BRAVO! - Músicahttp://bravonline.abril.com.br/feed/atom2012-05-16T18:17:21-03:00BRAVO!http://bravo2.abrilm.com.br/imagem/favicon.icoBravo! Cultura no Brasil - Feed MúsicaCopyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservadoshttp://bravonline.abril.com/materia/um-super-heroi-a-chinesaUm Super-herói à Chinesa2012-05-16T18:17:21-03:00João Marcos Coelho
<p>
Lang Lang não é apenas um pianista erudito. Trata-se da ponta de lança musical de um processo muito mais amplo de expansão da influência chinesa no mundo. Só que, diferentemente dos têxteis, brinquedos e lojinhas de R$ 1,99 que se alastram pelo planeta para o desespero dos concorrentes locais, o intérprete é visto como uma miragem pela moribunda indústria fonográfica, ansiosa pelo enorme mercado chinês de gravações e concertos de música clássica. Só um país com 1,3 bilhão de habitantes poderia ter 100 milhões de estudantes de música – e de fãs potenciais do compatriota Lang Lang. O instrumentista, que chega a São Paulo para dois concertos neste mês, parece ser a figura mais propensa a conquistar novos consumidores: venerado pelos adolescentes chineses, é, aos 29 anos, um dos pianistas mais bem remunerados do mundo.</p>
<p>
Aos olhos do Ocidente, Lang Lang estreou em 1997, ao gravar para o selo independente norte-americano Telarc. Logo foi contratado pela Deutsche Grammophon e, há pouco mais de um ano, transferiu-se para a Sony, o que lhe rendeu luvas de 3 milhões de dólares. É mixaria perto do passe de jogadores de futebol, mas uma fortuna improvável no mundo da música clássica. Meses atrás, o jornalista britânico Norman Lebrecht denunciou que as listas de maiores vendas de CDs clássicos da Billboard são uma farsa: para figurar em primeiro lugar, o álbum não precisa vender mais do que 100 cópias. Em um mercado anêmico, que sobrevive hoje basicamente de apresentações ao vivo, Lang Lang é uma espécie de bilhete premiado. Se 1% da população chinesa comprar um de seus CDs, o investimento estará pago pelas próximas décadas. Essa expectativa não é exagerada: ela se baseia no fato de que, na China, a música clássica tem uma imagem de juventude, parecida com a do pop no resto do mundo.</p>
<p>
<strong>GINASTA</strong></p>
<p>
Neymar e Messi lançam chuteiras? Pois Lang Lang já tem seu próprio modelo de tênis Adidas, em tiragem especial de 100 mil pares. Nas apresentações, ele veste paletós acintosamente acetinados, de tons vivíssimos. É fã do ex-jogador de basquete Michael Jordan e do golfista Tiger Woods. Adora hip-hop. Em resumo: é o que o público chinês quer consumir. Martha Argerich jamais gravaria, como fez Lang Lang, o vídeo, visto por 1,7 milhão de pessoas no YouTube, em que toca um trecho do Concerto Nº 3 de Prokofiev – justamente a peça que celebrizou a pianista argentina. O músico intercala sua performance com gestos de kung fu inspirados no jogo de videogame Street Fighter. É hilário, engraçado, vivo. Lang Lang adora a música clássica, mas não a sacraliza.</p>
<p>
“Ele toca como um ginasta”, cutucou anos atrás o respeitado crítico Michael Kimmelman, do jornal The New York Times. Há verdade e veneno na observação. Tecnicamente, o intérprete é irrepreensível. O problema está no que os críticos identificam como ingenuidade artística. Lang entende a música clássica ocidental como uma técnica. E isso tem a ver com a história.</p>
<p>
<strong>UM CRAVO PARA O IMPERADOR</strong></p>
<p>
Em 1601, quando o jesuíta italiano Matteo Ricci desembarcou em Pequim disposto a iniciar a cristianização da China, trazia um cravo de presente para o imperador Wanli, da dinastia Ming. Ricci esperou nove anos até ser recebido na Cidade Imperial. Ao ver o desconhecido instrumento, o soberano encantou-se e quis ter aulas. Outros jesuítas instalaram órgãos de igreja por lá. Era o primeiro contato dos chineses com a música clássica ocidental. No século seguinte, o imperador Kangxi aprendeu a tocar cravo e fez publicar um manual com ensinamentos ocidentais e chineses lado a lado. Mais tarde, o imperador Qianlong chegou a ter seu exército de eunucos cantando como os castrati italianos. Mas o impulso decisivo para o desenvolvimento da música clássica na China foi a chegada a Xangai de refugiados russos, entre eles czaristas e judeus, expulsos pela Revolução de 1917. No ano seguinte, aportou na cidade o pianista e maestro italiano Mario Paci, que, doente, lá permaneceu e acabou montando a primeira orquestra de música ocidental da China. Décadas depois, a expansão do gênero foi interrompida, no único episódio histórico em que o piano foi banido de um país – no caso, pela Revolução Cultural de Mao Tsé-Tung, que, entre 1966 e 1976, destruiu instrumentos e partituras. Dezenas de professores dos conservatórios se suicidaram e sinfonias ocidentais só voltaram a ser executadas após a morte de Mao.</p>
<p>
De lá para cá, o piano paulatinamente deixou de ser um “corpo estranho”. Hoje, é responsável pelo “grande salto” do país na área musical. O maior boom do instrumento no mundo se deu justamente via Lang Lang. Quase tudo na China tem dimensões monumentais, e a música clássica não é mais exceção. O Conservatório de Sichuan, em Chengdu, que possui 800 salas para estudo de piano, está concluindo uma ambiciosa ampliação, que o deixará com 10 mil. É um dos nove megaconservatórios do país, para onde se encaminham os aspirantes a Lang Lang. Seu instrumento está em primeiro lugar na preferência dos estudantes chineses, seguido por violino e violoncelo – estima-se em 50 milhões o total de crianças e adolescentes martelando diariamente pianos de armário. Se isso garante um mercado gigante, representa também uma concorrência terrível. Desde muito cedo, Lang Lang mentalizou que precisaria ser “o número 1”. A família pobre investiu o que tinha e o que não tinha. O pai largou o emprego e a mãe sustentou marido e filho em Pequim com um salário de telefonista em Shenyang.</p>
<p>
É não apenas curioso mas também sintomático que a educação musical chinesa seja famosa pelo método Suzuki, de treinamento mecânico baseado em repetição e memorização. Quando se fixou nos Estados Unidos, Lang Lang foi criticado por ter técnica demais e sentimento de menos – ouviu isso nas aulas do pianista e regente Daniel Barenboim. Resultado: o chinês logo se bandeou para os maneirismos exagerados. Tornou-se over. Em vez de uma lágrima, chora convulsivamente ao piano. Em vez de um meio sorriso, estoura em gargalhadas, como se o público precisasse de doses exageradas de emoção e virtuosismo para se interessar pelo que rola no palco. “Quero reproduzir a sensação do balanço de Tiger Woods e da enterrada de Michael Jordan”, explica. De que ele sabe tocar piano, ninguém duvida. Que tem uma técnica fenomenal, superlativa, também é óbvio. Falta controlar os excessos. Mas, se justamente os excessos – tanto ao piano quanto no modo de se vestir – constituem a razão de seu sucesso planetário, não seria o caso de nos perguntarmos, como sugere Kimmelman, “o que sua maneira de tocar diz sobre nós mesmos”?</p>
<p>
Ela indicaria que somos parte de uma sociedade do espetáculo, em que o show não pode parar – e as novíssimas atrações precisam se suceder vertiginosamente, cada uma mais extravagante e bizarra que a anterior. Engrenagem perversa, em que tudo se faz para chamar a atenção de nossos ouvidos. Em sua precoce autobiografia, Lang Lang diz que, em 2000, aos 18 anos, teve uma das maiores emoções de sua vida: “Eu faria os concertos em seguida às apresentações de Evgeny Kissin, um pianista russo dez anos mais velho, que eu adorava desde garotinho. Kissin ocupava a sala de estudos próxima à minha e fiquei empolgado por estar perto do homem que admirava tanto”.</p>
<p>
Doze anos depois, a situação se inverte. Lang Lang e Evgeny Kissin integram a atual temporada da Sociedade de Cultura Artística em São Paulo. Desta vez, o chinês toca antes. Kissin, formidável representante da escola russa, apresenta-se em junho. Ambos já estiveram no Brasil. Agora, o frisson mesmo é por causa de Lang Lang, joia principal da temporada que marca o centenário da Cultura Artística. Vai ser interessante comparar o chinês e o russo em repertórios semelhantes, com um ciclo de confronto direto: ambos tocam os Estudos Opus 25 de Chopin, quintessência do chamado “piano romântico”. Façam suas apostas.</p>
<div class="descricao-autor">
<p>
<strong>João Marcos Coelho</strong> é jornalista e crítico do jornal O Estado de S.Paulo.</p>
</div><div class="onde-quando">
<p>
<em>Lang Lang toca Partita Nº 1, de Bach, Sonata em Si bemol, D.960, de Schubert, e 12 Estudos, Op. 25, de Chopin</em>. Dias 20 e 22/5. Na Sala São Paulo (pça. Júlio Prestes, s/n, São Paulo, 0++/11/3258-3344).</p>
</div>
Como Lang Lang, o pianista fã de hip-hop e videogame, tornou-se um ídolo pop visto como salvador pela indústria fonográfica2012-05-16T18:17:21-03:00Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservadosEdição 177 - Maio 2012Como Lang Lang, o pianista fã de hip-hop e videogame, tornou-se um ídolo pop visto como salvador pela indústria fonográficaMúsicaBRAVO!BRAVO!http://bravonline.abril.com/materia/o-fim-e-tambem-um-comecoO Fim é Também um Começo2012-05-15T17:36:36-03:00José Flávio Júnior
<p>
Ainda que tenha recebido elogios entusiasmados de parte da crítica e de expoentes da nova geração da MPB, o primeiro disco de Rodrigo Campos merecia mais. São Mateus Não É um Lugar Assim Tão Longe (2009) apresentava um cantor e compositor com imensa habilidade para transformar em samba histórias vividas na periferia de São Paulo. A inspiração vinha de São Mateus, quebrada da Zona Leste em que ele cresceu, e o olhar sobre aquele universo lembrava o de um rapper. O título de seu novo trabalho, Bahia Fantástica, sugere uma nova geografia. Mas a mudança é relativa.</p>
<p>
<strong>Areia de Itapuã</strong></p>
<p>
Se na estreia o artista cantava crônicas com personagens e situações inspirados em fatos reais, dessa vez o ambiente é muito mais imaginado. Bahia Fantástica tomou forma após uma temporada de dez dias num hotel em Itapuã, bairro de Salvador, quando o artista saía de um período de depressão. Até pelo escasso tempo de observação, o resultado está longe de constituir um tratado sobre ritmos e humores locais. Na verdade, parece que a Bahia é um apelido que ele dá a São Mateus. Muitas das características de suas primeiras criações seguem intactas: Campos continua falando de gente (e de si mesmo). Dininho Cruz, Andreza e Alexandre estão entre os nomes mencionados nos versos. Só que as letras ficaram mais sucintas e convidam o ouvinte a fantasiar novas estrofes para concluir as crônicas.</p>
<p>
A morte é o assunto dominante, mas quase nunca como saldo da violência das ruas, algo recorrente em São Mateus... Ela aparece mais para simbolizar o término de coisas menores do que a vida, como a própria depressão que angustiou o artista. “Ana vai morrer, não tem problema/ Todo fim de tarde Aninha morre”, ele canta em Aninha. “Elias vem/ Elias vai nascer de novo”, diz em Elias.</p>
<p>
Musicalmente, Bahia Fantástica supera seu antecessor. Campos se aproxima da soul music norte-americana (principalmente da obra de Curtis Mayfield) em várias faixas, flerta com timbres de afrobeat em Princesa do Mar e Sou de Salvador e, mesmo sem ter a intenção, encarna Marcos Valle no balanço de General Geral, o ápice do CD. Criolo, Luisa Maita e Juçara Marçal contribuem cantando um tema cada um. Os músicos mais presentes na gravação são todos citados como produtores do álbum. Isso só comprova o caráter coletivo da empreitada, ainda que Campos assine a íntegra das composições.</p>
<p>
Por força de tantas conexões e referências bacanas, é bem provável que o artista tenha mais sorte com Bahia Fantástica. Quem entrar na dele provavelmente buscará o início de tudo em São Mateus... Rodrigo Campos, então, vai nascer de novo.</p>
<div class="onde-quando">
<p>
<strong>O ÁLBUM</strong></p>
<p>
<em>Bahia Fantástica </em>(ybmusic), de Rodrigo Campos. Produtores: Gustavo Lenza, Romulo Fróes, Kiko Dinucci, Marcelo Cabral, Maurício Fleury, M. Takara, Thiago França e Rodrigo Campos. Preço médio: R$ 25.</p>
</div>
<em>Bahia Fantástica</em>, segundo álbum do paulistano Rodrigo Campos, vê a morte como símbolo dos renascimentos que a vida nos propõe2012-05-15T15:24:28-03:00Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservadosEdição 177 - Maio 2012Bahia Fantástica, segundo álbum do paulistano Rodrigo Campos, vê a morte como símbolo dos renascimentos que a vida nos propõeMúsicaBRAVO!BRAVO!http://bravonline.abril.com/materia/9-motivos-para-ouvir-e-nao-apenas-ver-gaby-amarantos9 Motivos para Ouvir (e não apenas ver) Gaby Amarantos2012-04-26T12:33:56-03:00José Flávio Júnior
<p>
Chega neste mês às lojas físicas e virtuais o álbum Treme, primeiro (e aguardado) trabalho solo de Gaby Amarantos. A cantora paraense, que se destacou à frente do grupo Tecno Show, conta com a simpatia dos meios de comunicação – ainda que o foco das reportagens esteja em geral menos na música do que no figurino exótico e nas comparações um tanto forçadas com Lady Gaga e Beyoncé. Mas o som de Gaby, uma artista popular que vem seduzindo cada vez mais a elite, não merece ficar em segundo plano. A seguir, nove motivos para apreciá-lo.</p>
<p>
<strong>1 - Gaby está apresentando para o resto do país o tecnobrega, </strong>manifestação eletrônica genuinamente amazônica. O estilo irreverente e dançante ganhou ramificações como o tecnomelody e o eletromelody e já desperta a atenção de DJs internacionais.</p>
<p>
<strong>2 - Ela é a ponta-de-lança da cena pop de Belém, a mais interessante do Brasil hoje. </strong>Se virar mesmo um ícone nacional, Gaby deve abrir portas para outros nomes da capital paraense, como Felipe Cordeiro, parceiro na roqueira Ela Tá no Ar.</p>
<p>
<strong>3 - A cantora vai além do ritmo que a projetou. </strong>Treme inclui o brega clássico Ex Mai Love, escolhido para a abertura da próxima novela das 7 da Globo, e a cúmbia Coração Está em Pedaços, originalmente uma balada de Zezé di Camargo.</p>
<p>
<strong>4 - A direção artística de Treme é de Carlos Eduardo Miranda, a principal antena do pop brasileiro. </strong>Ele contou com a colaboração de Félix Robatto, músico-chave para o resgate da guitarrada (uma lambada instrumental), e do DJ de tecnobrega Waldo Squash.</p>
<p>
<strong>5 - Já uma grande intérprete, Gaby está em plena evolução. </strong>Inezita Barroso e Maria Alcina, por exemplo, se derreteram em elogios. Na gravação do álbum solo, a produtora Cyz Zamorano foi fundamental para tirar o melhor do vozeirão de Gaby.</p>
<p>
<strong>6 - Ela joga luz em compositores talentosos, </strong>mas pouco conhecidos fora dos domínios paraenses. É o caso de Alípio Martins (1944-1997), de quem Gaby gravou Vem Me Amar. Martins ajudou a popularizar o carimbó e a lambada nos anos 70.</p>
<p>
<strong>7 - A artista canta versos provocadores, como “eu vou samplear, eu vou te roubar”. </strong>A passagem está na bem-humorada Xirley, que brinca com o conceito de samplear, utilizar um trecho de uma música, com autorização ou não, para criar outra.</p>
<p>
<strong>8 - Fernanda Takai participa da faixa Pimenta com Sal. </strong>A cantora do Pato Fu, também de origem amazônica, estrela um belíssimo dueto com Gaby nessa canção escrita pelo poeta roraimense Eliakin Rufino.</p>
<p>
<strong>9 - A intérprete tem a bênção de cantoras paraenses veteranas. </strong>Fafá de Belém é uma das maiores incentivadoras de Gaby e Dona Onete, a criadora do carimbó chamegado, dá canja em Mestiça, de sua própria autoria, a faixa mais folclórica de Treme.</p>
<p>
 </p>
Simplesmente brega ou um grande talento do pop? Alheia aos rótulos, a cantora de Belém atrai do povão à elite2012-04-26T12:33:56-03:00Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservadosEdição 176 - Abril 2012Simplesmente brega ou um grande talento do pop? Alheia aos rótulos, a cantora de Belém atrai do povão à eliteMúsicaBRAVO!BRAVO!http://bravonline.abril.com/materia/nada-de-showmanNada de showman2012-04-25T11:50:49-03:00Rafael Nardini
<p>
Vê-lo ao vivo é estranho. Não é mais aquele garoto que escreveu<em> It Ain’t Me, Babe</em> no início dos anos 60 – a segunda apresentada na noite de domingo, 22, em São Paulo – nem as reencarnações que se seguiram. É um outro Bob Dylan, agora beirando os 71 anos, que soma tudo o que criou em meio século de estrada.</p>
<p>
Com as luzes apagadas, os primeiros acordes deram início a<em> Leopard Skin Pill-Box Hat</em> para segundos depois os refletores o exibirem debaixo de seu chapéu branco. A voz, ponto de discussão desde sempre, apareceu despedaçada como de costume nos últimos anos. Há quem diga que menos surrada que na última visita ao país. Para quem cobra vitalidade eterna, o fôlego de antigamente reapareceria na terceira canção, a oscarizada <em>Things Have Changed</em>, que recebeu arranjo de gaita e as primeiras palmas mais entusiasmadas.</p>
<p>
O público sugeria maior apreciação histórica do que fanatismo. Meia hora antes do show, a bilheteria vendia ingressos que chegavam a custar R$ 900, mas não havia disputa aos tapas. Mesmo assim, lá de cima deu para ver que os lugares foram devidamente ocupados para o início do show. Mas não haveria exceções. O jogo seria duro para quem queria algo mais pessoal: nenhuma palavra dirigida ao público. O que importava ali era, claramente, a música. E para isso, Dylan trouxe um bando de bluesmen mais do que competente.</p>
<p>
As recriações para <em>Tangle Up In Blue</em> e <em>Simple Twist Of Fate</em> e a execução de<em> Thunder On The Mountain</em>, rock dos anos 50 que ganhou ares de rockabilly, são provas de um músico caminhando solitário e insatisfeito, alguém que procura por algo. Pistas de que ele olha para trás, sim. Mas sem perder de vista o próximo passo. A versão do clássico <em>Ballad of a Thin Man</em> apresentada bem que poderia ser a definitiva daqui em diante. O timbre cavernoso da voz ganhou eco e casou perfeitamente com as guitarras estridentes, substitutas do piano e do órgão da gravação original.</p>
<p>
A tendência mundial em fazer de todo show uma experiência multimídia, simular interação e disponibilizar uma overdose de closes e imagens não serve a Dylan. A iluminação é propositalmente precária e o cenário, inexistente. Nada de telões, de imprensa ou fotógrafos. Uma megaprodução, só que ao contrário. Ele só quer mostrar que tem canções e disposição suficiente para fazer o que quiser com elas. Seja no teclado, na gaita ou solando a guitarra. O Robert Allen Zimmerman visto na capital paulista é outro tipo de artista: o que nunca se preocupou em agradar. Talvez por trás de tudo haja um certo receio dele em subir ao palco. Uma aversão ao showman, mesmo que aparente se divertir, ao seu modo, com sua banda. Mas que não aceita de forma alguma o tamanho que ganhou. Ao menos, é a impressão que passou à distância, da poltrona em que estive sentado.</p>
<p>
<em>Conteúdo de ALFA</em></p>
Em seu segundo show em São Paulo, Bob Dylan deu nova mostra da sua arte de surpreender (ou enganar) plateias2012-04-25T11:50:49-03:00Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservadosEm seu segundo show em São Paulo, Bob Dylan deu nova mostra da sua arte de surpreender (ou enganar) plateiasMúsicaBRAVO!BRAVO!http://bravonline.abril.com/materia/herois-da-resistenciaHeróis da Resistência2012-04-24T20:29:57-03:00José Flávio Jr
<p>
Poucas testemunhas estavam no Chevrolet Hall às 2h20 da madrugada de domingo para segunda, quando o incendiário grupo português Buraka Som Sistema finalizou seu último kuduro, colocando um belíssimo ponto final na 20ª edição do Abril pro Rock. Sob forte concorrência das turnês de Paul McCartney e Chico Buarque, que ocorreram no Recife no mesmo fim de semana, o festival pernambucano, decano dos independentes, só teve público volumoso mesmo na sexta-feira, o primeiro dia. Pudera. O Los Hermanos escolheu voltar à estrada lá, no evento que possibilitou que a banda assinasse seu primeiro contrato com gravadora, em 1999. Cerca de 15 mil pessoas urraram com o repertório dos cariocas, composto por 30 canções, sendo quatro delas boas surpresas: duas inéditas ainda sem nomes escritas por Rodrigo Amarante e duas da carreira solo de Marcelo Camelo – no dia seguinte, era curioso procurar na internet pelos vídeos das inéditas e encontrar gente postando as de Camelo como se fossem novas, sinal de que boa parte dos fãs dos Hermanos ignora o momento solo do autor de Anna Júlia (aliás, essa não rolou e foi pouco pedida, como de praxe). Levando em conta o alto astral da banda no palco, todos altinhos pelo significativo consumo de álcool no camarim, o saldo foi positivo para o início desse giro de reencontro com os fãs, ainda que a banda tenha evitado maiores contatos com seus saudosos seguidores. A equipe de 32 pessoas (com direito a fotógrafa e DJ oficiais) seguiu para Fortaleza protegida por um esquema que lembrava bandas gringas de primeiro escalão.</p>
<p>
Amarante pediu do palco que as pessoas voltassem aos outros dias de festival e prestigiassem as bandas menos conhecidas. Quase em vão. Um terço do público deu as caras no sábado, o dispensável “dia do metal”, para ver bons shows dos endiabrados mexicanos do Brujeria, do duo paulistano Test (que fez o show no chão da casa de espetáculos, no meio dos “camisas-pretas”) e de um monte de outras bandas que não merecem menção especial. O dia de festival que realmente interessava era o domingo, quando o lendário organizador Paulo André e seus parceiros encadearam uma sequência com os indies americanos do Nada Surf, o “pimpado” Mundo Livre S/A, o coletivo de afrobeat Antibalas, o sempre lesado Otto e o Buraka, que se apresentou com dois bateristas “descendo a mão”.</p>
<p>
Um encadeamento desse nível só é possível no Abril, que não se importa em torrar uma grana preta para trazer os nova-iorquinos da Antibalas (12 pessoas em cima do palco, fazendo o melhor show do festival, com direito à matadora Indictment no encerramento, música que não rolou nas duas apresentações paulistanas) para manter a chama do festival acesa. Tudo bem, o fanatismo dos fãs dos Hermanos ajudou a organização a viabilizar essa extravagância. Mas, mesmo assim, justificou a existência e a resistência do APR por duas décadas, ensinando a plateia pernambucana a pagar pelo ingresso, revelando artistas nacionais como o Test (que não é Chico Science, revelado na primeira edição, mas também ousa no formato e atiça a audiência) e fazendo um serviço que os meios oficiais de comunicação têm abdicado sem pudor algum: celebrar a música diferente. Parabéns, novo adulto!</p>
<p>
<em>José Flávio Jr é jornalista.</em></p>
Em sua 20ª edição, Abril Pro Rock é palco da volta dos Los Hermanos e ratifica sua força na música independente2012-04-24T20:27:14-03:00Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservadosEm sua 20ª edição, Abril Pro Rock é palco da volta dos Los Hermanos e ratifica sua força na música independenteMúsicaBRAVO!BRAVO!http://bravonline.abril.com/materia/zeca-galhofeiroZeca Galhofeiro2012-04-20T18:31:40-03:00Pedro Alexandre Sanches
<p>
Zeca Baleiro lançou mais um álbum. Caetano Veloso adorou. O crítico Nelson Motta e o pesquisador musical Hermano Vianna também. Revistas e jornais de grande circulação abriram manchetes generosas para o trabalho. Ainda não terminamos o primeiro semestre, mas todo mundo já sabe: é o melhor CD de 2012. Trata-se, no entanto, de uma sátira. O intérprete e compositor de Arari (MA) sabe que dificilmente<em> O Disco do Ano</em> será, de fato, o disco do ano. Um dos mais inventivos e profícuos músicos brasileiros de sua geração, Zeca nunca foi unanimidade. Em 2002, por exemplo, Caetano declarou publicamente sua antipatia por <em>Lenha</em>, canção do maranhense que Rita Ribeiro lançara em 1997.</p>
<p>
O início do parágrafo acima é inspirado em <em>Mamãe no Face</em>, faixa que encerra o novo álbum, previsto para chegar às lojas neste mês: “O fato é que eu tô na moda/ mamãe, fiz um disco foda/ faz um download e ouve aí”. Zeca planejava lançá-lo apenas em pen drive, de modo a satirizar o formato redondo (e anacrônico) dos CDs. Mas a ideia foi adiada pelo contrato com a Som Livre, das Organizações Globo. “Como é que você propõe a uma gravadora um disco só virtual? Acabei caindo na mais convencional das mídias”, ri da própria contradição. “O disco do ano é uma obsessão jornalística. A mídia cultural precisa de fatos. Quando não tem, ela cria.”</p>
<p>
“Com o tempo, os resultados vão ficando previsíveis, por mais que você tente surpreender”, continua ele, que recrutou 15 produtores para as 12 faixas do CD. É verdade que <em>O Disco do Ano</em> se parece com outros álbuns de Zeca Baleiro. Na arquitetura de sua obra, porém, um ponto de imprevisibilidade o torna essencialmente ímpar: “Não sou mainstream nem sou cult”, anuncia, na letra de <em>Mamãe no Face</em>. Prestes a completar 46 anos, Zeca é um artista que consegue combinar características positivas do underground e do topo das paradas. É considerado maldito, mas seu repertório reúne alguns hits bem populares, como <em>Flor da Pele</em> (1997),<em> Não Tenho Tempo</em> (1999), <em>Babylon</em> (2000), <em>Telegrama</em> (2002) e <em>Muzak</em> (2005).</p>
<p>
<strong>Lobão do Nordeste</strong></p>
<p>
Zeca é herdeiro direto de um “maldito” por excelência: Itamar Assumpção. E tem cultivado o hábito de iluminar uma série de artistas maltratados pela crítica – ou por serem considerados comerciais demais, ou por exagerarem em experimentalismo e complexidade. Em seu álbum de estreia, fez duetos com Wanderléa e Genival Lacerda. Em 1999, resgatou a reflexiva <em>Tem que Acontecer</em>, do marginal setentista Sérgio Sampaio, de quem mais adiante lançaria, por seu selo independente Saravá, o disco póstumo<em> Cruel </em>(2006). Em 2003, criou um CD em dupla com Fagner. Em 2006, gravou <em>Eu, Você e a Praça</em>, de Odair José, e dirigiu um disco coletivo de poemas musicados de Hilda Hilst. Lançou-o às próprias custas, evidentemente.</p>
<p>
Em dois álbuns de 2010, recolocou em circulação canções de Walter Franco (Respire Fundo), Tetê Espíndola (Cunhataiporã), Camisa de Vênus (Eu Não Matei Joana d’Arc), Assis Valente (Tem Francesa no Morro) e Cartola (Autonomia). Guarda também o costume de homenagear suas referências, inclusive no título das canções, como em Kid Vinil (1997), Meu Nome É Nelson Rodrigues (2002) e Como Diria Odair (2008).</p>
<p>
Para dar vazão a sua natureza dupla, Zeca oscila entre contratos de distribuição com grandes gravadoras e empreitadas independentes pelo Saravá – a próxima deve ser a produção de um disco inédito de, mais uma vez, Odair José. De mansinho e sem alarde, vai enxertando o pop na marginalidade e a rebeldia na engrenagem.</p>
<p>
Zelador de “malditos” e “cafonas”, tem sido abertamente amoroso com a música brasileira de seus predecessores. Tributa esse carinho ao parceiro Chico César. “Quando cheguei a São Paulo, estava numa pegada muito rebelde. Chico me chamava de ‘o Lobão do Nordeste’. Eu era o cara que gostava de estragar a festa, de provocar. Ia e tocava umas músicas pornôs que tinha composto para um disco que nunca fiz”, conta.</p>
<p>
Ele se expõe, em subtextos que vão bem além da sátira. “Isso estava em mim. Como saí de uma realidade tacanha, de província, eu queria ser o cara, o especial, o inigualável, o inimitável”, diz, às gargalhadas, numa clara referência ao disco<em> O Inimitável</em> (1968), de Roberto Carlos. “Eu tendia mais à turma da vanguarda paulistana do que à tradição brasileira. E tinha as influências do rock e do folk norte-americanos. Chico me fez voltar a ter apego pela canção brasileira.”</p>
<p>
Cantada em tom de rap, em duo com Chorão (do grupo Charlie Brown Jr.), a nova <em>O Desejo</em> cita canções de Erasmo Carlos (“Estou só à beira do caminho”), Belchior (“Você, guardado por Deus, conta seus metais por detrás das janelas”) e Raul Seixas (“Você se olha no espelho e vê que tudo é mentira”), enquanto critica amargamente “tanto canalha no topo” e o costume de “adular endinheirados”. <em>Nada Além</em>, que já havia sido gravada pelo coautor, Frejat, tripudia dos queixumes do tipo “classe média sofre”: “Você não quer ver nada além do seu umbigo”, “Você não quer ver nada além do seu mundinho”, “Você acha que ninguém sofre mais que você/ talvez porque não saiba ao certo o que é sofrer”. Poderia ser um recado, merecido, à turma da MPB a que ele pertence. Ou aos jornalistas. Ou a você.</p>
<p>
Corre veneno no sangue de Zeca (como no seu e no meu), e ele não se exime de destilá-lo. Sem hesitação, devolve com humor a provocação de Caetano: “O cara é uma comadre linguaruda, né? Adoro o Caetano, mas a atuação dele nos bastidores é passível de crítica. Essa coisa de querer ser sempre o juiz. Ninguém perguntou, então não fala, pô”.</p>
<p>
<strong>Hipopótamo insone</strong></p>
<p>
Ao mesmo tempo que celebra explicitamente Lulu Santos na letra e na melodia da nova <em>O Amor Viajou</em>, diverte-se em criticá-lo: “Lulu é um chato, uma pessoa insuportável. Mas é um gênio da canção. Tive uma experiência desagradabilíssima com ele no programa <em>Altas Horas</em>, da Globo. Era para fazermos umas interações, e Lulu foi insuportavelmente deselegante, colocou empecilhos em todas as minhas sugestões, propôs canções que só ele conhecia. Não rolou, ficou um mal-estar terrível. Ele é psicótico, maníaco, sociopata, não me deixava nem falar”.</p>
<p>
Desbocado, mas nem tanto, evita dizer a quem dedicaria<em> Armário</em> (2010), uma das mais ferinas de sua safra recente, com versos de tapas beijos entre dois homens (ou duas mulheres): “Não posso, não posso/ já falei que eu não posso/ não é que eu não queira/ mas é tão difícil pra mim (...) já que eu não posso sair do armário/ peço que você entre no armário também”. “Ah, essa eu dedicaria a um monte de gente, mas não quero ficar sujo”, gargalha.</p>
<p>
A sátira afiada rende dissabores, admite. “Você cria inimigos. Um monte de gente me odeia por causa de Bienal.” Lançada em 1999, a música debocha da arte contemporânea e compara a feiúra de uma obra à de um hipopótamo insone. “Você não pode criticar um cara da hora porque vão te julgar invejoso. Não estou nem aí. Conquistei a possibilidade de dizer o que quero. Isso é dignidade.” Para lá do fogo criativo, eis a contribuição crucial de Zeca Baleiro: arte acompanhada de crítica e autocrítica.</p>
<div class="descricao-autor">
<p>
<strong>Pedro Alexandre Sanches</strong> é jornalista e editor do site musical Farofafá (www.farofafa.com.br).</p>
</div><div class="onde-quando">
<p>
<strong>O ÁLBUM</strong></p>
<p>
<em>O Disco do Ano</em> (Som Livre), de Zeca Baleiro. Produtores: vários. Preço médio: R$ 30.</p>
</div>
Novo álbum do cantor e compositor maranhense, <em>O Disco do Ano</em> ri de si mesmo, zomba da crítica e provoca a indústria. Sobra até para o público2012-04-20T16:12:27-03:00Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservadosEdição 176 - Abril 2012Novo álbum do cantor e compositor maranhense, O Disco do Ano ri de si mesmo, zomba da crítica e provoca a indústria. Sobra até para o públicoMúsicaBRAVO!BRAVO!http://bravonline.abril.com/materia/a-banqueta-da-vezA Banqueta da Vez2012-04-17T12:43:32-03:00Arthur Dapieve
<p>
Quando Alfred Brendel, então aos 77 anos, anunciou que penduraria suas partituras, em 2009, teve início a inevitável busca por um herdeiro para o “pianista-filósofo” (o título deve-se principalmente aos penetrantes ensaios que Brendel escreveu sobre Mozart,Beethoven e Schubert). Parecia não haver ninguém à altura do austríaco que ocupara a banqueta com brilhantismo, aliando sensibilidade e rigor intelectual. Pois bem: o britânico Paul Lewis, um de seus ex-alunos, interessado pelo mesmo repertório do mestre, tem sido cada vez mais apontado como um possível sucessor.</p>
<p>
No finalzinho do ano passado, Lewis lançou pelo selo <em>Harmonia Mundi</em> um álbum duplo, ainda inédito no Brasil, com três sonatas tardias de Franz Schubert (1797-1828), além de outras de suas peças para piano. A clara articulação que Lewis dá à <em>Sonata em Ré Maior D850, Op. 53</em>, e à <em>Sonata em Dó Maior D840</em>, apelidada de <em>Relíquia</em> por nunca ter sido completada, é poderosa. Já os seus<em> Impromptus D899, Op. 90</em>, rivalizam em lirismo e força expressiva com a aclamada versão da portuguesa Maria João Pires.</p>
<p>
<strong>Fascínio por Beethoven</strong></p>
<p>
Trata-se, na verdade, de um retorno a Schubert para Lewis. Dez anos antes, o pianista gravara quatro sonatas do compositor, em dois diferentes discos para o Harmonia Mundi. Depois mergulhou na obra de Ludwig van Beethoven (1770-1827): registrou para o mesmo selo, e sempre com aplausos, as 32 sonatas, as <em>Variações Diabelli</em> e os cinco concertos do alemão (estes com a Orquestra Sinfônica da BBC, sob a regência do tcheco Jirí Belohlávek). É como se, tal qual Schubert, Lewis precisasse dar vazão ao fascínio nutrido pelo gigante ensurdecido antes de poder afirmar a sua própria personalidade.</p>
<p>
Agora, aos 39 anos, o músico nativo de Liverpool, filho de estivador, ressurge no universo schubertiano com nova maturidade. Certamente ajuda o fato de, antes, ele ter gravado com o tenor Mark Padmore os três ciclos de canções de Schubert. Afinal, mesmo quando escrevia peças instrumentais, Schubert continuava sendo, na essência, um compositor de canções. Quer dizer, de lieder, o feliz casamento entre o melhor da música para piano e o melhor da poesia em língua alemã. Escute, por exemplo, o segundo movimento (con moto) da <em>Sonata em Ré Maior </em>e tente não cantarolar o tema principal.</p>
<p>
Quando escreveu a crítica do novo álbum de Lewis para a edição de fevereiro da revista britânica <em>Gramophone</em>, Harriet Smith disse que, ao ouvi-lo, tinha vontade de dançar nas ruas e distribuir cópias do disco aos passantes. Seu entusiasmo, por incrível que pareça, não é exagerado.</p>
<div class="descricao-autor">
<p>
<strong>ARTHUR DAPIEVE</strong> é jornalista e escritor, autor do romance Black Music, entre outros.</p>
</div><div class="onde-quando">
<p>
<strong>O ÁLBUM</strong></p>
<p>
<em>Schubert: Piano Sonatas D840, 850 e 894, Impromptus D899, Klavierstücke D946 </em>(Harmonia Mundi, importado), de Paul Lewis. Preço médio: R$ 40.</p>
</div>
Discípulo de Alfred Brendel, o pianista inglês Paul Lewis lança álbum duplo com peças de Franz Schubert e desperta nos ouvintes a vontade de sair dançando pelas ruas2012-04-16T17:08:47-03:00Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservadosEdição 176 - Abril 2012Discípulo de Alfred Brendel, o pianista inglês Paul Lewis lança álbum duplo com peças de Franz Schubert e desperta nos ouvintes a vontade de sair dançando pelas ruasMúsicaBRAVO!BRAVO!http://bravonline.abril.com/materia/de-olho-no-principeDe Olho no Príncipe2012-04-16T18:04:39-03:00Paula Nadal
<p>
No intervalo da ópera duas senhoras conversam: “Você viu? Eu achei isso tudo muito estranho. O príncipe é uma mulher!”. E a outra: “Ah, mas as vozes são bonitas, você não achou?”. “Eu achei, mas o príncipe é uma mulher!”, retrucou inconformada.</p>
<p>
A ópera era <em>Cendrillon</em> – para nós, <em>Cinderela</em> –, de Jules Massenet (1842-1912) e, para a surpresa das senhoras na plateia, a Royal Opera House tratou de fazer uma montagem que seguisse as recomendações do original, com libreto de Henri Cain: nesta ópera cômica, o<em> Prince charmant</em> deveria ser interpretado por uma soprano com sentimento. E a mezzo, Alice Coote, destacou-se tanto pela belíssima voz, quanto pela virilidade que demonstrou no papel.</p>
<p>
A exibição de espetáculos das maiores casas de ópera do mundo – como o Metropolitan Opera House, de Nova York, ou a Royal Opera inglesa, em questão – já não é novidade em muitas salas de cinema brasileiras. E a iniciativa tem méritos: o som e a imagem são excelentes. Além disso, as telonas ajudam a socorrer os amantes de ópera em tempos de vacas magras nas temporadas dos teatros, contribuem para a formação de público e, quiçá, para a ampliação do repertório dos ouvintes – <em>Cendrillon</em>, por exemplo, não é muito encenada.</p>
<p>
Não se pode, contudo, ir à ópera em um cinema e esperar a mesma intensidade da experiência ao vivo. E isso não significa que a tela propicie uma experiência menor. Ela só é completamente diferente. E embora olhar bem de perto as feições do príncipe que é uma “moça” cause estranheza (ou desapontamento, no caso da senhora), pode-se acompanhar toda a história com legendas em português. Também se notam detalhes do cenário inteligentíssimo de Barbara de Limburg, que reproduz as páginas do conto de fadas. E ainda vemos os músicos da orquestra regida por Bertrand de Billy e a magnífica expressividade da contralto polonesa Ewa Podlés, intérprete da madrasta, que rouba a cena em vários momentos.</p>
<p>
Vale experimentar!</p>
<p>
<strong>SERVIÇO | ROYAL OPERA HOUSE NOS CINEMAS</strong></p>
<p>
<em>Cendrillon</em>, 19 de abril</p>
<p>
<em>Rigoletto</em>, 17 de abril (ao vivo)</p>
<p>
<em>Così Fan Tutte</em>, 19 de abril e 3 de maio</p>
<p>
<em>Il Trittico</em>, 26, 27 e 29 de maio</p>
<p>
<em>Macbeth</em>, 26, 27 e 29 de maio</p>
<p>
Ingressos: R$ 60</p>
<p>
Mais informações sobre os horários e cinemas participantes <a href="http://www.cinemark.com.br/royal-opera-house" rel="aqui" target="_blank">aqui</a>.</p>
<p>
 </p>
Assistir a uma ópera no cinema pode desviar o foco de atenção – da música à "cara" dos intérpretes. Mas a experiência tem, sim, boas vantagens2012-04-16T18:04:39-03:00Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservadosAssistir a uma ópera no cinema pode desviar o foco de atenção – da música à "cara" dos intérpretes. Mas a experiência tem, sim, boas vantagensMúsicaBRAVO!BRAVO!http://bravonline.abril.com/materia/cancoes-e-satirasCanções e Sátiras2012-04-03T12:15:00-03:00Redação
<p>
Neste mês, o intérprete e compositor <strong>Zeca Baleiro</strong> <em>(foto)</em> lança seu mais recente trabalho, <em>O Disco do Ano</em>. No álbum, o artista maranhense abusa de sua ironia habitual para alfinetar a crítica, zombar de colegas músicos e até provocar o público.</p>
<p>
Assista ao vídeo em que Zeca aparece cantando <em>Mamãe no Face</em>, uma das mais ácidas e engraçadas faixas do CD.</p>
<p>
 </p>
<p>
<object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="338" width="600"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=39661005&server=vimeo.com&show_title=0&show_byline=0&show_portrait=0&color=00adef&fullscreen=1&autoplay=1&loop=0"/><embed allowscriptaccess="always" height="338" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=39661005&server=vimeo.com&show_title=0&show_byline=0&show_portrait=0&color=00adef&fullscreen=1&autoplay=1&loop=0" type="application/x-shockwave-flash" width="600"/></object></p>
<p>
 </p>
Assista ao vídeo do cantor tocando uma faixa do seu novo disco especialmente para <strong>BRAVO!</strong> 2012-04-03T12:15:00-03:00Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservadosEdição 176 - Abril 2011Assista ao vídeo do cantor tocando uma faixa do seu novo disco especialmente para BRAVO!MúsicaBRAVO!BRAVO!http://bravonline.abril.com/materia/afinidade-antiga-gabyAfinidade antiga2012-04-02T18:10:23-03:00Redação
<p>
O produtor Carlos Eduardo Miranda conheceu a paraense Gaby Amarantos em 2004, durante um festival de música em Belém. Desde então tornaram-se amigos e parceiros de trabalho. O resultado é o disco <em>Treme</em>, primeiro álbum solo da cantora. Acompanhe uma entrevista de Miranda sobre a sua relação com a artista.</p>
<p>
<object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="338" width="600"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=39650350&server=vimeo.com&show_title=0&show_byline=0&show_portrait=0&color=00adef&fullscreen=1&autoplay=1&loop=0"/><embed allowscriptaccess="always" height="338" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=39650350&server=vimeo.com&show_title=0&show_byline=0&show_portrait=0&color=00adef&fullscreen=1&autoplay=1&loop=0" type="application/x-shockwave-flash" width="600"/></object></p>
<p>
 </p>
O produtor Carlos Miranda fala sobre o a transição artística de Gaby Amarantos2012-04-02T18:10:23-03:00Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservadosO produtor Carlos Miranda fala sobre o a transição artística de Gaby AmarantosMúsicaBRAVO!BRAVO!http://bravonline.abril.com/materia/adeus-rabecaAdeus, Rabeca2012-03-29T18:50:05-03:00Ronaldo Bressane
<p>
A brisa, por ser carinhosa, é quem mais tem castigado.” A frase, por ser capciosa, é das que mais têm chamado a atenção no novo álbum de Siba, <em>Avante</em>. O repórter leu no verso da canção <em>Brisa</em> uma metáfora da condição de todo artista inquieto: de como o conforto pode colocar em risco a evolução do criador. Siba ri: “Rapaz... Tu já viveste o pior dentro do melhor? Era só isso...”, sugere o recifense de 44 anos, dando a entender que refletia somente um dos paradoxos do amor. Mas não exclui completamente a leitura cabeça acima. Afinal, o disco todo é uma autoanálise da (des)construção de sua identidade. A história de seu aperreio como artista, que o arrancou de um lugar estável para jogá-lo no redemoinho da página em branco, segunda metamorfose em sua vida.</p>
<p>
Faz seis anos que Siba gravou o aplaudido <em>Toda Vez que Eu Dou um Passo o Mundo Sai do Lugar</em>, indicado ao Grammy. À frente da Fuloresta do Samba, banda formada por músicos de Nazaré da Mata, norte da Zona da Mata pernambucana, ele chegava ao ápice de seu projeto de beber na fonte das tradições: maracatu rural, coco, ciranda, samba, frevo... “Descobri que aquela cena cultural era mais inovadora que o mundo <em>mainstream</em>, de show e disco, em que a música é separada do dia a dia do homem”, afirma Siba, enquanto toma um suco de tangerina num restaurante da Vila Madalena, São Paulo, cidade em que acaba de ancorar. Ele havia se fixado em Nazaré em 2002, logo após o fim do Mestre Ambrósio, grupo que foi, no tratamento rock’n’roll de forró, maracatu e cavalo-marinho, um dos pilares do manguebeat, ao lado do Mundo Livre S/A, de Fred Zero Quatro, e da Nação Zumbi, de Chico Science.</p>
<p>
Cabelo e barba crescidos, roupas urbanas e chapéu ausente: no visual, Siba também parece mudado. Se no Mestre Ambrósio, surgido em 1992, ele se destacava por mixar na mesma magra figura um guitarrista, um rabequeiro e um cantador, na Fuloresta seu projeto se radicalizou: o ex-metaleiro fã de Motörhead incorporou a persona de um tiozinho elegante e ladino, de chapéu e bigode, um azougue na arte de improvisar rimas. Viveu dez anos nas sambadas da mata, convivendo com lendas como Biu Roque. Nesse tempo, dividia-se em quatro: vivia em Nazaré, mas o escritório ficava na casa da mãe, no Recife; muitos parceiros musicais estavam em São Paulo, onde tinha morado na época do Mestre Ambrósio; e o filho Vicente, 5 anos, ficava em São Luís, no Maranhão, com a mãe. Foi então que bateu a crise dos 40.</p>
<p>
“Não vejo nada que não tenha desabado/ nem mesmo entendo como estou de pé/ olhando um outro num espelho pendurado/ que reconheço mas não sei quem é.” Essa estrofe, de <em>Preparando o Salto,</em> abre o novo álbum. Ao tratar da crise, Siba alterna alexandrinos e decassílabos de rimas ricas e ecos internos, coisa rara de se topar na música pop brasileira. A letra sofisticada passeia sobre um rock suave, cujo arranjo intrinca o vibrafone com ares de jazz, a tuba característica das orquestras de frevo fazendo papel de baixo, e a guitarra de fraseado limpo, suja por leve efeito, que remete à música do Congo. Parece complicado, mas soa bem simples.</p>
<p>
<strong>PERNAMBUCO-KINSHASA</strong></p>
<p>
“Quando saí de Nazaré, me questionei: que tipo de artista sou eu? Que tipo de música eu quero?”, recorda. Dar conta de um grupo de dez integrantes como o Fuloresta era inviável – o projeto parecia ter chegado ao limite. Siba precisava de uma banda enxuta e de uma música que atendesse a outras sedes, que se abrisse à descoberta da música congolesa – em especial o congotronics, som dos subúrbios de Kinshasa, e a discografia de um nome importante da África: Franco. “Ele me iluminou, me tirou do bloqueio. Porque pega a música cubana, desconstrói e transforma numa coisa rude, tocando uma guitarra inusual”, conta.</p>
<p>
Siba tinha largado a guitarra havia 20 anos para abraçar a rabeca, desprezada em <em>Avante</em>. E olha que ele é autor de <em>A Rabeca na Zona da Mata Norte de Pernambuco</em>, pesquisa escrita quando estudava música na universidade, e já tocou com o mitológico rabequeiro Mestre Salu. Abandonar um instrumento no qual é PhD foi tão radical quanto ter abraçado a rabeca no início dos anos 90, época em que dedilhava uma Gibson SG, a favorita de Angus Young, do AC/DC. “Amigos roqueiros e colegas de universidade gozavam de meu interesse por música regional: pra eles, era o lixo do lixo. Em 1990, montar banda com rabeca e cantar maracatu na mata foi uma atitude punk”, afirma. O interesse pela música tradicional vinha de longe: fã de cantoria, o pai, egresso de Olho d’Água de Dentro, no Agreste, levava Sibinha a tiracolo nas rodas e vivia assoviando as canções que não sabia tocar na viola. O culpado por fazer Siba empunhar de novo uma Fender foi o <em>guitar hero</em> cearense Fernando Catatau, líder da Cidadão Instigado e produtor do disco <em>Iê Iê Iê</em>, de Arnaldo Antunes. “Catatau me ensinou que falar de si é como falar de todo mundo”, diz. O guitarrista é responsável por dar liga à banda de <em>Avante, </em>formada de elementos díspares: o tubista pernambucano Léo Gervázio e o baterista paulista Samuca Fraga, além de vibrafone e teclados do talentoso mineiro Antônio Loureiro.</p>
<p>
Impressiona como a infinidade de referências não descose o resultado. <em>Qasida</em> retoma o tema do poeta que retorna ao acampamento e o encontra destruído, um clássico da lírica árabe pescado em <em>Poemas Suspensos</em>, de Alberto Mussa. Sua construção baseia-se no martelo agalopado, nome dado, na literatura de cordel, à estrofe de dez versos decassílabos; a guitarra psicodélica de Catatau encerra a canção. Apesar do que pode sugerir a fina figura de Siba, nem tudo é sério em sua obra. Há passeios pelo rock brega, como em <em>Ariana</em>, que trata de amores escusos, e pelo frevo de cabaré, como na engraçadísima <em>A Bagaceira</em>, sobre um sujeito perdido no Carnaval. O álbum termina com a doce <em>Bravura e Brilho</em>, dedicada ao filho, Vicente, que aparece na capa. Siba diz que nina o filho lendo trechos da <em>Odisseia</em>, poema épico atribuído a Homero. “Ulisses foi o primeiro herói dele”, orgulha-se Sérgio Roberto Veloso de Oliveira. Siba é apelido de apelido: vem de “sibito baleado”, gíria pernambucana para um cabra magro, parecido com um sibito, passarinho que solta um pio ossudo. Seu som lembra o vento e o assovio do pai, que lhe deu de presente a guitarra que também figura na capa do disco. Como as idas e voltas em sua vida comprovam, na obra desse artista múltiplo, metáforas e metamorfoses fazem sentido.</p>
<div class="descricao-autor">
<p>
<strong>Ronaldo Bressane</strong> é jornalista.</p>
</div>
Ex-líder da Fuloresta do Samba e do Mestre Ambrósio, Siba deixa o universo do maracatu rural e reinventa a carreira no disco <em>Avante</em>, que mistura rock, ciranda e congotronics2012-03-29T15:38:35-03:00Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservadosEdição 175 - Março 2012Ex-líder da Fuloresta do Samba e do Mestre Ambrósio, Siba deixa o universo do maracatu rural e reinventa a carreira no disco Avante, que mistura rock, ciranda e congotronicsMúsicaBRAVO!BRAVO!http://bravonline.abril.com/materia/mais-do-mesmo-mesmoMais do mesmo. Mesmo?2012-03-29T15:29:04-03:00José Flávio Júnior
<p>
Durante as sessões de gravação de seu mais recente álbum, houve um momento em que Paul McCartney ficou indeciso com uma questão qualquer. Em vez de perder o sono, ele disparou: “Não tô nem aí. Estou em Los Angeles. Sou britânico. Sou um turista. Estou no estúdio A da gravadora Capitol, cantando no microfone de Nat King Cole. Estou de férias!” O relato se encontra no encarte de <em>Kisses on the Bottom</em> e resume o astral do CD. Trata-se de um disco de férias, uma diversão a que um cara com o currículo de Paul pode se permitir de vez em quando.</p>
<p>
O ex-Beatle acalentou por anos a ideia de registrar músicas que a geração de seus pais cantava nas festas de fim de ano. Ou seja,<em> standards</em> do jazz, gemas do grande cancioneiro norte-americano, coisas que o pequeno Paul aprendeu em casa pouco antes de descobrir Elvis Presley e Chuck Berry. Em <em>Kisses on the Bottom</em>, o cantor mergulha nessa memória afetiva pré-roqueira, com arranjos reverentes, mas sem abandonar seu saudável hábito de acrescentar algo diferente.</p>
<p>
Em vez de gravar <em>Cheek to Cheek </em>ou <em>The Way You Look Tonight</em>, algumas de suas músicas favoritas e que seriam escolhas óbvias, Paul preferiu pesquisar temas menos batidos, chegando até mesmo a interpretar uma composição que nunca havia escutado antes: <em>More I Cannot Wish You</em>, do musical <em>Guys and Dolls</em>. Faixas como essa pintaram porque o cantor ouviu sugestões do experiente produtor Tommy LiPuma e da pianista Diana Krall, que toca praticamente no disco inteiro. Paul é amigo e parceiro de Elvis Costello, marido de Diana, mas esse não participa do álbum. O escalado para cuidar das guitarras foi John Pizzarelli, que lançou em 1998 um disco com clássicos dos Beatles vertidos para a linguagem do jazz.</p>
<p>
<strong>À Beira dos 70</strong></p>
<p>
Escorado num time dessa categoria, o inglês só precisou cantar. E isso ele fez com muito charme. Paul se beneficiou da natureza dos temas peneirados, quase todos românticos e para cima (segundo o músico, os preferidos das famílias que se recuperavam da Segunda Guerra Mundial), tais como <em>Ac-cent-tchu-ate the Positive</em> e <em>My Very Good Friend the Milkman</em>. O único momento cafona é <em>My Valentine</em>, ironicamente uma das duas inéditas que Paul escreveu para o repertório. Nem o violão de Eric Clapton salva a enjoativa balada. Já <em>Only Our Hearts</em>, com Stevie Wonder na gaita, é mais simpática.</p>
<p>
Trabalhos como <em>Chaos and Creation in the Backyard</em> (2005) e <em>singles</em> como <em>Ever Present Past</em> (2007) não deixam dúvida de que Paul vinha num grande momento autoral. Mas, prestes a completar 70 anos, é compreensível que ele dê uma olhadela para trás. A nós, fãs, cabe esperar o fim de suas merecidas férias bem embalados por <em>Kisses on the Bottom</em>.</p>
<div class="descricao-autor">
<p>
<strong>José Flávio Júnior</strong> é jornalista.</p>
</div><div class="onde-quando">
<p>
<strong>O ÁLBUM</strong></p>
<p>
<em>Kisses on the Bottom</em> (Universal), de Paul McCartney. Produtor: TommyLiPuma. Preço médio: R$ 30.</p>
</div>
Podia ser um disco meramente burocrático. Mas o novo álbum de Paul McCartney, com clássicos do cancioneiro norte-americano, se revela criativo e sedutor2012-03-29T15:29:04-03:00Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservadosEdição 175 - Março 2012Podia ser um disco meramente burocrático. Mas o novo álbum de Paul McCartney, com clássicos do cancioneiro norte-americano, se revela criativo e sedutorMúsicaBRAVO!BRAVO!http://bravonline.abril.com/materia/de-choro-em-choroDe Choro em Choro2012-03-13T17:06:07-03:00Barbara Heckler
<p>
</p>
<p>
 </p>
<p>
 </p>
O Centro Cultural Banco do Brasil abriga, de 13/3 a 6/5, uma exposição em Brasília sobre<strong> Pixinguinha.</strong> A curadoria é de Lu Araújo. Confira alguns dos cartazes, discos, fotos e informações que estão na mostra2012-03-13T13:48:22-03:00Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservadosEdição 175 - Março 2012O Centro Cultural Banco do Brasil abriga, de 13/3 a 6/5, uma exposição em Brasília sobre Pixinguinha. A curadoria é de Lu Araújo. Confira alguns dos cartazes, discos, fotos e informações que estão na mostraMúsicaBRAVO!BRAVO!http://bravonline.abril.com/materia/metamorfose-ambulanteMetamorfose Ambulante2012-03-02T17:44:50-03:00Redação
<p>
 </p>
<p>
O cantor recifense acaba de ancorar na capital paulistana. A mudança não foi só geográfica. No novo disco, <em>Avante</em>, Siba deixa a rabeca de lado e adere à guitarra, depois de vinte anos imerso em ritmos mais tradicionais como o maracatu, a ciranda, entre outros.</p>
<p>
Leia o breve questionário que elaboramos para o compositor, ex-líder da Fuloresta do Samba e do Mestre Ambrósio:</p>
<p>
<strong>Você acaba de voltar para São Paulo depois de um longo período em Nazaré. De que forma essa mudança refletiu em seu trabalho?</strong></p>
<p>
Não dá para desassociar os dois fatos. Tudo vem junto para mim: a vida, o que estou fazendo no momento, onde moro e com quem trabalho. Embora o senso comum possa apontar para um álbum mais elétrico, pelo fato de eu estar em São Paulo, o que acontece é o contrário. As mudanças da minha música e da minha concepção como artista me trouxeram pra cá. Além de eu gostar demais da cidade e também ter todos meus amigos aqui, o estilo de vida de São Paulo me agrada muito. Tudo isso junto me trouxe de volta.</p>
<p>
<strong>Você disse que em Nazaré a música não era só um produto, era vivida e criada no dia-a-dia. Tem algum lugar em São Paulo onde você se inspira ou cria? </strong></p>
<p>
A inspiração relacionada a algum lugar não é, para mim, determinante. O que existe é uma relação de confluência entre o momento, o tempo e o espaço onde você está. Ela pode ou não criar uma situação que de alguma forma ilumine o seu processo criativo. A cidade de São Paulo me abre muitas portas profissionais e é um lugar que me possibilita um tipo de vida pessoal muito agradável e confortável. Por isso me inspiro aqui. Além do que, um lugar que essencialmente tem que me estimular sempre – e eu cuido para que seja assim – é a minha casa. Onde quer que ela esteja, é a principal fonte.</p>
<p>
<strong>Quando saiu do Nordeste, você se questionava que artista era e que tipo de música queria. Hoje essas questões já foram respondidas?</strong></p>
<p>
Elas estão sempre na mesa, são as primeiras questões que tento me colocar. Nunca vão ser completamente respondidas, pelo menos espero, pois é isso que faz com que eu consiga me movimentar de tempos em tempos. No momento, a resposta é o meu trabalho, principalmente o show, que acontece a partir do disco, da sua concepção, e que vai ter uma vida de alguns anos. A partir disso, as questões se renovam, surge a busca para um novo momento que virá num futuro próximo.</p>
<p>
<strong>Ulisses foi o primeiro herói do seu filho. Qual foi o seu primeiro herói?</strong></p>
<p>
Pergunta difícil. Não sei exatamente, talvez o meu avô, um senhor que eu e a família inteira admirávamos muito. Era um tipo de herói distante, um agricultor de setenta anos na época. O que tenho certeza é de que ele e meu pai foram os primeiros. Agora, o de fantasia talvez o Lampião, porque era uma figura do imaginário heroico do ambiente em que eu vivia.</p>
<p>
<strong>Tem algum fã, alguém que você saiba que gosta da sua música, e que você admire também? </strong></p>
<p>
Complicado, pois vou ter que dizer que alguém é meu fã, uma posição meio curiosa. O que posso dizer é que a Céu assumidamente admira meu trabalho e que é uma pessoa que admiro muito no cenário atual da música brasileira.</p>
O músico Siba responde a cinco perguntas sobre a nova fase de seu trabalho2012-03-02T17:44:50-03:00Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservadosO músico Siba responde a cinco perguntas sobre a nova fase de seu trabalhoMúsicaBRAVO!BRAVO!http://bravonline.abril.com/materia/encontro-de-gigantesEncontro de gigantes2012-02-24T18:53:26-02:00Redação
<p>
Um dos maiores mestres do choro terá sua trajetória exposta na mostra <em>Pixinguinha</em>, em Brasília, de 13 de março a 06 de maio. Fotos, documentos e vídeos preencherão doze salas do Centro Cultural Banco do Brasil, idealizadas pela pesquisadora Lu Araújo, com o neto do artista, Marcelo Vianna, e o maestro Caio Cezar.</p>
<p>
Um dos espaços será dedicado ao filme <em>Sol Sobre a Lama</em>, longa dos anos 60, dirigido por Alex Viany. Na época, o cineasta convidou Pixinguinha e Vinicius de Moraes para compor a trilha sonora. Assista ao documentário <em>Nós Somos um Poema</em>, produzido pela própria curadora da exposição, que recupera essa histórica parceria entre os dois gigantes da música brasileira.</p>
<p>
<object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="450" width="600"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=36360430&server=vimeo.com&show_title=0&show_byline=0&show_portrait=0&color=00adef&fullscreen=1&autoplay=1&loop=0"/><embed allowscriptaccess="always" height="450" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=36360430&server=vimeo.com&show_title=0&show_byline=0&show_portrait=0&color=00adef&fullscreen=1&autoplay=1&loop=0" type="application/x-shockwave-flash" width="600"/></object></p>
Exposição de Pixinguinha resgata documentário sobre a parceria do compositor com o poeta Vinicius de Moraes2012-02-24T18:53:26-02:00Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservadosExposição de Pixinguinha resgata documentário sobre a parceria do compositor com o poeta Vinicius de MoraesMúsicaBRAVO!BRAVO!http://bravonline.abril.com/materia/filhos-de-felaFilhos de Fela2012-02-15T12:46:28-02:00José Flávio Júnior
<p>
Apresentações lotadas, disco de estreia citado em várias listas como um dos melhores de 2011, reconhecimento de artistas do naipe de Lucas Santtana e a turma da Nação Zumbi. Nada mal para um grupo instrumental formado não faz nem dois anos, cujo DNA exibe uma vertente sonora ainda pouco conhecida por aqui: o afrobeat. A ascensão da paulistana Bixiga 70 no circuito Sesc–Rua Augusta está diretamente relacionada à redescoberta do gênero que o nigeriano Fela “Anikulapo” Ransome-Kuti (1938 -1997) criou na virada da década de 1960 para a de 70. A banda não é a única formação contemporânea a investir no ritmo – nem o único indício de que esse som está em evidência. A história do seu inventor chegou à Broadway com o premiado musical <em>Fela!</em> (produção dos rappers Jay-Z e Will Smith) e, em 2013, deve virar filme: à frente do projeto, o incensado diretor Steve McQueen e o ator Chiwetel Ejiofor (conhecido por <em>Salt</em> e <em>Gângster Americano</em>).</p>
<p>
Cantor, compositor, saxofonista e tecladista, Fela Kuti teve uma trajetória incomum. Nascido numa família de professores e ativistas de Abeokuta, na Nigéria, deixou o país em 1958 para estudar medicina na Inglaterra. Mas, interessado por música desde pequeno, desviou a rota para a Trinity School of Music, em Londres, contra a vontade dos pais. O jovem Fela logo se encantou pelo jazz de Miles Davis, pelo som de James Brown e pela onda funk que explodiu no fim dos anos 60. Uma viagem para os Estados Unidos em 1969 colocou o nigeriano em contato com as ideias do grupo radical Panteras Negras e com autores engajados em causas antirracistas, que mais tarde influenciariam suas letras – como o ativista Malcolm X. Assim se formou em sua cabeça a equação do afrobeat: uma música que, apoiada na tradição dos polirritmos africanos, promove o casamento dos grooves dançantes do funk com os improvisos do jazz e cuja força política se apresenta nas letras que tratam de problemas sociais. Em 30 anos de carreira, Fela manteve a fórmula – composições longas, forte presença de sopros, muitos solos de piano elétrico e saxofone, guitarra repetitiva marcando o ritmo. Sem esses elementos, uma música dificilmente pode ser classificada como afrobeat.</p>
<p>
<strong>Abaixo o conservadorismo</strong></p>
<p>
Auxiliado pelos talentosos instrumentistas da banda de apoio Africa 70 – entre eles, o baterista Tony Allen, que traduziu para as baquetas a levada original do afrobeat –, o nigeriano causou comoção dentro e fora do seu continente com discos formidáveis, como <em>Shakara </em>(1972) e <em>Zombie</em> (1976). Na década de 1980, já acompanhado pela Egypt 80, seguiu dando suas estocadas sonoras e se engalfinhando com as autoridades oficiais de seu país – onde sempre fez questão de morar. Suas provocações eram as mais diversas. Ele colocou uma cerca ao redor do terreno de sua casa em Lagos e determinou que ali era uma nova nação, a República de Kalakuta. Também promoveu uma cerimônia em que se casou com 27 mulheres ao mesmo tempo, muitas cantoras e dançarinas de sua banda (mais tarde adotaria um rodízio de, no máximo, 12 esposas). A maior afronta, porém, foi tentar concorrer à presidência da Nigéria duas vezes. As candidaturas não vingaram, mas renderam ao músico a eterna alcunha de Black President (Presidente Negro).</p>
<p>
Em 1997, após muitas prisões e perseguição policial – que fizeram com que sua casa de shows, a Africa Shrine, mudasse de endereço algumas vezes –, Fela morreu vitimado por complicações relacionadas à aids. Sua música seguiu influente pelo mundo, de tal modo que, em 1998, surgiu a banda nova-iorquina Antibalas Afrobeat Orchestra (hoje Antibalas), prestando tributo ao mestre e também fundindo o afrobeat com outras fontes, como o pós-rock. Na montagem original do musical <em>Fela!</em>, o grupo foi encarregado de executar os temas do espetáculo.</p>
<p>
Produtor do álbum da Bixiga 70 e baixista da Antibalas em algumas ocasiões, o norte-americano Victor Rice lembra que a febre afrobeat em Nova York começou durante a gestão do prefeito linha-dura Rudolph Giuliani e traça um paralelo com a capital paulista: “Faz sentido que o afrobeat esteja forte em São Paulo agora, pois a cidade passa por um momento conservador, sob o governo de Gilberto Kassab. Na tentativa de compensar o clima pesado, os artistas produzem coisas mais vibrantes. Dançar é necessário para aliviar a tensão – uma resposta natural”. Na opinião do DJ e fotógrafo carioca Mauricio Valladares, que toca afrobeat em seus programas e festas desde os anos 80, o fato de a atual música pop brasileira ter sido influenciada por cantores com um pé na África, como Jorge Ben Jor e Gilberto Gil, permitiu que o legado de Fela se tornasse mais bem compreendido hoje. “Sem contar que o ouvinte daqui está em sintonia com japoneses, alemães e italianos, que tiveram suas atenções voltadas ao afrobeat pela incapacidade de o rock, o jazz, o blues, a eletrônica e o reggae seduzirem novas audiências”, avalia. O cubano Carlos Moore, autor de <em>Fela – Esta Vida Puta</em> (Editora Nandyala), biografia do músico lançada no Brasil em 2011, acha que a crise na indústria fonográfica favoreceu o gênero. “Esses períodos de mudanças sérias permitem a aparição de músicas mais autênticas. Isso também aconteceu nos anos 70, quando o reggae virou um fenômeno mundial.” Moore acrescenta que Fela é um personagem “anti-establishment”, o que tem grande apelo sobre os jovens que se opõem às instituições financeiras. “Ele foi o maior campeão na luta contra a selvageria econômica”, afirma, em referência às letras e brigas do nigeriano.</p>
<p>
<strong>Fela é festa</strong></p>
<p>
Várias cidades do mundo promovem baladas em homenagem a Fela Kuti todo 15 de outubro, data de seu aniversário. Capitaneado por abnegados devotos do afrobeat, o Fela Day chegou ao Brasil na década passada. Em 2009, numa dessas festas, surgiu a Abayomy Afrobeat Orquestra, banda carioca que vai gravar o primeiro álbum neste ano, com produção de Kassin. Suas composições em português, inglês e iorubá atraem centenas em shows no Rio de Janeiro. Guitarrista da Abayomy e também do grupo Do Amor, Gustavo Benjão co-organiza outra festa periódica dedicada aos sons africanos, a Makula: “Nas primeiras edições, discotecávamos para 20 amigos. O boca a boca chamou gente ligada ao universo afro e hoje movimentamos 400 pessoas”.</p>
<p>
Um ano mais nova que a Abayomy, a Bixiga 70 se diferencia da formação carioca por não ter vocal. Em seu álbum de estreia, que leva o nome do grupo, o afrobeat predomina, mas há também faixas que o fundem com o dub jamaicano e com estilos de raízes africanas mais populares no Brasil – caso do samba. “No primeiro ensaio, definimos que não seríamos uma banda só de afrobeat”, conta o tecladista e guitarrista Mauricio Fleury. “A gente gosta de jazz, de Hermeto Pascoal, do grupo vocal Os Tincoãs e de toda a escola percussiva brasileira, basicamente afro”, justifica. Talvez resida aí o sucesso inicial da banda. Mais do que explorar a criação de Fela Kuti, a Bixiga 70 e outros jovens artistas envolvidos nesse enredo querem agregar ao estilo algo próprio. Se o inventivo Fela estivesse vivo, certamente daria a sua bênção.</p>
Bandas como<em> Abayomy</em> e <em>Bixiga 70 </em>redescobrem o suingue e o engajamento do afrobeat, gênero criado pelo nigeriano Fela Kuti, o “Presidente Negro”2012-02-15T12:46:28-02:00Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservadosEdição 174 - Fevereiro 2012Bandas como Abayomy e Bixiga 70 redescobrem o suingue e o engajamento do afrobeat, gênero criado pelo nigeriano Fela Kuti, o “Presidente Negro”MúsicaBRAVO!BRAVO!http://bravonline.abril.com/materia/o-encanto-da-sereiaO Encanto da Sereia2012-02-06T12:27:44-02:00Lucas Nobile
<p>
Arranjos inusitados, experiências sonoras e demais alquimias estéticas só fazem sentido se um disco, em sua essência, tiver canções bem construídas, belas e consistentes. É o que ocorre com o novo álbum de Céu, repleto de melodias, harmonias, ritmos, instrumentações e letras encantadores. Três anos após <em>Vagarosa</em>, a cantora e compositora paulistana volta a evoluir em <em>Caravana Sereia Bloom</em>, que transparece verdade e entrega. À primeira vista, o título pode soar como uma viagem de hippie chique. Mas não é: traduz com naturalidade o espírito do álbum, como se uma sereia, à frente de sua trupe, saísse por aí soltando a voz enfeitiçante e hipnótica.</p>
<p>
À semelhança do que fazia nos trabalhos anteriores, Céu opta por registrar alguns temas-pílula, vinhetas efêmeras e bonitas, como <em>Teju na Estrada</em>, <em>Sereia</em> (dedicada a Rosa, sua filha com o músico Gui Amabis) e <em>Fffree</em>. A produção já não conta com Beto Villares, mas tem novamente Céu e Gui, além de Rica Amabis (na faixa <em>Chegar em Mim</em>, escrita por Jorge Du Peixe). O álbum ainda traz a excelente banda da cantora, que reúne nomes como Lucas Martins e Bruno Buarque. Entre os instrumentistas convidados, chamam a atenção Pupillo, Lúcio Maia, Dengue, Fernando Catatau, Curumin, Thiago França e Nahor Gomes. Também merecem destaque os coros etéreos do Negresko Sis, trio formado por Anelis Assumpção, Thalma de Freitas e pela própria Céu.</p>
<p>
<strong>Odair José e Lupicínio Rodrigues</strong></p>
<p>
Outro ponto em comum com os dois primeiros CDs são as regravações. A intérprete já havia dado sua cara para <em>Concrete Jungle</em> (Bob Marley) e <em>Rosa, Menina Rosa</em> (Jorge Ben Jor). Agora, imprime sua assinatura em <em>You Won’t Regret It </em>(Lloyd Robinson e Glen Brown) e <em>Palhaço </em>(Nelson Cavaquinho, Oswaldo Martins e Washington Fernandes), que gravou acompanhada por seu pai, Edgard Poças, no violão e no assovio.</p>
<p>
Como compositora, ela continua mostrando habilidade. Isso se evidencia em pelo menos quatro canções: <em>Amor de Antigos </em>(setentista e singela), <em>Retrovisor </em>(moderna e, ao mesmo tempo, lupiciniana), <em>Baile de Ilusão</em> (uma joia com ares de Odair José) e <em>Asfalto e Sal</em> (que exibe versos arrebatadores, como “eu vou lhe conservar no sal do meu mar”).</p>
<p>
O sambista portelense Argemiro Patrocínio costumava dizer que, em “panela em que muito se mexe, a comida estraga”. <em>Caravana Sereia Bloom</em> segue a receita habitual, com temas simples, burilados na medida certa. Que Céu não demore mais três anos para compartilhar suas belezas.</p>
<div class="descricao-autor">
<p>
<strong>Lucas Nobile</strong> é jornalista.</p>
</div><div class="onde-quando">
<p>
<strong>O ÁLBUM</strong></p>
<p>
<em>Caravana Sereia Bloom (Urban Jungle/Universal)</em>, de Céu. Produtores: Céu e Gui Amabis. Preço médio: R$ 25</p>
</div>
Em novo trabalho,<strong> Céu</strong> oferece músicas bem construídas e demonstra, mais uma vez, que sobressai no mar de jovens cantoras brasileiras2012-02-06T12:27:44-02:00Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservadosEdição 174 - Fevereiro 2012Em novo trabalho, Céu oferece músicas bem construídas e demonstra, mais uma vez, que sobressai no mar de jovens cantoras brasileirasMúsicaBRAVO!BRAVO!http://bravonline.abril.com/materia/cancoes-do-exilioCanções do Exílio2012-01-27T15:51:03-02:00José Flávio Júnior
<p>
Tania Maria deixou o Brasil em meados da década de 1970 e, desde então, vive em estado permanente de banzo. Requisitada no circuito jazzístico internacional, a pianista e cantora nunca regressou. Chegou a passar 30 anos sem se apresentar por aqui – só recentemente é que ela reencontrou nossos palcos, com shows em 2005, 2007, 2008 e 2011. Na sua obra, porém, o país nunca perdeu espaço. A cada disco, a maranhense criada em Volta Redonda (RJ), hoje com 63 anos, aprofunda a busca por suas raízes.</p>
<p>
<em>Tempo</em>, lançado recentemente na França e com previsão de chegar aos mercados britânico e norte-americano no próximo mês, é mais um capítulo nessa procura pela pátria a que, de certa forma, a cantora renunciou. Registrado só com piano, voz e contrabaixo, o álbum repete a fórmula do espetacular <em>Tania Maria in Copenhagen</em> (1979), dividido com o baixista dinamarquês Niels-Henning Orsted Pedersen (1946-2005). Dessa vez, o baixo acústico fica a cargo de Eddie Gomez, porto-riquenho que durante anos integrou o conjunto do norte-americano Bill Evans. O resultado é exuberante. <em>Tempo</em> chega perto do que a artista produziu em sua fase mais cultuada, que vai do final dos anos 60 até a metade dos 80.</p>
<p>
<strong>Suingue</strong></p>
<p>
Dois temas da década de 1950 chamam a atenção entre as oito faixas. Um é <em>Bronzes e Cristais</em>, gravado por Maysa em seu terceiro álbum. Fica clara a intenção de homenagear uma cantora e pianista de personalidade tão forte quanto a de Tania. A outra canção do período é <em>A Chuva Caiu</em>, de Tom Jobim e Luiz Bonfá, registrada por Angela Maria em 1956. Quase na mesma pegada, <em>Estate</em>, <em>standard</em> que João Gilberto popularizou em 1977, aparece logo na abertura do disco.</p>
<p>
Mas a releitura que se destaca é a de <em>Sentado à Beira do Caminho</em>, composição de Roberto e Erasmo Carlos, que Tania exibiu aqui nos shows de 2007 e não tem mais constado nos seus <em>setlists</em>. Ela assistiu à coroação do Rei com desdém enquanto ainda morava no Brasil. Já no auto-exílio – conforme contou numa apresentação no Teatro Fecap (SP) –, reconheceu que Roberto tinha “uns bolerões bonitos”. A balada, que trata de saudade (como todo o repertório de <em>Tempo</em>), nunca tinha sido interpretada com tamanho suingue.</p>
<p>
Ainda no quesito balanço, nada supera <em>Dear Dee Vee</em>, um samba autoral, já gravado em 1993. O tema arremata um bloco com três instrumentais em que o diálogo entre o piano de Tania e o baixo de Gomez fica mais nítido. No encerramento, surge a faixa-título, que é basicamente um refrão cantado três vezes ao longo dos 8 minutos e 24 segundos de uma belíssima melodia. “Não ponha a culpa no tempo, não/ O tempo que passou foi bom, bobão”. Com Tania Maria na vitrola, não há tempo ruim.</p>
<div class="onde-quando">
<p>
<strong>O DISCO</strong></p>
<p>
<em>Tempo </em>(Naïve, importado), de Tania Maria. Produtores: Eric Kressmann e Tania Maria. Preço médio: R$ 50.</p>
</div>
A saudade permeia o álbum “Tempo”, mais recente trabalho da jazzista maranhense Tania Maria, que construiu sólida carreira no exterior2012-01-27T15:51:03-02:00Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservadosEdição 173 - Janeiro 2012A saudade permeia o álbum “Tempo”, mais recente trabalho da jazzista maranhense Tania Maria, que construiu sólida carreira no exteriorMúsicaBRAVO!BRAVO!http://bravonline.abril.com/materia/o-dissidente-sutilO Dissidente Sutil2012-01-27T15:44:23-02:00Arthur Dapieve
<p>
O compositor russo Dmitri Shostakovich (1906-1975) foi:</p>
<p>
a) Um lacaio do regime soviético, compondo obras que refletiam os propósitos do “realismo socialista”: patrióticas, grandiosas e acessíveis.</p>
<p>
b) Um formalista, enredando suas peças em frívolos esquemas intelectuais que as tornavam incompreensíveis para a grande massa trabalhadora.</p>
<p>
c) Um dissidente político, contrabandeando críticas sarcásticas aos líderes do Partido Comunista no meio de uma ópera e de muitas de suas 15 sinfonias.</p>
<p>
d) Um autor convencional, praticamente alheio ao atonalismo, que inflamou o debate musical na primeira metade do século 20.</p>
<p>
e) Um deprimido, como comprovam seus 15 quartetos de cordas, espécie de diário pessoal.</p>
<p>
f) Todas as respostas acima.</p>
<p>
Acertou quem cravou a alternativa F, claro – do contrário, não haveria sentido propor um teste. Ao longo da vida, o compositor revelou-se um homem de múltiplas escolhas, não raro contraditórias. Musicalmente, todas estão representadas nos quatro CDs da caixa <em>Shostakovich</em>, terceiro lançamento da série Acervo Russo, da Biscoito Fino/Dell’Arte. Há três sinfonias, dois quartetos de cordas, a sonata para viola, um trio para piano, violino e violoncelo e uma sonata para piano, entre outras peças. Assim como nos lançamentos anteriores, dedicados a composições de Igor Stravinsky e a interpretações do pianista Sviatoslav Richter, as gravações da caixa foram realizadas ao vivo para a Gostelradio, uma de tantas estatais soviéticas, entre 1954 e 1985 – o que resulta em diferentes níveis técnicos, aceitáveis para registros históricos (vez por outra, ouve-se alguém tossir na plateia).</p>
<p>
Entre os executantes da coletânea, estão alguns dos maiores astros da música clássica da URSS, como os maestros Evgeny Mravinsky e Rudolf Barshai, a Orquestra Filarmônica de Leningrado, o violista Yuri Bashmet e o pianista Richter. Os temas que eles interpretam são fulgurantes, emotivos e, acima de tudo, demasiado humanos, mesmo quando, às vezes, recaem no intelectualismo, do qual o compositor foi acusado pelo regime ditatorial de Josef Stalin. Na maior parte do tempo, porém, são facilmente assimilados por qualquer ouvinte, chegando a ser divertidos. O quanto dessa “facilidade” foi voluntária ou induzida pelo medo dos campos de trabalho forçado ainda está em aberto.</p>
<p>
<strong>FORMALISTA, VULGAR E PRIMITIVA</strong></p>
<p>
Na verdade, os problemas de Shostakovich com Stalin não eram bem musicais e nem derivavam do excesso de opacidade, mas, pelo contrário, se deviam ao excesso de transparência. Em 1936, o ditador ficou furioso depois de assistir a uma apresentação da ópera <em>Lady Macbeth</em> <em>de Mtsensk </em>– que não consta dessas gravações da Gostelradio – por enxergar no assassinato do sogro prepotente pela protagonista uma crítica a si próprio e a seu governo. Provavelmente tinha razão. Seja como for, logo um artigo intitulado <em>Desordem em Vez de Música</em>, no jornal <em>Pravda</em>, condenava a ópera por ser formalista, vulgar e primitiva. Não era um bom ano para cair em desgraça com Stalin: 1936 marca o início dos Grandes Expurgos, nos quais, acredita-se, algo em torno de 1,5 milhão de soviéticos foram presos ou mortos. Sem alternativa, Shostakovich acabou fazendo rapidamente uma autocrítica. O que surpreende é que, lidos hoje, os termos do pedido de desculpas soam bastante irônicos. Seus amigos, como Isaak Glikman, diziam que, se ele declarava “estou me sentindo ótimo”, talvez quisesse expressar o contrário.</p>
<p>
A Segunda Guerra, que se aproximava e que iria contrapor os soviéticos aos alemães, lhe daria a oportunidade de “fazer as pazes” com o regime, ao compor peças heroicas destinadas a elevar o moral da população. Uma de suas sinfonias mais famosas na URSS foi a <em>Sétima</em>, estreada em 1942 e intitulada <em>Leningrado</em>. A antiga São Petersburgo era a cidade onde o compositor nasceu. Ela ficaria sitiada pelas tropas de Adolf Hitler por 900 dias e sofreria com a fome. Deu-se um jeito de fazer a partitura superar o bloqueio, e a obra foi ouvida na terra de ninguém. Pode-se imaginar a comoção popular. No entanto, até nela, Shostakovich tratou de criticar o stalinismo, ainda que por tabela, ao atacar o nazismo, numa marcha sinistra que parodia o <em>Bolero </em>de Ravel. Totalitarismo, afinal, é totalitarismo. Essa visão se tornou corrente após a publicação, em 1979 (ou seja, depois da morte do compositor), de memórias supostamente ditadas a Solomon Volkov. No livro, Shostakovich ressurge como um dissidente sutil e injustiçado por seus pares, um opositor cujas mensagens nem sempre eram compreendidas.</p>
<p>
Duas sinfonias que estrearam após essa primeira grave crise do ex-menino prodígio com o regime – haveria outra, em 1948 – abrem a caixa do Acervo Russo, ambas sob a batuta de Yevgeny Mravisnky, justamente o seu primeiro regente: a <em>Quinta</em> e a <em>Sexta</em>. São consideradas mais convencionais do que as anteriores, mas, como tudo no autor, há nuances e beleza. Numa, o terceiro movimento (Largo, lento) é um ótimo exemplo da profundidade emocional alcançada. Noutra, o terceiro movimento (Presto, rápido) traz a ironia furiosa, também característica do autor. Entre outros destaques da caixa ora lançada no Brasil, estão transcrições para orquestra de câmara de nove prelúdios escritos para piano e do sombrio <em>Quarteto de Cordas Nº 8</em>, composto depois de uma visita à cidade alemã-oriental de Dresden. Em 1960, ela permanecia no estado ruinoso ao qual fora reduzida por bombardeios ingleses durante os estertores da Segunda Guerra. Mais uma vez, ao dedicar o quarteto “às vítimas do fascismo e da guerra”, Shostakovich soou ambíguo. Ninguém matou tantos alemães quanto os russos. E vice-versa.</p>
<div class="descricao-autor">
<p>
<strong>Arthur Dapieve</strong> é jornalista e escritor, autor do romance De Cada Amor Tu Herdarás Só o Cinismo.</p>
</div><div class="onde-quando">
<p>
<strong>OS ÁLBUNS</strong></p>
<p>
<em>Acervo Russo – Shostakovich (Biscoito Fino/Dell’Arte)</em>, caixa com quatro discos, que reúnem peças de Dmitri Shostakovich. Produção: Pipeline Music. Preço médio: R$ 90.</p>
</div>
Criações de Dmitri Shostakovich, reunidas em quatro discos, demonstram que o compositor russo manteve uma relação ambígua com o ditador Josef Stalin2012-01-27T15:44:23-02:00Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservadosEdição 173 - Janeiro 2012Criações de Dmitri Shostakovich, reunidas em quatro discos, demonstram que o compositor russo manteve uma relação ambígua com o ditador Josef StalinMúsicaBRAVO!BRAVO!http://bravonline.abril.com/materia/todos-cantam-tom-jobimTodos cantam Tom Jobim2012-01-18T12:22:53-02:00Redação
<p>
Um dos grandes nomes da bossa, Tom Jobim, é destaque na edição de janeiro de<strong>BRAVO!</strong>. A matéria<em>Um Banquinho, Um Avião</em>, assinada pelo jornalista e escritor Sérgio Cabral - também autor do livro<em>Antônio Carlos Jobim - Uma Biografia</em>-, retrata o lado intercontinental do compositor carioca. Suas canções ganharam fama mundial nas vozes de artistas como Ella Fitzgerald, Frank Sinatra e italiana Mina.</p>
<p>
Escute outras vozes interpretando canções do compositor:</p>
<p>
<object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="315" width="420"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/NNjLvAAE2e8?version=3&hl=pt_BR"/><embed allowscriptaccess="always" height="315" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="http://www.youtube.com/v/NNjLvAAE2e8?version=3&hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" width="420"/></object></p>
<p>
<object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="315" width="420"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/PbL9vr4Q2LU?version=3&hl=pt_BR"/><embed allowscriptaccess="always" height="315" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="http://www.youtube.com/v/PbL9vr4Q2LU?version=3&hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" width="420"/></object></p>
<p>
 </p>
<p>
<object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="315" width="420"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/zLNG1OcA6Ak?version=3&hl=pt_BR"/><embed allowscriptaccess="always" height="315" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="http://www.youtube.com/v/zLNG1OcA6Ak?version=3&hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" width="420"/></object></p>
<p>
<object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="315" width="420"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/8AMu4x7vPmk?version=3&hl=pt_BR"/><embed allowscriptaccess="always" height="315" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="http://www.youtube.com/v/8AMu4x7vPmk?version=3&hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" width="420"/></object></p>
<p>
<object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="315" width="560"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/cMCm1I25IJA?version=3&hl=pt_BR"/><embed allowscriptaccess="always" height="315" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="http://www.youtube.com/v/cMCm1I25IJA?version=3&hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" width="560"/></object></p>
<p>
<object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="315" width="420"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/BueNd0yfijo?version=3&hl=pt_BR"/><embed allowscriptaccess="always" height="315" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="http://www.youtube.com/v/BueNd0yfijo?version=3&hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" width="420"/></object></p>
<p>
 </p>
De Ella Fitzgerald a Iggy Pop, cantores de diferentes países e ritmos já inerpretaram as canções do compositor2012-01-12T17:02:40-02:00Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservadosDe Ella Fitzgerald a Iggy Pop, cantores de diferentes países e ritmos já inerpretaram as canções do compositorMúsicaBRAVO!BRAVO!http://bravonline.abril.com/materia/um-banquinho-um-aviaoUm Banquinho, Um Avião2012-01-18T12:22:35-02:00Sérgio Cabral
<p>
A trajetória internacional do autor de <em>Garota de Ipanema</em> – retratada no documentário <em>A Música Segundo Tom Jobim</em>, de Nelson Pereira dos Santos e Dora Jobim, que estreia neste mês – teve início em 1961. Foi quando, involuntariamente, o maestro e pianista carioca virou pelo avesso a política de divulgação das produções musicais norte-americanas, implantada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos. Naquela época, o governo de lá patrocinava excursões de renomados instrumentistas do jazz pelo mundo, e o Brasil os recebeu em grande número. Eles rapidamente se apaixonaram por nossa música e saíram daqui com as malas repletas de discos. Assim, as criações de Antonio Carlos Jobim (1927-1994) acabaram conquistando tanto êxito na América que, dali a pouco tempo, o brasileiro seria considerado pela crítica e pelos músicos locais um compositor tão importante quanto George Gershwin e Cole Porter.</p>
<p>
A isca foi o <em>Samba de Uma Nota Só</em>, canção de Tom e Newton Mendonça, que o trompetista Shorty Rogers e o trombonista Curtis Fuller gravaram em 1961. Logo depois, o genial trompetista Dizzy Gillespie ouviu o disco de João Gilberto lançado nos Estados Unidos e incluiu <em>Desafinado</em> (também da dupla Tom e Newton Mendonça) nas apresentações que fazia em Chicago, no Sutherland Lounge. Mas o sucesso mesmo só chegou quando o guitarrista Charlie Byrd, após se apresentar no Brasil, telefonou para Creed Taylor, produtor da gravadora Verve, e sugeriu realizar um disco apenas com músicas da bossa nova. Taylor lhe propôs dividir o álbum com o saxofonista Stan Getz. A gravação ocorreu no dia 13 de fevereiro de 1962, data em que o produtor, os dois músicos e mais alguns instrumentistas se reuniram num estúdio improvisado, na Sala Pierce, da Igreja Unitária de Todas as Almas, em Washington. Com um equipamento paupérrimo – um modesto gravador Ampex, cuja fita rodava na velocidade nada recomendada de 7 ½ –, conceberam o <em>long play Jazz Samba</em>. O disco vendeu mais de 1 milhão de cópias, número espantoso para a Verve na época (e ainda hoje).</p>
<p>
<strong>Quatro contra um</strong></p>
<p>
Em julho de 1962, outro motivo fez com que as composições de Tom Jobim ficassem ainda mais conhecidas nos Estados Unidos: a exibição por lá do filme ítalo-franco-brasileiro <em>Orfeu Negro</em>, adaptação da peça <em>Orfeu da Conceição</em>, de Vinicius de Moraes. Tom assinava tanto a trilha do espetáculo quanto a do longa. Em agosto do mesmo ano, ele, Vinicius, João Gilberto e Os Cariocas protagonizaram um show no restaurante Au Bon Gourmet, em Copacabana, que chamou a atenção de empresários norte-americanos. Resultado: em novembro, parte da turma se apresentaria no Carnegie Hall, principal casa de espetáculos de Nova York.</p>
<p>
Também em agosto daquele ano, Stan Getz gravou o disco <em>Big Band Bossa Nova</em>, incluindo nele <em>Chega de Saudade</em> (de Tom e Vinicius), que logo seria registrada por diversos cantores norte-americanos. No entanto, a versão criada pela dupla Hendricks-Cavanaugh provocou em Tom o primeiro de muitos desgostos com as transposições para o inglês das letras de suas músicas. Ele quase brigou, por exemplo, com o amigo Norman Gimbel porque o parceiro não queria colocar o nome da praia ao traduzir <em>Garota de Ipanema</em>. O pretexto era que o norte-americano comum não tinha a menor ideia do significado dessa palavra. Tom venceu a discussão e o planeta inteiro aprendeu que existe um lugar chamado Ipanema. A música, aliás, se tornou uma das mais gravadas e tocadas em todo o século 20.</p>
<p>
O medo de avião quase impediu Tom de participar do espetáculo no Carnegie Hall. Na véspera da viagem, o artista acabou convencido a embarcar pelo escritor Fernando Sabino, que foi à casa dele especialmente para tratar do assunto. “Você garante que o avião não vai cair, Fernando?”, perguntou. “Garanto”, respondeu o cronista. “Então eu vou.” O fato é que ele driblou a fobia e permaneceu vários meses nos Estados Unidos, onde fez diversos amigos entre os nomes mais famosos do jazz, além de gravar o álbum instrumental <em>The Composer of Desafinado, Plays</em>, considerado por muitos o melhor de sua carreira. Em 1967, retornou à América especialmente para dividir um disco com o mito Frank Sinatra.</p>
<p>
Converteu-se, assim, num dos músicos mais executados naquele país durante a década de 1960. A partir de 1964, só perdia para os Beatles, desvantagem que encarava com realismo e bom humor: “Eu sou apenas um. Eles são quatro”.</p>
<div class="descricao-autor">
<p>
<strong>Sérgio Cabral </strong>é jornalista, compositor e autor de Antonio Carlos Jobim – Uma Biografia.</p>
</div><div class="onde-quando">
<p>
<strong>O FILME</strong></p>
<p>
<em>A Música Segundo Tom Jobim</em>, de Nelson Pereira dos Santos e Dora Jobim. Estreia prevista para este mês.</p>
</div>
Alheias ao medo de voar que perseguia Tom Jobim, suas canções viajaram para os Estados Unidos e, depois, cruzaram o mundo, como demonstra o novo filme de Nelson Pereira dos Santos2012-01-18T10:48:03-02:00Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservadosEdição 173 - Janeiro 2012Alheias ao medo de voar que perseguia Tom Jobim, suas canções viajaram para os Estados Unidos e, depois, cruzaram o mundo, como demonstra o novo filme de Nelson Pereira dos SantosMúsicaBRAVO!BRAVO!http://bravonline.abril.com/materia/a-voz-e-o-tempoA Voz e o Tempo2011-12-29T11:23:30-02:00Pedro Alexandre Sanches
<p>
Até 2011, o mais célebre duelo com a tecnologia protagonizado por Gal Costa se chamava <em>Meu Nome É Gal</em>. A canção, de Roberto e Erasmo Carlos, está gravada na última faixa de seu disco de 1979, <em>Gal</em><em> Tropical</em>. Então com 34 anos, ela usava a composição para esgrimir a própria voz com os acordes da guitarra de Robertinho de Recife, a garganta humana desafiando e superando os sons agudos produzidos pelo instrumento. Hoje com 66 anos, a cantora baiana atualiza a batalha de <em>Meu Nome É Gal</em> em seu novo trabalho,<em> Recanto</em>, um álbum todo tomado pelo confronto entre mulher e computador. Onde a guitarra elétrica esteve um dia, agora se encontram softwares como o Auto-Tune (um programa afinador de vozes e instrumentos), sintetizadores e baterias eletrônicas. Das 11 faixas que integram o CD, apenas uma não se utiliza desses recursos.</p>
<p>
Mas a mais poderosa das máquinas com que Gal digladia é um homem: Caetano Veloso. Principal porta-voz do compositor conterrâneo desde as primeiras gravações, em 1965, ela havia registrado até aqui mais de oito dezenas de canções do amigo. <em>Recanto</em> expande a parceria: é o primeiro álbum de Gal formado exclusivamente por criações inéditas de Caetano. Aos 69 anos, o músico também atua como diretor artístico e produtor do projeto, dividindo a segunda função com seu filho mais velho, Moreno Veloso. Só havia ocupado tais posições num disco anterior de Gal, em 1974, o hippie e idílico <em>Cantar</em>.</p>
<p>
De sonoridade bastante contemporânea, <em>Recanto</em> conduz a intérprete a um ambiente parecido com o que Caetano construiu em seus dois discos solo de estúdio mais recentes, <em>Cê</em> (2006) e <em>Zii e Zie – Transambas</em> (2009), invadidos por músicos da geração de seus filhos. Entre os jovens alquimistas que acompanham e modernizam a voz da “Vaca Profana” (como Caetano a nomeou em 1984), estão Moreno e Zeca Veloso (outro filho do baiano), Kassin, Pedro Sá, Davi Moraes (filho do cantor Moraes Moreira) e Donatinho (filho do pianista João Donato). Na seção “velha guarda”, bem mais discreta do que a outra, figuram instrumentistas de gerações anteriores, como Jaques Morelenbaum, ao violoncelo.</p>
<p>
Quatro décadas e meia atrás, a guerra entre as violas enluaradas e as guitarras envenenadas marcou a geração heroica da MPB universitária. Ao se centrar no embate voz-computador, <em>Recanto</em> alude àquele período. Mas os tempos de 1967 estão mortos, e o novo confronto evoca mais uma proposta de pacto do que uma declaração de guerra. Por isso, talvez seja mais preciso falarmos em diálogo, e não em duelo, batalha, embate ou confronto.</p>
<p>
A faixa <em>Autotune Autoerótico</em> é a que melhor traduz o espírito do disco. Gal a inicia forçando a voz, de modo a lembrar uma matrona do Recôncavo Baiano. A garganta experimenta andar na corda bamba entre a afinação e a desafinação e termina reprocessada pelo Auto-Tune, num efeito robótico que a veterana cantora norte-americana Cher inaugurou em 1998, no álbum bem mais deslavadamente pop <em>Believe</em>. “Não, o Autotune não basta pra fazer o canto andar/ pelos caminhos que levam à grande beleza”, avisa Gal, de maneira espertamente contraditória. Por um lado, desanca o afinador de voz. Por outro, faz uso dele para obter efeitos que não alcançaria naturalmente.</p>
<p>
Há, no entanto, muitos outros núcleos de tensão criativa em <em>Recanto</em>, e dois dos maiores são <em>Miami Maculelê</em> e <em>Neguinho</em>. O primeiro obriga Gal a brincar com os sons eletrônicos e extremamente pop do funk carioca e dos fliperamas, enquanto a voz faz malabarismos com as sílabas de “são Dimas, Robin Hood e o anjo 45/ todos dançando comigo”. As citações conectam o Jorge Ben de 1969 (“Charles, anjo 45/ protetor dos fracos e dos oprimidos/ Robin Hood dos morros, rei da malandragem”) com os Racionais MC’s de 2002 (“aos 45 do segundo, arrependido/ é Dimas, o bandido/ primeiro vida loka da história”). O compositor baiano segue Mano Brown e equipara são Dimas, “o bom ladrão” do imaginário cristão, aos meninos das favelas brasileiras, enquanto prega a reconciliação entre o hip-hop paulistano e o funk carioca.</p>
<p>
<em>Negu</em><em>inho</em> é provavelmente o maior pulo do gato de Caetano no novo disco. A princípio, os versos parecem se referir a alguém que não é nem o compositor, nem a cantora, nem o público supostamente refinado que costuma acompanhá-los – uma referência muitas vezes crítica: “Neguinho compra três TVs de plasma, um carro GPS e acha que é feliz/ (...) neguinho vai pra Europa, States, Disney e volta cheio de si/ neguinho cata lixo no Jardim Gramacho”. Ao final, esclarece-se o enigma (“neguinho que eu falo é nós”) e a crítica vira autocrítica.</p>
<p>
Outro ponto que aguça a reflexão em <em>Recanto</em> diz respeito tanto ao autor quanto a Gal (ou a qualquer um que os ouve). No disco <em>Cê</em>, Caetano despistava as dores de envelhecer com afirmações de potência sexual. Desta vez, porém, tais dores aparecem explícitas. “Tudo dói”, frase repetida inúmeras vezes pela cantora na faixa de mesmo nome, é exemplo que soaria quase engraçado, não fosse o tom soturno da gravação e os versos amaros: “Viver é um desastre que sucede a alguns”.</p>
<p>
<strong>Tristeza Profunda</strong></p>
<p>
Se em 2005 a intérprete gravara uma composição de Caetano denominada <em>Luto</em>, hoje a canção <em>Madre Deus</em> vai mais longe. Mira a morte de frente, sem meios-tons, sob melodia monótona revestida de ruídos ríspidos, desagradáveis: “Meu corpo todo desmede-se/ despede-se de si”, “frente ao infindo/ costas contra o planeta/ já sou a seta sem direção/ instintos e sentidos extintos/ mas sei-me indo”.</p>
<p>
Os temas de morte e envelhecimento são os mais nítidos, mas não os únicos a afirmar que a tristeza é um dos (muitos) legados tropicalistas – não estamos mais nos anos 1990, quando músicas como <em>A Luz de Tieta</em> (1996) diluíam a melancolia em profissão de fé na alegria feroz da axé music. Nessa linha, <em>Recanto</em> <em>Escuro </em>constitui outro dos núcleos nervosos do CD. A voz potente de Gal e a linda e grave melodia são perturbadas o tempo todo por interferências de rádio, ou agulhas raspando no vinil, ou coisa que o valha. “Eu venho de um recanto escuro”, “o álcool me faz chorar”, “só Deus sabe o duro que eu dei”, assume a voz sofrida da cantora.</p>
<p>
“Tristeza profunda” é um termo que surge explícito em <em>Segunda</em>, a faixa de encerramento. É o único recanto totalmente orgânico, analógico de <em>Recanto</em>, com Moreno Veloso solando no violão, no violoncelo, no prato e na faca, num arranjo sertanejo-urbano, profundamente nordestino. A letra adota perspectiva proletária, de um(a) protagonista egresso(a) do processo de ascensão das classes C e D no Brasil. “Não vejo o nascer do dia/ mas pela Virgem Maria/ tenho dinheiro e patrão”, “eu mesmo sou mei galego/ o meu chefe no emprego/ é que é mulato pra negro:/ só ecos da escravidão”, “mas agora a minha sala/ tem geladeira de gala/ à dele quase se iguala/ muda o mundo em barafunda”.</p>
<p>
Neguinho pode padecer de tristeza profunda, mas também luta bravamente para compreender a sociedade em que vive e para se transformar, como já fazia antes mesmo de se inventar tropicalista. Neguinho é Gal, é Caetano, é nós.</p>
<div class="descricao-autor">
<p>
<strong>Pedro Alexandre Sanches</strong> é jornalista, autor do livro Tropicalismo – Decadência Bonita do Samba (Boitempo).</p>
</div><div class="onde-quando">
<p>
<strong>O DISCO</strong></p>
<p>
<em>Recanto </em>(Universal), de Gal Costa. Produção: ­Caetano e Moreno Veloso. Preço médio: R$ 30.</p>
</div>
Em novo disco, Gal Costa interpreta apenas composições inéditas de Caetano Veloso e trava um inesperado diálogo com softwares que alteram o som. Enquanto tenta se modernizar, também expõe as dores do envelhecimento2011-11-28T15:59:19-02:00Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservadosEdição 172 - Dezembro 2011Em novo disco, Gal Costa interpreta apenas composições inéditas de Caetano Veloso e trava um inesperado diálogo com softwares que alteram o som. Enquanto tenta se modernizar, também expõe as dores do envelhecimentoMúsicaBRAVO!BRAVO!http://bravonline.abril.com/materia/sem-perder-a-ternuraSem perder a Ternura2011-12-29T10:24:50-02:00José Flávio Júnior
<p>
A audição do novo álbum de Leslie Feist é lição de casa para cantoras antenadas do mundo inteiro. Canadense, 35 anos, ela teve um grande êxito comercial em 2007, quando soltou seu terceiro disco de estúdio, <em>The Reminder</em>. Seu folk rock saiu do <em>underground</em> graças à utilização da faixa <em>1234</em> num comercial do iPod Nano. Com o <em>hit</em> nas paradas, outras preciosidades do CD (<em>I Feel It All, My Moon My Man</em>) foram sendo descobertas e usadas em séries de TV e filmes. Até<em> Mushaboom</em>, lançada no disco de 2004, voltou a ter boa execução. Nos anos seguintes, foi possível sentir um pouquinho de Feist em quase todas as cantoras que se deram bem no mercado adulto: Florence Welch (do Florence and The Machine), Yaël Naïm, Corinne Bailey Rae (em seu segundo e introspectivo trabalho) etc.</p>
<p>
Não que Feist tenha inventado a roda ou seja o farol de uma geração de intérpretes. Mas ela inaugurou uma tendência no pop: a das canções autorais com toques experimentais e letras densas, que ainda assim soam fofas, acessíveis, prontas para sonorizar cenas de amor ou propagandas da Apple. Seu quarto álbum comprova a tese. <em>Metals</em> é mais angustiado do que o antecessor. A primeira faixa diz que, quando um homem bom e uma mulher boa não conseguem encontrar o que há de bom neles, emerge o pior de cada um <em>(The Bad in Each Other)</em>. Já o nome do tema seguinte fala por si só: <em>Graveyard </em>(cemitério). Mas os arranjos, repletos de sopros, violinos e corais, não deixam o ouvinte deprimido.</p>
<p>
A cantora dos “virais”</p>
<p>
Um dos pontos altos do repertório é <em>A Commotion,</em> que descreve um cenário apocalíptico nas estrofes. Até que pinta o refrão, e um coro de vozes masculinas grita o título da faixa. É tão surpreendente que chega a ser cômico, dando novo sentido ao clima tenso criado anteriormente. Feist completa o refrão sussurrando: “Se isso acaba contigo/ o rancor ainda domina teu coração”. <em>How Come You Never Go There</em>, primeiro single do CD, traz outra passagem poética, que em breve deverá pipocar no Facebook de quem enfrenta problemas no relacionamento. “O quarto está cheio, mas os corações estão vazios/ como as cartas que você nunca me mandou/ palavras são como um laço/ mas você é uma música instrumental.”</p>
<p>
Menos amarga, <em>The Circle Married the Line</em> tem potencial para ser a <em>1234 </em>do disco. Ao piano, Feist conduz uma belíssima melodia, cantando que tudo que ela quer é uma linha do horizonte. A faixa é sucedida por <em>Bittersweet Melodies</em>, outra que periga ser “viralizada”. Com certeza, as tais cantoras antenadas estarão atentas a esse lançamento. Seja para entender o tempo em que vivem, seja só para apreciar mais uma obra bonita de uma artista que tem algo a mostrar.</p>
<div class="descricao-autor">
<p>
<strong>José Flávio Júnior</strong> é jornalista.</p>
</div><div class="onde-quando">
<p>
<strong>O ÁLBUM</strong></p>
<p>
<em>Metals </em>(Universal), de Feist. Produtores: Feist, Chilly Gonzales, Mocky e Valgeir Sigurdsson. Preço médio: R$ 30.</p>
</div>
“Metals”, o novo trabalho da compositora canadense Feist, ainda mantém a linha de canções fofas com letras densas e toques experimentais2011-12-29T10:24:50-02:00Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservadosEdição 172 - Dezembro 2011“Metals”, o novo trabalho da compositora canadense Feist, ainda mantém a linha de canções fofas com letras densas e toques experimentaisMúsicaBRAVO!BRAVO!http://bravonline.abril.com/materia/arautos-do-amor-e-do-prazerArautos do Amor (e do Prazer)2011-12-19T15:03:51-02:00Inês Pedrosa
<p>
Devo às canções do Brasil a minha fé no amor. Não é coisa pouca nem leve; acredito no amor como outros acreditam na Virgem de Fátima: à revelia dos tropeços das histórias e do ceticismo da História. Não há lágrima que eu não transforme em prisma de uma nova visão do mundo, nem ruínas de ilusão sob as quais não encontre o sinal de uma alegria maior. As canções brasileiras, em particular as de Caetano Veloso e Chico Buarque, deram-me um doutorado naquilo a que o Padre Antônio Vieira chamou “amor fino” – o amor a fundo perdido. Não há outro; ao amor que espera retorno podemos chamar investimento, vaidade, medo ou comodismo. Podemos até decidir ser felizes através dele. Mas o amor digno desse nome não cuida de enredos ou desenlaces; é, como escreveu Ovídio, uma arte, com o que isso significa de coragem e entrega. A arte exige o dom da metamorfose e um alto grau de domínio perante a dor. O artista, como o amante, tem de ser capaz de sair da sua própria pele para se colocar dentro da pele do outro. Esvaziando-se na entrega, ganha também imunidade à dor – há sempre um lado seu que contempla, de fora, como um Deus, a obra que dentro de si se está gerando.</p>
<p>
Tudo isso existe, em sublime condensação, no casamento entre música e letra – e assim o Brasil deu de 10 a 0 em toda a história da filosofia, de Ovídio e Platão a Kant e Nietzsche. “Se você tem uma ideia incrível é melhor fazer/ uma canção/ está provado que só é possível filosofar/ em alemão.” A receita é de Caetano, em <em>Língua</em>, a melhor canção alguma vez escrita. Estava tentada a acrescentar “em língua portuguesa”, mas a tese que aqui se expõe é a de que a língua portuguesa é responsável pela criação das mais perfeitas canções. Parece-vos imperialista? Presunçoso? Etc.? Então deixo-vos um exercício simples: traduzam as letras dos Beatles. Podem começar por <em>Yesterday</em>, vá; se eu fosse cruel, lembrava <em>All You Need Is Love</em> ou <em>Michelle</em>. Sim, podem prosseguir com o <em>Imagine, </em>do John Lennon. Para subir o nível do debate, incluamos até o excelso Serge Gainsbourg: convenhamos que “<em>je vais et je viens/ entre tes reins</em>” (“vou e volto/ entrelaçado em seu dorso”, trecho de <em>Je T’Aime... Moi Non Plus</em>) não tem a força erótica de “estou-me a vir/ e tu, como te tens por dentro?/ porquê não te vens também?” (letra completa de <em>Porquê?</em>, de Caetano Veloso). Só os portugueses gritam que vêm a si através do corpo do amante. E só um brasileiro ousou fazer desse grito íntimo um manifesto poético. Porque só os brasileiros clamam que estão gozando (num gerúndio lento, benza-os Deus) no auge da entrega física. Os portugueses apenas usam o verbo gozar contra alguém. O português é púdico em público e desbragado na intimidade, o brasileiro pelo contrário – genericamente falando, claro.</p>
<p>
<strong>Angélica, Bárbara, Beatriz...</strong></p>
<p>
Cumpre ressalvar que Chico Buarque deveria receber o Prêmio de Excelência do Sindicato Internacional das Prostitutas: estou certa de que cancioneiro algum contém tantas canções dedicadas a exaltar as qualidades humanas e a odisseia existencial dessas profissionais. É também o autor que mais compôs para as mulheres ou em nome delas – ressuscitando a tradição da lírica medieval galego-portuguesa. Numa pesquisa breve, encontrei canções suas em que aparecem os seguintes nomes: Ana de Amsterdam (“sou Ana de 20 minutos/ sou Ana da brasa dos brutos na coxa”), Angélica, Bárbara (duas canções), Beatriz, Carolina, Cecília, Cristina, Geni, Iracema, Januária, Joana Francesa, Lia, Lola, Luísa, Luiza, Madalena, Maria (duas canções), Maricotinha, Nina, Renata Maria, Rita, Rosa, Sílvia, Teresinha e Tereza Tristeza. Isto além das de Atenas, das dançarinas, das que fazem cinema, da pequena de cabelo cor de abóbora e das múltiplas Morenas. As morenas de olhos “negros como breu” ou “negros cruéis” são, aliás, tema central tanto na obra de Chico como na de Caetano: as musas podem ir da preta-com-biquíni-amarelo à morena-de-olhos-de-água, mas nunca há qualquer concessão à iconografia popular da loura. Em compensação, Caetano tem pelo menos uma dúzia de canções cujo título começa, implícita ou explicitamente, por “eu”. Ninguém foi tão longe, melodicamente, na decomposição cirúrgica do ego: numa das canções de <em>Recanto</em>, o disco vanguardista que acaba de criar para a voz onipotente de Gal Costa, brinca com gênio: “O menino sou eu/ o menino é eu”.</p>
<p>
Poderíamos detectar um mundo de outros pontos comuns, mas o interessante nessas duas figuras maiores da canção brasileira encontra-se nas diferenças, que fazem com que, em Portugal, exista um campeonato permanente entre os defensores de Chico e os de Caetano. Nesse vício mental do duelo, Portugal e Brasil são muito parecidos. Funcionamos num modelo passional puro – e exacerbamo-lo, pelo prazer do confronto e pelo sonho do absoluto.</p>
<p>
O rigor obrigar-nos-ia a incluir neste texto pelo menos os nomes de Gilberto Gil e Adriana Calcanhotto, compositores muito acarinhados em Portugal. Mas, na hora da verdade, a discussão – estética e política – centra-se sempre nesse par contrastante. Chico é o preferido dos que prezam a coerência da forma; Caetano, dos que amam acima de tudo a criatividade sem limites, a escuta contínua do futuro. Creio que Caetano se sentiu sempre mais livre para experimentar, no que se refere à composição musical, porque nunca se encarou verdadeiramente como um músico. Mas as suas letras de canções merecem o título de poesia, pertencem à literatura como os romances de Chico – em ambos “os vocábulos iridescem”, como escreve Caetano em <em>Tudo Dói</em> (in <em>Recanto).</em> As letras de Chico são micronarrativas (um exemplo máximo é <em>Sinhá</em>, do seu disco mais recente); as de Caetano, poesia pura – e compactos de filosofia (vide <em>Sexo e Dinheiro</em>, novamente em <em>Recanto)</em>. Chico cria heterônimos, personagens, outras vidas; Caetano implode em vez de se desdobrar; não tem vários dentro de si – é, ele mesmo, inteiramente vário.</p>
<p>
Nos últimos anos, ambos denotam uma capacidade de síntese inédita: o novo disco de Chico é a versão-haicai do seu trabalho de sempre; e o mesmo acontece com o álbum <em>Zii e Zie</em>, de Caetano, ou agora com <em>Recanto</em>, embora o trabalho de sempre do baiano tenha sido o de nunca repetir um registro. Porém, num e noutro caso, os versos surgem rarefeitos, limados até o osso – e a composição musical é também depurada, levada à sua essência. O escritor argentino Jorge Luis Borges dizia que, enquanto jovens, somos barrocos por timidez – e por arrogância, em particular desde que a juventude se erigiu como culto sagrado, acrescentaria eu. A energia concentrada das mais recentes obras de Caetano e Chico demonstra a exatidão das palavras de Borges – a maturidade consiste no reconhecimento da luz. Como o amor.</p>
<p>
As canções de Caetano e Chico revolucionaram o nosso modo de ser e de amar. Creio que a revolução foi mais visível e veloz em Portugal. O Brasil já tinha uma tradição de música popular muito consistente; Portugal acordou para o mundo com a Revolução dos Cravos, em abril de 1974, tendo como único esteio musical identitário o fado, que cheirava (embora injustamente) a conformismo e resignação. As novas gerações nem sequer davam ao fado o benefício da dúvida – e o que disso sobrava era a canção chamada de intervenção, designação que viria a pouco e pouco a ser revista, com o reconhecimento do lirismo criador de nomes como Zeca Afonso, Sérgio Godinho ou José Mário Branco. Mas a música do Brasil era a banda sonora da existência de uma juventude que inaugurava a liberdade, o desejo e o orgulho na sua língua.</p>
<p>
<strong>Tamanco</strong></p>
<p>
Chico e Caetano foram os arautos e mestres da emancipação erótica dos portugueses, e a canção brasileira afirmou-se como um programa filosófico que vê o enamoramento como porta de acesso à sabedoria e à afirmação da identidade – pela fusão ou pela sobrevivência à separação. Nunca há o “<em>why she had to go</em>” (“por que ela teve de ir”, trecho da canção <em>Yesterday</em>), mas sempre, e pelo contrário, a lucidez que o encantamento ou a desilusão acendem: o conhecimento pelo sangue, como resposta corajosa e convicta diante de qualquer hipótese de “explicação” lógica ou racional. O seu fascínio reside na falta desse triturador que é “a análise da relação”. A canção inglesa ou norte-americana pressupõe um <em>why</em> – pretende que o amor tenha uma lógica e se desenrole como um <em>western</em>, com índios maus e caubóis valentes. Aquela coisa protestante: razão, culpa e expiação. O brasileiro não: metade das canções de dor-de-corno são listagens de memórias de um passado que se acarinham ou xingam como a um animal doméstico (“não, nada irá neste mundo/ apagar o desenho que temos aqui” ou, sucintamente, “tudo dói”) ; a outra metade são encenações de uma felicidade póstuma e vingativa (“quantos homens me amaram/ bem mais e melhor que você”). E as canções de amor feliz são relatos eróticos, tecidos com a precisão de um relato de futebol. Mesmo as canções mais judiciais não comportam a culpa: em vez de qualquer coisa como “você não vê o mal que me fez?”, temos “perua, piranha/ minha energia é que mantém você suspensa no ar”. O que é, convenhamos, muito mais positivo. As pessoas apaixonam-se pelo amor porque ele é contraditório, desregrado, feliz, desesperado, sôfrego e autocentrado. Impaciente, numa vida cada vez mais orquestrada para a paciência.</p>
<p>
Quando quero ir até o fundo da fossa, sigo o <em>Bom Conselho</em> de Chico: “Inútil dormir que a dor não passa”, ou abro a torneira com <em>Sem Você Nº 2</em>: “Sem você/ é um silêncio tal/ que ouço uma nuvem/ a vagar no céu/ ou uma lágrima cair no chão”. Se quero sair dela, o avesso desse conselho ilumina-me no <em>Pecado Original</em> de Caetano (“todo corpo em movimento/ está cheio de inferno e céu”) ou na fulgurante <em>Segunda</em>, que encerra o novo disco de Gal: “Vou arrastar meu tamanco/ no sábado aguento o tranco”. Quando se trata de virar a mesa e andar para a frente, o <em>Samba do Grande Amor</em> de Chico dança com <em>Desde que o Samba É Samba</em>, de Caetano. Em caso de dúvida, épicos como <em>Sem Fanta</em>sia ou <em>O Quereres</em> reacendem a minha fé nessa entidade que nos leva efetivamente ao céu. É só isso.</p>
<div class="descricao-autor">
<p>
<strong>Inês Pedrosa</strong> é jornalista e escritora, autora do romance Fazes-me Falta, entre outros.</p>
</div>
As canções brasileiras – em especial as de Chico e Caetano – contribuíram decisivamente para o amadurecimento afetivo e a emancipação erótica dos portugueses2011-12-19T15:03:51-02:00Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservadosEdição 172 - Dezembro 2011As canções brasileiras – em especial as de Chico e Caetano – contribuíram decisivamente para o amadurecimento afetivo e a emancipação erótica dos portuguesesMúsicaBRAVO!BRAVO!http://bravonline.abril.com/materia/dicas-da-semana-diurnoDicas da Semana: <em>Diurno</em>2011-12-08T20:07:02-02:00
<p>
<em>Diurno</em> é o nome do primeiro disco do grupo Ava, composto por Nana Carneiro da Cunha, Daniel Castanheira, Emiliano 7 e Ava Rocha. O projeto da banda, que já tem 9 anos de estrada, já foi elogiado por Caetano Veloso e Jards Macalé. Ouça o podcast.</p>
<p>
<object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="81" width="100%"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="https://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F30104486"/><embed allowscriptaccess="always" height="81" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="https://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F30104486" type="application/x-shockwave-flash" width="100%"/></object></p>
<p>
Ava, <em>Movimento dos Barcos</em></p>
<p>
<object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="315" width="560"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/cQr7GO7ShdY?version=3&hl=pt_BR&rel=0"/><embed allowscriptaccess="always" height="315" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="http://www.youtube.com/v/cQr7GO7ShdY?version=3&hl=pt_BR&rel=0" type="application/x-shockwave-flash" width="560"/></object></p>
Repórter de Música de <strong>BRAVO!</strong>, Barbara Heckler fala de <em>Diurno</em>, primeiro disco do grupo Ava2011-12-08T19:49:32-02:00Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados8 de dezembro de 2011Repórter de Música de BRAVO!, Barbara Heckler fala de Diurno, primeiro disco do grupo AvaMúsicaBRAVO!BRAVO!http://bravonline.abril.com/materia/dicas-da-semana-musica-romanceDicas da Semana: <em>Música Romance</em>2011-12-02T11:56:16-02:00
<p>
Que o repertório do compositor de Pérola Negra é rico, muitos já sabem. Enquanto prepara seu próximo álbum de inéditas, Luiz Melodia chega a São Paulo com seu show <em>Música Romance</em>, inspirado, principalmente, em sua coleção de sambas. No repertório estão presentes canções como <em>Cuidando de Você</em>, de sua autoria, e <em>Tudo foi Ilusão</em>, de Anísio Silva, entre outras. Ouça o podcast.</p>
<p>
<object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="81" width="100%"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="https://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F29538889"/><embed allowscriptaccess="always" height="81" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="https://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F29538889" type="application/x-shockwave-flash" width="100%"/></object></p>
<p>
<em>Música Romance</em>, de Luiz Melodia</p>
<p>
2 e 3 de dezembro</p>
<p>
Teatro Paulo Autran/ Sesc Pinheiros</p>
<p>
Rua Paes Leme, 195, Pinheiros, São Paulo-SP</p>
<p>
<a href="http://www.sescsp.org.br/">www.sescsp.org.br</a></p>
<p>
R$ 32</p>
Repórter de Música de<strong> BRAVO!</strong>, Barbara Heckler fala sobre apresentação do cantor Luiz Melodia2011-12-01T18:19:42-02:00Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados1 de DezembroRepórter de Música de BRAVO!, Barbara Heckler fala sobre apresentação do cantor Luiz MelodiaMúsicaBRAVO!BRAVO!http://bravonline.abril.com/materia/o-refugio-de-mehmariO refúgio de Mehmari2011-12-02T09:09:12-02:00Por Redação
<p>
A música está presente na vida de André Mehmari desde cedo: sua mãe entrou em trabalho de parto enquanto tocava piano. No disco <em>Canteiro</em>, o compositor faz seu primeiro mergulho no universo da canção e se utiliza de composições suas, além de contar com a participação de músicos como Mônica Salmaso, António Zambujo e Luiz Tatit, entre tantos outros. Veja mais imagens da casa de André – que também lhe serve como estúdio - e assista ao vídeo sobre o novo trabalho do artista.</p>
<p>
<object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="225" width="400"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=30054093&server=vimeo.com&show_title=0&show_byline=0&show_portrait=0&color=&fullscreen=1&autoplay=0&loop=0"/><embed allowscriptaccess="always" height="225" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=30054093&server=vimeo.com&show_title=0&show_byline=0&show_portrait=0&color=&fullscreen=1&autoplay=0&loop=0" type="application/x-shockwave-flash" width="400"/></object></p>
Compositor e instrumentista niteroiense é o destaque do Retrato do Artista deste mês2011-11-30T16:17:10-02:00Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservadosDezembro de 2011Compositor e instrumentista niteroiense é o destaque do Retrato do Artista deste mêsMúsicaBRAVO!BRAVO!http://bravonline.abril.com/materia/uma-gal-costa-modernaUma Gal Costa moderna e crítica2011-12-02T09:08:52-02:00Por Redação
<p>
Aos 66 anos, Gal Costa revive uma das mais duradouras parcerias da música popular brasileira. Apenas com canções inéditas de Caetano Veloso, a cantora baiana lança em dezembro o álbum <em>Recanto</em>. Nele, trava um diálogo com seu próprio envelhecimento - exposto em várias canções do disco - e softwares de produção musical. Ouça um trecho de <em>Neguinho</em>, faixa em que faz uma autocrítica da sociedade consumista brasileira.</p>
<p>
<object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="81" width="100%"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="https://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F28955386"/><embed allowscriptaccess="always" height="81" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="https://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F28955386" type="application/x-shockwave-flash" width="100%"/></object></p>
<p>
<em>Recanto</em> (Universal)</p>
<p>
de Gal Costa</p>
<p>
Produção: Caetano e Moreno Veloso</p>
<p>
Preço médio: R$ 30.</p>
Ouça trecho de uma música do novo disco da cantora2011-11-25T15:52:38-02:00Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservadosDezembro de 2011Ouça trecho de uma música do novo disco da cantoraMúsicaBRAVO!BRAVO!http://bravonline.abril.com/materia/dicas-da-semana-banda-sinfonica-rock-brasileiroDicas da Semana: <em>Banda Sinfônica – Rock Brasileiro</em>2011-12-02T09:08:46-02:00
<p>
Neste fim de semana, guitarras e violinos se juntarão no teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo. Ao lado de roqueiros como Kid Vinil e Luiz Carlini, a Banda Sinfônica do Estado de São Paulo apresentará um concerto de uma retrospectiva do rock nacional. Ouça o podcast.</p>
<p>
<object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="81" width="100%"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="https://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F28882770"/><embed allowscriptaccess="always" height="81" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="https://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F28882770" type="application/x-shockwave-flash" width="100%"/></object></p>
<p>
<em>Banda Sinfônica – Rock Brasileiro</em></p>
<p>
25, 26 e 27 de Novembro</p>
<p>
Teatro Sérgio Cardoso</p>
<p>
Rua Rui Barbosa, 153, Bela Vista- São Paulo/SP</p>
<p>
Sex. e sáb. às 21h30, dom. às 18h</p>
<p>
R$ 30</p>
Repórter de Música de <strong>BRAVO!</strong>, Barbara Heckler fala de concerto sobre a história do rock brasileiro2011-11-24T17:15:44-02:00Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados24 de Novembro de 2011Repórter de Música de BRAVO!, Barbara Heckler fala de concerto sobre a história do rock brasileiroMúsicaBRAVO!BRAVO!http://bravonline.abril.com/materia/mais-ecletica-do-que-nunca-precisa-como-sempreMais Eclética do que nunca, precisa como sempre2011-12-02T09:08:43-02:00Arthur Dapieve
<p>
Na metade final dos anos 80, a iniciante Marisa Monte viu-se perseguida por um rótulo: “cantora eclética”. Isso marcava tanto quem, como ela, era capaz de cantar Titãs, Candeia e Kurt Weill com personalidade quanto quem, como dúzias de intérpretes na cola dela, atirava em todas as direções para ver se acertava em alguma. Desde então, sua carreira pode ser entendida como a tentativa de torná-la uma “cantora focada”. O auge disso foram os dois álbuns lançados juntos em 2006, <em>Universo ao Meu Redor</em> e <em>Infinito Particular</em>. Carecia escutá-los com muita, muita atenção para notar diferenças entre eles.</p>
<p>
O novo disco de Marisa, hoje com 44 anos, felizmente rompe com a dupla de antecessores. Cada uma das 14 faixas de <em>O que Você Quer Saber de Verdade</em> tem caráter próprio, o que dá movimento ao conjunto. E meia dúzia delas têm méritos que logo saltam aos ouvidos. Divulgada no YouTube no final de setembro, a música <em>Ainda Bem</em> atraiu em duas semanas 700 mil visitas. Tanto quanto o belo clipe em preto e branco dirigido por Dora Jobim, no qual Marisa dança com o lutador Anderson Silva, a razão de tanta audiência é a música em si, claro.</p>
<p>
<strong>ZONA DE CONFORTO POP</strong></p>
<p>
Parceria de Marisa com Arnaldo Antunes, <em>Ainda Bem</em> tem um ar latino, no qual sobressai o violão do argentino Gustavo Santaollala (compositor da trilha de <em>Diários de Motocicleta</em>, o filme de Walter Salles Jr.). No disco, ela vem em seguida a <em>Lencinho Querido</em>, versão em português para o tango <em>El Panuelito</em>, outrora cantado por Dalva de Oliveira. Gravada em Buenos Aires com o grupo de veteranos Café de Los Maestros, criado por Santaollala, a faixa tem uma dimensão grandiosa e melancólica, que arranca Marisa da zona de conforto pop, na qual ela tinha se instalado nos últimos dez anos.</p>
<p>
Porém, até quando mantém pé e meio no pop, o novo disco o faz com sentimento. <em>Depois</em>, de Marisa, Arnaldo e Carlinhos Brown, ou seja, os Tribalistas, é um roquinho Jovem Guarda que ficaria bonito no começo da discografia de Roberto Carlos. O mesmo pode ser dito de <em>Aquela Velha Canção</em>, dela com Brown, que tem um achado na letra: “Não vou te mandar pro inferno/ Porque eu não quero/ E porque fica muito longe daqui”. Já <em>O Que Se Quer</em>, com Rodrigo Amarante, faz pensar no trabalho “étnico” do grupo norte-americano Beirut. E <em>Seja Feliz</em>, com Antunes e Dadi, bate mais forte para falar de nossa insignificância no Universo. Insignificante é palavra que não se aplica ao novo CD de Marisa Monte.</p>
<div class="onde-quando">
<p>
<strong>O ÁLBUM</strong></p>
<p>
<em>O que Você Quer Saber de Verdade </em>(EMI), de Marisa Monte. Preço Médio: R$ 29,90.</p>
</div>
Em seu novo CD, a cantora Marisa Monte volta a atirar em várias direções – e acerta a maior parte dos disparos2011-11-24T11:44:21-02:00Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservadosEdição 171 - Novembro 2011Em seu novo CD, a cantora Marisa Monte volta a atirar em várias direções – e acerta a maior parte dos disparosMúsicaBRAVO!BRAVO!