundo perdido. N&#xE3;o h&#xE1; outro; ao amor que espera retorno podemos chamar investimento, vaidade, medo ou comodismo. Podemos at&#xE9; decidir ser felizes atrav&#xE9;s dele. Mas o amor digno desse nome n&#xE3;o cuida de enredos ou desenlaces; &#xE9;, como escreveu Ov&#xED;dio, uma arte, com o que isso significa de coragem e entrega. A arte exige o dom da metamorfose e um alto grau de dom&#xED;nio perante a dor. O artista, como o amante, tem de ser capaz de sair da sua pr&#xF3;pria pele para se colocar dentro da pele do outro. Esvaziando-se na entrega, ganha tamb&#xE9;m imunidade &#xE0; dor &#x2013; h&#xE1; sempre um lado seu que contempla, de fora, como um Deus, a obra que dentro de si se est&#xE1; gerando.</p> <p> Tudo isso existe, em sublime condensa&#xE7;&#xE3;o, no casamento entre m&#xFA;sica e letra &#x2013; e assim o Brasil deu de 10 a 0 em toda a hist&#xF3;ria da filosofia, de Ov&#xED;dio e Plat&#xE3;o a Kant e Nietzsche. &#x201C;Se voc&#xEA; tem uma ideia incr&#xED;vel &#xE9; melhor fazer/ uma can&#xE7;&#xE3;o/ est&#xE1; provado que s&#xF3; &#xE9; poss&#xED;vel filosofar/ em alem&#xE3;o.&#x201D; A receita &#xE9; de Caetano, em <em>L&#xED;ngua</em>, a melhor can&#xE7;&#xE3;o alguma vez escrita. Estava tentada a acrescentar &#x201C;em l&#xED;ngua portuguesa&#x201D;, mas a tese que aqui se exp&#xF5;e &#xE9; a de que a l&#xED;ngua portuguesa &#xE9; respons&#xE1;vel pela cria&#xE7;&#xE3;o das mais perfeitas can&#xE7;&#xF5;es. Parece-vos imperialista? Presun&#xE7;oso? Etc.? Ent&#xE3;o deixo-vos um exerc&#xED;cio simples: traduzam as letras dos Beatles. Podem come&#xE7;ar por <em>Yesterday</em>, v&#xE1;; se eu fosse cruel, lembrava <em>All You Need Is Love</em> ou <em>Michelle</em>. Sim, podem prosseguir com o <em>Imagine, </em>do John Lennon. Para subir o n&#xED;vel do debate, incluamos at&#xE9; o excelso Serge Gainsbourg: convenhamos que &#x201C;<em>je vais et je viens/ entre tes reins</em>&#x201D; (&#x201C;vou e volto/ entrela&#xE7;ado em seu dorso&#x201D;, trecho de <em>Je T&#x2019;Aime... Moi Non Plus</em>) n&#xE3;o tem a for&#xE7;a er&#xF3;tica de &#x201C;estou-me a vir/ e tu, como te tens por dentro?/ porqu&#xEA; n&#xE3;o te vens tamb&#xE9;m?&#x201D; (letra completa de <em>Porqu&#xEA;?</em>, de Caetano Veloso). S&#xF3; os portugueses gritam que v&#xEA;m a si atrav&#xE9;s do corpo do amante. E s&#xF3; um brasileiro ousou fazer desse grito &#xED;ntimo um manifesto po&#xE9;tico. Porque s&#xF3; os brasileiros clamam que est&#xE3;o gozando (num ger&#xFA;ndio lento, benza-os Deus) no auge da entrega f&#xED;sica. Os portugueses apenas usam o verbo gozar contra algu&#xE9;m. O portugu&#xEA;s &#xE9; p&#xFA;dico em p&#xFA;blico e desbragado na intimidade, o brasileiro pelo contr&#xE1;rio &#x2013; genericamente falando, claro.</p> <p> <strong>Ang&#xE9;lica, B&#xE1;rbara, Beatriz...</strong></p> <p> Cumpre ressalvar que Chico Buarque deveria receber o Pr&#xEA;mio de Excel&#xEA;ncia do Sindicato Internacional das Prostitutas: estou certa de que cancioneiro algum cont&#xE9;m tantas can&#xE7;&#xF5;es dedicadas a exaltar as qualidades humanas e a odisseia existencial dessas profissionais. &#xC9; tamb&#xE9;m o autor que mais comp&#xF4;s para as mulheres ou em nome delas &#x2013; ressuscitando a tradi&#xE7;&#xE3;o da l&#xED;rica medieval galego-portuguesa. Numa pesquisa breve, encontrei can&#xE7;&#xF5;es suas em que aparecem os seguintes nomes: Ana de Amsterdam (&#x201C;sou Ana de 20 minutos/ sou Ana da brasa dos brutos na coxa&#x201D;), Ang&#xE9;lica, B&#xE1;rbara (duas can&#xE7;&#xF5;es), Beatriz, Carolina, Cec&#xED;lia, Cristina, Geni, Iracema, Janu&#xE1;ria, Joana Francesa, Lia, Lola, Lu&#xED;sa, Luiza, Madalena, Maria (duas can&#xE7;&#xF5;es), Maricotinha, Nina, Renata Maria, Rita, Rosa, S&#xED;lvia, Teresinha e Tereza Tristeza. Isto al&#xE9;m das de Atenas, das dan&#xE7;arinas, das que fazem cinema, da pequena de cabelo cor de ab&#xF3;bora e das m&#xFA;ltiplas Morenas. As morenas de olhos &#x201C;negros como breu&#x201D; ou &#x201C;negros cru&#xE9;is&#x201D; s&#xE3;o, ali&#xE1;s, tema central tanto na obra de Chico como na de Caetano: as musas podem ir da preta-com-biqu&#xED;ni-amarelo &#xE0; morena-de-olhos-de-&#xE1;gua, mas nunca h&#xE1; qualquer concess&#xE3;o &#xE0; iconografia popular da loura. Em compensa&#xE7;&#xE3;o, Caetano tem pelo menos uma d&#xFA;zia de can&#xE7;&#xF5;es cujo t&#xED;tulo come&#xE7;a, impl&#xED;cita ou explicitamente, por &#x201C;eu&#x201D;. Ningu&#xE9;m foi t&#xE3;o longe, melodicamente, na decomposi&#xE7;&#xE3;o cir&#xFA;rgica do ego: numa das can&#xE7;&#xF5;es de <em>Recanto</em>, o disco vanguardista que acaba de criar para a voz onipotente de Gal Costa, brinca com g&#xEA;nio: &#x201C;O menino sou eu/ o menino &#xE9; eu&#x201D;.</p> <p> Poder&#xED;amos detectar um mundo de outros pontos comuns, mas o interessante nessas duas figuras maiores da can&#xE7;&#xE3;o brasileira encontra-se nas diferen&#xE7;as, que fazem com que, em Portugal, exista um campeonato permanente entre os defensores de Chico e os de Caetano. Nesse v&#xED;cio mental do duelo, Portugal e Brasil s&#xE3;o muito parecidos. Funcionamos num modelo passional puro &#x2013; e exacerbamo-lo, pelo prazer do confronto e pelo sonho do absoluto.</p> <p> O rigor obrigar-nos-ia a incluir neste texto pelo menos os nomes de Gilberto Gil e Adriana Calcanhotto, compositores muito acarinhados em Portugal. Mas, na hora da verdade, a discuss&#xE3;o &#x2013; est&#xE9;tica e pol&#xED;tica &#x2013; centra-se sempre nesse par contrastante. Chico &#xE9; o preferido dos que prezam a coer&#xEA;ncia da forma; Caetano, dos que amam acima de tudo a criatividade sem limites, a escuta cont&#xED;nua do futuro. Creio que Caetano se sentiu sempre mais livre para experimentar, no que se refere &#xE0; composi&#xE7;&#xE3;o musical, porque nunca se encarou verdadeiramente como um m&#xFA;sico. Mas as suas letras de can&#xE7;&#xF5;es merecem o t&#xED;tulo de poesia, pertencem &#xE0; literatura como os romances de Chico &#x2013; em ambos &#x201C;os voc&#xE1;bulos iridescem&#x201D;, como escreve Caetano em <em>Tudo D&#xF3;i</em> (in <em>Recanto).</em> As letras de Chico s&#xE3;o micronarrativas (um exemplo m&#xE1;ximo &#xE9; <em>Sinh&#xE1;</em>, do seu disco mais recente); as de Caetano, poesia pura &#x2013; e compactos de filosofia (vide <em>Sexo e Dinheiro</em>, novamente em <em>Recanto)</em>. Chico cria heter&#xF4;nimos, personagens, outras vidas; Caetano implode em vez de se desdobrar; n&#xE3;o tem v&#xE1;rios dentro de si &#x2013; &#xE9;, ele mesmo, inteiramente v&#xE1;rio.</p> <p> Nos &#xFA;ltimos anos, ambos denotam uma capacidade de s&#xED;ntese in&#xE9;dita: o novo disco de Chico &#xE9; a vers&#xE3;o-haicai do seu trabalho de sempre; e o mesmo acontece com o &#xE1;lbum <em>Zii e Zie</em>, de Caetano, ou agora com <em>Recanto</em>, embora o trabalho de sempre do baiano tenha sido o de nunca repetir um registro. Por&#xE9;m, num e noutro caso, os versos surgem rarefeitos, limados at&#xE9; o osso &#x2013; e a composi&#xE7;&#xE3;o musical &#xE9; tamb&#xE9;m depurada, levada &#xE0; sua ess&#xEA;ncia. O escritor argentino Jorge Luis Borges dizia que, enquanto jovens, somos barrocos por timidez &#x2013; e por arrog&#xE2;ncia, em particular desde que a juventude se erigiu como culto sagrado, acrescentaria eu. A energia concentrada das mais recentes obras de Caetano e Chico demonstra a exatid&#xE3;o das palavras de Borges &#x2013; a maturidade consiste no reconhecimento da luz. Como o amor.</p> <p> As can&#xE7;&#xF5;es de Caetano e Chico revolucionaram o nosso modo de ser e de amar. Creio que a revolu&#xE7;&#xE3;o foi mais vis&#xED;vel e veloz em Portugal. O Brasil j&#xE1; tinha uma tradi&#xE7;&#xE3;o de m&#xFA;sica popular muito consistente; Portugal acordou para o mundo com a Revolu&#xE7;&#xE3;o dos Cravos, em abril de 1974, tendo como &#xFA;nico esteio musical identit&#xE1;rio o fado, que cheirava (embora injustamente) a conformismo e resigna&#xE7;&#xE3;o. As novas gera&#xE7;&#xF5;es nem sequer davam ao fado o benef&#xED;cio da d&#xFA;vida &#x2013; e o que disso sobrava era a can&#xE7;&#xE3;o chamada de interven&#xE7;&#xE3;o, designa&#xE7;&#xE3;o que viria a pouco e pouco a ser revista, com o reconhecimento do lirismo criador de nomes como Zeca Afonso, S&#xE9;rgio Godinho ou Jos&#xE9; M&#xE1;rio Branco. Mas a m&#xFA;sica do Brasil era a banda sonora da exist&#xEA;ncia de uma juventude que inaugurava a liberdade, o desejo e o orgulho na sua l&#xED;ngua.</p> <p> <strong>Tamanco</strong></p> <p> Chico e Caetano foram os arautos e mestres da emancipa&#xE7;&#xE3;o er&#xF3;tica dos portugueses, e a can&#xE7;&#xE3;o brasileira afirmou-se como um programa filos&#xF3;fico que v&#xEA; o enamoramento como porta de acesso &#xE0; sabedoria e &#xE0; afirma&#xE7;&#xE3;o da identidade &#x2013; pela fus&#xE3;o ou pela sobreviv&#xEA;ncia &#xE0; separa&#xE7;&#xE3;o. Nunca h&#xE1; o &#x201C;<em>why she had to go</em>&#x201D; (&#x201C;por que ela teve de ir&#x201D;, trecho da can&#xE7;&#xE3;o <em>Yesterday</em>), mas sempre, e pelo contr&#xE1;rio, a lucidez que o encantamento ou a desilus&#xE3;o acendem: o conhecimento pelo sangue, como resposta corajosa e convicta diante de qualquer hip&#xF3;tese de &#x201C;explica&#xE7;&#xE3;o&#x201D; l&#xF3;gica ou racional. O seu fasc&#xED;nio reside na falta desse triturador que &#xE9; &#x201C;a an&#xE1;lise da rela&#xE7;&#xE3;o&#x201D;. A can&#xE7;&#xE3;o inglesa ou norte-americana pressup&#xF5;e um <em>why</em> &#x2013; pretende que o amor tenha uma l&#xF3;gica e se desenrole como um <em>western</em>, com &#xED;ndios maus e caub&#xF3;is valentes. Aquela coisa protestante: raz&#xE3;o, culpa e expia&#xE7;&#xE3;o. O brasileiro n&#xE3;o: metade das can&#xE7;&#xF5;es de dor-de-corno s&#xE3;o listagens de mem&#xF3;rias de um passado que se acarinham ou xingam como a um animal dom&#xE9;stico (&#x201C;n&#xE3;o, nada ir&#xE1; neste mundo/ apagar o desenho que temos aqui&#x201D; ou, sucintamente, &#x201C;tudo d&#xF3;i&#x201D;) ; a outra metade s&#xE3;o encena&#xE7;&#xF5;es de uma felicidade p&#xF3;stuma e vingativa (&#x201C;quantos homens me amaram/ bem mais e melhor que voc&#xEA;&#x201D;). E as can&#xE7;&#xF5;es de amor feliz s&#xE3;o relatos er&#xF3;ticos, tecidos com a precis&#xE3;o de um relato de futebol. Mesmo as can&#xE7;&#xF5;es mais judiciais n&#xE3;o comportam a culpa: em vez de qualquer coisa como &#x201C;voc&#xEA; n&#xE3;o v&#xEA; o mal que me fez?&#x201D;, temos &#x201C;perua, piranha/ minha energia &#xE9; que mant&#xE9;m voc&#xEA; suspensa no ar&#x201D;. O que &#xE9;, convenhamos, muito mais positivo. As pessoas apaixonam-se pelo amor porque ele &#xE9; contradit&#xF3;rio, desregrado, feliz, desesperado, s&#xF4;frego e autocentrado. Impaciente, numa vida cada vez mais orquestrada para a paci&#xEA;ncia.</p> <p> Quando quero ir at&#xE9; o fundo da fossa, sigo o <em>Bom Conselho</em> de Chico: &#x201C;In&#xFA;til dormir que a dor n&#xE3;o passa&#x201D;, ou abro a torneira com <em>Sem Voc&#xEA; N&#xBA; 2</em>: &#x201C;Sem voc&#xEA;/ &#xE9; um sil&#xEA;ncio tal/ que ou&#xE7;o uma nuvem/ a vagar no c&#xE9;u/ ou uma l&#xE1;grima cair no ch&#xE3;o&#x201D;. Se quero sair dela, o avesso desse conselho ilumina-me no <em>Pecado Original</em> de Caetano (&#x201C;todo corpo em movimento/ est&#xE1; cheio de inferno e c&#xE9;u&#x201D;) ou na fulgurante <em>Segunda</em>, que encerra o novo disco de Gal: &#x201C;Vou arrastar meu tamanco/ no s&#xE1;bado aguento o tranco&#x201D;. Quando se trata de virar a mesa e andar para a frente, o <em>Samba do Grande Amor</em> de Chico dan&#xE7;a com <em>Desde que o Samba &#xC9; Samba</em>, de Caetano. Em caso de d&#xFA;vida, &#xE9;picos como <em>Sem Fanta</em>sia ou <em>O Quereres</em> reacendem a minha f&#xE9; nessa entidade que nos leva efetivamente ao c&#xE9;u. &#xC9; s&#xF3; isso.</p> <div class="descricao-autor"> <p> <strong>In&#xEA;s Pedrosa</strong> &#xE9; jornalista e escritora, autora do romance Fazes-me Falta, entre outros.</p> </div> As canções brasileiras – em especial as de Chico e Caetano – contribuíram decisivamente para o amadurecimento afetivo e a emancipação erótica dos portugueses 2011-12-19T15:03:51-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 172 - Dezembro 2011 As canções brasileiras – em especial as de Chico e Caetano – contribuíram decisivamente para o amadurecimento afetivo e a emancipação erótica dos portugueses Música BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/dicas-da-semana-diurno Dicas da Semana: <em>Diurno</em> 2011-12-08T20:07:02-02:00 <p> <em>Diurno</em> &#xE9; o nome do primeiro disco do grupo Ava, composto por Nana Carneiro da Cunha, Daniel Castanheira, Emiliano 7 e Ava Rocha. O projeto da banda, que j&#xE1; tem 9 anos de estrada, j&#xE1; foi elogiado por Caetano Veloso e Jards Macal&#xE9;. Ou&#xE7;a o podcast.</p> <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="81" width="100%"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="https://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F30104486"/><embed allowscriptaccess="always" height="81" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="https://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F30104486" type="application/x-shockwave-flash" width="100%"/></object></p> <p> Ava, <em>Movimento dos Barcos</em></p> <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="315" width="560"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/cQr7GO7ShdY?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0"/><embed allowscriptaccess="always" height="315" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="http://www.youtube.com/v/cQr7GO7ShdY?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0" type="application/x-shockwave-flash" width="560"/></object></p> Repórter de Música de <strong>BRAVO!</strong>, Barbara Heckler fala de <em>Diurno</em>, primeiro disco do grupo Ava 2011-12-08T19:49:32-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados 8 de dezembro de 2011 Repórter de Música de BRAVO!, Barbara Heckler fala de Diurno, primeiro disco do grupo Ava Música BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/dicas-da-semana-musica-romance Dicas da Semana: <em>Música Romance</em> 2011-12-02T11:56:16-02:00 <p> Que o repert&#xF3;rio do compositor de P&#xE9;rola Negra &#xE9; rico, muitos j&#xE1; sabem. Enquanto prepara seu pr&#xF3;ximo &#xE1;lbum de in&#xE9;ditas, Luiz Melodia chega a S&#xE3;o Paulo com seu show <em>M&#xFA;sica Romance</em>, inspirado, principalmente, em sua cole&#xE7;&#xE3;o de sambas. No repert&#xF3;rio est&#xE3;o presentes can&#xE7;&#xF5;es como <em>Cuidando de Voc&#xEA;</em>, de sua autoria, e <em>Tudo foi Ilus&#xE3;o</em>, de An&#xED;sio Silva, entre outras. Ou&#xE7;a o podcast.</p> <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="81" width="100%"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="https://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F29538889"/><embed allowscriptaccess="always" height="81" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="https://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F29538889" type="application/x-shockwave-flash" width="100%"/></object></p> <p> <em>M&#xFA;sica Romance</em>, de Luiz Melodia</p> <p> 2 e 3 de dezembro</p> <p> Teatro Paulo Autran/ Sesc Pinheiros</p> <p> Rua Paes Leme, 195, Pinheiros, S&#xE3;o Paulo-SP</p> <p> <a href="http://www.sescsp.org.br/">www.sescsp.org.br</a></p> <p> R$ 32</p> Repórter de Música de<strong> BRAVO!</strong>, Barbara Heckler fala sobre apresentação do cantor Luiz Melodia 2011-12-01T18:19:42-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados 1 de Dezembro Repórter de Música de BRAVO!, Barbara Heckler fala sobre apresentação do cantor Luiz Melodia Música BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/o-refugio-de-mehmari O refúgio de Mehmari 2011-12-02T09:09:12-02:00 Por Redação <p> A m&#xFA;sica est&#xE1; presente na vida de Andr&#xE9; Mehmari desde cedo: sua m&#xE3;e entrou em trabalho de parto enquanto tocava piano. No disco <em>Canteiro</em>, o compositor faz seu primeiro mergulho no universo da can&#xE7;&#xE3;o e se utiliza de composi&#xE7;&#xF5;es suas, al&#xE9;m de contar com a participa&#xE7;&#xE3;o de m&#xFA;sicos como M&#xF4;nica Salmaso, Ant&#xF3;nio Zambujo e Luiz Tatit, entre tantos outros. Veja mais imagens da casa de Andr&#xE9; &#x2013; que tamb&#xE9;m lhe serve como est&#xFA;dio - e assista ao v&#xED;deo sobre o novo trabalho do artista.</p> <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="225" width="400"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=30054093&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=0&amp;show_byline=0&amp;show_portrait=0&amp;color=&amp;fullscreen=1&amp;autoplay=0&amp;loop=0"/><embed allowscriptaccess="always" height="225" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=30054093&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=0&amp;show_byline=0&amp;show_portrait=0&amp;color=&amp;fullscreen=1&amp;autoplay=0&amp;loop=0" type="application/x-shockwave-flash" width="400"/></object></p> Compositor e instrumentista niteroiense é o destaque do Retrato do Artista deste mês 2011-11-30T16:17:10-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Dezembro de 2011 Compositor e instrumentista niteroiense é o destaque do Retrato do Artista deste mês Música BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/uma-gal-costa-moderna Uma Gal Costa moderna e crítica 2011-12-02T09:08:52-02:00 Por Redação <p> Aos 66 anos, Gal Costa revive uma das mais duradouras parcerias da m&#xFA;sica popular brasileira. Apenas com can&#xE7;&#xF5;es in&#xE9;ditas de Caetano Veloso, a cantora baiana lan&#xE7;a em dezembro o &#xE1;lbum <em>Recanto</em>. Nele, trava um di&#xE1;logo com seu pr&#xF3;prio envelhecimento - exposto em v&#xE1;rias can&#xE7;&#xF5;es do disco - e softwares de produ&#xE7;&#xE3;o musical. Ou&#xE7;a um trecho de <em>Neguinho</em>, faixa em que faz uma autocr&#xED;tica da sociedade consumista brasileira.</p> <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="81" width="100%"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="https://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F28955386"/><embed allowscriptaccess="always" height="81" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="https://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F28955386" type="application/x-shockwave-flash" width="100%"/></object></p> <p> <em>Recanto</em> (Universal)</p> <p> de Gal Costa</p> <p> Produ&#xE7;&#xE3;o: Caetano e Moreno Veloso</p> <p> Pre&#xE7;o m&#xE9;dio: R$ 30.</p> Ouça trecho de uma música do novo disco da cantora 2011-11-25T15:52:38-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Dezembro de 2011 Ouça trecho de uma música do novo disco da cantora Música BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/dicas-da-semana-banda-sinfonica-rock-brasileiro Dicas da Semana: <em>Banda Sinfônica – Rock Brasileiro</em> 2011-12-02T09:08:46-02:00 <p> Neste fim de semana, guitarras e violinos se juntar&#xE3;o no teatro S&#xE9;rgio Cardoso, em S&#xE3;o Paulo. Ao lado de roqueiros como Kid Vinil e Luiz Carlini, a Banda Sinf&#xF4;nica do Estado de S&#xE3;o Paulo apresentar&#xE1; um concerto de uma retrospectiva do rock nacional. Ou&#xE7;a o podcast.</p> <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="81" width="100%"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="https://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F28882770"/><embed allowscriptaccess="always" height="81" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="https://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F28882770" type="application/x-shockwave-flash" width="100%"/></object></p> <p> <em>Banda Sinf&#xF4;nica &#x2013; Rock Brasileiro</em></p> <p> 25, 26 e 27 de Novembro</p> <p> Teatro S&#xE9;rgio Cardoso</p> <p> Rua Rui Barbosa, 153, Bela Vista- S&#xE3;o Paulo/SP</p> <p> Sex. e s&#xE1;b. &#xE0;s 21h30, dom. &#xE0;s 18h</p> <p> R$ 30</p> Repórter de Música de <strong>BRAVO!</strong>, Barbara Heckler fala de concerto sobre a história do rock brasileiro 2011-11-24T17:15:44-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados 24 de Novembro de 2011 Repórter de Música de BRAVO!, Barbara Heckler fala de concerto sobre a história do rock brasileiro Música BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/mais-ecletica-do-que-nunca-precisa-como-sempre Mais Eclética do que nunca, precisa como sempre 2011-12-02T09:08:43-02:00 Arthur Dapieve <p> Na metade final dos anos 80, a iniciante Marisa Monte viu-se perseguida por um r&#xF3;tulo: &#x201C;cantora ecl&#xE9;tica&#x201D;. Isso marcava tanto quem, como ela, era capaz de cantar Tit&#xE3;s, Candeia e Kurt Weill com personalidade quanto quem, como d&#xFA;zias de int&#xE9;rpretes na cola dela, atirava em todas as dire&#xE7;&#xF5;es para ver se acertava em alguma. Desde ent&#xE3;o, sua carreira pode ser entendida como a tentativa de torn&#xE1;-la uma &#x201C;cantora focada&#x201D;. O auge disso foram os dois &#xE1;lbuns lan&#xE7;ados juntos em 2006, <em>Universo ao Meu Redor</em> e <em>Infinito Particular</em>. Carecia escut&#xE1;-los com muita, muita aten&#xE7;&#xE3;o para notar diferen&#xE7;as entre eles.</p> <p> O novo disco de Marisa, hoje com 44 anos, felizmente rompe com a dupla de antecessores. Cada uma das 14 faixas de <em>O que Voc&#xEA; Quer Saber de Verdade</em> tem car&#xE1;ter pr&#xF3;prio, o que d&#xE1; movimento ao conjunto. E meia d&#xFA;zia delas t&#xEA;m m&#xE9;ritos que logo saltam aos ouvidos. Divulgada no YouTube no final de setembro, a m&#xFA;sica <em>Ainda Bem</em> atraiu em duas semanas 700 mil visitas. Tanto quanto o belo clipe em preto e branco dirigido por Dora Jobim, no qual Marisa dan&#xE7;a com o lutador Anderson Silva, a raz&#xE3;o de tanta audi&#xEA;ncia &#xE9; a m&#xFA;sica em si, claro.</p> <p> <strong>ZONA DE CONFORTO POP</strong></p> <p> Parceria de Marisa com Arnaldo Antunes, <em>Ainda Bem</em> tem um ar latino, no qual sobressai o viol&#xE3;o do argentino Gustavo Santaollala (compositor da trilha de <em>Di&#xE1;rios de Motocicleta</em>, o filme de Walter Salles Jr.). No disco, ela vem em seguida a <em>Lencinho Querido</em>, vers&#xE3;o em portugu&#xEA;s para o tango <em>El Panuelito</em>, outrora cantado por Dalva de Oliveira. Gravada em Buenos Aires com o grupo de veteranos Caf&#xE9; de Los Maestros, criado por Santaollala, a faixa tem uma dimens&#xE3;o grandiosa e melanc&#xF3;lica, que arranca Marisa da zona de conforto pop, na qual ela tinha se instalado nos &#xFA;ltimos dez anos.</p> <p> Por&#xE9;m, at&#xE9; quando mant&#xE9;m p&#xE9; e meio no pop, o novo disco o faz com sentimento. <em>Depois</em>, de Marisa, Arnaldo e Carlinhos Brown, ou seja, os Tribalistas, &#xE9; um roquinho Jovem Guarda que ficaria bonito no come&#xE7;o da discografia de Roberto Carlos. O mesmo pode ser dito de <em>Aquela Velha Can&#xE7;&#xE3;o</em>, dela com Brown, que tem um achado na letra: &#x201C;N&#xE3;o vou te mandar pro inferno/ Porque eu n&#xE3;o quero/ E porque fica muito longe daqui&#x201D;. J&#xE1; <em>O Que Se Quer</em>, com Rodrigo Amarante, faz pensar no trabalho &#x201C;&#xE9;tnico&#x201D; do grupo norte-americano Beirut. E <em>Seja Feliz</em>, com Antunes e Dadi, bate mais forte para falar de nossa insignific&#xE2;ncia no Universo. Insignificante &#xE9; palavra que n&#xE3;o se aplica ao novo CD de Marisa Monte.</p> <div class="onde-quando"> <p> <strong>O &#xC1;LBUM</strong></p> <p> <em>O que Voc&#xEA; Quer Saber de Verdade </em>(EMI), de Marisa Monte. Pre&#xE7;o M&#xE9;dio: R$ 29,90.</p> </div> Em seu novo CD, a cantora Marisa Monte volta a atirar em várias direções – e acerta a maior parte dos disparos 2011-11-24T11:44:21-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 171 - Novembro 2011 Em seu novo CD, a cantora Marisa Monte volta a atirar em várias direções – e acerta a maior parte dos disparos Música BRAVO! BRAVO!