BRAVO! - Sala de Aula http://bravonline.abril.com.br/feed/atom 2012-04-20T15:28:24-03:00 BRAVO! http://bravo4.abrilm.com.br/imagem/favicon.ico Bravo! Cultura no Brasil - Feed Sala de Aula Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados http://bravonline.abril.com/materia/os-irmaos-villas-boas-e-o-xingu Os irmãos Villas Bôas e o Xingu 2012-04-20T15:28:24-03:00 Luiz Gustavo Santos Cota <p> <strong>Introdu&#xE7;&#xE3;o</strong></p> <p> Desde os primeiros anos de conquista europ&#xE9;ia nas terras que hoje conhecemos como Brasil, seus donos genu&#xED;nos foram muitas vezes vistos como perigosos, selvagens e um entrave para aquilo que os povos ditos civilizados costumam chamar de progresso. Ao longo do nosso complexo processo de constru&#xE7;&#xE3;o de na&#xE7;&#xE3;o, os povos ind&#xED;genas foram sendo incorporados &#xE0; no&#xE7;&#xE3;o de povo brasileiro por meio de uma perspectiva que desprezou seus modos de vida e sua rela&#xE7;&#xE3;o com o territ&#xF3;rio, colocando-os &#xE0; margem, sempre em nome dos chamados interesses nacionais.</p> <p> O filme Xingu, do diretor Cao Hamburger e assunto do texto Cal&#xE7;a Osklen e t&#xEA;nis Nike no Xingu (publicado na revista Bravo!) oferece a oportunidade de refletir sobre a atua&#xE7;&#xE3;o decisiva dos irm&#xE3;os Leornardo, Cl&#xE1;udio e Orlando Villas B&#xF4;as na tentativa de defender os povos ind&#xED;genas do Alto Xingu diante de uma constante sanha de progresso. Levantar tal reflex&#xE3;o em sala de aula &#xE9; o objetivo central deste plano.</p> <p> <strong>Objetivos</strong></p> <p> - Discutir os seguintes aspectos das expedi&#xE7;&#xF5;es lideradas pelos irm&#xE3;os Villas B&#xF4;as: contexto hist&#xF3;rico, impacto na constru&#xE7;&#xE3;o de uma pol&#xED;tica nacional de prote&#xE7;&#xE3;o aos povos ind&#xED;genas e papel na cria&#xE7;&#xE3;o do Parque Ind&#xED;gena do Xingu e da Funda&#xE7;&#xE3;o Nacional do &#xCD;ndio (Funai).</p> <p> - Refletir sobre os desafios atuais enfrentados pelas popula&#xE7;&#xF5;es ind&#xED;genas contatadas pelos irm&#xE3;os Villas B&#xF4;as.</p> <p> <strong>Conte&#xFA;dos</strong></p> <p> <strong>-</strong> Irm&#xE3;os Villas B&#xF4;as.</p> <p> - Pol&#xED;ticas de ocupa&#xE7;&#xE3;o territorial.</p> <p> - Parque Ind&#xED;gena do Xingu.</p> <p> - Funai.</p> <p> - Desafios atuais das popula&#xE7;&#xF5;es xinguanas.</p> <p> <strong>Tempo estimado</strong></p> <p> Tr&#xEA;s aulas.</p> <p> <strong>Material necess&#xE1;rio</strong></p> <p> C&#xF3;pias da reportagem Cal&#xE7;a Osklen e t&#xEA;nis Nike no Xingu (Bravo!) para todos os alunos, c&#xF3;pias da Carta Final do I Festival de Culturas Xinguanas e computador com acesso &#xE0; internet.</p> <p> <strong>Desenvolvimento </strong></p> <p> <strong>1&#xAA; aulaRumo ao "Brasil Profundo" </strong></p> <p> Inicie a aula perguntando aos alunos o que eles sabem a respeito do Parque Ind&#xED;gena do Xingu: onde se localiza, quando foi criado, quais s&#xE3;o seus principais problemas. Registre as informa&#xE7;&#xF5;es levantadas pela turma e comente que a partir de agora voc&#xEA;s come&#xE7;ar&#xE3;o um trabalho com o objetivo de discutir a forma&#xE7;&#xE3;o desse territ&#xF3;rio ind&#xED;gena, a cria&#xE7;&#xE3;o da Funda&#xE7;&#xE3;o Nacional do &#xCD;ndio (Funai) e a atua&#xE7;&#xE3;o dos irm&#xE3;os sertanistas Leonardo, Cl&#xE1;udio e Orlando Villas B&#xF4;as.</p> <p> Exiba o <a href="http://bit.ly/A8h2y7">trailer</a> do filme Xingu divida a turma em grupos e distribua c&#xF3;pias da mat&#xE9;ria Cal&#xE7;a Osklen e t&#xEA;nis Nike no Xingu. Depois da leitura coletiva da reportagem, conte aos alunos que ocupar o interior do Brasil foi uma preocupa&#xE7;&#xE3;o constante dos governantes, por diferentes raz&#xF5;es, desde os nossos tempos de col&#xF4;nia. Diga tamb&#xE9;m que esses planos sempre esbarraram na exist&#xEA;ncia de ocupantes leg&#xED;timos do territ&#xF3;rio: os povos ind&#xED;genas.</p> <p> A necessidade de explorar riquezas minerais, de expandir a chamada fronteira agr&#xED;cola e, mais recentemente, de ampliar a gera&#xE7;&#xE3;o de energia hidrel&#xE9;trica colocou em choque a sociedade dita civilizada e os povos ind&#xED;genas. Comente que, no s&#xE9;culo 19, ainda durante o Imp&#xE9;rio, em meio ao avan&#xE7;o da forma&#xE7;&#xE3;o da identidade nacional, a figura do &#xED;ndio passou a ser inserida nas narrativas sobre o povo brasileiro de forma quase m&#xED;tica e elogiosa. Contudo, a pr&#xE1;tica continuou sendo a da viol&#xEA;ncia f&#xED;sica e simb&#xF3;lica, empregada no avan&#xE7;o constante para os sert&#xF5;es.</p> <p> Diga ainda que as regi&#xF5;es Norte e Centro-Oeste do Brasil seguiram como um desafio para os planos de ocupa&#xE7;&#xE3;o territorial at&#xE9; o s&#xE9;culo 20, quando o governo de Get&#xFA;lio Vargas decidiu empreender uma nova "marcha para o oeste". Em plena Segunda Guerra Mundial e sob a ditadura do Estado Novo (1937-1945), o governo federal entendeu que era necess&#xE1;rio ocupar de forma definitiva &#xE1;reas do interior do Brasil vistas como desocupadas, evitando que fossem invadidas por colonos estrangeiros. Nesse sentido, foi organizada a Expedi&#xE7;&#xE3;o Roncador-Xingu, iniciada em 1944, com a miss&#xE3;o de explorar regi&#xF5;es ainda n&#xE3;o ocupadas pelo Estado. A tarefa dos exploradores era abrir estradas e campos de pouso que seriam a porta de entrada para o t&#xE3;o propalado progresso e para a defesa militar da regi&#xE3;o.</p> <p> A miss&#xE3;o da Expedi&#xE7;&#xE3;o n&#xE3;o era das mais f&#xE1;ceis, sobretudo por conta daquilo que as autoridades consideravam um grande perigo: os &#xED;ndios. A regi&#xE3;o do Alto Rio Xingu, situada ao norte do estado do Mato Grosso, era alvo de interesse desde o s&#xE9;culo 19, &#xE9;poca em que foi realizada uma primeira expedi&#xE7;&#xE3;o, chefiada pelo alem&#xE3;o Karl von den Steinen. As incurs&#xF5;es anteriores, por&#xE9;m, n&#xE3;o conseguiram estabelecer marcos definitivos de ocupa&#xE7;&#xE3;o, como queriam as autoridades - tarefa que coube &#xE0; Expedi&#xE7;&#xE3;o Roncador-Xingu. Entretanto, a atua&#xE7;&#xE3;o de tr&#xEA;s membros da Expedi&#xE7;&#xE3;o acabou por desviar, ao menos em parte, as pretens&#xF5;es do Estado brasileiro em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0;quele vasto territ&#xF3;rio "n&#xE3;o ocupado". Os irm&#xE3;os Orlando, Cl&#xE1;udio e Leonardo Villas B&#xF4;as tomaram a frente da empreitada e conseguiram estabelecer um contato amistoso com os povos ind&#xED;genas que viviam no territ&#xF3;rio a ser explorado, mesmo aqueles tidos como hostis, como era o caso dos Xavantes, contatados no ano de 1944.</p> <p> Em meio ao trabalho de abertura das frentes de ocupa&#xE7;&#xE3;o, como os campos de pouso, os irm&#xE3;os Villas B&#xF4;as estabeleceram rela&#xE7;&#xF5;es com os povos Aweti, Kalapalo, Kaimaiur&#xE1;, Kuikuro, Matipu, Mehinako, Nahuku&#xE1;, Naruvotu, Trumai, Wauja e Yawalapiti. Informe que, apesar da variedade lingu&#xED;stica, formada pelas fam&#xED;lias Tupi-Guarani, Juruna, Aweti, Aruak, Karib, J&#xEA; e Trumai, os povos originais do Alto Xingu possu&#xED;am caracter&#xED;sticas culturais muito pr&#xF3;ximas, mantendo contanto prof&#xED;cuo entre si.</p> <p> Mesmo com o aparente isolamento em que viviam, as popula&#xE7;&#xF5;es ind&#xED;genas contatadas pelos Villas B&#xF4;as sofreram, ao longo do tempo, a diminui&#xE7;&#xE3;o de sua popula&#xE7;&#xE3;o, muito em raz&#xE3;o do contato com doen&#xE7;as infecto-contagiosas, adquiridas anos antes, a partir do contato com colonos brasileiros estabelecidos nos limites do territ&#xF3;rio "n&#xE3;o ocupado". Diante dos problemas causados pelo choque microbiano e pela a&#xE7;&#xE3;o predat&#xF3;ria do Estado e de empreendedores da agropecu&#xE1;ria - interessados na extra&#xE7;&#xE3;o madeireira e na expans&#xE3;o de suas planta&#xE7;&#xF5;es e pastos em dire&#xE7;&#xE3;o aos territ&#xF3;rios agr&#xED;colas - os Villas B&#xF4;as deram in&#xED;cio a uma s&#xE9;rie de a&#xE7;&#xF5;es que visavam a prote&#xE7;&#xE3;o das popula&#xE7;&#xF5;es ind&#xED;genas e de seus modos de vida.</p> <p> <strong>O Parque Ind&#xED;gena do Xingu</strong></p> <p> Contando com a colabora&#xE7;&#xE3;o de outros indigenistas, como o antrop&#xF3;logo Darcy Ribeiro, os irm&#xE3;os Villas B&#xF4;as passaram a defender a cria&#xE7;&#xE3;o de um territ&#xF3;rio exclusivo para os ind&#xED;genas do Xingu, onde, teoricamente, ficariam resguardados do contato com a civiliza&#xE7;&#xE3;o exterior e suas doen&#xE7;as. Para isso, contariam com o aux&#xED;lio do Estado, por meio do antigo Servi&#xE7;o de Prote&#xE7;&#xE3;o ao &#xCD;ndio (SPI), que seria respons&#xE1;vel pela oferta de atendimento m&#xE9;dico &#xE0; popula&#xE7;&#xE3;o ind&#xED;gena.</p> <p> Para os Villas B&#xF4;as, apenas o isolamento garantiria a sobreviv&#xEA;ncia, sobretudo f&#xED;sica, daquelas popula&#xE7;&#xF5;es. Entretanto, a ideia da organiza&#xE7;&#xE3;o de um territ&#xF3;rio exclusivo para os xinguanos esbarrou nos planos do governo, o que fez com que os irm&#xE3;os, principalmente Orlando, negociassem a cria&#xE7;&#xE3;o da &#xE1;rea que veio a corresponder ao Parque do Xingu. Em troca, o governo teria novas frentes de ocupa&#xE7;&#xE3;o, como uma base a&#xE9;rea na Serra do Cachimbo, regi&#xE3;o entre os estados do Par&#xE1; e Mato Grosso, que afetou diretamente as popula&#xE7;&#xF5;es ind&#xED;genas existentes na &#xE1;rea, como os Kreen-Akar&#xF4;res, quase totalmente dizimados.</p> <p> Em 1952, foi apresentado &#xE0; Presid&#xEA;ncia da Rep&#xFA;blica, ent&#xE3;o sob o comando de Juscelino Kubitschek de Oliveira, o projeto de cria&#xE7;&#xE3;o do Parque Nacional Ind&#xED;gena do Xingu, calcado no ideal de isolamento das popula&#xE7;&#xF5;es ind&#xED;genas, bem como de seus recursos naturais. Contudo, o plano esbarrou no governo do Mato Grosso que, aliado aos interesses agropecu&#xE1;rios, iniciou a distribui&#xE7;&#xE3;o das terras ind&#xED;genas, detonando n&#xE3;o s&#xF3; uma crise pol&#xED;tica, mas uma onda de viol&#xEA;ncia e epidemias. O Parque foi criado oficialmente apenas em 1961, durante a presid&#xEA;ncia de J&#xE2;nio Quadros, com contorno territorial reduzido a cerca de um quarto do que previa a proposta original.</p> <p> &#xC0; frente da administra&#xE7;&#xE3;o do Parque, os Villas B&#xF4;as trataram de trazer para a por&#xE7;&#xE3;o norte de seus contornos popula&#xE7;&#xF5;es ind&#xED;genas n&#xE3;o-origin&#xE1;rias do Alto Xingu (Ikpeng, Kaiabi, Kis&#xEA;di&#xEA;, Tapayuna e Yudja), provocando o deslocamento de aldeias inteiras. O deslocamento for&#xE7;ado e a introdu&#xE7;&#xE3;o de bens materiais, como ferramentas agr&#xED;colas, fez com que a ideia de completo isolamento ou "prote&#xE7;&#xE3;o" apresentasse problemas.</p> <p> As rela&#xE7;&#xF5;es sociais e as pr&#xE1;ticas culturais passaram por mudan&#xE7;as consider&#xE1;veis a partir do contato com os funcion&#xE1;rios do Parque rec&#xE9;m-criado. Al&#xE9;m disso, a exist&#xEA;ncia de profissionais respons&#xE1;veis por sua tutela provocou a diminui&#xE7;&#xE3;o do reconhecimento do poder dos chefes tribais, uma vez que a popula&#xE7;&#xE3;o passou a depender dos Postos Ind&#xED;genas estabelecidos no Parque. Ainda assim, a coes&#xE3;o social dos grupos n&#xE3;o foi desarticulada e at&#xE9; se fortaleceu ao longo dos anos. E as pol&#xED;ticas de sa&#xFA;de e de controle de entrada evitaram o retorno das epidemias.</p> <p> Explique &#xE0; turma que, contudo, a cria&#xE7;&#xE3;o do Parque do Xingu n&#xE3;o eliminou as amea&#xE7;as do avan&#xE7;o do progresso, sobretudo por parte do pr&#xF3;prio governo. Durante o regime militar, os territ&#xF3;rios ind&#xED;genas foram constantemente amea&#xE7;ados em nome do desenvolvimento e da defesa nacional, representados pela constru&#xE7;&#xE3;o de rodovias (Transamaz&#xF4;nica), hidrel&#xE9;tricas, mineradoras e bases militares.</p> <p> <strong>2&#xAA; aulaO SPI e a FUNAI </strong></p> <p> Retomando algumas das informa&#xE7;&#xF5;es da aula anterior, comente que a violenta expans&#xE3;o da ocupa&#xE7;&#xE3;o territorial e do estabelecimento dos marcos da civiliza&#xE7;&#xE3;o no in&#xED;cio do s&#xE9;culo 20 causou o desaparecimento de diversos povos ind&#xED;genas. No ano de 1910, em meio a cr&#xED;ticas internacionais ao banho de sangue promovido em nome do progresso, o governo brasileiro criou o Servi&#xE7;o de Prote&#xE7;&#xE3;o aos &#xCD;ndios e Localiza&#xE7;&#xE3;o de Trabalhadores Nacionais, visando a prote&#xE7;&#xE3;o da popula&#xE7;&#xE3;o ind&#xED;gena e a cria&#xE7;&#xE3;o de col&#xF4;nias agr&#xED;colas no interior do pa&#xED;s. No fundo, a inten&#xE7;&#xE3;o era transformar os ind&#xED;genas em trabalhadores rurais ou oper&#xE1;rios urbanos. O conceito de &#xED;ndio era tido como transit&#xF3;rio, como algo que dependia apenas da a&#xE7;&#xE3;o civilizat&#xF3;ria promovida pelo Estado para desaparecer. Passados oito anos, &#xED;ndios e "trabalhadores nacionais" foram separados e ent&#xE3;o surgiu o Servi&#xE7;o de Prote&#xE7;&#xE3;o ao &#xCD;ndio (SPI), sem, contudo, que se alterasse a doutrina da integra&#xE7;&#xE3;o e tutela anteriormente definidas.</p> <p> Diante do flagrante desrespeito em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0; diversidade e autonomia dos povos ind&#xED;genas, os irm&#xE3;os Villas B&#xF4;as, junto a outros indigenistas, defenderam a cria&#xE7;&#xE3;o de um novo &#xF3;rg&#xE3;o que pudesse eliminar os problemas existentes no antigo SPI, processo que culminou com a cria&#xE7;&#xE3;o da Funda&#xE7;&#xE3;o Nacional do &#xCD;ndio (Funai) em 1967.</p> <p> Entretanto, a Funai acabou por cumprir, durante os anos de ditadura militar, o papel de institui&#xE7;&#xE3;o propagadora do ide&#xE1;rio do regime de exce&#xE7;&#xE3;o, subordinando-se aos planos de defesa e desenvolvimento, o que, obviamente fez com que a perspectiva assimilacionista do velho SPI fosse mantida e o conceito de &#xED;ndio continuasse sendo entendido como provis&#xF3;rio, at&#xE9; que terminasse seu processo de incorpora&#xE7;&#xE3;o.</p> <p> A Funai manteve os moldes de &#xF3;rg&#xE3;o de tutela (e mesmo explora&#xE7;&#xE3;o) dos povos ind&#xED;genas at&#xE9; o per&#xED;odo de redemocratiza&#xE7;&#xE3;o, quando organiza&#xE7;&#xF5;es de apoio aos &#xED;ndios, criadas ainda na d&#xE9;cada de 1970, ganharam for&#xE7;a e visibilidade, colaborando de forma decisiva para o questionamento das pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas idigenistas e estabelecendo um di&#xE1;logo aberto entre os &#xED;ndios e a Funai.</p> <p> Com a Constitui&#xE7;&#xE3;o de 1988, a velha pol&#xED;tica assimilacionista e tutelar imposta aos povos ind&#xED;genas foi rompida. O artigo 231 da Constitui&#xE7;&#xE3;o garantiu o respeito &#xE0; diversidade cultural dos povos e seu direito &#xE0; posse de territ&#xF3;rios. J&#xE1; na d&#xE9;cada de 1990, a Funai sofreu uma profunda reestrutura&#xE7;&#xE3;o, que culminou com a retirada de uma s&#xE9;rie de atribui&#xE7;&#xF5;es, como atendimento de sa&#xFA;de, redirecionados a outros &#xF3;rg&#xE3;os federais e minist&#xE9;rios. Com a Funda&#xE7;&#xE3;o, ficaram a demarca&#xE7;&#xE3;o e a regula&#xE7;&#xE3;o dos territ&#xF3;rios ind&#xED;genas.</p> <p> <strong>O Xingu hoje</strong></p> <p> Ao longo de seus 50 anos de exist&#xEA;ncia, o Parque Ind&#xED;gena do Xingu passou por mudan&#xE7;as. Hoje, sem Orlando, Cl&#xE1;udio e Leonardo Villas B&#xF4;as e ap&#xF3;s os avan&#xE7;os na pol&#xED;tica indigenista brasileira, s&#xE3;o os moradores que levantam voz em sua pr&#xF3;pria defesa. N&#xE3;o que n&#xE3;o o tenham feito antes - eles participaram de forma ativa das discuss&#xF5;es que levaram &#xE0; pr&#xF3;pria concep&#xE7;&#xE3;o do Parque - mas hoje n&#xE3;o precisam mais de intermedi&#xE1;rios. As na&#xE7;&#xF5;es xinguanas assumiram o papel pol&#xED;tico de defender sua cultura e o solo em que pisam h&#xE1; muito mais do que cinco d&#xE9;cadas.</p> <p> Explique &#xE0; turma que, por ocasi&#xE3;o do I Festival de Culturas Xinguanas, realizado em 12 de junho de 2011 na Aldeia Ipavu, os povos que ocupam o territ&#xF3;rio estabelecido pelos irm&#xE3;os Villas B&#xF4;as redigiram um claro manifesto &#xE0;s autoridades governamentais brasileiras, indicando suas necessidades e posi&#xE7;&#xF5;es pol&#xED;ticas frente &#xE0;s amea&#xE7;as que ainda os cercam. Ent&#xE3;o, divida os alunos em grupos, distribua c&#xF3;pias da <a href="http://bit.ly/HJCnSj">Carta Final do I Festival de Culturas Xinguanas</a> e fa&#xE7;a uma leitura coletiva do documento. Em seguida, estimule um debate a respeito da posi&#xE7;&#xE3;o manifestada pelos &#xED;ndios, ressaltando, por exemplo, o protesto em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0; vis&#xE3;o de que s&#xE3;o incapazes - o que, segundo eles, fez com que o pr&#xF3;prio territ&#xF3;rio fosse concebido quase como um "zool&#xF3;gico humano", isolando-os como animais a serem apreciados por turistas e autoridades. Ressalte ainda o fato de que os &#xED;ndios pedem a mudan&#xE7;a do nome Parque Ind&#xED;gena do Xingu para Territ&#xF3;rio Ind&#xED;gena do Xingu, uma reivindica&#xE7;&#xE3;o do reconhecimento de sua autonomia e diversidade sociocultural. Ainda em rela&#xE7;&#xE3;o ao documento dos povos do Xingu, procure questionar os alunos a respeito das amea&#xE7;as que rondam o territ&#xF3;rio, como a pol&#xEA;mica constru&#xE7;&#xE3;o da usina hidrel&#xE9;trica de Belo Monte. Discuta a forma como o progresso se mant&#xE9;m como constante amea&#xE7;a &#xE0;s popula&#xE7;&#xF5;es ind&#xED;genas e &#xE0; sua rela&#xE7;&#xE3;o com o meio ambiente.</p> <p> Por fim, pe&#xE7;a aos grupos que desenvolvam uma disserta&#xE7;&#xE3;o comentando a forma como as popula&#xE7;&#xF5;es do Xingu continuam enfrentando os problemas relacionados ao contato com a sociedade dita civilizada e como eles t&#xEA;m se organizado a fim de defender sua cultura e territ&#xF3;rio. Informe ainda que cada grupo dever&#xE1; fazer uma apresenta&#xE7;&#xE3;o em forma de semin&#xE1;rio, expondo impress&#xF5;es contidas no trabalho. Para isso, estimule-os a buscar fontes complementares de informa&#xE7;&#xE3;o sobre a situa&#xE7;&#xE3;o atual do Xingu, como reportagens e v&#xED;deos.</p> <p> <strong>3&#xAA; aula </strong></p> <p> Utilize a terceira aula do plano para a realiza&#xE7;&#xE3;o dos semin&#xE1;rios. Fa&#xE7;a interven&#xE7;&#xF5;es quando julgar necess&#xE1;rio, solicite que os alunos participem com seus coment&#xE1;rios e impress&#xF5;es e pe&#xE7;a que todos registrem os pontos mais relevantes da discuss&#xE3;o.</p> <p> <strong>Avalia&#xE7;&#xE3;o</strong></p> <p> Durante as conversas das primeiras aulas, a realiza&#xE7;&#xE3;o dos semin&#xE1;rios e por meio do trabalho escrito entregue pelos grupos, observe se os alunos compreenderam a import&#xE2;ncia da atua&#xE7;&#xE3;o dos irm&#xE3;os Villas B&#xF4;as no processo de cria&#xE7;&#xE3;o do Parque Ind&#xED;gena do Xingu, bem como para o estabelecimento de uma pol&#xED;tica de prote&#xE7;&#xE3;o efetiva aos povos ind&#xED;genas brasileiros. N&#xE3;o obstante, avalie se os alunos foram capazes de entender que os problemas em torno da quest&#xE3;o ind&#xED;gena continuam existindo no nosso pa&#xED;s e que as popula&#xE7;&#xF5;es t&#xEA;m se organizado e reivindicado autonomia, direito a voz e respeito por sua identidade cultural.</p> Discutir a criação das primeiras políticas públicas de proteção aos indígenas é uma forma de levar os alunos a entender o atual cenário em que se encontram esses povos e suas culturas, bem como as dificuldades enfrentadas por eles até os dias de hoje 2012-04-20T15:28:24-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Abril 2012 (176) Discutir a criação das primeiras políticas públicas de proteção aos indígenas é uma forma de levar os alunos a entender o atual cenário em que se encontram esses povos e suas culturas, bem como as dificuldades enfrentadas por eles até os dias de hoje Sala de Aula BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/a-vida-privada-dos-romanos A vida privada dos Romanos 2012-03-30T14:34:00-03:00 <p> Ao contr&#xE1;rio dos gregos, de quem notoriamente foram tribut&#xE1;rios, os artistas romanos n&#xE3;o se prenderam &#xE0; persegui&#xE7;&#xE3;o de um modelo de representa&#xE7;&#xE3;o da forma humana e, sim, dedicaram-se &#xE0; reprodu&#xE7;&#xE3;o fidedigna de fisionomias e cenas do cotidiano, ainda que por meio de alegorias, inaugurando o realismo na arte ocidental. Al&#xE9;m dos rostos dos antigos romanos e de seus imperadores, as mais de 370 pe&#xE7;as que comp&#xF5;em a exposi&#xE7;&#xE3;o oferecem a oportunidade de vislumbrar e discutir aspectos da vida privada de Roma, objetivo central deste plano de aula.</p> <p> <strong>Objetivo</strong></p> <p> Discutir aspectos relativos &#xE0; vida privada na Roma antiga.</p> <p> &#xA0;</p> <p> <strong>Conte&#xFA;dos</strong></p> <p> Organiza&#xE7;&#xE3;o familiar, educa&#xE7;&#xE3;o, manifesta&#xE7;&#xF5;es gr&#xE1;ficas, trabalho e divers&#xE3;o nos diferentes estratos sociais.</p> <p> &#xA0;</p> <p> <strong>Tempo estimado</strong></p> <p> Duas aulas.</p> <p> &#xA0;</p> <p> <strong>Material necess&#xE1;rio</strong></p> <p> C&#xF3;pias da reportagem <em>Ode ao realismo</em> (BRAVO!, Ed. 175, mar&#xE7;o de 2012) para todos os alunos e computador com acesso &#xE0; internet, figuras 1, 2, 3, 4 e 5.</p> <p> &#xA0;</p> <p> <strong>Desenvolvimento</strong></p> <p> <strong>1&#xAA; aula</strong></p> <p> Distribua c&#xF3;pias da reportagem <em>Ode ao realismo</em> para a turma e proponha uma leitura coletiva. Procure destacar a import&#xE2;ncia da arte romana explicitada no texto e a forma com que ela se diferenciou da arte grega, ao n&#xE3;o se apegar apenas &#xE0; idealiza&#xE7;&#xE3;o das formas humanas tidas como perfeitas, mas &#xE0; busca dos detalhes da realidade. Siga dialogando com o artigo, comentando que as obras de arte romanas n&#xE3;o tinham apenas a fun&#xE7;&#xE3;o de embelezamento, mas tamb&#xE9;m de representar aspectos ligados ao cotidiano, como a religi&#xE3;o, a pol&#xED;tica ou mesmo a vida privada. Informe ainda que j&#xF3;ias, utens&#xED;lios dom&#xE9;sticos, esculturas e pinturas podem revelar fragmentos da vida dos cidad&#xE3;os romanos, representando seu lugar na sociedade.</p> <p> Na civiliza&#xE7;&#xE3;o romana, o conceito de fam&#xED;lia, por exemplo, n&#xE3;o estava necessariamente ligado a la&#xE7;os de sangue ou afetivos. A fam&#xED;lia era uma institui&#xE7;&#xE3;o t&#xE3;o ampla quanto complexa: tinha como ponto central a figura do <em>paterfamilias </em>(pai da fam&#xED;lia), compreendendo ainda esposa, filhos, escravos, libertos e agregados. Cabia ao <em>paterfamilias</em>, de acordo com as leis romanas, o controle sobre aqueles que estavam sob seu dom&#xED;nio. Dessa forma, ele podia imputar penas e castigos, inclusive de morte.</p> <p> Ao contr&#xE1;rio do que ocorre hoje, o casamento romano era um ato estritamente privado. Muitas vezes, havia a oferta de um dote, mas n&#xE3;o existiam contratos nem cerim&#xF4;nias simb&#xF3;licas. Se a uni&#xE3;o fosse contestada, poderia ser comprovada por meio do relato de testemunhas ou com a indica&#xE7;&#xE3;o da oferta do dote apresentado pelo pai da noiva. O div&#xF3;rcio era t&#xE3;o simples e informal quanto o casamento &#x2013; podia ser solicitado pelo marido ou pela mulher, bastando que se afastassem um do outro.</p> <p> &#xA0;</p> <p> Compartilhe o retrato deste link (<a href="http://bit.ly/GH6JCQ">http://bit.ly/GH6JCQ</a>) com os alunos e conte que a imagem desse casal romano foi encontrada nas paredes de uma resid&#xEA;ncia na cidade de Pomp&#xE9;ia. Comente que marido e mulher portam objetos significativos sobre a posi&#xE7;&#xE3;o social e a vida privada de ambos. A esposa segura t&#xE1;buas utilizadas como suporte para a escrita, levando &#xE0; boca um estilete. O marido apoia o queixo sobre um documento, provavelmente um livro em forma de rolo. Tais elementos podem indicar que a cultura escrita era parte do cotidiano do casal, como a dedica&#xE7;&#xE3;o &#xE0; poesia, por exemplo.</p> <p> O casamento era, contudo, apenas um dos aspectos da complexa vida &#xED;ntima dos romanos. Com o matrim&#xF4;nio, a esposa passava a ser mais um entre tantos outros componentes da fam&#xED;lia, todos sob o dom&#xED;nio do soberano da casa. At&#xE9; mesmo o nascimento dos filhos ficava sob o controle do <em>paterfamilias</em>, que (pobre ou rico) poderia inclusive rejeitar o rec&#xE9;m-nascido. Ou seja, o nascimento, por si s&#xF3;, n&#xE3;o determinava o pertencimento &#xE0; fam&#xED;lia e, consequentemente, &#xE0; sociedade romana. A integra&#xE7;&#xE3;o da crian&#xE7;a s&#xF3; acontecia se ela fosse devidamente reconhecida pelo pai, de quem recebia o nome da fam&#xED;lia. E era justamente esse nome a porta de entrada para o reconhecimento social romano, muito mais do que os la&#xE7;os de sangue.</p> <p> Os filhos considerados ileg&#xED;timos n&#xE3;o herdavam o nome do pai e perdiam qualquer possibilidade de acesso aos cargos p&#xFA;blicos. Entretanto, podia ocorrer de ex-escravos receberem o nome da fam&#xED;lia dos antigos senhores e, com isso, terem acesso aos mesmos espa&#xE7;os dos filhos leg&#xED;timos. O mesmo tamb&#xE9;m ocorria com filhos adotivos. Plenamente reconhecidos, os herdeiros s&#xF3; deixavam de fazer parte do dom&#xED;nio do pai quando ficavam &#xF3;rf&#xE3;os, eram emancipados ou se casavam, no caso das mulheres.</p> <p> Comente que o papel da mulher era, na maioria das vezes, secund&#xE1;rio. A administra&#xE7;&#xE3;o da casa era a responsabilidade primeira do pai, que distribu&#xED;a tarefas e ordens entre escravos e demais servi&#xE7;ais. A dire&#xE7;&#xE3;o (<em>cura</em>) raramente era legada &#xE0;s esposas. Se pertencesse a uma fam&#xED;lia da aristocracia, a mulher poderia dedicar seu tempo &#xE0; tecelagem ou, com permiss&#xE3;o do marido, &#xE0; visita a outras mulheres da mesma condi&#xE7;&#xE3;o social. Pensando ainda nas damas com posses, elas podiam se igualar aos homens em termos financeiros, em raz&#xE3;o do dote, e podiam inclusive ser mais ricas do que os maridos, o que lhes dava o direito de recusar a autoridade masculina. Em outros casos, mulheres herdeiras de fortunas conquistavam papeis pol&#xED;ticos de destaque. Isso acontecia quando eram herdeiras &#xFA;nicas de um falecido marido ou pai e recebiam legado financeiro e prest&#xED;gio.</p> <p> &#xA0;</p> <p> Chame a aten&#xE7;&#xE3;o dos alunos para o retrato dessa dama do Egito Romano (<a href="http://bit.ly/GOyEjr">http://bit.ly/GOyEjr</a>), encontrado em uma urna funer&#xE1;ria, destacando a forma como a mulher foi ricamente representada, com j&#xF3;ias e roupas bem elaboradas (t&#xFA;nica, estola e manto para a cabe&#xE7;a). Tudo isso indica pertencimento a uma fam&#xED;lia abastada. Procure comparar esse retrato com aquele que representa o casal visto anteriormente, comentando as evidentes diferen&#xE7;as sociais entre as duas mulheres, sem esquecer que as imagens foram produzidas em per&#xED;odos diferentes. Explique que apenas as mulheres de posses costumavam ostentar j&#xF3;ias, como colares, brincos e braceletes, al&#xE9;m de enfeites de cabelo. A cabeleira era uma preocupa&#xE7;&#xE3;o &#xE0; parte para as aristocratas, que usavam penteados complicados e mesmo perucas.</p> <p> &#xA0;</p> <p> Feita a apresenta&#xE7;&#xE3;o da estrutura familiar romana, discuta com a turma as diferen&#xE7;as em rela&#xE7;&#xE3;o ao atual conceito de fam&#xED;lia, indicando como esse mesmo conceito tem se transformado. Procure incitar uma reflex&#xE3;o acerca dos v&#xE1;rios modelos familiares que existem na contemporaneidade, como aqueles chefiados por mulheres.</p> <p> &#xA0;</p> <p> <strong>2&#xAA; aula</strong></p> <p> Retome as discuss&#xF5;es da aula anterior, questionando os alunos sobre a fam&#xED;lia romana, sua organiza&#xE7;&#xE3;o e vida privada. Em seguida, informe que, entre os mais abastados, ao contr&#xE1;rio do que ocorre hoje, a educa&#xE7;&#xE3;o das crian&#xE7;as fazia parte do universo dom&#xE9;stico. Assim que os filhos nasciam &#x2013; tanto os meninos quanto as meninas &#x2013; eram entregues aos cuidados de uma <em>nutriz</em>, mulher respons&#xE1;vel pela amamenta&#xE7;&#xE3;o e educa&#xE7;&#xE3;o das crian&#xE7;as. Quando alcan&#xE7;avam a puberdade, os meninos passavam &#xE0;s m&#xE3;os do <em>pedagogo</em> ou <em>nutritor</em>, que se tornava o respons&#xE1;vel por sua educa&#xE7;&#xE3;o. Os <em>pedagogos</em> iam al&#xE9;m da educa&#xE7;&#xE3;o formal (alfabetiza&#xE7;&#xE3;o), preparando os meninos para a vida p&#xFA;blica, algo fundamental entre os aristocratas. J&#xE1; entre as mo&#xE7;as, a <em>nutriz</em> continuava presente at&#xE9; mesmo em sua noite de n&#xFA;pcias, quando, junto com a m&#xE3;e da noiva, prestava os &#xFA;ltimos conselhos.</p> <p> <em>Pedagogo</em>, <em>nutriz</em> e seus respectivos filhos acabavam por constituir uma segunda fam&#xED;lia para os filhos do <em>paterfamilias</em>. Um exemplo da cumplicidade entre cuidadores e pupilos aparece na hist&#xF3;ria de Nero: para assassinar sua pr&#xF3;pria m&#xE3;e, Agripina, em 59 d.C., o imperador teve ajuda de seu preceptor. Ap&#xF3;s perder prest&#xED;gio, Nero encontraria consolo apenas nos bra&#xE7;os de sua <em>nutriz</em>, at&#xE9; se suicidar em 68 d.C.</p> <p> Para os menos abastados havia a op&#xE7;&#xE3;o de ir &#xE0; escola, presente em algumas cidades. Isso permitiu que pessoas de poucas posses tivessem acesso &#xE0; escrita e deixassem registros em grafites murais existentes at&#xE9; hoje, em locais como Pomp&#xE9;ia. Entretanto, o processo de alfabetiza&#xE7;&#xE3;o dos mais pobres guardava diferen&#xE7;as em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0;quele dispensado &#xE0; aristocracia. Alguns historiadores afirmam que a ortografia dos murais citadinos era distinta daquela empregada nos documentos p&#xFA;blicos e nos demais registros produzidos pelos abastados.</p> <p> Conte para a turma que pinturas parietais ou grafites presentes em v&#xE1;rias cidades romanas mostram como a popula&#xE7;&#xE3;o comum desenvolveu sua pr&#xF3;pria gram&#xE1;tica, deixando registradas informa&#xE7;&#xF5;es sobre disputas pol&#xED;ticas, rixas entre torcidas de espet&#xE1;culos circenses, insultos e juras de amor. Apresente aos alunos alguns exemplos de grafites encontrados em Pomp&#xE9;ia:</p> <p> &#xA0;</p> <p> <strong>Original Tradu&#xE7;&#xE3;o </strong></p> <p> <em>Dulcis amor, perias eta (pro ita)</em> Oxal&#xE1; pere&#xE7;a, doce amor. Amo tanto a Taine, minha dulc&#xED;ssima amada.</p> <p> <em>Taine bene amo dulcissima / Mea / Dulc</em></p> <p> Amethusthus nec sine sua Valentina Ametusto n&#xE3;o vive sem sua Valentina.</p> <p> Secundus Prim(a)e suae ubi/que isse salute(m). Secundo a sua querida Prima, uma sauda&#xE7;&#xE3;o cordial. Pe&#xE7;o, senhora, me ame!</p> <p> Rogo, domina, ut me ames</p> <p> Aelius Magnus Plotillae suae salutem. <em>Rogo, dom</em>ina &#xC9;lio Magno sa&#xFA;da a sua amada Plotila. Pe&#xE7;o-te senhora!</p> <p> &#xA0;</p> <p> Fonte: FEITOSA, Lourdes Conde. G&#xEA;nero e sexualidade no mundo romano: a antig&#xFC;idade em nossos dias. <em>Hist&#xF3;ria: Quest&#xF5;es Debates</em>, Curitiba, n. 48/49, p. 119-135, 2008. Editora UFPR.</p> <p> &#xA0;</p> <p> Procure discutir com a turma as semelhan&#xE7;as entre as inscri&#xE7;&#xF5;es parietais ou grafites encontrados nas antigas cidades romanas (<a href="http://bit.ly/GHlASi">http://bit.ly/GHlASi</a>) e os atuais grafites e picha&#xE7;&#xF5;es.</p> <p> &#xA0;</p> <p> Assentada sobre a escravid&#xE3;o e a plebe, a aristocracia romana julgava o trabalho (principalmente o manual) algo indigno aos homens livres, sendo a ociosidade um m&#xE9;rito. Entretanto, mesmo com a for&#xE7;a desse desprezo social pelo trabalho e pelos trabalhadores, muitos membros da classe dirigente atribu&#xED;am certo apre&#xE7;o por determinadas atividades, sobretudo as mais &#xFA;teis &#xE0; cidade. Pinturas e esculturas das casas de Pomp&#xE9;ia s&#xE3;o exemplos de como determinadas ocupa&#xE7;&#xF5;es mereceram respeito. H&#xE1; imagens que retratam atividades laborais de seus antigos propriet&#xE1;rios, como padeiros e fabricantes de lou&#xE7;a, sendo que alguns deles chegaram a ocupar cargos p&#xFA;blicos, como um posto no Senado municipal.</p> <p> Para os mais ricos e amantes do &#xF3;cio, a pr&#xE1;tica dos banhos termais era bastante apreciada. Explique para a turma que os banhos estavam longe de ser uma pr&#xE1;tica de higiene &#x2013; eram atividades ligadas ao prazer, realizadas apenas duas ou tr&#xEA;s vezes por m&#xEA;s. As grandes salas destinadas aos banhos termais existiam em praticamente todas as casas da aristocracia. Para os menos afortunados, havia as casas de banho p&#xFA;blicas que, muitas vezes, contavam com aqueduto pr&#xF3;prio. Era a oportunidade de os mais pobres passarem algum tempo em um ambiente tido como luxuoso, compreendido como um favor prestado pelas autoridades locais.</p> <p> Outro prazer desfrutado pelos ricos do antigo imp&#xE9;rio era comer bem. Os banquetes promovidos pela aristocracia romana compunham um ritual elaborado que contava com a completa aten&#xE7;&#xE3;o dos habitantes da casa e ocupavam um espa&#xE7;o espec&#xED;fico chamado <em>triclinio</em>. Ao inv&#xE9;s de mesas e cadeiras, os convivas se acomodavam em div&#xE3;s, estrategicamente posicionados em torno da mesa, onde se encontrava uma farta variedade de alimentos, como carnes (de pav&#xE3;o &#xE0; marmota), peixes, cogumelos, lentilhas e frutas. Uma complexa gama de temperos agridoces dominava o sabor das carnes, devidamente acompanhadas de vinho. Os convidados participavam ornados com chap&#xE9;us ou coroas de flores e untados a &#xF3;leo perfumado. A ocasi&#xE3;o pedia, al&#xE9;m dos alimentos, discursos, poesia, dan&#xE7;a e m&#xFA;sica &#x2013; muito mais uma festa do que propriamente uma refei&#xE7;&#xE3;o.</p> <p> &#xA0;</p> <p> Conte aos alunos que o lazer e a divers&#xE3;o &#x2013; representados pelos banquetes e espet&#xE1;culos do circo romano, como as lutas entre os gladiadores &#x2013; n&#xE3;o eram exclusividade dos mais ricos. Impossibilitados de participar dos faustosos festins da aristocracia, os cidad&#xE3;os pobres de Roma desenvolveram alternativas de divertimento, ocupando ruas e outros espa&#xE7;os da cidade com toda sorte de jogos.</p> <p> Introduza uma discuss&#xE3;o sobre a forma com que diferentes classes sociais desenvolveram op&#xE7;&#xF5;es de lazer, de acordo com suas possibilidades. Pe&#xE7;a que os alunos apontem formas de express&#xE3;o (lembrando a quest&#xE3;o da educa&#xE7;&#xE3;o/escrita presente nos grafites) e divers&#xE3;o entre diferentes classes na contemporaneidade, buscando o di&#xE1;logo com as informa&#xE7;&#xF5;es acerca da vida privada em Roma.</p> <p> &#xA0;</p> <p> <strong>Avalia&#xE7;&#xE3;o</strong></p> <p> Observe, com base nas discuss&#xF5;es promovidas em sala, se a turma conseguiu assimilar caracter&#xED;sticas da vida privada romana por meio das variadas manifesta&#xE7;&#xF5;es art&#xED;sticas e de linguagem que sobreviveram ao ocaso dessa importante civiliza&#xE7;&#xE3;o. Procure observar se os alunos conseguiram estabelecer uma rela&#xE7;&#xE3;o clara entre aspectos do cotidiano de Roma e aqueles presentes nos dias de hoje sobre organiza&#xE7;&#xE3;o familiar, educa&#xE7;&#xE3;o, manifesta&#xE7;&#xF5;es gr&#xE1;ficas em locais p&#xFA;blicos (grafites) e rela&#xE7;&#xF5;es entre trabalho e divers&#xE3;o nos diferentes estratos sociais.</p> O artigo Ode ao realismo, publicado na revista BRAVO! (Ed. 175, março de 2012), fala sobre a exposição Roma – A Vida dos Imperadores, em cartaz no Museu de Arte de São Paulo (MASP) entre 25 de janeiro e 22 de abril, e sobre como a arte produzida pelos romanos revela elementos de seu cotidiano. 2012-03-30T14:34:00-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Sala de Aula - Março 2012 O artigo Ode ao realismo, publicado na revista BRAVO! (Ed. 175, março de 2012), fala sobre a exposição Roma – A Vida dos Imperadores, em cartaz no Museu de Arte de São Paulo (MASP) entre 25 de janeiro e 22 de abril, e sobre como a arte produzida pelos romanos revela elementos de seu cotidiano. Sala de Aula BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/o-legado-romano-no-mundo-contemporaneo O Legado Romano no Mundo Contemporâneo 2012-03-23T17:49:36-03:00 Luiz Gustavo Santos Cota <p> <strong>Objetivos</strong></p> <p> - Discutir os legados da civiliza&#xE7;&#xE3;o romana ainda presentes na sociedade contempor&#xE2;nea, especialmente a brasileira.</p> <p> &#xA0;</p> <p> <strong>Conte&#xFA;dos</strong></p> <p> - Legados culturais e pol&#xED;ticos da civiliza&#xE7;&#xE3;o romana presentes na contemporaneidade.</p> <p> &#xA0;</p> <p> <strong>Tempo estimado</strong></p> <p> Duas aulas</p> <p> &#xA0;</p> <p> <strong>Material necess&#xE1;rio</strong></p> <p> - C&#xF3;pias da reportagem &#x201C;Ode ao realismo&#x201D; (BRAVO!, Ed. 175, mar&#xE7;o de 2012) para todos os alunos;</p> <p> - Computador com acesso &#xE0; internet;</p> <p> - Trecho do filme <em>Gladiador</em>, apresentando embate entre gladiadores, dispon&#xED;vel em: <a href="http://bit.ly/AjBLRZ">http://bit.ly/AjBLRZ</a></p> <p> - Trecho do filme <em>Gladiador</em>, mostrando luta no Coliseu romano, dispon&#xED;vel em: <a href="http://bit.ly/yxElr2">http://bit.ly/yxElr2</a></p> <p> - Trailler do filme <em>Como &#xC1;gua</em>, sobre a carreira do lutador Anderson Silva, dispon&#xED;vel em: <a href="http://bit.ly/xAyw23">http://bit.ly/xAyw23</a></p> <p> <strong>Introdu&#xE7;&#xE3;o</strong></p> <p> Mais de mil e quinhentos anos ap&#xF3;s sua desagrega&#xE7;&#xE3;o, a civiliza&#xE7;&#xE3;o romana ainda conserva o poder de mexer com o imagin&#xE1;rio da sociedade contempor&#xE2;nea que constantemente busca a contempla&#xE7;&#xE3;o de suas realiza&#xE7;&#xF5;es e legados. &#xC9; o caso da exposi&#xE7;&#xE3;o &#x201C;Roma &#x2013; A vida dos Imperadores&#x201D;, aberta no Museu de Arte de S&#xE3;o Paulo (MASP) entre 25 de janeiro e 22 de abril de 2012, que apresenta a oportunidade de transportar os visitantes ao tempo dos antigos romanos atrav&#xE9;s de um rico conjunto de 370 pe&#xE7;as originais, provenientes de acervos p&#xFA;blicos italianos, desnudando aspectos de importantes da vida cotidiana, da pol&#xED;tica e da arte daquela civiliza&#xE7;&#xE3;o. Contudo, a referida exposi&#xE7;&#xE3;o n&#xE3;o possibilita apenas uma viagem a um distante passado, mas tamb&#xE9;m a oportunidade de vislumbrar a forma como os legados romanos se apresentam ainda hoje em nossa cultura, passando muitas vezes despercebidos.</p> <p> <strong>Desenvolvimento</strong></p> <p> <strong>1&#xAA; aula</strong></p> <p> Distribua c&#xF3;pias da reportagem &#x201C;Ode ao realismo&#x201D; (BRAVO!, Ed. 175, mar&#xE7;o de 2012) para a turma e fa&#xE7;a sua leitura junto com os alunos. Procure chamar aten&#xE7;&#xE3;o para a import&#xE2;ncia da arte romana indicada pelo texto e a forma como ela se diferenciou da grega, de quem os romanos eram tribut&#xE1;rios, ao n&#xE3;o se apegar apenas &#xE0; idealiza&#xE7;&#xE3;o das formas humanas perfeitas, mas &#xE0; busca dos detalhes da realidade, algo que possibilita conhecermos at&#xE9; mesmo as fei&#xE7;&#xF5;es de seus imperadores ou mesmo de cidad&#xE3;os an&#xF4;nimos. Em seguida, indague a turma se eles poderiam indicar a presen&#xE7;a de elementos culturais, pol&#xED;ticos ou art&#xED;sticos que os romanos nos legaram e que se fazem presentes em nosso cotidiano. Aproveitando as informa&#xE7;&#xF5;es fornecidas pela turma, comente que o objetivo da aula ser&#xE1; justamente refletir sobre a heran&#xE7;a romana presente na cultura brasileira contempor&#xE2;nea.</p> <p> <strong>A l&#xED;ngua</strong></p> <p> Uma das heran&#xE7;as romanas mais claras em nosso cotidiano estar&#xE1; presente desde a primeira palavra trocada em sala de aula. A l&#xED;ngua portuguesa tem suas origens no latim, idioma falado pelos romanos, fruto do processo de expans&#xE3;o romana, que possibilitou a dissemina&#xE7;&#xE3;o de sua linguagem atrav&#xE9;s das a&#xE7;&#xF5;es administrativas, pol&#xED;ticas e econ&#xF4;micas praticadas pelo Imp&#xE9;rio. Com o decl&#xED;nio da civiliza&#xE7;&#xE3;o romana, no s&#xE9;culo V, e a conseq&#xFC;ente fragmenta&#xE7;&#xE3;o de suas antigas possess&#xF5;es, vers&#xF5;es regionais do latim vulgar, falado pelos cidad&#xE3;os comuns (soldados, comerciantes, colonos etc.), come&#xE7;aram a se desenvolver, sobretudo na Europa continental, dando origem &#xE0;s chamadas l&#xED;nguas neolatinas ou rom&#xE2;nicas, que tem como principais representantes o portugu&#xEA;s, o espanhol, o italiano, o franc&#xEA;s e o romeno.</p> <p> Informe que mesmo ap&#xF3;s constantes transforma&#xE7;&#xF5;es ao longo dos s&#xE9;culos, a l&#xED;ngua portuguesa por n&#xF3;s falada ainda guarda uma s&#xE9;rie de express&#xF5;es latinas, sendo que muitas delas t&#xEA;m um uso muito freq&#xFC;ente, mostrando que, ao contr&#xE1;rio do que geralmente se afirma, o latim n&#xE3;o &#xE9; um idioma morto. O latim est&#xE1; de presente na origem de muitas das palavras que usamos no cotidiano, como, por exemplo, condom&#xED;nio e domingo, que tem sua origem na palavra <em>dominus</em>, que significa senhor, entre outros tantos exemplos. Contudo, o latim tamb&#xE9;m ainda se faz presente no uso de express&#xF5;es completas, cujo uso &#xE9; muito variado e mesmo intenso. Basta pensar quantas vezes, ao procurar um emprego, as pessoas n&#xE3;o tiveram que entregar seu <em>curriculum vitae</em> em uma empresa, ou ainda quando algu&#xE9;m &#xE9; <em>persona non grata</em> em algum lugar. Comente tamb&#xE9;m a forma como o latim se faz presente em algumas &#xE1;reas do conhecimento, como o Direito, onde algumas express&#xF5;es fazem parte do vocabul&#xE1;rio t&#xE9;cnico, ou mesmo o fato de o idioma romano ser a l&#xED;ngua oficial da Igreja Cat&#xF3;lica. Apresente aos alunos uma pequena lista que traz exemplos de express&#xF5;es latinas correntemente utilizadas ainda hoje e procure observar quais as mais conhecidas por eles:</p> <p> Alibi: em outro lugar</p> <p> Alter ego: outro eu</p> <p> A posteriori: a partir do que vem depois</p> <p> A priori: a partir do que vem antes</p> <p> Carpe diem: aproveite o dia</p> <p> Corpus Christi: Corpo de Cristo</p> <p> Curriculum vitae: percurso de vida</p> <p> Data (maxima) venia: com a devida permiss&#xE3;o (com o devido consentimento)</p> <p> Et caetera (etc.): e outras coisas</p> <p> F&#xF3;rum: foro</p> <p> Habeas corpus: que tenhas o corpo</p> <p> Honoris causa: a t&#xED;tulo de honraIdem: o mesmo, a mesma coisa</p> <p> In loco: no lugar</p> <p> In memoriam: em mem&#xF3;ria de </p> <p> In vitro: no vidroInter vivos: entre vivos </p> <p> Lato sensu: no sentido lato, geral </p> <p> Per capita: por cabe&#xE7;a </p> <p> Persona non grata: pessoa indesejada </p> <p> Sine qua non: sem a qual n&#xE3;o</p> <p> Statu quo: no estado em que se encontrava (antes)</p> <p> Stricto sensu: sentido restrito</p> <p> Sui generis: do seu g&#xEA;nero; peculiar; especial</p> <p> Quorum: de quantos (n&#xFA;mero legal ou estatut&#xE1;rio)</p> <p> &#xA0;</p> <p> <strong>Pol&#xED;tica e o Direito</strong></p> <p> Informe &#xE0; turma que os romanos se notabilizaram pela forma como organizaram sua sociedade, regulamentada por um amplo conjunto de leis, necess&#xE1;rio para a estabilidade do Imp&#xE9;rio. Sendo uma civiliza&#xE7;&#xE3;o multicultural, com fronteiras vastas e em constante conflito, o c&#xF3;digos jur&#xED;dicos e legislativos institu&#xED;dos desde suas origens, at&#xE9; a queda do Imp&#xE9;rio do Oriente (565 d.C), foram importantes para a organiza&#xE7;&#xE3;o administrativa e social, tendo influenciado de forma marcante c&#xF3;digos jur&#xED;dicos posteriores, desenvolvidos especialmente em suas antigas &#xE1;reas de influ&#xEA;ncia/conquista, como foi o caso das Ordens R&#xE9;gias portuguesas (Afonsinas, Manuelinas e Filipinas), compiladas a partir do s&#xE9;culo XV, que, por sua vez, deram origem ao que viria ser o Direito brasileiro.</p> <p> Siga informando que o sistema jur&#xED;dico romano se aperfei&#xE7;oou gradualmente, tendo como prov&#xE1;vel ponto de partida a compila&#xE7;&#xE3;o da chamada &#x201C;Lei das Doze T&#xE1;buas&#x201D;, no s&#xE9;culo V a.C, que regulamentou mat&#xE9;rias antes pertencentes &#xE0;s leis costumeiras, tendo sido posteriormente dividido em pelo menos tr&#xEA;s &#xE1;reas: o <em>ius civile</em>(Direito civil), c&#xF3;digo aplic&#xE1;vel aos cidad&#xE3;os de Roma; o<em>ius gentium</em>(Direito das gentes ou dos estrangeiros), sendo o conjunto de normas comuns ao povo romano e aos povos conquistados; e o<em>ius naturale</em>(Direito natural), que representava o aspecto filos&#xF3;fico do Direito, baseado na ideia de que existiam direitos naturais inerentes ao ser humano.</p> <p> Comente que, ao lado sistema jur&#xED;dico, a organiza&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tica foi outra importante marca da civiliza&#xE7;&#xE3;o romana. O senado romano &#xE9; uma das mais antigas institui&#xE7;&#xF5;es pol&#xED;ticas colegiadas, tendo origem em antigos conselhos de anci&#xE3;os. Existente desde o per&#xED;odo mon&#xE1;rquico (753 a.C. &#x2013; 509 a.C.), o senado ganhou mais import&#xE2;ncia a partir do per&#xED;odo republicano (510 a.C. &#x2013; 27 a.C.), quando seus membros, os senadores, deixaram de ser meros conselheiros do rei, passando a ser o centro do governo romano, controlando as finan&#xE7;as p&#xFA;blicas, a justi&#xE7;a e mesmo a religi&#xE3;o. J&#xE1; com o Imp&#xE9;rio (27 a.C.-476 d.C.), o senado deixou novamente de ser o centro do poder, at&#xE9; se transformar em um &#xF3;rg&#xE3;o de administra&#xE7;&#xE3;o municipal, por volta do s&#xE9;culo III. Por fim, informe que o senado romano &#xE9;, por exemplo, a origem de uma de nossas atuais institui&#xE7;&#xF5;es pol&#xED;ticas de representa&#xE7;&#xE3;o: a C&#xE2;mara Municipal. No caso, o modelo pol&#xED;tico-administrativo romano esteve presente na Pen&#xED;nsula Ib&#xE9;rica e, consequentemente, se estendeu ao Brasil nos tempos de col&#xF4;nia. As c&#xE2;maras portuguesas mantiveram parte da estrutura b&#xE1;sica do modelo romano, representado pela Lei Municipal J&#xFA;lia (Lex Julia Municipalis), criada durante o governo de Julio C&#xE9;sar, tendo sido modificada ao longo do tempo, tendo, no Brasil, concentrado os poderes legislativo, executivo e judici&#xE1;rio at&#xE9; a Proclama&#xE7;&#xE3;o da Rep&#xFA;blica, quando as C&#xE2;maras Municipais passaram a cuidar apenas da legisla&#xE7;&#xE3;o.</p> <p> &#xA0;</p> <p> <strong>2&#xAA; aula</strong></p> <p> <strong>Panem et Circenses</strong></p> <p> Procure iniciar a aula retomando as discuss&#xF5;es travadas na aula anterior, informando aos alunos que continuaram a discutir os legados da civiliza&#xE7;&#xE3;o romana. Pergunte &#xE0; turma o que eles sabem a respeito da express&#xE3;o &#x201C;p&#xE3;o e circo&#x201D;, procurando, em seguida destacar suas origens romanas. Informe que os romanos inauguraram a organiza&#xE7;&#xE3;o dos espet&#xE1;culos para grandes p&#xFA;blicos, tendo sido estes presentes em praticamente todas as cidades do Imp&#xE9;rio. Explique que a pol&#xED;tica de a distribui&#xE7;&#xE3;o de alimentos e promo&#xE7;&#xE3;o de entretenimento (da&#xED; a express&#xE3;o &#x201C;p&#xE3;o e circo&#x201D; ou <em>panem et circenses</em>) teria se constitu&#xED;do como uma das principais formas de controle social da plebe romana.</p> <p> Siga informando que a crescente preocupa&#xE7;&#xE3;o dos governantes romanos com a manuten&#xE7;&#xE3;o de seu circo culminou com a constru&#xE7;&#xE3;o das grandes arenas de espet&#xE1;culos, como o Anfiteatro Fl&#xE1;vio, mais conhecido como Coliseu Romano, constru&#xED;do por volta do ano 80 d.C., palco dos combates de gladiadores, contando com a capacidade para at&#xE9; 50 mil espectadores; assim como o Circus Maximus, constru&#xED;do por volta de 50 a.C., sendo que em seu auge teria contado com a incr&#xED;vel capacidade de entre 250 e 300 mil espectadores &#xE1;vidos pelas corridas de cavalos. No caso, no que diz respeito &#xE0; expectativa de p&#xFA;blico, as estruturas erguidas pelos romanos n&#xE3;o devem absolutamente nada aos nossos atuais est&#xE1;dios de esportes. Contudo, muitos historiadores criticam a vis&#xE3;o tradicional do chamado &#x201C;p&#xE3;o e circo&#x201D;, baseada na id&#xE9;ia de que pol&#xED;tica de entretenimento e subsist&#xEA;ncia das massas alcan&#xE7;ava a totalidade dos cidad&#xE3;os romanos ou mesmo que a situa&#xE7;&#xE3;o da popula&#xE7;&#xE3;o pobre n&#xE3;o seria das piores por conta da assist&#xEA;ncia prestada por Estado e cidad&#xE3;os abastados.</p> <p> Explique que alguns pesquisadores apontam para o fato de que a pr&#xF3;pria capacidade de p&#xFA;blico das arenas (mesmo com cifras tidas como impressionantes) n&#xE3;o era suficientemente ampla para abrigar toda a plebe, gerando a falsa interpreta&#xE7;&#xE3;o de que a popula&#xE7;&#xE3;o comum possu&#xED;a, necessariamente, &#x201C;cadeira cativa&#x201D; nos espet&#xE1;culos que, tamb&#xE9;m ao contr&#xE1;rio do que se imagina, n&#xE3;o eram permanentes. N&#xE3;o obstante, assim como n&#xE3;o havia espa&#xE7;o para todos nas arenas, tamb&#xE9;m n&#xE3;o havia p&#xE3;o que alimentasse toda popula&#xE7;&#xE3;o romana. Mesmo tendo total aten&#xE7;&#xE3;o do Estado e popularidade entre os cidad&#xE3;os do Imp&#xE9;rio, o <em>panem et circenses</em> n&#xE3;o alcan&#xE7;ava todos da mesma forma, o que certamente fez com que outras estrat&#xE9;gias de sustento e divers&#xE3;o fossem elaboradas pela plebe romana.</p> <p> Siga informando que os grandes espet&#xE1;culos encenados nas arenas romanas eram muitas vezes organizados com grande pompa e circunst&#xE2;ncia, sendo geralmente dirigidos por um magistrado, respons&#xE1;vel pela organiza&#xE7;&#xE3;o do circo. Fazia parte do programa, que podia come&#xE7;ar logo ao raiar do dia, contava com a execu&#xE7;&#xE3;o de condenados, apresenta&#xE7;&#xF5;es teatrais, lutas entre animais (ex.: touros, ursos, tigres, le&#xF5;es etc.), apresenta&#xE7;&#xE3;o dos chamados <em>venatores </em>(gladiadores especializados no combate com feras) e, finalmente os combates entre gladiadores. No caso dos jogos dos gladiadores, espet&#xE1;culo carregado de emo&#xE7;&#xE3;o, dor e morte, cujo principal palco m&#xE1;ximo era o Coliseu de Roma, os participantes (homens e mulheres) podiam ser divididos em equipes advers&#xE1;rias que se enfrentavam diante dos olhos do p&#xFA;blico que se dividia na torcida pelos grupos em combate.</p> <p> Explique &#xE0; turma que a prov&#xE1;vel origem das lutas de gladiadores remonta a antigas pr&#xE1;ticas funer&#xE1;rias dispensadas &#xE0; aristocracia romana, cuja encena&#xE7;&#xE3;o de combates e mesmo cenas de choro e tristeza faziam parte do enredo das homenagens ao indiv&#xED;duo falecido. O ritual funer&#xE1;rio era um verdadeiro espet&#xE1;culo, cuja finalidade era cristalizar uma determinada mem&#xF3;ria a respeito do homenageado, o que possibilitou a populariza&#xE7;&#xE3;o das lutas que por volta do s&#xE9;culo I aumentaram sua freq&#xFC;&#xEA;ncia e import&#xE2;ncia. Informe que geralmente o combate poderia durar at&#xE9; que um dos oponentes admitisse a derrota, sendo que neste caso a miseric&#xF3;rdia ou morte eram decididas pelo p&#xFA;blico e o nobre respons&#xE1;vel pelo espet&#xE1;culo. Contido, os combates poderiam tamb&#xE9;m obedecer &#xE0; regra do <em>sine missione</em>, ou seja, n&#xE3;o haveria a possibilidade de miseric&#xF3;rdia sendo a vit&#xF3;ria obtida apenas com a morte do advers&#xE1;rio.</p> <p> O del&#xED;rio do p&#xFA;blico presente acabava por se confundir muitas vezes com o clima teatral dos espet&#xE1;culos e, no caso dos combates de gladiadores, com a sede de fama e prest&#xED;gio perseguida por muitos. Comente que a id&#xE9;ia de que muitos escravos eram obrigados a se transformarem em gladiadores tamb&#xE9;m n&#xE3;o corresponde necessariamente ao que informam os historiadores. A gladiatura era um espet&#xE1;culo, assim, apenas os mais aptos &#xE0;s artes do combate adentravam as arenas na condi&#xE7;&#xE3;o de gladiador. Em muitos casos, as pessoas se apresentavam como volunt&#xE1;rios ao treinamento, ou optavam por ele como forma de comutar condena&#xE7;&#xF5;es por crimes. No caso espec&#xED;fico dos escravos, ser escolhido para se tornar um gladiador poderia significar uma via para liberdade. Eram escolhidos para os combates apenas os mais fortes e &#xE1;geis que eram encaminhados para um local chamado ludus, uma esp&#xE9;cie de centro de treinamento. Assim como ocorre com os astros dos esportes hoje, os gladiadores, caso fossem bem sucedidos, poderiam a fama e prest&#xED;gio no mundo dos espet&#xE1;culos.</p> <p> Feita a explana&#xE7;&#xE3;o exiba para a turma dois recortes do filme <em>Gladiador</em>, dirigido por Ridley Scott em 2000 e estrelado por Russell Crowe que interpretou o general romano Maximus que, envolvido nas disputas pela sucess&#xE3;o do imperador Marcus Aurelius em 180 d.C., sofre uma tentativa de assassinato, perde a fam&#xED;lia e acaba se tornando um gladiador. O filme ganhador de 5 Oscar d&#xE1; uma boa mostra da hist&#xF3;ria dos jogos dos gladiadores e mesmo do clima das arenas de luta. O primeiro trecho a ser exibido mostra o gladiador Maximus em combate em arena de uma prov&#xED;ncia romana, mostrando, al&#xE9;m da luta, as rea&#xE7;&#xF5;es do p&#xFA;blico em rela&#xE7;&#xE3;o ao espet&#xE1;culo. A referida cena tem a dura&#xE7;&#xE3;o de 1 minuto e 52 segundos. J&#xE1; o segundo trecho selecionado apresenta o protagonista no Coliseu em combate contra outro gladiador e animais, proporcionando uma amostra da estrutura da maior arena de combate romana e da pr&#xF3;pria din&#xE2;mica do espet&#xE1;culo. O trecho tem a dura&#xE7;&#xE3;o de 2 minutos e 14 segundos.</p> <p> Ap&#xF3;s exibir os trechos do filme, inicie um debate com a turma sobre a proximidade entre os espet&#xE1;culos de arena da Roma antiga e as atuais disputas esportivas profissionais, como os campeonatos de futebol e os eventos de artes marciais conhecidas como MMA (Mix Martial Arts, ou Mistura de Artes Marciais). Acrescente &#xE0; discuss&#xE3;o a exibi&#xE7;&#xE3;o do trailler do filme <em>Como &#xE1;gua</em>, de dura&#xE7;&#xE3;o de 2 minutos e 25 segundos, que narra a hist&#xF3;ria de um combate do lutador brasileiro Anderson Silva, discutindo as atuais disputas de artes marciais como um poss&#xED;vel legado romano, observando a exist&#xEA;ncia de elementos pr&#xF3;ximos &#xE0;queles presentes nos antigos combates de gladiadores, como a busca por fama e prest&#xED;gio, ou mesmo o enfrentamento em grandes arenas, contando com grande p&#xFA;blico, que no caso n&#xE3;o se faz presente apenas no palco da luta, mas tamb&#xE9;m pelas transmiss&#xF5;es televisivas. Comente a respeito da persist&#xEA;ncia da atra&#xE7;&#xE3;o pela viol&#xEA;ncia, t&#xE3;o marcante nos circos romanos e que se faz presente de diferentes formas na contemporaneidade, em especial nos novos &#x201C;shows&#x201D; de luta, que tem ganhado muito espa&#xE7;o no Brasil. Discuta com os alunos se podemos considerar os atuais espet&#xE1;culos esportivos, assim como as grandes produ&#xE7;&#xF5;es midi&#xE1;ticas, um legado romano. Procure incitar uma reflex&#xE3;o a respeito da persist&#xEA;ncia do &#x201C;p&#xE3;o e circo&#x201D;, de uma pol&#xED;tica, oficial ou n&#xE3;o, de entretenimento das massas e seus alcances na popula&#xE7;&#xE3;o brasileira.</p> <p> &#xA0;</p> <p> <strong>Avalia&#xE7;&#xE3;o</strong></p> <p> Observe se a turma, a partir do conhecimento ministrado e das discuss&#xF5;es promovidas, conseguiu identificar e compreender a exist&#xEA;ncia de elementos culturais e pol&#xED;ticos romanos em nossa contemporaneidade. Em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0; discuss&#xE3;o promovida na segunda aula, procure observar se os alunos estabeleceram uma rela&#xE7;&#xE3;o clara entre os grandes espet&#xE1;culos romanos e os contempor&#xE2;neos, relacionando-os &#xE0; chamada pol&#xED;tica do &#x201C;p&#xE3;o e circo&#x201D;, identificando similaridades e diferen&#xE7;as.</p> <p> &#xA0;</p> <p> Consultoria <strong>Luiz Gustavo Cota</strong></p> <p> Doutorando em Hist&#xF3;ria Social pela Universidade Federal Fluminense.</p> 2012-03-23T17:39:49-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Sala de Aula - Março 2012 Sala de Aula BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/como-fazer-a-leitura-de-obras-de-arte Como fazer a leitura de obras de Arte? 2011-12-19T11:14:15-02:00 Carlos Arouca <p> <strong>Objetivos</strong></p> <p> - Trabalhar as no&#xE7;&#xF5;es de discurso est&#xE9;tico e de leitura de obras na Hist&#xF3;ria da Arte.</p> <p> - Reconhecer e defender gostos pessoais em Arte, com base em argumentos vinculados &#xE0; Hist&#xF3;ria da Arte e seus artistas.</p> <p> - Saber construir um texto dissertativo com coer&#xEA;ncia.</p> <p> &#xA0;</p> <p> <strong>Conte&#xFA;dos</strong></p> <p> - Hist&#xF3;ria da Arte.</p> <p> - Leitura de obras.</p> <p> - Est&#xE9;tica.</p> <p> &#xA0;</p> <p> <strong>Tempo estimado</strong></p> <p> Duas aulas.</p> <p> &#xA0;</p> <p> <strong>Materiais necess&#xE1;rios</strong></p> <p> C&#xF3;pias da reportagem &#x201C;Na casa dos artistas&#x201D; (<em>BRAVO!</em>, Ed. 172, dezembro de 2011) para todos os alunos; computador com data show e acesso &#xE0; internet para mostrar imagens aos alunos; l&#xE1;pis grafite; papel de monobloco.</p> <p> &#xA0;</p> <p> <strong>Introdu&#xE7;&#xE3;o</strong></p> <p> A reportagem &#x201C;Na casa dos artistas&#x201D;, publicada em <em>BRAVO!</em> (Ed. 172, dezembro de 2011) fala sobre o trabalho do italiano Giorgio Vasari (1511-1574), considerado o primeiro cr&#xED;tico de arte da hist&#xF3;ria. No s&#xE9;culo 16, Vasari explorou o g&#xEA;nero biografia em seus textos e escreveu sobre as vidas de in&#xFA;meros artistas.</p> <p> A reportagem &#xE9; um bom mote para trabalhar com os alunos a seguinte quest&#xE3;o: se no campo te&#xF3;rico da arte, as diferentes maneiras de se tratar de conceitos, movimentos ou trajet&#xF3;rias individuais atravessam s&#xE9;culos e passam pelas mais variadas abordagens, o trabalho com arte inserido dentro do contexto escolar tamb&#xE9;m deve voltar sua aten&#xE7;&#xE3;o para a forma de tratar os aspectos conceituais relacionados &#xE0; disciplina art&#xED;stica?</p> <p> Primeiramente, &#xE9; poss&#xED;vel citar como experi&#xEA;ncia no Brasil nos anos 1980 a introdu&#xE7;&#xE3;o da Metodologia Triangular de Ana Mae Barbosa, diretamente influenciada pela DBAE (sigla para <em>Discipline Based Art Education</em>, proposta de ensino de Arte desenvolvida nos Estados Unidos na d&#xE9;cada de 1980, fundamentada pela parceria entre a produ&#xE7;&#xE3;o art&#xED;stica, a Hist&#xF3;ria da Arte, a Cr&#xED;tica e a Est&#xE9;tica).</p> <p> Vale lembrar que a estrutura definida na Metodologia Triangular foi alterada nos anos 1990, quando a ideia de &#x201C;aprecia&#xE7;&#xE3;o art&#xED;stica&#x201D; foi substitu&#xED;da pelo conceito de &#x201C;leitura de obras de arte&#x201D;.</p> <p> O conceito de aprecia&#xE7;&#xE3;o em Arte, tamb&#xE9;m inclu&#xED;do nos Par&#xE2;metros Curriculares Nacionais (PCN) da disciplina, exp&#xF5;e as situa&#xE7;&#xF5;es de estudo e an&#xE1;lise de obras, artistas ou movimentos em sala de aula. Por isso, &#xE9; importante que seus alunos compreendam a import&#xE2;ncia da cr&#xED;tica e da Hist&#xF3;ria da Arte para as aprendizagens de leitura de obras.</p> <p> &#xA0;</p> <p> <strong>Desenvolvimento</strong></p> <p> <strong>1&#xAA; AULA &#x2013; Exerc&#xED;cios de leitura de obras de arte</strong></p> <p> Comece a aula explicando aos alunos que, nos pr&#xF3;ximos encontros, voc&#xEA;s ir&#xE3;o trabalhar as no&#xE7;&#xF5;es de est&#xE9;tica e de leitura de obras de arte. Pergunte &#xE0; turma o que &#xE9; a Arte para eles e pe&#xE7;a que mencionem o que observam em uma obra de arte: a beleza? Os materiais de que &#xE9; feita? Eles procuram saber algo sobre o artista ou o contexto de produ&#xE7;&#xE3;o daquela obra?</p> <p> Em seguida, mostre &#xE0; turma um dos v&#xED;deos da s&#xE9;rie &#x201C;Obra revelada&#x201D;, dispon&#xED;vel em <a href="http://abr.io/obra-revelada">http://abr.io/obra-revelada</a>. Trata-se do depoimento de Edilson de Souza, funcion&#xE1;rio da Pinacoteca de S&#xE3;o Paulo. Na grava&#xE7;&#xE3;o, ele fala sobre uma obra de arte de que gosta, mesmo sem ter estudado nada a respeito do assunto. A tela em quest&#xE3;o chama-se &#x201C;Ventania&#x201D; e foi pintada em 1888 por Antonio Parreiras (1860-1937).</p> <p> <img src="http://imgms.bravonline.abril.com.br/9/aulas-vasari-2.jpg" alt="aulas-vasari-2"/></p> <p> &#xA0;</p> <p> Depois da exibi&#xE7;&#xE3;o do v&#xED;deo, de mais ou menos dez minutos, conte &#xE0; turma que a s&#xE9;rie foi produzida pelo professor Jorge Coli, um dos mais importantes pesquisadores de arte do pa&#xED;s. Em seguida, reserve um tempo da aula para que os alunos comentem suas impress&#xF5;es a respeito do depoimento do funcion&#xE1;rio. Que leituras ele faz da obra?</p> <p> Depois, distribua c&#xF3;pias da reportagem de <em>BRAVO!</em> aos alunos e fa&#xE7;am uma leitura coletiva do texto. Explique quem foi Giorgio Vasari e comente que seus escritos e biografias de artistas mudaram o que conhecemos a respeito da Hist&#xF3;ria da Arte. Afinal, ele foi o primeiro grande cr&#xED;tico da hist&#xF3;ria, respons&#xE1;vel por registros importantes dos feitos de artistas bizantinos e renascentistas. Pe&#xE7;a que os alunos comentem o que compreenderam da reportagem, tentando fazer associa&#xE7;&#xF5;es entre a forma de observa&#xE7;&#xE3;o e registro utilizada por Vasari e o depoimento do funcion&#xE1;rio Edilson de Souza. </p> <p> Como li&#xE7;&#xE3;o de casa, solicite que cada aluno escolha uma obra de arte de que gosta e escreva um breve texto explicando os motivos de sua escolha. Para a pr&#xF3;xima aula, ele dever&#xE1; trazer seu coment&#xE1;rio escrito e a reprodu&#xE7;&#xE3;o da obra selecionada, para que o material seja compartilhado com os colegas.</p> <p> &#xA0;</p> <p> <strong>2&#xAA; AULA &#x2013; Socializa&#xE7;&#xE3;o dos textos sobre obras de arte</strong></p> <p> Retome as discuss&#xF5;es da aula anterior, sobre diferentes maneiras de se perceber ou ler obras de arte e organize uma discuss&#xE3;o para que os alunos exponham seus argumentos a respeito das obras que analisaram em casa. Pe&#xE7;a que, antes de cada explica&#xE7;&#xE3;o, as reprodu&#xE7;&#xF5;es das obras selecionadas sejam mostradas aos colegas.</p> <p> Depois de socializados os textos, comunique que voc&#xEA; vai apresentar a imagem de outra obra de arte importante para a hist&#xF3;ria. Neste momento, entregue aos alunos uma reprodu&#xE7;&#xE3;o (ou projete na tela, caso sua escola disponha de um <em>data show</em>) do trabalho &#x201C;Roda de bicicleta&#x201D;, feito em 1913 por Marcel Duchamp.</p> <p> <img src="http://imgms.bravonline.abril.com.br/9/aulas-vasari.jpg" alt="aulas-vasari"/></p> <p> &#xA0;</p> <p> Deixe que os alunos observem a obra por alguns minutos e fa&#xE7;am coment&#xE1;rios entre si. Em seguida, permita que eles socializem suas impress&#xF5;es com a turma e complemente as opini&#xF5;es dos estudantes com informa&#xE7;&#xF5;es sobre o contexto de produ&#xE7;&#xE3;o dos chamados <em>ready-mades</em> de Duchamp: objetos tirados de seu contexto ou fun&#xE7;&#xE3;o usual e elevados &#xE0; categoria de arte, seja por sua reorganiza&#xE7;&#xE3;o, seja pela forma como s&#xE3;o colocados nos espa&#xE7;os expositivos.</p> <p> Conte que, no contexto da Arte Moderna, a arte de Duchamp &#xE9; desprovida de qualquer sentido heroico. Ele n&#xE3;o desejava levar arte &#xE0;s massas nem beleza ao cotidiano. Duchamp tamb&#xE9;m n&#xE3;o estava preocupado em corrigir as imperfei&#xE7;&#xF5;es da natureza ao produzir obras belas (como ocorria na pintura do Renascimento). Desde o final do s&#xE9;culo 19, o objetivo de Marcel Duchamp e de outros artistas modernos era refletir sobre o pr&#xF3;prio fazer art&#xED;stico. O mais claro e contundente convite de Marcel Duchamp nesse sentido s&#xE3;o seus <em>ready-made</em>. Ao tirar um objeto comum de seu contexto e elev&#xE1;-lo &#xE0; categoria de arte, ele anunciava ao mundo: a habilidade manual do artista j&#xE1; n&#xE3;o basta para definir uma obra.</p> <p> Na realidade moderna, tomada pelas mais diferentes possibilidades de reprodu&#xE7;&#xE3;o, o pensamento do autor por tr&#xE1;s de seu trabalho, a ideia e a concep&#xE7;&#xE3;o das obras tornam-se mais importantes que a busca pela perfei&#xE7;&#xE3;o est&#xE9;tica. Para Duchamp, instalar uma roda de bicicleta sobre um banco era um jeito de fazer com que o espectador deixasse de v&#xEA;-la como parte da bicicleta e passasse a admir&#xE1;-la por seus contornos. O que torna essa roda uma pe&#xE7;a valiosa no mercado de arte, contudo, n&#xE3;o &#xE9; sua beleza, mas a &#x201C;sacada&#x201D; do artista. O deslocamento do objeto &#xE9; o que agregava valor a ele. E Duchamp foi um mestre na escolha de seus <em>ready-mades</em>, como o &#x201C;Porta-garrafas&#x201D; e a &#x201C;Fonte&#x201D;. </p> <p> Reitere para a classe que na Arte, assim como em outros campos de estudo, &#xE9; muito importante buscar informa&#xE7;&#xF5;es sobre o que se est&#xE1; observando e que grande parte destas informa&#xE7;&#xF5;es podem ser obtidas em livros ou em apresenta&#xE7;&#xF5;es orais.</p> <p> Como li&#xE7;&#xE3;o de casa, pe&#xE7;a aos alunos que escolham uma nova obra de arte para an&#xE1;lise, comparando-a a obra analisada anteriormente. Desta vez, &#xE9; importante que os estudantes n&#xE3;o argumentem apenas com base em suas impress&#xF5;es, mas busquem informa&#xE7;&#xF5;es a respeito do contexto hist&#xF3;rico de produ&#xE7;&#xE3;o e exibi&#xE7;&#xE3;o das obras. Voc&#xEA; pode orient&#xE1;-los levando para a sala artigos escritos por cr&#xED;ticos e curadores, como alguns trechos do livro <em>Vida dos Artistas</em> (Martins Fontes, 2011), escrito por Giorgio Vasari.</p> <p> &#xA0;</p> <p> <strong>Avalia&#xE7;&#xE3;o</strong></p> <p> Leve em conta os trabalhos escritos e as apresenta&#xE7;&#xF5;es dos alunos em sala. Observe se todos compreenderam a import&#xE2;ncia de se fazer a leitura de obras de arte com base em informa&#xE7;&#xF5;es que est&#xE3;o para al&#xE9;m da simples observa&#xE7;&#xE3;o da obra e analise se todos compreenderam a diferen&#xE7;a entre est&#xE9;tica e arte. Se desejar, complemente a explica&#xE7;&#xE3;o mostrando &#xE0; turma uma experi&#xEA;ncia real de alunos de uma escola de S&#xE3;o Paulo que aprenderam a fazer a leitura de obras a partir de uma visita &#xE0; Bienal: <a href="http://abr.io/video-bienal">http://abr.io/video-bienal</a></p> <p> &#xA0;</p> <p> Consultoria <strong>Carlos Arouca, </strong>Professor de Arte da Escola Vera Cruz, em S&#xE3;o Paulo.</p> Apresente aos alunos a trajetória do italiano Giorgio Vasari, um dos primeiros e mais importantes críticos de arte da história e discuta com a turma como devemos perceber as obras de arte em diferentes contextos e sociedades 2011-12-19T11:14:15-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Sala de Aula - Dezembro 2011 Apresente aos alunos a trajetória do italiano Giorgio Vasari, um dos primeiros e mais importantes críticos de arte da história e discuta com a turma como devemos perceber as obras de arte em diferentes contextos e sociedades Artes Visuais Sala de Aula BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/os-caminhos-do-teatro-no-brasil Os caminhos do teatro no Brasil 2011-12-09T15:28:09-02:00 Mônica Andréa Grando <p> &#xA0;</p> <p> <strong>Objetivos</strong></p> <p> - Conhecer, compreender e analisar o trabalho dos diretores Jos&#xE9; Celso Martinez Corr&#xEA;a e Antunes Filho para o teatro brasileiro.</p> <p> - Conhecer o trabalho de alguns diretores e atores do teatro brasileiro contempor&#xE2;neo.</p> <p> - Elaborar um ciclo de leituras dram&#xE1;ticas na escola com base em textos cl&#xE1;ssicos do teatro brasileiro.</p> <p> - Pesquisar a hist&#xF3;ria do teatro no Brasil.</p> <p> &#xA0;</p> <p> <strong>Conte&#xFA;dos</strong></p> <p> - Teatro brasileiro.</p> <p> - Artistas contempor&#xE2;neos brasileiros.</p> <p> - Jos&#xE9; Celso Martinez Corr&#xEA;a e Antunes Filho.</p> <p> &#xA0;</p> <p> <strong>Tempo estimado</strong></p> <p> Quatro aulas</p> <p> &#xA0;</p> <p> <strong>Materiais necess&#xE1;rios</strong></p> <p> - C&#xF3;pias da reportagem &#x201C;Ao Lado dos Deuses&#x201D; (<em>BRAVO!</em>, Ed 172. dezembro de 2011) para todos os alunos.</p> <p> - Imagens de algumas pe&#xE7;as de Jos&#xE9; Celso Martinez Corr&#xEA;a, dispon&#xED;veis em: <a href="http://teatroficina.uol.com.br/uzyna_uzona">http://teatroficina.uol.com.br/uzyna_uzona</a></p> <p> - Imagens de algumas pe&#xE7;as de Antunes Filho, dispon&#xED;veis em: <a href="http://sescsp.org.br/">http://sescsp.org.br</a></p> <p> <a href="http://centropesquisateatral.blogspot.com/">http://centropesquisateatral.blogspot.com</a></p> <p> - Projetor para mostrar as imagens das obras aos alunos.</p> <p> - Espa&#xE7;o amplo (pode ser a sala de aula, com as carteiras encostadas nas paredes) para que os alunos trabalhem suas cria&#xE7;&#xF5;es art&#xED;sticas.</p> <p> &#xA0;</p> <p> <strong>Desenvolvimento</strong></p> <p> <strong>1&#xAA; AULA &#x2013; Z&#xE9; Celso e Antunes: inspira&#xE7;&#xF5;es para o teatro brasileiro</strong></p> <p> Inicie contando aos alunos que as pr&#xF3;ximas tr&#xEA;s aulas ser&#xE3;o dedicadas a estudar o teatro brasileiro com base nas contribui&#xE7;&#xF5;es de dois grandes mestres dessa arte no Brasil: Jos&#xE9; Celso Martinez Corr&#xEA;a e Antunes Filho. Conte que uma que uma reportagem publicada na revista <em>BRAVO! </em>(&#x201C;Ao Lado dos Deuses&#x201D;, dezembro de 2011) vai servir como material de apoio para os encontros e vai ajudar a enriquecer o debate sobre algumas quest&#xF5;es: afinal, o que &#xE9; o teatro? Para ser ator &#xE9; preciso ter forma&#xE7;&#xE3;o acad&#xEA;mica?</p> <p> Antes de ler o texto de <em>BRAVO!</em> com seus alunos proponha uma breve conversa a respeito da express&#xE3;o &#x201C;teatro contempor&#xE2;neo&#x201D;. Para isso, voc&#xEA; poder&#xE1; levar para a sala de aula um conjunto de imagens de diversos grupos de teatro importantes para a hist&#xF3;ria desta arte no Brasil, como o TBC (Teatro Brasileiro de Com&#xE9;dia), o Teatro Oficina (de Z&#xE9; Celso), o Folias d&#x2019; Arte, o Grupo Tapa; e de atores consagrados, como Jo&#xE3;o Caetano, Cacilda Becker, Paulo Autran, Fernanda Montenegro e Ant&#xF4;nio Fagundes, por exemplo. &#xC9; importante que essas imagens tamb&#xE9;m contemplem pe&#xE7;as de teatro produzidas recentemente.</p> <p> Em seguida, proponha aos alunos que organizem as imagens de acordo com os per&#xED;odos em que eles acham que as pe&#xE7;as registradas nas fotos foram produzidas. Assim, os estudantes estar&#xE3;o fazendo um recorte cronol&#xF3;gico das pe&#xE7;as e ainda poder&#xE3;o lembrar-se de dramaturgos consagrados, como Nelson Rodrigues e Pl&#xED;nio Marcos.</p> <p> Para tornar a discuss&#xE3;o ainda mais interessante, selecione alguns trechos de pe&#xE7;as como &#x201C;Senhora dos Afogados&#x201D; e &#x201C;Boca de Ouro&#x201D;, de Nelson Rodrigues e &#x201C;Navalha na Carne&#x201D; e &#x201C;Dois Perdidos numa Noite Suja&#x201D;, de Pl&#xED;nio Marcos e recomende a leitura aos alunos. Explique que alguns desses textos serviram a montagens emblem&#xE1;ticas dirigidas por Z&#xE9; Celso e Antunes Filho. Aproveite a discuss&#xE3;o e mostre &#xE0; turma imagens das pe&#xE7;as encenadas pelos diretores. Observe que ambos obtiveram grande sucesso com obras de artistas expoentes da Semana de Arte Moderna de 1922: Antunes Filho fez uma montagem c&#xE9;lebre de &#x201C;Macuna&#xED;ma&#x201D;, obra de M&#xE1;rio de Andrade, e Z&#xE9; Celso fez uma montagem marcante da pe&#xE7;a &#x201C;O Rei da Vela&#x201D;, de Oswald de Andrade.</p> <p> Em seguida, comente com os alunos que as montagens dessas duas pe&#xE7;as s&#xE3;o um grande marco para o teatro nacional, pois ambos inovaram na encena&#xE7;&#xE3;o, e, ao mesmo tempo, usaram essas obras para criticar o governo militar bem como o regime da ditadura que o Brasil vivia naquela &#xE9;poca.</p> <p> Mas como esses diretores influenciaram o teatro brasileiro? Por que eles s&#xE3;o mestres de jovens atores? Explique &#xE0; turma que, no campo da cultura, muitos intelectuais e artistas lutaram pela redemocratiza&#xE7;&#xE3;o do pa&#xED;s e usaram suas obras para &#x2018;levantar uma bandeira&#x2019; e buscar uma real liberdade de express&#xE3;o. Muitos sofreram persegui&#xE7;&#xF5;es pol&#xED;ticas e fugiram do Brasil, a maior parte migrou para a Europa e l&#xE1; tiveram contato com os centros de pesquisas teatrais que influenciaram todo o s&#xE9;culo 20.</p> <p> Neste momento, tamb&#xE9;m &#xE9; importante que voc&#xEA; contextualize para a turma as principais diferen&#xE7;as no fazer teatral de Z&#xE9; Celso e de Antunes Filho. Segundo a reportagem &#x201C;Os inventores do teatro brasileiro&#x201D; (<em>BRAVO!</em>, mar&#xE7;o de 2008), enquanto Antunes Filho oferece a s&#xED;ntese, a economia de recursos, Z&#xE9; Celso escolhe o caminho da abund&#xE2;ncia, &#x201C;criando bel&#xED;ssimos carnavais com os mais diferentes textos&#x201D;.</p> <p> Antunes Filho &#xE9; um diretor rigoroso com seus atores e com suas montagens. Prefere as pe&#xE7;as que exploram o potencial dos textos, sem cenografias exageradas ou efeitos especiais &#x2013; em um trabalho que teve origens com a cria&#xE7;&#xE3;o do Centro de Pesquisa Teatral (o CPT), em 1982, que transformou a atua&#xE7;&#xE3;o no Brasil.</p> <p> Para Z&#xE9; Celso a palavra de ordem &#xE9; celebra&#xE7;&#xE3;o. Em suas pe&#xE7;as, ele se aproxima dos manifestos, promove intera&#xE7;&#xF5;es entre atores e espectadores e transforma o espet&#xE1;culo em um grande ritual, em uma festa de p&#xFA;blico e elenco. No seu teatro, o Oficina, em S&#xE3;o Paulo, nem mesmo a plateia tem formato tradicional e as pe&#xE7;as podem durar horas (algumas chegam a ser divididas em &#x201C;cap&#xED;tulos&#x201D;, como na montagem de &#x201C;Os Sert&#xF5;es&#x201D;).</p> <p> Para finalizar, distribua as c&#xF3;pias da reportagem de <em>BRAVO! </em>aos alunos e pe&#xE7;a que leiam o texto &#x201C;Ao lado dos deuses&#x201D; em casa, para a pr&#xF3;xima aula. Depois, comente que no teatro os ensinamentos e conselhos de um profissional de renome podem direcionar as escolhas dos atores/alunos dando-lhes op&#xE7;&#xF5;es est&#xE9;ticas e &#xE9;ticas. Voc&#xEA; pode contar um pouco da sua experi&#xEA;ncia com o teatro para turma, para aproximar a discuss&#xE3;o da realidade dos alunos.</p> <p> &#xA0;</p> <p> <strong>2&#xAA; AULA &#x2013; Com voc&#xEA;s, o mercado teatral</strong></p> <p> Neste encontro, retome brevemente a conversa da aula anterior e procure resgatar os resultados da leitura da reportagem de <em>BRAVO!</em> realizada pelos alunos em casa. Anote as observa&#xE7;&#xF5;es dos alunos no quadro e depois proponha algumas quest&#xF5;es para discutir com a turma, como: &#x201C;&#xC9; poss&#xED;vel fazer teatro em grupo?&#x201D;, &#x201C;Qual o papel do diretor em um grupo de teatro?&#x201D;, &#x201C;E o ator, qual a sua responsabilidade art&#xED;stica?&#x201D;.</p> <p> Com base nas opini&#xF5;es dos estudantes, comente que existe no Brasil um movimento forte de grupos de teatro e conte que o ator hoje &#xE9; muito respons&#xE1;vel pela elabora&#xE7;&#xE3;o do espet&#xE1;culo, assumindo o papel de &#x201C;ator criador&#x201D;. Vale perguntar, ainda, se os alunos j&#xE1; assistiram a uma pe&#xE7;a teatral e se conhecem festivais de teatro pelo Brasil afora.</p> <p> Destaque que o mercado art&#xED;stico nacional cresceu muito nos &#xFA;ltimos anos, e n&#xE3;o apenas no eixo Rio-S&#xE3;o Paulo: o teatro tamb&#xE9;m ganhou for&#xE7;a em Belo Horizonte, Curitiba, Londrina e em muitas cidades do norte e nordeste do pa&#xED;s. Al&#xE9;m disso, vale falar algo a respeito da forma&#xE7;&#xE3;o dos atores. Hoje, o ator busca se tornar &#x201C;completo&#x201D; &#x2013; aquele ator que canta, dan&#xE7;a e interpreta, justamente pelas exig&#xEA;ncias do mercado.</p> <p> Nesta etapa, &#xE9; importante lembrar um pouco da hist&#xF3;ria do teatro no Brasil. As primeiras obras teatrais escritas por autores como Gil Vicente (1465?-1536?), por exemplo, tinham como objetivo catequizar os &#xED;ndios. Com a chegada da corte portuguesa no pa&#xED;s, no s&#xE9;culo 19, passamos a receber a influ&#xEA;ncia do teatro franc&#xEA;s, com espet&#xE1;culos &#x201C;importados&#x201D; pela fam&#xED;lia real.</p> <p> Tudo isso serve para mostrar que a dramaturgia nacional &#xE9; recente. &#x201C;<em>O Juiz de Paz na Ro&#xE7;a</em>&#x201D;, de Martins Pena (1815-1848), foi uma das primeiras com&#xE9;dias escritas no Brasil. Hoje, al&#xE9;m dos famosos Nelson Rodrigues (1912-1980) e Plinio Marcos (1935-1999), temos outros grandes dramaturgos como Gianfrancesco Guarnieri (1934 -2006), Luiz Alberto de Abreu (1952-), Mill&#xF4;r Fernandes (1923-) e Samir Yazbek (1967 -).</p> <p> Comente com a turma que, a cada ano, mais artistas de origem brasileira t&#xEA;m conseguido projetar suas obras para al&#xE9;m de nossas fronteiras e que alguns deles v&#xEA;m conquistando grande reconhecimento, com espet&#xE1;culos encenados na Europa, conforme citado no texto de <em>BRAVO!</em>. Voc&#xEA; pode citar tamb&#xE9;m, o caso de atores brasileiros que fazem cinema nos Estados Unidos, como Alice Braga, Rodrigo Santoro e Sandra Corveloni.</p> <p> Para que seus alunos compreendam mais sobre a hist&#xF3;ria do nosso teatro e sobre os autores, atores e diretores que fizeram a diferen&#xE7;a nos espet&#xE1;culos brasileiros, divida a turma em grupos de quatro ou cinco alunos e proponha a realiza&#xE7;&#xE3;o de um trabalho para a pr&#xF3;xima aula.</p> <p> Sorteie alguns textos &#x2018;cl&#xE1;ssicos&#x2019; do teatro brasileiro, como &#x201C;Burundanda&#x201D;, de Luiz Alberto de Abreu; &#x201C;Eles n&#xE3;o usam Black-<em>tie</em>&#x201D;, de Gianfrancesco Guarnieri; &#x201C;Senhora dos Afogados&#x201D;, de Nelson Rodrigues e &#x201C;A Hist&#xF3;ria &#xE9; uma hist&#xF3;ria&#x201D;, de Mill&#xF4;r Fernandes. Em seguida, solicite aos grupos que realizem um levantamento biogr&#xE1;fico sobre os autores e procurem familiarizar-se com os textos das pe&#xE7;as, para um projeto coletivo de leituras dram&#xE1;ticas que voc&#xEA;s ir&#xE3;o realizar nos encontros seguintes.</p> <p> Para orientar os alunos, listamos alguns sites com informa&#xE7;&#xF5;es sobre diretores e atores brasileiros:</p> <p> <strong>Ant&#xF4;nio Ara&#xFA;jo - </strong><a href="http://www.teatrodavertigem.com.br/site/index2.php">http://www.teatrodavertigem.com.br/site/index2.php</a></p> <p> <strong>Eduardo Tolentino - </strong><a href="http://www.livrogrupotapa.com.br/">http://www.livrogrupotapa.com.br/</a></p> <p> <strong>Gianfrancesco Guarnieri - </strong><a href="http://educacao.uol.com.br/biografias/gianfrancesco-guarnieri.jhtm">http://educacao.uol.com.br/biografias/gianfrancesco-guarnieri.jhtm</a></p> <p> <strong>Marco Ant&#xF4;nio Rodrigues - </strong><a href="http://www.youtube.com/watch?v=_rbtSHG1Wio">http://www.youtube.com/watch?v=_rbtSHG1Wio</a></p> <p> <strong>Marco Ant&#xF4;nio Braz</strong> -<a href="http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_teatro/index.cfm?fuseaction=personalidades_biografia&amp;cd_verbete=259">http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_teatro/index.cfm?fuseaction=personalidades_biografia&amp;cd_verbete=259</a></p> <p> <strong>Mill&#xF4;r Fernandes -</strong> <a href="http://www.releituras.com/millor_bio.asp">http://www.releituras.com/millor_bio.asp</a></p> <p> <strong>Nelson Rodrigues - </strong><a href="http://www.releituras.com/nelsonr_bio.asp">http://www.releituras.com/nelsonr_bio.asp</a></p> <p> <strong>Pl&#xED;nio Marcos</strong> - <a href="http://pliniomarcos.com/index2.htm">http://pliniomarcos.com/index2.htm</a></p> <p> &#xA0;</p> <p> <strong>3&#xAA; AULA &#x2013; Estudo para uma leitura dram&#xE1;tica</strong></p> <p> Comece a aula pedindo para que cada um dos grupos fale sobre a biografia dos autores investigados. Com base nas informa&#xE7;&#xF5;es apresentadas pelos estudantes, proponha a elabora&#xE7;&#xE3;o de um ciclo de leituras dram&#xE1;ticas. Os alunos dever&#xE3;o escolher trechos dos textos pesquisados (e voc&#xEA; pode ajuda-los levando outras obras dispon&#xED;veis na biblioteca da escola) e fazer ensaios de leitura.</p> <p> Os grupos dever&#xE3;o notar como os di&#xE1;logos s&#xE3;o formatados em cada um dos enredos e como as rubricas influenciam na express&#xE3;o da voz e na emiss&#xE3;o do texto. Para ajudar os estudantes, observe quais s&#xE3;o as inten&#xE7;&#xF5;es de cada um dos autores e levante qual foi o principal objetivo do autor ao escrever a pe&#xE7;a de teatro em quest&#xE3;o &#x2013; o que o autor pretende questionar com o texto?.</p> <p> Destaque que, para a realiza&#xE7;&#xE3;o dos projetos, os grupos poder&#xE3;o utilizar materiais diversos, como figurinos e adere&#xE7;os. Eles tamb&#xE9;m poder&#xE3;o apoiar-se em interpreta&#xE7;&#xF5;es de atores profissionais, fazendo uma pesquisa de v&#xED;deos com encena&#xE7;&#xF5;es teatrais no Youtube, por exemplo. Tudo depender&#xE1; da concep&#xE7;&#xE3;o de cada grupo e dos materiais e espa&#xE7;os dispon&#xED;veis na escola.</p> <p> Relembre os alunos de uma coisa muito importante: cada grupo poder&#xE1; ter um l&#xED;der, mas a parceria entre todas as equipes ser&#xE1; fundamental para o bom resultado da leitura (como vimos nas parcerias entres os atores e os diretores na mat&#xE9;ria de <em>BRAVO!</em>). Procure acompanhar as discuss&#xF5;es de cada um dos grupos, mas sem direcionar o trabalho (lembre-se de que eles n&#xE3;o est&#xE3;o atendendo a uma encomenda).</p> <p> <strong>4&#xAA; AULA &#x2013; Ciclo de leituras dram&#xE1;ticas</strong></p> <p> Este ser&#xE1; o grande dia da apresenta&#xE7;&#xE3;o dos trabalhos. Cada um dos grupos dever&#xE1; apresentar, em poucos minutos, a trajet&#xF3;ria do artista investigado, sua produ&#xE7;&#xE3;o, o texto teatral escolhido e, em seguida, fazer a leitura dram&#xE1;tica dos trechos selecionados. Divida o tempo da aula levando em considera&#xE7;&#xE3;o o n&#xFA;mero de grupos, destinando um tempo cronometrado para cada apresenta&#xE7;&#xE3;o.</p> <p> Ao t&#xE9;rmino das apresenta&#xE7;&#xF5;es voc&#xEA;s poder&#xE3;o promover um debate a respeito dos artistas escolhidos e dos trabalhos desenvolvidos pelos grupos. Questione os alunos se eles iriam assistir a montagens das obras pesquisadas. Para tornar o debate ainda mais rico, voc&#xEA;s poder&#xE3;o organizar leituras para outras turmas em diferentes espa&#xE7;os da escola e conversar com outros professores e alunos a respeito do que descobriram sobre o teatro no Brasil.</p> <p> <strong>Produto final</strong></p> <p> Ciclo de leituras dram&#xE1;ticas de textos cl&#xE1;ssicos do teatro brasileiro.</p> <p> <strong>Avalia&#xE7;&#xE3;o</strong></p> <p> Observe a participa&#xE7;&#xE3;o dos alunos em todas as atividades propostas e se compreenderam as principais ideias trabalhadas nas aulas: quem s&#xE3;o Z&#xE9; Celso e Antunes Filho? Qual a import&#xE2;ncia desses diretores para o teatro nacional? Qual a import&#xE2;ncia do trabalho do ator? Quem s&#xE3;o os autores mais importantes do nosso teatro? Leve em considera&#xE7;&#xE3;o os trabalhos apresentados pelos alunos e as leituras das obras feitas pelos grupos.</p> <p> <strong>Quer saber mais?</strong></p> <p> <strong>Bibliografia</strong></p> <p> Prado, D&#xE9;cio de Almeida. <strong>O Teatro Brasileiro Moderno</strong> - Cole&#xE7;&#xE3;o Debates 211, S&#xE3;o Paulo, Editora Perspectiva.</p> <p> Prado, D&#xE9;cio de Almeida. <strong>Hist&#xF3;ria Concisa do Teatro Brasileiro</strong>, S&#xE3;o Paulo, Edusp.</p> <p> Rosenfeld, Anatol. <strong>O Mito e o Her&#xF3;i no Moderno Teatro Brasileiro</strong>, S&#xE3;o Paulo, Editora Perspectiva.</p> <p> <strong>Artigos</strong></p> <p> <strong><em>Di&#xE1;logos no Palco: 26 diretores falam sobre Teatro </em></strong>Edi&#xE7;&#xE3;o Maria M. Delgado e Paul Heritage.</p> <p> <strong><em>Antunes Filho e a dimens&#xE3;o ut&#xF3;pica. </em></strong>Sebasti&#xE3;o Milar&#xE9;.</p> <p> &#xA0;</p> <p> Consultoria <strong>M&#xF4;nica Andr&#xE9;a Grando</strong>, Mestre em Comunica&#xE7;&#xE3;o e Semi&#xF3;tica pela PUC &#x2013; SP, professora de Express&#xE3;o Vocal e Interpreta&#xE7;&#xE3;o no Centro Universit&#xE1;rio Bar&#xE3;o de Mau&#xE1; e no Teatro Escola Macuna&#xED;ma. Diretora de teatro da Companhia do Ator Careca.</p> Apresente aos alunos o trabalho dos mestres José Celso Martinez Corrêa e Antunes Filho e organize um ciclo de leituras dramáticas na escola, com base em grandes textos do teatro nacional 2011-12-09T15:28:09-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Apresente aos alunos o trabalho dos mestres José Celso Martinez Corrêa e Antunes Filho e organize um ciclo de leituras dramáticas na escola, com base em grandes textos do teatro nacional Sala de Aula NOVA ESCOLA BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/essencias-e-corantes-a-quimica-da-gastronomia-molecular Essências e corantes: a química da gastronomia molecular 2011-12-02T09:09:16-02:00 Elisabete Rosa <p> <strong>Objetivos</strong></p> <p> - Compreender o conceito de gastronomia molecular.</p> <p> - Conhecer t&#xE9;cnicas e tecnologias utilizadas na extra&#xE7;&#xE3;o de ess&#xEA;ncias e corantes.</p> <p> - Conhecer as f&#xF3;rmulas moleculares de produtos aromatizantes e suas caracter&#xED;sticas.</p> <p> - Compreender o processo de decanta&#xE7;&#xE3;o por arraste.</p> <p> - Realizar testes experimentais para comprovar a degrada&#xE7;&#xE3;o de compostos moleculares.</p> <p> <strong>Conte&#xFA;dos</strong></p> <p> - Compostos arom&#xE1;ticos</p> <p> - &#xC9;steres de baixo peso molecular.</p> <p> - Liga&#xE7;&#xF5;es qu&#xED;micas.</p> <p> - Processo de an&#xE1;lise imediata.</p> <p> - Decanta&#xE7;&#xE3;o por arraste.</p> <p> - Gastronomia molecular.</p> <p> <strong>Tempo estimado</strong></p> <p> Duas aulas</p> <p> <strong>Materiais necess&#xE1;rios</strong></p> <p> - C&#xF3;pias da reportagem &#x201C;Entre a Arte e a Ci&#xEA;ncia&#x201D; (<em>BRAVO!</em>, Ed. 171, novembro de 2011) para todos os alunos; cascas de tr&#xEA;s laranjas; &#xE1;gua destilada; p&#xE9;talas de duas rosas vermelhas; uma bagueta ou bast&#xE3;o de silicone; papel de filtro cortado em tiras de 10 cm de comprimento por 3 cm de largura; bal&#xE3;o de destila&#xE7;&#xE3;o; bal&#xE3;o de fundo redondo; condensador; <em>erlenmeyer</em>; term&#xF4;metro; tubo de vidro para sa&#xED;da de vapor; manta el&#xE9;trica ou outra fonte de calor; e torneira para entrada de &#xE1;gua no condensador &#x2013; para realizar experimentos com os alunos.</p> <p> <strong>Introdu&#xE7;&#xE3;o</strong></p> <p> A arte de cozinhar tem sido cada vez mais influenciada pelo conhecimento cient&#xED;fico que temos a respeito dos alimentos. A gastronomia molecular, que usa processos f&#xED;sicos e qu&#xED;micos para transformar alimentos, est&#xE1; ganhando cada vez mais espa&#xE7;o nas universidades brasileiras. Nos &#xFA;ltimos anos, as t&#xE9;cnicas usadas por essa ci&#xEA;ncia se espalharam pelos mais renomados restaurantes do Brasil e de outras na&#xE7;&#xF5;es.</p> <p> Mas qual &#xE9; o melhor caminho para testar novas ervas, descobrir aromas e utiliz&#xE1;-los na cozinha? Como proceder para retirar de flores, folhas, frutos, cascas, sementes ou ra&#xED;zes de plantas seus princ&#xED;pios ativos, que s&#xE3;o concentrados arom&#xE1;ticos, sem decompor ou perder partes dessas subst&#xE2;ncias?</p> <p> Essas e outras d&#xFA;vidas podem ser resolvidas com alguns testes de laborat&#xF3;rio que permitem a efic&#xE1;cia no momento de extra&#xE7;&#xE3;o do aroma, feita com procedimentos adequados e sem destruir os compostos moleculares respons&#xE1;veis pelo odor e sabor desejados. Aproveite o assunto e trabalhe com os alunos a &#x201C;qu&#xED;mica dos alimentos&#x201D;.</p> <p> <strong>Desenvolvimento</strong></p> <p> <strong>1&#xAA; AULA &#x2013; A destila&#xE7;&#xE3;o para fazer &#x201C;&#xE1;gua essencial de laranja&#x201D; </strong></p> <p> Comece a aula lembrando seus alunos de que, apesar de nos alimentarmos v&#xE1;rias vezes ao dia, n&#xE3;o costumamos examinar a fundo a composi&#xE7;&#xE3;o dos alimentos que comemos ou que formam nossos pratos. Conte &#xE0; turma que existem cursos de gradua&#xE7;&#xE3;o em Gastronomia, que s&#xE3;o voltados ao estudo da qu&#xED;mica dos alimentos. Neles, os alunos aprendem sobre a import&#xE2;ncia da temperatura e do tempo de cozimento dos ingredientes, sobre os procedimentos adequados para a utiliza&#xE7;&#xE3;o de ess&#xEA;ncias e ervas e sobre os usos de outros agentes de sabor e cor, assuntos que voc&#xEA; vai trabalhar com a classe nas pr&#xF3;ximas aulas.</p> <p> Em seguida, distribua c&#xF3;pias da reportagem de <em>BRAVO!</em> aos estudantes e pe&#xE7;a que a leiam em sil&#xEA;ncio. Pergunte se sabem como proceder para retirar a ess&#xEA;ncia de uma erva, bem como seus corantes e outros extratos. D&#xEA; o exemplo de um ch&#xE1;, que na maioria das vezes preparamos com a infus&#xE3;o, processo em que as folhas das ervas s&#xE3;o colocadas em &#xE1;gua quente e deixadas l&#xE1; por poucos minutos. Depois da infus&#xE3;o realizamos a filtra&#xE7;&#xE3;o e depois tomamos a bebida com ou sem adi&#xE7;&#xE3;o de a&#xE7;&#xFA;car.</p> <p> Explique aos alunos que a infus&#xE3;o &#xE9; um m&#xE9;todo muito utilizado, mas nem sempre &#xE9; o mais adequado: h&#xE1; ervas que n&#xE3;o devem receber muito calor durante a extra&#xE7;&#xE3;o. Conte &#xE0; classe que o calor excessivo pode causar a destrui&#xE7;&#xE3;o dos agentes de sabor e odor, tamb&#xE9;m conhecidos como produtos flavorizantes. Esses produtos s&#xE3;o os <strong>&#xE9;steres</strong> (produtos org&#xE2;nicos originados da rea&#xE7;&#xE3;o qu&#xED;mica entre &#xE1;cido carbox&#xED;lico e &#xE1;lcool), que podem ser naturais ou sint&#xE9;ticos.</p> <p> Para que os alunos compreendam a estrutura qu&#xED;mica desses produtos, fa&#xE7;a a representa&#xE7;&#xE3;o molecular e estrutural de alguns &#xE9;steres, relacione a fruta/planta a cada aroma/sabor, e apresente a tabela abaixo:</p> <p> <strong>&#xC9;ster F&#xF3;rmula Molecular</strong><strong> Aroma/Sabor</strong></p> <p> Butanoato de etila C3H7 - COO - C2H5 Abacaxi</p> <p> Formato de etila H - COO - C2H5 P&#xEA;ssego</p> <p> Acetato de pentila CH3 - COO - C5H11 Pera</p> <p> Etanoato de octila CH3 - COO - C8H17 Laranja</p> <p> 3-metilbutanoato de 3-metilbutila C4H9 - COO - C5H11 Ma&#xE7;&#xE3;</p> <p> Nonilato de etila C8H17 - COO - C2H5 Rosa</p> <p> Antranilato de metila H2N - C4H6 - COO - CH3 Jasmim</p> <p> Com base nas informa&#xE7;&#xF5;es da tabela, informe aos alunos que os &#xE9;steres s&#xE3;o compostos de cadeia carb&#xF4;nica pequena, com massa molecular baixa e que sua estrutura molecular sofre decomposi&#xE7;&#xE3;o com o aumento da temperatura, que promove a quebra das liga&#xE7;&#xF5;es qu&#xED;micas. Com isso, eles se transformam em novas subst&#xE2;ncias com caracter&#xED;sticas diferentes das originais.</p> <p> A fragilidade da estrutura dos &#xE9;steres desencadeia a necessidade de um processo de extra&#xE7;&#xE3;o cuidadoso, que permita a manuten&#xE7;&#xE3;o das caracter&#xED;sticas do composto. Apresente aos alunos o exemplo da extra&#xE7;&#xE3;o do &#xF3;leo da casca da laranja. Da casca dessa fruta, podemos retirar um &#xF3;leo essencial, que &#xE9; o agente de odor e sabor muito utilizado nas massas de panetones, balas, perfumes, cremes, &#xF3;leos essenciais etc. Por&#xE9;m, se o &#xF3;leo entrar em contato com uma chama, ele sofre combust&#xE3;o.</p> <p> Conte &#xE0; classe que o processo indicado para situa&#xE7;&#xF5;es como essa &#xE9; o da <strong>destila&#xE7;&#xE3;o por arraste</strong>, quando certa quantidade de cascas picadas &#xE9; colocada em &#xE1;gua dentro de um bal&#xE3;o de fundo redondo, na temperatura ambiente &#x2013; a alta temperatura decomp&#xF5;e a ess&#xEA;ncia antes mesmo da sua extra&#xE7;&#xE3;o. Por ser leve e aromatizante, o composto se mistura com &#xE1;gua e vapor de &#xE1;gua vindos de outro recipiente, um bal&#xE3;o de destila&#xE7;&#xE3;o. Nesse momento, o bal&#xE3;o de fundo redondo ficar&#xE1; com cascas, &#xE1;gua e muito vapor. Ocorrer&#xE1; uma mistura e a ess&#xEA;ncia ser&#xE1; arrastada com o vapor d&#x2019;&#xE1;gua para um condensador, onde resfriam e passam para o estado l&#xED;quido. Coletada em um <em>erlenmeyer </em>(aquele frasco em forma de bal&#xE3;o, comum em laborat&#xF3;rios), a mistura tem grande utilidade na ind&#xFA;stria aliment&#xED;cia, especialmente quando obtida em grande quantidade, a partir de toneladas de cascas de laranjas. O &#xF3;leo essencial da fruta &#xE9; separado da &#xE1;gua e destinado &#xE0;s ind&#xFA;strias de lubrificantes de pe&#xE7;as para aeronaves e tamb&#xE9;m para a ind&#xFA;stria de cosm&#xE9;ticos.</p> <p> Para que a turma compreenda melhor como acontece a destila&#xE7;&#xE3;o e para fechar esta aula, proponha a realiza&#xE7;&#xE3;o desse experimento com seus alunos. Voc&#xEA; vai precisar de uma aparelhagem para destila&#xE7;&#xE3;o por arraste (conforme descrito no item &#x201C;Materiais necess&#xE1;rios&#x201D; deste plano de aula) e seguir o passo a passo abaixo:</p> <p> <strong>Procedimentos &#x2013; Decanta&#xE7;&#xE3;o por arraste de cascas de laranja</strong></p> <p> Pique as cascas de aproximadamente tr&#xEA;s laranjas, esprema-as levemente com as m&#xE3;os e coloque-as dentro do bal&#xE3;o de fundo redondo. Em seguida, cubra as cascas com &#xE1;gua destilada. No bal&#xE3;o de destila&#xE7;&#xE3;o, adicione &#xE1;gua destilada at&#xE9; a metade do recipiente e inicie o seu aquecimento. Mantenha a torneira aberta para que a &#xE1;gua circule dentro do condensador.</p> <p> Observe que o vapor formado no bal&#xE3;o de destila&#xE7;&#xE3;o vai imediatamente para o bal&#xE3;o de fundo redondo e l&#xE1;, mistura-se com as cascas de laranjas. A &#xE1;gua e &#xF3;leo, no bal&#xE3;o de fundo redondo, formam uma mistura. O vapor, que se junta com as cascas dentro do bal&#xE3;o, come&#xE7;a a ir para o tubo de vidro e entra no condensador, carregando com ele o &#xF3;leo essencial da laranja, o etanoato de octila. A mistura que condensa e &#xE9; coletada no b&#xE9;quer j&#xE1; come&#xE7;a a exalar o odor agrad&#xE1;vel do &#xF3;leo de laranja.</p> <p> <strong>2</strong><strong>&#xAA;</strong><strong> AULA &#x2013; Uma experi&#xEA;ncia para produzir corante de rosas</strong></p> <p> Relembre os alunos sobre a destila&#xE7;&#xE3;o por arraste realizada na aula anterior. Com base no experimento e nas suas explica&#xE7;&#xF5;es, questione a turma sobre como foi poss&#xED;vel extrair o &#xF3;leo juntamente com a &#xE1;gua sendo que cada um deles tem pontos de ebuli&#xE7;&#xE3;o bem diferentes. Explique a seus alunos que ponto de ebuli&#xE7;&#xE3;o &#xE9; a temperatura em que ocorre a mudan&#xE7;a de estado f&#xED;sico de alguns elementos. Em S&#xE3;o Paulo, por exemplo, a &#xE1;gua entra em ebuli&#xE7;&#xE3;o a 98 graus C&#xE9;lsius. &#xC9; nessa temperatura que a &#xE1;gua passa de l&#xED;quido ao vapor.</p> <p> Destaque que o &#xF3;leo tem o ponto de ebuli&#xE7;&#xE3;o superior ao da &#xE1;gua e que a temperatura durante a destila&#xE7;&#xE3;o n&#xE3;o ultrapassa os 98 graus C&#xE9;lsius. Isso ocorre porque a press&#xE3;o de vapor total da mistura &#xE9; a soma das press&#xF5;es parciais dos dois l&#xED;quidos e, quando a soma destas press&#xF5;es se iguala &#xE0; press&#xE3;o atmosf&#xE9;rica, os dois l&#xED;quidos entram em ebuli&#xE7;&#xE3;o e v&#xE3;o para o condensador &#x2013; nesse processo ocorre a condensa&#xE7;&#xE3;o, passagem de g&#xE1;s para l&#xED;quido novamente.</p> <p> Seus alunos j&#xE1; devem ter percebido que a &#xE1;gua e o &#xF3;leo s&#xE3;o l&#xED;quidos imisc&#xED;veis, isto &#xE9;, n&#xE3;o se misturam e, no momento em que come&#xE7;am a condensar, se separam em duas fases no frasco de recolhimento. Quando realizamos a experi&#xEA;ncia da aula anterior em larga escala, com toneladas de cascas de laranja, &#xE9; poss&#xED;vel observar bem as duas fases &#x2013; da &#xE1;gua e do &#xF3;leo separados por decanta&#xE7;&#xE3;o. Neste processo, a &#xE1;gua, por ser mais densa, fica na parte inferior do recipiente (um b&#xE9;quer, por exemplo) e o &#xF3;leo fica na superf&#xED;cie. Com a inclina&#xE7;&#xE3;o do b&#xE9;quer, o &#xF3;leo pode ser retirado e colocado em outro recipiente por meio do processo da decanta&#xE7;&#xE3;o. Pergunte a seus alunos que outras misturas de l&#xED;quidos imisc&#xED;veis podem ser separadas por este processo. Um bom exemplo &#xE9; a mistura de gasolina e &#xE1;gua.</p> <p> Depois de explicar o processo de decanta&#xE7;&#xE3;o, retome a reportagem de BRAVO! lida pelos alunos na aula anterior e questione: &#x201C;E na cozinha? Como est&#xE3;o inovando os novos chefs? Como fazem para obter produtos essenciais em pequenas quantidades?&#x201D;. Explique &#xE0; turma que nos cursos de gradua&#xE7;&#xE3;o em Gastronomia eles aprendem a preparar as pr&#xF3;prias ess&#xEA;ncias, agentes de sabor e corantes naturais que ir&#xE3;o utilizar nos pratos. Aliadas ao conhecimento cient&#xED;fico, as t&#xE9;cnicas aprendidas pelos <em>chefs</em> reduzem o tempo de obten&#xE7;&#xE3;o desses produtos. Comente com os estudantes que uma pr&#xE1;tica comum, se retomarmos o exemplo das cascas de laranja, &#xE9; deixar as cascas picadas mergulhadas em &#xE1;gua de um dia para o outro. Aproveite o momento e pergunte aos alunos: qual a temperatura que esta &#xE1;gua precisa estar? Eles devem concluir que &#xE9; na temperatura ambiente ou levemente aquecida. A justificativa para essa resposta &#xE9; explicada pelo fato de que o &#xF3;leo, se exposto ao calor, ir&#xE1; se decompor &#x2013; como j&#xE1; mencionamos na primeira aula.</p> <p> Conte que os <em>chefs</em> utilizam, ainda, o procedimento da macera&#xE7;&#xE3;o leve das cascas que est&#xE3;o na &#xE1;gua, apertam levemente para que soltem com mais facilidade seu &#xF3;leo e utilizam a mistura obtida, a &#x201C;&#xE1;gua essencial de laranja&#x201D;, para diversas receitas.</p> <p> Outra inova&#xE7;&#xE3;o gastron&#xF4;mica &#xE9; o corante de rosas vermelhas, ideal para dar cor &#xE0;s sobremesas e coberturas de doces, bolos e sorvetes. A extra&#xE7;&#xE3;o do corante, juntamente com sua ess&#xEA;ncia, tem grande uso na culin&#xE1;ria e nas ind&#xFA;strias de cosm&#xE9;ticos.</p> <p> Para fixar alguns dos conceitos trabalhados ao longo da aula e finalizar a sequ&#xEA;ncia did&#xE1;tica, proponha aos seus alunos um novo experimento e monte a f&#xF3;rmula estrutural do &#xF3;leo de rosas, o nonilato de etila. Veja na <em>Tabela 01</em> da 1&#xAA; aula, a f&#xF3;rmula molecular desta subst&#xE2;ncia e pergunte por que a sua extra&#xE7;&#xE3;o tamb&#xE9;m deve ocorrer por destila&#xE7;&#xE3;o por arraste. Os alunos dever&#xE3;o explicar que devido &#xE0; mol&#xE9;cula do &#xE9;ster ter baixo peso molecular, sua estrutura pode sofrer transforma&#xE7;&#xF5;es durante aquecimentos indesejados. Depois de discutir as hip&#xF3;teses dos alunos, conduza a experi&#xEA;ncia:</p> <p> <strong>Procedimentos &#x2013; Como fazer corante de rosas</strong></p> <p> Para esta experi&#xEA;ncia, voc&#xEA; vai precisar de: 1 b&#xE9;quer de 250 ml, &#xE1;gua destilada, p&#xE9;talas picadas de duas rosas vermelhas, uma bagueta ou um bast&#xE3;o de silicone, papel de filtro cortado em tiras de 10 cm de comprimento por 3 cm de largura (as tiras podem ser feitas de coadores de papel de caf&#xE9;).</p> <p> Coloque as p&#xE9;talas picadas no b&#xE9;quer e cubra-as com 150 ml de &#xE1;gua. Misture bem com a bagueta. Dentro do b&#xE9;quer coloque a tira de papel de filtro na posi&#xE7;&#xE3;o vertical, de forma que a sua extremidade fique para fora do recipiente. Deixe por dias e v&#xE1; observando a cor que fixa no papel. J&#xE1; nos primeiros instantes o papel vai ficando rosa. Ap&#xF3;s algumas horas a cor fica mais intensa e depois de alguns dias, a cor rosa fica escura, quase preta, e o corante j&#xE1; pode ser raspado com o cabo de uma pequena colher. Experimente colocar parte do corante sobre uma pequena quantidade de a&#xE7;&#xFA;car e observe a cor obtida. A mistura ainda contida no b&#xE9;quer, conhecida como &#x201C;&#xE1;gua de rosas&#x201D;, se filtrada, exala o aroma da flor, pois nela h&#xE1; uma parte do &#xF3;leo de rosas emitindo o aroma caracter&#xED;stico da flor.</p> <p> <strong>Avalia&#xE7;&#xE3;o </strong></p> <p> Observe se os alunos compreenderam as principais ideias trabalhadas nas aulas: a estrutura molecular dos compostos arom&#xE1;ticos, a rela&#xE7;&#xE3;o entre os compostos extra&#xED;dos de diferentes subst&#xE2;ncias e suas liga&#xE7;&#xF5;es qu&#xED;micas. Avalie a participa&#xE7;&#xE3;o dos alunos durante os experimentos e verifique se eles compreenderam o processo de destila&#xE7;&#xE3;o por arraste e para que ele serve. Caso considere necess&#xE1;rio, retome alguns conceitos e solucione as d&#xFA;vidas que ainda persistirem na pr&#xF3;xima aula.</p> <p> Consultoria <strong>Elisabete Rosa</strong>, Coordenadora do Departamento de Qu&#xED;mica Pr&#xE1;tica do Col&#xE9;gio Bandeirantes, em S&#xE3;o Paulo.</p> Que tal produzir uma essência de laranja ou um corante de rosas com seus alunos? Apresente à turma alguns dos métodos e técnicas utilizados por grandes chefs de cozinha, que transformam os alimentos por meio de processos químicos e físicos 2011-12-01T14:53:12-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Novembro de 2011 Que tal produzir uma essência de laranja ou um corante de rosas com seus alunos? Apresente à turma alguns dos métodos e técnicas utilizados por grandes chefs de cozinha, que transformam os alimentos por meio de processos químicos e físicos Sala de Aula BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/breve-oficina-de-composicao-e-fotografia Breve oficina de composição e fotografia 2011-12-02T09:07:52-02:00 Maria José Spiteri Tavolaro Passos <p> <strong>Objetivos</strong></p> <p> - Conhecer os princ&#xED;pios b&#xE1;sicos de composi&#xE7;&#xE3;o visual e aplic&#xE1;-los &#xE0; fotografia.</p> <p> - Reconhecer a import&#xE2;ncia dos fundamentos da linguagem visual para a realiza&#xE7;&#xE3;o de obras visuais.</p> <p> - Reconhecer e valorizar a import&#xE2;ncia da fotografia como linguagem documental e art&#xED;stica.</p> <p> &#xA0;</p> <p> <strong>Conte&#xFA;dos</strong></p> <p> - Princ&#xED;pios b&#xE1;sicos de composi&#xE7;&#xE3;o aplicados &#xE0; fotografia.</p> <p> - Regra dos ter&#xE7;os.</p> <p> - Fotografia.</p> <p> &#xA0;</p> <p> <strong>Tempo estimado</strong></p> <p> Quatro aulas</p> <p> &#xA0;</p> <p> <strong>Materiais necess&#xE1;rios</strong></p> <p> - C&#xF3;pias da reportagem &#x201C;O mestre e seus modelos&#x201D; (<em>BRAVO!</em>, Ed. 171, novembro de 2011).</p> <p> - Imagens de algumas obras de arte de Edgar Degas: <a href="http://abr.io/foto-degas">http://abr.io/foto-degas</a></p> <p> - Projetor para mostrar as imagens das obras aos alunos.</p> <p> - Espa&#xE7;o amplo (pode ser a sala de aula, com as carteiras encostadas na parede) para que os alunos fotografem.</p> <p> &#xA0;</p> <p> <strong>Desenvolvimento</strong></p> <p> <strong>1&#xAA; AULA: Aspectos introdut&#xF3;rios sobre a fotografia</strong></p> <p> Comece a aula explicando aos alunos que, apesar de todos eles saberem o que &#xE9; uma fotografia e j&#xE1; terem visto v&#xE1;rias durante a vida, a inten&#xE7;&#xE3;o das pr&#xF3;ximas aulas &#xE9; fazer com que eles conhe&#xE7;am alguns princ&#xED;pios b&#xE1;sicos de composi&#xE7;&#xE3;o visual aplicados &#xE0; fotografia e suas origens; reconhe&#xE7;am a import&#xE2;ncia dos fundamentos de linguagem visual e a import&#xE2;ncia da fotografia como linguagem documental e art&#xED;stica. Para isso, voc&#xEA; contar&#xE1; um pouco da hist&#xF3;ria da fotografia e suas origens.</p> <p> Conte &#xE0; turma que a hist&#xF3;ria da fotografia remonta a tempos bastante distantes. O pr&#xF3;prio Leonardo da Vinci e seu contempor&#xE2;neo, o arquiteto Giacomo della Porta, embora ainda distantes da possibilidade da fixar a imagem sobre uma superf&#xED;cie, como uma placa met&#xE1;lica, uma chapa de vidro, ou o papel fotogr&#xE1;fico (o que s&#xF3; ocorreria a partir do s&#xE9;culo 19), j&#xE1; desenvolviam no s&#xE9;culo 16, experimentos que s&#xE9;culos mais tarde dariam origem &#xE0;s primeiras c&#xE2;meras fotogr&#xE1;ficas.</p> <p> Diga aos alunos que at&#xE9; o s&#xE9;culo 19, a pintura em tela tinha a fun&#xE7;&#xE3;o de registrar as figuras dos governantes, dos nobres e das classes mais altas da sociedade, as cenas religiosas, de paisagens, enfim, de elementos que faziam parte vida das pessoas. Chame a aten&#xE7;&#xE3;o para o fato de que, desde o seu surgimento, a fotografia promoveu um tipo de fasc&#xED;nio entre as pessoas, por apresentar a possibilidade de registro de um momento, um instante &#xFA;nico que n&#xE3;o voltar&#xE1; mais.</p> <p> Explique aos estudantes que, ao longo de seus quase dois s&#xE9;culos de exist&#xEA;ncia, a fotografia passou por muitos avan&#xE7;os tecnol&#xF3;gicos, deixando de habitar exclusivamente os est&#xFA;dios dos fot&#xF3;grafos, alcan&#xE7;ando as prateleiras de supermercados e vitrines de shopping centers. Comente que o advento das c&#xE2;meras digitais, que come&#xE7;aram a se popularizar nos anos 2000, favoreceu ainda mais o acesso &#xE0; pr&#xE1;tica do registro das imagens. De l&#xE1; pra c&#xE1;, o avan&#xE7;o da tecnologia e o desenvolvimento de novas c&#xE2;meras, cada vez mais compactas, permitiu a introdu&#xE7;&#xE3;o dessas m&#xE1;quinas em aparelhos celulares, computadores e os mais diversos tipos de dispositivos. Um celular, hoje, pode dispor de equipamentos para tomar imagens fotogr&#xE1;ficas, trat&#xE1;-las (fazendo retoques, alterando cores, por exemplo) e partilh&#xE1;-las.</p> <p> Esclare&#xE7;a aos estudantes que a fotografia tem diferentes fun&#xE7;&#xF5;es e transita por diversos caminhos, que v&#xE3;o da simples documenta&#xE7;&#xE3;o de fatos, at&#xE9; a fotografia art&#xED;stica. Muitos fot&#xF3;grafos se especializam em determinados segmentos como a fotografia jornal&#xED;stica, a de paisagens, de objetos, de pessoas ou de moda. Outros se dedicam a experimentos direcionados a fins art&#xED;sticos. Comente que o s&#xE9;culo 20 conheceu grandes fot&#xF3;grafos, como Man Ray, Henry Cartier-Bresson, Pierre Verger e o pr&#xF3;prio Cecil Beaton, cuja obra &#xE9; comentada na reportagem da revista <em>BRAVO!</em>.</p> <p> Distribua c&#xF3;pias da reportagem aos alunos, solicite que leiam o texto em sil&#xEA;ncio e observem as imagens por alguns instantes. Em seguida, comente que Beaton desenvolveu trabalhos em diversas &#xE1;reas: atou no mercado da moda, foi um dos fot&#xF3;grafos da fam&#xED;lia real brit&#xE2;nica e documentou os bombardeios na Segunda Guerra Mundial. Posteriormente, atuou ainda como autor de figurinos que mereceram o Oscar como foi o caso do filme <em>Gigi</em>, de 1958, dirigido por Vincent Minelli. No Brasil, podemos destacar entre os fot&#xF3;grafos contempor&#xE2;neos nomes como Sebasti&#xE3;o Salgado, Miguel Rio Branco, Ros&#xE2;ngela Renn&#xF3;, Arthur Omar, e muitos outros.</p> <p> Promova uma discuss&#xE3;o com os alunos a partir da suposta simplicidade do ato de fotografar, que pode parecer uma a&#xE7;&#xE3;o muito simples, e talvez o seja, se considerarmos apenas o &#x201C;click&#x201D; do disparador. Ser&#xE1; que isso &#xE9; realmente fotografar? Ser&#xE1; que para se obter uma foto interessante basta ter foco, ou seja, basta que a imagem seja n&#xED;tida?</p> <p> Ou&#xE7;a os coment&#xE1;rios dos alunos e, durante o debate, comente que por tr&#xE1;s de toda boa fotografia h&#xE1; um olhar muito atento e cuidadoso: o fot&#xF3;grafo pensa a imagem, define o que quer registrar, ou seja, ele tem um objetivo, uma intencionalidade. A c&#xE2;mera &#xE9; uma ferramenta utilizada para registrar esse seu pensamento a respeito do mundo que o rodeia.</p> <p> Assim como ocorre em todas as linguagens que lidam com a visualidade, a fotografia tamb&#xE9;m se beneficia do conhecimento dos elementos b&#xE1;sicos da linguagem visual: tanto dos elementos simples como as cores, as formas, as texturas, como da articula&#xE7;&#xE3;o desses elementos no campo pl&#xE1;stico, que chamamos de composi&#xE7;&#xE3;o. Comente com a turma que a composi&#xE7;&#xE3;o diz respeito ao modo como organizamos as coisas. Compomos o espa&#xE7;o em que vivemos estudando a distribui&#xE7;&#xE3;o dos m&#xF3;veis e objetos dentro dos c&#xF4;modos de nossas casas, por exemplo.</p> <p> Depois, explique aos alunos que a partir do s&#xE9;culo 19, quando se tornou poss&#xED;vel a fixa&#xE7;&#xE3;o de uma imagem captada por um equipamento &#xF3;ptico sobre uma superf&#xED;cie, desenvolveu-se o sistema da fotografia. Desde ent&#xE3;o, muitas das regras compositivas que eram utilizadas para a pintura passaram a ser reinterpretadas para dar conta deste novo processo cient&#xED;fico-tecnol&#xF3;gico. Os fot&#xF3;grafos se valeram dos seculares conhecimentos de composi&#xE7;&#xE3;o desenvolvidos pelos pintores e passaram a aplic&#xE1;-los na realiza&#xE7;&#xE3;o das fotos. Tamb&#xE9;m alguns pintores, como foi o caso do franc&#xEA;s Edgar Degas, passaram a aproveitar alguns recursos da fotografia para realizar suas obras de pintura (neste momento voc&#xEA; poder&#xE1; mostrar algumas das pinturas de Degas &#x2013; sobretudo nas s&#xE9;ries em que mostra os bal&#xE9;s e as aulas de dan&#xE7;a - nas quais ele realiza &#x201C;cortes&#x201D; inusitados dos personagens retratados, como se estivesse utilizando uma c&#xE2;mera fotogr&#xE1;fica).</p> <p> Com rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0; explora&#xE7;&#xE3;o do espa&#xE7;o, h&#xE1; v&#xE1;rias regras tradicionais ligadas &#xE0; pintura que podem ser transpostas para a fotografia, como o uso do ret&#xE2;ngulo &#xE1;ureo, uma rela&#xE7;&#xE3;o matem&#xE1;tica estudada desde a Gr&#xE9;cia Antiga e que est&#xE1; ligada a uma grande harmonia nas formas. H&#xE1; uma regra simples conhecida como &#x201C;regra dos ter&#xE7;os&#x201D;, que &#xE9; tamb&#xE9;m bastante aplicada n&#xE3;o apenas &#xE0; fotografia, mas tamb&#xE9;m &#xE0; cria&#xE7;&#xE3;o de pe&#xE7;as de comunica&#xE7;&#xE3;o visual como cartazes, propagandas etc. Esta regra &#xE9; bastante simples. Para exemplific&#xE1;-la voc&#xEA;s poder&#xE3;o utilizar a imagem de um cartaz de cinema (prefira filmes que fa&#xE7;am parte do repert&#xF3;rio dos alunos), ou ainda algumas boas fotos de fot&#xF3;grafos famosos, como a imagem &#x201C;Pra&#xE7;a na Esta&#xE7;&#xE3;o de Trem Saint-Lazare&#x201D;, de Henri Cartier-Bresson (1908-2004), abaixo. Essa imagem poder&#xE1; ser projetada para que voc&#xEA;s estudem a aplica&#xE7;&#xE3;o da regra.</p> <p> &#x201C;Pra&#xE7;a na Esta&#xE7;&#xE3;o de Trem Saint-Lazare&#x201D;, de Henri Cartier-Bresson.</p> <p> Pe&#xE7;a aos alunos que imaginem que o nosso campo visual (o cartaz, ou a foto) est&#xE1; dividido por linhas, como se fosse um &#x201C;jogo da velha&#x201D;, ou seja, por um par de linhas que cortam o campo horizontalmente dividindo-o em tr&#xEA;s faixas verticais. Pergunte aos estudantes o que eles conseguem observar quanto &#xE0; distribui&#xE7;&#xE3;o dos elementos compositivos na imagem.</p> <p> Comente com os estudantes que artistas gr&#xE1;ficos e os fot&#xF3;grafos costumam explorar o alinhamento, ou seja, a rela&#xE7;&#xE3;o entre o tema, as horizontais, verticais e diagonais desse campo pl&#xE1;stico. Muito provavelmente eles perceber&#xE3;o ainda que os elementos mais importantes est&#xE3;o dispostos pr&#xF3;ximos &#xE0;s interse&#xE7;&#xF5;es das linhas, o que faz com que nossa aten&#xE7;&#xE3;o se dirija justamente para esses pontos. Essa &#x201C;grade imagin&#xE1;ria&#x201D; formada pelo tra&#xE7;ado dos ter&#xE7;os pode tamb&#xE9;m ser muito &#xFA;til ao pensarmos em linhas e formas dentro da composi&#xE7;&#xE3;o. Se quisermos dar &#xE0; imagem uma sensa&#xE7;&#xE3;o de maior dinamismo, &#xE9; interessante pensar na possibilidade de fazer com que determinadas linhas do tema a ser registrado cruzem com v&#xE1;rias linhas da grade, como se fosse uma serpente que se desloca pelo campo pl&#xE1;stico. Exagerar na &#xEA;nfase para a horizontal ou para a vertical pode, de repente, tornar tudo muito mon&#xF3;tono.</p> <p> H&#xE1; tamb&#xE9;m outros princ&#xED;pios compositivos como, por exemplo, o da simplicidade, que em muito podem contribuir para uma boa foto. Explique aos alunos que a percep&#xE7;&#xE3;o trabalha principalmente a partir de nivelamentos e agu&#xE7;amentos, ou seja, unimos coisas parecidas (podem ser semelhantes pela cor, pela posi&#xE7;&#xE3;o, pela forma, pela textura) e destacamos coisas diferentes. Se observarmos as pessoas ao nosso redor, por exemplo, algu&#xE9;m que esteja com uma roupa de cor muito diferente salta automaticamente aos nossos olhos, ou seja, se destacar&#xE1; em meio &#xE0;s demais. Por isso, em qualquer composi&#xE7;&#xE3;o &#xE9; fundamental saber o que se quer mostrar, pois desse modo, enfatizaremos esse elemento para que ele seja percebido com mais facilidade.</p> <p> Comente com a turma que, na fotografia, fundos muito complexos podem distrair a aten&#xE7;&#xE3;o do observador em rela&#xE7;&#xE3;o ao tema principal. Uma das possibilidades de ressaltar o tema &#xE9; aplicar um zoom sobre esse elemento, evitando outros elementos que possam desviar o foco de observa&#xE7;&#xE3;o. Nesse sentido a velha regrinha do &#x201C;menos &#xE9; mais&#x201D; poder&#xE1; ajudar a obter uma imagem com melhor qualidade, utilizando um n&#xFA;mero menor de elementos.</p> <p> Retome os conhecimentos que os alunos t&#xEA;m sobre a perspectiva em desenho e a defini&#xE7;&#xE3;o da posi&#xE7;&#xE3;o do objeto a ser retratado: se o observador est&#xE1; acima do objeto, abaixo dele ou no mesmo n&#xED;vel. Cada uma dessas posi&#xE7;&#xF5;es em rela&#xE7;&#xE3;o ao objeto conduzir&#xE1; a uma diferente interpreta&#xE7;&#xE3;o do mesmo. Pergunte &#xE0; turma se esses princ&#xED;pios tamb&#xE9;m podem ser utilizados na fotografia. Provavelmente eles responder&#xE3;o que sim. Mas de que forma?</p> <p> Chame a aten&#xE7;&#xE3;o para o fato de que a maior parte das pessoas, ao registrar uma imagem, posiciona-se no mesmo n&#xED;vel do objeto a ser retratado. Mas, e se mudarmos essa rela&#xE7;&#xE3;o? Ao nos posicionarmos abaixo do objeto a ser registrado, a sensa&#xE7;&#xE3;o ser&#xE1; a de que as coisas s&#xE3;o maiores e at&#xE9; mais importantes do que o observador. No entanto, se a posi&#xE7;&#xE3;o for inversa, ou seja, observarmos o tema do alto (basta subir em uma escada, por exemplo), o efeito obtido poder&#xE1; ser o chamado &#x201C;olho de p&#xE1;ssaro&#x201D; ou a vis&#xE3;o do &#x201C;Superman&#x201D;. Nesse caso, o observador parecer&#xE1; maior ou mais importante do que o tema.</p> <p> Esse &#xE9; um bom momento para praticar um pouco dos conhecimentos estudados. Pe&#xE7;a aos alunos para que levem para a pr&#xF3;xima aula c&#xE2;meras fotogr&#xE1;ficas (podem ser c&#xE2;meras convencionais, digitais ou at&#xE9; mesmo as dos celulares) para que voc&#xEA;s possam colocar as &#x201C;m&#xE3;os na massa&#x201D;.</p> <p> <strong>2&#xAA; AULA &#x2013; Fotografia na pr&#xE1;tica</strong></p> <p> Utilize esta aula para que os alunos coloquem em pr&#xE1;tica os conhecimentos b&#xE1;sicos abordados na aula anterior: a simplicidade, a regra dos ter&#xE7;os, a explora&#xE7;&#xE3;o das linhas e a mudan&#xE7;a do ponto de vista (ou <em>ponto de vantagem</em>). Para auxili&#xE1;-los, mostre alguns exemplos de imagens que apresentem diferentes posicionamentos do fot&#xF3;grafo em rela&#xE7;&#xE3;o ao tema e questione a turma a respeito das solu&#xE7;&#xF5;es encontradas e dos resultados obtidos. Outra possibilidade &#xE9; levar uma c&#xE2;mera digital para a sala e produzir algumas fotos de objetos, alterando a posi&#xE7;&#xE3;o do ponto de vista, exemplificando assim os conceitos estudados.</p> <p> Em seguida, proponha que cada um entre os alunos da turma escolha um tema (pode ser um objeto, um lugar, uma cena). O exerc&#xED;cio ser&#xE1; o seguinte: cada um dever&#xE1; produzir tr&#xEA;s fotos, em tr&#xEA;s diferentes pontos de vista, explorando a regra dos ter&#xE7;os e o princ&#xED;pio da simplicidade para obter uma &#xEA;nfase sobre o tema.</p> <p> Lembre os estudantes de que para escolher uma fotografia &#xFA;nica, os fot&#xF3;grafos profissionais realizam muitas fotos com um mesmo tema e que, antes de tudo, para fotografar &#xE9; necess&#xE1;rio observar muito o seu objeto. E mais: &#xE9; preciso olhar pela c&#xE2;mera, pois as lentes da c&#xE2;mera &#x201C;enxergam&#x201D; o mundo de um modo diferente dos nossos olhos. Reserve um tempo para que os alunos fa&#xE7;am as fotos e oriente-os sobre o uso dos equipamentos, caso eles tenham alguma dificuldade. Ao final da aula, pe&#xE7;a para que eles tragam suas tr&#xEA;s imagens escolhidas impressas para o pr&#xF3;ximo encontro. O objetivo ser&#xE1; analisar os resultados obtidos.</p> <p> <strong>3&#xAA; AULA &#x2013; Mais alguns conceitos: equil&#xED;brio e enquadramento</strong></p> <p> Agora que todos j&#xE1; passaram pela experi&#xEA;ncia de fotografar e selecionar as imagens, &#xE9; hora de coloc&#xE1;-las em discuss&#xE3;o. Organize uma pequena exposi&#xE7;&#xE3;o dos resultados obtidos. Isso poder&#xE1; ser feito fixando as imagens na parede ou distribuindo-as no ch&#xE3;o, sobre um fundo de prefer&#xEA;ncia liso e de cor neutra (branco, preto, cinza, ou at&#xE9; uma tira de papel pardo).</p> <p> Ao retomar os conceitos trabalhados nos encontros anteriores voc&#xEA;s poder&#xE3;o analisar as fotos e utilizar os pr&#xF3;prios resultados obtidos pelos alunos para introduzir mais duas &#x201C;regrinhas&#x201D; ao repert&#xF3;rio que est&#xE1; sendo constru&#xED;do com os alunos sobre fotografia: o equil&#xED;brio e o enquadramento.</p> <p> O equil&#xED;brio em uma imagem &#xE9; algo bastante importante. Lembre aos seus alunos de que, para obtermos uma imagem equilibrada, podemos ou n&#xE3;o utilizar a simetria. Ou seja: tomando como base o centro do campo visual, podemos ou n&#xE3;o ter elementos iguais dos dois lados. Explique para eles que em uma imagem o equil&#xED;brio funciona como em uma balan&#xE7;a &#x2013; &#xE9; poss&#xED;vel ter coisas pequenas de um dos lados que compensar&#xE3;o coisas grandes que estejam do outro lado, desde que as pequenas sejam &#x201C;pesadas&#x201D; e as grandes &#x201C;leves&#x201D;. Portanto o equil&#xED;brio visual poder&#xE1; ser sim&#xE9;trico (os dois lados iguais) ou assim&#xE9;trico (os dois lados diferentes). Em geral, imagens com composi&#xE7;&#xF5;es assim&#xE9;tricas tendem a ser visualmente mais din&#xE2;micas, ou seja, sugerem a&#xE7;&#xE3;o ou movimento. Observem as imagens da turma e procurem localizar entre elas algumas que possam exemplificar essa quest&#xE3;o do equil&#xED;brio por simetria e por assimetria.</p> <p> Depois de encontrar exemplos de assimetria e simetria nos trabalhos dos alunos, &#xE9; hora de falar sobre enquadramento. Explique aos alunos que enquadrar uma imagem &#xE9; decidir de que modo voc&#xEA; vai posicionar o seu tema em rela&#xE7;&#xE3;o ao visor da c&#xE2;mera e, consequentemente, o que ela registrar&#xE1; como fotografia. Quando enquadramos um tema, normalmente escolhemos &#x201C;barreiras&#x201D; que o colocar&#xE3;o em destaque, como se fosse uma moldura. Este recurso pode dar uma sensa&#xE7;&#xE3;o de profundidade &#xE0; imagem e torn&#xE1;-la mais instigante. Os fot&#xF3;grafos utilizam os mais diversos recursos para &#x201C;enquadrar&#x201D; os seus temas &#x2013; vegeta&#xE7;&#xE3;o, elementos arquitet&#xF4;nicos, janelas, portas etc.</p> <p> Observem novamente as imagens da turma e tentem verificar se esses recursos foram aplicados e de que modo. Nesse momento, voc&#xEA;s poder&#xE3;o ainda recorrer aos retratos realizados por Sir Cecil Beaton apresentados na reportagem de BRAVO!, &#x201C;<em>O mestre e seus modelos</em>&#x201D;. Observem as solu&#xE7;&#xF5;es adotadas pelo fot&#xF3;grafo em cada uma das imagens e, a partir dos coment&#xE1;rios apresentados por Lino Villaventura, explique tamb&#xE9;m o modo como ele valorizou seus modelos por meio de suas fotografias. Beaton ia al&#xE9;m da simples imagem da pessoa, procurava por meio das fotos mostrar um pouco da personalidade de quem era retratado. Para terminar a aula, encomende aos alunos uma atividade final: a realiza&#xE7;&#xE3;o retratos fora do ambiente escolar.</p> <p> H&#xE1; um velho ditado que diz &#x201C;dize-me com quem andas e te direi quem &#xE9;s&#x201D;. Esse poder&#xE1; ser o t&#xED;tulo do projeto: cada aluno dever&#xE1; escolher aqueles que lhe s&#xE3;o mais pr&#xF3;ximos (familiares, amigos, animais de estima&#xE7;&#xE3;o) e fazer uma s&#xE9;rie de retratos nos quais apliquem os conceitos trabalhados e as li&#xE7;&#xF5;es de Cecil Beaton (captar al&#xE9;m da imagem, a &#x201C;ess&#xEA;ncia&#x201D; do modelo).</p> <p> A partir desse exerc&#xED;cio cada aluno dever&#xE1; montar um painel fotogr&#xE1;fico. As imagens dever&#xE3;o ser impressas em formato de no m&#xED;nimo 10x15xcm (uma possibilidade &#xE9; realizar amplia&#xE7;&#xF5;es em maiores formatos - em 18x24cm. Os trabalhos poder&#xE3;o ficar mais interessantes, se as imagens tiverem boa resolu&#xE7;&#xE3;o).</p> <p> &#xA0;</p> <p> <strong>4&#xAA; AULA &#x2013; Apresenta&#xE7;&#xE3;o dos trabalhos finais</strong></p> <p> Esta ser&#xE1; a aula da apresenta&#xE7;&#xE3;o dos trabalhos e aqui voc&#xEA;s poder&#xE3;o mais uma vez retomar as discuss&#xF5;es em torno das fotografias tomadas, buscando aquelas que melhor solucionaram quest&#xF5;es como o enquadramento, a luz, as texturas e as cores. Voc&#xEA;s poder&#xE3;o, ainda, elaborar um projeto de exposi&#xE7;&#xE3;o e apresentar &#xE0; escola os trabalhos desenvolvidos nas aulas.</p> <p> V&#xE1; al&#xE9;m:</p> <p> Os trabalhos finais poder&#xE3;o ser apresentados sob a forma de <em>scrapbooks</em> (os &#xE1;lbuns que associam fotos, textos e outros materiais relacionados ao tema abordado) constru&#xED;dos pelos alunos.Voc&#xEA;s tamb&#xE9;m poder&#xE3;o realizar esse exerc&#xED;cio em m&#xED;dia digital, ampli&#xE1;vel, gerando um mapa de relacionamentos como os que aparecem nas redes sociais mais comuns da internet, como o Orkut ou o Facebook, por exemplo.</p> <p> <strong>Avalia&#xE7;&#xE3;o</strong></p> <p> Observe se os alunos compreenderam as principais ideias trabalhadas nas aulas: os princ&#xED;pios b&#xE1;sicos de composi&#xE7;&#xE3;o visual aplicados &#xE0; fotografia; a import&#xE2;ncia dos fundamentos da linguagem visual para a produ&#xE7;&#xE3;o de boas fotos; bem como as diferentes fun&#xE7;&#xF5;es da linguagem fotogr&#xE1;fica. Durante os trabalhos pr&#xE1;ticos, verifique se os alunos sabem aplicar a regra dos ter&#xE7;os, se entenderam os conceitos de assimetria e simetria e de enquadramento, se fazem bom uso da luz dispon&#xED;vel nos locais fotografados, como eles trabalham a no&#xE7;&#xE3;o de profundidade e como interpretam os trabalhos dos colegas.</p> <p> &#xA0;</p> <p> Consultoria <strong>Maria Jos&#xE9; Spiteri Tavolar Passos</strong>, Doutoranda e Mestre em Artes pela UNESP &#x2013; SP, professora de Est&#xE9;tica e Hist&#xF3;ria da Arte e Linguagem Visual na Universidade Cruzeiro do Sul e Escultura na Universidade S&#xE3;o Judas Tadeu.</p> Proponha aos alunos que estudem a história e os princípios da boa fotografia e bote a turma para retratar cenas do cotidiano e organizar uma exposição de imagens na escola 2011-11-11T14:02:43-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados BRAVO! NA SALA DE AULA | Ed. 171, novembro de 2011 Proponha aos alunos que estudem a história e os princípios da boa fotografia e bote a turma para retratar cenas do cotidiano e organizar uma exposição de imagens na escola Sala de Aula BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/opera-no-ensino-medio-da-sala-de-aula-para-a-barbearia Ópera no Ensino Médio: da sala de aula para a barbearia 2011-12-02T09:06:31-02:00 Tiago Madalozzo <p> <strong>Objetivos</strong></p> <p> - Apresentar elementos da &#xF3;pera para que os alunos compreendam do que se trata e para que tenham contato com esse g&#xEA;nero art&#xED;stico complexo e presente na cultura mundial.</p> <p> <strong>Conte&#xFA;dos</strong></p> <p> - Defini&#xE7;&#xE3;o e breve hist&#xF3;ria da &#xF3;pera.</p> <p> - Temas, vozes e abertura da &#xF3;pera.</p> <p> - Leitmotiv (ou &#x2018;motivo condutor&#x2019; da &#xF3;pera).</p> <p> <strong>Tempo estimado</strong></p> <p> Cinco aulas</p> <p> <strong>Materiais necess&#xE1;rios</strong></p> <p> C&#xF3;pias da reportagem &#x201C;Beethoven, Mozart e... Nico Muhly&#x201D; (BRAVO!, Ed. 170, outubro de 2011) para todos os alunos; computador com acesso &#xE0; internet para mostrar &#xE0; turma os v&#xED;deos indicados nesta sequ&#xEA;ncia did&#xE1;tica.</p> <p> <strong>Introdu&#xE7;&#xE3;o</strong></p> <p> A &#xF3;pera &#xE9; um dos g&#xEA;neros art&#xED;sticos mais complexos, que re&#xFA;ne diferentes formas de express&#xE3;o em superprodu&#xE7;&#xF5;es que acompanham a hist&#xF3;ria da humanidade desde o final do s&#xE9;culo 16. Assim como acontece com a m&#xFA;sica erudita, certas vezes, a &#xF3;pera recebe o estigma de &#x201C;arte complexa, velha e nada popular&#x201D;. Por isso, o g&#xEA;nero nem sempre atrai o olhar dos jovens estudantes.</p> <p> BRAVO! de outubro (Edi&#xE7;&#xE3;o 170) traz a reportagem &#x201C;Beethoven, Mozart e... Nico Muhly&#x201D;. O texto do jornalista Arthur Dapieve fala sobre a &#xF3;pera &#x201C;Two Boys&#x201D;, composta pelo jovem norte-americano Nico Muhly e estreada em 2011. Mas o que faz um compositor de 28 anos, em pleno s&#xE9;culo 21, lan&#xE7;ar m&#xE3;o desse g&#xEA;nero art&#xED;stico? O que o g&#xEA;nero tem de t&#xE3;o interessante para levar milhares de pessoas aos teatros?</p> <p> Neste plano de aula, sugerimos uma sequ&#xEA;ncia did&#xE1;tica para que os alunos do Ensino M&#xE9;dio tenham um breve contato com a &#xF3;pera, procurando entender o que ela &#xE9; e como funciona.</p> <p> <strong>Desenvolvimento</strong></p> <p> <strong>1&#xAA; AULA - Para come&#xE7;ar a falar de &#xF3;pera</strong></p> <p> Para come&#xE7;ar, crie uma &#x201C;nuvem de conceitos&#x201D; na sala de aula. Pergunte aos alunos se eles conhecem o termo &#xF3;pera e que palavras ou ideias associam a ele. Escreva as principais ideias no quadro. Ao final, voc&#xEA; poder&#xE1; encontrar termos como: drama; m&#xFA;sica; teatro; orquestra; hist&#xF3;ria; narrativa; atores; cantores; solistas. Aproveite para apresentar algumas express&#xF5;es aos alunos, como &#xE1;ria; recitativo; soprano e contralto; tenor e baixo; 1&#xBA; e 2&#xBA; ato; fosso da orquestra, al&#xE9;m de qualquer outra palavra que possa ser associada ao g&#xEA;nero quando buscamos refer&#xEA;ncias sobre a &#xF3;pera em livros ou na internet.</p> <p> Depois de listar os termos na lousa, defina-os com os alunos para que todos comecem a desenvolver um vocabul&#xE1;rio adequado ao trabalho. A sua tarefa mais importante, professor, &#xE9; fazer com que os alunos consigam compreender os conceitos e encadear as ideias para estabelecer uma defini&#xE7;&#xE3;o comum para o termo &#xF3;pera.</p> <p> Ao tomarmos a origem do termo &#x201C;m&#xFA;sica&#x201D; para os gregos &#x2013; a express&#xE3;o musikae &#x2013;, sabemos que ela reunia tr&#xEA;s diferentes formas de express&#xE3;o: a express&#xE3;o musical como entendemos hoje, a express&#xE3;o verbal e a express&#xE3;o corporal. Al&#xE9;m de servir como base de diversas pedagogias ativas de educa&#xE7;&#xE3;o musical, esta express&#xE3;o pode nos ajudar a definir o que &#xE9; a &#xF3;pera: um g&#xEA;nero art&#xED;stico com origens no teatro, em que uma hist&#xF3;ria &#xE9; narrada, cantada e dan&#xE7;ada por meio de texto e na voz de atores, intensificada pela m&#xFA;sica no palco e acompanhada por uma orquestra ou pequeno grupo instrumental.</p> <p> Esclare&#xE7;a &#xE0; turma que uma &#xF3;pera costuma ser organizada em partes, denominadas &#x201C;atos&#x201D; (como no teatro), e a hist&#xF3;ria &#xE9; narrada por meio de fluxos de pensamento e di&#xE1;logos acompanhados pela m&#xFA;sica. A &#xF3;pera tamb&#xE9;m &#xE9; caracterizada por uma sucess&#xE3;o de &#xE1;rias &#x2013; can&#xE7;&#xF5;es acompanhadas pela orquestra &#x2013;, recitativos &#x2013; trechos de texto recitados sem acompanhamento, que se aproximam da fala &#x2013; e trechos instrumentais da orquestra (por exemplo: a abertura da &#xF3;pera ou as m&#xFA;sicas que iniciam cada um dos atos).</p> <p> Atividade: constru&#xE7;&#xE3;o de uma hist&#xF3;ria musicada</p> <p> Agora que os alunos j&#xE1; sabem que a &#xF3;pera &#xE9; uma hist&#xF3;ria narrada com apoio da m&#xFA;sica, informe a turma que a primeira atividade pr&#xE1;tica desta sequ&#xEA;ncia de aulas sobre o assunto ser&#xE1; a constru&#xE7;&#xE3;o de uma hist&#xF3;ria musicada. Pe&#xE7;a aos estudantes que se re&#xFA;nam em equipes e selecionem duas m&#xFA;sicas de que gostem muito, de qualquer estilo. Em seguida, solicite aos integrantes dos grupos que pensem em uma pequena hist&#xF3;ria cotidiana (como a hist&#xF3;ria de uma garota dividida entre dois amores no col&#xE9;gio, por exemplo) e a descrevam brevemente, em algumas linhas. Depois, pe&#xE7;a que os grupos escolham dois ou tr&#xEA;s trechos da hist&#xF3;ria em que um dos personagens (talvez o principal) se dirija ao p&#xFA;blico de forma dram&#xE1;tica e conte seus problemas pessoais. Por fim, ajude-os a selecionar dois trechos da hist&#xF3;ria que cada um dos grupos possa contar.</p> <p> A hist&#xF3;ria ter&#xE1;, portanto, uma introdu&#xE7;&#xE3;o feita por todos os integrantes do grupo, por meio da qual dever&#xE1; ser revelado o pano de fundo da trama. Logo ap&#xF3;s a introdu&#xE7;&#xE3;o, haver&#xE1; um trecho de texto em que o personagem principal falar&#xE1; sobre suas quest&#xF5;es pessoais. A pr&#xF3;xima parte ser&#xE1; um trecho de car&#xE1;ter pessoal de outro personagem ligado &#xE0; hist&#xF3;ria (um dos pretendentes da garota apaixonada, por exemplo). Por fim, haver&#xE1; uma segunda participa&#xE7;&#xE3;o do grupo todo, que vai revelar o desfecho da hist&#xF3;ria. Deixe claro para os alunos que esta pequena estrutura poder&#xE1; ser alterada e ampliada de acordo com o interesse e a trama elaborada pelas equipes.</p> <p> A partir de ent&#xE3;o, os alunos dever&#xE3;o finalizar a escrita de pequenos textos para os trechos dram&#xE1;ticos dos personagens principais. E o mais importante: precisar&#xE3;o criar textos maiores para a parte coletiva, interpretada por todo o grupo. Depois de prontos, estes textos da parte coletiva ser&#xE3;o transformados em par&#xF3;dia, ou seja, os alunos dever&#xE3;o se basear nas m&#xFA;sicas selecionadas no in&#xED;cio da atividade para criar uma varia&#xE7;&#xE3;o de letra que contenha a nova hist&#xF3;ria. Caso os alunos n&#xE3;o saibam o que &#xE9; uma par&#xF3;dia, conte a eles que parodiar uma m&#xFA;sica significa apropriar-se de uma melodia que j&#xE1; existe e colocar nela uma nova letra.</p> <p> A estrutura final da obra composta por cada um dos grupos dever&#xE1; contemplar:</p> <p> 1. A introdu&#xE7;&#xE3;o do grupo, feita com base na par&#xF3;dia de uma m&#xFA;sica e com um texto que conte os bastidores da hist&#xF3;ria</p> <p> 2. A parte de um personagem solista, que recita um texto dram&#xE1;tico ao p&#xFA;blico e fala sobre seus problemas pessoais.</p> <p> 3. A parte de um segundo solista, respons&#xE1;vel por recitar suas quest&#xF5;es pessoais.</p> <p> 4. O fechamento com uma nova par&#xF3;dia do grupo, que desenvolve e finaliza o conflito da hist&#xF3;ria.</p> <p> Definida a estrutura da &#xF3;pera, informe aos alunos que a atividade de cria&#xE7;&#xE3;o continuar&#xE1; no encontro seguinte.</p> <p> <strong>2&#xAA; e 3&#xAA; AULAS &#x2013; Festival de &#xF3;peras da turma</strong></p> <p> Reserve uma ou duas aulas para que os alunos tenham tempo de finalizar a atividade proposta na aula anterior e avise-os que al&#xE9;m de produzir as partes da &#xF3;pera, eles dever&#xE3;o criar dois materiais de apoio que ser&#xE3;o fundamentais para o processo de produ&#xE7;&#xE3;o: um pequeno libreto &#x2013; ou seja, o registro escrito da hist&#xF3;ria da &#xF3;pera, que ser&#xE1; resumida em um par&#xE1;grafo a ser lido para os colegas antes da apresenta&#xE7;&#xE3;o dos grupos; e um pequeno projeto de figurino e maquiagem &#x2013; de acordo com a tem&#xE1;tica da hist&#xF3;ria, para fazer os atores &#x201C;entrarem no clima&#x201D; da narrativa.</p> <p> Divida as aulas em tr&#xEA;s partes: na primeira delas, os alunos devem se dedicar &#xE0; produ&#xE7;&#xE3;o escrita dos materiais. Na segunda, v&#xE3;o prosseguir com os ensaios dos grupos. Na terceira parte, cada grupo dever&#xE1; apresentar aos colegas o resultado do trabalho, come&#xE7;ando pela leitura da sinopse do libreto e continuando com a parte declamada e os trechos musicais. Ser&#xE1; uma esp&#xE9;cie de um minifestival oper&#xED;stico da turma.</p> <p> Ap&#xF3;s finalizar a atividade, relembre a defini&#xE7;&#xE3;o de &#xF3;pera da primeira aula, e mostre aos alunos que, neste processo, eles atuaram como libretistas e atores de uma forma de arte dram&#xE1;tica que continuar&#xE3;o a estudar na aula seguinte.</p> <p> <strong>4&#xAA; AULA &#x2013; &#xD3;pera, um g&#xEA;nero atual</strong></p> <p> Distribua as c&#xF3;pias da reportagem de BRAVO! para os alunos proponha uma leitura coletiva. Chame a aten&#xE7;&#xE3;o deles para as informa&#xE7;&#xF5;es mais importantes do texto: a composi&#xE7;&#xE3;o de uma &#xF3;pera em pleno s&#xE9;culo 21; um compositor jovem, de apenas 28 anos, que resolve se apropriar deste g&#xEA;nero; as semelhan&#xE7;as entre a &#xF3;pera &#x201C;Two Boys&#x201D; e v&#xE1;rias outras no que diz respeito &#xE0; trama: Muhly atualiza a hist&#xF3;ria de base de outras &#xF3;peras para o s&#xE9;culo atual, incluindo as redes sociais no conflito de sua obra. Comente o fato de o compositor se apropriar dessas mesmas redes para a divulga&#xE7;&#xE3;o da &#xF3;pera &#x2013; se voc&#xEA; tiver um computador com acesso &#xE0; internet vale mostrar aos alunos v&#xED;deos com o trailer da &#xF3;pera, em http://abr.io/bravo-opera-1, e de divulga&#xE7;&#xE3;o do projeto, dispon&#xED;vel em http://abr.io/bravo-opera-2.</p> <p> Explique &#xE0; turma que, ao longo da hist&#xF3;ria da m&#xFA;sica, diversos temas foram trabalhados pelos autores para desenvolverem os argumentos das &#xF3;peras. Diga que, assim como nas novelas da televis&#xE3;o brasileira, os temas quase sempre envolvem personagens em conflitos amorosos ou ideol&#xF3;gicos. E quase sempre o resultado &#xE9; ou c&#xF4;mico ou tr&#xE1;gico: da&#xED; a &#xF3;pera ser considerada uma forma de arte dram&#xE1;tica.</p> <p> Em &#x201C;Two Boys&#x201D;, um personagem assume uma identidade falsa para se aproximar de outro personagem. Ser&#xE1; que j&#xE1; n&#xE3;o lemos, ouvimos ou assistimos hist&#xF3;rias parecidas em livros, &#xF3;peras ou novelas?</p> <p> Conte que no livro c&#xF4;mico &#x201C;Manual do blefador: tudo o que voc&#xEA; precisa saber sobre &#xF3;pera para n&#xE3;o passar vergonha&#x201D; (1994), o autor Peter Gammond faz um resumo bastante interessante sobre as tramas das &#xF3;peras. Leia o trecho para os estudantes:</p> <p> &#x201C;Uma porcentagem bastante grande dos enredos de &#xF3;pera sustenta-se em algu&#xE9;m n&#xE3;o conhecer outra pessoa, mesmo algu&#xE9;m t&#xE3;o &#xED;ntimo quanto uma esposa ou um marido, porque ele ou ela se encontra disfar&#xE7;ado com uma t&#xEA;nue m&#xE1;scara, incapaz de enganar qualquer pessoa fora do palco por um minuto sequer. Outras se sustentam no personagem principal levado &#xE0; cegueira por ci&#xFA;me. Os personagens de &#xF3;pera s&#xE3;o insuperavelmente ciumentos, sendo capazes de reconhecer complexos c&#xF3;digos de trai&#xE7;&#xE3;o no cair de um chap&#xE9;u. A hist&#xF3;ria de Otelo, Mouro de Veneza proveio &#xE0; &#xF3;pera com um dos enredos mais t&#xED;picos, com o her&#xF3;i acreditando no pior sobre todos que o cercam, incluindo sua esposa, cujas foscas &#xE1;rias imediatamente convencem a todos &#x2013; menos ele &#x2013; de sua total incapacidade para a impostura.&#x201D;</p> <p> Pergunte aos alunos se as hist&#xF3;rias criadas nas &#x201C;mini&#xF3;peras&#x201D; remetem a estas tramas citadas por Gammond. Conte a eles que toda &#xF3;pera parte de um libreto, uma esp&#xE9;cie de &#x201C;roteiro&#x201D;, que &#xE9; transformado em m&#xFA;sica pelo compositor. Ao fazer esta passagem do dom&#xED;nio do verbal para o musical, os compositores escrevem partes para o solista e para a orquestra que o acompanha.</p> <p> Comente que o maestro, no momento da r&#xE9;cita (a apresenta&#xE7;&#xE3;o da &#xF3;pera) ganha posi&#xE7;&#xE3;o de destaque, pois deve comandar tudo o que acontece no palco &#x2013; e embaixo dele - ou seja, dirige os atores, para que cantem e recitem no tempo certo, e tamb&#xE9;m a orquestra. Mas como &#xE9; que todo esse pessoal cabe no palco?</p> <p> Conte &#xE0; turma que a orquestra n&#xE3;o divide o palco com os atores: neste espa&#xE7;o acontece somente a atua&#xE7;&#xE3;o, como se o palco fosse uma tela de televis&#xE3;o voltada para o p&#xFA;blico. Os instrumentos ficam num n&#xED;vel abaixo do palco, o chamado &#x201C;fosso&#x201D; da orquestra. Por isso os grandes teatros t&#xEA;m um espa&#xE7;o em que o ch&#xE3;o do palco desce para acomodar os instrumentistas.</p> <p> Explique que a parte instrumental da &#xF3;pera costuma ser escrita com base em um recurso musical que ser&#xE1; estudado mais adiante, o leitmotiv (ou motivo condutor). J&#xE1; a parte dos cantores segue uma esp&#xE9;cie de regra. Se voc&#xEA; fosse escolher uma cantora para representar o papel de uma Feiticeira M&#xE1; de um conto de fadas, escolheria uma de voz aguda e doce ou grave e penetrante? E se fosse o Pr&#xED;ncipe Encantado: seria um cantor com voz aguda e melodiosa ou baixa e sisuda? Os compositores pensaram muito sobre isso, e chegaram &#xE0; conclus&#xE3;o de que deveriam seguir um padr&#xE3;o.</p> <p> Chame a aten&#xE7;&#xE3;o dos alunos para o fato de que todas as pessoas podem alcan&#xE7;ar um determinado n&#xFA;mero de notas musicais, come&#xE7;ando em sons graves e terminando nos mais agudos. Isso &#xE9; chamado de extens&#xE3;o vocal, e, dependendo da qualidade dos sons e no conforto que o cantor tem em emiti-los, sua voz pode ser classificada dentro de uma tessitura, ou seja, uma regi&#xE3;o que permite saber se, ao cantar em um coral, ela estaria no grupo das contraltos (mulheres com vozes mais graves) ou das sopranos (mulheres com vozes mais agudas); dos baixos (homens com vozes mais graves) ou dos tenores (homens com vozes mais agudas), ou regi&#xF5;es de meio-termo como as mezzo sopranos (mulheres) ou os bar&#xED;tonos (homens).</p> <p> Conte que, na &#xF3;pera, as sopranos, por exemplo, ainda podem ser dividas entre soprano leggero (leve, doce, para personagens jovens), soprano l&#xED;rico (sonoro, floreado, expressivo, para personagens heroicas) e soprano dram&#xE1;tico (mais pesado, possante, para personagens em momentos de impacto dram&#xE1;tico). &#xC9; claro que tudo isso pode variar de acordo com a inten&#xE7;&#xE3;o dos compositores. Mas a melhor forma de verificar &#xE9; conhecer exemplos. Por isso, no final deste plano, consulte a se&#xE7;&#xE3;o de &#x201C;desdobramentos&#x201D;, e se poss&#xED;vel siga a sugest&#xE3;o.</p> <p> Para finalizar, conte aos alunos que na pr&#xF3;xima aula ser&#xE3;o apresentadas as partes que comp&#xF5;em a &#xF3;pera.</p> <p> <strong>5&#xAA; AULA &#x2013; As partes da &#xF3;pera</strong></p> <p> Comece a aula explicando aos alunos que uma das partes musicais de uma &#xF3;pera &#xE9; justamente a Abertura &#x2013; o prel&#xFA;dio da hist&#xF3;ria. Por isso, na sala de &#xF3;pera o maestro entra sob aplausos da plateia e logo come&#xE7;a a conduzir a orquestra. A abertura, em geral, re&#xFA;ne duas caracter&#xED;sticas importantes: resume o car&#xE1;ter da hist&#xF3;ria, seja dram&#xE1;tico, c&#xF4;mico, rom&#xE2;ntico ou f&#xFA;nebre; e re&#xFA;ne trechos de m&#xFA;sicas que aparecer&#xE3;o ao longo da obra. Ou seja, a abertura &#xE9; duplamente um &#x201C;resumo da &#xF3;pera&#x201D;. E &#xE9; isso que os alunos analisar&#xE3;o em seguida.</p> <p> Proponha aos jovens a escuta de um trecho da Abertura da &#xF3;pera Il Barbieri de Siviglia (O Barbeiro de Sevilha), do compositor italiano Gioacchino Rossini, que estreou em 1816 e &#xE9; uma das mais conhecidas obras do g&#xEA;nero. &#xC9; importante que todos procurem manter-se no maior sil&#xEA;ncio poss&#xED;vel neste momento. Voc&#xEA; pode sugerir os alunos aproveitem para escrever no caderno algumas palavras que resumam o sentimento que a m&#xFA;sica desperta. Caso considere muito cansativo, divida a audi&#xE7;&#xE3;o em duas partes: uma do in&#xED;cio at&#xE9; cerca de 2 minutos, em que um tema inicial &#xE9; apresentado, e outra dos 2 aos 7 minutos com novos temas em altern&#xE2;ncia. A abertura de O Barbeiro est&#xE1; dispon&#xED;vel em http://abr.io/barbeiro-sevilha (mas procure dar &#xEA;nfase ao som, sem mostrar as imagens para os alunos).</p> <p> Diga aos jovens, antes da escuta, para prestarem aten&#xE7;&#xE3;o em algumas caracter&#xED;sticas da m&#xFA;sica:</p> <p> a) Trata-se de uma hist&#xF3;ria rom&#xE2;ntica? Dram&#xE1;tica? Heroica? Mitol&#xF3;gica?</p> <p> b) H&#xE1; mais do que um tipo de conflito durante a hist&#xF3;ria &#x2013; ou seja, com base na m&#xFA;sica &#xE9; poss&#xED;vel imaginar que haver&#xE1; uma luta, uma briga, uma guerra, ou um encontro amoroso, ao longo da &#xF3;pera?</p> <p> c) O final da hist&#xF3;ria parece ser feliz ou tr&#xE1;gico?</p> <p> Ap&#xF3;s a audi&#xE7;&#xE3;o, discuta com os alunos os resultados da an&#xE1;lise da m&#xFA;sica: &#xE9; poss&#xED;vel antever o que acontecer&#xE1; na hist&#xF3;ria? Qual o tema e os principais conflitos que eles podem imaginar que fazem parte da obra?</p> <p> Depois de ouvir as sugest&#xF5;es dos alunos, pergunte a eles as raz&#xF5;es pelas quais a &#xF3;pera &#xE9; por vezes entendida como a &#x201C;novela&#x201D; da m&#xFA;sica. Conte a eles que isso de deve ao uso de um recurso (o leitmotiv), por parte dos compositores, para fazer com que a parte musical ganhe um sentido especial no desenvolvimento da trama. O compositor que levou este recurso ao uso dram&#xE1;tico na &#xF3;pera foi o alem&#xE3;o Richard Wagner, que viveu no s&#xE9;culo 19 e escreveu grandes &#xF3;peras &#x2013; verdadeiras superprodu&#xE7;&#xF5;es que integravam a m&#xFA;sica com as outras artes.</p> <p> Conte &#xE0; turma que o nome do recurso musical &#xE9; leitmotiv ou &#x201C;motivo condutor&#x201D;. Para cada personagem, Wagner criou uma pequena frase musical que o descrevia &#x2013; como se fosse um slogan musical. E ent&#xE3;o, ao longo da &#xF3;pera, a cada vez que o personagem aparecia, seu tema era tocado pela orquestra em meio &#xE0; musica de fundo. Desta forma, al&#xE9;m de ver o personagem no palco, o p&#xFA;blico ouvia sua trilha sonora, criando um efeito de integra&#xE7;&#xE3;o entre m&#xFA;sica e texto.</p> <p> H&#xE1; outros casos bastante especiais do uso do motivo condutor na &#xF3;pera: quando um dos personagens principais est&#xE1; em uma cena, sozinho, e sua amada corre perigo, os compositores aproveitam para refor&#xE7;ar que o personagem tem uma &#x201C;intui&#xE7;&#xE3;o&#x201D; do perigo iminente. No meio de uma cena como essa, &#xE9; comum a orquestra delicadamente tocar o leitmotiv da amada. Portanto, o personagem n&#xE3;o precisa dizer ao p&#xFA;blico que est&#xE1; pensando em sua amada, pois a m&#xFA;sica se encarrega disso. Este recurso foi muito adotado por outros compositores, e acabou se tornando uma caracter&#xED;stica do g&#xEA;nero a partir da obra de Wagner.</p> <p> Se houver disponibilidade, trabalhe com seus alunos a audi&#xE7;&#xE3;o da obra Pedro e o Lobo, do russo Sergei Prokofiev, de 1936. Trate-se de uma hist&#xF3;ria musical narrada com aproximadamente 25 minutos, em que, al&#xE9;m de cada personagem ter um leitmotiv, cada um deles &#xE9; tocado por um instrumento ou grupo de instrumentos espec&#xED;fico. Assim, Pedro &#xE9; representado pelo quarteto de cordas em um leitmotiv vivo, alegre, animado; j&#xE1; o Lobo &#xE9; representado por um tema sombrio e assustador tocado pelas trompas. Os temas ficam bem marcados e, apesar de haver uma narra&#xE7;&#xE3;o, &#xE9; praticamente imposs&#xED;vel entender a hist&#xF3;ria somente com base no entrela&#xE7;amento dos diferentes leitmotivs. Assista ao v&#xED;deo dispon&#xED;vel em http://abr.io/pedro-lobo para entender como funciona e explicar aos seus alunos. A obra de Prokofiev pode ser o ponto de partida para apresenta&#xE7;&#xE3;o de instrumentos de diferentes fam&#xED;lias da orquestra &#x2013; conte&#xFA;do que pode ser trabalhado em aulas futuras.</p> <p> N&#xE3;o se esque&#xE7;a de comentar com os alunos sobre outro tipo de produ&#xE7;&#xE3;o que lan&#xE7;a m&#xE3;o do recurso do leitmotiv: a novela. O g&#xEA;nero televisivo brasileiro se apropria dos temas condutores e, a cada nova edi&#xE7;&#xE3;o, os personagens, casais de personagens, n&#xFA;cleos ou ainda cenas dram&#xE1;ticas s&#xE3;o associados a m&#xFA;sicas espec&#xED;ficas. Por isso &#xE9; t&#xE3;o comum se falar em &#x201C;tema da personagem&#x201D; nas novelas. A busca por motivos condutores leva as produtoras, inclusive, a lan&#xE7;ar CDs com as m&#xFA;sicas-tema de suas novelas. Se julgar necess&#xE1;rio, fa&#xE7;a uma pesquisa dos temas das novelas atuais e apresente algumas m&#xFA;sicas no final da aula para ver se os alunos conseguem identificar os personagens com base nas trilhas sonoras.</p> <p> Antes de concluir, proponha uma brincadeira musical. Mostre aos alunos o seguinte v&#xED;deo: http://abr.io/barbeiro-pernalonga. Trata-se de uma par&#xF3;dia, como as que foram feitas nas aulas 1 a 3 desta sequ&#xEA;ncia. Neste caso, a Warner Bros. Pictures cria uma vers&#xE3;o c&#xF4;mica da Abertura de O Barbeiro de Sevilha com os famosos personagens Pernalonga e Hortelino Troca-Letras.</p> <p> Ao final, analise com os alunos tr&#xEA;s quest&#xF5;es abordadas durante as aulas:</p> <p> 1) As diferentes tem&#xE1;ticas da &#xF3;pera que os personagens resumem na anima&#xE7;&#xE3;o: o romance, a trai&#xE7;&#xE3;o, os conflitos, a guerra, a partir do cotidiano (no caso, a barbearia).</p> <p> 2) Os trechos musicais que podem ser entendidos com leitmotivs, ou seja, as frases musicais que se repetem na abertura e que caracterizam cada um dos personagens.</p> <p> 3) A articula&#xE7;&#xE3;o de diferentes artes na encena&#xE7;&#xE3;o: m&#xFA;sica (orquestra e declama&#xE7;&#xE3;o); teatro (recita&#xE7;&#xE3;o de textos, di&#xE1;logos); dan&#xE7;a (coreografias e movimentos no palco); e artes visuais (cen&#xE1;rio).</p> <p> Se voc&#xEA; desejar desdobrar ainda mais o assunto, a&#xED; v&#xE3;o algumas sugest&#xF5;es:</p> <p> 1) Depois desta introdu&#xE7;&#xE3;o ao tema, talvez seus alunos j&#xE1; estejam preparados para assistir a um trecho de &#xF3;pera. Procure na internet ou em DVDs o registro de &#xE1;rias e recitativos famosos de Il Barbieri e de outras &#xF3;peras para que os alunos conhe&#xE7;am exemplos de encena&#xE7;&#xF5;es oper&#xED;sticas. Ainda, se for o caso, aproveite e apresente um Ato inteiro de uma &#xF3;pera, ou uma &#xF3;pera curta, como Gianni Schicchi, do compositor italiano Giacomo Puccini (de 1918). A audi&#xE7;&#xE3;o pode servir como mote para indicar todos os elementos musicais que mencionamos ao longo das aulas, incluindo as vozes dos cantores: os malvados n&#xE3;o t&#xEA;m a voz mais grave que os &#x201C;mocinhos&#x201D;?</p> <p> 2) Procure conhecer o projeto &#x201C;As Sete Caras da Verdade&#x201D;, do compositor ga&#xFA;cho Nico Nicolaiewsky, em http://www.operaatomica.com.br. O autor criou uma &#xF3;pera em quadrinhos: o produto acompanha um CD com a grava&#xE7;&#xE3;o da &#xF3;pera (cantores acompanhados de uma pequena orquestra), um livreto com as cenas da &#xF3;pera em quadrinhos, e finalmente um CD com a parte musical para servir de karaok&#xEA;: o leitor pode abrir o livreto, acompanhar a hist&#xF3;ria e cantar as partes dos personagens. O interessante &#xE9; que a obra &#xE9; de fato uma &#xF3;pera: a hist&#xF3;ria &#xE9; cantada; a trama segue os padr&#xF5;es do g&#xEA;nero e h&#xE1; &#xE1;rias e recitativos com temas. Trata-se de um projeto que provavelmente ter&#xE1; boa aceita&#xE7;&#xE3;o dos alunos dada a contemporaneidade da hist&#xF3;ria.</p> <p> 3) Procure adquirir os livros da Cole&#xE7;&#xE3;o &#xD3;pera em Quadrinhos, rec&#xE9;m lan&#xE7;ada pela Editora Scipione. Acesse http://sites.aticascipione.com.br/operaemquadrinhos para conhecer os primeiros volumes. A leitura poder&#xE1; ser um ponto de partida para a aprecia&#xE7;&#xE3;o de trechos de encena&#xE7;&#xF5;es reais.</p> <p> <strong>Avalia&#xE7;&#xE3;o</strong></p> <p> A proposta desta sequ&#xEA;ncia did&#xE1;tica &#xE9; promover discuss&#xF5;es com os alunos sobre a &#xF3;pera. Por isso, o comprometimento dos estudantes e a participa&#xE7;&#xE3;o, na medida em que &#xE9; necess&#xE1;rio concentrar-se nas atividades para que as discuss&#xF5;es aconte&#xE7;am naturalmente, &#xE9; fundamental. Durante as aulas, observe se os alunos entenderam o que &#xE9; uma &#xF3;pera, se s&#xE3;o capazes de identificar suas partes principais e se reconhecem a fun&#xE7;&#xE3;o de cada uma delas dentro da obra. As par&#xF3;dias dos alunos e suas observa&#xE7;&#xF5;es das atividades de audi&#xE7;&#xE3;o tamb&#xE9;m devem ser levadas em conta.</p> <p> <strong>Consultoria</strong> Tiago Madalozzo</p> <p> <em>Mestre em Comunica&#xE7;&#xE3;o e Linguagens pela Universidade Tuiuti do Paran&#xE1;, professor assistente do curso de M&#xFA;sica &#x2013; Educa&#xE7;&#xE3;o Musical da Universidade Federal do Paran&#xE1; e professor de musicaliza&#xE7;&#xE3;o na Alecrim Dourado Forma&#xE7;&#xE3;o Musical, em Curitiba.</em></p> 2011-10-27T15:09:14-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Outubro 2011 Música Sala de Aula BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/que-tal-experimentar-a-arte-contemporanea Que tal experimentar a Arte Contemporânea? 2011-12-02T08:59:39-02:00 Maria José Spiteri Tavolaro Passos <p> <strong>Objetivos</strong></p> <p> - Conhecer, compreender e experimentar os meios de express&#xE3;o presentes na arte contempor&#xE2;nea.</p> <p> - Reconhecer e valorizar a rela&#xE7;&#xE3;o entre a arte e a realidade.</p> <p> <strong>Conte&#xFA;dos</strong></p> <p> - Arte contempor&#xE2;nea.</p> <p> - Artistas contempor&#xE2;neos brasileiros.</p> <p> - Releitura de objetos de arte</p> <p> <strong>Tempo estimado</strong></p> <p> Quatro aulas</p> <p> <strong>Materiais necess&#xE1;rios</strong></p> <p> - C&#xF3;pias da reportagem &#x201C;Os sete mandamentos da Arte&#x201D; (BRAVO!, Ed. 170, outubro de 2011) para todos os alunos.</p> <p> - Imagens de algumas obras de arte da antiguidade, da Idade M&#xE9;dia e da Idade Moderna, dispon&#xED;veis em: http://www.wga.hu/ e http://www.googleartproject.com/.</p> <p> - Projetor para mostrar as imagens das obras aos alunos.</p> <p> - Espa&#xE7;o amplo (pode ser a sala de aula, com as carteiras encostadas na parede) para que os alunos trabalhem suas cria&#xE7;&#xF5;es art&#xED;sticas.</p> <p> <strong>Desenvolvimento</strong></p> <p> <strong>1&#xAA; AULA &#x2013; O que quer a arte contempor&#xE2;nea?</strong></p> <p> Conte aos alunos que nas pr&#xF3;ximas aulas ser&#xE1; abordado um tema bastante amplo: o mercado de arte e a contemporaneidade. Explique que uma reportagem publicada na revista BRAVO! (&#x201C;Os sete mandamentos da Arte&#x201D;, Ed. 170, outubro de 2011) nos coloca diante de um tema que vem rendendo muitas discuss&#xF5;es entre cr&#xED;ticos, historiadores, artistas e at&#xE9; entre o p&#xFA;blico. Com muita frequ&#xEA;ncia encontramos pessoas comentando que &#x201C;n&#xE3;o entendem a arte de hoje&#x201D;, ou ainda &#x201C;mas isso &#xE9; arte?&#x201D;.</p> <p> Antes de entrar no m&#xE9;rito da quest&#xE3;o ou mesmo de ler o texto com seus alunos proponha a eles como um &#x201C;aquecimento&#x201D; uma breve conversa a respeito da palavra &#x201C;contempor&#xE2;neo&#x201D;. Para tanto voc&#xEA; poder&#xE1; levar para a aula um conjunto de imagens de diversos per&#xED;odos da Hist&#xF3;ria da Arte (por exemplo, arte antiga, medieval, arte do Renascimento, do Barroco, do s&#xE9;culo 19, arte da primeira e da segunda metade do s&#xE9;culo 20). &#xC9; importante que essas imagens tamb&#xE9;m contemplem obras de arte produzidas recentemente.</p> <p> Em seguida, proponha aos alunos que eles organizem as imagens respeitando os per&#xED;odos nos quais as obras de arte foram produzidas. Os estudantes estar&#xE3;o fazendo um recorte cronol&#xF3;gico da arte.</p> <p> Explique &#xE0; turma que esse tipo de agrupamento das obras pode mostrar uma das no&#xE7;&#xF5;es de &#x201C;contempor&#xE2;neo&#x201D;, que diz respeito &#xE0;s obras realizadas em uma mesma &#xE9;poca sucessora de outra &#xE9;poca ou &#x201C;movimento&#x201D; art&#xED;stico. Esclare&#xE7;a que essa no&#xE7;&#xE3;o n&#xE3;o corresponde exatamente ao que historiadores, cr&#xED;ticos, artistas e outras pessoas do mercado art&#xED;stico consideram como contempor&#xE2;neo na arte.</p> <p> Aproveite o momento e mostre imagens de obras da segunda metade do s&#xE9;culo 20, desde a Pop Art (obras de artistas como Andy Warhol e Roy Lichtenstein, por exemplo). Compare essas imagens &#xE0;s obras de per&#xED;odos anteriores e discuta com a turma que mudan&#xE7;as podem ser observadas nos diferentes momentos da arte ao longo da hist&#xF3;ria: temas, materiais, t&#xE9;cnicas. Voc&#xEA;s provavelmente observar&#xE3;o que as mudan&#xE7;as foram muitas e que uma das grandes rupturas ocorridas nos &#xFA;ltimos 60 anos diz respeito &#xE0;s linguagens e aos suportes adotados para as cria&#xE7;&#xF5;es art&#xED;sticas.</p> <p> Ressalte a ideia de que quando se fala em arte contempor&#xE2;nea fica dif&#xED;cil separar, por exemplo, pintura, desenho ou escultura, como se fazia em tempos passados. Al&#xE9;m do mais, os pr&#xF3;prios materiais que vem sendo aplicados na cria&#xE7;&#xE3;o das obras ultrapassaram a tradicional tinta aplicada a pincel sobre tela ou o m&#xE1;rmore esculpido. Fa&#xE7;a com que os alunos percebam que hoje n&#xE3;o h&#xE1; limites para materiais, t&#xE9;cnicas, meios e que at&#xE9; mesmo o universo digital j&#xE1; foi incorporado ao das realiza&#xE7;&#xF5;es art&#xED;sticas.</p> <p> Mas, como se deu essa mudan&#xE7;a? Quando isso ocorreu? Para facilitar o entendimento da turma e ilustrar o que ser&#xE1; explicado, recorra ao banco de imagens formado (ou ainda leve algumas imagens extras) e mostre que desde o come&#xE7;o do s&#xE9;culo 20 os artistas j&#xE1; discutiam os rumos da arte. Mostre aos alunos uma imagem da obra &#x201C;A Fonte&#x201D; (1917) de Marcel Duchamp. Trata-se de um mict&#xF3;rio assinado que causou grande espanto em sua &#xE9;poca e tornou-se um &#xED;cone nesse processo de questionamento. A ele se seguiram todos os artistas do movimento Dada&#xED;sta e diversos outros movimentos que buscavam manter a arte sempre viva e conectada ao seu tempo.</p> <p> Conte aos estudantes que talvez a&#xED; esteja a chave da quest&#xE3;o da contemporaneidade: a coer&#xEA;ncia com o momento. At&#xE9; o final do s&#xE9;culo 19 o mundo estava acostumado com uma determinada estrutura e din&#xE2;mica sociais, mas o s&#xE9;culo 20 foi marcado por severas mudan&#xE7;as, desencadeadas, em especial, por duas grandes guerras mundiais que alteraram a configura&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tico-social do globo.</p> <p> Explique aos alunos que no campo cultural muitos intelectuais, cientistas e artistas das mais diversas &#xE1;reas fugiram da grande recess&#xE3;o econ&#xF4;mica e, principalmente das persegui&#xE7;&#xF5;es pol&#xED;ticas que ocorriam na Europa. A maior parte deles migrou para a Am&#xE9;rica, em especial para os Estados Unidos. Desse modo ocorreu toda uma mudan&#xE7;a do grande centro cultural mundial que era Paris para Nova York e outras cidades norte-americanas e tamb&#xE9;m da Am&#xE9;rica Latina. As experi&#xEA;ncias que estavam sendo vividas pela humanidade passaram a repercutir fortemente naquilo que os artistas produziam: a m&#xFA;sica, o teatro, a literatura, as artes estavam em transforma&#xE7;&#xE3;o porque o mundo estava mudando.</p> <p> Esse processo certamente representou uma grande transforma&#xE7;&#xE3;o no modo de se fazer arte. Ap&#xF3;s o final da Segunda Guerra Mundial (em 1945), o pintor norte-americano Jackson Pollock rompe definitivamente com as pinceladas sobre a tela: coloca o suporte no ch&#xE3;o e passa a gotejar e a despejar a tinta sobre ele, criando grandes pinturas formadas por pingos de tinta. Tais mudan&#xE7;as representaram uma revolu&#xE7;&#xE3;o. Outros artistas fizeram seus experimentos buscando integrar a arte e a vida, chegando a incorporar o corpo e at&#xE9; o p&#xFA;blico &#xE0; obra como nas performances ou happenings (um tipo de arte visual que &#xE9; gerada na a&#xE7;&#xE3;o e que, portanto, nunca pode ser reproduzida exatamente da mesma forma).</p> <p> Cada vez mais a arte torna-se politizada e cr&#xED;tica. Isso n&#xE3;o significa que em outros momentos os artistas n&#xE3;o tenham expressado suas opini&#xF5;es a respeito do que acontecia no mundo. Se forem observadas as pinturas do ingl&#xEA;s William Hogarth (1697-1794), ou ainda as de Honor&#xE9; Daumier (1808-1879) localizaremos ali fortes discuss&#xF5;es a respeito das rela&#xE7;&#xF5;es sociais. No entanto, o primor t&#xE9;cnico e muitas vezes a linguagem codificada empregada pelos artistas &#x201C;mascarava&#x201D; essa cr&#xED;tica.</p> <p> Conte aos alunos que na arte contempor&#xE2;nea tudo muda: as t&#xE9;cnicas s&#xE3;o outras, as tem&#xE1;ticas tamb&#xE9;m e nem sempre a figura&#xE7;&#xE3;o &#xE9; o elemento mais importante. A arte abstrata e posteriormente as apropria&#xE7;&#xF5;es de imagens, materiais, objetos, a hibridiza&#xE7;&#xE3;o (mistura) das linguagens, as novas tecnologias passaram a expressar conceitos que acabaram se sobrepondo aos temas tradicionais (como a paisagem, a natureza morta, o retrato...). A vida e a arte passaram a &#x201C;conversar&#x201D; mais de perto. Deixe claro para a turma que isso n&#xE3;o impede que um artista contempor&#xE2;neo trabalhe com t&#xE9;cnicas muito tradicionais. Um exemplo &#xE9; o do artista brasileiro Gil Vicente, que trabalha com t&#xE9;cnicas consideradas por muitos como ancestrais dentro da Hist&#xF3;ria da Arte, como o desenho a grafite ou a nanquim.</p> <p> A quest&#xE3;o mercadol&#xF3;gica &#xE9; outro ponto interessante e central na reportagem &#x201C;Os sete mandamentos da arte&#x201D;. Voc&#xEA;s poder&#xE3;o abord&#xE1;-la mais especificamente na pr&#xF3;xima aula e, para tanto, sugira &#xE0; turma para que em casa consulte o verbete &#x201C;Mercado de Arte&#x201D; da Enciclop&#xE9;dia de Artes Visuais do Ita&#xFA; Cultural. Ali eles poder&#xE3;o encontrar algumas informa&#xE7;&#xF5;es gerais a respeito de mercado de arte e de sua hist&#xF3;ria. Mas h&#xE1; tamb&#xE9;m outros sites espec&#xED;ficos a respeitos desse mercado, das galerias etc.</p> <p> Distribua a reportagem aos alunos e pe&#xE7;a que a leiam em casa porque ela tamb&#xE9;m ser&#xE1; discutida na pr&#xF3;xima aula.</p> <p> <strong>Mapa das Artes</strong></p> <p> http://www.mapadasartes.com.br/</p> <p> <strong>Mercado de Arte</strong></p> <p> http://www.consultarte.com.br/scripts/home.asp</p> <p> http://www.mercadodearte.com/</p> <p> http://www.artesdoispontos.com/mercado.php?tb=mercado&amp;id=1</p> <p> <strong>Ita&#xFA; Cultural &#x2013; Enciclop&#xE9;dia de Artes Visuais (verbete: Mercado de Arte)</strong></p> <p> http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=termos_texto&amp;cd_verbete=3803</p> <p> <strong>2&#xAA; AULA &#x2013; Conhe&#xE7;a o mercado de arte</strong></p> <p> Neste encontro retome brevemente a conversa da aula anterior e procure resgatar os resultados da leitura realizada a partir do site da Enciclop&#xE9;dia Ita&#xFA; de Artes Visuais. Anote as observa&#xE7;&#xF5;es dos alunos no quadro. Depois disso, voc&#xEA;s poder&#xE3;o ler juntos a reportagem de BRAVO! e, comparando com as informa&#xE7;&#xF5;es levantadas no exerc&#xED;cio proposto para casa, discutam quest&#xF5;es como: o que &#xE9; o &#x201C;mercado de arte&#x201D;? &#xC9; algo recente? Que transforma&#xE7;&#xF5;es esse mercado sofreu ao longo dos s&#xE9;culos? Quem participa do mercado de arte hoje?</p> <p> Comente com a turma que a &#x201C;independ&#xEA;ncia&#x201D; do artista sempre foi algo bastante relativo. Em muitos momentos da hist&#xF3;ria o artista teve que trabalhar sob encomenda, o que pode ter representado um fator limitante para a sua criatividade. Ser&#xE1; que hoje isso mudou? Muitas vezes ouvimos falar de &#x201C;tend&#xEA;ncias&#x201D; e isso pode muitas vezes, direcionar o trabalho de um artista.</p> <p> Conte aos alunos que muitos artistas j&#xE1; passaram por isso: n&#xE3;o se curvaram aos apelos desse lado mais &#x201C;comercial&#x201D; da arte e ca&#xED;ram no esquecimento por longos per&#xED;odos.</p> <p> &#xC9; muito frequente ouvirmos falar e valorizarmos artistas estrangeiros (seria essa uma influ&#xEA;ncia do pr&#xF3;prio mercado?). A reportagem destaca grandes nomes da arte contempor&#xE2;nea internacional, em especial aqueles representados na exposi&#xE7;&#xE3;o que comemora os 60 anos da Bienal de S&#xE3;o Paulo. Nossos livros de Hist&#xF3;ria da Arte costumam destacar a produ&#xE7;&#xE3;o europeia e dos Estados Unidos, mas o que sabemos a respeito da nossa arte contempor&#xE2;nea? Ser&#xE1; que os artistas do Brasil tem espa&#xE7;o no mercado de arte internacional?</p> <p> Comente, ent&#xE3;o, que a cada ano, mais artistas de origem brasileira tem conseguido projetar sua obra para al&#xE9;m de nossas fronteiras e que alguns deles v&#xEA;m conquistando grande reconhecimento, como &#xE9; o caso de nomes como Rosangela Renn&#xF3;. Adriana Varej&#xE3;o e Carlito Carvalhosa. Que tal olharmos agora um pouco para esses nomes e aprender mais a respeito deles? Proponha &#xE0; turma o desenvolvimento de um trabalho de pesquisa a partir do qual eles realizar&#xE3;o obras coletivas.</p> <p> Pe&#xE7;a para os alunos que se dividam em grupos. Sorteie entre eles alguns nomes de artistas contempor&#xE2;neos brasileiros conhecidos no exterior, como Iran do Esp&#xED;rito Santo, Beatriz Milhazes, Os G&#xEA;meos, Vik Muniz, Regina Silveira e o veterano Cildo Meirelles (veja mais artistas jovens e veteranos da arte contempor&#xE2;nea brasileira no quadro abaixo).</p> <p> Proponha aos grupos que fa&#xE7;am um levantamento a respeito do artista escolhido: qual foi o seu percurso, o que vem desenvolvendo, suas obras mais conhecidas. Com base nesse processo de pesquisa, cada grupo dever&#xE1; selecionar uma obra do artista sorteado e elaborar uma reinterpreta&#xE7;&#xE3;o desse trabalho. Lembrem-se de que estamos tratando de arte contempor&#xE2;nea, ou seja, estamos falando da quebra com os suportes e t&#xE9;cnicas tradicionais &#x2013; o conceito e a experimenta&#xE7;&#xE3;o s&#xE3;o extremamente significativos.</p> <p> Pe&#xE7;a aos alunos que realizem em casa os levantamentos sobre os artistas e que para a pr&#xF3;xima aula levem os resultados das pesquisas e materiais para dar in&#xED;cio ao desenvolvimento dos projetos coletivos.</p> <p> Alguns sites com informa&#xE7;&#xF5;es sobre artistas brasileiros</p> <p> <strong>Adriana Varej&#xE3;o - </strong>http://www.adrianavarejao.net/site#/</p> <p> <strong>Vik Muniz -</strong> http://www.vikmuniz.net/ (em Ingl&#xEA;s)</p> <p> <strong>Beatriz Milhazes </strong>- http://www.fortesvilaca.com.br/artista/beatriz-milhazes/</p> <p> <strong>Iran do Esp&#xED;rito Santo</strong> - http://www.fortesvilaca.com.br/artista/iran-do-espirito-santo/</p> <p> <strong>Os G&#xEA;meos -</strong> http://osgemeos.com.br/</p> <p> <strong>Gil Vicente </strong>- http://www.gilvicente.com.br/</p> <p> <strong>Ros&#xE2;ngela Renn&#xF3;</strong> - http://www.rosangelarenno.com.br/bem_vindo</p> <p> <strong>Regina Silveira</strong> - http://www.reginasilveira.com/</p> <p> <strong>Nuno Ramos</strong> - http://www.nunoramos.com.br/</p> <p> <strong>Carlito Carvalhosa</strong> - http://www.carlitocarvalhosa.com/</p> <p> <strong>Am&#xE9;lia Toledo</strong> - http://ameliatoledo.com/</p> <p> Cildo Meirelles</p> <p> http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=artistas_biografia&amp;cd_verbete=581</p> <p> http://www.mac.usp.br/mac/templates/projetos/seculoxx/modulo6/cildo/index.html</p> <p> <strong>3&#xAA; AULA &#x2013; Releitura do mercado de arte e de algumas obras</strong></p> <p> Reserve esta aula para a elabora&#xE7;&#xE3;o dos trabalhos de releitura de objetos de arte. Para ajudar os alunos, retome alguns conceitos trabalhados no primeiro encontro a respeito do que &#xE9; arte contempor&#xE2;nea. Destaque que para a realiza&#xE7;&#xE3;o de seus projetos os grupos poder&#xE3;o utilizar materiais diversos, fazer performances, instala&#xE7;&#xF5;es, graffiti, trabalhar com fotografia, incluir som, v&#xED;deo. Tudo depender&#xE1; da concep&#xE7;&#xE3;o de cada grupo e dos materiais e espa&#xE7;os dispon&#xED;veis.</p> <p> Relembre os alunos de uma coisa muito importante (um dos &#x201C;sete mandamentos&#x201D; indicados na reportagem de BRAVO!): cada grupo dever&#xE1; saber falar a respeito da sua obra, portanto, &#xE9; preciso haver uma reflex&#xE3;o, saber apresentar o artista e a obra escolhidos como refer&#xEA;ncia, os motivos que levaram o grupo a escolher os materiais, os meios etc. Procure acompanhar as discuss&#xF5;es de cada um dos grupos, mas sem direcionar o trabalho (lembre-se de que eles n&#xE3;o est&#xE3;o atendendo a uma encomenda).</p> <p> <strong>4&#xAA; AULA &#x2013; Exposi&#xE7;&#xE3;o de objetos de arte</strong></p> <p> Este ser&#xE1; o grande dia da apresenta&#xE7;&#xE3;o dos trabalhos. Cada um dos grupos dever&#xE1; apresentar a trajet&#xF3;ria do artista investigado, sua produ&#xE7;&#xE3;o, a obra escolhida e, em seguida, a sua reinterpreta&#xE7;&#xE3;o do trabalho. Divida o tempo da aula levando em considera&#xE7;&#xE3;o o n&#xFA;mero de grupos, destinado um tempo cronometrado para cada apresenta&#xE7;&#xE3;o.</p> <p> Ao t&#xE9;rmino das apresenta&#xE7;&#xF5;es voc&#xEA;s poder&#xE3;o promover um debate a respeito dos artistas escolhidos e dos trabalhos desenvolvidos e sobre como eles veriam esses trabalhos no nosso atual mercado de arte. Para tornar o debate ainda mais rico, voc&#xEA;s poder&#xE3;o expor as releituras e as imagens dos objetos originais em diferentes espa&#xE7;os da escola e conversar com outros professores e alunos, abrindo a discuss&#xE3;o para que outras &#xE1;reas tamb&#xE9;m possam contribuir para esse momento.</p> <p> <strong>Produto final</strong></p> <p> Exposi&#xE7;&#xE3;o de releituras de objetos de arte contempor&#xE2;nea criadas pela turma.</p> <p> <strong>Avalia&#xE7;&#xE3;o</strong></p> <p> Observe se os alunos compreenderam as principais ideias trabalhadas nas aulas: os meios de express&#xE3;o presentes na arte contempor&#xE2;nea e a rela&#xE7;&#xE3;o entre a arte e a realidade. Verifique, ainda, se s&#xE3;o capazes de identificar as principais mudan&#xE7;as na arte no decorrer dos tempos e o que caracteriza cada um dos per&#xED;odos (suportes, materiais, tipo de pintura, mensagem que quer passar etc). Leve em considera&#xE7;&#xE3;o os trabalhos apresentados pelos alunos e as reinterpreta&#xE7;&#xF5;es das obras feitas pelos grupos.</p> <p> <strong>Consultoria</strong> Maria Jos&#xE9; Spiteri Tavolaro Passos</p> <p> Doutoranda e Mestre em Artes pela UNESP &#x2013; SP, professora de Est&#xE9;tica e Hist&#xF3;ria da Arte e Linguagem Visual na Universidade Cruzeiro do Sul e Escultura na Universidade S&#xE3;o Judas Tadeu.</p> 2011-10-13T12:45:16-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Aula Outubro 2011 Artes Visuais Sala de Aula BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/persas-aiatolas-e-um-pouco-de-humor Persas, aiatolás e um pouco de humor 2011-12-02T08:57:27-02:00 Luiz Gustavo Santos Cota <p> <strong>Objetivos</strong></p> <p> - Apresentar um paralelo entre a cultura da P&#xE9;rsia antiga e o Ir&#xE3; atual.</p> <p> - Utilizar obras de arte (quadrinhos e filmes de anima&#xE7;&#xE3;o) como fontes para a an&#xE1;lise das mudan&#xE7;as vivenciadas pelo Ir&#xE3;, principalmente ap&#xF3;s a revolu&#xE7;&#xE3;o isl&#xE2;mica de 1979.</p> <p> <strong>Conte&#xFA;dos</strong></p> <p> - Hist&#xF3;ria da P&#xE9;rsia antiga.</p> <p> - An&#xE1;lise das transforma&#xE7;&#xF5;es sofridas pela sociedade iraniana a partir da revolu&#xE7;&#xE3;o isl&#xE2;mica de 1979.</p> <p> - Atual contexto pol&#xED;tico do Ir&#xE3;.</p> <p> - An&#xE1;lise da produ&#xE7;&#xE3;o art&#xED;stica iraniana contempor&#xE2;nea (quadrinhos e cinema de anima&#xE7;&#xE3;o) como foco de resist&#xEA;ncia e di&#xE1;logo cultural em rela&#xE7;&#xE3;o ao regime isl&#xE2;mico em vigor no pa&#xED;s.</p> <p> <strong>Tempo estimado</strong></p> <p> Quatro aulas</p> <p> <strong>Materiais necess&#xE1;rios</strong></p> <p> C&#xF3;pias da reportagem &#x201C;Conhece aquela do iraniano?&#x201D; (BRAVO!, Ed. 169, setembro de 2011) para todos os alunos; televis&#xE3;o e aparelho de DVD, uma c&#xF3;pia do filme Pers&#xE9;polis (dire&#xE7;&#xE3;o de Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud. Fran&#xE7;a: Sony Pictures, 2007).</p> <p> <strong>Introdu&#xE7;&#xE3;o</strong></p> <p> Hoje, quando ouvimos a palavra Ir&#xE3;, fica dif&#xED;cil n&#xE3;o pensar de imediato na figura controversa de seu atual presidente, Mahmoud Ahmadinejad, famoso por suas declara&#xE7;&#xF5;es antissemitas e pela defesa de um suspeito programa nuclear. Ou, ainda, pensamos no sistema de governo teocr&#xE1;tico que rege aquele pa&#xED;s e imp&#xF5;e aos seus cidad&#xE3;os uma interpreta&#xE7;&#xE3;o rigorosa da lei isl&#xE2;mica, prevendo, entre outras medidas, a pena de morte (por apedrejamento) a mulheres acusadas de adult&#xE9;rio. Essa imagem sisuda do pa&#xED;s localizado no Oriente M&#xE9;dio come&#xE7;ou a ser moldada a partir de uma revolu&#xE7;&#xE3;o ocorrida 1979, comandada pela pol&#xEA;mica (e n&#xE3;o menos carrancuda) figura do Aiatol&#xE1; Ruhollah Khomeini, que dep&#xF4;s a monarquia ent&#xE3;o vigente, transformando-a em uma rep&#xFA;blica isl&#xE2;mica. Entretanto, nem s&#xF3; de sisudez vive o Ir&#xE3;.</p> <p> A reportagem &#x201C;Conhece aquela do iraniano?&#x201D;, publicada na revista BRAVO!, oferece a oportunidade de apresentar aos seus alunos uma face pouco conhecida, bem humorada e po&#xE9;tica da na&#xE7;&#xE3;o cujas ra&#xED;zes se encontram fincadas na P&#xE9;rsia antiga. Ao abordar uma mostra de cartuns produzidos por 50 artistas iranianos, a reportagem permite a discuss&#xE3;o de in&#xFA;meras quest&#xF5;es relacionadas ao Ir&#xE3; &#x2013; como diferen&#xE7;as e similitudes em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0;s suas origens na P&#xE9;rsia antiga &#x2013; e possibilita a relativiza&#xE7;&#xE3;o de algumas das vis&#xF5;es mais tradicionais ou estereotipadas sobre o pa&#xED;s. Al&#xE9;m dos cartuns, a apresenta&#xE7;&#xE3;o o filme de anima&#xE7;&#xE3;o Pers&#xE9;polis, baseado no romance gr&#xE1;fico autobiogr&#xE1;fico de mesmo nome, dirigido por Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud, oferece uma vis&#xE3;o interessante dos reflexos da revolu&#xE7;&#xE3;o isl&#xE2;mica que transformou o pa&#xED;s a partir de 1979.</p> <p> <strong>Desenvolvimento</strong></p> <p> <strong>1&#xAA; AULA: da P&#xE9;rsia antiga &#xE0; revolu&#xE7;&#xE3;o isl&#xE2;mica</strong></p> <p> Inicie a aula questionando os alunos sobre o que eles sabem a respeito do Ir&#xE3;. Por exemplo: que tipo de sistema de governo rege o pa&#xED;s? Que tipo de rela&#xE7;&#xE3;o o Ir&#xE3; mant&#xE9;m com os pa&#xED;ses ocidentais e com os seus vizinhos? Com base nas hip&#xF3;teses da turma, informe que o objetivo da aula ser&#xE1; discutir um pouco da hist&#xF3;ria do Ir&#xE3;, passando por suas origens na P&#xE9;rsia antiga e seguindo para a atual conjuntura, tendo como fontes de informa&#xE7;&#xE3;o cartuns e um filme de anima&#xE7;&#xE3;o.</p> <p> <strong>A P&#xE9;rsia antiga</strong></p> <p> Informe aos alunos que at&#xE9; o ano de 1935, o pa&#xED;s que hoje conhecemos como Ir&#xE3; foi chamado de Imp&#xE9;rio Persa, uma civiliza&#xE7;&#xE3;o t&#xE3;o rica quanto complexa, formada por povos que habitaram o chamado Planalto Iraniano desde 2000 antes de Cristo. Explique que a primeira grande civiliza&#xE7;&#xE3;o a se organizar na regi&#xE3;o ficou conhecida como Elamita e que teve seu decl&#xED;nio a partir dos anos 1000 a. C., quando a regi&#xE3;o foi invadida por uma s&#xE9;rie de povos indo-europeus conhecidos como arianos &#x2013; dentre eles os Medos e os Persas, que ocuparam, respectivamente, as regi&#xF5;es norte e sul do Planalto Iraniano.</p> <p> Siga comentando que o Reino dos Medos (ou M&#xE9;dia) era uma sociedade fortemente militarizada, o que possibilitou que ela dominasse os demais povos. Esse dom&#xED;nio que durou at&#xE9; mais ou menos 550 a.C., quando o rei persa Ciro II (&#x201C;o Grande&#x201D;) se imp&#xF4;s sobre os rivais, unificando os reinos e dando origem ao chamado Imp&#xE9;rio Persa, sob a dinastia dos aquem&#xEA;nidas. Ao tomar o poder, Ciro II iniciou o processo de expans&#xE3;o territorial do imp&#xE9;rio, que continuou com seus sucessores: Cambises, que conquistou o Egito; Dario I, que estendeu o imp&#xE9;rio at&#xE9; a &#xCD;ndia, al&#xE9;m de regi&#xF5;es do Leste Europeu, transformando a P&#xE9;rsia no primeiro grande imp&#xE9;rio da hist&#xF3;ria. No entanto, tanto Dario I como seu filho Xerxes I fracassaram ao tentarem penetrar na Gr&#xE9;cia, pois foram derrotados pelos povos hel&#xEA;nicos no conflito conhecido como Guerras M&#xE9;dicas. Dario sofreu sua derrota na Batalha de Maratona (490 a.C.), enquanto seu filho Xerxes foi vencido na Batalha de Plateias (479 a.C.).</p> <p> Explique que Dario I conseguiu se destacar como o maior dos monarcas de sua dinastia, n&#xE3;o s&#xF3; em raz&#xE3;o do bem sucedido processo de expans&#xE3;o que comandou, mas tamb&#xE9;m pela forma como manteve o controle sobre os povos conquistados, permitindo que tivessem certo grau de autonomia (o imp&#xE9;rio foi dividido em unidades administrativas denominadas &#x201C;satrapias&#x201D;), al&#xE9;m de introduzir a cultura escrita (cuneiforme e aramaico) e criar a primeira moeda persa, o d&#xE1;rico, monetizando a economia do imp&#xE9;rio.</p> <p> Ainda no reinado de Dario I a religi&#xE3;o passou a ter grande import&#xE2;ncia, sendo que o poder do monarca passou a ser equiparado ao de um deus. O zoroastrismo foi adotado como cren&#xE7;a oficial, tendo como fundamento os ensinamentos do profeta Zatrustra (ou Zoroastro, como preferiam os gregos), contidos em um livro chamado Zend-Avesta. Os ensinamentos do zoroastrismo giravam em torno da cren&#xE7;a na exist&#xEA;ncia de um deus supremo chamado Ahuramazda (Senhor S&#xE1;bio), indicado como criador do universo e como a personifica&#xE7;&#xE3;o do &#x201C;bem&#x201D;, que vivia em constante luta contra o deus Arim&#xE3;, divindade que representaria as for&#xE7;as obscuras do mundo, o &#x201C;mal&#x201D;. &#xC9; interessante destacar para a turma a presen&#xE7;a no zoroastrismo do duelo entre &#x201C;bem&#x201D; e &#x201C;mal&#x201D;, t&#xE3;o marcante nas principais cren&#xE7;as monote&#xED;stas de nossos dias (juda&#xED;smo, cristianismo e islamismo).</p> <p> A dinastia dos aquem&#xEA;nidas chegou ao fim quando o rei maced&#xF4;nio Alexandre Magno (&#x201C;Alexandre, o Grande&#x201D;), soberano de toda a Gr&#xE9;cia, invadiu a P&#xE9;rsia em 334 a.C., derrotando rapidamente o ex&#xE9;rcito de Dario III e dando in&#xED;cio ao Imp&#xE9;rio Helen&#xED;stico.</p> <p> Comente que, desde a invas&#xE3;o grega comandada por Alexandre, o Grande, a P&#xE9;rsia se encontrou imersa em in&#xFA;meros conflitos, sendo dominada por outros povos. Entre os s&#xE9;culos 7 e 12 d. C. a P&#xE9;rsia foi anexada ao Imp&#xE9;rio &#xC1;rabe, o que fez com que o islamismo se tornasse a religi&#xE3;o predominante na regi&#xE3;o. Em sinal de resist&#xEA;ncia ao dom&#xED;nio &#xE1;rabe, os persas optaram pela a vers&#xE3;o xiita (mais radical) do isl&#xE3;, em contraposi&#xE7;&#xE3;o &#xE0; sunita (menos radical) predominante entre os invasores, al&#xE9;m de ter preservado o idioma persa em detrimento do &#xE1;rabe.</p> <p> <strong>Os tempos da dinastia Pahlevi</strong></p> <p> Prossiga com a aula expositiva e informe &#xE0; turma que o ass&#xE9;dio de na&#xE7;&#xF5;es estrangeiras &#xE0; P&#xE9;rsia alcan&#xE7;ou um novo patamar no s&#xE9;culo 20, quando suas reservas de petr&#xF3;leo passaram interessar na&#xE7;&#xF5;es estrangeiras como a Uni&#xE3;o Sovi&#xE9;tica, a Gr&#xE3;-Bretanha e os Estados Unidos. Explique que em 1925, aproveitando os problemas gerados pelo envolvimento do pa&#xED;s na Primeira Guerra Mundial, um militar chamado Reza Khan (posteriormente conhecido como Reza X&#xE1; Pahlevi) tomou o poder, se autoproclamando o primeiro x&#xE1; (monarca) da dinastia Pahlevi. Reza X&#xE1; iniciou um processo de moderniza&#xE7;&#xE3;o do pa&#xED;s de acordo com o modelo ocidental, mudando o nome da P&#xE9;rsia para Ir&#xE3; em 1935.</p> <p> J&#xE1; durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) o territ&#xF3;rio iraniano foi invadido por sovi&#xE9;ticos e brit&#xE2;nicos, interessados mais uma vez no petr&#xF3;leo existente no pa&#xED;s. Em 1941, os invasores pressionaram Reza X&#xE1; Pahlevi a abdicar do trono em favor de seu filho Mohammad Reza Pahlevi, tido como mais favor&#xE1;vel &#xE0; interven&#xE7;&#xE3;o estrangeira, o que provocou uma renova&#xE7;&#xE3;o da pol&#xED;tica de aproxima&#xE7;&#xE3;o e submiss&#xE3;o do pa&#xED;s em rela&#xE7;&#xE3;o ao ocidente.</p> <p> Explique aos alunos que o novo x&#xE1; do Ir&#xE3; permitiu que companhias estrangeiras, sobretudo brit&#xE2;nicas, controlassem as reservas de petr&#xF3;leo do pa&#xED;s, o que provocou o crescimento de movimentos nacionalistas que exigiam a independ&#xEA;ncia econ&#xF4;mica do pa&#xED;s, al&#xE9;m da resolu&#xE7;&#xE3;o de problemas relacionados &#xE0; corrup&#xE7;&#xE3;o e &#xE0; imensa desigualdade social ali existente. Contando com amplo apoio da Gr&#xE3;-Bretanha e dos EUA, Mohammad Reza Pahlevi tratou de sufocar, com o uso da for&#xE7;a, os movimentos de oposi&#xE7;&#xE3;o, como os liderados por Mohammed Mossadegh (eleito primeiro-ministro em 1953), tornando seu governo progressivamente ditatorial.</p> <p> <strong>A revolu&#xE7;&#xE3;o isl&#xE2;mica de 1979</strong></p> <p> A constante repress&#xE3;o &#xE0;s manifesta&#xE7;&#xF5;es pol&#xED;ticas e religiosas por parte das for&#xE7;as de seguran&#xE7;a do governo, especialmente a Savak, a pol&#xED;cia pol&#xED;tica do x&#xE1;, fez crescer o descontentamento da popula&#xE7;&#xE3;o em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0; monarquia. Conte &#xE0; turma que em meados da d&#xE9;cada de 1970, o clero xiita iniciou uma campanha pela democratiza&#xE7;&#xE3;o do Ir&#xE3;, contando com o apoio de outros setores da sociedade iraniana, igualmente insatisfeitos com o governo de Pahlevi, como os militantes socialistas.</p> <p> J&#xE1; em outubro de 1978, o movimento popular de oposi&#xE7;&#xE3;o convocou uma greve geral que acirrou ainda mais os conflitos com o governo do x&#xE1;. A inusitada alian&#xE7;a entre religiosos isl&#xE2;micos, militantes socialistas e liberais, conseguiu fazer com que as manifesta&#xE7;&#xF5;es de oposi&#xE7;&#xE3;o ao governo ganhassem ainda mais for&#xE7;a, levando &#xE0; fuga do x&#xE1; em 16 de janeiro de 1979, que deixou em seu lugar o primeiro-ministro Chapour Baktiar, que permaneceu no cargo apenas at&#xE9; o in&#xED;cio de fevereiro do mesmo ano, ap&#xF3;s a ades&#xE3;o das for&#xE7;as armadas &#xE0; insurrei&#xE7;&#xE3;o.</p> <p> Explique aos alunos que o nome do cl&#xE9;rigo xiita Ruhollah Khomeini se destacou como a grande lideran&#xE7;a da insurrei&#xE7;&#xE3;o popular. Obrigado a se exilar na Fran&#xE7;a a partir de 1964 por conta de sua forte oposi&#xE7;&#xE3;o &#xE0; dinastia Pahlevi, Khomeini era a principal autoridade religiosa iraniana, ostentando o t&#xED;tulo de aiatol&#xE1; &#x2013; a mais alta posi&#xE7;&#xE3;o dentro da hierarquia clerical xiita. Ao retornar ao pa&#xED;s ap&#xF3;s a queda do x&#xE1; Pahlevi, Khomeini assumiu diretamente a lideran&#xE7;a do movimento de oposi&#xE7;&#xE3;o, que em fevereiro de 1979 tomou a forma de revolu&#xE7;&#xE3;o armada, tendo a Guarda da Revolu&#xE7;&#xE3;o Isl&#xE2;mica como principal for&#xE7;a de combate. Logo, os l&#xED;deres de oposi&#xE7;&#xE3;o n&#xE3;o religiosos passaram a ser perseguidos, e assim foi proclamada a Rep&#xFA;blica Isl&#xE2;mica do Ir&#xE3;, que tinha como l&#xED;der supremo o aiatol&#xE1; Ruhollah Khomeini.</p> <p> Chame a aten&#xE7;&#xE3;o dos alunos para o fato de que, assim como na &#xE9;poca de Dario I, a partir da revolu&#xE7;&#xE3;o de 1979, a religi&#xE3;o passou a ter um papel central na vida do Ir&#xE3;. A transforma&#xE7;&#xE3;o do pa&#xED;s em Estado teocr&#xE1;tico deu in&#xED;cio a uma nova forma de persegui&#xE7;&#xE3;o: a religiosa. Uma interpreta&#xE7;&#xE3;o rigorosa da lei isl&#xE2;mica (a Xari&#xE1;) decretou a proibi&#xE7;&#xE3;o de muitos costumes ocidentais (como vestu&#xE1;rio feminino, m&#xFA;sica, jogos etc.), por serem considerados instrumentos de corrup&#xE7;&#xE3;o da juventude iraniana. Antigos costumes como os castigos corporais para os que violassem as determina&#xE7;&#xF5;es da Xari&#xE1; (incluindo a&#xED; o consumo de &#xE1;lcool, adult&#xE9;rio, entre outras viola&#xE7;&#xF5;es) foram reintroduzidos no pa&#xED;s, sendo que a pena de morte passou a ser imputada a uma gama variada de &#x201C;inimigos do isl&#xE3;&#x201D; &#x2013; prostitutas, homossexuais, militantes marxistas e as pessoas que professassem outras cren&#xE7;as religiosas.</p> <p> Destaque que o governo isl&#xE2;mico tamb&#xE9;m cortou rela&#xE7;&#xF5;es com na&#xE7;&#xF5;es ocidentais com as quais Mohammad Reza Pahlevi se relacionava, principalmente os Estados Unidos, com quem os iranianos mant&#xEA;m uma rela&#xE7;&#xE3;o tensa at&#xE9; os dias de hoje. Vale lembrar ainda que, pouco tempo depois da revolu&#xE7;&#xE3;o, os norte-americanos apoiaram a invas&#xE3;o do Ir&#xE3; por parte do Iraque, governado por Saddam Hussein, ent&#xE3;o aliado dos EUA, desencadeando uma sangrenta guerra que durou oito anos, movida principalmente pelo interesse nos po&#xE7;os de petr&#xF3;leo da regi&#xE3;o.</p> <p> Ao final dessa aula expositiva, comente com a turma que nas duas pr&#xF3;ximas aulas todos ter&#xE3;o a oportunidade de conhecer uma inusitada vers&#xE3;o sobre a transforma&#xE7;&#xE3;o do Ir&#xE3; em uma rep&#xFA;blica isl&#xE2;mica, contada por uma personagem que viveu esse processo hist&#xF3;rico de perto. Explique que se trata do filme de anima&#xE7;&#xE3;o Pers&#xE9;polis, uma anima&#xE7;&#xE3;o francesa lan&#xE7;ada em 2007, baseada no romance de autoria de Marjane Satrapi.</p> <p> <strong>2&#xAA; e 3&#xAA; AULAS: Pers&#xE9;polis - um olhar sobre o Ir&#xE3; ap&#xF3;s a revolu&#xE7;&#xE3;o isl&#xE2;mica</strong></p> <p> O filme de anima&#xE7;&#xE3;o Pers&#xE9;polis tem a dura&#xE7;&#xE3;o de 95 minutos. Por isso, recomendamos que, se poss&#xED;vel, ele seja exibido em duas aulas geminadas.</p> <p> Antes de iniciar a exibi&#xE7;&#xE3;o do filme, apresente uma pequena sinopse da anima&#xE7;&#xE3;o. Explique que Pers&#xE9;polis &#xE9; um filme de anima&#xE7;&#xE3;o baseado em um romance gr&#xE1;fico autobiogr&#xE1;fico hom&#xF4;nimo de Marjane Satrapi, uma iraniana que vive um ex&#xED;lio volunt&#xE1;rio na Fran&#xE7;a por discordar do regime dos aiatol&#xE1;s. Informe que a trama come&#xE7;a pouco antes da revolu&#xE7;&#xE3;o isl&#xE2;mica, em 1978, ainda no governo do x&#xE1;, indo at&#xE9; a d&#xE9;cada de 1990, quando Marjane deixa definitivamente o Ir&#xE3; para viver na Fran&#xE7;a.</p> <p> Conte &#xE0; turma que a trama apresenta as rea&#xE7;&#xF5;es da personagem frente &#xE0;s mudan&#xE7;as ocorridas no Ir&#xE3; ap&#xF3;s a revolu&#xE7;&#xE3;o, seu choque em rela&#xE7;&#xE3;o ao crescente conservadorismo e repress&#xE3;o a tudo que n&#xE3;o condizia com o novo regime, o que foi muito duro para a ent&#xE3;o adolescente Marjane Satrapi, impedida at&#xE9; de andar com jaqueta jeans e t&#xEA;nis pelas ruas, o que fez com que seus pais a enviassem para estudar fora do pa&#xED;s. De volta ao Ir&#xE3; anos depois, a protagonista se choca mais uma vez com a dureza do regime isl&#xE2;mico, o que a faz deixar novamente sua terra natal.</p> <p> Para concluir, solicite aos alunos que produzam um texto descrevendo suas impress&#xF5;es a respeito da trama, relacionando as experi&#xEA;ncias vividas pela personagem &#xE0;s mudan&#xE7;as impostas pela revolu&#xE7;&#xE3;o isl&#xE2;mica no Ir&#xE3;, pensando principalmente na situa&#xE7;&#xE3;o atual do pa&#xED;s.</p> <p> <strong>4&#xAA; AULA: O Ir&#xE3; de hoje atrav&#xE9;s dos cartuns</strong></p> <p> Inicie a aula informando aos alunos que eles ter&#xE3;o contato com outro tipo de produ&#xE7;&#xE3;o art&#xED;stica relacionada ao Ir&#xE3;, para que desenvolvam novas percep&#xE7;&#xF5;es acerca do pa&#xED;s, distintas das oferecidas pelo filme Pers&#xE9;polis. Distribua para a turma c&#xF3;pias da reportagem &#x201C;Conhece aquela do iraniano?&#x201D; (BRAVO!, Ed. 169, setembro de 2011) e pe&#xE7;a que os alunos a leiam em conjunto.</p> <p> Terminada a leitura da reportagem, procure chamar a aten&#xE7;&#xE3;o dos alunos para o fato dos cartuns apresentarem uma face do Ir&#xE3; diferente daquela predominante no filme Pers&#xE9;polis, mostrando que a arte pode resistir &#xE0; r&#xED;gida vigil&#xE2;ncia religiosa existente no pa&#xED;s. Procure incitar uma discuss&#xE3;o sobre as possibilidades de contesta&#xE7;&#xE3;o da ordem estabelecida no Ir&#xE3; atrav&#xE9;s da arte.</p> <p> Solicite que observem cada um dos sete cartuns reproduzidos na reportagem e apresentem, em forma de textos, poss&#xED;veis interpreta&#xE7;&#xF5;es para cada uma das obras, de acordo com o conte&#xFA;do ministrado nas aulas anteriores. Por exemplo: O que lhes v&#xEA;m &#xE0; mente quando observam o cartum de Farhad Rykani, intitulado &#x201C;Pena de morte&#x201D;? &#xC9; poss&#xED;vel pensar em algo al&#xE9;m da quest&#xE3;o ambiental explicitada na mat&#xE9;ria? Ou ainda: &#xC9; poss&#xED;vel, com base nos cartuns, vislumbrar um cen&#xE1;rio diferente daquele em que impera a intoler&#xE2;ncia religiosa?</p> <p> Ao final da aula, pe&#xE7;a aos alunos que apresentem suas interpreta&#xE7;&#xF5;es e discuta com eles as possibilidades de se compreender a hist&#xF3;ria iraniana para al&#xE9;m do imp&#xE9;rio da intoler&#xE2;ncia religiosa, pensando especificamente no contexto atual vivido pelo pa&#xED;s.</p> <p> <strong>Avalia&#xE7;&#xE3;o</strong></p> <p> Observe as disserta&#xE7;&#xF5;es desenvolvidas pela turma, sobre o filme de anima&#xE7;&#xE3;o e os cartuns, procurando observar se conseguiram estabelecer uma liga&#xE7;&#xE3;o entre as referidas produ&#xE7;&#xF5;es art&#xED;sticas e o conte&#xFA;do ministrado e discutido em aula. Alie o trabalho escrito &#xE0; participa&#xE7;&#xE3;o dos alunos nas discuss&#xF5;es provocadas durante as aulas para avaliar a compreens&#xE3;o que todos tiveram acerca da hist&#xF3;ria iraniana, sobretudo de seu per&#xED;odo p&#xF3;s-revolu&#xE7;&#xE3;o isl&#xE2;mica. Espera-se que os estudantes possam compreender a complexidade do processo hist&#xF3;rico em vista, vislumbrando as origens da cultura iraniana e as profundas transforma&#xE7;&#xF5;es sofridas pelo pa&#xED;s do Oriente M&#xE9;dio ao longo de sua hist&#xF3;ria.</p> <p> <strong>Consultoria</strong> Luiz Gustavo Santos Cota</p> <p> Doutorando em Hist&#xF3;ria Social pela Universidade Federal Fluminense (UFF).</p> A história iraniana em cartuns e animações 2011-09-26T15:19:01-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados A história iraniana em cartuns e animações Sala de Aula BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/paisagens-imaginarias-em-cartoes-postais Paisagens imaginárias em cartões postais 2011-12-02T08:55:07-02:00 Carlos Arouca <p> <strong>Objetivos</strong></p> <p> - Analisar as transforma&#xE7;&#xF5;es do g&#xEA;nero paisagem na hist&#xF3;ria das artes visuais.</p> <p> - Confeccionar cart&#xF5;es postais de paisagens imagin&#xE1;rias com a turma.</p> <p> Conte&#xFA;dos</p> <p> - Hist&#xF3;ria da arte.</p> <p> - Pintura de paisagem.</p> <p> - Cart&#xF5;es postais.</p> <p> <strong>Tempo estimado</strong></p> <p> Tr&#xEA;s aulas.</p> <p> <strong>Material necess&#xE1;rio</strong></p> <p> C&#xF3;pias da reportagem &#x201C;A reinven&#xE7;&#xE3;o da paisagem&#x201D; (BRAVO!, Ed. 169, setembro de 2011) para todos os alunos; projetor ou computador com datashow para mostrar as imagens indicadas neste plano de aula; papel de boa gramatura (tipo cartolina ou canson); l&#xE1;pis grafite; canetas hidrocor; l&#xE1;pis de cor; cola; tesoura e revistas que os alunos possam recortar.</p> <p> <strong>Desenvolvimento</strong></p> <p> <strong>AULA 1 - A pintura de paisagem</strong></p> <p> Comece explicando para os alunos que nas pr&#xF3;ximas tr&#xEA;s aulas voc&#xEA;s v&#xE3;o discutir a representa&#xE7;&#xE3;o da paisagem na pintura e ir&#xE3;o produzir cart&#xF5;es postais com essa tem&#xE1;tica.</p> <p> Para iniciar, explique aos alunos que podemos considerar o g&#xEA;nero artistico &#x201C;paisagem&#x201D; como um dos mais antigos (ou tradicionais) da arte, capaz de se reinventar ao longo dos anos e de acordo com os lugares e as diferentes escolas art&#xED;sticas.</p> <p> Conte &#xE0; turma que os eg&#xED;pcios j&#xE1; se utilizavam da pintura de paisagem e de elementos, marcada por uma sociedade fortemente hier&#xE1;rquica e religiosa. Deuses e humanos eram pintados de acordo com uma escala que representava a posi&#xE7;&#xE3;o social ou divina de cada indiv&#xED;duo e n&#xE3;o, necessariamente o seu &#x201C;tamanho real&#x201D;.</p> <p> Pergunte aos estudantes se eles conhecem alguma pintura de paisagem e enfatize que dois momentos podem ser citados como divisores de &#xE1;guas no g&#xEA;nero: 1) a descoberta, ou consolida&#xE7;&#xE3;o, da perspectiva com o Renascimento no s&#xE9;culo 14; e 2) a inven&#xE7;&#xE3;o da tinta em bisnagas descart&#xE1;veis, no s&#xE9;culo 19, que permitiu aos pintores um contato mais aprofundado com a natureza &#x2013; j&#xE1; que as telas e as tintas poderiam ser levadas a ambientes externos com mais facilidade.</p> <p> Explique que a ilus&#xE3;o de realidade e a no&#xE7;&#xE3;o de profundidade proporcionada pela perspectiva &#x2013; um conjunto de regras matem&#xE1;ticas consolidadas e muito bem trabalhadas por Brunelleschi (1377-1446), arquiteto e escultor italiano &#x2013; no Renascimento, ganha ainda mais for&#xE7;a nas obras de pintores como o flamenco Jan Van Eyck (1390-1441). Sua maneira minuciosa de pintar cada detalhe de sua paisagem, assim como as figuras retratadas, permitiu que sua obra se convertesse em uma esp&#xE9;cie de &#x201C;espelho do mundo vis&#xED;vel&#x201D;, conforme a reprodu&#xE7;&#xE3;o abaixo. Esta foi a primeira grande &#x201C;revolu&#xE7;&#xE3;o&#x201D; est&#xE9;tica na pintura de paisagem.</p> <p> <img src="http://imgms.bravonline.abril.com.br/1/aula-setembro-paisagem-1.jpg" alt="aula-setembro-paisagem-1"/></p> <p> &#x201C;<em>O Casal Arnolfini</em>&#x201D;, de Van Eyck (1434).</p> <p> Em seguida, conte aos alunos que com a segunda grande transforma&#xE7;&#xE3;o est&#xE9;tica da pintura de paisagem ocorreu com o advento da tinta em bisnagas descart&#xE1;veis e a possibilidade de um contato direto com a paisagem observada, j&#xE1; no s&#xE9;culo 19. Os desafios, nessa fase, voltam-se para o estudo detalhado dos fen&#xF4;menos naturais. Os impressionistas, em especial Claude Monet (1840-1926), exploraram as pinturas em s&#xE9;rie feitas com base em uma mesma paisagem observada em diferentes condi&#xE7;&#xF5;es de luz &#x2013; no amanhecer, no anoitecer, ao meio-dia &#x2013; e em diferentes esta&#xE7;&#xF5;es do ano.</p> <p> Para exemplificar, mostre &#xE0; turma um dos mais importantes exemplos da pesquisa impressionista. Trata-se da s&#xE9;rie de pinturas feitas por Monet da Catedral de Rouen, na Fran&#xE7;a, entre 1892 e 1894. As fortes oscila&#xE7;&#xF5;es da luz que incidia sobre a Catedral propiciaram mudan&#xE7;as dram&#xE1;ticas na utiliza&#xE7;&#xE3;o das cores nas obras, acentuando ou diluindo sombras, brilhos e contrastes.</p> <p> <img src="http://imgms.bravonline.abril.com.br/1/aula-setembro-paisagem-2.jpg" alt="aula-setembro-paisagem-2"/></p> <p> <em>Representa&#xE7;&#xF5;es da Catedral de Rouen</em>, de Claude Monet, feitas em diferentes momentos do dia e do ano.</p> <p> Depois de mostrar exemplos internacionais, vale falar um pouco sobre a pintura de paisagem no Brasil. Explique que em nosso pa&#xED;s o g&#xEA;nero tamb&#xE9;m percorreu as mudan&#xE7;as dos movimentos art&#xED;sticos internacionais. Mencione os artistas viajantes que aportaram por aqui nos s&#xE9;culos passados para retratar o Brasil para a corte portuguesa, como Albert Eckhout, Debret e Taunay, at&#xE9; chegarmos &#xE0;s paisagens modernistas pintadas por Tarsila do Amaral e Anita Malfatti.</p> <p> Seus alunos podem questionar se o advento da fotografia n&#xE3;o acabou com a paisagem na pintura &#x2013; j&#xE1; que as paisagens podem ser fotografadas, por que seriam pintadas conforme as enxergamos. Conte que a fotografia mudou a forma como pintores representam a paisagem e que o g&#xEA;nero foi revisitado por artistas contempor&#xE2;neos, tanto na pintura, quanto nas instala&#xE7;&#xF5;es ou na pr&#xF3;pria fotografia.</p> <p> Em seguida, distribua c&#xF3;pias da reportagem de BRAVO! para os alunos e solicite que fa&#xE7;am a leitura silenciosa do texto. Ressalte que, nas representa&#xE7;&#xF5;es contempor&#xE2;neas da paisagem os artistas s&#xE3;o movidos por indaga&#xE7;&#xF5;es pessoais, e questionam fronteiras e identidades pr&#xE9;-estabelecidas no mundo globalizado. Conte que alguns artistas veem na renova&#xE7;&#xE3;o do g&#xEA;nero paisagem uma forma de se posicionar e compreender o mundo.</p> <p> Finalize a aula propondo que os alunos comparem os m&#xE9;todos de representa&#xE7;&#xE3;o da paisagem utilizados pelos artistas Marcelo Moscheta e Marina Rheingantz, para elaborar seus trabalhos expostos na Bienal do Mercosul, conforme a reportagem. Enquanto Marcelo deslocou e catalogou objetos retirados de uma determinada paisagem, Marina utilizou a pintura para construir uma esp&#xE9;cie de di&#xE1;rio de imagens e registrar suas mem&#xF3;rias. Solicite que observem as imagens da reportagem de BRAVO! e a tela abaixo. Pe&#xE7;a que registrem suas impress&#xF5;es sobre as obras no caderno, que servir&#xE3;o como inspira&#xE7;&#xE3;o para os trabalhos que ser&#xE3;o realizados nas pr&#xF3;ximas aulas.</p> <p> <img src="http://imgms.bravonline.abril.com.br/1/aula-setembro-paisagem-3.jpg" alt="aula-setembro-paisagem-3"/></p> <p> &#x201C;<em>Pic Nic</em>&#x201D;, de Marina Rheingantz (2008), &#xF3;leo sobre tela.</p> <p> <strong>AULA 2 &#x2013; Transformar a paisagem em cart&#xF5;es postais</strong></p> <p> Retome as principais informa&#xE7;&#xF5;es discutidas sobre o g&#xEA;nero paisagem na aula anterior e pergunte aos alunos se eles j&#xE1; viram ou se j&#xE1; receberam cart&#xF5;es postais de algum lugar. Lembre que, assim como os postais tradicionais, a pintura de paisagem come&#xE7;ou retratando os lugares de maneira documental e que esse fazer se modificou ao longo dos anos. Se julgar necess&#xE1;rio, mostre &#xE0; turma mais imagens de pinturas de paisagem feitas em diferentes &#xE9;pocas e lugares.</p> <p> Em seguida, informe os alunos que eles dever&#xE3;o confeccionar, individualmente, um cart&#xE3;o postal que ser&#xE1; enviado pelo correio. Para inspirar a turma, apresente algumas imagens de cart&#xF5;es postais de cidades brasileiras, dispon&#xED;veis em http://abr.io/postais e questione a classe sobre quais seriam as fun&#xE7;&#xF5;es desses cart&#xF5;es. Procure ressaltar as caracter&#xED;sticas documentais das imagens apresentadas e sua fun&#xE7;&#xE3;o de compartilhar com o destinat&#xE1;rio um local visitado pelo remetente.</p> <p> Relembre a discuss&#xE3;o sobre a reinven&#xE7;&#xE3;o da paisagem levantada pela reportagem de BRAVO! e acrescente um desafio &#xE0; proposta: assim como a arte reinventou a paisagem, cada aluno deve reinventar seu cart&#xE3;o postal de paisagem desenvolvendo imagens de lugares imagin&#xE1;rios.</p> <p> Como atividade preparat&#xF3;ria pe&#xE7;a que os alunos relembrem e descrevam alguns locais imaginarios retratados em filmes ou livros e anote cada lugar lembrado na lousa.</p> <p> Em seguida, leia o seguinte trecho do livro &#x201C;As cidades invis&#xED;veis&#x201D;, de &#xCD;talo Calvino, para a turma e mostre a imagem que ilustra a descri&#xE7;&#xE3;o de Bauci:</p> <p> &#x201C;Depois de marchar por sete dias atrav&#xE9;s das matas, quem vai a Bauci n&#xE3;o percebe que j&#xE1; chegou. As finas ondas que se elevam do solo a grande dist&#xE2;ncia uma da outra e que se perdem acima das nuvens sustentam a cidade. Sobe-se por escadas. Os habitantes raramente s&#xE3;o vistos em terra: t&#xEA;m todo o necess&#xE1;rio l&#xE1; em cima e preferem n&#xE3;o descer. Nenhuma parte da cidade toca o solo, exceto as longas pernas de flamingo nas quais ela se ap&#xF3;ia, e, nos dias luminosos, uma sombra di&#xE1;fana e angulosa que se reflete na folhagem. H&#xE1; tr&#xEA;s hip&#xF3;teses a respeitos dos habitantes de Bauci: que odeiam a terra; que a respeitam a ponto de evitar qualquer contato; que a amam da forma como era antes de existirem e com bin&#xF3;culos e telesc&#xF3;pios apontados para baixo n&#xE3;o se cansam de examin&#xE1;-la, folha por folha, pedra por pedra, formiga por formiga, contemplando, fascinados, a pr&#xF3;pria aus&#xEA;ncia&#x201D;.</p> <p> <img src="http://imgms.bravonline.abril.com.br/1/aula-setembro-paisagem-4.jpg" alt="aula-setembro-paisagem-4"/></p> <p> Ap&#xF3;s a leitura e a aprecia&#xE7;&#xE3;o da imagem pe&#xE7;a, como li&#xE7;&#xE3;o de casa, para que cada aluno traga para a pr&#xF3;xima aula, uma breve descri&#xE7;&#xE3;o de um local imaginado por ele.</p> <p> <strong>AULA 3 &#x2013; Confec&#xE7;&#xE3;o e envio de postais</strong></p> <p> Discuta rapidamente com a turma sobre os locais que imaginaram. Em seguida, disponibilize os materiais descritos no in&#xED;cio desta sequ&#xEA;ncia did&#xE1;tica (canetinhas, l&#xE1;pis de cor, l&#xE1;pis grafite, revistas para recortar etc.) e entregue para cada aluno um papel de boa gramatura (tipo cartolina ou canson) em uma medida aproximada de 20x15 cm. Oriente que, individualmente, os alunos criem uma imagem para sua cidade imagin&#xE1;ria, utilizando diversos procedimentos art&#xED;sticos como: colagem, desenho e pintura.</p> <p> Enquanto os alunos confeccionam os postais, passe de carteira em carteira para acompanhar o desenvolvimento dos trabalhos e tirar d&#xFA;vidas que possam surgir entre os estudantes.</p> <p> Encerrada a etapa de cria&#xE7;&#xE3;o da imagem, demonstre para os alunos como deve ser o verso de um postal (separando espa&#xE7;o para o texto, o endere&#xE7;o do destinat&#xE1;rio, o nome do remetente e o espa&#xE7;o do selo). Solicite, ent&#xE3;o, que os alunos escrevam um breve texto no verso de seus postais, com a descri&#xE7;&#xE3;o da visita ao local imaginado e ilustrado por eles. Cada postal ser&#xE1; enviado a um colega de classe e as dedicat&#xF3;rias podem ser direcionadas.</p> <p> Se poss&#xED;vel, fa&#xE7;a junto com os alunos o percurso at&#xE9; o Correio mais pr&#xF3;ximo para a compra dos selos e o envio dos postais. Se n&#xE3;o for possivel sair da escola com a turma fa&#xE7;a uma &#x201C;vaquinha&#x201D; para a compra dos selos e poste voc&#xEA; mesmo todos os trabalhos. Assim que receberem os postais dos colegas, os alunos podem traz&#xEA;-los novamente para a escola para que organizem uma pequena exposi&#xE7;&#xE3;o dos trabalhos, em um varal montado no corredor da escola ou na sala de aula.</p> <p> <strong>Avalia&#xE7;&#xE3;o</strong></p> <p> Retome os objetivos estabelecidos no in&#xED;cio desta sequ&#xEA;ncia e, por meio das discuss&#xF5;es em sala, verifique se os alunos compreenderam as caracter&#xED;sticas do g&#xEA;nero paisagem e suas principais transforma&#xE7;&#xF5;es no mundo das artes &#x2013; desde o Renascimento, at&#xE9; os trabalhos dos artistas contempor&#xE2;neos. Os postais confeccionados tamb&#xE9;m ser&#xE3;o bons ind&#xED;cios da compreens&#xE3;o dos estudantes. Observe, tamb&#xE9;m, a criatividade e a originalidade dos alunos durante a cria&#xE7;&#xE3;o dos cart&#xF5;es. Aproveite o momento da confec&#xE7;&#xE3;o dos postais para tirar eventuais d&#xFA;vidas da classe.</p> <p> <strong>Consultoria</strong> Carlos Arouca, professor de Arte da Escola da Vila e da Escola Vera Cruz, em S&#xE3;o Paulo.</p> “Aqui, à beira do rio, os motivos se multiplicam, o mesmo tema sob um ângulo diferente oferece um objeto de estudo do mais vivo interesse — e tão variado, que acho que poderia ocupar-me durante meses, sem mudar de lugar, inclinando-me ora um pouco à direita, ora um pouco à esquerda.”(Paul Cézanne, 1839-1906) 2011-09-21T15:52:41-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Aula - Setembro 2011 “Aqui, à beira do rio, os motivos se multiplicam, o mesmo tema sob um ângulo diferente oferece um objeto de estudo do mais vivo interesse — e tão variado, que acho que poderia ocupar-me durante meses, sem mudar de lugar, inclinando-me ora um pouco à direita, ora um pouco à esquerda.”(Paul Cézanne, 1839-1906) Sala de Aula BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/a-rede-vespa-espionagem-e-contraterrorismo-a-moda-cubana A Rede Vespa: espionagem e contraterrorismo à moda cubana 2011-12-02T08:50:37-02:00 Luiz Gustavo Santos Cota <p> <strong>Objetivos</strong></p> <p> - Apresentar a hist&#xF3;ria da Rede Vespa, grupo de espionagem cubano que atuou no estado norte-americano da Fl&#xF3;rida entre os anos de 1990 e 1998 com a miss&#xE3;o de combater grupos anticastristas radicais, respons&#xE1;veis por ataques terroristas em Cuba.</p> <p> - Analisar a complexa e turbulenta rela&#xE7;&#xE3;o entre os Estados Unidos e Cuba, rompidos desde a revolu&#xE7;&#xE3;o 1959, que derrubou o regime de Fulgencio Batista, com o objetivo de instalar o regime comunista na ilha.</p> <p> - Verificar os desdobramentos da atua&#xE7;&#xE3;o da Rede Vespa, tanto nos Estados Unidos, onde cinco espi&#xF5;es cubanos foram presos e condenados, quanto em Cuba, onde os integrantes da Rede s&#xE3;o considerados verdadeiros her&#xF3;is nacionais.</p> <p> <strong>Conte&#xFA;dos</strong></p> <p> - An&#xE1;lise hist&#xF3;rica das tensas rela&#xE7;&#xF5;es entre Estados Unidos e Cuba, desde a revolu&#xE7;&#xE3;o de 1959.</p> <p> - An&#xE1;lise da atua&#xE7;&#xE3;o de grupos opositores ao regime socialista cubano, bem como o apoio velado do governo norte-americano a essas a&#xE7;&#xF5;es.</p> <p> - An&#xE1;lise da atua&#xE7;&#xE3;o da Rede Vespa e seus desdobramentos nos Estados Unidos e em Cuba.</p> <p> <strong>Tempo estimado:</strong></p> <p> Duas aulas</p> <p> <strong>Materiais necess&#xE1;rios</strong></p> <p> - C&#xF3;pias da reportagem &#x201C;Aventura em Havana&#x201D; (BRAVO!, Ed. 168, agosto de 2011) para todos os alunos.</p> <p> - C&#xF3;pias da reportagem &#x201C;Condena&#xE7;&#xE3;o dos cinco cubanos nos EUA teve motiva&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tica e deve ser revista, diz Anistia Internacional&#x201D; (&#xDA;ltima Inst&#xE2;ncia-UOL, 18 de agosto de 2011), dispon&#xED;vel em: <a href="http://abr.io/1Knx" rel="http://abr.io/1Knx" target="_blank">http://abr.io/1Knx</a></p> <p> - Computador com acesso &#xE0; internet.</p> <p> - V&#xED;deo-reportagem sobre campanha feia por duas esposas de cubanos presos nos EUA, pedindo a liberta&#xE7;&#xE3;o dos maridos ao presidente Barack Obama, dispon&#xED;vel em http://abr.io/1KoE</p> <p> - V&#xED;deo contendo declara&#xE7;&#xE3;o de apoio do ator norte-americano Danny Glover &#xE0; liberta&#xE7;&#xE3;o dos cinco prisioneiros cubanos, dispon&#xED;vel em <a href="http://abr.io/1KoJ" rel="http://abr.io/1KoJ" target="_blank">http://abr.io/1KoJ</a></p> <p> - Modelo de carta postal pedindo ao presidente Barack Obama a liberta&#xE7;&#xE3;o dos cinco cubanos, dispon&#xED;vel no site do Comit&#xEA; Portugu&#xEA;s para Liberta&#xE7;&#xE3;o dos Cinco, que pode ser acessada em <a href="http://abr.io/1KoN" rel="http://abr.io/1KoN" target="_blank">http://abr.io/1KoN</a></p> <p> <strong>Introdu&#xE7;&#xE3;o</strong></p> <p> Um cap&#xED;tulo curioso, para n&#xE3;o dizer cinematogr&#xE1;fico, da tensa rela&#xE7;&#xE3;o entre Estados Unidos e Cuba, &#xE9; revelado pela reportagem &#x201C;Aventuras em Havana&#x201D;, de BRAVO!, que traz um rico coment&#xE1;rio sobre o novo livro do jornalista Fernando Morais. A obra, &#x201C;Os &#xFA;ltimos soldados da Guerra Fria&#x201D; (Ed. Companhia das Letras, 360 p&#xE1;gs., 42 reais) conta em detalhes a hist&#xF3;ria da Rede Vespa, uma c&#xE9;lula espi&#xE3; cubana infiltrada em solo norte-americano, cujo objetivo era defender a ilha socialista de constantes ataques terroristas desferidos por grupos de exilados anticastristas, com base na Fl&#xF3;rida. A reportagem pode ser um bom ponto de partida para que voc&#xEA; discuta com os seus alunos a complexidade das rela&#xE7;&#xF5;es entre Cuba e EUA desde a revolu&#xE7;&#xE3;o de 1959. Temas como a influ&#xEA;ncia exercida pelos exilados cubanos em solo americano, os usos pol&#xED;ticos da pris&#xE3;o dos agentes cubanos por ambas as na&#xE7;&#xF5;es e o debate atual sobre combate ao terrorismo tamb&#xE9;m s&#xE3;o bons motes para o trabalho em sala.</p> <p> <strong>Desenvolvimento</strong></p> <p> <strong>1&#xAA; AULA: &#x201C;Guantanamera&#x201D; - A dif&#xED;cil rela&#xE7;&#xE3;o entre Cuba e os EUA</strong></p> <p> Inicie a aula perguntando aos alunos o que eles sabem sobre as rela&#xE7;&#xF5;es entre Cuba e os Estados Unidos. Existem problemas entre esses dois pa&#xED;ses? Se existem, quais s&#xE3;o? Depois de ouvir as opini&#xF5;es dos alunos, relacione-as ao tema desta aula, explicando que voc&#xEA;s ir&#xE3;o fazer a an&#xE1;lise de um epis&#xF3;dio importante e pouco conhecido das rela&#xE7;&#xF5;es entre as duas na&#xE7;&#xF5;es em quest&#xE3;o, envolvendo terrorismo e espionagem.</p> <p> Fa&#xE7;a uma apresenta&#xE7;&#xE3;o preliminar do tema, baseando sua fala na reportagem de BRAVO!, e explique que antes de conhecer a Rede Vespa e suas a&#xE7;&#xF5;es ser&#xE1; necess&#xE1;rio entender as origens hist&#xF3;ricas da rela&#xE7;&#xE3;o conflituosa entre Cuba e os Estados Unidos.</p> <p> Informe &#xE0; turma que Estados Unidos e Cuba mant&#xEA;m uma conturbada rela&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tica e diplom&#xE1;tica desde janeiro de 1959, quando um grupo de revolucion&#xE1;rios (comandados pelos irm&#xE3;os Fidel e Ra&#xFA;l Castro, Ernesto &#x201C;Che&#x201D; Guevara e Camilo Cienfuegos) derrubou a ditadura de Fulgencio Batista. Ao chegarem ao poder, aqueles jovens da Sierra Maestra (regi&#xE3;o montanhosa de Cuba, onde os revolucion&#xE1;rios montaram acampamento) transformaram a ilha caribenha em uma integrante ocidental do ent&#xE3;o &#x201C;bloco comunista&#x201D;. Isso, a apenas 160 quil&#xF4;metros da maior na&#xE7;&#xE3;o capitalista do mundo, os Estados Unidos.</p> <p> Nesta aula expositiva, lembre os alunos que em tempos de Guerra Fria (o conflito entre os EUA, grande pot&#xEA;ncia capitalista, e a URSS, principal pot&#xEA;ncia comunista, dividindo o mundo em dois grandes blocos) o governo americano n&#xE3;o viu com bons olhos a exist&#xEA;ncia de um representante comunista geograficamente t&#xE3;o pr&#xF3;ximo. Situe a implanta&#xE7;&#xE3;o do regime socialista na ilha caribenha no contexto da &#xE9;poca, lembrando que Cuba representava um ponto avan&#xE7;ado do bloco comunista na Am&#xE9;rica, o que provocou rea&#xE7;&#xE3;o imediata dos representantes capitalistas, capitaneados pelos Estados Unidos.</p> <p> Explique que logo no in&#xED;cio do governo do presidente americano John F. Kennedy (1961-1963), passados apenas dois anos da Revolu&#xE7;&#xE3;o Cubana, em abril de 1961, for&#xE7;as anticastristas, apoiadas e treinadas pelos Estados Unidos, tentaram derrubar o regime comunista, epis&#xF3;dio que ficou conhecido como a invas&#xE3;o da Ba&#xED;a dos Porcos. A opera&#xE7;&#xE3;o foi planejada pela ag&#xEA;ncia de intelig&#xEA;ncia americana, a CIA. Contudo, mesmo com amplo apoio norte-americano, as for&#xE7;as anticastristas foram derrotadas pelo ex&#xE9;rcito cubano. Conte tamb&#xE9;m que, em outubro de 1962, o conflito entre as duas na&#xE7;&#xF5;es ganhou mais um perigoso ingrediente: os norte-americanos descobriram a exist&#xEA;ncia de cerca de quarenta silos de m&#xED;sseis nucleares na Rep&#xFA;blica Socialista de Cuba.</p> <p> Os silos haviam sido constru&#xED;dos pela Uni&#xE3;o Sovi&#xE9;tica (URSS), ainda em 1961, em resposta &#xE0; instala&#xE7;&#xE3;o, por parte dos EUA, de m&#xED;sseis nucleares na Turquia. O epis&#xF3;dio foi um dos mais tensos do per&#xED;odo de Guerra Fria, pois causou p&#xE2;nico na popula&#xE7;&#xE3;o norte-americana, que viu uma possibilidade real do in&#xED;cio de uma guerra nuclear. Em meio ao medo generalizado, os presidentes dos EUA e URSS (respectivamente John F. Kennedy e Nikita Kruschev) negociaram a retirada dos m&#xED;sseis, tanto de Cuba quanto da Turquia, dando fim &#xE0; crise &#x2013; que n&#xE3;o seria a &#xFA;ltima.</p> <p> Comente com a turma que ainda 1962, os Estados Unidos deram in&#xED;cio a um embargo econ&#xF4;mico e comercial a Cuba, que foi ampliado ao longo dos anos. Desde o ano 2000, o embargo prev&#xEA; a permiss&#xE3;o de venda &#xE0; vista de g&#xEA;neros aliment&#xED;cios e o envio de alguma ajuda humanit&#xE1;ria &#xE0; ilha de Fidel. &#xC9; o embargo econ&#xF4;mico mais duradouro da hist&#xF3;ria moderna, ponto de tens&#xE3;o entre os EUA e alguns de seus aliados mais tradicionais, que consideram a medida abusiva (a pr&#xF3;pria Organiza&#xE7;&#xE3;o das Na&#xE7;&#xF5;es Unidas j&#xE1; condenou o embargo).</p> <p> Por conta da medida econ&#xF4;mica adotada pelos EUA, Cuba sobreviveu quase que exclusivamente do aux&#xED;lio de sua principal protetora e aliada, a Uni&#xE3;o Sovi&#xE9;tica, respons&#xE1;vel pela compra de praticamente toda a produ&#xE7;&#xE3;o cubana de a&#xE7;&#xFA;car, tabaco, rum e n&#xED;quel. Com o fim da URSS, em 1991, a fonte de aux&#xED;lio se esgotou, fazendo com que Fidel e seus camaradas se vissem obrigados a buscar fontes alternativas de recursos. Com 1,2 mil quil&#xF4;metros de belas praias, Cuba escancarou suas portas para a ind&#xFA;stria tur&#xED;stica internacional, que despejou sobre a ilha bilh&#xF5;es de d&#xF3;lares em investimentos na rede hoteleira, passando a atrair um crescente n&#xFA;mero de turistas estrangeiros.</p> <p> &#x201C;Hasta la victoria siempre&#x201D;?: o terrorismo anticastrista e a Rede Vespa</p> <p> Depois de contextualizar a rela&#xE7;&#xE3;o conflituosa entre os EUA e Cuba, indague os alunos sobre o que eles conhecem sobre espionagem e terrorismo. Procure relacionar os temas ao conte&#xFA;do j&#xE1; abordado, a fim de fortalecer as liga&#xE7;&#xF5;es entre a hist&#xF3;ria da Rede Vespa e o conflito cubano-americano. Feito isso, distribua aos alunos c&#xF3;pias da mat&#xE9;ria &#x201C;Aventura em Havana&#x201D;, de BRAVO!, e realize a leitura do texto junto com eles.</p> <p> Procure ressaltar durante a leitura o fato de que a Fl&#xF3;rida foi, desde os primeiros tempos da revolu&#xE7;&#xE3;o, o destino da grande maioria dos que deixaram Cuba. Ponto continental mais pr&#xF3;ximo &#xE0; ilha de Fidel, o estado do sul dos EUA abrigou antigos aliados do governo Fulgencio Batista, empres&#xE1;rios cujos bens foram expropriados, artistas e homossexuais perseguidos pelo regime.</p> <p> Explique aos alunos que parte dos exilados fixados em territ&#xF3;rio capitalista fundaram organiza&#xE7;&#xF5;es de direita cujo principal objetivo era o confronto armado e direto com os comunistas cubanos, contando com apoio muitas vezes expl&#xED;cito do governo norte-americano. Nos anos 1990, estima-se que 41 organiza&#xE7;&#xF5;es anticastristas estavam instaladas em territ&#xF3;rio americano.</p> <p> Lembre que, desde a revolu&#xE7;&#xE3;o, os grupos anticastristas vinham promovendo ataques &#xE0; ilha &#x2013; tanto b&#xE9;licos, quanto pol&#xED;ticos (vide a fracassada tentativa de invas&#xE3;o da Ba&#xED;a dos Porcos em 1961) &#x2013; mas suas a&#xE7;&#xF5;es ganharam maior visibilidade somente nos primeiros anos ap&#xF3;s o fim do aux&#xED;lio sovi&#xE9;tico, quando o regime comandado por Fidel Castro se viu obrigado a abrir as portas de Cuba para o turismo estrangeiro.</p> <p> Destaque que algumas organiza&#xE7;&#xF5;es anticastristas &#x2013; como a Funda&#xE7;&#xE3;o Nacional Cubano-Americana (FNCA), o Conselho para a Liberdade de Cuba (CLC), o movimento Irm&#xE3;os ao Resgate, o Movimento Democracia e a Alfa-66 &#x2013; passaram a adotar como estrat&#xE9;gia de embate a promo&#xE7;&#xE3;o de atos terroristas contra a ind&#xFA;stria tur&#xED;stica cubana. Sequestros de avi&#xF5;es, tiros disparados em praias repletas de turistas e ataques a bomba foram alguns dos expedientes utilizados pelos anticastristas, que queriam impedir a sobreviv&#xEA;ncia do regime comunista.</p> <p> Ressalte a cria&#xE7;&#xE3;o da Rede Vespa como a sa&#xED;da encontrada pelo governo cubano para cessar os ataques contra a ilha. A ideia era criar um grupo de espionagem e contraterrorismo cuja miss&#xE3;o era clara: se infiltrar nas organiza&#xE7;&#xF5;es anticastristas da Fl&#xF3;rida (Key West, Tampa e Miami), mapeando seus integrantes e suas poss&#xED;veis a&#xE7;&#xF5;es. Todas as informa&#xE7;&#xF5;es obtidas nas atividades de espionagem seriam transmitidas &#xE0; Havana, que trataria de impedir as incurs&#xF5;es inimigas.</p> <p> Informe aos alunos que a Rede Vespa era composta por 15 agentes cubanos (13 homens e duas mulheres). Para n&#xE3;o despertar suspeitas, as &#x201C;vespas&#x201D; foram chegando aos poucos nos Estados Unidos (o primeiro agente foi &#x201C;plantado&#x201D; em 1990 e o &#xFA;ltimo penetrou apenas em 1998). Essas pessoas tinham que se passar por desertores ou ainda utilizar documenta&#xE7;&#xE3;o falsa.</p> <p> Vale lembrar aos estudantes que a vida dos membros da Rede Vespa estava muito longe da de um &#x201C;007&#x201D;. Cada agente recebia apenas mil d&#xF3;lares mensais do governo cubano e, por isso, eles foram obrigados a procurar outras fontes de renda (um deles chegou a trabalhar como professor de salsa). Isso fez com que os agentes se infiltrassem, com certa facilidade, na comunidade de exilados cubanos na Fl&#xF3;rida.</p> <p> Destaque que, mesmo com dificuldades financeiras, nos primeiros 18 meses de atividade as &#x201C;vespas&#x201D; cubanas conseguiram evitar pelo menos 20 atentados e garantiram a pris&#xE3;o de 30 terroristas em solo cubano. Os agentes conseguiram, ainda, debelar planos de assassinato do l&#xED;der Fidel Castro. As informa&#xE7;&#xF5;es obtidas pelos agentes possibilitaram tamb&#xE9;m que, em 1996, ca&#xE7;as da for&#xE7;a a&#xE9;rea cubana derrubassem dois pequenos avi&#xF5;es (pertencentes &#xE0; organiza&#xE7;&#xE3;o Irm&#xE3;os para o Resgate) que haviam invadido o espa&#xE7;o a&#xE9;reo cubano para atirar panfletos contra o regime socialista.</p> <p> Para finalizar, conte aos alunos que a Rede Vespa chegou ao fim com requintes &#x201C;hollywoodianos&#x201D;. Mesmo com todo cuidado, as &#x201C;vespas&#x201D; foram rastreadas pelo FBI que, em uma mega-opera&#xE7;&#xE3;o envolvendo cerca de 200 homens, prendeu 10 agentes secretos cubanos em setembro de 1998. Dos presos na opera&#xE7;&#xE3;o, metade entrou em acordo com as autoridades americanas, sendo contemplados em programas de dela&#xE7;&#xE3;o premiada. O restante foi punido com penas extremamente rigorosas e est&#xE3;o presos at&#xE9; hoje. Mas sobre isso, voc&#xEA; vai conversar com a turma na pr&#xF3;xima aula.</p> <p> <strong>2&#xAA; AULA: Criminosos e her&#xF3;is? Os cinco de Cuba</strong></p> <p> Comece esta aula lembrando aos alunos que a aventura da Rede Vespa terminou mal para cinco de seus agentes. Gerardo Hern&#xE1;ndez (considerado o chefe da Rede de agentes), Ren&#xE9; Gonz&#xE1;lez, Ram&#xF3;n Laba&#xF1;ino, Fernando Gonz&#xE1;lez e Antonio Guerrero, foram condenados em 2001 a penas que variam de 15 anos a pris&#xE3;o perp&#xE9;tua, por espionagem, conspira&#xE7;&#xE3;o, entre outras acusa&#xE7;&#xF5;es.</p> <p> Ressalte que, se a hist&#xF3;ria da Rede Vespa &#xE9; pouco conhecida, o destino dos cinco agentes presos nos EUA &#xE9; ainda menos lembrado. Conte que, mesmo assim, a situa&#xE7;&#xE3;o do grupo conhecido como &#x201C;os cinco de Cuba&#x201D; &#xE9; uma causa nacional na ilha de Fidel, onde os ex-espi&#xF5;es s&#xE3;o tidos como verdadeiros her&#xF3;is. N&#xE3;o obstante, entidades como a Anistia Internacional e um grupo de ganhadores do Pr&#xEA;mio Nobel t&#xEA;m reverberado as cobran&#xE7;as apresentadas por Havana, exigindo que as autoridades americanas libertem os ex-agentes.</p> <p> Depois dessa explica&#xE7;&#xE3;o, distribua para a turma c&#xF3;pias da reportagem &#x201C;Condena&#xE7;&#xE3;o dos cinco cubanos nos EUA teve motiva&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tica e deve ser revista, diz Anistia Internacional&#x201D;, que traz informa&#xE7;&#xF5;es atuais sobre o caso. Fa&#xE7;a a leitura do texto junto com os alunos, procurando destacar o fato de a organiza&#xE7;&#xE3;o Anistia Internacional ter manifestado d&#xFA;vidas sobre a &#x201C;justi&#xE7;a e a imparcialidade do julgamento&#x201D;, levando em considera&#xE7;&#xE3;o a hostilidade em rela&#xE7;&#xE3;o ao governo cubano na regi&#xE3;o de Miami. Ao serem presos, os agentes cubanos foram acusados de amea&#xE7;ar a seguran&#xE7;a nacional por espionarem a&#xE7;&#xF5;es do governo americano. No entanto, as autoridades de Cuba t&#xEA;m insistido que os cinco tinham como &#xFA;nico objetivo a busca de informa&#xE7;&#xF5;es sobre as atividades terroristas de exilados.</p> <p> Chame aten&#xE7;&#xE3;o para o fato de a Anistia Internacional ter criticado a postura do governo americano, que n&#xE3;o concedeu visto tempor&#xE1;rio &#xE0;s esposas dos prisioneiros, cerceando o direito dos ex-agentes ao contato com a fam&#xED;lia e contrariando, assim, acordos internacionais. Destaque, tamb&#xE9;m, que o Grupo de Trabalho sobre a Deten&#xE7;&#xE3;o Arbitr&#xE1;ria da ONU concluiu que o governo dos Estados Unidos n&#xE3;o permitiu aos cinco agentes um julgamento com as devidas garantias, provocando um poss&#xED;vel desequil&#xED;brio entre acusa&#xE7;&#xE3;o e defesa.</p> <p> Assim que terminar a leitura e os coment&#xE1;rios, exiba dois v&#xED;deos curtos que retratam a campanha internacional para liberta&#xE7;&#xE3;o dos cinco ex-agentes da Rede Vespa. O primeiro v&#xED;deo (assista aqui: http://abr.io/1KoE), gravado por Adriana P&#xE9;rez e Olga Salanueva, esposas de dois detidos, as cubanas afirmam que o presidente Barack Obama seria merecedor de outro Nobel da Paz se extraditasse os prisioneiros de volta a Cuba.</p> <p> O segundo v&#xED;deo (assista aqui: http://abr.io/1KoJ) traz uma declara&#xE7;&#xE3;o de apoio do ator &#x201C;hollywoodiano&#x201D; Danny Glover aos &#x201C;cinco de Cuba&#x201D;, ressaltando o quase total desconhecimento do caso por parte da popula&#xE7;&#xE3;o norte-americana. Al&#xE9;m dos dois v&#xED;deos, voc&#xEA; tamb&#xE9;m pode lan&#xE7;ar m&#xE3;o de um modelo de carta postal (veja aqui: http://abr.io/1KoN), um pedido ao presidente Barack Obama para que ele liberte imediatamente o grupo detido.</p> <p> Antes de encerrar, discuta com os alunos se h&#xE1; uma contradi&#xE7;&#xE3;o entre a &#x201C;guerra ao terror&#x201D; declarada pelos EUA ap&#xF3;s os eventos de 11 de setembro de 2001 (o ataque terrorista &#xE0;s torres do World Trade Center), e o caso dos &#x201C;cinco de cuba&#x201D; &#x2013; j&#xE1; que estes teriam como fun&#xE7;&#xE3;o, justamente, impedir a a&#xE7;&#xE3;o de grupos terroristas.</p> <p> Ao final da aula, pe&#xE7;a aos alunos que escrevam uma disserta&#xE7;&#xE3;o contendo suas impress&#xF5;es sobre o caso da Rede Vespa e seus principais desdobramentos. Oriente os estudantes para que relacionem os eventos &#xE0; tens&#xE3;o entre norte-americanos e cubanos, levando em conta o debate atual sobre luta contra o terrorismo e o respeito aos direitos humanos.</p> <p> <strong>Avalia&#xE7;&#xE3;o</strong></p> <p> Observe se as disserta&#xE7;&#xF5;es desenvolvidas pela turma apresentam tanto a compreens&#xE3;o do conte&#xFA;do discutido, quanto das conex&#xF5;es entre os temas propostos &#x2013; a rela&#xE7;&#xE3;o entre a a&#xE7;&#xE3;o da Rede Vespa e o debate internacional sobre antiterrorismo. Alie o trabalho escrito &#xE0; participa&#xE7;&#xE3;o dos alunos nas discuss&#xF5;es provocadas durante as aulas para avaliar a compreens&#xE3;o que todos tiveram sobre as a&#xE7;&#xF5;es da Rede Vespa. Espera-se que os estudantes a compreendam como parte importante de um complexo processo hist&#xF3;rico, cujas origens residem na revolu&#xE7;&#xE3;o cubana.</p> <p> <strong>Consultoria</strong> Luiz Gustavo Santos Cota</p> <p> Doutorando em Hist&#xF3;ria Social pela Universidade Federal Fluminense (UFF).</p> No livro “Os últimos soldados da Guerra Fria”, o jornalista Fernando Morais reconstitui a aventura dos 15 agentes secretos de Cuba que se infiltraram nos Estados Unidos para impedir atos terroristas contra o regime de Fidel Castro. Aproveite a reportagem da <strong>BRAVO!</strong> de agosto para trabalhar o tema com a turma nas aulas de História. 2011-08-24T12:27:42-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Sala de Aula - Agosto 2011 No livro “Os últimos soldados da Guerra Fria”, o jornalista Fernando Morais reconstitui a aventura dos 15 agentes secretos de Cuba que se infiltraram nos Estados Unidos para impedir atos terroristas contra o regime de Fidel Castro. Aproveite a reportagem da BRAVO! de agosto para trabalhar o tema com a turma nas aulas de História. Literatura Sala de Aula BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/a-linguagem-do-rap A linguagem do rap 2011-12-02T08:26:33-02:00 Helena Weisz <p> <strong>Objetivos</strong></p> <p> - Conhecer algumas caracter&#xED;sticas do projeto Modernista de Oswald de Andrade, M&#xE1;rio de Andrade e Manuel Bandeira.</p> <p> - Conhecer caracter&#xED;sticas da linguagem pr&#xF3;pria do rap.</p> <p> - Estabelecer rela&#xE7;&#xF5;es entre o ponto de vista do &#x201C;povo&#x201D;, almejado pelos modernistas, e o ponto de vista da periferia expresso no rap brasileiro atual.</p> <p> - Conhecer um pouco da tradi&#xE7;&#xE3;o musical perif&#xE9;rica brasileira.</p> <p> - Estabelecer o sentido pol&#xED;tico dos conceitos de varia&#xE7;&#xE3;o lingu&#xED;stica e dialeto.</p> <p> <strong>Conte&#xFA;dos</strong></p> <p> - 1&#xAA; fase do Modernismo no Brasil.</p> <p> - M&#xFA;sica Popular Brasileira/ Rap.</p> <p> - Rima.</p> <p> - Varia&#xE7;&#xE3;o lingu&#xED;stica e dialetal.</p> <p> <strong>Tempo estimado</strong></p> <p> 3 aulas</p> <p> <strong>Material necess&#xE1;rio</strong></p> <p> Um computador com acesso &#xE0; internet, televis&#xE3;o, aparelho de DVD, uma c&#xF3;pia do document&#xE1;rio &#x201C;Palavra Encantada&#x201D;, de Helena Solberg, e c&#xF3;pias dos poemas e das letras das can&#xE7;&#xF5;es mencionadas para os alunos.</p> <p> <strong>Desenvolvimento</strong></p> <p> <strong>1&#xAA; AULA</strong></p> <p> Primeiras aproxima&#xE7;&#xF5;es entre escrita e fala na cultura brasileira</p> <p> Para come&#xE7;ar, lance as seguintes perguntas &#xE0; sua turma: &#x201C;&#xC9; poss&#xED;vel escrever como se fala? Em que circunst&#xE2;ncias?&#x201D;. Com base nas respostas dos alunos, historie um pouco sobre como essa quest&#xE3;o &#xE9; tratada na literatura brasileira.</p> <p> Conte que, na primeira fase do Modernismo liter&#xE1;rio brasileiro, alguns artistas e intelectuais &#x2013; em especial Oswald de Andrade, M&#xE1;rio de Andrade e Manuel Bandeira &#x2013; tiveram como projeto aproximar o portugu&#xEA;s escrito da fala nacional. Tal projeto respondia a dois questionamentos ideol&#xF3;gicos profundos:</p> <p> 1. Em primeiro lugar, 100 anos ap&#xF3;s a Independ&#xEA;ncia, era preciso tornar a l&#xED;ngua e a cultura brasileiras independentes do padr&#xE3;o colonial portugu&#xEA;s.</p> <p> 2. Em segundo lugar, tais escritores, alinhados aos movimentos pol&#xED;ticos da esquerda da &#xE9;poca, pretendiam aproximar a l&#xED;ngua escrita da l&#xED;ngua falada pelo povo brasileiro nas ruas. Seus projetos foram os mais acabados dessa fase do Modernismo.</p> <p> Depois da explica&#xE7;&#xE3;o, distribua aos alunos c&#xF3;pias dos poemas abaixo e pe&#xE7;a que leiam e comentem, em duplas, esses exemplos da produ&#xE7;&#xE3;o liter&#xE1;ria da &#xE9;poca:</p> <p> <strong>1. PRONOMINAIS</strong></p> <p> Oswald de Andrade</p> <p> D&#xEA;-me um cigarro</p> <p> Diz a gram&#xE1;tica</p> <p> Do professor e do aluno</p> <p> E do mulato sabido</p> <p> Mas o bom negro e o bom branco</p> <p> Da Na&#xE7;&#xE3;o Brasileira</p> <p> Dizem todos os dias</p> <p> Deixa disso camarada</p> <p> Me d&#xE1; um cigarro</p> <p> <strong>2. POEMA TIRADO DE UMA NOT&#xCD;CIA DE JORNAL</strong></p> <p> Manuel Bandeira</p> <p> Jo&#xE3;o Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babil&#xF4;nia num barrac&#xE3;o sem n&#xFA;mero</p> <p> Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro</p> <p> Bebeu</p> <p> Cantou</p> <p> Dan&#xE7;ou</p> <p> Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.</p> <p> Depois da leitura, prossiga com a discuss&#xE3;o sobre os elementos da l&#xED;ngua falada que aparecem nas obras escritas do Modernismo e pe&#xE7;a para que, em casa, os alunos fa&#xE7;am uma pesquisa mais aprofundada a respeito de outras produ&#xE7;&#xF5;es culturais brasileiras onde a escrita se aproxima da fala.</p> <p> <strong>2&#xAA; AULA</strong></p> <p> L&#xED;ngua falada e l&#xED;ngua escrita nos sambas brasileiros</p> <p> Retome as quest&#xF5;es discutidas na aula anterior e monte, a partir da pesquisa trazida pela turma, uma lista das produ&#xE7;&#xF5;es culturais brasileiras onde a escrita se aproxima da fala (cordel, repente, MPB etc.). Se os estudantes n&#xE3;o citarem o rap, pergunte a eles: e o rap? Voc&#xEA;s conhecem m&#xFA;sicas desse estilo?</p> <p> Explique que o rap brasileiro n&#xE3;o surgiu da escrita modernista. Ocorre que (como denunciou Clarice Lispector no livro &#x201C;A hora da estrela&#x201D;, de 1977), devido ao imenso abismo social brasileiro, o &#x201C;povo&#x201D; dos modernistas era ainda uma entidade muito abstrata e a fala &#x201C;das ruas&#x201D; era muito mais complexa e diversificada do que os artistas (da elite intelectual brasileira) eram capazes de avaliar. Mas, vale lembrar que, apesar das limita&#xE7;&#xF5;es de &#xE9;poca e de classe, foram os escritores modernistas os primeiros a localizar a dist&#xE2;ncia entre l&#xED;ngua falada e l&#xED;ngua escrita e a formalizar um projeto de aproxima&#xE7;&#xE3;o da cultura erudita e popular no Brasil. Devemos muito a eles.</p> <p> As principais influ&#xEA;ncias do rap nacional podem ser localizadas no rap norte-americano e na tradi&#xE7;&#xE3;o de protesto da m&#xFA;sica brasileira, especialmente no samba que, desde a d&#xE9;cada de 1920, apresenta algumas can&#xE7;&#xF5;es em que o pobre e o marginal finalmente tomam a palavra e discursam em causa pr&#xF3;pria.</p> <p> Ap&#xF3;s a explica&#xE7;&#xE3;o, mostre alguns sambas da &#xE9;poca para a classe e analisem atentamente o ponto de vista figurado nas letras:</p> <p> Abaixo, algumas sugest&#xF5;es:</p> <p> Len&#xE7;o no Pesco&#xE7;o (Wilson Batista): http://abr.io/wilsonb1</p> <p> Acertei no Milhar (Wilson Batista e Geraldo Pereira): http://abr.io/wilsonb2</p> <p> Ganha-se muito pouco, mas &#xE9; divertido (Wilson Batista): http://abr.io/wilsonb3</p> <p> Amor sem dinheiro (Sinh&#xF4;): http://abr.io/sinho1</p> <p> A favela vai abaixo (Sinh&#xF4;): http://abr.io/sinho2</p> <p> <strong>3&#xAA; AULA</strong></p> <p> A rima e a variante falada da l&#xED;ngua no rap</p> <p> Com base na discuss&#xE3;o sobre o samba, da aula anterior, pergunte aos alunos: quem representa hoje o ponto de vista da periferia? A partir das respostas da classe, apresente &#xE0; turma a can&#xE7;&#xE3;o &#x201C;Grajauex&#x201D;, do rapper Criolo, dispon&#xED;vel neste link: http://abr.io/grajauex.</p> <p> Em seguida, distribua c&#xF3;pias da letra da can&#xE7;&#xE3;o e analise com a turma. D&#xEA; aten&#xE7;&#xE3;o especial para o ponto de vista figurado e para a import&#xE2;ncia das rimas na constru&#xE7;&#xE3;o do rap.</p> <p> Grajauex</p> <p> Criolo</p> <p> Refr&#xE3;o</p> <p> The Grajauex</p> <p> duas laje &#xE9; triplex</p> <p> No morro os moleques, o vapor...</p> <p> &#xE9; o play 3 na golfera te sai chanex</p> <p> &#xE9; o ouro branco o p&#xF3; m&#xE1;gico e poder de rolex</p> <p> na favela com fome atr&#xE1;s dos nike air max</p> <p> os canela cinzenta que n&#xE3;o tem nem cotonetes</p> <p> os MC das antiga &#xE9; dinossauro T-Rex</p> <p> pra fazer bobaginha cole ali com Jontex</p> <p> pra zuar na rua com os cachorro &#xE9; pex pex</p> <p> e as princesinha na noia de um papel faz bo...</p> <p> Refr&#xE3;o</p> <p> Pros irm&#xE3;o que t&#xE3;o com fome desce 3 marmitex</p> <p> sab&#xE3;o de coco n&#xE3;o &#xE9; Pompom com protex</p> <p> no almo&#xE7;o o sodex, meu advogado &#xE9; o Alex</p> <p> e se jogo do bicho &#xE9; contraven&#xE7;&#xE3;o, mega sena &#xE9; ilus&#xE3;o pra colar com durex</p> <p> a responsa de chegar garante seu retornex</p> <p> *The IporanguiX a conect co ex*</p> <p> atr&#xE1;s de um verdix pra mandar por sedex</p> <p> zona sul &#xE9; o universo e os vagabundo &#xE9; belezex</p> <p> &#xE9; que eu n&#xE3;o to de tricotex</p> <p> e eu tamb&#xE9;m n&#xE3;o to com medo irm&#xE3;ozex</p> <p> &#xE9; zona sul &#xE9; o universo filho t&#xE1; pagando de louco</p> <p> Na m&#xFA;sica, o rapper Criolo faz um passeio pelas quest&#xF5;es dos esquecidos pelo Estado a partir de seu bairro, o Graja&#xFA;, rimando livremente em &#x201C;ex&#x201D;. As lajes das habita&#xE7;&#xF5;es pobres, o tr&#xE1;fico de drogas ostensivo nas comunidades, os objetos de desejo ditados pelo mercado publicit&#xE1;rio, as canelas ressecadas dos moradores negros e pobres, a cultura hip-hop, a sexualidade em tempos de AIDS, a falta de conforto e de bens de consumo b&#xE1;sicos, as ilus&#xF5;es de enriquecimento f&#xE1;cil e as conex&#xF5;es culturais entre os bairros perif&#xE9;ricos est&#xE3;o figuradas nessa letra de batida e rimas agressivas pr&#xF3;prias do rap de protesto.</p> <p> Lembre aos alunos que a grande revolu&#xE7;&#xE3;o do rap foi o uso da voz como instrumento r&#xED;tmico &#x2013; e n&#xE3;o mel&#xF3;dico. Pe&#xE7;a que a classe observe a divis&#xE3;o r&#xED;tmica complexa que se opera na batida a partir do vocal.</p> <p> Por fim, comente que a variante lingu&#xED;stica utilizada pelo rap brasileiro (&#x201C;os canela&#x201D;, &#x201C;os MC das antiga&#x201D; etc.) n&#xE3;o &#xE9; um uso &#x201C;errado&#x201D; do portugu&#xEA;s, e sim uma variante com determina&#xE7;&#xF5;es de classe. A escolha do uso desse dialeto pelo rap &#xE9; pol&#xED;tica: se as can&#xE7;&#xF5;es s&#xE3;o escritas a partir da periferia e figuram o cotidiano da periferia, nada mais leg&#xED;timo do que se expressar no dialeto da periferia. Um dos maiores m&#xE9;ritos do rap nacional &#xE9; justamente o de fortalecer a autoestima de quem foi posto &#xE0; margem pelo poder dominante.</p> <p> <strong>Avalia&#xE7;&#xE3;o</strong></p> <p> Assista, com a classe, ao document&#xE1;rio &#x201C;Palavra Encantada&#x201D;, de Helena Solberg (saiba mais sobre o document&#xE1;rio aqui: http://www.palavraencantada.com.br/). Antes, entregue as seguintes quest&#xF5;es por escrito:</p> <p> 1) Por que uma letra de can&#xE7;&#xE3;o pode ser &#x201C;fr&#xE1;gil quando escrita e forte quando cantada&#x201D;?</p> <p> 2) A letra de &#x201C;Grajauex&#x201D; pode ser recitada como um poema? Por qu&#xEA;?</p> <p> 3) O rap &#xE9; &#x201C;palavra falada&#x201D; ou &#x201C;palavra cantada&#x201D;? Justifique.</p> <p> 4) Localize algumas diferen&#xE7;as e semelhan&#xE7;as entre o rap e o repente.</p> <p> 5) Qual dos poemas lidos no document&#xE1;rio mais te impressionou? Por qu&#xEA;?</p> <p> 6) Interprete a frase de Ezra Pound citada por Arnaldo Antunes: &#x201C;A fun&#xE7;&#xE3;o da literatura &#xE9; nutrir de impulsos&#x201D;.</p> <p> Observe se os alunos mencionam nas respostas o sentido pol&#xED;tico do emprego da variante faladada l&#xED;ngua e dos dialetos da periferia nas composi&#xE7;&#xF5;es do rap e leve em conta, tamb&#xE9;m, a pesquisa realizada e a participa&#xE7;&#xE3;o nas aulas. http://www.palavraencantada.com.br/</p> <p> <strong>Consultoria Helena Weisz</strong></p> <p> Mestre em Teoria Liter&#xE1;ria e Literatura Comparada pela Universidade de S&#xE3;o Paulo (USP).</p> 2011-07-28T11:19:06-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Julho 2011 Música Sala de Aula BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/as-transformacoes-do-brasil-pela-musica-de-chico-buarque As transformações do Brasil pela música de Chico Buarque 2011-08-11T14:47:14-03:00 Débora Cristina de Carvalho <p> <strong>PLANO DE AULA</strong></p> <p> <strong>SOCIOLOGIA</strong></p> <p> As transforma&#xE7;&#xF5;es do Brasil pela m&#xFA;sica de Chico Buarque</p> <p> por D&#xE9;bora Cristina de Carvalho</p> <p> <strong>Objetivos</strong></p> <p> - Entender as transforma&#xE7;&#xF5;es da m&#xFA;sica popular no Brasil ap&#xF3;s 1964, destacando tanto o per&#xED;odo da ditadura militar (at&#xE9; 1985), quanto o per&#xED;odo posterior, marcado pela redemocratiza&#xE7;&#xE3;o do pa&#xED;s.</p> <p> - Apresentar a trajet&#xF3;ria musical do compositor Chico Buarque.</p> <p> - Identificar os tra&#xE7;os marcantes da produ&#xE7;&#xE3;o musical atual no Brasil.</p> <p> <strong>Conte&#xFA;dos</strong></p> <p> - An&#xE1;lise social da m&#xFA;sica de Chico Buarque na &#xE9;poca da ditadura militar.</p> <p> - An&#xE1;lise social da m&#xFA;sica de Chico Buarque ap&#xF3;s o fim da ditadura militar no contexto da redemocratiza&#xE7;&#xE3;o do pa&#xED;s.</p> <p> - Transforma&#xE7;&#xF5;es da can&#xE7;&#xE3;o e da m&#xFA;sica popular no Brasil.</p> <p> - Rela&#xE7;&#xF5;es entre m&#xFA;sica popular, pol&#xED;tica e sociedade.</p> <p> <strong>Tempo estimado</strong></p> <p> Tr&#xEA;s aulas</p> <p> <strong>Materiais necess&#xE1;rios</strong></p> <p> C&#xF3;pias da reportagem &#x201C;Chico versus Chico&#x201D; (BRAVO!, Ed. 168, agosto de 2011) e das letras das can&#xE7;&#xF5;es &#x201C;Apesar de voc&#xEA;&#x201D; e &#x201C;Sonho de um Carnaval&#x201D; (que podem ser encontradas em http://abr.io/chico) para todos os alunos; computador ou notebook; letra da can&#xE7;&#xE3;o &#x201C;Rubato&#x201D;, do CD &#x201C;Chico&#x201D; que pode ser lida e ouvida em http://abr.io/chico2.</p> <p> Introdu&#xE7;&#xE3;o</p> <p> Chico Buarque &#xE9; um expoente da m&#xFA;sica popular brasileira desde meados da d&#xE9;cada de 1960. Sua produ&#xE7;&#xE3;o musical &#xE9; bastante variada e celebrada tanto pela cr&#xED;tica especializada, quanto por seus ouvintes. Durante a ditadura militar (1964-1985), suas can&#xE7;&#xF5;es ganharam notoriedade pela irrever&#xEA;ncia astuta em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0;s arbitrariedades da censura e pela tenacidade com que o compositor denunciou e combateu a trucul&#xEA;ncia do governo militar. Nesse sentido, sua m&#xFA;sica &#xE9; considerada &#x201C;engajada&#x201D;.</p> <p> Toda essa notoriedade ainda foi refor&#xE7;ada pelo fato de Chico tamb&#xE9;m apresentar, em muitas de suas composi&#xE7;&#xF5;es, um lirismo e uma linguagem coloquial n&#xE3;o distantes da poesia modernista. Com agu&#xE7;ada sensibilidade, e para al&#xE9;m das can&#xE7;&#xF5;es de cunho pol&#xED;tico, ele cantou as nuances do amor e do desamor e manifestou uma sensibilidade especial em rela&#xE7;&#xE3;o ao mundo feminino.</p> <p> As caracter&#xED;sticas de sua produ&#xE7;&#xE3;o musical fizeram de Chico um compositor querido por seu p&#xFA;blico. Essa boa rela&#xE7;&#xE3;o, no entanto, parece agora ter experimentado certo abalo devido ao lan&#xE7;amento do &#xE1;lbum &#x201C;Chico&#x201D;, que se afasta dos temas pol&#xED;ticos, marcantes em sua trajet&#xF3;ria.</p> <p> Com base neste plano de aula e na reportagem da revista BRAVO! discuta com os alunos que mudan&#xE7;as na sociedade brasileira e na trajet&#xF3;ria art&#xED;stica do compositor podem t&#xEA;-lo levado a buscar novos rumos para as suas can&#xE7;&#xF5;es.</p> <p> <strong>Desenvolvimento</strong></p> <p> <strong>1&#xAA; AULA - M&#xFA;sica popular para falar da sociedade em diferentes &#xE9;pocas</strong></p> <p> Conte aos alunos que essa aula ser&#xE1; dedicada a refletir sobre alguns per&#xED;odos da hist&#xF3;ria pol&#xED;tica do Brasil, com base na nossa m&#xFA;sica popular. Comece perguntando para os estudantes o que eles sabem sobre a hist&#xF3;ria da m&#xFA;sica popular brasileira: quando e onde ela surgiu? Anote as opini&#xF5;es no quadro e explique &#xE0; turma que a m&#xFA;sica popular no Brasil tem uma hist&#xF3;ria que atravessa boa parte do s&#xE9;culo 20. Observe que, at&#xE9; a d&#xE9;cada de 1930, a autoria das can&#xE7;&#xF5;es n&#xE3;o era algo t&#xE3;o importante. Nesse per&#xED;odo, boa parte dos nossos choros e maxixes era instrumental, cantada coletivamente e composta anonimamente.</p> <p> Mostre aos alunos que essa situa&#xE7;&#xE3;o mudou radicalmente com a estatiza&#xE7;&#xE3;o da R&#xE1;dio Nacional em 1940, patrocinada por Get&#xFA;lio Vargas durante a ditadura do Estado Novo (1937-1945), e com a cria&#xE7;&#xE3;o das primeiras ind&#xFA;strias fonogr&#xE1;ficas no pa&#xED;s, no mesmo per&#xED;odo. Essas mudan&#xE7;as estimularam o fim da cria&#xE7;&#xE3;o musical an&#xF4;nima, j&#xE1; que os artistas passaram a gravar discos e a se apresentar ao vivo nas emissoras de r&#xE1;dio.</p> <p> Foi nessa &#xE9;poca que o samba ganhou for&#xE7;a. Ele introduziu a no&#xE7;&#xE3;o de autoria e ajudou a consagrar a imagem do &#x201C;artista popular&#x201D; no Brasil. Al&#xE9;m disso, e por influ&#xEA;ncia de Get&#xFA;lio Vargas, que induziu sambistas como Wilson Batista e Ataulfo Alves a escreverem sambas para o &#x201C;trabalhador&#x201D; e n&#xE3;o para a &#x201C;malandragem&#x201D;, o g&#xEA;nero contribuiu para promover certa integra&#xE7;&#xE3;o favor&#xE1;vel ao regime do Estado Novo, estabelecendo uma &#x201C;identidade nacional&#x201D;, uma rela&#xE7;&#xE3;o de pertencimento do cidad&#xE3;o &#xE0; na&#xE7;&#xE3;o.</p> <p> Um exemplo not&#xF3;rio dessa influ&#xEA;ncia est&#xE1; na can&#xE7;&#xE3;o &#x201C;O Bonde S&#xE3;o Janu&#xE1;rio&#x201D;, cujos versos originais diziam &#x201C;O Bonde S&#xE3;o Janu&#xE1;rio, leva mais um s&#xF3;cio ot&#xE1;rio, eu que n&#xE3;o vou trabalhar&#x201D; (um contexto t&#xED;pico da malandragem). A pedido de Get&#xFA;lio, a letra foi modificada para &#x201C;O Bonde S&#xE3;o Janu&#xE1;rio, leva mais um oper&#xE1;rio, sou eu que vou trabalhar&#x201D;, em prol da moral da fam&#xED;lia e do trabalhador (veja a letra e mostre um v&#xED;deo da can&#xE7;&#xE3;o para os alunos, dispon&#xED;vel em http://abr.io/bonde).</p> <p> Em seguida, passe a outro per&#xED;odo da pol&#xED;tica recente de nosso pa&#xED;s. Se Vargas influenciou as letras, mas fortaleceu o samba e os artistas populares, a ditadura militar, que come&#xE7;ou em 1964, adotou a pol&#xED;tica de repress&#xE3;o a artistas e movimentos populares. Mesmo assim, muitos setores da popula&#xE7;&#xE3;o &#x2013; al&#xE9;m dos sindicatos e dos estudantes &#x2013; come&#xE7;aram a exigir maior justi&#xE7;a social e a se mobilizar politicamente.</p> <p> Questione a turma sobre a m&#xFA;sica brasileira no per&#xED;odo da ditadura militar: eles conhecem os principais artistas desse per&#xED;odo? &#xC9; prov&#xE1;vel que os alunos digam nomes como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque. Caso o nome de Chico n&#xE3;o seja citado, indague: &#x201C;e Chico Buarque?&#x201D;.</p> <p> Distribua c&#xF3;pias da reportagem de BRAVO! e leia com os alunos. Conte aos jovens que Chico &#xE9; filho do historiador S&#xE9;rgio Buarque de Hollanda e iniciou sua carreira na d&#xE9;cada de 1960, destacando-se em 1966, quando venceu, com a can&#xE7;&#xE3;o &#x201C;A Banda&#x201D;, o Festival de M&#xFA;sica Popular Brasileira da TV Record, um programa de grande apelo popular.</p> <p> Explique tamb&#xE9;m que, durante a ditadura, a MPB assumiu a tarefa de divulgar e difundir as aspira&#xE7;&#xF5;es populares, tornando-se fortemente ideologizada. Nesse contexto, passou a ser comum ouvir can&#xE7;&#xF5;es que defendiam a reforma agr&#xE1;ria e a luta contra os privil&#xE9;gios sociais. Em 1969, com a crescente repress&#xE3;o e a institui&#xE7;&#xE3;o do Ato Institucional n&#xBA; 5 (1968), que intensificou a censura e a persegui&#xE7;&#xE3;o a artistas e intelectuais, Chico Buarque se exilou na It&#xE1;lia e continuou a compor can&#xE7;&#xF5;es de engajamento, tornando-se, ao retornar, um dos artistas mais ativos na cr&#xED;tica pol&#xED;tica e um dos mais envolvidos na luta pela democratiza&#xE7;&#xE3;o no Brasil.</p> <p> Para exemplificar, distribua as c&#xF3;pias a letra da can&#xE7;&#xE3;o &#x201C;Sonho de um Carnaval&#x201D; para os alunos:</p> <p> <strong>Sonho de um Carnaval</strong></p> <p> (Chico Buarque)</p> <p> Carnaval, desengano</p> <p> Deixei a dor em casa me esperando</p> <p> E brinquei e gritei e fui vestido de rei</p> <p> Quarta-feira sempre desce o pano</p> <p> Carnaval, desengano</p> <p> Essa morena me deixou sonhando</p> <p> M&#xE3;o na m&#xE3;o, p&#xE9; no ch&#xE3;o</p> <p> E hoje nem lembra n&#xE3;o</p> <p> Quarta-feira sempre desce o pano</p> <p> Era uma can&#xE7;&#xE3;o, um s&#xF3; cord&#xE3;o</p> <p> E uma vontade</p> <p> De tomar a m&#xE3;o</p> <p> De cada irm&#xE3;o pela cidade</p> <p> No carnaval, esperan&#xE7;a</p> <p> Que gente longe viva na lembran&#xE7;a</p> <p> Que gente triste possa entrar na dan&#xE7;a</p> <p> Que gente grande saiba ser crian&#xE7;a</p> <p> Pe&#xE7;a que os estudantes leiam e interpretem o significado desses versos. Aproveite as respostas dos alunos e chame a aten&#xE7;&#xE3;o para o fato de que eles remetem &#xE0; ideia de povo unido e de esperan&#xE7;a na revolu&#xE7;&#xE3;o popular, simbolizada pela palavra &#x201C;Carnaval&#x201D;. Mostre que Chico Buarque, em suas m&#xFA;sicas de protesto, tematiza claramente os anseios pol&#xED;ticos populares e denuncia a vida miser&#xE1;vel do trabalhador explorado. Destaque que isso criou uma recep&#xE7;&#xE3;o positiva de suas m&#xFA;sicas junto ao p&#xFA;blico. Para terminar essa aula, solicite aos alunos que pesquisem na internet, no site oficial http://www.chicobuarque.com.br/, outras m&#xFA;sicas do compositor elaboradas nesse per&#xED;odo, para que verifiquem a const&#xE2;ncia das can&#xE7;&#xF5;es de engajamento durante os anos 1960 e 1970.</p> <p> <strong>2&#xAA; AULA - Chico Buarque e os anos de chumbo</strong></p> <p> Para come&#xE7;ar, pe&#xE7;a que os alunos contem apresentem as m&#xFA;sicas que encontraram e pergunte quais s&#xE3;o os principais temas abordados nas can&#xE7;&#xF5;es de Chico Buarque: os temas s&#xE3;o recorrentes? Adiante que uma das principais can&#xE7;&#xF5;es desse per&#xED;odo ser&#xE1; analisada nesta aula.</p> <p> Antes de mostrar os v&#xED;deos e letras das composi&#xE7;&#xF5;es, aprofunde a quest&#xE3;o da censura intensa com a institui&#xE7;&#xE3;o do AI-5 (mencionado na primeira aula desta sequ&#xEA;ncia). Explique que o ato dos militares, promulgado em dezembro de 1968, tinha como objetivo por fim &#xE0; movimenta&#xE7;&#xE3;o e &#xE0; agita&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tica que acontecia no pa&#xED;s. Conte aos alunos que o AI-5 imp&#xF4;s o chamado &#x201C;estado de exce&#xE7;&#xE3;o&#x201D;, que suprimiu a Constitui&#xE7;&#xE3;o, a vida pol&#xED;tica e os direitos individuais. Essas medidas alteraram a din&#xE2;mica da vida cultural do Brasil, instituindo uma censura brutal a todo tipo de produ&#xE7;&#xE3;o art&#xED;stica.</p> <p> Com isso, artistas e intelectuais do per&#xED;odo tiveram que encontrar formas criativas de driblar a a&#xE7;&#xE3;o dos censores. E Chico Buarque foi mestre nisso. Por meio de met&#xE1;foras e mensagens ir&#xF4;nicas ou subentendidas, as letras de m&#xFA;sica se tornaram pe&#xE7;as de resist&#xEA;ncia pol&#xED;tica. Ao contr&#xE1;rio do que ocorreu no Estado Novo de Vargas, em que os la&#xE7;os entre cidad&#xE3;os e artistas populares se deram em um contexto moralizante, estimulado pelo governo, durante o regime militar foi a luta contra a censura que uniu compositores e o povo, impedido de manifestar sua voz ativa.</p> <p> Depois da explica&#xE7;&#xE3;o, apresente aos alunos um dos exemplos marcantes dessa cumplicidade entre p&#xFA;blico e compositor, presente na can&#xE7;&#xE3;o &#x201C;Apesar de voc&#xEA;&#x201D;:</p> <p> &#xA0;</p> <p> <strong>Apesar de voc&#xEA;</strong></p> <p> (Chico Buarque)</p> <p> Amanh&#xE3; vai ser outro dia</p> <p> Hoje voc&#xEA; &#xE9; quem manda</p> <p> Falou, t&#xE1; falado</p> <p> N&#xE3;o tem discuss&#xE3;o, n&#xE3;o</p> <p> A minha gente hoje anda</p> <p> Falando de lado e olhando pro ch&#xE3;o</p> <p> Viu?</p> <p> Voc&#xEA; que inventou esse Estado</p> <p> Inventou de inventar</p> <p> Toda escurid&#xE3;o</p> <p> Voc&#xEA; que inventou o pecado</p> <p> Esqueceu-se de inventar o perd&#xE3;o</p> <p> Apesar de voc&#xEA;</p> <p> Amanh&#xE3; h&#xE1; de ser outro dia</p> <p> Eu pergunto a voc&#xEA; onde vai se esconder</p> <p> Da enorme euforia?</p> <p> Como vai proibir</p> <p> Quando o galo insistir em cantar?</p> <p> &#xC1;gua nova brotando</p> <p> E a gente se amando sem parar</p> <p> Quando chegar o momento</p> <p> Esse meu sofrimento</p> <p> Vou cobrar com juros. Juro!</p> <p> Todo esse amor reprimido</p> <p> Esse grito contido</p> <p> Esse samba no escuro</p> <p> Voc&#xEA; que inventou a tristeza</p> <p> Ora tenha a fineza</p> <p> De "desinventar"</p> <p> Voc&#xEA; vai pagar, e &#xE9; dobrado</p> <p> Cada l&#xE1;grima rolada</p> <p> Nesse meu penar</p> <p> Apesar de voc&#xEA;</p> <p> Amanh&#xE3; h&#xE1; de ser outro dia</p> <p> Ainda pago pra ver</p> <p> O jardim florescer</p> <p> Qual voc&#xEA; n&#xE3;o queria</p> <p> Voc&#xEA; vai se amargar</p> <p> Vendo o dia raiar</p> <p> Sem lhe pedir licen&#xE7;a</p> <p> E eu vou morrer de rir</p> <p> E esse dia h&#xE1; de vir</p> <p> Antes do que voc&#xEA; pensa</p> <p> Apesar de voc&#xEA;</p> <p> Apesar de voc&#xEA;</p> <p> Amanh&#xE3; h&#xE1; de ser outro dia</p> <p> Voc&#xEA; vai ter que ver</p> <p> A manh&#xE3; renascer</p> <p> E esbanjar poesia</p> <p> &#xA0;</p> <p> Depois da audi&#xE7;&#xE3;o, proponha uma atividade: distribua c&#xF3;pias da letra dessa m&#xFA;sica para os estudantes, pe&#xE7;a que leiam, analisem e debatam a composi&#xE7;&#xE3;o e identifiquem as passagens e termos que servem para refor&#xE7;ar a cumplicidade entre autor e p&#xFA;blico.</p> <p> Para estimular a turma, indague qual o significado da express&#xE3;o &#x201C;apesar de voc&#xEA;&#x201D; e discuta quem pode ser esse &#x201C;voc&#xEA;&#x201D; na can&#xE7;&#xE3;o.</p> <p> Antes de encerrar, solicite como li&#xE7;&#xE3;o de casa a elabora&#xE7;&#xE3;o de um texto dissertativo sobre as mudan&#xE7;as na m&#xFA;sica popular brasileira ao longo do Estado Novo e, posteriormente, no per&#xED;odo da ditadura militar, dando &#xEA;nfase ao papel combativo de compositores como Chico Buarque. Oriente os alunos a citar trechos de can&#xE7;&#xF5;es de Chico que ilustrem o engajamento do artista.</p> <p> <strong>3&#xAA; AULA &#x2013; O fim das ideologias e a m&#xFA;sica de Chico</strong></p> <p> Conte aos alunos que esta aula vai servir para mostrar a produ&#xE7;&#xE3;o de Chico Buarque no contexto de p&#xF3;s-redemocratiza&#xE7;&#xE3;o do Brasil. Comece explicando que o fim da ditadura militar, em 1985, trouxe novas transforma&#xE7;&#xF5;es para a m&#xFA;sica popular produzida por aqui. O fim da censura e o in&#xED;cio do processo de redemocratiza&#xE7;&#xE3;o fizeram com que as can&#xE7;&#xF5;es de protesto n&#xE3;o fossem mais necess&#xE1;rias para a &#x201C;integra&#xE7;&#xE3;o do povo&#x201D; e a constru&#xE7;&#xE3;o de uma &#x201C;identidade nacional&#x201D;. A partir dos anos 1980, os produtores culturais passaram a buscar nos padr&#xF5;es da cultura internacionalizada novos modelos para a produ&#xE7;&#xE3;o cultural brasileira.</p> <p> Comente tamb&#xE9;m que o contexto hist&#xF3;rico-pol&#xED;tico mudou muito, inclusive fora do Brasil. O mundo deixou de ser &#x201C;bipolar&#x201D; &#x2013; ou seja, deixou de ter duas grandes pot&#xEA;ncias mundiais com ideologias diferentes: uma capitalista (os Estados Unidos) e outra socialista (a ent&#xE3;o Uni&#xE3;o Sovi&#xE9;tica). Explique &#xE0; turma que, em decorr&#xEA;ncia desses acontecimentos, muitos autores afirmam que hoje conhecemos um fen&#xF4;meno novo, denominado &#x201C;fim das ideologias&#x201D;. Questione os alunos, indagando se essa afirma&#xE7;&#xE3;o n&#xE3;o &#xE9;, ela mesma, uma nova ideologia. Perguntas como: &#x201C;a ideologia desapareceu ou a forma como ela se manifesta ganhou novas caracter&#xED;sticas?&#x201D; e &#x201C;afinal, a realidade social n&#xE3;o se tornou ela mesma mais ideol&#xF3;gica?&#x201D; podem guiar esta etapa de discuss&#xE3;o.</p> <p> Relembre as composi&#xE7;&#xF5;es de Chico Buarque analisadas nas &#xFA;ltimas aulas e fale que as mudan&#xE7;as hist&#xF3;ricas ajudam a explicar a trajet&#xF3;ria desse artista. Afinal, se as ideologias parecem ter se tornado difusas, e se n&#xE3;o h&#xE1; mais um inimigo expl&#xED;cito e comum que a m&#xFA;sica possa combater, o que resta para o compositor em uma &#xE9;poca em que a pr&#xF3;pria m&#xFA;sica popular parece n&#xE3;o ter lugar?</p> <p> Questione se o p&#xFA;blico de Chico Buarque &#xE9; composto maci&#xE7;amente por jovens ou se &#xE9; formado pela gera&#xE7;&#xE3;o que foi jovem na &#xE9;poca da ditadura e que hoje tem mais de 40 ou 50 anos. Pergunte, tamb&#xE9;m, se esse p&#xFA;blico mudou de padr&#xE3;o est&#xE9;tico ou se tem um gosto estratificado, que permanece o mesmo atrav&#xE9;s dos anos. As respostas s&#xE3;o indicadores importantes de que houve uma mudan&#xE7;a na pr&#xF3;pria natureza da m&#xFA;sica popular brasileira &#x2013; os temas recorrentes, o modo de produ&#xE7;&#xE3;o, a forma como os artistas se apresentam (sem a for&#xE7;a do r&#xE1;dio ou dos grandes festivais de televis&#xE3;o e com a ascens&#xE3;o da internet, a produ&#xE7;&#xE3;o e a distribui&#xE7;&#xE3;o musicais aparecem muito mais disseminadas pela rede).</p> <p> Em seguida, insinue aos alunos que a m&#xFA;sica recente de Chico Buarque ainda pode ser considerada uma forma de resist&#xEA;ncia: n&#xE3;o &#xE0; ditadura militar, certamente, mas contra a dilui&#xE7;&#xE3;o da tradi&#xE7;&#xE3;o cultural do nosso pa&#xED;s. Antes de perguntar aos alunos se eles concordam com essa afirma&#xE7;&#xE3;o, apresente a letra da can&#xE7;&#xE3;o &#x201C;Rubato&#x201D;, do mais recente &#xE1;lbum do compositor, intitulado &#x201C;Chico&#x201D;:</p> <p> <strong>Rubato</strong></p> <p> (Chico Buarque/ Jorge Helder)</p> <p> Aurora, eu fiz agora</p> <p> Venha, Aurora, ouvir agora</p> <p> A nossa m&#xFA;sica</p> <p> Depressa, antes que um outro compositor</p> <p> Me roube e toque e troque as notas no song book</p> <p> E estrague tudo e exponha na televis&#xE3;o</p> <p> O nosso amor</p> <p> A nossa &#xED;ntima can&#xE7;&#xE3;o</p> <p> Os nossos segredos escancarados</p> <p> Nos trinados de um ladr&#xE3;o</p> <p> Que vai cantando sem pudor</p> <p> A minha &#xFA;ltima can&#xE7;&#xE3;o</p> <p> Venha, meu amor, venha ouvir, Aurora</p> <p> A nossa m&#xFA;sica</p> <p> Mas s&#xF3; se for agora</p> <p> Venha ouvir sem mais demora</p> <p> A nossa m&#xFA;sica</p> <p> Que estou roubando de outro compositor</p> <p> E j&#xE1; retoco os versos com maior talento</p> <p> Dou um polimento e exponho na televis&#xE3;o</p> <p> O nosso amor</p> <p> A nossa &#xED;ntima can&#xE7;&#xE3;o</p> <p> As nossas mais t&#xF3;rridas confid&#xEA;ncias</p> <p> Para audi&#xEA;ncias mundo afora</p> <p> E vai lan&#xE7;ar seu nome, Amora</p> <p> A minha &#xFA;ltima can&#xE7;&#xE3;o</p> <p> Venha, meu amor, venha ouvir, Amora</p> <p> A nossa m&#xFA;sica</p> <p> O nosso amor</p> <p> A nossa &#xED;ntima can&#xE7;&#xE3;o</p> <p> Com nossos segredos, os mais picantes</p> <p> Nos rompantes de um tenor</p> <p> Que vai cantando com tremor</p> <p> A minha &#xFA;ltima can&#xE7;&#xE3;o</p> <p> Venha, meu amor, venha ouvir, Teodora</p> <p> A nossa m&#xFA;sica</p> <p> Para encerrar a aula, analise com a turma a letra da m&#xFA;sica, buscando identificar as passagens ou os termos que indiquem a cr&#xED;tica ao presente e &#xE0; situa&#xE7;&#xE3;o atual da pr&#xF3;pria m&#xFA;sica popular brasileira. Organize um debate final para saber o que os alunos pensam sobre a atual produ&#xE7;&#xE3;o musical brasileira, fazendo a devida rela&#xE7;&#xE3;o com a ideia de &#x201C;fim das ideologias&#x201D;, trabalhada no in&#xED;cio desta aula.</p> <p> <strong>Avalia&#xE7;&#xE3;o</strong></p> <p> Observe se as disserta&#xE7;&#xF5;es apresentadas possuem elementos que demonstrem que os alunos entenderam as principais ideias expostas durante as aulas. Com base na participa&#xE7;&#xE3;o dos alunos nas atividades de pesquisa e de discuss&#xE3;o em sala, analise se sabem identificar as transforma&#xE7;&#xF5;es ocorridas com a m&#xFA;sica popular; se compreenderam a quest&#xE3;o do fim das ideologias e se conseguem relacionar os elementos da m&#xFA;sica de Chico Buarque com os contextos da ditadura e da redemocratiza&#xE7;&#xE3;o.</p> <p> <strong>Consultoria </strong>D&#xE9;bora Cristina de Carvalho</p> <p> Mestre e doutora em Sociologia pela Unesp-Araraquara, professora da Universidade Federal de Lavras e autora de livro did&#xE1;tico de Sociologia.</p> <strong>BRAVO!</strong> de agosto traça um paralelo entre o Chico Buarque de hoje e o compositor dos anos de chumbo. Use a reportagem para apresentar à turma a trajetória musical desse artista e falar sobre as mudanças políticas e sociais no Brasil a partir da segunda metade do século XX. 2011-08-11T14:47:14-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Agosto 2011 BRAVO! de agosto traça um paralelo entre o Chico Buarque de hoje e o compositor dos anos de chumbo. Use a reportagem para apresentar à turma a trajetória musical desse artista e falar sobre as mudanças políticas e sociais no Brasil a partir da segunda metade do século XX. Música Sala de Aula Redação Bravo BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/oswald-de-andrade-e-as-herancas-do-modernismo-no-brasil Oswald de Andrade e as heranças do Modernismo no Brasil 2011-07-20T11:08:40-03:00 André Luis Rosa e Silva <p> <strong>Objetivos</strong></p> <p> - Apresentar as principais caracter&#xED;sticas da vida e da obra de Oswald de Andrade no contexto do Modernismo.</p> <p> - Evidenciar sua import&#xE2;ncia como agitador cultural que contribuiu para a defini&#xE7;&#xE3;o de par&#xE2;metros culturais contempor&#xE2;neos.</p> <p> - Determinar se h&#xE1; e quais seriam, hoje, os nomes da cultura brasileira cuja obra possa ser comparada &#xE0; agita&#xE7;&#xE3;o de Oswald de Andrade em seu tempo.</p> <p> <strong>Conte&#xFA;dos</strong></p> <p> - Oswald de Andrade e o Modernismo.</p> <p> - Tropicalismo.</p> <p> - Literatura e m&#xFA;sica brasileira contempor&#xE2;neas.</p> <p> <strong>Tempo estimado</strong></p> <p> Duas aulas (com dura&#xE7;&#xE3;o estimada de 90 minutos, cada).</p> <p> <strong>Materiais necess&#xE1;rios</strong></p> <p> C&#xF3;pias da reportagem "De Cadillac em Paraty" (BRAVO!, ed. 167, julho 2011) e das letras das can&#xE7;&#xF5;es "Geleia Geral", "Parque Industrial", "Consci&#xEA;ncia" e "Relic&#xE1;rio" para os alunos; computador, data-show, CD's "Tropic&#xE1;lia" (v&#xE1;rios autores); "Ningu&#xE9;m" (Arnaldo Antunes); "Alegria" (Beatriz Azevedo), mp3 ou outra plataforma de &#xE1;udio compat&#xED;vel, livros e revistas.</p> <p> <strong>Introdu&#xE7;&#xE3;o</strong></p> <p> O Modernismo, assim como outros conte&#xFA;dos liter&#xE1;rios, deve ser trabalhado pela contextualiza&#xE7;&#xE3;o de sua influ&#xEA;ncia nas artes e na cultura do s&#xE9;culo 20, estabelecendo conex&#xF5;es com as diferentes manifesta&#xE7;&#xF5;es art&#xED;sticas que surgiram sob sua refer&#xEA;ncia.</p> <p> A pertin&#xEA;ncia das ideias modernistas e de sua influ&#xEA;ncia na defini&#xE7;&#xE3;o de par&#xE2;metros art&#xED;sticos e liter&#xE1;rios &#xE9; fundamental para que se compreendam diferentes aspectos da produ&#xE7;&#xE3;o art&#xED;stica contempor&#xE2;nea. Conceituar e comparar movimentos como a Antropofagia e o Tropicalismo, analisar a influ&#xEA;ncia oswaldiana na constitui&#xE7;&#xE3;o de diversas manifesta&#xE7;&#xF5;es culturais ao longo do s&#xE9;culo 20 e perceber seus desdobramentos na dilui&#xE7;&#xE3;o da cultura partir da d&#xE9;cada de 1990, s&#xE3;o formas de levar esses conceitos para a sala de aula.</p> <p> A irrever&#xEA;ncia e contesta&#xE7;&#xE3;o de Oswald de Andrade deram forma, no Brasil, ao que depois veio a ser a figura do "agitador cultural". Ao longo de sua vida, o escritor sempre trabalhou com a realiza&#xE7;&#xE3;o de eventos multifacetados, promoveu a cultura e a arte brasileiras atrav&#xE9;s de textos, manifestos, pol&#xEA;micas e provoca&#xE7;&#xF5;es que tensionaram o pr&#xF3;prio fazer art&#xED;stico nacional.</p> <p> Em certa medida, a persona de Oswald confunde-se com sua obra, que por sua vez &#xE9; fundamental para a cria&#xE7;&#xE3;o das bases do movimento modernista. O "enfant terrible" ("crian&#xE7;a terr&#xED;vel") da elite paulistana buscou, atrav&#xE9;s dos chistes e do esc&#xE2;ndalo, o rompimento est&#xE9;tico e pol&#xED;tico com os par&#xE2;metros art&#xED;sticos conservadores que marcavam a literatura e as artes no Brasil do in&#xED;cio do s&#xE9;culo 20. Essas caracter&#xED;sticas seguem influenciando diferentes nomes da cultura brasileira desde ent&#xE3;o, e de certa forma, ainda se mant&#xE9;m na obra de autores como Tom Z&#xE9;, Arnaldo Antunes, Beatriz Azevedo, entre outros - como vamos explicar nas aulas a seguir.</p> <p> <strong>Desenvolvimento</strong></p> <p> <em><strong>Contextualiza&#xE7;&#xE3;o</strong></em></p> <p> A reportagem "De Cadillac em Paraty" apresenta a figura pol&#xEA;mica, provocadora e passional do escritor paulistano Oswald de Andrade. A rep&#xF3;rter Mariana Delfini tra&#xE7;a um perfil do escritor em paralelo &#xE0; realiza&#xE7;&#xE3;o da Festa Liter&#xE1;ria de Paraty (FLIP), que em sua 9&#xAA; edi&#xE7;&#xE3;o presta homenagem ao modernista. A din&#xE2;mica da FLIP, com suas apresenta&#xE7;&#xF5;es musicais e teatrais, palestras e discuss&#xF5;es liter&#xE1;rias faz lembrar os eventos que o pr&#xF3;prio Oswald ajudou a organizar - a come&#xE7;ar pela Semana de Arte Moderna, em 1922.</p> <p> A partir da leitura da reportagem de BRAVO! vamos analisar o impacto do Modernismo na literatura e nas artes, e tamb&#xE9;m vamos explorar o desenvolvimento da est&#xE9;tica modernista, que proporcionou o surgimento, quatro d&#xE9;cadas depois, da Tropic&#xE1;lia.</p> <p> O objetivo &#xE9; que, ao final desta sequ&#xEA;ncia consigamos responder &#xE0; seguinte pergunta: "Quem s&#xE3;o os artistas que no s&#xE9;culo 21 se aproximariam do agitador cultural que Oswald de Andrade representou em seu tempo?".</p> <p> <strong>AULA 1</strong></p> <p> (dura&#xE7;&#xE3;o sugerida: 90 minutos)</p> <p> <em><strong>Oswald de Andrade e o Modernismo: um moleque maravilhoso arromba a festa da elite paulista</strong></em></p> <p> Explique aos alunos que esta aula servir&#xE1; para que entendam como Oswald de Andrade ajudou a articular o Modernismo no Brasil e como este movimento influenciou outras manifesta&#xE7;&#xF5;es na arte brasileira.</p> <p> Contextualize a obra de Oswald de Andrade e seu papel como um dos principais articuladores da Semana de Arte Moderna. Relacione o movimento modernista com as vanguardas art&#xED;sticas europeias. Lembre da import&#xE2;ncia da Semana para o rompimento com a est&#xE9;tica parnasiana e o ideal que imperava, da "arte pela arte". Fale a respeito das ideias defendidas pelos modernistas: a renova&#xE7;&#xE3;o da linguagem, a valoriza&#xE7;&#xE3;o do coloquialismo e da linguagem popular, a busca de uma express&#xE3;o nacionalista acompanhada de cr&#xED;tica social que demarcasse uma identidade art&#xED;stica independente, e o estabelecimento de uma identidade nacional pr&#xF3;pria, que tivesse como ra&#xED;zes os elementos primitivos, tropicais, coloniais e a cultura ocidental, a literatura, a civiliza&#xE7;&#xE3;o.</p> <p> Vale apontar as rela&#xE7;&#xF5;es entre literatura, pintura, m&#xFA;sica e escultura, e a op&#xE7;&#xE3;o deliberada dos artistas modernistas de, neste momento, criar suas obras a partir de influ&#xEA;ncias art&#xED;sticas m&#xFA;tuas. Cite nomes de artistas que, em conjunto com Oswald de Andrade, fizeram parte da Semana e ajudaram a estabelecer o movimento Modernista no Brasil: M&#xE1;rio de Andrade (escritor, ensa&#xED;sta, music&#xF3;logo); Tarsila do Amaral e Anita Malfatti (artistas pl&#xE1;sticas); Patr&#xED;cia Galv&#xE3;o (escritora); Victor Brecheret (escultor); Heitor Villa-Lobos (compositor e maestro), entre outros. Se considerar pertinente, mostre aos alunos trechos de obras, imagens ou fotografias dos autores citados para ilustrar a aula.</p> <p> Leia com a turma a reportagem "De Cadillac em Paraty". Fa&#xE7;a em conjunto com os alunos uma demarca&#xE7;&#xE3;o das principais caracter&#xED;sticas de Oswald de Andrade, descritas na mat&#xE9;ria e registre-as no quadro. Procure enfatizar a personalidade intensa do escritor, suas contradi&#xE7;&#xF5;es e conflitos, as rela&#xE7;&#xF5;es amorosas, os amigos no Brasil e exterior, o papel que desempenhou no estabelecimento da est&#xE9;tica modernista e da identidade cultural brasileira ao longo do s&#xE9;culo 20, e as diferentes opini&#xF5;es de intelectuais a respeito da vida e obra de Oswald.</p> <p> Selecione excertos do "Manifesto Antropof&#xE1;gico", de algumas das poesias dos livros "Pau-Brasil" e "Primeiro caderno de poesia do aluno Oswald de Andrade". Deixe que os alunos leiam silenciosamente os poemas selecionados e, em seguida, fa&#xE7;a uma compara&#xE7;&#xE3;o do poema "A Descoberta" com a "Carta ao Rei D. Manoel", escrita por Pero Vaz de Caminha. Deixe clara a inten&#xE7;&#xE3;o de Oswald de transformar o sentido original do documento em um manifesto cr&#xED;tico sobre a sociedade brasileira do s&#xE9;culo 20.</p> <p> Nos poemas do "Primeiro caderno do aluno de poesia Oswald de Andrade", procure evidenciar a utiliza&#xE7;&#xE3;o consciente do sarcasmo e da ironia como uma forma de rompimento com o provincianismo conservador que vigorava na sociedade brasileira da &#xE9;poca. Promova um breve debate a respeito desses temas e pe&#xE7;a aos alunos que anotem suas principais conclus&#xF5;es.</p> <p> Depois, apresente refer&#xEA;ncias iconogr&#xE1;ficas sobre o Modernismo, como, por exemplo, imagens das cenas de antropofagia encontradas no relato de Hans Staden, utilizadas por Oswald para ilustrar a Revista da Antropofagia; ou o quadro "Abaporu" (1928) de Tarsila do Amaral, esposa de Oswald, que foi a principal motiva&#xE7;&#xE3;o est&#xE9;tica para o Manifesto Antropof&#xE1;gico.</p> <p> Para introduzir o que ser&#xE1; trabalhado com mais profundidade na aula seguinte, mostre aos alunos o disco "Tropic&#xE1;lia", de v&#xE1;rios autores, lan&#xE7;ado como manifesto est&#xE9;tico em 1968 e deliberadamente inspirado nas ideias de Oswald de Andrade. Contextualize seu lan&#xE7;amento como uma tentativa de renovar a est&#xE9;tica modernista (marcada pela valoriza&#xE7;&#xE3;o da cultura popular, do colorido tropical, do abstracionismo nas artes pl&#xE1;sticas, da forma livre na poesia, da identifica&#xE7;&#xE3;o com elementos tropicais, ind&#xED;genas, africanos). Atrav&#xE9;s da releitura da Antropofagia modernista feita sob o vi&#xE9;s da cultura pop, o Tropicalismo repetiu, em certa dose, o esc&#xE2;ndalo modernista: assim como seus antecessores da d&#xE9;cada de 1920, os tropicalistas propunham a valoriza&#xE7;&#xE3;o da arte e da cultura nacionais sem considerar nocivas as influ&#xEA;ncias estrangeiras, especialmente as inova&#xE7;&#xF5;es musicais surgidas no bojo da ind&#xFA;stria cultural nos anos 1960, identificadas pelo rock e suas guitarras, o psicodelismo, o cinema de vanguarda e a arte pop.</p> <p> Demonstre que, assim como na d&#xE9;cada de 1920, a rea&#xE7;&#xE3;o conservadora foi contundente - havia um debate s&#xE9;rio sobre o uso da guitarra el&#xE9;trica na m&#xFA;sica. Houve at&#xE9; uma passeata contra a presen&#xE7;a do instrumento na m&#xFA;sica brasileira, e v&#xE1;rios artistas eram vaiados pela plateia quando se apresentavam com instrumentos el&#xE9;tricos. No contexto pol&#xED;tico, a rea&#xE7;&#xE3;o foi ainda mais contundente: o Regime Militar prendeu, censurou e exilou v&#xE1;rios artistas do per&#xED;odo, dando um fim abrupto ao movimento.</p> <p> Para finalizar, execute a m&#xFA;sica "Geleia geral", de Gilberto Gil e Torquato Neto (de "Tropic&#xE1;lia", de 1968). Procure estabelecer com a turma poss&#xED;veis rela&#xE7;&#xF5;es entre a letra e as ideias de Oswald de Andrade.</p> <p> Como li&#xE7;&#xE3;o de casa, divida os alunos em grupos e pe&#xE7;a que pesquisem o Tropicalismo e seus principais mentores. Oriente-os para que comparem frases do Manifesto Antropof&#xE1;gico (como, por exemplo: "S&#xF3; me interessa o que n&#xE3;o &#xE9; meu"; "Pregui&#xE7;osos no mapa-m&#xFA;ndi do Brasil"; "Nunca fomos catequizados. Fizemos foi Carnaval. O &#xED;ndio vestido de Senador do Imp&#xE9;rio. Ou figurando nas &#xF3;peras de Alencar cheio de bons sentimentos portugueses") com a fragmenta&#xE7;&#xE3;o e aproxima&#xE7;&#xE3;o de elementos distintos, conforme os versos da can&#xE7;&#xE3;o Geleia Geral (por exemplo: Doce mulata malvada,/um LP de Sinatra,/maracuj&#xE1;, m&#xEA;s de abril/ Santo barroco baiano,/superpoder de paisano,/ formiplac e c&#xE9;u de anil/ Tr&#xEA;s destaques da Portela,/ carne-seca na janela,/ algu&#xE9;m que chora por mim/ Um carnaval de verdade,/ hospitaleira amizade,/ brutalidade jardim, ou ainda o refr&#xE3;o da m&#xFA;sica que aproxima o rock i&#xEA;-i&#xEA;-i&#xEA; com o bumba-meu-boi).</p> <p> Lembre os alunos que, mesmo sendo um movimento marcado pela m&#xFA;sica, houve manifesta&#xE7;&#xF5;es na arte (principalmente com obras de Lygia Clark e H&#xE9;lio Oiticica), na poesia (com Torquato Neto) e na prosa (com Jos&#xE9; Agrippino de Paula e a obra "PanAm&#xE9;rica", de 1967).</p> <p> <strong>TEXTO DE APOIO:</strong></p> <p> <strong>1.Letra da can&#xE7;&#xE3;o GELEIA GERAL</strong></p> <p> Um poeta desfolha a bandeira</p> <p> e a manh&#xE3; tropical se inicia</p> <p> Resplandente, cadente, fagueira</p> <p> num calor girassol com alegria</p> <p> Na geleia geral brasileira</p> <p> que o Jornal do Brasil anuncia</p> <p> &#xCA;, bumba-y&#xEA;-y&#xEA;-boi</p> <p> ano que vem, m&#xEA;s que foi</p> <p> &#xCA;, bumba-y&#xEA;-y&#xEA;-y&#xEA;</p> <p> &#xE9; a mesma dan&#xE7;a, meu boi</p> <p> "A alegria &#xE9; a prova dos nove"</p> <p> e a tristeza &#xE9; teu porto seguro</p> <p> Minha terra &#xE9; onde o sol &#xE9; mais limpo</p> <p> e Mangueira &#xE9; onde o samba &#xE9; mais puro</p> <p> Tumbadora na selva-selvagem,</p> <p> Pindorama, pa&#xED;s do futuro</p> <p> &#xCA;, bumba-y&#xEA;-y&#xEA;-boi</p> <p> ano que vem, m&#xEA;s que foi</p> <p> &#xCA;, bumba-y&#xEA;-y&#xEA;-y&#xEA;</p> <p> &#xE9; a mesma dan&#xE7;a, meu boi</p> <p> &#xC9; a mesma dan&#xE7;a na sala,</p> <p> no Canec&#xE3;o, na TV</p> <p> E quem n&#xE3;o dan&#xE7;a n&#xE3;o fala,</p> <p> assiste a tudo e se cala</p> <p> N&#xE3;o v&#xEA; no meio da sala</p> <p> as rel&#xED;quias do Brasil:</p> <p> Doce mulata malvada,</p> <p> um LP de Sinatra,</p> <p> maracuj&#xE1;, m&#xEA;s de abril</p> <p> Santo barroco baiano,</p> <p> superpoder de paisano,</p> <p> formiplac e c&#xE9;u de anil</p> <p> Tr&#xEA;s destaques da Portela,</p> <p> carne-seca na janela,</p> <p> algu&#xE9;m que chora por mim</p> <p> Um carnaval de verdade,</p> <p> hospitaleira amizade,</p> <p> brutalidade jardim</p> <p> &#xCA;, bumba-y&#xEA;-y&#xEA;-boi</p> <p> ano que vem, m&#xEA;s que foi</p> <p> &#xCA;, bumba-y&#xEA;-y&#xEA;-y&#xEA;</p> <p> &#xE9; a mesma dan&#xE7;a, meu boi</p> <p> Plurialva, contente e brejeira</p> <p> miss linda Brasil diz "bom dia"</p> <p> E outra mo&#xE7;a tamb&#xE9;m, Carolina,</p> <p> da janela examina a folia</p> <p> Salve o lindo pend&#xE3;o dos seus olhos</p> <p> e a sa&#xFA;de que o olhar irradia</p> <p> &#xCA;, bumba-y&#xEA;-y&#xEA;-boi</p> <p> ano que vem, m&#xEA;s que foi</p> <p> &#xCA;, bumba-y&#xEA;-y&#xEA;-y&#xEA;</p> <p> &#xE9; a mesma dan&#xE7;a, meu boi</p> <p> Um poeta desfolha a bandeira</p> <p> e eu me sinto melhor colorido</p> <p> Pego um jato, viajo, arrebento</p> <p> com o roteiro do sexto sentido</p> <p> Voz do morro, pil&#xE3;o de concreto</p> <p> tropic&#xE1;lia, bananas ao vento</p> <p> (Torquato Neto e Gilberto Gil).</p> <p> <strong>AULA 2</strong></p> <p> (dura&#xE7;&#xE3;o sugerida: 90 minutos)</p> <p> <em><strong>Os herdeiros de Oswald de Andrade: vozes dissonantes na cultura brasileira</strong></em></p> <p> Retome rapidamente o que foi discutido na aula anterior e, em seguida, execute a can&#xE7;&#xE3;o Parque industrial, de Tom Z&#xE9;, que tamb&#xE9;m est&#xE1; no disco "Tropic&#xE1;lia".</p> <p> Entregue c&#xF3;pias da letra da m&#xFA;sica para os alunos e apresente o cantor baiano como um dos poss&#xED;veis herdeiros de Oswald de Andrade, por conta de sua postura cr&#xED;tica, multifacetada no palco, al&#xE9;m da fus&#xE3;o de elementos da m&#xFA;sica brasileira com a sonoridade eletr&#xF4;nica.</p> <p> Execute a m&#xFA;sica "Relic&#xE1;rio", poesia de Oswald de Andrade musicada por Beatriz Azevedo no &#xE1;lbum "Alegria" (2008). D&#xEA; &#xEA;nfase &#xE0; ironia presente na letra da can&#xE7;&#xE3;o e exponha o aparente paradoxo, presente no poema, a partir da ideia de funda&#xE7;&#xE3;o de uma identidade nacional atrav&#xE9;s de elementos eruditos, formais e europeus com a cultura popular. Em tempo: o poema fala que em um baile da Corte em que o Conde D'Eu, franc&#xEA;s e marido de Princesa Isabel, tem uma atitude condescendente para com o "parati" (cacha&#xE7;a), a farinha de suru&#xED; e o fumo - marcas da cultura popular.</p> <p> &#xC9; importante frisar que a grande influ&#xEA;ncia dos conceitos da Antropofagia na arte brasileira passava justamente pela ideia de uma degluti&#xE7;&#xE3;o de elementos ex&#xF3;ticos e exteriores e sua posterior transforma&#xE7;&#xE3;o em algo novo. Esses conceitos podem ser trabalhados de modo que fique claro aos alunos a origem dupla da cultura brasileira: de um lado tropical, primitiva, selvagem e antropof&#xE1;gica; de outro, europeia, cl&#xE1;ssica, formal, "civilizada". A cultura brasileira seria o caldo resultante da fus&#xE3;o desses conceitos, cujos desdobramentos ainda teriam eco na arte contempor&#xE2;nea.</p> <p> Em seguida, apresente aos alunos a can&#xE7;&#xE3;o "Consci&#xEA;ncia", de Arnaldo Antunes, conte que o autor &#xE9; um artista multim&#xED;dia e questione os alunos se sua obra pode ser analisada como herdeira da contesta&#xE7;&#xE3;o e agita&#xE7;&#xE3;o de Oswald de Andrade.</p> <p> Depois de ouvir a opini&#xE3;o da turma, conte que Antunes &#xE9; poeta, cantor, compositor e artista gr&#xE1;fico paulistano. Ele prop&#xF5;e, em sua obra, um di&#xE1;logo entra literatura, a m&#xFA;sica pop e a performance art&#xED;stica. A letra de "Consci&#xEA;ncia" pode ser relacionada com a busca da formula&#xE7;&#xE3;o da identidade nacional, t&#xE3;o cara a Oswald de Andrade e os Modernistas: para tomar consci&#xEA;ncia de si, o eu-l&#xED;rico constr&#xF3;i uma persona atrav&#xE9;s de uma met&#xE1;fora que faz uso da aglutina&#xE7;&#xE3;o fisiol&#xF3;gica: olhos, carne, m&#xFA;sculos, osso, barriga, cabelo, tripas, l&#xED;ngua, boca, cara etc. Essa constru&#xE7;&#xE3;o pode ser analisada como uma "antropofagia &#xE0;s avessas". N&#xE3;o &#xE9; &#xE0; toa, tamb&#xE9;m, a cita&#xE7;&#xE3;o da Carta de Caminha - que faz refer&#xEA;ncia tanto aos poemas de Oswald de Andrade j&#xE1; analisados na aula anterior.</p> <p> Tamb&#xE9;m &#xE9; interessante que voc&#xEA; traga para esta aula outros nomes da arte brasileira que podem ser considerados herdeiros da tradi&#xE7;&#xE3;o modernista: Beatriz Azevedo, escritora, diretora de teatro, cantora e compositora; Jos&#xE9; Miguel Wisnik, ensa&#xED;sta, cr&#xED;tico liter&#xE1;rio, compositor e produtor musical; Jos&#xE9; Celso Martinez Correa e o Teatro Oficina; Arnaldo Antunes, cantor, compositor e poeta; al&#xE9;m do pr&#xF3;prio Tom Z&#xE9;, s&#xE3;o alguns nomes que podem ter sua obra relacionada com o modernismo e fundamentalmente com os conceitos difundidos por Oswald de Andrade - em especial, a ideia de agita&#xE7;&#xE3;o cultural.</p> <p> <strong>TEXTOS DE APOIO:</strong></p> <p> <strong>1. Poema RELIC&#xC1;RIO</strong></p> <p> No baile da Corte</p> <p> Foi o Conde d'Eu quem disse</p> <p> Pra Dona Benvinda</p> <p> Que farinha de Suru&#xED;</p> <p> Pinga de Parati</p> <p> Fumo de Baependi</p> <p> &#xC9; com&#xEA; beb&#xEA; pit&#xE1; e ca&#xED;</p> <p> (Oswald de Andrade, musicado por Beatriz Azevedo)</p> <p> <strong>2. Letra da can&#xE7;&#xE3;o PARQUE INDUSTRIAL</strong></p> <p> Retocai o c&#xE9;u de anil</p> <p> Bandeirolas no cord&#xE3;o</p> <p> Grande festa em toda a na&#xE7;&#xE3;o.</p> <p> Despertai com ora&#xE7;&#xF5;es</p> <p> O avan&#xE7;o industrial</p> <p> Vem trazer nossa reden&#xE7;&#xE3;o.</p> <p> Tem garota-propaganda</p> <p> Aeromo&#xE7;a e ternura no cartaz,</p> <p> Basta olhar na parede,</p> <p> Minha alegria</p> <p> Num instante se refaz</p> <p> Pois temos o sorriso engarrafado</p> <p> J&#xE1; vem pronto e tabelado</p> <p> &#xC9; somente requentar</p> <p> E usar,</p> <p> &#xC9; somente requentar</p> <p> E usar,</p> <p> Porque &#xE9; made, made, made</p> <p> Made in Brazil.</p> <p> A revista moralista</p> <p> Traz uma lista dos pecados da vedete</p> <p> E tem jornal popular que</p> <p> Nunca se espreme</p> <p> Porque pode derramar.</p> <p> &#xC9; um banco de sangue encadernado</p> <p> J&#xE1; vem pronto e tabelado,</p> <p> &#xC9; somente folhear e usar,</p> <p> &#xC9; somente folhear e usar.</p> <p> (Tom Z&#xE9;)</p> <p> <strong>3. Letra da can&#xE7;&#xE3;o CONSCI&#xCA;NCIA</strong></p> <p> Tire a m&#xE3;o da consci&#xEA;ncia e meta</p> <p> No caba&#xE7;o da cabe&#xE7;a</p> <p> Tire a m&#xE3;o da consci&#xEA;ncia e ponha</p> <p> No buraco da vergonha</p> <p> Tire a m&#xE3;o e ponha o corpo todo no corpo da consci&#xEA;ncia</p> <p> Ponha ouvido orelha l&#xED;ngua boca na cara da consci&#xEA;ncia</p> <p> E umbigo na barriga dela</p> <p> Ponha olhos no col&#xED;rio dela</p> <p> Ponha tripas na barriga dela</p> <p> Ponha olhos nos &#xF3;culos dela</p> <p> O cabelo o pelo a pele a perna o bra&#xE7;o a carne o sangue pensa</p> <p> A madeira o nervo a unha a terra a &#xE1;gua o leite o peito pensa</p> <p> O pl&#xE1;stico o fogo o est&#xF4;mago o a&#xE7;o o osso o cora&#xE7;&#xE3;o o cigarro o chiclete</p> <p> o pano o papel a coluna a v&#xE9;rtebra o m&#xFA;sculo o vidro o f&#xED;gado o c&#xE1;gado</p> <p> a pedra pensa</p> <p> Tire a m&#xE3;o da consci&#xEA;ncia e meta a m&#xE3;o na consist&#xEA;ncia</p> <p> Tire a m&#xE3;o da consci&#xEA;ncia e meta</p> <p> No caba&#xE7;o da cabe&#xE7;a</p> <p> Tire a m&#xE3;o da consci&#xEA;ncia e ponha</p> <p> Na cabe&#xE7;a da vergonha</p> <p> Tire a m&#xE3;o da consci&#xEA;ncia e meta no caba&#xE7;o da cabe&#xE7;a</p> <p> Ponha oxig&#xEA;nio e g&#xE1;s carb&#xF4;nico no ar da consci&#xEA;ncia</p> <p> E comida na barriga dela</p> <p> Ponha olhos nas l&#xE1;grimas dela</p> <p> E ossos por dentro da carne, carne por dentro da pele dela.</p> <p> Tire a m&#xE3;o da consci&#xEA;ncia e meta a m&#xE3;o na consist&#xEA;ncia</p> <p> Tire a m&#xE3;o da consci&#xEA;ncia e meta no caba&#xE7;o da cabe&#xE7;a</p> <p> Ponha oxig&#xEA;nio e g&#xE1;s carb&#xF4;nico no ar da consci&#xEA;ncia</p> <p> Ponha ouvido orelha l&#xED;ngua boca na cara da consci&#xEA;ncia</p> <p> Tire a m&#xE3;o da consci&#xEA;ncia e meta a m&#xE3;o na consist&#xEA;ncia</p> <p> a m&#xE3;o na consist&#xEA;ncia</p> <p> a m&#xE3;o na consist&#xEA;ncia</p> <p> "A fei&#xE7;&#xE3;o deles &#xE9; serem pardos, maneira de avermelhados. De Bons rostos e bons narizes, bem feitos. Andam nus, sem nenhuma cobertura, nem estimam nenhuma cousa a cobrir nem mostrar suas vergonhas. E est&#xE3;o acerca disso com tanta inoc&#xEA;ncia como tem em mostrar o rosto". Carta a El-Rei Dom Manuel, de Pero Vaz de Caminha.</p> <p> (Arnaldo Antunes e Edgard Scandurra)</p> <p> <strong>Sugest&#xE3;o de trabalho:</strong></p> <p> Com base nos aprendizados das aulas, sugira aos alunos a realiza&#xE7;&#xE3;o de um trabalho avaliativo que fa&#xE7;a compara&#xE7;&#xF5;es entre:</p> <p> a) a est&#xE9;tica Antropof&#xE1;gica/ Modernista, b) a est&#xE9;tica do Tropicalismo e c) a apropria&#xE7;&#xE3;o de conceitos Modernistas por artistas contempor&#xE2;neos (como Arnaldo Antunes e Beatriz Azevedo).</p> <p> &#xC9; importante que os alunos identifiquem os temas tipicamente nacionais explorados pelos modernistas, como a valoriza&#xE7;&#xE3;o do elemento "selvagem", do primitivismo, da linguagem popular, sua apropria&#xE7;&#xE3;o de valores estrangeiros, e sua poss&#xED;vel rela&#xE7;&#xE3;o com a produ&#xE7;&#xE3;o contempor&#xE2;nea.</p> <p> <strong>AVALIA&#xC7;&#xC3;O</strong></p> <p> Observe se os alunos compreenderam as principais ideias trabalhadas nas aulas: 1. as principais caracter&#xED;sticas do Modernismo; 2. a import&#xE2;ncia da Semana de Arte Moderna como evento que difundiu e concretizou o Modernismo na literatura e nas artes brasileiras; 3. o Tropicalismo como um movimento art&#xED;stico-liter&#xE1;rio-musical inspirado no Modernismo, que buscava avan&#xE7;ar os conceitos da Antropofagia; e 4. Oswald de Andrade como "agitador cultural" brasileiro e seus poss&#xED;veis herdeiros na literatura e na arte brasileira contempor&#xE2;nea. Leve em conta, tamb&#xE9;m, a pesquisa realizada pelos alunos e o trabalho sugerido no final da segunda aula, que traz uma s&#xED;ntese dos aprendizados propostos.</p> <p> <strong>Consultoria Andr&#xE9; Luis Rosa e Silva</strong></p> <p> Professor de Literatura e Mestre em Educa&#xE7;&#xE3;o.</p> <p> &#xA0;</p> <strong>Sala de Aula&nbsp;</strong>- Apresentar as principais características da vida e da obra de Oswald de Andrade no contexto do Modernismo.- Evidenciar sua importância como agitador cultural que contribuiu para a definição de parâmetros culturais contemporâneos. 2011-07-13T14:45:26-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Julho 2011 Sala de Aula - Apresentar as principais características da vida e da obra de Oswald de Andrade no contexto do Modernismo.- Evidenciar sua importância como agitador cultural que contribuiu para a definição de parâmetros culturais contemporâneos. Sala de Aula Redação Bravo BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/arte-andamento-releituras-influencias-citacoes-criacao-artistica-2 Arte em andamento: releituras, influências e citações na criação artística. 2011-07-20T10:36:16-03:00 Carlos Arouca <p> <strong>Objetivos</strong></p> <p> Entrar em contato com o processo de cria&#xE7;&#xE3;o de um artista;</p> <p> Reconhecer influ&#xEA;ncias est&#xE9;ticas;</p> <p> Criar produ&#xE7;&#xF5;es art&#xED;sticas com base em grandes obras;</p> <p> Valorizar a pesquisa e os estudos gr&#xE1;ficos na cria&#xE7;&#xE3;o art&#xED;stica.</p> <p> <strong>Conte&#xFA;dos</strong></p> <p> Desenho e pintura;</p> <p> Leitura de imagens;</p> <p> Obras de Candido Portinari e Pablo Picasso.</p> <p> <strong>Tempo estimado</strong></p> <p> Cinco aulas.</p> <p> <strong>Material necess&#xE1;rio:</strong></p> <p> Computador com datashow (ou c&#xF3;pias coloridas das imagens sugeridas neste plano de aula); l&#xE1;pis grafite; caderno para anota&#xE7;&#xF5;es; papel craft; l&#xE1;pis coloridos; rolinho para pintura; giz de cera, tinta guache branca; tintas coloridas guache ou tinta acr&#xED;lica.</p> <p> <strong>Desenvolvimento</strong></p> <p> <strong>1&#xAA; aula: "Guerra e Paz" de Portinari</strong></p> <p> Inicie a aula apresentando aos alunos o tema que ser&#xE1; estudado: as representa&#xE7;&#xF5;es de situa&#xE7;&#xF5;es de guerra e de paz produzidas por alguns artistas e a influ&#xEA;ncia deles sobre o trabalho de outras pessoas.</p> <p> Pergunte aos alunos que elementos (figuras, cores, locais etc.) eles utilizariam se tivessem que criar uma pintura sobre guerra. Anote no quadro os elementos citados.</p> <p> Conte &#xE0; classe que, em diferentes &#xE9;pocas, artistas retrataram os horrores de in&#xFA;meras guerras por meio de diversas formas de express&#xE3;o. Apresente aos estudantes os pain&#xE9;is de Candido Portinari intitulados "Guerra e Paz", dispon&#xED;veis no site <a href="http://www.guerraepaz.org.br/" rel="migration">http://www.guerraepaz.org.br</a>. Se poss&#xED;vel, projete as obras na sala, caso contr&#xE1;rio, utilize c&#xF3;pias impressas.</p> <p> Comece explorando com a turma o painel Guerra e proponha que procurem nele os elementos citados anteriormente. Em seguida, aproveite a ferramenta de zoom dispon&#xED;vel no site para aproximar a obra e observar os detalhes da pintura. Reserve cerca de dez minutos para que os alunos socializem as impress&#xF5;es que tiveram a respeito da pintura.</p> <p> Ainda no site, clique na palavra "Paz", acesse o segundo painel e repita a sequ&#xEA;ncia de observa&#xE7;&#xE3;o acima.</p> <p> Deixe a imagem do painel "Guerra" projetada na parede e proponha que cada aluno fa&#xE7;a um desenho inspirado em um detalhe da obra que achou mais interessante. Reserve os &#xFA;ltimos minutos da aula para a realiza&#xE7;&#xE3;o da atividade e, caso seja necess&#xE1;rio, pe&#xE7;a que finalizem em casa e tragam o resultado na aula seguinte.</p> <p> <strong>2&#xAA; aula: apresenta&#xE7;&#xE3;o de trabalhos e discuss&#xE3;o sobre influ&#xEA;ncias na Arte</strong></p> <p> Inicie a aula organizando uma breve exposi&#xE7;&#xE3;o dos trabalhos a turma. Aproveite para comentar o processo de cria&#xE7;&#xE3;o dos trabalhos. Convide os alunos a falar sobre suas obras, explicando como selecionaram os detalhes do painel de Portinari que usaram como inspira&#xE7;&#xE3;o.</p> <p> Conte &#xE0; classe que, assim como eles se inspiraram na obra do artista paulista para criar seus trabalhos, tamb&#xE9;m Portinari tinha suas refer&#xEA;ncias preferidas e obras que o influenciavam.</p> <p> Pergunte se algu&#xE9;m j&#xE1; ouviu falar em Pablo Picasso ou em um trabalho seu chamado "Guernica". Apresente para a classe uma imagem da obra (<a href="http://www.museoreinasofia.es/prensa/area-prensa/coleccion/5picassoguernica.jpg" rel="migration">http://www.museoreinasofia.es/prensa/area-prensa/coleccion/5picassoguernica.jpg</a>) e estimule os estudantes a falar sobre suas primeiras impress&#xF5;es a respeito dela. Conte aos alunos que o painel foi pintado por Picasso em 1937 para ser exposto no pavilh&#xE3;o da Rep&#xFA;blica Espanhola, na Exposi&#xE7;&#xE3;o Internacional de Paris. A obra retrata o bombardeio alem&#xE3;o &#xE0; cidade de Guernica, apoiado pelo ditador espanhol Francisco Franco.</p> <p> Em seguida, questione se eles reconhecem algum tipo de semelhan&#xE7;a entre "Guerra e Paz" de Portinari e "Guernica" de Pablo Picasso. D&#xEA; um tempo para que a turma apresente suas opini&#xF5;es.</p> <p> Conte &#xE0; classe que o tema n&#xE3;o &#xE9; o &#xFA;nico fator comum &#xE0;s duas obras. Al&#xE9;m dele, ambas possuem tamanhos muito grandes ("Guerra e Paz" &#xE9; constitu&#xED;da de dois pain&#xE9;is de 14x10 m e "Guernica" possui 3,5 x 7,8m) e, para serem criadas, foram necess&#xE1;rios in&#xFA;meros estudos.</p> <p> Para finalizar, proponha &#xE0; classe a cria&#xE7;&#xE3;o de grandes murais coletivos para serem expostos no espa&#xE7;o da escola. Encerre a aula organizando os grupos e propondo que cada um escolha um tema para o mural que vai ser iniciado na aula seguinte.</p> <p> <strong>3&#xAA; aula: cria&#xE7;&#xE3;o de estudos antes de uma obra final</strong></p> <p> Organize a classe nos grupos definidos anteriormente. Apresente aos alunos alguns estudos feitos por Candido Portinari para seus pain&#xE9;is da obra "Guerra e Paz", dispon&#xED;veis em <a href="/materia/guerra-paz-portinari" rel="migration">http://bravonline.abril.com.br/conteudo/artesplasticas/guerra-paz-portinari-616379.shtml</a>. Discuta-os com a turma.</p> <p> Em seguida, entregue aos alunos folhas tipo sulfite e pe&#xE7;a que cada grupo fa&#xE7;a alguns estudos relativos a seu painel. Sugira que re&#xFA;nam algumas folhas para criar um esbo&#xE7;o geral do painel e separem outras para estudos sobre os detalhes que ser&#xE3;o desenhados.</p> <p> Deixe que utilizem o restante da aula para a elabora&#xE7;&#xE3;o dos estudos. Acompanhe o processo de cria&#xE7;&#xE3;o, estimulando todos os alunos a participar - seja desenhando, escolhendo cores ou sugerindo temas.</p> <p> <strong>4&#xAA; aula: transposi&#xE7;&#xE3;o dos estudos para o painel</strong></p> <p> Entregue a cada grupo uma tira de papel craft, ou similar, de aproximadamente 2 x 4 metros. Com o rolinho e a tinta branca, pe&#xE7;a que cada grupo d&#xEA; uma m&#xE3;o de tinta no papel para preparar a superf&#xED;cie que vai receber as imagens.</p> <p> Quando a tinta secar, oriente os grupos para desenharem de maneira suave com l&#xE1;pis grafite as imagens em seus tamanhos e lugares finais. Proponha, ent&#xE3;o, que iniciem a pintura sobre o desenho - os alunos devem pintar primeiramente as cores de fundo e, s&#xF3; depois, os detalhes.</p> <p> <strong>5&#xAA; aula: exposi&#xE7;&#xE3;o dos murais e socializa&#xE7;&#xE3;o de impress&#xF5;es finais</strong></p> <p> Depois de terminados os pain&#xE9;is, organize com a turma a exposi&#xE7;&#xE3;o deles. O local escolhido pode ser a sala de aula, ou algum espa&#xE7;o coberto dispon&#xED;vel na escola - como o p&#xE1;tio interno ou o corredor.</p> <p> Na hora de preparar a exposi&#xE7;&#xE3;o, pe&#xE7;a que os estudantes prestem aten&#xE7;&#xE3;o no acabamento. Fitas dupla face ou "bolinhas de fita crepe" coladas na parte de tr&#xE1;s da pintura costumam ser boas estrat&#xE9;gias para fixar as obras sem estrag&#xE1;-las.</p> <p> Com as obras expostas, d&#xEA; um tempo para que os alunos observem os trabalhos dos outros grupos. Em seguida, re&#xFA;na-os para que comentem os processos de cria&#xE7;&#xE3;o e discutam os resultados alcan&#xE7;ados.</p> <p> <strong>Avalia&#xE7;&#xE3;o</strong></p> <p> Procure tomar notas sobre a participa&#xE7;&#xE3;o de cada aluno durante o processo de cria&#xE7;&#xE3;o dos pain&#xE9;is. Uma breve autoavalia&#xE7;&#xE3;o final pode ser uma ferramenta &#xFA;til para facilitar a avalia&#xE7;&#xE3;o individual. Procure tirar fotos dos trabalhos finalizados para que sejam usados como refer&#xEA;ncias no pr&#xF3;ximo ano.</p> <p> Consultoria <strong>Carlos Arouca</strong>, professor de Arte da Escola da Vila e da Escola Vera Cruz, em S&#xE3;o Paulo.</p> As obras de Cândido Portinari e Pablo Picasso são tema de reportagem da BRAVO! de janeiro de 2011. Aproveite o texto, as imagens de referência disponíveis neste site e o plano de aula abaixo para discutir com a turma o processo de criação artística. 2011-06-02T14:24:09-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Janeiro 2011 As obras de Cândido Portinari e Pablo Picasso são tema de reportagem da BRAVO! de janeiro de 2011. Aproveite o texto, as imagens de referência disponíveis neste site e o plano de aula abaixo para discutir com a turma o processo de criação artística. Sala de Aula Redação Bravo BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/sob-a-batuta-do-maestro-apresentamos-o-time-os-dribles-e-os-melhores-atacantes-da-orquestra-sinfonica Sob a batuta do maestro, apresentamos o time, os dribles e os melhores atacantes da orquestra sinfônica 2011-07-14T10:04:42-03:00 <p> Objetivos</p> <p> Apresentar a orquestra sinf&#xF4;nica por meio de uma analogia com um time de futebol, discutir a divis&#xE3;o dos instrumentos musicais em fam&#xED;lias e construir dispositivos sonoros para exemplificar esta divis&#xE3;o.</p> <p> Conte&#xFA;dos</p> <p> A orquestra sinf&#xF4;nica; o papel do maestro; a divis&#xE3;o dos instrumentos em fam&#xED;lias.</p> <p> Tempo estimado</p> <p> Duas aulas</p> <p> Materiais necess&#xE1;rios</p> <p> Canudos, potes pl&#xE1;sticos, grampos de roupa, sacos pl&#xE1;sticos (de lixo dom&#xE9;stico), el&#xE1;sticos, cord&#xF5;es (barbantes), palitos de churrasco, fita adesiva, tesoura e computador com acesso &#xE0; internet.</p> <p> Introdu&#xE7;&#xE3;o</p> <p> Tema recorrente em projetos de Educa&#xE7;&#xE3;o Musical, tanto no ensino regular como em cursos de forma&#xE7;&#xE3;o de plateia, o trabalho com a orquestra sinf&#xF4;nica costuma desmistificar a vis&#xE3;o de que ela seja algo "dif&#xED;cil", "sofisticado" ou mesmo "fora do cotidiano". De fato, a orquestra sinf&#xF4;nica est&#xE1; muito ligada &#xE0; cultura da m&#xFA;sica dita erudita, mas suas possibilidades sonoras s&#xE3;o fascinantes e, ao nos afastarmos do preconceito em rela&#xE7;&#xE3;o a ela, igualmente fascinantes s&#xE3;o as possibilidades de trabalho pedag&#xF3;gico.</p> <p> Com este plano de ensino, dividido em duas aulas, vamos apresentar elementos para uma maior aproxima&#xE7;&#xE3;o entre os alunos e o universo da orquestra, destacando os grupos instrumentais que ali se juntam para formar uma grande massa sonora. Para isso, sugerimos a constru&#xE7;&#xE3;o de dispositivos sonoros de f&#xE1;cil execu&#xE7;&#xE3;o em sala de aula para estimular a discuss&#xE3;o sobre as caracter&#xED;sticas dos instrumentos tradicionais da orquestra.</p> <p> Desenvolvimento</p> <p> Contextualiza&#xE7;&#xE3;o</p> <p> Na reportagem "Fla-Flu da Batuta", publicada na BRAVO! de junho, o jornalista Arthur Dapieve faz a compara&#xE7;&#xE3;o entre uma orquestra sinf&#xF4;nica e o futebol, comentando sobre dois "t&#xE9;cnicos" que t&#xEA;m dado o que falar com as apresenta&#xE7;&#xF5;es de seus times por a&#xED;: Marin Alsop, nova regente titular da Orquestra Sinf&#xF4;nica do Estado de S&#xE3;o Paulo (Osesp), e Gustavo Dudamel, regente da Orquestra Sinf&#xF3;nica Juvenil Sim&#xF3;n Bol&#xED;var, da Venezuela.</p> <p> Ainda que haja uma esp&#xE9;cie de rivalidade entre as duas equipes ao disputarem o t&#xED;tulo de melhor orquestra da Am&#xE9;rica Latina, o que nos importa &#xE9; apenas uma coisa: que est&#xE1; se fazendo m&#xFA;sica de qualidade com dois excelentes times.</p> <p> Com base nos destaques da reportagem, vamos procurar entender como funciona uma orquestra sinf&#xF4;nica, qual o papel do maestro para organizar toda a imensid&#xE3;o de sons que dali se origina e quais as diferentes qualidades entre os instrumentos que a formam. Com isso, os alunos conhecer&#xE3;o uma divertida e complexa forma de trabalhar a m&#xFA;sica em sala de aula - e fora dela, na sala de concerto.</p> <p> 1&#xAA; AULA</p> <p> Atividade 1 - A orquestra, grande time de personalidades</p> <p> Leve para a sala de aula a reportagem da revista BRAVO!, procurando discutir com os alunos dois aspectos importantes:</p> <p> 1. Quais s&#xE3;o as frases em que o autor do texto descreve caracter&#xED;sticas que diferenciam ou aproximam as duas orquestras;</p> <p> 2. De que forma &#xE9; poss&#xED;vel comparar o trabalho de uma orquestra com seu maestro ao de um time de futebol com seu t&#xE9;cnico.</p> <p> Ap&#xF3;s a an&#xE1;lise, procure listar outras caracter&#xED;sticas de um time de futebol que os alunos poderiam comparar &#xE0;s de uma orquestra. Abaixo, h&#xE1; um pequeno texto que serve como modelo:</p> <p> Uma orquestra nada mais &#xE9; que a reuni&#xE3;o de um conjunto de instrumentos musicais muito diferentes, mas agrupados em "fam&#xED;lias", tocando ora juntos (tutti) ora com destaques (solistas) acompanhados. As possibilidades sonoras, dessa forma, s&#xE3;o muito grandes.</p> <p> Justamente por isso, uma orquestra precisa de algo muito importante: disciplina. O mais interessante &#xE9; que a disciplina tamb&#xE9;m &#xE9; algo fundamental naquilo com que a orquestra trabalha: a m&#xFA;sica. Afinal, o que &#xE9; m&#xFA;sica sen&#xE3;o uma organiza&#xE7;&#xE3;o de sons?</p> <p> H&#xE1;, sim, momentos em que todos tocam juntos, mas sempre com algum tipo de organiza&#xE7;&#xE3;o para que o som final n&#xE3;o seja uma bagun&#xE7;a. Mas, no geral, a disciplina aparece de outra forma: quando um instrumento toca um motivo importante, como se falasse uma frase, os outros esperam o seu momento de "comentar" ou "responder" a essa frase. H&#xE1; uma organiza&#xE7;&#xE3;o muito grande: cada um tem seu papel, e deve tocar no momento em que &#xE9; requisitado pelo compositor da obra.</p> <p> Cada instrumento tem qualidades diferentes - basta pensar na diferen&#xE7;a do som produzido por um violino e aquele emitido por um trompete ou por um piano. Por isso, cada instrumento ou grupo de instrumentos participa em momentos diferentes ao longo de uma m&#xFA;sica, com base em suas caracter&#xED;sticas expressivas.</p> <p> A riqueza de uma orquestra est&#xE1; justamente nas diferen&#xE7;as entre os instrumentos e nas possibilidades de combina&#xE7;&#xE3;o entre eles, assim como um ataque no futebol depende da atua&#xE7;&#xE3;o conjunta de diferentes jogadores.</p> <p> Uma das diferen&#xE7;as est&#xE1; na intensidade do som produzido pelos diferentes instrumentos: porque h&#xE1; tantos violinos e poucas flautas em uma orquestra convencional?</p> <p> Procure destacar todo tipo de analogia com o futebol: em um time, uma reuni&#xE3;o de craques com diferentes especialidades precisa atuar em conjunto com extrema disciplina para chegar ao gol. Se todos corressem atr&#xE1;s da bola ao mesmo tempo, certamente ter&#xED;amos um resultado t&#xE3;o ruim quanto o som produzido indiscriminadamente por uma orquestra.</p> <p> E j&#xE1; que at&#xE9; agora estamos apenas falando de m&#xFA;sica, vamos tratar de coloc&#xE1;-la no centro da aula: mostre aos alunos o v&#xED;deo da Orquestra Sinf&#xF3;nica Juvenil Sim&#xF3;n Bol&#xED;var (http://abr.io/1C4Q) e questione: &#xE9; poss&#xED;vel visualizar as caracter&#xED;sticas destacadas? Cada instrumento tem uma fun&#xE7;&#xE3;o na m&#xFA;sica? H&#xE1; altern&#xE2;ncias entre solos e tuttis orquestrais? H&#xE1; diferentes tipos de instrumentos evidenciados pelas imagens?</p> <p> Atividade 2 - O maestro, t&#xE9;cnico de um time de estrelas</p> <p> O maestro &#xE9; como um t&#xE9;cnico de futebol.</p> <p> Escreva a frase acima no quadro e proponha uma discuss&#xE3;o: quais os pap&#xE9;is do t&#xE9;cnico de futebol? Em que momento come&#xE7;am as tarefas do t&#xE9;cnico - &#xE9; somente no momento do jogo, ou h&#xE1; outras atribui&#xE7;&#xF5;es anteriores? De que forma um t&#xE9;cnico pode fazer com que um time mude completamente suas caracter&#xED;sticas de jogo?</p> <p> O trabalho do maestro na orquestra, da mesma forma, n&#xE3;o se resume a balan&#xE7;ar um palito de madeira diante de um monte de m&#xFA;sicos no teatro. Assim como o t&#xE9;cnico, a condu&#xE7;&#xE3;o de um concerto &#xE9; apenas a ponta do iceberg, ainda que quase sempre esta seja a imagem que temos desses profissionais.</p> <p> Pela analogia com o trabalho do t&#xE9;cnico de futebol, procure identificar com os alunos as tarefas "pr&#xE9;-palco" do maestro. Aqui est&#xE3;o algumas delas, que podem ser inclu&#xED;das para um coment&#xE1;rio final com os alunos:</p> <p> Lista de fun&#xE7;&#xF5;es do maestro</p> <p> 1. Defini&#xE7;&#xE3;o do repert&#xF3;rio a ser apresentado pela orquestra a longo do ano, organizado em uma extensa agenda de concertos;</p> <p> 2. An&#xE1;lise do repert&#xF3;rio, identificando tudo o que h&#xE1; de importante para destacar nas partituras: como interpretar cada trecho, quais s&#xE3;o os momentos de entrada de cada instrumento ou grupo, quais s&#xE3;o as mudan&#xE7;as ao longo da pe&#xE7;a (mais forte ou fraco, lento ou r&#xE1;pido) etc.;</p> <p> 3. Prepara&#xE7;&#xE3;o da din&#xE2;mica dos ensaios: o que ser&#xE1; feito em cada encontro para que o trabalho seja o mais eficiente poss&#xED;vel em um curto espa&#xE7;o de tempo;</p> <p> 4. Condu&#xE7;&#xE3;o dos ensaios, seja com a orquestra inteira ou em grupos, indicando sugest&#xF5;es de como tocar cada trecho com base na pesquisa inicial (exemplo: se estamos tocando uma m&#xFA;sica do s&#xE9;culo 17, como os compositores possivelmente imaginavam a execu&#xE7;&#xE3;o de cada trecho?);</p> <p> 5. Reg&#xEA;ncia da apresenta&#xE7;&#xE3;o final, destacando os principais pontos da m&#xFA;sica com uma linguagem pr&#xF3;pria: o gestual - afinal, a batuta &#xE9; um prolongamento do bra&#xE7;o para tornar seus gestos mais vis&#xED;veis para toda a orquestra, a fim de coordenar o trabalho desta grande equipe.</p> <p> Em seguida, em uma discuss&#xE3;o com a turma, fa&#xE7;a o caminho inverso: seria poss&#xED;vel encontrar compara&#xE7;&#xF5;es entre maestros e t&#xE9;cnicos de futebol com base nas cinco fun&#xE7;&#xF5;es enumeradas acima?</p> <p> Para ligar esta aula com o que vamos propor na pr&#xF3;xima, fa&#xE7;a perguntas gerais sobre os instrumentos da orquestra: quais s&#xE3;o diferen&#xE7;as sonoras entre eles? Quais as diferentes formas de se tocar os instrumentos? De que material s&#xE3;o feitos? Que parte dos instrumentos produz o som caracter&#xED;stico de cada um?</p> <p> 2&#xAA; AULA</p> <p> Atividade 3 - Instrumentos e suas fam&#xED;lias: flauta de metal no grupo das madeiras?</p> <p> Agora sim, vamos falar das estrelas da orquestra: os instrumentos musicais. Fa&#xE7;a uma lista com o maior n&#xFA;mero poss&#xED;vel de instrumentos de que os alunos puderem se lembrar. Em seguida, pe&#xE7;a &#xE0; turma que agrupem instrumentos com caracter&#xED;sticas semelhantes.</p> <p> Conduza a discuss&#xE3;o para a divis&#xE3;o tradicional dos instrumentos em quatro fam&#xED;lias: cordas, madeiras, metais e percuss&#xE3;o. Tomando como base o esquema dispon&#xED;vel no endere&#xE7;o http://abr.io/orquestra (publicado em 2010 para a cole&#xE7;&#xE3;o Grandes Compositores, da Editora Abril) elabore a lista completa de instrumentos e de fam&#xED;lias. Se poss&#xED;vel, apresente a imagem aos alunos, uma vez que os instrumentistas aparecem agrupados pela cor de suas camisetas, facilitando a classifica&#xE7;&#xE3;o.</p> <p> Em seguida, escreva no quadro as duas listas abaixo, para dar in&#xED;cio a uma nova discuss&#xE3;o:</p> <p> Lista 1</p> <p> Cordas</p> <p> Madeiras</p> <p> Metais</p> <p> Percuss&#xE3;o</p> <p> Lista 2</p> <p> Cordas</p> <p> Sopros</p> <p> Percuss&#xE3;o</p> <p> Se nosso foco &#xE9; a m&#xFA;sica, ou, antes disso, a produ&#xE7;&#xE3;o de sons, questione a turma: se tomarmos a primeira lista, o que cada um dos elementos destacados (cordas, madeira, metal, percuss&#xE3;o) tem a ver com a produ&#xE7;&#xE3;o sonora dos instrumentos da fam&#xED;lia? Fa&#xE7;a o mesmo com a lista 2.</p> <p> Como resultado, provavelmente teremos o seguinte: as cordas s&#xE3;o o elemento que produz o som nos instrumentos de corda (como o violino); a madeira e o metal s&#xE3;o os materiais de que os instrumentos s&#xE3;o feitos (como a flauta transversal e o obo&#xE9;); percutir &#xE9; o m&#xE9;todo com o qual se produz som nos instrumentos de percuss&#xE3;o (como o tambor ou o tri&#xE2;ngulo); por fim, o sopro &#xE9; a for&#xE7;a produtora de som nos instrumentos de metal ou madeira.</p> <p> Destaque com os alunos o fato de que, numa lista em que dividimos os instrumentos em quatro categorias, temos nada menos que tr&#xEA;s ou quatro crit&#xE9;rios diferentes para definir tais fam&#xED;lias. Ou seja, ao dividirmos dessa forma, n&#xE3;o temos um elemento comum, mas tantos crit&#xE9;rios de divis&#xE3;o quanto fam&#xED;lias.</p> <p> Outro exemplo intrigante para apresentar aos alunos: a flauta transversal, feita de metal h&#xE1; muito tempo, encontra-se na lista das madeiras devido &#xE0; sua origem.</p> <p> Afinal, o que h&#xE1; de musical ao classificarmos os instrumentos baseados no material de que s&#xE3;o feitos, ou de onde vem a for&#xE7;a que produz o seu som?</p> <p> Atividade 4 - Uma nova classifica&#xE7;&#xE3;o dos instrumentos: &#xE0; procura de um crit&#xE9;rio musical para dividi-los em fam&#xED;lias</p> <p> Mais uma vez, tome como ponto de partida a necessidade de colocarmos a m&#xFA;sica no centro de nosso olhar e fique apenas com a primeira fam&#xED;lia: as cordas. Questione a garotada: se a corda &#xE9; o elemento produtor de som nos elementos daquela fam&#xED;lia, quais s&#xE3;o os elementos que produzem som em uma flauta, em um tambor ou em um tri&#xE2;ngulo?</p> <p> Conte &#xE0; turma que esta foi a mesma discuss&#xE3;o entre dois pesquisadores no in&#xED;cio do s&#xE9;culo 20. Em 1914, Erich Von Hornbostel e Curt Sachs resolveram criar uma nova divis&#xE3;o dos instrumentos com um objetivo bastante inusitado: poder classific&#xE1;-los, assim como fazemos com os livros de uma biblioteca.</p> <p> Como os pesquisadores identificaram o paradoxo da divis&#xE3;o tradicional, resolveram utilizar apenas um crit&#xE9;rio para come&#xE7;ar sua nova divis&#xE3;o. E o crit&#xE9;rio foi exatamente o que acabamos de discutir com os alunos: os instrumentos devem ser classificados com base nos seus elementos produtores de som, aquilo que vibra e produz a onda sonora.</p> <p> Ap&#xF3;s uma conversa com a turma, procure chegar a algo parecido com o quadro abaixo, utilizando os nomes das categorias definidas por Hornbostel e Sachs:</p> <p> "fonos" = som; produzido pela vibra&#xE7;&#xE3;o de uma onda sonora.</p> <p> Instrumentos cord&#xF3;fonos = som produzido por uma corda esticada vibrante;</p> <p> Instrumentos aer&#xF3;fonos = som produzido por uma coluna de ar que vibra em seu interior;</p> <p> Instrumentos membran&#xF3;fonos = som produzido por uma pele esticada vibrante;</p> <p> Instrumentos idi&#xF3;fonos = som produzido pelo pr&#xF3;prio corpo do instrumento que vibra.</p> <p> Procure reclassificar os instrumentos listados anteriormente pelos alunos nas novas categorias: n&#xE3;o parece mais interessante que a flauta e o obo&#xE9; estejam agora na mesma fam&#xED;lia, j&#xE1; que, apesar de serem produzidos com materiais diferentes, tanto um como o outro t&#xEA;m seu som originado pela vibra&#xE7;&#xE3;o de uma coluna de ar?</p> <p> Para finalizar a discuss&#xE3;o, sugerimos tr&#xEA;s desdobramentos:</p> <p> 1&#xBA; Ou&#xE7;a com os alunos todo tipo de m&#xFA;sica dispon&#xED;vel para que eles conhe&#xE7;am melhor os instrumentos e suas combina&#xE7;&#xF5;es sonoras. Apresente exemplos musicais de diferentes g&#xEA;neros, procurando n&#xE3;o s&#xF3; &#xE1;udios, como tamb&#xE9;m v&#xED;deos em que os instrumentos aparecem sendo tocados. Nunca deixe de trabalhar m&#xFA;sica com m&#xFA;sica na aula: &#xE9; muito bom falar sobre m&#xFA;sica, mas faz&#xEA;-la e ouvi-la com os alunos s&#xE3;o a&#xE7;&#xF5;es que n&#xE3;o podem ficar de lado em nossos planejamentos;</p> <p> 2&#xBA; Se poss&#xED;vel, procure instrumentistas que se disponham a ir &#xE0; sala de aula mostrar caracter&#xED;sticas dos instrumentos e nunca deixe de estimular fortemente a ida dos alunos a teatros, salas de concerto ou shows em qualquer outro espa&#xE7;o: vivenciar m&#xFA;sica ao vivo &#xE9; uma experi&#xEA;ncia das mais ricas, e deve ser um h&#xE1;bito sugerido e estimulado por voc&#xEA;;</p> <p> 3&#xBA; Procure abordagens pr&#xE1;ticas para trabalho com as divis&#xF5;es instrumentais em sala de aula. Conhe&#xE7;a trabalhos como o da professora Daniela Neves, da EMEF Professora Maria Berenice dos Santos, em S&#xE3;o Paulo (http://abr.io/1C75), e construa instrumentos, conforme os exemplos abaixo.</p> <p> Constru&#xE7;&#xE3;o de dispositivos sonoros para cada classifica&#xE7;&#xE3;o de instrumentos</p> <p> Nossa ideia aqui &#xE9; construir com os alunos tr&#xEA;s dispositivos sonoros em que procuramos destacar o essencial, o elemento produtor de som em cada uma das categorias do sistema Hornbostel-Sachs. Acompanhe e fa&#xE7;a adapta&#xE7;&#xF5;es para a realidade da sua sala de aula.</p> <p> 1. Pizzicatofone (Imagem 2)</p> <p> Materiais</p> <p> Pote pl&#xE1;stico, el&#xE1;sticos, cord&#xF5;es grossos e tesoura.</p> <p> Procedimentos</p> <p> Fa&#xE7;a pequenos cortes nas laterais do pote pl&#xE1;stico. Amarre os cord&#xF5;es ou posicione alguns el&#xE1;sticos para que fiquem bem esticados.</p> <p> Para que serve</p> <p> Demonstrar o princ&#xED;pio dos instrumentos cord&#xF3;fonos. Neles a corda esticada sobre uma caixa de resson&#xE2;ncia vibra por conta de uma s&#xE9;rie de procedimentos como a percuss&#xE3;o (no caso do martelo do piano), a fric&#xE7;&#xE3;o (o arco do violino) ou o beliscar (pin&#xE7;as do cravo ou pizzicato, procedimento em que os violinistas, entre outros, puxam as cordas de seus instrumentos com os dedos, produzindo um som muitas vezes mais fraco e mais curto do que o das arcadas).</p> <p> Sugest&#xE3;o de trabalho: ou&#xE7;a com os alunos, ou assista ao v&#xED;deo, da obra "Plink, plank, plunk!", de Leroy Anderson. Nesta vers&#xE3;o (http://abr.io/1C77), ela &#xE9; tocada pela River Ridge High School e os alunos podem acompanhar o movimento dos instrumentistas em seus pizzicatofones.</p> <p> 2. Canudobo&#xE9; (Imagem 3)</p> <p> Materiais</p> <p> Canudo pl&#xE1;stico, de prefer&#xEA;ncia bastante r&#xED;gido; tesoura.</p> <p> Procedimentos</p> <p> Morda uma das extremidades, fazendo com que cerca de 1 cm fique bem plano. Corte no formato de uma cunha.</p> <p> Para que serve</p> <p> Demonstrar a forma como em alguns instrumentos aer&#xF3;fonos, como o obo&#xE9;, a coluna de ar &#xE9; posta em vibra&#xE7;&#xE3;o: a partir de uma palheta dupla, justamente como a do canudobo&#xE9;.</p> <p> Sugest&#xE3;o de trabalho</p> <p> Toque o canudobo&#xE9; dividindo a turma em dois grupos: alguns com canudos maiores, outros com menores. H&#xE1; diferen&#xE7;as de altura (grave-agudo) entre os instrumentos? Depois fa&#xE7;a pequenos furos com a tesoura e toque o instrumento como uma flauta doce. Ao mudarmos o tamanho da coluna de ar, o resultado sonoro &#xE9; diferente? Por fim, fa&#xE7;a uma atividade inusitada levando a grava&#xE7;&#xE3;o do tema principal da obra "O Dan&#xFA;bio Azul", de Johann Strauss. Pe&#xE7;a aos alunos que toquem as duas notas ao final de cada frase musical seus com obo&#xE9;s.</p> <p> 3. Plastidjemb&#xEA; com baqueta (Imagem 4)</p> <p> Materiais</p> <p> Pote pl&#xE1;stico (pode ser o mesmo do pizzicatofone); saco pl&#xE1;stico grosso (o melhor &#xE9; o de lixo dom&#xE9;stico); palitos de churrasco; fita adesiva; grampo de roupa de madeira (em duplas).</p> <p> Procedimentos</p> <p> 1. Para o plastidjemb&#xEA;: estique o saco pl&#xE1;stico grosso sobre a parte aberta do tambor e segure com uma m&#xE3;o todo o pl&#xE1;stico que sobrar na parte inferior do instrumento. O abrir e fechar de m&#xE3;os provocar&#xE1; diferen&#xE7;as no som do instrumento, quanto mais ou menos esticada a membrana ficar.</p> <p> 2. Para a baqueta: separe um lado do grampo de roupa de madeira. Com aux&#xED;lio da fita adesiva, cole dois palitos de churrasco, um em cada lado do grampo, para obter a vers&#xE3;o adaptada de uma baqueta de tamborim.</p> <p> Para que serve</p> <p> Demonstrar algumas caracter&#xED;sticas dos instrumentos membran&#xF3;fonos: a caixa de resson&#xE2;ncia aberta ou fechada; a exist&#xEA;ncia de uma ou mais membranas esticadas no instrumento; as diferen&#xE7;as de som entre uma membrana mais ou menos esticada; as diferentes formas de se tocar (com as m&#xE3;os ou com instrumentos percussivos).</p> <p> Sugest&#xE3;o de trabalho</p> <p> Proponha a execu&#xE7;&#xE3;o de pequenas frases r&#xED;tmicas variando o n&#xED;vel de esticamento das membranas. Divida a turma em dois grupos: enquanto um toca o pulso (ritmo constante, assim como batemos palma no Parab&#xE9;ns a voc&#xEA;) com som mais grave (membrana menos esticada), o outro toca o ritmo das palavras com som mais agudo (membrana mais esticada). Mostre, enfim, o v&#xED;deo "Les Percussions de Guinee: Les Genies du Djembe" (http://abr.io/1C7H), em que o instrumento &#xE9; tocado de diferentes formas.</p> <p> Para instrumentos idi&#xF3;fonos, sugira a constru&#xE7;&#xE3;o de chocalhos, paus de chuva, tri&#xE2;ngulo, vibrafone de garrafa ou clavas, com base em uma pesquisa que os pr&#xF3;prios alunos podem fazer na internet. Quais desses instrumentos foram vistos no v&#xED;deo da Orquestra Sim&#xF3;n Bol&#xED;var?</p> <p> Por fim, com base em uma investiga&#xE7;&#xE3;o sobre o sistema de classifica&#xE7;&#xE3;o Hornbostel-Sachs, discuta com a turma se todos os instrumentos est&#xE3;o contemplados nesta classifica&#xE7;&#xE3;o e como ficam os instrumentos eletr&#xF4;nicos (guitarra, baixo el&#xE9;trico, teclado). Apresente a inova&#xE7;&#xE3;o que os pesquisadores trouxeram ao sistema ao adotarem uma nova categoria no ano de 1940, os eletr&#xF3;fonos. Qual o elemento produtor de som neste caso?</p> <p> Avalia&#xE7;&#xE3;o</p> <p> A proposta para esta sequ&#xEA;ncia &#xE9; promover discuss&#xF5;es com os alunos. Desta forma, deve haver um comprometimento de todos, na medida em que &#xE9; necess&#xE1;rio participar e concentrar-se nas atividades para que as discuss&#xF5;es aconte&#xE7;am naturalmente no decorrer das aulas: a participa&#xE7;&#xE3;o &#xE9; fundamental. Al&#xE9;m disso, eventualmente a garotada pode ser levada a discutir as defini&#xE7;&#xF5;es te&#xF3;ricas por meio de outros instrumentos de avalia&#xE7;&#xE3;o, como uma prova escrita ou uma pesquisa posterior, individual ou em grupo.</p> <p> Consultoria Tiago Madalozzo</p> <p> Mestre em Comunica&#xE7;&#xE3;o e Linguagens pela Universidade Tuiuti do Paran&#xE1;, professor assistente do curso de M&#xFA;sica - Educa&#xE7;&#xE3;o Musical da Universidade Federal do Paran&#xE1; e professor de musicaliza&#xE7;&#xE3;o na Alecrim Dourado Forma&#xE7;&#xE3;o Musical, em Curitiba.</p> 2011-06-30T12:55:05-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Junho/Julho 2011 Sala de Aula Redação Bravo BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/real-imaginario-poesia-manoel-barros O real e o imaginário na poesia de Manoel de Barros 2011-06-03T11:52:19-03:00 <p> <strong>OBJETIVOS</strong> </p> <p>Ajudar a romper modos convencionais de percep&#xE7;&#xE3;o e julgamento de textos po&#xE9;ticos;</p> <p>Possibilitar a consci&#xEA;ncia mais ampla dos limites reais e imagin&#xE1;rios da poesia, especialmente na poesia de Manoel de Barros;</p> <p>Discernir prov&#xE1;veis caminhos da produ&#xE7;&#xE3;o po&#xE9;tica</p> <p> <strong>CONTE&#xDA;DOS</strong> </p> <p>L&#xED;ngua Portuguesa, Teoria Liter&#xE1;ria , Literatura - Manoel de Barros</p> <p> <strong>TEMPO DESTINADO</strong> </p> <p>Quatro aulas</p> <p> <strong>INTRODU&#xC7;&#xC3;O</strong> </p> <p>BRAVO! deste m&#xEA;s traz uma bela reportagem sobre o poeta Manuel de Barros, mostrando a mistura de realidade e imagina&#xE7;&#xE3;o na vida e na obra do autor. Aproveite o texto e este plano de aula para trabalhar poesia com a turma.</p> <p> <strong>Texto de apoio ao professor - Manuel de Barros</strong> </p> <p>A poesia acontece quando o pensamento n&#xE3;o consegue mais identificar ou imprimir a sua l&#xF3;gica. A palavra, ent&#xE3;o, t&#xE3;o calejada de cotidianidades, passa a resignificar, a reinteirar os significados primordiais e as realidades iniciais. Como Oct&#xE1;vio Paz cr&#xEA;, a poesia faz da linguagem uma oportunidade de recupera&#xE7;&#xE3;o do seu estado original.</p> <p>Manoel de Barros &#xE9; o conhecido como 'poeta do ch&#xE3;o' da Literatura Brasileira. Sua obra &#xE9; toda produzida e inspirada na natureza r&#xFA;stica do Pantanal Mato-grossense. Sua poesia, por&#xE9;m, faz-se presente por todos os lados - do ch&#xE3;o ao c&#xE9;u - e configura-se na sua pr&#xF3;pria biografia mal contada, hipot&#xE9;tica, fruto da rica e verdadeira imagina&#xE7;&#xE3;o do poeta. Na verdade, o que Manoel de Barros faz na poesia &#xE9; despir a palavra da depend&#xEA;ncia do mundo, ou seja, torna a palavra inserida no intervalo entre o real (o que aparentemente existe) e o imagin&#xE1;rio (existe na realidade que criamos no pensamento). Dotada de muitas met&#xE1;foras e sinestesias, a poesia de Manoel de Barros n&#xE3;o s&#xF3; fala da natureza, mas a faz nascer por entre versos. Por isso, a sua poesia &#xE9; ao mesmo tempo simples - por tratar do natural - e requintada - por lidar com ess&#xEA;ncias.</p> <p> <strong> DESENVOLVIMENTO</strong> </p> <p> <strong>1&#xAA; aula</strong> </p> <p>Reserve a primeira aula discutir poesia de maneira ampla com a turma. Cite as caracter&#xED;sticas dessa tipologia: aspectos estruturais - rimas, m&#xE9;tricas, recursos lingu&#xED;sticos/figuras de linguagem etc; aspectos tem&#xE1;ticos - lirismo, conformismo/resist&#xEA;ncia, ufanismo etc; aspectos lingu&#xED;sticos - palavras que n&#xE3;o est&#xE3;o presas a defini&#xE7;&#xF5;es denotativas ou que ultrapassam poss&#xED;veis limites conotativos.</p> <p>Para n&#xE3;o restringi-la a uma esfera textual, trace um breve panorama hist&#xF3;rico desse g&#xEA;nero textual e apresente a sua fun&#xE7;&#xE3;o na vida do homem.Fale sobre a import&#xE2;ncia da oralidade na express&#xE3;o po&#xE9;tica e a necessidade que a sociedade tem em exprimir-se artisticamente, sobretudo por meio da arte com palavras, a fim de transmutar-se entre a realidade e o imagin&#xE1;rio. Finalize esse momento com a leitura de defini&#xE7;&#xF5;es de real e imagin&#xE1;rio dadas por poetas importantes, como essas:</p> <p>J&#xE1; n&#xE3;o &#xE9; a mesma hora, nem a mesma gente, nem nada igual.</p><p> Ser real &#xE9; isto.</p> <p>(Alberto Caeiro)</p> <p>A imagina&#xE7;&#xE3;o &#xE9; a rainha do real e o poss&#xED;vel &#xE9; uma das prov&#xED;ncias do real.</p> <p>(Charles Baudelaire)</p> <p>Imaginar &#xE9; aumentar o real em um tom.</p> <p>(<a href="http://www.pensador.info/autor/Gaston_Bachelard/" rel="migration">Gaston Bachelard</a>)</p> <p> <strong>2&#xAA; aula</strong> </p> <p>Na segunda aula, proponha a leitura e a an&#xE1;lise de poemas de Manoel de Barros sob a luz dos aprendizados da aula anterior. Para come&#xE7;ar, apresente o autor &#xE0; turma, mostrando a eles as informa&#xE7;&#xF5;es contidas no texto inicial deste plano de aula e no site da Funda&#xE7;&#xE3;o Manoel de Barros: <a href="http://www.fmb.org.br/" rel="migration">http://www.fmb.org.br/</a>. Observe com os alunos o perfil do poeta, sua biografia, seu estilo e as principais obras.</p> <p>Em seguida, selecione alguns poemas de Manuel de Barros, organize-os separadamente em folhas de papel dobradas e misturadas em um saco para sorteio <em>(veja sugest&#xE3;o de livro ao final deste plano).</em></p> <p>Cada aluno dever&#xE1; sortear um poema e fazer a sua leitura em voz alta para toda a turma. O ideal &#xE9; que cada um entre em contato com a poesia por meio da experi&#xEA;ncia sonora e perceba como as palavras de Barros se firmam no real e no imagin&#xE1;rio. Ap&#xF3;s cada leitura, conduza a turma a um debate em torno da tem&#xE1;tica, dos recursos usados pelo poeta no poema e discuta como a linguagem po&#xE9;tica desse autor reflete o real e o imagin&#xE1;rio.</p> <p> <strong>3 e 4&#xAA; aulas</strong> </p> <p>A partir das leituras, das an&#xE1;lises e das discuss&#xF5;es realizadas anteriormente, proponha aos alunos uma produ&#xE7;&#xE3;o de textos po&#xE9;ticos que contemplem os mesmos elementos e utilizem os recursos da poesia de Manoel de Barros. Saliente a import&#xE2;ncia de usar uma linguagem desprovida de significados engessados e de ter a palavra como mat&#xE9;ria-prima po&#xE9;tica.</p> <p>Para orientar o trabalho da turma, relembre as etapas fundamentais da produ&#xE7;&#xE3;o de texto. Pe&#xE7;a que os alunos comecem organizando o que querem dizer e de que maneira. Em seguida, devem produzir uma primeira vers&#xE3;o do texto. Recolha o material, corrija e devolva para a turma, para que os alunos possam fazer os ajustes necess&#xE1;rios e reescrev&#xEA;-los. Terminada a atividade, aproveite as produ&#xE7;&#xF5;es e os poemas trabalhados com a turma para montar um portf&#xF3;lio coletivo.</p> <p> <strong>Avalia&#xE7;&#xE3;o</strong> </p> <p>Considere as leituras e as reflex&#xF5;es sobre os poemas de Manoel de Barros. Avalie as produ&#xE7;&#xF5;es dos alunos com base nas informa&#xE7;&#xF5;es apresentadas na primeira aula e a sua recep&#xE7;&#xE3;o e desenvolvimento nas aulas seguintes.</p> <p> <strong>------</strong> </p> <p> <strong>Para saber mais:</strong> </p> <p>BARROS, Manoel de. <strong>Poesia Completa</strong>. S&#xE3;o Paulo: Editora Leya, 2010.</p> <p>Site da Funda&#xE7;&#xE3;o Manoel de Barros: <a href="http://www.fmb.org.br/" rel="migration">http://www.fmb.org.br/</a></p> <p>Consultoria <strong>Patr&#xED;cia Rodrigues Alves Lage</strong>, mestranda em Literatura e Cr&#xED;tica Liter&#xE1;ria pela PUC-SP e professora de L&#xED;ngua Portuguesa da Escola T&#xE9;cnica Walter Belian - Funda&#xE7;&#xE3;o Antonio e Helena Zerrenner</p> Ajudar a romper modos convencionais de percepção e julgamento de textos poéticos; Possibilitar a consciência mais ampla dos limites reais e imaginários da poesia, especialmente na poesia de Manoel de Barros; Discernir prováveis caminhos da produção poética 2011-06-02T14:32:54-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Junho/2010 Ajudar a romper modos convencionais de percepção e julgamento de textos poéticos; Possibilitar a consciência mais ampla dos limites reais e imaginários da poesia, especialmente na poesia de Manoel de Barros; Discernir prováveis caminhos da produção poética Sala de Aula Redação Bravo BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/folhetim-criador-formula-continua-amanha Folhetim: criador da fórmula ''continua amanhã'' 2011-06-03T11:52:18-03:00 <p> <strong>LITERATURA<a href="/materia/idiota-fotos" target="_blank" rel="migration">"Cenas do pr&#xF3;ximo cap&#xED;tulo" - BRAVO!</a></strong> </p> <p><strong>CONTE&#xDA;DO</strong>G&#xEA;nero liter&#xE1;rio folhetim</p> <p><strong>HABILIDADES</strong>Refletir sobre a origem do folhetim, sua rela&#xE7;&#xE3;o com outros g&#xEA;neros liter&#xE1;rios e produzir uma narrativa para ser postada em blog</p> <p><strong>TEMPO SUGERIDO</strong>Quatro aulas</p> <p> <strong>Folhetim: criador da f&#xF3;rmula "continua amanh&#xE3;"</strong> <em>Mostre aos alunos o g&#xEA;nero liter&#xE1;rio que deu origens &#xE0;s telenovelas e proponha que eles se tornem autores de folhetins</em> </p> <p>Em um distante s&#xE9;culo 19, &#xE9;poca anterior &#xE0; massifica&#xE7;&#xE3;o do r&#xE1;dio e do cinema, quando n&#xE3;o havia televis&#xE3;o e a cria&#xE7;&#xE3;o da internet era impens&#xE1;vel, o folhetim representou o que hoje seria compar&#xE1;vel &#xE0; telenovela. Por meio da f&#xF3;rmula "continua amanh&#xE3;", esse g&#xEA;nero liter&#xE1;rio ajudou a solidificar o jornal como ve&#xED;culo de comunica&#xE7;&#xE3;o de massa, conquistando grande n&#xFA;mero de leitores &#xE1;vidos por conhecer as "cenas do pr&#xF3;ximo cap&#xED;tulo" e o destino dos her&#xF3;is da trama.</p> <p>Inspirada nesse formato, a diretora de teatro Cibele Forjaz montou a pe&#xE7;a "O Idiota - Uma Novela Teatral". Baseada na obra de Fi&#xF3;dor Dostoievski, a encena&#xE7;&#xE3;o &#xE9; dividida em cap&#xED;tulos, como um folhetim, e &#xE9; tema de reportagem na BRAVO! de abril. Aproveite a revista e este plano de aula para dar aos alunos a chance de produzir as pr&#xF3;prias hist&#xF3;rias.</p> <p> </p> <p> <strong>DESENVOLVIMENTO</strong> </p> <p> <strong>1&#xAA; AULA</strong> </p> <p>Para saber como anda o repert&#xF3;rio dos alunos, pergunte se algu&#xE9;m j&#xE1; ouviu falar em folhetim. Diante da prov&#xE1;vel negativa como resposta, apresente &#xE0; classe a reportagem "<em>Cenas do pr&#xF3;ximo cap&#xED;tulo"</em> de Gabriela Mell&#xE3;o. Em seguida, apresente a classe o livro <em>O Idiota</em> (1868) do escritor russo Fi&#xF3;dor Dostoi&#xE9;vski. Destaque que a obra, dividida em quatro partes e com um total de 50 cap&#xED;tulos, foi originalmente publicada no formato de folhetim. Ou seja, cada cap&#xED;tulo correspondia a um exemplar do jornal.</p> <p>Para que a turma se familiarize com o folhetim, fa&#xE7;a uma pequena exposi&#xE7;&#xE3;o, conceituando o g&#xEA;nero jornal&#xED;stico-liter&#xE1;rio (aproveite o texto abaixo e as refer&#xEA;ncias bibliogr&#xE1;ficas apresentadas ao final deste plano).</p> <p> <strong>Texto de apoio - O Folhetim</strong> </p> <p>Nascida na Fran&#xE7;a nas primeiras d&#xE9;cadas do s&#xE9;culo 19, a express&#xE3;o <em>le feuilleton</em> (o folhetim) originalmente significava um lugar preciso no jornal, o rodap&#xE9; da primeira p&#xE1;gina, em geral. Destinada ao entretenimento, a se&#xE7;&#xE3;o oferecia aos leitores uma grande variedade de divers&#xE3;o escrita: piadas, charadas etc. Era um espa&#xE7;o aberto a todo tipo de novidades, no qual se podiam praticar narrativas curtas - como cr&#xF4;nica, conto e ensaios - ou n&#xE3;o t&#xE3;o curtas - como romances e novelas. Assim surge o folhetim-romance como resultado das publica&#xE7;&#xF5;es de narrativas fragmentadas.</p> <p>Em seguida, divida a sala em grupos de cinco alunos e proponha que eles elaborem uma narrativa em formato de folhetim, a ser publicada na internet. Explique que, para come&#xE7;ar o trabalho, cada grupo deve escolher ou inventar um her&#xF3;i ou anti-her&#xF3;i para o desenvolvimento de uma intriga. Proponha ent&#xE3;o que cada aluno escreva em casa, individualmente, um primeiro cap&#xED;tulo para a hist&#xF3;ria de seu grupo (15 a 30 linhas) e traga na aula seguinte.</p> <p>Para esta atividade, &#xE9; importante ressaltar quais s&#xE3;o as marcas textuais do folhetim, tais como: o uso da linguagem cotidiana, constru&#xE7;&#xF5;es gramaticais menos elaboradas, prefer&#xEA;ncia por per&#xED;odos curtos, redu&#xE7;&#xE3;o dos recursos estil&#xED;sticos, simplifica&#xE7;&#xE3;o na caracteriza&#xE7;&#xE3;o dos personagens e tend&#xEA;ncia &#xE0;s intrigas que despertavam o interesse do leitor (o her&#xF3;i vingador, a donzela deflorada e pura etc). Outro recurso muito utilizado &#xE9; o emprego da t&#xE9;cnica do "suspense". Ao final de cada cap&#xED;tulo, o narrador procurava deixar um clima de mist&#xE9;rio no ar, &#xE0;s vezes, se dirigindo ao pr&#xF3;prio leitor com uma pergunta instigadora como: <em>Conseguir&#xE1; Marilena levar esta farsa adiante?</em></p> <p> <strong>2&#xAA; AULA</strong> </p> <p>Pe&#xE7;a que os alunos se re&#xFA;nam nos grupos e explique que, dos cinco textos produzidos pelos integrantes, ser&#xE1; selecionada a narrativa mais votada pelos alunos do grupo vizinho. Ou seja, o grupo 1 deve ler os textos dos colegas do grupo 2 e escolher o mais interessante. O grupo 2 deve ler os textos do grupo 3, e assim sucessivamente. Recolha as op&#xE7;&#xF5;es selecionadas e fa&#xE7;a as corre&#xE7;&#xF5;es e sugest&#xF5;es necess&#xE1;rias.</p> <p>Nesse momento, vale a pena os alunos opinarem sobre como deveria seguir o andamento das hist&#xF3;rias selecionadas de cada grupo. Ap&#xF3;s esse levantamento de ideias, &#xE9; hora de dar sequ&#xEA;ncia &#xE0; elabora&#xE7;&#xE3;o do segundo cap&#xED;tulo da narrativa. Explique aos alunos que o cap&#xED;tulo 2 deve ser criado em conjunto por todo o grupo. Destaque que os escritores precisam sempre levar em considera&#xE7;&#xE3;o a receptividade do p&#xFA;blico e a necessidade de cativ&#xE1;-los com uma hist&#xF3;ria empolgante. Comente que uma hist&#xF3;ria em cap&#xED;tulos deve sempre deixar algo em aberto, para que o leitor queira voltar e descobrir o que falta. Recolha os textos, fa&#xE7;a corre&#xE7;&#xF5;es e sugest&#xF5;es.</p> <p> <strong>3&#xAA; AULA</strong> </p> <p>Entregue os textos corrigidos aos grupos, pe&#xE7;a que os revisem conforme as orienta&#xE7;&#xF5;es e que preparem a vers&#xE3;o final. Nesse momento de reescrita, ressalte a import&#xE2;ncia dos seguintes aspectos do texto: tema, g&#xEA;nero, coes&#xE3;o, coer&#xEA;ncia e gram&#xE1;tica.</p> <p>Em seguida, leve a turma &#xE0; sala de inform&#xE1;tica e ajude os grupos a criar os blogs onde v&#xE3;o postar o primeiro e o segundo cap&#xED;tulos de suas narrativas <em>(veja sugest&#xF5;es de sites para a constru&#xE7;&#xE3;o de blogs ao final deste plano de aula)</em>. D&#xEA; um tempo para que os estudantes preparem as p&#xE1;ginas e acompanhe a atividade passando pelos grupos e tirando d&#xFA;vidas.</p> <p>Finalizada a cria&#xE7;&#xE3;o dos blogs e a transcri&#xE7;&#xE3;o dos textos, proponha que a turma leia as hist&#xF3;rias dos colegas e poste seus coment&#xE1;rios. &#xC9; importante que os alunos d&#xEA;em sugest&#xF5;es sobre o que esperam ler no pr&#xF3;ximo cap&#xED;tulo.</p> <p>Pe&#xE7;a que os grupos vejam os coment&#xE1;rios dos colegas sobre seus trabalhos e que comecem a pensar no pr&#xF3;ximo cap&#xED;tulo, a ser produzido na aula seguinte.</p> <p> <strong>4&#xAA; AULA</strong> </p> <p>Na sala de inform&#xE1;tica, diga para os alunos preparem o cap&#xED;tulo 3. Quando terminarem a primeira vers&#xE3;o, recolha, corrija e pe&#xE7;a que cada grupo reescreva seu texto levando em considera&#xE7;&#xE3;o as sugest&#xF5;es. Os textos finais devem ser postados no blog.</p> <p>Como na aula anterior, pe&#xE7;a aos alunos que leiam as narrativas uns dos outros e postem seus coment&#xE1;rios, indicando aos autores a import&#xE2;ncia de continuar as fic&#xE7;&#xF5;es e o que esperam ler no pr&#xF3;ximo cap&#xED;tulo. As hist&#xF3;rias poder&#xE3;o ser encerradas ou mantidas em suspense para que mais cap&#xED;tulos sejam escritos.</p> <p>------</p> <p> <strong>BIBLIOGRAFIA</strong> </p> <strong>O Idiota</strong><p>, Fi&#xF3;dor Dostoi&#xE9;vski, Ed. 34, tel. (11) 3816-6777 </p><p><em>Estrutura da Not&#xED;cia</em>, Roland Barthes In.: <strong>Cr&#xED;tica e Verdade</strong>, Ed. Perspectiva,</p> <p>(11) 3885-8388</p> <p><strong>Folhetim: uma hist&#xF3;ria</strong>, Marlyse Meyer, Ed. Companhia das Letras,</p> <p>(11) 3707-3500</p> <p><em>Vol&#xE1;teis e vers&#xE1;teis. De variedades e folhetins se fez a chronica</em>, Marlyse Meyer,</p> <p>In.: <strong>A Cr&#xF4;nica - O g&#xEA;nero, sua fixa&#xE7;&#xE3;o e Suas transforma&#xE7;&#xF5;es no</strong></p> <p><strong>Brasil</strong>. Ed. Unicamp, tel. (11) ?</p> <p><em>A vida ao r&#xE9;s-do-ch&#xE3;o</em>, Antonio Candido, In.: <strong>A Cr&#xF4;nica - O g&#xEA;nero, sua fixa&#xE7;&#xE3;o</strong></p> <p><strong>e Suas transforma&#xE7;&#xF5;es no Brasil</strong>. Ed. Unicamp, tel. (11) ?</p> <p> <strong>Sites para cria&#xE7;&#xE3;o dos blogs</strong> </p> <p> <a href="https://www.blogger.com/start?hl=pt-BR" rel="migration">https://www.blogger.com/start?hl=pt-BR</a> </p> <p> <a href="http://www.criarumblog.com/pt/criar-seu-blog/" rel="migration">http://www.criarumblog.com/pt/criar-seu-blog/</a> </p> <p> <a href="http://blog.uol.com.br/" rel="migration">http://blog.uol.com.br/</a> </p> <p>Atividade proposta por <strong>Rodrigo Priante Ug&#xE1;</strong>, mestrando em Literatura e Cr&#xED;tica Liter&#xE1;ria pela Pontif&#xED;cia Universidade Cat&#xF3;lica de S&#xE3;o Paulo (PUC/SP) e professor do Ensino M&#xE9;dio da Rede P&#xFA;blica do Estado de S&#xE3;o Paulo.</p> Refletir sobre a origem do folhetim, sua relação com outros gêneros literários e produzir uma narrativa para ser postada em blog 2011-06-02T14:32:53-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Abril/2010 Refletir sobre a origem do folhetim, sua relação com outros gêneros literários e produzir uma narrativa para ser postada em blog Sala de Aula Redação Bravo BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/literatura-pre-modernismo-triste-fim-policarpo-quaresma A Literatura e o Pré-Modernismo em Triste Fim de Policarpo Quaresma 2011-06-03T11:52:04-03:00 <strong>OBJETIVOS</strong><p>Retomar caracter&#xED;sticas da Literatura brasileira por meio da obra <em>Triste Fim de Policarpo Quaresma</em>, de Lima Barreto; situar o Pr&#xE9;-Modernismo como movimento de transi&#xE7;&#xE3;o; destacar os elementos caracterizadores da obra de Lima Barreto, bem como reconhecer a import&#xE2;ncia do seu personagem central </p><p><strong>CONTE&#xDA;DOS</strong>Literatura Brasileira; Pr&#xE9;-Modernismo; <em>Triste Fim de Policarpo Quaresma</em>, Lima Barreto</p> <p><strong>TEMPO ESTIMADO</strong>Quatro aulas</p> <p><strong>INTRODU&#xC7;&#xC3;O</strong>A revista BRAVO! de maio nos presenteia com um texto que &#xE9; um verdadeiro convite a conhecer Policarpo Quaresma - personagem central de uma das principais obras do romancista Lima Barreto (1881-1922), considerada o expoente do Pr&#xE9;-Modernismo no Brasil. A revista comenta a adapta&#xE7;&#xE3;o da obra para o teatro, sob a dire&#xE7;&#xE3;o de Antunes Filho, e destaca a excelente interpreta&#xE7;&#xE3;o de Lee Thalor, ao assumir as especificidades do protagonista no palco e tornar evidentes suas ang&#xFA;stias, vivenciando suas a&#xE7;&#xF5;es e dando voz a seu discurso apaixonado pelo Brasil. Aproveite a chegada da pe&#xE7;a a S&#xE3;o Paulo para apresentar aos alunos a obra de Lima Barreto e discutir as caracter&#xED;sticas desta importante fase da literatura nacional.</p> <p> <strong>Texto de apoio ao professor - O Triste Fim de Policarpo Quaresma</strong> </p> <p>Publicado em folhetim em 1911 e em livro em 1915, <em>Triste Fim de Policarpo Quaresma</em> narra a vida de um modesto funcion&#xE1;rio p&#xFA;blico em tr&#xEA;s est&#xE1;gios diferentes, que correspondem, mais ou menos, &#xE0;s tr&#xEA;s partes em que se divide a obra. A primeira relata sua vida como funcion&#xE1;rio p&#xFA;blico; a segunda, como propriet&#xE1;rio rural; a terceira, como soldado volunt&#xE1;rio na Revolta da Armada, de 1893. As tr&#xEA;s partes de <em>Triste Fim de Policarpo Quaresma</em> tamb&#xE9;m correspondem &#xE0; aplica&#xE7;&#xE3;o das grandes reformas propostas pelo personagem principal para salvar o Brasil: a reforma pela cultura, pela agricultura e pela pol&#xED;tica. O sonho de transforma&#xE7;&#xE3;o da na&#xE7;&#xE3;o acaba por lev&#xE1;-lo a um final tr&#xE1;gico, sendo condenado &#xE0; morte pelas pr&#xF3;prias for&#xE7;as pol&#xED;ticas que apoiava. Assim, aquele que tanto sonhara com um Brasil melhor &#xE9; derrotado em seus ideais.</p> <p>Por meio da trajet&#xF3;ria do major Quaresma, Lima Barreto desnuda as estruturas sociais e pol&#xED;ticas do Brasil no per&#xED;odo entre final do s&#xE9;culo 19 e in&#xED;cio do 20. O surpreendente &#xE9; perceber que a realidade da &#xE9;poca ainda lembra muito o contexto atual. A Literatura tem esse poder em contemplar assuntos e temas que n&#xE3;o fogem de qualquer realidade. Policarpo Quaresma &#xE9; o cidad&#xE3;o brasileiro que se sente desconfort&#xE1;vel diante dessa sociedade mercantilista e ego&#xED;sta. O texto liter&#xE1;rio abre espa&#xE7;o para que essa discuss&#xE3;o seja feita com liberdade de linguagem, das mais rebuscadas &#xE0;s mais simpl&#xF3;rias, problematizando o mundo, tornando-o opaco e incitando a reflex&#xE3;o.</p> <p> <strong>Atividades</strong> </p> <p> <strong>1&#xAA; AULA</strong> </p> <p>Prepare os alunos com a leitura integral do romance de Lima Barreto, <em>Triste Fim de Policarpo Quaresma</em>. Na primeira aula, com a leitura feita, proponha &#xE0; turma um breve debate para expor as impress&#xF5;es de leitura, as poss&#xED;veis quest&#xF5;es e troca de ideias.</p> <p>Conduza a discuss&#xE3;o delimitando os elementos da narrativa e como eles caracterizam a hist&#xF3;ria - cite a &#xE9;poca em que se passam os acontecimentos, o espa&#xE7;o, os personagens, a influ&#xEA;ncia do discurso do narrador e a linguagem usada no texto. Fale tamb&#xE9;m sobre os elementos que tornam o livro de Barreto uma obra liter&#xE1;ria pr&#xE9;-modernista, mesmo que a &#xE9;poca em que foi escrita seja 'at&#xED;pica' e ainda n&#xE3;o perten&#xE7;a a uma escola liter&#xE1;ria.</p> <p>Nesse primeiro momento, pe&#xE7;a que os alunos se organizem em trios. Cada grupo deve produzir um cartaz com o registro dos pontos relevantes desenvolvidos no debate. Os cartazes devem ser expostos como pain&#xE9;is na sala de aula para que todos tenham uma vis&#xE3;o geral da obra discutida.</p> <p> <strong>2&#xAA; AULA</strong> </p> <p>Na segunda aula, apresente aos alunos a informa&#xE7;&#xE3;o de que o livro <em>Triste Fim de Policarpo Quaresma</em> est&#xE1; dividido em tr&#xEA;s partes. Trace o perfil de cada parte de acordo com a evolu&#xE7;&#xE3;o do personagem central, o major Policarpo Quaresma. Pontue as caracter&#xED;sticas dele em cada fase e pe&#xE7;a que os alunos as analisem. &#xC9; importante que a turma fa&#xE7;a tamb&#xE9;m uma reflex&#xE3;o comparativa, por meio das seguintes quest&#xF5;es:</p> <ul><li>Que destaque merece receber Policarpo Quaresma entre os s&#xE9;culos 19 e 20?</li> <li>Que personalidades atuam hoje como Policarpo Quaresma?</li> <li>A sociedade precisa de pessoas assim? At&#xE9; que ponto estas pessoas est&#xE3;o certas? At&#xE9; que ponto est&#xE3;o erradas?</li> </ul><p>Os alunos devem registrar as respostas no caderno de anota&#xE7;&#xF5;es da disciplina.</p> <p> <strong>3&#xAA; AULA</strong> </p> <p>Na terceira aula, ap&#xF3;s as discuss&#xF5;es, registros e reflex&#xF5;es, pe&#xE7;a que os alunos retomem os trios. Cada um deve escolher uma fase do personagem Policarpo Quaresma para redigir um discurso em primeira pessoa. O grupo levar&#xE1; em considera&#xE7;&#xE3;o as caracter&#xED;sticas do personagem na fase escolhida e, assim, produzir&#xE1; um texto em que suas ideias para transformar o Brasil estejam presentes.</p> <p> <strong>4&#xAA; AULA</strong> </p> <p>No &#xFA;ltimo momento, aproveitando o texto "Cria Atrevida" da revista BRAVO! de maio, oriente os grupos para fazer uma leitura dram&#xE1;tica de suas produ&#xE7;&#xF5;es. Assim como o ator Lee Thalor na pe&#xE7;a <em>Policarpo Quaresma</em>, a turma deve dar um ar teatral &#xE0; apresenta&#xE7;&#xE3;o dos discursos escritos.</p> <p> <strong>AVALIA&#xC7;&#xC3;O</strong> </p> <p>Considere o envolvimento dos alunos no debate inicial em que a leitura do romance &#xE9; retomada. Note se eles compreenderam o texto, as caracter&#xED;sticas pr&#xE9;-modernistas da obra, a essencialidade do personagem central. Avalie a funcionalidade dos paineis produzidos e se os discursos escritos e dramatizados condizem com o contexto da obra.</p> <p> <strong>PARA SABER MAIS</strong> </p> <p>Assista ao filme <em>Policarpo Quaresma - Her&#xF3;i do Brasil</em> (1998), roteiro de Alcione Ara&#xFA;jo e dire&#xE7;&#xE3;o de Paulo Thiago.</p> <p>Consultoria <strong>Patr&#xED;cia Rodrigues Alves Lage</strong>, mestranda em Literatura e Cr&#xED;tica Liter&#xE1;ria pela PUC-SP e professora de L&#xED;ngua Portuguesa na Escola T&#xE9;cnica Walter Belian - Funda&#xE7;&#xE3;o Antonio e Helena Zerrenner.</p> Literatura Brasileira; Pré-Modernismo; Triste Fim de Policarpo Quaresma, Lima Barreto 2011-06-02T14:32:32-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Maio/2010 Literatura Brasileira; Pré-Modernismo; Triste Fim de Policarpo Quaresma, Lima Barreto Sala de Aula Redação Bravo BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/pertencimento-artista-picasso O pertencimento do artista - Picasso 2011-06-03T11:52:02-03:00 <p> <strong>CONTE&#xDA;DOS</strong> </p> <p>A obra de Pablo Picasso; A rela&#xE7;&#xE3;o entre arte, sociedade e pol&#xED;tica</p> <p> <strong>OBJETIVOS</strong> </p> <p>Conhecer, compreender e analisar a produ&#xE7;&#xE3;o art&#xED;stica;</p> <p>Estabelecer rela&#xE7;&#xF5;es entre a produ&#xE7;&#xE3;o art&#xED;stica e o contexto social e pol&#xED;tico em que foi criada;</p> <p>Utilizar as linguagens contempor&#xE2;neas como meios de express&#xE3;o, comunica&#xE7;&#xE3;o e informa&#xE7;&#xE3;o.</p> <p> <strong>TEMPO ESTIMADO</strong> </p> <p>Seis aulas</p> <p> <strong>INTRODU&#xC7;&#xC3;O</strong> </p> <p>Reportagem da revista BRAVO! nos fala de uma importante cole&#xE7;&#xE3;o de obras de Pablo Picasso doada por colecionadores particulares ao acervo do Metropolitan Museum de Nova Iorque. Aproveite a oportunidade para colocar os alunos em contato com esse grande artista e mostrar a eles como a ideia de pertencimento pode se tornar um diferencial na produ&#xE7;&#xE3;o art&#xED;stica.</p> <p>------</p> <p> <strong>1&#xAA; aAULA</strong> </p> <p> <strong>Quem foi Pablo Picasso</strong> </p> <p>Reserve a primeira aula para apresentar aos alunos um pouco da vida e da obra de Pablo Picasso <em>(utilize como base o texto abaixo).</em></p> <p> <strong>Pablo Picasso (1881-1973)</strong> </p> <p>Nascido em M&#xE1;laga, cidade espanhola da regi&#xE3;o de Andaluzia, Pablo Picasso era filho de um professor de desenho cl&#xE1;ssico e foi estimulado para o desenho e a pintura desde a inf&#xE2;ncia. Dedicou-se &#xE0; arte, aos seus amores - foi famoso por seus v&#xE1;rios casamentos - e sempre permaneceu ligado &#xE0;s suas ra&#xED;zes.</p> <p>Seu nome completo era longo - Pablo Diego Jos&#xE9; Francisco de Paula Juan Nepomuceno Mar&#xED;a de los Remedios Cipriano de la Sant&#xED;sima Trinidad Ruiz y Picasso -, mas adotou como nome art&#xED;stico Pablo Picasso. Sua forma&#xE7;&#xE3;o foi bastante acad&#xEA;mica, estudou desenho e pintura seguindo uma est&#xE9;tica bastante tradicional.</p> <p>No final do s&#xE9;culo 19, Picasso estava morando em Barcelona, quando teve contato com diversos artistas, com a obra dos impressionistas e com novas tend&#xEA;ncias art&#xED;sticas que despontavam na Europa. Entre 1900 e 1904 o jovem artista viajou algumas vezes a Paris, alternando temporadas entre Fran&#xE7;a e Espanha. Nessa &#xE9;poca, Paris era um importante centro cultural e reunia artistas de todas as partes e de diferentes vanguardas. Picasso se instalou em um bairro onde moravam v&#xE1;rios artistas, chamado Montmartre. L&#xE1; conheceu nomes como Modigliani, L&#xE9;ger e George Braque.</p> <p>Naquela &#xE9;poca, sua obra estava impregnada por um esp&#xED;rito bo&#xEA;mio: retratava o ambiente dos caf&#xE9;s, dos cabar&#xE9;s, das corridas de cavalos, de prostitutas e de homens embriagados. Aos poucos, suas pinturas se enchem de certa tristeza, revelando algu&#xE9;m que se encontra isolado. Esse processo chegou ao auge com a morte de um amigo com quem dividia o quarto em Paris, o pintor Casagemas, que se suicidou em raz&#xE3;o de uma desilus&#xE3;o amorosa.</p> <p>A partir de ent&#xE3;o, a obra de Picasso se congestionou de cores frias e a melancolia passou a predominar em grande parte de suas composi&#xE7;&#xF5;es, o per&#xED;odo ficou conhecido como Fase Azul. Embora ainda utilize outras cores, os tons azulados refor&#xE7;am a tem&#xE1;tica do sofrimento humano, a mis&#xE9;ria, as dores.</p> <p>Procure mostrar imagens de obras de Picasso. Uma possibilidade interessante &#xE9; explorar o site de um dos Museus Picasso (M&#xE1;laga, Barcelona ou Paris), ou mesmo o acervo do Metropolitan, citado na reportagem de BRAVO! <em>(veja indica&#xE7;&#xF5;es ao final deste plano).</em></p> <p>Picasso se fixou em Paris a partir de 1904. Nesse mesmo ano, conheceu a jovem Fernande Olivier, com quem se envolveu profundamente. Iniciou-se um per&#xED;odo de grande alegria, deixando para tr&#xE1;s o luto vivido durante a fase azul: s&#xE3;o imagens sensuais, er&#xF3;ticas. A essa &#xE9;poca Picasso frequentava um circo chamado M&#xE9;drano e dele extra&#xED;a inspira&#xE7;&#xE3;o para v&#xE1;rias de suas pinturas. Era a chamada Fase Rosa, que abordava uma tem&#xE1;tica leve e descontra&#xED;da: saltimbancos e ciganos, palha&#xE7;os e outros personagens circenses povoavam essas obras em que o artista trabalhava com cores mais quentes e vivas.</p> <p>No ano seguinte Picasso conheceu a escritora estadunidense Gertrude Stein, que se interessou por seu trabalho e de quem pintou o retrato. Esse contato &#xE9; de grande import&#xE2;ncia para o jovem artista. Gertrude Stein era tamb&#xE9;m uma colecionadora de obras de arte e, ao comprar obras do pintor espanhol, lhe d&#xE1; certo destaque no mercado. Foi ela quem apresentou o pintor fauvista Henri Matisse a Picasso, o que mais tarde se converteria em uma rela&#xE7;&#xE3;o que variava da amizade &#xE0; competi&#xE7;&#xE3;o.</p> <p>Matisse colocou Picasso em contato com a arte africana (ele possu&#xED;a uma m&#xE1;scara de madeira). A arte africana era sint&#xE9;tica, tinha tend&#xEA;ncias geom&#xE9;tricas que, associadas a outros experimentos aos quais Picasso vinha se dedicando, deu origem a uma de suas mais importantes obras: <em>Le demoiselles de Avignon</em> (1907 - MOMA - Nova Iorque).</p> <p>Nessa obra, Picasso retrata cinco mulheres de modo geometrizado, como se as olh&#xE1;ssemos por um espelho estilha&#xE7;ado. As formas n&#xE3;o se encaixam. Picasso n&#xE3;o est&#xE1; mais pintando aquilo que v&#xEA;, mas aquilo que conhece de um ser humano: as senhoritas eram prostitutas que trabalhavam na rua d'Avignon, em Barcelona.</p> <p>Picasso conheceu Braque, com quem deu in&#xED;cio a uma amizade e uma parceria art&#xED;stica que durou at&#xE9; o in&#xED;cio da 1&#xAA;. Guerra Mundial (1914-1918). Juntos eles criam o Cubismo, que marcaria para sempre a obra do pintor espanhol.</p> <p>Inicialmente o Cubismo foi uma tentativa de apresentar, em um mesmo plano, v&#xE1;rias faces de um objeto. O Cubismo se transformou em uma das mais importantes transforma&#xE7;&#xF5;es da arte da primeira metade do s&#xE9;culo 20. Em sua primeira fase, denominada Cubismo Anal&#xED;tico, os artistas exploravam predominantemente a pintura monocrom&#xE1;tica, geometrizando as formas dos objetos e apresentando-as todas ao mesmo tempo, como na obra <em>Nu em p&#xE9;</em> (1910) citada no artigo da Bravo.</p> <p>No segundo momento, conhecido como Cubismo Sint&#xE9;tico, Braque e Picasso passaram a realizar interfer&#xEA;ncias nas pinturas colando pap&#xE9;is, tecidos e outros materiais. S&#xE3;o colagens e <em>assemblages</em>, que lan&#xE7;aram esses artistas a experimentos quase tridimensionais. Por essa &#xE9;poca (1911), Picasso havia se separado de Fernande Olivier e havia come&#xE7;ado um relacionamento com Eva Gouel.</p> <p>Com a 1&#xAA; Guerra Mundial e a partida de Braque para servir o ex&#xE9;rcito franc&#xEA;s, Picasso come&#xE7;ou uma nova fase. Esse per&#xED;odo, que se estendeu at&#xE9; meados da d&#xE9;cada de 1920, &#xE9; caracterizado pela cria&#xE7;&#xE3;o de composi&#xE7;&#xF5;es figurativas e muito cl&#xE1;ssicas.</p> <p>Na d&#xE9;cada de 1920, Picasso permaneceu uma temporada na It&#xE1;lia, onde passou por um forte contato com a arte cl&#xE1;ssica. Nessa fase, conheceu Olga Khokhlova, uma bailarina pela qual se apaixonou e com quem teve seu primeiro filho. O artista passou, tamb&#xE9;m nesse per&#xED;odo, a desenvolver projetos ligados aos bal&#xE9;s russos, criando cen&#xE1;rios, panos de boca e figurinos.</p> <p>A partir de 1925 a obra de Picasso viveu novas mudan&#xE7;as. Seu contato com o movimento surrealista trouxe cores estridentes e deforma&#xE7;&#xF5;es nos corpos, ao lado de certa selvageria er&#xF3;tica, virilidade e sedu&#xE7;&#xE3;o. Os touros ressurgiram em sua obra, muitas vezes sob a forma do Minotauro (o touro, seja ele mitol&#xF3;gico ou o protagonista da tourada, sempre fascinou o pintor).</p> <p>No final da d&#xE9;cada de 1920, Picasso iniciou uma s&#xE9;rie de obras em desenho, pintura e escultura, que t&#xEA;m como tem&#xE1;tica a cabe&#xE7;a feminina. Mas foi no per&#xED;odo da Guerra Civil Espanhola (1936-1939) que Picasso criou uma de suas obras mais tocantes: Guernica. S&#xED;mbolo da crueldade humana, a pintura de escala monumental resgata a experi&#xEA;ncia do cubismo e a associa a elementos do surrealismo. Picasso apresenta a dor de uma popula&#xE7;&#xE3;o que havia sido covardemente atacada por um bombardeio das for&#xE7;as alem&#xE3;s na cidade de Guernica (1937), localizada no norte da Espanha. Tamb&#xE9;m nesse per&#xED;odo das guerras ele retrata muitas vezes mulheres chorando (sua modelo era a fot&#xF3;grafa Dora Maar).</p> <p>Nos anos 1940, Picasso se uniu a Fran&#xE7;oise Gilot, m&#xE3;e de seus dois filhos mais novos, Claude e Paloma. Nessa &#xE9;poca, o artista passou por uma fase em que realizou experimentos com diferentes materiais - papel&#xE3;o, chapas, guardanapos, ma&#xE7;os de cigarros - e trabalhou com cer&#xE2;mica.</p> <p>A partir dos anos 1950, Picasso se dedicou a trabalhar os nus, os temas er&#xF3;ticos e mitol&#xF3;gicos e o estudo da obra de grandes mestres. Velazquez, C&#xE9;zanne, Manet e outros d&#xE3;o origem a verdadeiras s&#xE9;ries de obras nas quais Picasso mergulhou profundamente em suas estruturas compositivas para recri&#xE1;-las sob o seu pr&#xF3;prio olhar. Dedicou-se tamb&#xE9;m &#xE0; gravura e realizou diversas s&#xE9;ries importantes como a Tauromaquia.</p> <p>Picasso morreu na Fran&#xE7;a, em abril de 1973, mas trabalhou intensamente durante toda a sua vida, sem nunca deixar de lado suas ra&#xED;zes: tradi&#xE7;&#xF5;es hisp&#xE2;nicas como as touradas, estiveram presentes em suas obras. Hoje &#xE9; um dos grandes &#xED;cones da hist&#xF3;ria da arte do s&#xE9;culo 20. Prova disso &#xE9; a presen&#xE7;a de suas obras nos acervos dos mais importantes museus de arte, inclusive no Brasil.</p> <p> <strong>2&#xAA; AULA</strong> </p> <p> <strong>O artista e o seu poder de cr&#xED;tica</strong> </p> <p>Comece a aula lan&#xE7;ando &#xE0; turma algumas perguntas. A obra de arte deve ser apenas bonita ou pode conter reflex&#xF5;es e questionamentos a respeito da vida, do ser humano, da sociedade, do poder? Qual &#xE9; o papel do artista na sociedade? Por que fazer uma obra de arte?</p> <p>Comente que Picasso, embora tenha desenvolvido a maior parte de sua produ&#xE7;&#xE3;o em territ&#xF3;rio franc&#xEA;s, nunca deixou de se envolver com sua terra natal, a Espanha. A obra Guernica &#xE9; prova disso: revoltado com o massacre promovido por um bombardeio que destruiu a cidade, o artista expressou a sua dor por meio da grande pintura que representou a Espanha em uma Exposi&#xE7;&#xE3;o Internacional em Paris.</p> <p>Para Picasso, um artista n&#xE3;o deveria viver alheio &#xE0; realidade. Deveria entender e participar da pol&#xED;tica e manifestar-se sempre que necess&#xE1;rio. No Brasil, muitos artistas j&#xE1; realizaram obras que tratam da realidade de seu povo: C&#xE2;ndido Portinari, Almeida Jr., Tarsila do Amaral, Nuno Ramos, Claudio Tozzi, H&#xE9;lio Oiticia (se poss&#xED;vel mostre algumas imagens); na m&#xFA;sica, Chico Buarque, Gilberto Gil, Tom Z&#xE9; e muitos outros. Agora pergunte aos seus alunos: como eles veem a realidade brasileira?</p> <p>Ou&#xE7;a as respostas e proponha o seguinte desafio aos alunos, a ser realizado nas pr&#xF3;ximas aulas: com base na can&#xE7;&#xE3;o "Fora da Ordem", de Caetano Veloso, criar um v&#xED;deo em que os alunos mostrem sua vis&#xE3;o a respeito do pa&#xED;s em que vivem.</p> <p> <strong>3&#xAA; AULA</strong> </p> <p> <strong>Cria&#xE7;&#xE3;o de um projeto de v&#xED;deo ou anima&#xE7;&#xE3;o</strong> </p> <p>Proponha aos alunos a reinterpreta&#xE7;&#xE3;o da can&#xE7;&#xE3;o de Caetano, que dever&#xE1; ser usada como trilha sonora do v&#xED;deo. Divida os alunos em grupos, providencie c&#xF3;pias da letra da m&#xFA;sica e distribua entre eles. Reproduza a can&#xE7;&#xE3;o em sala de aula e realize com a turma uma leitura coletiva. Explique que eles devem ouvir, ler a letra e propor a sua vis&#xE3;o a respeito dos temas levantados por Caetano, buscando atualiz&#xE1;-los. Levante com os alunos algumas possibilidades de interpreta&#xE7;&#xE3;o. Sugira que selecionem um aspecto para ser trabalhado em profundidade. Em seguida, abra um espa&#xE7;o para que os grupos possam se reunir e discutir a respeito do v&#xED;deo.</p> <p> <strong>4&#xAA; e 5&#xAA; AULAS</strong> </p> <p> <strong>Prepara&#xE7;&#xE3;o do v&#xED;deo ou anima&#xE7;&#xE3;o</strong> </p> <p>Reserve dois encontros para a discuss&#xE3;o e elabora&#xE7;&#xE3;o dos trabalhos. Se n&#xE3;o houver espa&#xE7;o e equipamentos adequados para a produ&#xE7;&#xE3;o dos v&#xED;deos, os alunos poder&#xE3;o criar anima&#xE7;&#xF5;es com sequ&#xEA;ncias de fotografias. Para realizar o trabalho, podem ser utilizados softwares como o PowerPoint ou o Movie Maker. Acompanhe cada grupo, orientando-os nas discuss&#xF5;es e auxiliando quando necess&#xE1;rio nas tomadas de decis&#xF5;es quanto &#xE0; organiza&#xE7;&#xE3;o dos materiais.</p> <p> <strong>6&#xAA; AULA</strong> </p> <p> <strong>Apresenta&#xE7;&#xE3;o dos trabalhos</strong> </p> <p>Nesse dia ser&#xE1; realizada a mostra de v&#xED;deos. Convide outras turmas, professores, funcion&#xE1;rios, amigos e familiares para assistir as apresenta&#xE7;&#xF5;es. Antes de inici&#xE1;-las, explique ao p&#xFA;blico o ponto de partida do projeto: a ideia do compromisso do artista com a realidade do seu pa&#xED;s, a proposta para a elabora&#xE7;&#xE3;o do v&#xED;deo e a pr&#xF3;pria m&#xFA;sica escolhida. Ao t&#xE9;rmino das apresenta&#xE7;&#xF5;es, abra espa&#xE7;o para que os grupos comentem seus projetos com a plateia.</p> <p> <strong>Avalia&#xE7;&#xE3;o</strong> </p> <p>Por meio do acompanhamento do processo, dos trabalhos apresentados e das discuss&#xF5;es realizadas observe o envolvimento dos alunos e a sua conscientiza&#xE7;&#xE3;o em rela&#xE7;&#xE3;o ao seu papel na sociedade, bem como em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0;s potencialidades da arte como espa&#xE7;o de reflex&#xE3;o a respeito da realidade.</p> <p>Visite os acervos:</p> <p><a href="http://www.museupicasso.bcn.es/" rel="migration">http://www.museupicasso.bcn.es/</a> - Museu Picasso (Barcelona)</p> <p><a href="http://www.musee-picasso.fr/" rel="migration">http://www.musee-picasso.fr/</a> - Museu Picasso (Paris)</p> <p><a href="http://www2.museopicassomalaga.org/" rel="migration">http://www2.museopicassomalaga.org/</a> - Museu Picasso (M&#xE1;laga)</p> <p><a href="http://picasso.shsu.edu/" rel="migration">http://picasso.shsu.edu/</a> - Cat&#xE1;logo Virtual</p> <p><a href="http://www.metmuseum.org/" rel="migration">http://www.metmuseum.org/</a> - Metropolitan Museum of Art (Nova Iorque)</p> <p>http://www.masp.art.br/masp2010/ - Museu de Arte de S&#xE3;o Paulo - MASP</p> <p>http://www.louvre.fr/llv/commun/home.jsp?bmLocale=en - Museu do Louvre (Paris)</p> <p>http://www.moma.org/ - Museu de Arte Moderna (Nova Iorque) MOMA - Aqui est&#xE1; Les demoiselles d'Avignon</p> <p><a href="http://www.museoreinasofia.es/index.html" rel="migration">http://www.museoreinasofia.es/index.html</a> - Museu Reina Sofia (Madri) - aqui est&#xE1; Guernica</p> <p>------</p> <p>Consultoria <strong>Maria Jos&#xE9; Spiteri Tavolaro Passos</strong>, mestre em Artes pela Unesp e professora de Artes Visuais da Universidade Cruzeiro do Sul e de Educa&#xE7;&#xE3;o Art&#xED;stica da Universidade S&#xE3;o Judas Tadeu, ambas de S&#xE3;o Paulo.</p> A obra de Pablo Picasso; A relação entre arte, sociedade e política 2011-06-02T14:32:29-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Junho/2010 A obra de Pablo Picasso; A relação entre arte, sociedade e política Sala de Aula Redação Bravo BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/festival-mpb-1967-trabalhando-forma-musical-4 O Festival de MPB de 1967: trabalhando forma musical 2011-06-03T11:51:38-03:00 <p>Este plano de aula est&#xE1; ligado &#xE0; seguinte reportagem da Revista Bravo!:"<a href="/materia/festival-mudou-tudo" rel="migration">O Festival que mudou tudo", de Andr&#xE9; Nigri (agosto, 2010)</a></p> <p> <strong>OBJETIVOS</strong> </p> <p>Propor uma abordagem musical para trabalho em sala a partir de can&#xE7;&#xF5;es consagradas no III Festival de MPB da TV Record, come&#xE7;ando por uma discuss&#xE3;o do conceito de m&#xFA;sica e de organiza&#xE7;&#xE3;o sonora; propor a organiza&#xE7;&#xE3;o de um invent&#xE1;rio musical do Festival; apresentar &#xE0; turma a ideia de <em>forma musical</em> com base em atividades de aprecia&#xE7;&#xE3;o.</p> <p> <strong>CONTE&#xDA;DOS</strong> </p> <p>Aprecia&#xE7;&#xE3;o musical ativa, forma musical, identifica&#xE7;&#xE3;o de ritmos e contornos mel&#xF3;dicos, paisagem sonora e som.</p> <p> <strong>TEMPO ESTIMADO</strong> </p> <p>Duas aulas</p> <p> <strong>MATERIAL NECESS&#xC1;RIO</strong> </p> <p>- Grava&#xE7;&#xF5;es das seguintes obras consagradas no III Festival de MPB da TV Record, de 1967:</p> <ul><li>"Roda Viva" (Chico Buarque), com Chico Buarque e MPB 4</li> <li>"Alegria, Alegria" (Caetano Veloso), com Caetano Veloso e Beat Boys</li> <li>"Domingo no Parque" (Gilberto Gil), com Gilberto Gil e Os Mutantes</li> <li>"Ponteio" (Edu Lobo / Capinam), com Edu Lobo e Mar&#xED;lia Medalha</li> <li>"Beto Bom de Bola" (S&#xE9;rgio Ricardo);</li> </ul><p>- quadro de giz ou similar;</p> <p>- espa&#xE7;o f&#xED;sico amplo (por exemplo, sala de aula com carteiras encostadas nas paredes).</p> <p> <strong>INTRODU&#xC7;&#xC3;O</strong> </p> <p>O 3&#xBA; Festival de M&#xFA;sica Popular Brasileira, da TV Record, de 1967, &#xE9; considerado por muitos o mais significativo entre aqueles que constitu&#xED;ram a "Era dos Festivais". A noite de 21 de outubro de 1967 foi um momento de surpresas e mudan&#xE7;as, uma noite inesquec&#xED;vel para a hist&#xF3;ria da m&#xFA;sica brasileira.</p> <p>Alguns dos fatores que tornaram a data um marco na nossa m&#xFA;sica s&#xE3;o mencionados na reportagem "O Festival que mudou tudo", publicada em BRAVO! de agosto. Al&#xE9;m de sua &#xF3;tima qualidade musical - com a mistura de diferentes ritmos e sonoridades que marcou o Tropicalismo da MPB -, o Festival abriu espa&#xE7;o para mudar ao menos duas ideias vigentes na &#xE9;poca: a rela&#xE7;&#xE3;o distante entre artista e p&#xFA;blico e a polariza&#xE7;&#xE3;o entre m&#xFA;sica jovem e m&#xFA;sica brasileira. A transmiss&#xE3;o televisiva deixou evidentes tipos de artistas e de p&#xFA;blico que nasciam naquele momento, capazes de quebrar comportamentos mais formais e se aproximar. Ao mesmo tempo, a criatividade musical dos compositores e arranjadores - ao incluir sob os mesmos produtos musicais ritmos e timbres instrumentais inusitados (destacando o uso da guitarra el&#xE9;trica) - indicava, segundo alguns artistas, uma aproxima&#xE7;&#xE3;o entre a chamada M&#xFA;sica Popular Brasileira e o esp&#xED;rito da juventude da &#xE9;poca, antes divididos.</p> <p>Aproveite esse cen&#xE1;rio de mudan&#xE7;as para convidar seus jovens estudantes a conhecer esse cap&#xED;tulo da hist&#xF3;ria da MPB, agora revisitado pelo document&#xE1;rio "Uma noite em 67", dirigido por Renato Terra e Ricardo Calil.</p> <p> </p> <p> <strong>DESENVOLVIMENTO</strong> </p> <p> <strong>1&#xAA; aula: Contextualiza&#xE7;&#xE3;o</strong> </p> <p>Para come&#xE7;ar, mostre aos alunos que, durante a aula, a m&#xFA;sica &#xE9; o centro das aten&#xE7;&#xF5;es, o assunto mais importante. Questione-os sobre como &#xE9; a participa&#xE7;&#xE3;o dela em suas vidas e reflita com eles sobre a quase onipresen&#xE7;a da m&#xFA;sica em nosso cotidiano. &#xC9; por isso mesmo que voc&#xEA; deve valoriz&#xE1;-la como material de trabalho durante as aulas. Como fazer isso? Uma alternativa &#xE9; propor exerc&#xED;cios de escuta atenta a uma can&#xE7;&#xE3;o.</p> <p>Para tanto, comece a aula tocando uma das can&#xE7;&#xF5;es mencionadas acima. Pergunte se os alunos a conhecem. Procure garantir a aten&#xE7;&#xE3;o, sugerindo que eles cantem um trecho do refr&#xE3;o que conhe&#xE7;am, por exemplo, e depois prossiga com a discuss&#xE3;o da atividade 1.</p> <p> <strong>Atividade 1: do som &#xE0; forma musical</strong> </p> <p>Questione os alunos: O que &#xE9; m&#xFA;sica? A pergunta trar&#xE1; resultados surpreendentes para uma boa discuss&#xE3;o. Deixe que os alunos respondam oralmente e registre no quadro algumas palavras-chave surgeridas. Em seguida, tente compor uma defini&#xE7;&#xE3;o que englobe a maioria dos aspectos levantados.</p> <p>Uma das poss&#xED;veis defini&#xE7;&#xF5;es &#xE9; de que m&#xFA;sica &#xE9; a organiza&#xE7;&#xE3;o de sons. Ou seja, os sons s&#xE3;o a mat&#xE9;ria-prima dela - de acordo com t&#xE9;cnicas e regras de organiza&#xE7;&#xE3;o, surge a m&#xFA;sica. Se voc&#xEA; concordar com esta defini&#xE7;&#xE3;o, deve come&#xE7;ar um trabalho musical com seus alunos com o conceito mais b&#xE1;sico: o som.</p> <p>Pe&#xE7;a que a turma identifique, em sil&#xEA;ncio, elementos que comp&#xF5;em a "paisagem sonora" do ambiente em que se encontram - ou seja, assim como ao avistar a paisagem emoldurada por uma janela n&#xF3;s observamos diferentes elementos e contornos, &#xE9; poss&#xED;vel pensar em uma paisagem formada por sons. Em um ambiente escolar, talvez a paisagem sonora descrita pelos alunos seja algo como: em primeiro plano, sons da sala de aula (movimentos corporais dos colegas, um l&#xE1;pis que acidentalmente cai no ch&#xE3;o, uma cortina que bate com o vento) e, em planos secund&#xE1;rios, sons do p&#xE1;tio e da rua logo em frente ao col&#xE9;gio, ou mesmo sons mais distantes como a britadeira que &#xE9; utilizada em uma obra a duas quadras da escola.</p> <p>Cientes da quantidade de sons que os cerca, os alunos podem perceber que h&#xE1; uma diferen&#xE7;a entre esse tipo de som "ambiental" e aqueles musicais - muitas vezes emitidos por instrumentos. Explique &#xE0; turma a distin&#xE7;&#xE3;o entre ru&#xED;do e som, pensando no som como elemento ligado diretamente &#xE0; m&#xFA;sica e no ru&#xED;do como som extra-musical (Aten&#xE7;&#xE3;o: quando trabalhar com m&#xFA;sica contempor&#xE2;nea, repense essa quest&#xE3;o, mostrando aos alunos o quanto os compositores incluem ru&#xED;dos em suas obras)</p> <p>Conscientes de que h&#xE1; uma grande quantidade de sons em uma determinada m&#xFA;sica, questione os estudantes: de que forma os sons s&#xE3;o organizados? Apresente, ent&#xE3;o, uma nova defini&#xE7;&#xE3;o: os sons se organizam em blocos, em frases musicais, constituindo diferentes <em>partes</em> que, unidas, resultam em uma <em>forma</em> para a m&#xFA;sica. Da&#xED; o conceito t&#xE3;o importante: a <em>forma</em> musical. Ela &#xE9; determinada pela organiza&#xE7;&#xE3;o de diferentes partes - como a introdu&#xE7;&#xE3;o, dois ou tr&#xEA;s temas musicais e um refr&#xE3;o - em ordem. Por exemplo: Introdu&#xE7;&#xE3;o &gt; Parte 1 &gt; Refr&#xE3;o &gt; Parte 2 &gt; Refr&#xE3;o &gt; Parte 3 &gt; Refr&#xE3;o (2x). Este &#xE9; um exemplo de <em>forma</em> musical.</p> <p>Se o conceito de <em>forma</em> for apresentado dessa maneira, com questionamentos e exemplos, certamente a defini&#xE7;&#xE3;o ser&#xE1; melhor compreendida pelos alunos. Procure utilizar a mesma metodologia para outros conte&#xFA;dos, pois m&#xFA;sica &#xE9; algo que se aprende fazendo, experimentando e refletindo.</p> <p> <strong>2&#xAA; atividade: invent&#xE1;rio musical</strong> </p> <p>Dado o conceito de forma, proponha aos alunos a audi&#xE7;&#xE3;o de algumas m&#xFA;sicas para que identifiquem elementos que forne&#xE7;am pistas sobre a organiza&#xE7;&#xE3;o interna da m&#xFA;sica, a sua <em>forma</em>.</p> <p>Deixe tocar uma das can&#xE7;&#xF5;es listadas no in&#xED;cio deste plano. Pe&#xE7;a que os alunos identifiquem diferentes sonoridades dentro da estrutura global de cada m&#xFA;sica, fazendo um "desmonte". Por exemplo: a separa&#xE7;&#xE3;o entre a parte <em>r&#xED;tmica</em> e os <em>contornos mel&#xF3;dicos</em>.</p> <p>O ritmo fica bem evidente pela sensa&#xE7;&#xE3;o de movimento, de dan&#xE7;a, que a m&#xFA;sica prop&#xF5;e, principalmente quando s&#xE3;o utilizados instrumentos de percuss&#xE3;o como aqueles reunidos na bateria (tambores, caixas, pratos etc.) e outros como tri&#xE2;ngulo, pandeiros, chocalhos, sinos.</p> <p>Procure demonstrar aos alunos que, ao se concentrar na parte r&#xED;tmica em uma segunda audi&#xE7;&#xE3;o, h&#xE1; v&#xE1;rios elementos que ficam de fora. Portanto, em uma terceira audi&#xE7;&#xE3;o, pe&#xE7;a que eles identifiquem a melodia da m&#xFA;sica. Trata-se da frase musical em si, correspondente &#xE0; cantoria da letra. A melodia &#xE9; uma sequ&#xEA;ncia de sons que caracteriza o sobe-e-desce das diferentes alturas (notas musicais) produzidas pelas nossas cordas vocais ou pelos dedos de um pianista. De forma resumida: se algu&#xE9;m pedir para que voc&#xEA; cante "Marcha soldado", a sequ&#xEA;ncia de sons que voc&#xEA; emitir ser&#xE1; a melodia desta m&#xFA;sica de dom&#xED;nio p&#xFA;blico.</p> <p>Ao cantar a melodia e perceber o ritmo da m&#xFA;sica, sobra apenas o "recheio" ou <em>acompanhamento</em> da melodia. Se o ritmo representa a movimenta&#xE7;&#xE3;o da m&#xFA;sica, e a melodia &#xE9; uma sequ&#xEA;ncia de sons sucessivos, o acompanhamento &#xE9; todo o restante que preenche o evento musical.</p> <p>Proponha uma nova audi&#xE7;&#xE3;o e pe&#xE7;a que os alunos prestem muita aten&#xE7;&#xE3;o na <em>melodia</em>. Questione: &#xE9; poss&#xED;vel desenhar no ar, com a ponta do dedo indicador, o caminho da melodia? Ao desenhar a primeira frase de "Marcha Soldado", uma das possibilidades &#xE9; esta, abaixo, em que cada ponto representa uma s&#xED;laba da letra:</p> <p>Esta n&#xE3;o &#xE9; uma tarefa simples; procure sempre refletir com a turma sobre esse tipo de aproxima&#xE7;&#xE3;o. Explique que &#xE9; uma tentativa de representar em movimento, ou graficamente, um est&#xED;mulo auditivo. Ou seja, ir um passo al&#xE9;m da simples audi&#xE7;&#xE3;o musical, procurando "enxergar" aquilo que ouvimos.</p> <p>Para finalizar, se poss&#xED;vel, coloque os alunos em contato com diferentes materiais musicais. Escolha algumas das can&#xE7;&#xF5;es listadas no in&#xED;cio do plano e divida a turma em grupos. Proponha que, para a pr&#xF3;xima aula, cada um ou&#xE7;a a m&#xFA;sica e reflita sobre os diferentes contornos mel&#xF3;dicos existentes nela. Por exemplo: - h&#xE1; introdu&#xE7;&#xE3;o? - h&#xE1; um refr&#xE3;o? - h&#xE1; diferentes letras que s&#xE3;o cantadas sobre uma mesma melodia, do mesmo contorno? Explique que o resultado da atividade ser&#xE1; apresentado para a classe. Cada grupo deve colocar aos colegas suas conclus&#xF5;es em termos de audi&#xE7;&#xE3;o musical, classificando o que ouviram e inventando formas de registro (como o movimento do dedo indicador ou o desenho da linha de contorno mel&#xF3;dico).</p> <p>Importante: pe&#xE7;a que os grupos fa&#xE7;am, tamb&#xE9;m, uma pesquisa sobre a m&#xFA;sica que v&#xE3;o "decifrar", determinando sua &#xE9;poca, compositor(es), int&#xE9;rprete(s) etc.</p> <p> <strong>2&#xAA; aula: Contextualiza&#xE7;&#xE3;o</strong> </p> <p>Relembre os passos da discuss&#xE3;o da aula 1, utilizando os termos <em>som</em>, <em>ru&#xED;do</em>, <em>m&#xFA;sica</em>, <em>forma</em>, <em>ritmo</em> e <em>melodia</em>. Antes da apresenta&#xE7;&#xE3;o das reflex&#xF5;es em grupo, comente o repert&#xF3;rio escolhido para as duas aulas. Fale sobre os Festivais de M&#xFA;sica Popular Brasileira, destacando o 3&#xBA; Festival, de 1967. Pe&#xE7;a que os alunos leiam a reportagem "O Festival que Mudou Tudo", publicada em BRAVO!</p> <p>Em outro momento, se poss&#xED;vel, convide os alunos a assistir o document&#xE1;rio "Uma noite em 67", dirigido por Renato Terra e Ricardo Calil, ou organize uma exibi&#xE7;&#xE3;o fechada para a turma (saiba como, no site do filme, destacado ao final deste plano). Se n&#xE3;o for poss&#xED;vel assistir ao filme, procure indicar para os alunos ou levar para a sala de aula as grava&#xE7;&#xF5;es originais das eliminat&#xF3;rias do Festival, dispon&#xED;veis na internet.</p> <p>Destaque os elementos de ordem musical (exemplo: novos ritmos e combina&#xE7;&#xF5;es de instrumentos musicais, uso da guitarra etc.) descritos na reportagem e em outras publica&#xE7;&#xF5;es e sites sobre o Festival. A partir da&#xED;, pe&#xE7;a que os alunos apresentem o resultado de suas conversas e reflex&#xF5;es sobre as m&#xFA;sicas escolhidas. O material ser&#xE1; utilizado na atividade final.</p> <p> <strong>3&#xAA; atividade: registrando o que se ouve</strong> </p> <p>Explique &#xE0; mo&#xE7;ada que praticamente todo evento musical &#xE9; regido por uma regra muito simples. Como a percep&#xE7;&#xE3;o da m&#xFA;sica est&#xE1; subordinada &#xE0; emiss&#xE3;o e &#xE0; escuta de t&#xEA;nues ondas sonoras - ou seja, movimentos que n&#xE3;o podemos enxergar ou "congelar" para an&#xE1;lise posterior -, os compositores utilizam um mecanismo muito eficiente: trabalham com altern&#xE2;ncias de repeti&#xE7;&#xF5;es e contrastes em termos de melodias. Se voltarmos na hist&#xF3;ria da m&#xFA;sica, descobriremos que os gregos j&#xE1; trabalhavam com esse princ&#xED;pio, e que, de uma cantiga de roda a uma sinfonia de Beethoven, a ideia se mant&#xE9;m: altern&#xE2;ncias de repeti&#xE7;&#xF5;es e contrastes.</p> <p>O exemplo mais simples desse mecanismo &#xE9; o refr&#xE3;o. Em uma m&#xFA;sica qualquer, ele &#xE9; rodeado de outras partes contrastantes. Enquanto ele representa um material musical repetido, cada uma das outras partes se alteram. Dessa maneira, entra em opera&#xE7;&#xE3;o o princ&#xED;pio musical das altern&#xE2;ncias de repeti&#xE7;&#xF5;es e contrastes.</p> <p>Com o material produzido pelos alunos, procure repensar as organiza&#xE7;&#xF5;es dos contornos mel&#xF3;dicos destacados, em termos de repeti&#xE7;&#xF5;es e contrastes. H&#xE1; mais de um trecho musical id&#xEA;ntico? E h&#xE1; trechos em que a letra muda, mas o contorno &#xE9; o mesmo?</p> <p>Para finalizar, apresente &#xE0; turma duas can&#xE7;&#xF5;es: "Roda Viva" (Chico Buarque), apresentada por Chico e MPB 4 na noite do 3&#xBA; Festival de MPB; e "Ponteio" (Edu Lobo / Capinam), can&#xE7;&#xE3;o vencedora do Festival de 1967, apresentada por Edu Lobo e Mar&#xED;lia Medalha.</p> <p>Proponha a constru&#xE7;&#xE3;o de gr&#xE1;ficos para que todos visualizem a forma musical dessas can&#xE7;&#xF5;es, destacando a divis&#xE3;o em diferentes agrupamentos de contornos. Comece mostrando o diagrama abaixo, referente &#xE0; can&#xE7;&#xE3;o de Chico Buarque. Explique que os termos <em>ritardando</em> e <em>acelerando</em> se referem a diferen&#xE7;as na velocidade de batimento do ritmo da m&#xFA;sica.</p> <p>No exemplo, em verde, vermelho e roxo est&#xE3;o destacados tr&#xEA;s contornos mel&#xF3;dicos diferentes. Em verde, aquele que recebe a letra "Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu/A gente estancou de repente ou foi mundo que ent&#xE3;o cresceu", na primeira estrofe, e depois mais tr&#xEA;s letras diferentes. O vermelho, com a letra "A gente quer ter voz ativa, no nosso destino mandar, Mas eis que chega a roda viva e carrega o destino pra l&#xE1;", e em mais tr&#xEA;s partes. O roxo &#xE9; o refr&#xE3;o da can&#xE7;&#xE3;o.</p> <p>Como cada combina&#xE7;&#xE3;o de contornos verde e vermelho &#xE9; interrompido por um refr&#xE3;o, podemos dizer que h&#xE1; repeti&#xE7;&#xE3;o de conte&#xFA;dos musicais a cada vez em que essas partes reaparecem na m&#xFA;sica com letras novas. Tamb&#xE9;m h&#xE1; momentos de repeti&#xE7;&#xE3;o a cada execu&#xE7;&#xE3;o do refr&#xE3;o - nesse caso, &#xE9; o mesmo material musical e a mesma letra.</p> <p>Explique &#xE0; classe que, entre cada grupo diferente, acontecem contrastes de materiais musicais. &#xC9; o que fica vis&#xED;vel na figura abaixo.</p> <p>Em seguida, analise com a turma o diagrama da can&#xE7;&#xE3;o "Ponteio" (Edu Lobo / Capinam).</p> <p>Nele, aparecem contornos em verde, vermelho e roxo. Em verde, a primeira letra &#xE9; "Era um, era dois, era cem/Era o mundo chegando e ningu&#xE9;m/Que soubesse que eu sou violeiro/Que me desse o amor ou dinheiro", e a segunda, com mesma melodia, &#xE9; "Era um, era dois, era cem/Vieram pra me perguntar:/'&#xD4; voc&#xEA;, de onde vai, de onde vem?/Diga logo o que tem pra contar'". Com contorno diferente, e representado em vermelho, aparece a letra "Parado no meio do mundo/Senti chegar meu momento/Olhei pro mundo e nem via/Nem sombra nem sol/Nem vento". O refr&#xE3;o &#xE9; constitu&#xED;do por quatro repeti&#xE7;&#xF5;es da melodia e da frase "Quem me dera agora eu tivesse a viola pra cantar", terminando com uma repeti&#xE7;&#xE3;o da letra "Pra cantar".</p> <p>A altern&#xE2;ncia de repeti&#xE7;&#xF5;es e contrastes &#xE9; semelhante. H&#xE1; tr&#xEA;s estrofes diferentes com a mesma melodia (ret&#xE2;ngulos cinzas), e o refr&#xE3;o &#xE9; repetido quatro vezes, de forma que podemos identificar as se&#xE7;&#xF5;es repetidas, conforme a figura abaixo.</p> <p>Esse trabalho de esquematiza&#xE7;&#xE3;o &#xE9; importante para garantir algo mais que apenas a audi&#xE7;&#xE3;o desatenta em atividades de aprecia&#xE7;&#xE3;o musical. Ao representar e construir diagramas, o aluno participa do processo de aprecia&#xE7;&#xE3;o de forma ativa e tira proveito de diversos conte&#xFA;dos musicais (como o princ&#xED;pio de repeti&#xE7;&#xE3;o e contraste) que poderiam passar despercebidos em uma audi&#xE7;&#xE3;o das can&#xE7;&#xF5;es como m&#xFA;sicas "de fundo".</p> <p>Dessa forma, al&#xE9;m de trabalhar quest&#xF5;es hist&#xF3;ricas, a aula de m&#xFA;sica sobre as can&#xE7;&#xF5;es do Festival de MPB de 1967 poder&#xE1; servir de base para o trabalho com diferentes conte&#xFA;dos musicais que acabam garantindo um contato muito mais interessante dos alunos com as can&#xE7;&#xF5;es estudadas.</p> <p>Importante lembrar que a divis&#xE3;o em temas e blocos deve seguir algum princ&#xED;pio de coer&#xEA;ncia pessoal; portanto, &#xE9; poss&#xED;vel que diferentes alunos agrupem os elementos de formas diferentes, e ent&#xE3;o os esquemas poder&#xE3;o ficar apenas parecidos. Explore essas diferen&#xE7;as de percep&#xE7;&#xE3;o e classifica&#xE7;&#xE3;o e mostre o quanto a m&#xFA;sica pode ser interpretada de formas diferentes.</p> <p> <strong>Observa&#xE7;&#xF5;es</strong> </p> <p>Como uma constante nas aulas de m&#xFA;sica, estabele&#xE7;a rela&#xE7;&#xF5;es entre conte&#xFA;dos musicais aprendidos na aula e outros repert&#xF3;rios. Com base na ideia de <em>forma</em> musical, por exemplo, &#xE9; poss&#xED;vel trabalhar com in&#xFA;meras refer&#xEA;ncias. Basta escolher m&#xFA;sicas ou trechos com poucas partes, de in&#xED;cio, para estimular a audi&#xE7;&#xE3;o dos alunos e a representa&#xE7;&#xE3;o em diagramas. Trabalhe tamb&#xE9;m com outros tipos de diagramas, como recortes de papel ou outros materiais, para viabilizar a "visualiza&#xE7;&#xE3;o" da m&#xFA;sica em sala de aula.</p> <p>Procure adaptar as atividades ao contexto da turma e do espa&#xE7;o. As aulas sugeridas devem ser o ponto de partida para o desenvolvimento de novas propostas de ensino, e n&#xE3;o limitadoras.</p> <p> <strong>Avalia&#xE7;&#xE3;o</strong> </p> <p>A proposta aqui &#xE9; que os conceitos de som, m&#xFA;sica e forma musical n&#xE3;o sejam definidos previamente com base em livros de teoria musical: o objetivo, ao contr&#xE1;rio, &#xE9; promover a experi&#xEA;ncia musical e apenas depois recorrer &#xE0;s defini&#xE7;&#xF5;es. Dessa forma, deve haver um comprometimento dos alunos na medida em que &#xE9; necess&#xE1;rio participar e concentrar-se nas atividades para que as defini&#xE7;&#xF5;es sejam conquistadas naturalmente no decorrer das discuss&#xF5;es. Com isso em mente, avalie o desempenho da turma em termos de concentra&#xE7;&#xE3;o e participa&#xE7;&#xE3;o.</p> <p>&#xC9; importante que os alunos compreendam a execu&#xE7;&#xE3;o da atividade 2 para que o invent&#xE1;rio musical do Festival de 1967 seja de fato trabalhado fora de sala e apresentado em classifica&#xE7;&#xF5;es e reflex&#xF5;es na aula seguinte. De outra forma, a segunda aula fica sem mat&#xE9;ria-prima para avan&#xE7;o no conte&#xFA;do. Cobre o comprometimento da mo&#xE7;ada com a atividade extraclasse.</p> <p>Al&#xE9;m disso, eventualmente os estudantes podem ser levados a discutir as defini&#xE7;&#xF5;es te&#xF3;ricas por meio de outros instrumentos de avalia&#xE7;&#xE3;o, como uma prova escrita ou uma produ&#xE7;&#xE3;o escrita individual ou em duplas.</p> <p> <strong>Quer saber mais?</strong> </p> <p>Consulte o site <a href="http://www.umanoiteem67.com.br/" rel="migration">http://www.umanoiteem67.com.br</a> para conhecer detalhes do document&#xE1;rio "Uma noite em 67", dirigido por Renato Terra e Ricardo Calil. Aproveite para consultar maneiras de organizar sess&#xF5;es fechadas para estudantes, como &#xE9; oferecido na p&#xE1;gina inicial.</p> <p>------</p> <p>Consultoria <strong>Tiago Madalozzo</strong>, mestre em Comunica&#xE7;&#xE3;o e Linguagens pela Universidade Tuiuti do Paran&#xE1; e professor assistente do curso de M&#xFA;sica - Educa&#xE7;&#xE3;o Musical da Universidade Federal do Paran&#xE1;.</p><p>Este plano de aula est&#xE1; ligado &#xE0; seguinte reportagem da Revista Bravo!: <a href="/materia/festival-mudou-tudo" rel="migration">''O Festival que mudou tudo'', de Andr&#xE9; Nigri (agosto, 2010)</a></p> <p> <strong>OBJETIVOS</strong> </p><p> Propor uma abordagem musical para trabalho em sala a partir de can&#xE7;&#xF5;es consagradas no III Festival de MPB da TV Record, come&#xE7;ando por uma discuss&#xE3;o do conceito de m&#xFA;sica e de organiza&#xE7;&#xE3;o sonora; propor a organiza&#xE7;&#xE3;o de um invent&#xE1;rio musical do Festival; apresentar &#xE0; turma a ideia de <em>forma musical</em> com base em atividades de aprecia&#xE7;&#xE3;o.</p> <p> <strong>CONTE&#xDA;DOS</strong> </p><p> Aprecia&#xE7;&#xE3;o musical ativa, forma musical, identifica&#xE7;&#xE3;o de ritmos e contornos mel&#xF3;dicos, paisagem sonora e som.</p> <p> <strong>TEMPO ESTIMADO</strong> </p><p> Duas aulas</p> <p> <strong>MATERIAL NECESS&#xC1;RIO</strong> </p><p> - grava&#xE7;&#xF5;es das seguintes obras consagradas no III Festival de MPB da TV Record, de 1967:</p> <ul><li>"Roda Viva" (Chico Buarque), com Chico Buarque e MPB 4</li> <li>"Alegria, Alegria" (Caetano Veloso), com Caetano Veloso e Beat Boys</li> <li>"Domingo no Parque" (Gilberto Gil), com Gilberto Gil e Os Mutantes</li> <li>"Ponteio" (Edu Lobo / Capinam), com Edu Lobo e Mar&#xED;lia Medalha</li> <li>"Beto Bom de Bola" (S&#xE9;rgio Ricardo);</li> </ul><p>- quadro de giz ou similar;</p><p> - espa&#xE7;o f&#xED;sico amplo (por exemplo, sala de aula com carteiras encostadas nas paredes).</p> <p> <strong>INTRODU&#xC7;&#xC3;O</strong> </p><p> O 3&#xBA; Festival de M&#xFA;sica Popular Brasileira, da TV Record, de 1967, &#xE9; considerado por muitos o mais significativo entre aqueles que constitu&#xED;ram a &#x93;Era dos Festivais&#x94;. A noite de 21 de outubro de 1967 foi um momento de surpresas e mudan&#xE7;as, uma noite inesquec&#xED;vel para a hist&#xF3;ria da m&#xFA;sica brasileira.</p> <p>Alguns dos fatores que tornaram a data um marco na nossa m&#xFA;sica s&#xE3;o mencionados na reportagem &#x93;O Festival que mudou tudo&#x94;, publicada em BRAVO! de agosto. Al&#xE9;m de sua &#xF3;tima qualidade musical &#x96; com a mistura de diferentes ritmos e sonoridades que marcou o Tropicalismo da MPB &#x96;, o Festival abriu espa&#xE7;o para mudar ao menos duas ideias vigentes na &#xE9;poca: a rela&#xE7;&#xE3;o distante entre artista e p&#xFA;blico e a polariza&#xE7;&#xE3;o entre m&#xFA;sica jovem e m&#xFA;sica brasileira. A transmiss&#xE3;o televisiva deixou evidentes tipos de artistas e de p&#xFA;blico que nasciam naquele momento, capazes de quebrar comportamentos mais formais e se aproximar. Ao mesmo tempo, a criatividade musical dos compositores e arranjadores &#x96; ao incluir sob os mesmos produtos musicais ritmos e timbres instrumentais inusitados (destacando o uso da guitarra el&#xE9;trica) &#x96; indicava, segundo alguns artistas, uma aproxima&#xE7;&#xE3;o entre a chamada M&#xFA;sica Popular Brasileira e o esp&#xED;rito da juventude da &#xE9;poca, antes divididos.</p> <p>Aproveite esse cen&#xE1;rio de mudan&#xE7;as para convidar seus jovens estudantes a conhecer esse cap&#xED;tulo da hist&#xF3;ria da MPB, agora revisitado pelo document&#xE1;rio &#x93;Uma noite em 67&#x94;, dirigido por Renato Terra e Ricardo Calil.</p> <p> <strong>DESENVOLVIMENTO</strong> </p> <p> <strong>1&#xAA; aula: Contextualiza&#xE7;&#xE3;o</strong> </p><p> Para come&#xE7;ar, mostre aos alunos que, durante a aula, a m&#xFA;sica &#xE9; o centro das aten&#xE7;&#xF5;es, o assunto mais importante. Questione-os sobre como &#xE9; a participa&#xE7;&#xE3;o dela em suas vidas e reflita com eles sobre a quase onipresen&#xE7;a da m&#xFA;sica em nosso cotidiano. &#xC9; por isso mesmo que voc&#xEA; deve valoriz&#xE1;-la como material de trabalho durante as aulas. Como fazer isso? Uma alternativa &#xE9; propor exerc&#xED;cios de escuta atenta a uma can&#xE7;&#xE3;o.</p> <p>Para tanto, comece a aula tocando uma das can&#xE7;&#xF5;es mencionadas acima. Pergunte se os alunos a conhecem. Procure garantir a aten&#xE7;&#xE3;o, sugerindo que eles cantem um trecho do refr&#xE3;o que conhe&#xE7;am, por exemplo, e depois prossiga com a discuss&#xE3;o da atividade 1.</p> <p> <strong>Atividade 1: do som &#xE0; forma musical</strong> </p><p> Questione os alunos: O que &#xE9; m&#xFA;sica? A pergunta trar&#xE1; resultados surpreendentes para uma boa discuss&#xE3;o. Deixe que os alunos respondam oralmente e registre no quadro algumas palavras-chave surgeridas. Em seguida, tente compor uma defini&#xE7;&#xE3;o que englobe a maioria dos aspectos levantados.</p> <p>Uma das poss&#xED;veis defini&#xE7;&#xF5;es &#xE9; de que m&#xFA;sica &#xE9; a organiza&#xE7;&#xE3;o de sons. Ou seja, os sons s&#xE3;o a mat&#xE9;ria-prima dela &#x96; de acordo com t&#xE9;cnicas e regras de organiza&#xE7;&#xE3;o, surge a m&#xFA;sica. Se voc&#xEA; concordar com esta defini&#xE7;&#xE3;o, deve come&#xE7;ar um trabalho musical com seus alunos com o conceito mais b&#xE1;sico: o som.</p> <p>Pe&#xE7;a que a turma identifique, em sil&#xEA;ncio, elementos que comp&#xF5;em a &#x93;paisagem sonora&#x94; do ambiente em que se encontram &#x96; ou seja, assim como ao avistar a paisagem emoldurada por uma janela n&#xF3;s observamos diferentes elementos e contornos, &#xE9; poss&#xED;vel pensar em uma paisagem formada por sons. Em um ambiente escolar, talvez a paisagem sonora descrita pelos alunos seja algo como: em primeiro plano, sons da sala de aula (movimentos corporais dos colegas, um l&#xE1;pis que acidentalmente cai no ch&#xE3;o, uma cortina que bate com o vento) e, em planos secund&#xE1;rios, sons do p&#xE1;tio e da rua logo em frente ao col&#xE9;gio, ou mesmo sons mais distantes como a britadeira que &#xE9; utilizada em uma obra a duas quadras da escola.</p> <p>Cientes da quantidade de sons que os cerca, os alunos podem perceber que h&#xE1; uma diferen&#xE7;a entre esse tipo de som &#x93;ambiental&#x94; e aqueles musicais &#x96; muitas vezes emitidos por instrumentos. Explique &#xE0; turma a distin&#xE7;&#xE3;o entre ru&#xED;do e som, pensando no som como elemento ligado diretamente &#xE0; m&#xFA;sica e no ru&#xED;do como som extra-musical (Aten&#xE7;&#xE3;o: quando trabalhar com m&#xFA;sica contempor&#xE2;nea, repense essa quest&#xE3;o, mostrando aos alunos o quanto os compositores incluem ru&#xED;dos em suas obras)</p> <p>Conscientes de que h&#xE1; uma grande quantidade de sons em uma determinada m&#xFA;sica, questione os estudantes: de que forma os sons s&#xE3;o organizados? Apresente, ent&#xE3;o, uma nova defini&#xE7;&#xE3;o: os sons se organizam em blocos, em frases musicais, constituindo diferentes <em>partes</em> que, unidas, resultam em uma <em>forma</em> para a m&#xFA;sica. Da&#xED; o conceito t&#xE3;o importante: a <em>forma</em> musical. Ela &#xE9; determinada pela organiza&#xE7;&#xE3;o de diferentes partes &#x96; como a introdu&#xE7;&#xE3;o, dois ou tr&#xEA;s temas musicais e um refr&#xE3;o &#x96; em ordem. Por exemplo: Introdu&#xE7;&#xE3;o &gt; Parte 1 &gt; Refr&#xE3;o &gt; Parte 2 &gt; Refr&#xE3;o &gt; Parte 3 &gt; Refr&#xE3;o (2x). Este &#xE9; um exemplo de <em>forma</em> musical.</p> <p>Se o conceito de <em>forma</em> for apresentado dessa maneira, com questionamentos e exemplos, certamente a defini&#xE7;&#xE3;o ser&#xE1; melhor compreendida pelos alunos. Procure utilizar a mesma metodologia para outros conte&#xFA;dos, pois m&#xFA;sica &#xE9; algo que se aprende fazendo, experimentando e refletindo.</p> <p> <strong>2&#xAA; atividade: invent&#xE1;rio musical</strong> </p><p> Dado o conceito de forma, proponha aos alunos a audi&#xE7;&#xE3;o de algumas m&#xFA;sicas para que identifiquem elementos que forne&#xE7;am pistas sobre a organiza&#xE7;&#xE3;o interna da m&#xFA;sica, a sua <em>forma</em>.</p> <p>Deixe tocar uma das can&#xE7;&#xF5;es listadas no in&#xED;cio deste plano. Pe&#xE7;a que os alunos identifiquem diferentes sonoridades dentro da estrutura global de cada m&#xFA;sica, fazendo um &#x93;desmonte&#x94;. Por exemplo: a separa&#xE7;&#xE3;o entre a parte <em>r&#xED;tmica</em> e os <em>contornos mel&#xF3;dicos</em>.</p> <p>O ritmo fica bem evidente pela sensa&#xE7;&#xE3;o de movimento, de dan&#xE7;a, que a m&#xFA;sica prop&#xF5;e, principalmente quando s&#xE3;o utilizados instrumentos de percuss&#xE3;o como aqueles reunidos na bateria (tambores, caixas, pratos etc.) e outros como tri&#xE2;ngulo, pandeiros, chocalhos, sinos.</p> <p>Procure demonstrar aos alunos que, ao se concentrar na parte r&#xED;tmica em uma segunda audi&#xE7;&#xE3;o, h&#xE1; v&#xE1;rios elementos que ficam de fora. Portanto, em uma terceira audi&#xE7;&#xE3;o, pe&#xE7;a que eles identifiquem a melodia da m&#xFA;sica. Trata-se da frase musical em si, correspondente &#xE0; cantoria da letra. A melodia &#xE9; uma sequ&#xEA;ncia de sons que caracteriza o sobe-e-desce das diferentes alturas (notas musicais) produzidas pelas nossas cordas vocais ou pelos dedos de um pianista. De forma resumida: se algu&#xE9;m pedir para que voc&#xEA; cante &#x93;Marcha soldado&#x94;, a sequ&#xEA;ncia de sons que voc&#xEA; emitir ser&#xE1; a melodia desta m&#xFA;sica de dom&#xED;nio p&#xFA;blico.</p> <p>Ao cantar a melodia e perceber o ritmo da m&#xFA;sica, sobra apenas o &#x93;recheio&#x94; ou <em>acompanhamento</em> da melodia. Se o ritmo representa a movimenta&#xE7;&#xE3;o da m&#xFA;sica, e a melodia &#xE9; uma sequ&#xEA;ncia de sons sucessivos, o acompanhamento &#xE9; todo o restante que preenche o evento musical.</p> <p>Proponha uma nova audi&#xE7;&#xE3;o e pe&#xE7;a que os alunos prestem muita aten&#xE7;&#xE3;o na <em>melodia</em>. Questione: &#xE9; poss&#xED;vel desenhar no ar, com a ponta do dedo indicador, o caminho da melodia? Ao desenhar a primeira frase de &#x93;Marcha Soldado&#x94;, uma das possibilidades &#xE9; esta, abaixo, em que cada ponto representa uma s&#xED;laba da letra:</p> <p> <img src="http://imgms.alexandria.abril.com.br/1/contorno-156-aula.jpg" alt="contorno" rel="migration"/> </p> <p>Esta n&#xE3;o &#xE9; uma tarefa simples; procure sempre refletir com a turma sobre esse tipo de aproxima&#xE7;&#xE3;o. Explique que &#xE9; uma tentativa de representar em movimento, ou graficamente, um est&#xED;mulo auditivo. Ou seja, ir um passo al&#xE9;m da simples audi&#xE7;&#xE3;o musical, procurando &#x93;enxergar&#x94; aquilo que ouvimos.</p> <p>Para finalizar, se poss&#xED;vel, coloque os alunos em contato com diferentes materiais musicais. Escolha algumas das can&#xE7;&#xF5;es listadas no in&#xED;cio do plano e divida a turma em grupos. Proponha que, para a pr&#xF3;xima aula, cada um ou&#xE7;a a m&#xFA;sica e reflita sobre os diferentes contornos mel&#xF3;dicos existentes nela. Por exemplo: &#x96; h&#xE1; introdu&#xE7;&#xE3;o? &#x96; h&#xE1; um refr&#xE3;o? &#x96; h&#xE1; diferentes letras que s&#xE3;o cantadas sobre uma mesma melodia, do mesmo contorno? Explique que o resultado da atividade ser&#xE1; apresentado para a classe. Cada grupo deve colocar aos colegas suas conclus&#xF5;es em termos de audi&#xE7;&#xE3;o musical, classificando o que ouviram e inventando formas de registro (como o movimento do dedo indicador ou o desenho da linha de contorno mel&#xF3;dico).</p> <p>Importante: pe&#xE7;a que os grupos fa&#xE7;am, tamb&#xE9;m, uma pesquisa sobre a m&#xFA;sica que v&#xE3;o &#x93;decifrar&#x94;, determinando sua &#xE9;poca, compositor(es), int&#xE9;rprete(s) etc.</p> <p> <strong>2&#xAA; aula: Contextualiza&#xE7;&#xE3;o</strong> </p><p> Relembre os passos da discuss&#xE3;o da aula 1, utilizando os termos <em>som</em>, <em>ru&#xED;do</em>, <em>m&#xFA;sica</em>, <em>forma</em>, <em>ritmo</em> e <em>melodia</em>. Antes da apresenta&#xE7;&#xE3;o das reflex&#xF5;es em grupo, comente o repert&#xF3;rio escolhido para as duas aulas. Fale sobre os Festivais de M&#xFA;sica Popular Brasileira, destacando o 3&#xBA; Festival, de 1967. Pe&#xE7;a que os alunos leiam a reportagem &#x93;O Festival que Mudou Tudo&#x94;, publicada em BRAVO!</p> <p>Em outro momento, se poss&#xED;vel, convide os alunos a assistir o document&#xE1;rio &#x93;Uma noite em 67&#x94;, dirigido por Renato Terra e Ricardo Calil, ou organize uma exibi&#xE7;&#xE3;o fechada para a turma (saiba como, no site do filme, destacado ao final deste plano). Se n&#xE3;o for poss&#xED;vel assistir ao filme, procure indicar para os alunos ou levar para a sala de aula as grava&#xE7;&#xF5;es originais das eliminat&#xF3;rias do Festival, dispon&#xED;veis na internet.</p> <p>Destaque os elementos de ordem musical (exemplo: novos ritmos e combina&#xE7;&#xF5;es de instrumentos musicais, uso da guitarra etc.) descritos na reportagem e em outras publica&#xE7;&#xF5;es e sites sobre o Festival. A partir da&#xED;, pe&#xE7;a que os alunos apresentem o resultado de suas conversas e reflex&#xF5;es sobre as m&#xFA;sicas escolhidas. O material ser&#xE1; utilizado na atividade final.</p> <p> <strong>3&#xAA; atividade: registrando o que se ouve</strong> </p><p> Explique &#xE0; mo&#xE7;ada que praticamente todo evento musical &#xE9; regido por uma regra muito simples. Como a percep&#xE7;&#xE3;o da m&#xFA;sica est&#xE1; subordinada &#xE0; emiss&#xE3;o e &#xE0; escuta de t&#xEA;nues ondas sonoras &#x96; ou seja, movimentos que n&#xE3;o podemos enxergar ou &#x93;congelar&#x94; para an&#xE1;lise posterior &#x96;, os compositores utilizam um mecanismo muito eficiente: trabalham com altern&#xE2;ncias de repeti&#xE7;&#xF5;es e contrastes em termos de melodias. Se voltarmos na hist&#xF3;ria da m&#xFA;sica, descobriremos que os gregos j&#xE1; trabalhavam com esse princ&#xED;pio, e que, de uma cantiga de roda a uma sinfonia de Beethoven, a ideia se mant&#xE9;m: altern&#xE2;ncias de repeti&#xE7;&#xF5;es e contrastes.</p> <p>O exemplo mais simples desse mecanismo &#xE9; o refr&#xE3;o. Em uma m&#xFA;sica qualquer, ele &#xE9; rodeado de outras partes contrastantes. Enquanto ele representa um material musical repetido, cada uma das outras partes se alteram. Dessa maneira, entra em opera&#xE7;&#xE3;o o princ&#xED;pio musical das altern&#xE2;ncias de repeti&#xE7;&#xF5;es e contrastes.</p> <p>Com o material produzido pelos alunos, procure repensar as organiza&#xE7;&#xF5;es dos contornos mel&#xF3;dicos destacados, em termos de repeti&#xE7;&#xF5;es e contrastes. H&#xE1; mais de um trecho musical id&#xEA;ntico? E h&#xE1; trechos em que a letra muda, mas o contorno &#xE9; o mesmo?</p> <p>Para finalizar, apresente &#xE0; turma duas can&#xE7;&#xF5;es: &#x93;Roda Viva&#x94; (Chico Buarque), apresentada por Chico e MPB 4 na noite do 3&#xBA; Festival de MPB; e &#x93;Ponteio&#x94; (Edu Lobo / Capinam), can&#xE7;&#xE3;o vencedora do Festival de 1967, apresentada por Edu Lobo e Mar&#xED;lia Medalha.</p> <p>Proponha a constru&#xE7;&#xE3;o de gr&#xE1;ficos para que todos visualizem a forma musical dessas can&#xE7;&#xF5;es, destacando a divis&#xE3;o em diferentes agrupamentos de contornos. Comece mostrando o diagrama abaixo, referente &#xE0; can&#xE7;&#xE3;o de Chico Buarque. Explique que os termos <em>ritardando</em> e <em>acelerando</em> se referem a diferen&#xE7;as na velocidade de batimento do ritmo da m&#xFA;sica.</p> <p> <img src="http://imgms.alexandria.abril.com.br/1/rodavida-156-aula.jpg" alt="rodavida" rel="migration"/> </p> <p>No exemplo, em verde, vermelho e roxo est&#xE3;o destacados tr&#xEA;s contornos mel&#xF3;dicos diferentes. Em verde, aquele que recebe a letra &#x93;Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu/A gente estancou de repente ou foi mundo que ent&#xE3;o cresceu&#x94;, na primeira estrofe, e depois mais tr&#xEA;s letras diferentes. O vermelho, com a letra &#x93;A gente quer ter voz ativa, no nosso destino mandar, Mas eis que chega a roda viva e carrega o destino pra l&#xE1;&#x94;, e em mais tr&#xEA;s partes. O roxo &#xE9; o refr&#xE3;o da can&#xE7;&#xE3;o.</p> <p>Como cada combina&#xE7;&#xE3;o de contornos verde e vermelho &#xE9; interrompido por um refr&#xE3;o, podemos dizer que h&#xE1; repeti&#xE7;&#xE3;o de conte&#xFA;dos musicais a cada vez em que essas partes reaparecem na m&#xFA;sica com letras novas. Tamb&#xE9;m h&#xE1; momentos de repeti&#xE7;&#xE3;o a cada execu&#xE7;&#xE3;o do refr&#xE3;o &#x96; nesse caso, &#xE9; o mesmo material musical e a mesma letra.</p> <p>Explique &#xE0; classe que, entre cada grupo diferente, acontecem contrastes de materiais musicais. &#xC9; o que fica vis&#xED;vel na figura abaixo.</p> <p> <img src="http://imgms.alexandria.abril.com.br/1/rodavida2-156-aula.jpg" alt="rodavida2" rel="migration"/> </p><p> Em seguida, analise com a turma o diagrama da can&#xE7;&#xE3;o &#x93;Ponteio&#x94; (Edu Lobo / Capinam).</p> <p> <img src="http://imgms.alexandria.abril.com.br/1/ponteio-156-aula.jpg" alt="ponteio" rel="migration"/> </p> <p>Nele, aparecem contornos em verde, vermelho e roxo. Em verde, a primeira letra &#xE9; &#x93;Era um, era dois, era cem/Era o mundo chegando e ningu&#xE9;m/Que soubesse que eu sou violeiro/Que me desse o amor ou dinheiro&#x94;, e a segunda, com mesma melodia, &#xE9; &#x93;Era um, era dois, era cem/Vieram pra me perguntar:/&#x91;&#xD4; voc&#xEA;, de onde vai, de onde vem?/Diga logo o que tem pra contar&#x92;&#x94;. Com contorno diferente, e representado em vermelho, aparece a letra &#x93;Parado no meio do mundo/Senti chegar meu momento/Olhei pro mundo e nem via/Nem sombra nem sol/Nem vento&#x94;. O refr&#xE3;o &#xE9; constitu&#xED;do por quatro repeti&#xE7;&#xF5;es da melodia e da frase &#x93;Quem me dera agora eu tivesse a viola pra cantar&#x94;, terminando com uma repeti&#xE7;&#xE3;o da letra &#x93;Pra cantar&#x94;.</p> <p>A altern&#xE2;ncia de repeti&#xE7;&#xF5;es e contrastes &#xE9; semelhante. H&#xE1; tr&#xEA;s estrofes diferentes com a mesma melodia (ret&#xE2;ngulos cinzas), e o refr&#xE3;o &#xE9; repetido quatro vezes, de forma que podemos identificar as se&#xE7;&#xF5;es repetidas, conforme a figura abaixo.</p> <p> <img src="http://imgms.alexandria.abril.com.br/1/ponteio2-156-aula.jpg" alt="ponteio2" rel="migration"/> </p> <p>Esse trabalho de esquematiza&#xE7;&#xE3;o &#xE9; importante para garantir algo mais que apenas a audi&#xE7;&#xE3;o desatenta em atividades de aprecia&#xE7;&#xE3;o musical. Ao representar e construir diagramas, o aluno participa do processo de aprecia&#xE7;&#xE3;o de forma ativa e tira proveito de diversos conte&#xFA;dos musicais (como o princ&#xED;pio de repeti&#xE7;&#xE3;o e contraste) que poderiam passar despercebidos em uma audi&#xE7;&#xE3;o das can&#xE7;&#xF5;es como m&#xFA;sicas &#x93;de fundo&#x94;.</p> <p>Dessa forma, al&#xE9;m de trabalhar quest&#xF5;es hist&#xF3;ricas, a aula de m&#xFA;sica sobre as can&#xE7;&#xF5;es do Festival de MPB de 1967 poder&#xE1; servir de base para o trabalho com diferentes conte&#xFA;dos musicais que acabam garantindo um contato muito mais interessante dos alunos com as can&#xE7;&#xF5;es estudadas.</p> <p>Importante lembrar que a divis&#xE3;o em temas e blocos deve seguir algum princ&#xED;pio de coer&#xEA;ncia pessoal; portanto, &#xE9; poss&#xED;vel que diferentes alunos agrupem os elementos de formas diferentes, e ent&#xE3;o os esquemas poder&#xE3;o ficar apenas parecidos. Explore essas diferen&#xE7;as de percep&#xE7;&#xE3;o e classifica&#xE7;&#xE3;o e mostre o quanto a m&#xFA;sica pode ser interpretada de formas diferentes.</p> <strong>Observa&#xE7;&#xF5;es</strong><p> Como uma constante nas aulas de m&#xFA;sica, estabele&#xE7;a rela&#xE7;&#xF5;es entre conte&#xFA;dos musicais aprendidos na aula e outros repert&#xF3;rios. Com base na ideia de <em>forma</em> musical, por exemplo, &#xE9; poss&#xED;vel trabalhar com in&#xFA;meras refer&#xEA;ncias. Basta escolher m&#xFA;sicas ou trechos com poucas partes, de in&#xED;cio, para estimular a audi&#xE7;&#xE3;o dos alunos e a representa&#xE7;&#xE3;o em diagramas. Trabalhe tamb&#xE9;m com outros tipos de diagramas, como recortes de papel ou outros materiais, para viabilizar a &#x93;visualiza&#xE7;&#xE3;o&#x94; da m&#xFA;sica em sala de aula.</p> <p>Procure adaptar as atividades ao contexto da turma e do espa&#xE7;o. As aulas sugeridas devem ser o ponto de partida para o desenvolvimento de novas propostas de ensino, e n&#xE3;o limitadoras. </p><p> <strong>Avalia&#xE7;&#xE3;o</strong> </p><p> A proposta aqui &#xE9; que os conceitos de som, m&#xFA;sica e forma musical n&#xE3;o sejam definidos previamente com base em livros de teoria musical: o objetivo, ao contr&#xE1;rio, &#xE9; promover a experi&#xEA;ncia musical e apenas depois recorrer &#xE0;s defini&#xE7;&#xF5;es. Dessa forma, deve haver um comprometimento dos alunos na medida em que &#xE9; necess&#xE1;rio participar e concentrar-se nas atividades para que as defini&#xE7;&#xF5;es sejam conquistadas naturalmente no decorrer das discuss&#xF5;es. Com isso em mente, avalie o desempenho da turma em termos de concentra&#xE7;&#xE3;o e participa&#xE7;&#xE3;o.</p> <p>&#xC9; importante que os alunos compreendam a execu&#xE7;&#xE3;o da atividade 2 para que o invent&#xE1;rio musical do Festival de 1967 seja de fato trabalhado fora de sala e apresentado em classifica&#xE7;&#xF5;es e reflex&#xF5;es na aula seguinte. De outra forma, a segunda aula fica sem mat&#xE9;ria-prima para avan&#xE7;o no conte&#xFA;do. Cobre o comprometimento da mo&#xE7;ada com a atividade extraclasse.</p> <p>Al&#xE9;m disso, eventualmente os estudantes podem ser levados a discutir as defini&#xE7;&#xF5;es te&#xF3;ricas por meio de outros instrumentos de avalia&#xE7;&#xE3;o, como uma prova escrita ou uma produ&#xE7;&#xE3;o escrita individual ou em duplas.</p> <strong>Quer saber mais?</strong> <p>Consulte o site <a href="http://www.umanoiteem67.com.br" rel="migration">http://www.umanoiteem67.com.br</a> para conhecer detalhes do document&#xE1;rio &#x93;Uma noite em 67&#x94;, dirigido por Renato Terra e Ricardo Calil. Aproveite para consultar maneiras de organizar sess&#xF5;es fechadas para estudantes, como &#xE9; oferecido na p&#xE1;gina inicial. </p><p>Consultoria <strong>Tiago Madalozzo</strong>, mestre em Comunica&#xE7;&#xE3;o e Linguagens pela Universidade Tuiuti do Paran&#xE1; e professor assistente do curso de M&#xFA;sica &#x96; Educa&#xE7;&#xE3;o Musical da Universidade Federal do Paran&#xE1;.</p> Propor uma abordagem musical para trabalho em sala a partir de canções consagradas no III Festival de MPB da TV Record, começando por uma discussão do conceito de música e de organização sonora; propor a organização de um inventário musical do Festival; apresentar à turma a ideia de forma musical com base em atividades de apreciação. 2011-06-02T14:31:45-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Agosto/2010 Propor uma abordagem musical para trabalho em sala a partir de canções consagradas no III Festival de MPB da TV Record, começando por uma discussão do conceito de música e de organização sonora; propor a organização de um inventário musical do Festival; apresentar à turma a ideia de forma musical com base em atividades de apreciação. Sala de Aula Redação Bravo BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/historia-arte-mundo-trabalho História da Arte e Mundo do Trabalho 2011-06-03T11:51:35-03:00 <strong>SOCIOLOGIA</strong><a href="/materia/danca-boemia-talento" rel="migration"> <strong>"A Dan&#xE7;a Bo&#xEA;mia do Talento" - leia a mat&#xE9;ria</strong> </a> <p><strong>CONTE&#xDA;DOS</strong>Hist&#xF3;ria da arte e mundo do trabalho</p> <p><strong>HABILIDADES</strong>Compreender as diversas concep&#xE7;&#xF5;es do fazer art&#xED;stico ao longo dos s&#xE9;culos e analisar os desafios atuais do universo profissional</p> <p><strong>TEMPO SUGERIDO</strong>Duas aulas</p> <p>------</p> <p> <strong>A cigarra e a formiga</strong> </p> <p> <em>Mostre &#xE0; turma os dilemas comuns &#xE0; escolha de uma profiss&#xE3;o e aproveite para discutir os desafios da carreira art&#xED;stica na atualidade</em> </p> <p>Era inverno e uma cigarra faminta pediu &#xE0;s formigas o que comer, mas elas disseram: "Por que voc&#xEA; tamb&#xE9;m n&#xE3;o armazenou sua provis&#xE3;o durante o ver&#xE3;o?". "N&#xE3;o tive tempo", respondeu a cigarra. "No ver&#xE3;o, eu cantava". As formigas completaram: "Ent&#xE3;o agora dance". E ca&#xED;ram na gargalhada.</p> <p>A f&#xE1;bula de Esopo (550 a.C.) ilustra bem um dilema universal, que est&#xE1; por tr&#xE1;s da reportagem "A Dan&#xE7;a Bo&#xEA;mia do Talento", de BRAVO!: para que pensar no futuro em vez de simplesmente aproveitar o presente? Por que devo me ocupar com coisas duras e desagrad&#xE1;veis, quando posso fazer o que gosto despreocupadamente?</p> <p>Aproveite a f&#xE1;bula e a reportagem para promover um debate sobre carreira com seus alunos e mostrar a eles os crit&#xE9;rios que impactam a escolha de uma profiss&#xE3;o.</p> <p> <strong>Atividades</strong> </p> <p> <strong>1&#xAA; Aula</strong> </p> <p>Relembre com a turma a f&#xE1;bula "A Cigarra e a Formiga" e, em seguida, pe&#xE7;a que todos reflitam alguns instantes sobre as seguintes quest&#xF5;es. O que &#xE9; mais importante: agir hoje pensando no amanh&#xE3; ou viver intensamente o momento presente? Se voc&#xEA;s fossem a formiga da hist&#xF3;ria, reagiriam da mesma maneira ou ajudariam a cigarra? Por qu&#xEA;? Explique &#xE0; mo&#xE7;ada que a d&#xFA;vida entre agir de acordo com a cabe&#xE7;a ou com o cora&#xE7;&#xE3;o &#xE9; bastante frequente em momentos de decis&#xE3;o - como a escolha de uma profiss&#xE3;o, por exemplo.</p> <p> <strong> <img src="http://imgms.alexandria.abril.com.br/1/fabulas-148-g.jpg" rel="migration"/> <em>F&#xE1;bula ilustra os dilemas profissionais</em> </strong> <strong> <em>que permeiam o imagin&#xE1;rio humano</em> </strong> </p> <p>Pergunte &#xE0; classe se algu&#xE9;m sabe que profiss&#xE3;o gostaria de exercer no futuro. Pe&#xE7;a que os alunos manifestem em voz alta o of&#xED;cio desejado, especificando os motivos que justificam suas escolhas.</p> <p>Em seguida, proponha uma din&#xE2;mica para saber quais s&#xE3;o os crit&#xE9;rios que mais contam na hora de escolher uma ocupa&#xE7;&#xE3;o. Escreva no quadro cinco itens: () dinheiro, () estabilidade, () reconhecimento social, () realiza&#xE7;&#xE3;o pessoal, () atender &#xE0;s expectativas familiares.</p> <p>Pe&#xE7;a que a garotada atribua pontos de 1 a 5 aos quesitos que consideram mais relevantes - em que 1 significa prioridade m&#xE1;xima e cinco, m&#xED;nima. Quando terminarem, promova um debate na sala, questionando os crit&#xE9;rios mais valorizados por cada um e ouvindo as raz&#xF5;es que os levaram a escolher tal ordem de prioridade.</p> <p> <strong>2&#xAA; Aula</strong> </p> <p>Pergunte &#xE0; classe se algu&#xE9;m gostaria de ser artista e por qu&#xEA;. Em seguida, comente a mat&#xE9;ria de BRAVO!, citando os desafios enfrentados no in&#xED;cio da carreira por personalidades como a atriz Fernanda Torres e o escritor Milton Hatoum.</p> <p>Fa&#xE7;a um breve panorama da evolu&#xE7;&#xE3;o das diversas concep&#xE7;&#xF5;es do fazer art&#xED;stico ao longo da hist&#xF3;ria ocidental. Comece pela Gr&#xE9;cia Antiga, onde nem mesmo existia a ideia de artista como n&#xF3;s a empregamos atualmente. Explique que, na &#xE9;poca, a arte estava de tal forma integrada &#xE0; vida que os art&#xED;fices que produziam vasos, &#xE2;nforas, est&#xE1;tuas ou templos eram tratados como simples trabalhadores manuais - como agricultores ou marceneiros, por exemplo. Comente que mesmo durante a Idade M&#xE9;dia, o artista ainda era visto como um mero artes&#xE3;o an&#xF4;nimo a servi&#xE7;o das institui&#xE7;&#xF5;es religiosas, n&#xE3;o recebendo nenhum privil&#xE9;gio pelo cumprimento de seu of&#xED;cio.</p> <p>Somente com o Renascimento (s&#xE9;culos XV e XVI) esses profissionais passaram a ser respeitados como uma classe aut&#xF4;noma, o que resultou no reposicionamento da arte como trabalho intelectual. Apoiados pelo mecenato dos Medici, nomes como Leonardo da Vinci (1452-1519), Michelangelo Buonarroti (1475-1564) e Sandro Botticelli (1445-1510) foram imortalizados por obras-primas em que aplicavam as &#xFA;ltimas descobertas da ci&#xEA;ncia &#xE0; representa&#xE7;&#xE3;o naturalista do homem como centro do mundo. N&#xE3;o por acaso, datam dessta &#xE9;poca os primeiros auto-retratos de pintores que, a partir de ent&#xE3;o, passaram a assinar suas obras.</p> <p>Destaque que, nos s&#xE9;culos XVIII e XIX, a figura do artista ganhou um status sem precedentes na hist&#xF3;ria, ao ser elevada &#xE0; categoria de "g&#xEA;nio". Para os rom&#xE2;nticos, o ele era uma criatura &#xFA;nica, 100% original, um ser quase divino, cujos dons e talentos inatos expressavam sua natureza superior por meio de obras memor&#xE1;veis, capazes de fazer com que as pessoas comuns entrassem em contato com sua imagina&#xE7;&#xE3;o criadora. &#xC9; o caso de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) que, aos 5 anos, j&#xE1; compunha pe&#xE7;as musicais que at&#xE9; hoje surprendem, emocionam e encantam.</p> <p>Chame a aten&#xE7;&#xE3;o da turma para o fato de a celebra&#xE7;&#xE3;o do artista como g&#xEA;nio trazer certos efeitos colaterais. Se por um lado, ele era reconhecido e adorado como semideus, por outro, s&#xF3; poderia exercer suas prerrogativas divinas ao pre&#xE7;o do afastamento da realidade concreta. Atividades mundanas como preocupar-se com o pr&#xF3;prio sustento, controlar despesas cotidianas ou ocupar-se com um trabalho convencional seriam pr&#xE1;ticas totalmente estranhas &#xE0; &#xED;ndole sens&#xED;vel, criativa e nada pragm&#xE1;tica do g&#xEA;nio rom&#xE2;ntico.</p> <p>Explique &#xE0; mo&#xE7;ada que, como mostra a mat&#xE9;ria de BRAVO!, este tipo de artista "lun&#xE1;tico" dificilmente conseguiria se dar bem no competitivo mercado cultural de hoje. Conquistar um lugar sob os holofotes exige dedica&#xE7;&#xE3;o e esfor&#xE7;o. Como descreve a cantora Maria Rita - que estudou Comunica&#xE7;&#xE3;o Social e chegou a cogitar dedicar-se ao direito do entretenimento - e o cineasta Fernando Meirelles - formado em Arquitetura e diretor freelancer de filmes publicit&#xE1;rios -, o artista frequentemente desempenha atividades paralelas ao longo da carreira, ou em parte dela, para garantir seu sustento.</p> <p>Lembre o coment&#xE1;rio de Thomas Edison, o inventor da l&#xE2;mpada el&#xE9;trica: "O g&#xEA;nio &#xE9; 1% inspira&#xE7;&#xE3;o e 99% transpira&#xE7;&#xE3;o". Explique que, para fazer sucesso, o talento da cigarra &#xE9; fundamental, mas o trabalho da formiga tamb&#xE9;m conta bastante. Vide os exemplos da artista pl&#xE1;stica Beatriz Milhazes, do diretor teatral Felipe Hirsch e da core&#xF3;grafa D&#xE9;bora Colker, citados em BRAVO! - gente famosa e bem-sucedida que soube unir capacidade e autodetermina&#xE7;&#xE3;o para alcan&#xE7;ar o que, no fundo, todo mundo deseja, seja artista ou n&#xE3;o: realiza&#xE7;&#xE3;o pessoal, reconhecimento profissional e o merecido aplauso da sociedade.</p> <p>Para finalizar, pe&#xE7;a que a turma prepare, para a aula seguinte, um texto opinativo sobre o tema: "Os desafios da carreira art&#xED;stica no Brasil de hoje".</p> <p> <em>Plano de aula sugerido por <strong>Al&#xE9;xia Bretas</strong>, doutoranda em Filosofia pela USP.</em> </p> 2011-06-02T14:31:42-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Dezembro/2009 Sala de Aula Redação Bravo BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/carlos-drummond-andrade-critico-picante Carlos Drummond de Andrade: Um Crítico Picante 2011-06-03T11:51:33-03:00 Rodrigo Priante Ugá <strong>Conte&#xFA;dos</strong><p>Cr&#xED;tica liter&#xE1;ria; literatura brasileira </p><p><strong>Objetivos</strong>Discutir a cr&#xED;tica liter&#xE1;ria presente nas cartas de Drummond a Cyro dos Anjos;</p> <p>Pesquisar e refletir sobre os conte&#xFA;dos presentes em manifestos e editoriais de grupos liter&#xE1;rios durante a d&#xE9;cada de 1920;</p> <p>Analisar trechos das obras: <em>Cangaceiros</em>, de Jos&#xE9; Lins do Rego e <em>O Amanuense Belmiro</em> de Cyro dos Anjos;</p> <p>Redigir uma carta opinando sobre os aspectos s&#xF3;cio-liter&#xE1;rios que marcaram a literatura brasileira ap&#xF3;s a primeira fase do modernismo.</p> <p><strong>Tempo sugerido</strong>Quatro aulas</p> <p> <strong>Introdu&#xE7;&#xE3;o</strong> </p> <p>A troca de correspond&#xEA;ncias costumava ser uma pr&#xE1;tica comum entre escritores e se tornou uma importante fonte de estudo para historiadores e literatos. Nas linhas escritas a amigos, poetas e romancistas analisavam a literatura de seu tempo e deixavam registradas opini&#xF5;es e ideologias.</p> <p>Um bom exemplo da riqueza dessas refer&#xEA;ncias veio &#xE0; tona recentemente com a reportagem <em>Drummond: o poeta das opini&#xF5;es fortes</em>, de Andr&#xE9; Nigri e Jo&#xE3;o Barile, publicada em <strong>BRAVO!.</strong> Nela est&#xE3;o publicados trechos in&#xE9;ditos de cartas que o poeta trocava com seu amigo Cyro dos Anjos, na qual discutiam a literatura da &#xE9;poca. Utilize o texto e este plano de aula para debater com a mo&#xE7;ada os rumos que a literatura brasileira deveria seguir segundo o poeta mineiro.</p> <p> <strong>Desenvolvimento</strong> </p> <p>Antes de entrar em sala, fa&#xE7;a uma pesquisa na biblioteca da escola e separe o maior n&#xFA;mero poss&#xED;vel de obras que marcaram a literatura social regionalista brasileira em meados do s&#xE9;culo 20 (procure, por exemplo, as obras: <em>Vidas Secas</em> e <em>S&#xE3;o Bernardo</em> de Graciliano Ramos, <em>Menino de Engenho</em> e <em>Fogo Morto</em> de Jos&#xE9; Lins do Rego, <em>Cacau</em>, <em>Gabriela, Cravo e Canela</em> e <em>Capit&#xE3;es de Areia</em> de Jorge Amado, <em>O Quinze</em> e <em>Lampi&#xE3;o</em> de Rachel de Queiroz, <em>A Madona e o Cedro</em> de Ant&#xF4;nio Callado).</p> <p> <strong>1&#xAA; aula</strong> </p> <p>Em posse dos livros, comece a aula verificando como est&#xE1; o repert&#xF3;rio dos alunos.Pergunte se a turma j&#xE1; ouviu falar em literatura social regionalista. Questione os alunos sobre quais autores e obras poderiam ser classificadas como representantes desse movimento liter&#xE1;rio - anote as sugest&#xF5;es da classe no quadro. Indague tamb&#xE9;m se algu&#xE9;m j&#xE1; leu uma dessas obras e quais as suas opini&#xF5;es sobre ela.</p> <p>Em seguida, apresente os livros que voc&#xEA; encontrou na biblioteca da escola e fale resumidamente sobre como as obras representam o romance social regionalista, que ganhou for&#xE7;a no Brasil em meados do s&#xE9;culo 20. Ressalte que, no nordeste do pa&#xED;s, os autores que se dedicavam a esse movimento liter&#xE1;rio procuravam denunciar a mis&#xE9;ria da regi&#xE3;o - muitas vezes por meio da idealiza&#xE7;&#xE3;o de personagens m&#xED;sticos e do banditismo dos cangaceiros.</p> <p>Apresente aos estudantes, ent&#xE3;o, a reportagem <em>Drummond: o poeta das opini&#xF5;es fortes</em> de Andr&#xE9; Nigri e Jo&#xE3;o Barile, publicada em <strong>BRAVO!</strong>. Pe&#xE7;a que leiam o texto e esclare&#xE7;a as d&#xFA;vidas que surgirem - sempre contextualizando o per&#xED;odo em que Drummond redigia as cartas ao amigo Cyro dos Anjos.</p> <p>Comente com a turma as caracter&#xED;sticas da vida e da obra de Drummond - sua participa&#xE7;&#xE3;o em jornais e revistas; sua forma&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tica pelo Partido Republicano Mineiro; o grande tempo que passou trabalhando para o governo; sua contradit&#xF3;ria posi&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tica; o impacto causado pelo uso de seus versos presentes em <em>A Rosa</em> <em>do Povo</em> (1945) como palavras de ordem contra o regime militar.</p> <p>Relembre que Drummond era um dos modernistas e apresente &#xE0; classe a frase de Roberto Said, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a respeito deles: "os escritores modernistas, inseridos nas redes da burocracia estatal, envolveram-se em empreendimentos e enuncia&#xE7;&#xF5;es coletivas que abarcavam tanto os dom&#xED;nios est&#xE9;ticos quanto os pol&#xED;ticos." Discuta-a com os estudantes.</p> <p>Retome a reportagem e destaque que Drummond n&#xE3;o valorizava os esfor&#xE7;os dos escritores do grupo regionalista - encabe&#xE7;ado por Gilberto Freyre - e, tampouco se contentava com os escritores do grupo cat&#xF3;lico reunido em torno da revista <em>Festa</em> - Cec&#xED;lia Meireles, Vin&#xED;cius de Morais, Augusto Frederico Schmidt, entre outros.</p> <p>Pe&#xE7;a que os alunos comentem o assunto com base na revista. Para complementar, explique que o poeta mineiro viu no amigo Cyro dos Anjos uma possibilidade de "terceira via". Ao lan&#xE7;ar seu primeiro romance, <em>O Amanuense Belmiro</em>, Cyro abre espa&#xE7;o para uma literatura diferente, que se sobrep&#xF5;e ao modelo regionalista (focado puramente na observa&#xE7;&#xE3;o e na documenta&#xE7;&#xE3;o da realidade) e prop&#xF5;e uma viagem interior na intimidade humana. Nas palavras de Antonio Candido, h&#xE1; no livro "um movimento de b&#xE1;scula entre a realidade e o sonho" (saiba mais nas refer&#xEA;ncias dispon&#xED;veis ao final deste plano).</p> <p> <strong>2&#xAA; aula</strong> </p> <p>Leve os alunos &#xE0; sala de inform&#xE1;tica e apresente a eles o site <em>Antologia de Textos Fundadores do Comparatismo Liter&#xE1;rio Interamericano</em> (<a href="http://www.ufrgs.br/cdrom/index.htm" rel="migration">http://www.ufrgs.br/cdrom/index.htm</a>). Conte &#xE0; classe que o portal &#xE9; resultado de um projeto de pesquisa realizado pela professora Dra. Zil&#xE1; Bernd, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e foi patrocinado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&#xED;fico e Tecnol&#xF3;gico (CNPq). No site, a turma vai encontrar 77 textos de diferentes autores, seguidos de coment&#xE1;rios elaborados por pesquisadores do Brasil e do exterior. (Caso a escola n&#xE3;o disponha de uma sala de inform&#xE1;tica, imprima o texto abaixo e entregue algumas c&#xF3;pias aos alunos).</p> <p>Instigue a turma a procurar o <em>Manifesto Regionalista</em> (<a href="http://www.ufrgs.br/cdrom/freyre/index.htm" rel="migration">http://www.ufrgs.br/cdrom/freyre/index.htm</a>) de Gilberto Freyre. Pe&#xE7;a que leiam os dez primeiros par&#xE1;grafos. Diga aos alunos que prestem aten&#xE7;&#xE3;o aos temas ali discutidos:</p> <p>1. Regionalismo do Recife: o que &#xE9;?</p> <p>2. Nem separatismo nem bairrismo</p> <p>3. Precisamos de uma articula&#xE7;&#xE3;o inter-regional</p> <p>4. O Nordeste e o Brasil.</p> <p>Enfatize junto aos alunos que esse movimento tinha por finalidade desenvolver o sentimento de unidade do Nordeste e visava trabalhar em prol dos interesses da regi&#xE3;o nos seus aspectos diversos: sociais, econ&#xF4;micos e culturais. Conte que o Centro Regionalista do Nordeste buscava valorizar a cultura nordestina por meio de confer&#xEA;ncias, exposi&#xE7;&#xF5;es de arte, manuten&#xE7;&#xE3;o de bibliotecas especializadas, financiamento de edi&#xE7;&#xF5;es de revistas, entre outras atividades.</p> <p>Por fim, ressalte que o manifesto influenciou diretamente na vida cultural do pa&#xED;s. O regionalismo arrebatou escritores e intelectuais - que se sentiam propensos a aderir &#xE0; causa social e a reclamar um Brasil mais justo.</p> <p> <strong>3&#xAA; aula</strong> </p> <p>Novamente na sala de inform&#xE1;tica, apresente &#xE0; turma o site da <em>Brasiliana USP (<a href="http://www.brasiliana.usp.br/" rel="migration">http://www.brasiliana.usp.br/</a>)</em>. Ap&#xF3;s breve explana&#xE7;&#xE3;o sobre a import&#xE2;ncia desse projeto vinculado &#xE0; Biblioteca Mindlin - que disponibiliza na internet um grande n&#xFA;mero de obras raras - oriente a turma a pesquisar a revista liter&#xE1;ria fundada, entre outros, por Carlos Drummond de Andrade. Um dos caminhos mais f&#xE1;ceis para encontrar os exemplares de <em>A Revista</em> &#xE9; por meio da uma busca pelo ano de publica&#xE7;&#xE3;o (o site disponibiliza tr&#xEA;s exemplares na integra: dois de 1925 e o outro de 1926).</p> <p>Pe&#xE7;a que os alunos leiam os seguintes textos: <em>Para os C&#xE9;ticos (<a href="http://www.brasiliana.usp.br/bbd/handle/1918/01956110#page/6/mode/1up" rel="migration">http://www.brasiliana.usp.br/bbd/handle/1918/01956110#page/6/mode/1up</a>)</em>, de Drummond, presente no primeiro exemplar de 1925 e <em>Para os Esp&#xED;ritos Criadores (<a href="http://www.brasiliana.usp.br/bbd/handle/1918/01956120#page/11/mode/1up" rel="migration">http://www.brasiliana.usp.br/bbd/handle/1918/01956120#page/11/mode/1up</a>)</em>, de Martins de Almeida, presente no segundo exemplar do mesmo ano.</p> <p>Chame a aten&#xE7;&#xE3;o da turma para o car&#xE1;ter est&#xE9;tico-ideol&#xF3;gico presente nesses textos-manifestos. Pe&#xE7;a que observem as palavras de Drummond:</p> <p>"A&#xE7;&#xE3;o intensiva em todos os campos: na literatura, na arte, na pol&#xED;tica. Somos pela renova&#xE7;&#xE3;o intelectual do Brasil, renova&#xE7;&#xE3;o que se tornou um imperativo categ&#xF3;rico. Pugnamos pelo saneamento da tradi&#xE7;&#xE3;o, que n&#xE3;o pode continuar a ser o t&#xFA;mulo de nossas ideias, mas antes a fonte generosa de que elas dimanem. Somos, finalmente, um &#xF3;rg&#xE3;o pol&#xED;tico".</p> <p>No edital do segundo n&#xFA;mero, Martins de Almeida refor&#xE7;a as ideias de Drummond dizendo:</p> <p>"N&#xE3;o queremos atirar pedras ao passado. O nosso verdadeiro objetivo &#xE9; esculpir o futuro. A&#xED; est&#xE3;o problemas essenciais da nacionalidade exigindo uma solu&#xE7;&#xE3;o imediata. Pretendemos realizar, ao mesmo tempo, uma obra de cria&#xE7;&#xE3;o e de cr&#xED;tica (...). Acolhemos com simpatia o regionalismo. Aproveitamos nesse movimento alguns reflexos do nosso ambiente, a originalidade local do nosso interior. Se bem que pretendamos caminhar noutro sentido: dominar pelo esp&#xED;rito o nosso meio e n&#xE3;o nos escravizarmos a ele".</p> <p>Incentive os alunos a analisar os trechos. Conclua com a classe que a palavra de ordem era a moderniza&#xE7;&#xE3;o do Brasil em diversas frentes.</p> <p>Para finalizar, enfatize com a turma que as ideias contidas nos dois textos diferem substancialmente das apresentadas pelo grupo liderado por Gilberto Freyre. Assim como o soci&#xF3;logo, o grupo de Drummond tamb&#xE9;m deixaria suas marcas, assinalando outra via para os escritores que, como Cyro dos Anjos, n&#xE3;o se sentiam propensos a perpetuarem os passos dos regionalistas.</p> <p> <strong>4&#xAA; aula</strong> </p> <p>Apresente &#xE0; turma os livros <em>O Amanuense Belmiro</em> (1937) de Cyro dos Anjos e <em>Cangaceiros</em> (1953) de Jos&#xE9; Lins do Rego. Retome a reportagem de BRAVO! e lembre os alunos de que o escritor, juntamente com Rachel de Queiroz, foi acusado em tom confidencial por Drummond ao amigo Cyro dos Anjos por "n&#xE3;o saber escrever".</p> <p>Fa&#xE7;a uma breve explana&#xE7;&#xE3;o sobre as obras. O livro de Jos&#xE9; Lins do Rego &#xE9; sua &#xFA;ltima obra. Nela, o escritor retoma a hist&#xF3;ria iniciada em <em>Pedra Bonita</em> (1938). A trama se desenvolve em torno do amor proibido de Bentinho, irm&#xE3;o de um temido cangaceiro, e Alice, filha de um inimigo do canga&#xE7;o. As p&#xE1;ginas relatam o drama pela sobreviv&#xEA;ncia diante da brutalidade dos sertanejos e de um sert&#xE3;o impregnado de misticismo. Jos&#xE9; Lins do Rego, seguindo os ditames de Gilberto Freyre, procurava denunciar as injusti&#xE7;as contra os homens, v&#xED;timas do jogo pol&#xED;tico-econ&#xF4;mico. Em <em>Cangaceiros</em> a realiza&#xE7;&#xE3;o humana n&#xE3;o se concretiza. Frente a uma cruel realidade, &#xE9; na f&#xE9; que o sertanejo se agarra.</p> <p>O livro de Cyro dos Anjos, por sua vez, segue o caminho oposto. Diferente dos escritores regionalistas - que se voltavam para a tem&#xE1;tica de den&#xFA;ncia social, com uma descri&#xE7;&#xE3;o fria do exterior e uma linguagem isenta das ousadias - o livro apresenta uma tem&#xE1;tica urbana. A hist&#xF3;ria &#xE9; baseada na vida inquieta de Belmiro, personagem inserido em uma realidade burocr&#xE1;tica e paradoxal. O livro traz tamb&#xE9;m uma linguagem inovadora que se caracteriza pela densidade composicional e tende para um estilo limpo, harmonioso e disciplinado.</p> <p>Para finalizar, proponha &#xE0; classe uma atividade avaliativa. Pe&#xE7;a que os alunos leiam o primeiro cap&#xED;tulo dos dois romances. A leitura pode ser realizada em duplas por meio de fotoc&#xF3;pias. Cada aluno l&#xEA; um cap&#xED;tulo. Por meio da leitura, a mo&#xE7;ada deve perceber textualmente as diferen&#xE7;as que marcam as duas obras.</p> <p>Terminada a leitura, proponha que os alunos que escrevam uma carta (aqui vale lembrar a estrutura de uma carta)a um colega de outra dupla colocando suas opini&#xF5;es a respeito das cr&#xED;ticas severas de Drummond aos escritores que seguiam um caminho distinto do seu. Lembre que essas cr&#xED;ticas mais sinceras n&#xE3;o foram emitidas publicamente. Foi justamente pelo alto grau de amizade entre os dois escritores mineiros que o poeta teve liberdade suficiente para emitir opini&#xF5;es mais r&#xED;spidas.</p> <p> <strong>Avalia&#xE7;&#xE3;o</strong> </p> <p>A avalia&#xE7;&#xE3;o desta proposta de aula deve considerar a participa&#xE7;&#xE3;o efetiva dos alunos durante as aulas, assim como a an&#xE1;lise dos textos produzidos pela turma.</p> <p> <strong>Quer saber mais?</strong> </p> <p> <strong>Bibliografia</strong> </p> <p><strong>-A Ang&#xFA;stia da a&#xE7;&#xE3;o</strong>, Roberto Said, Ed. UFPR; Ed. UFMG, tel.</p> <p><strong>-A dimens&#xE3;o da Noite</strong>, Jo&#xE3;o Luiz Lafet&#xE1;, Duas Cidades; Ed. 34, tel.</p> <p><strong>-A Recep&#xE7;&#xE3;o Cr&#xED;tica de <em>O Amanuense Belmiro</em>, de Cyro dos Anjos (1937)</strong>, Ana Paula Franco Nobile, Annablume, tel.</p> <p><strong>- Brigada Ligeira</strong>, Antonio Candido, Unesp, tel.</p> <p><strong>-Cangaceiros</strong>, Jos&#xE9; Lins do Rego, Jos&#xE9; Olympio, tel.</p> <p><strong>-Hist&#xF3;ria Concisa da Literatura Brasileira</strong>, Alfredo Bosi, Cultrix, tel.</p> <p><strong>-O Amanuense Belmiro</strong>, Cyro dos Anjos, Globo, tel.</p> <p><strong>-Vanguarda Europ&#xE9;ia e Modernismo Brasileiro</strong>, Gilberto Mendon&#xE7;a Teles, Vozes, tel.</p> <p> <strong>Sites</strong> </p> <p> <em>-Analogia dos Textos Fundadores do Comparatismo Liter&#xE1;rio Interamericano:</em> </p> <p> <a href="http://www.ufrgs.br/cdrom/index.htm" rel="migration">http://www.ufrgs.br/cdrom/index.htm</a> </p> <p>-<em>Brasiliana USP</em></p> <p> <a href="http://www.brasiliana.usp.br/" rel="migration">http://www.brasiliana.usp.br/</a> </p> <p>Consultoria <strong>Rodrigo Priante Ug&#xE1;</strong>, mestrando em Literatura e Cr&#xED;tica Liter&#xE1;ria pela Pontif&#xED;cia Universidade Cat&#xF3;lica de S&#xE3;o Paulo (PUC/SP) e professor do Ensino M&#xE9;dio da Rede P&#xFA;blica do Estado de S&#xE3;o Paulo.</p> Aproveite as correspondências trocadas entre os amigos Drummond e Cyro dos Anjos para promover discussões literárias com os alunos. 2011-06-02T14:31:41-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Fevereiro 2011 Aproveite as correspondências trocadas entre os amigos Drummond e Cyro dos Anjos para promover discussões literárias com os alunos. Sala de Aula Redação Bravo BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/rubem-fonseca-sua-obra Rubem Fonseca e Sua Obra 2011-06-03T11:50:48-03:00 <a href="/materia/rubem-fonseca-seminarista" rel="migration"><strong>"O personagem Rubem Fonseca" - clique aqui para ler a mat&#xE9;ria</strong> </a> <p> </p> <p> <strong>CONTE&#xDA;DO</strong> </p> <p>Literatura, Rubem Fonseca e sua obra</p> <p> <strong>HABILIDADES</strong> </p> <p>Analisar e discutir o conto <em>Manh&#xE3; de Sol</em> de Rubem Fonseca destacando uma poss&#xED;vel correspond&#xEA;ncia entre o personagem Comiss&#xE1;rio e o autor</p> <p> <strong>TEMPO SUGERIDO</strong> </p> <p>Tr&#xEA;s aulas</p> <p>------</p> <p> <strong>As diversas faces de Rubem Fonseca</strong> </p> <p> <em>Desperte o interesse dos alunos sobre um dos maiores mestres da fic&#xE7;&#xE3;o brasileira</em> </p> <p>A pr&#xE1;tica da leitura entre os alunos do Ensino M&#xE9;dio muitas vezes &#xE9; vista como uma tarefa laboriosa, desvinculada de prazer e, por isso, entediante. No entanto, essa percep&#xE7;&#xE3;o muda quando os alunos se depararam com textos de linguagem e tem&#xE1;ticas que se assemelham ao contexto pol&#xED;tico-social em que vivem. Assim, a obra do ficcionista Rubem Fonseca torna-se um prato cheio para professores interessados em despertar nos alunos o prazer da leitura.</p> <p> <strong>Atividades</strong> </p> <p><strong>1&#xAA; aula</strong> - Antes de come&#xE7;ar a trabalhar Rubem Fonseca em sala de aula, fa&#xE7;a uma pesquisa das obras do autor em bibliotecas e separe o maior n&#xFA;mero poss&#xED;vel de livros para que os alunos possam manuse&#xE1;-los - muitas vezes, a biblioteca da pr&#xF3;pria escola possui alguns exemplares. O contato direto com os livros favorece o interesse da turma pela leitura.</p> <p>Com os livros em m&#xE3;os, comece a aula procurando saber quem conhece a obra de Rubem Fonseca. Pergunte se algu&#xE9;m j&#xE1; leu algum conto, cr&#xF4;nica ou romance do autor. Enquanto essas informa&#xE7;&#xF5;es preliminares v&#xE3;o sendo colhidas, distribua os livros &#xE0; mo&#xE7;ada. Provavelmente, alguns deles iniciar&#xE3;o a leitura, e, em uma r&#xE1;pida olhadela, encontrar&#xE3;o situa&#xE7;&#xF5;es que lhes interessam (cenas de sexo, viol&#xEA;ncia, linguajar chulo...). Tudo isso servir&#xE1; como est&#xED;mulo &#xE0; leitura.</p> <p>Num segundo momento, apresente aos alunos a reportagem de <strong>BRAVO!</strong>. Comente as caracter&#xED;sticas da vida e da obra do escritor e procure esclarecer as d&#xFA;vidas que surgirem. Vale destacar a rela&#xE7;&#xE3;o entre o autor e seus personagens - mostrada na revista - e explicar que ela acontece tanto nos contos e cr&#xF4;nicas, quanto nos romances. Destes &#xFA;ltimos, voc&#xEA; pode destacar o personagem comiss&#xE1;rio Mattos, de <em>Agosto</em> (1990), e Jos&#xE9;, protagonista de <em>O Seminarista</em> (2009). Para enriquecer a din&#xE2;mica da aula utilize, tamb&#xE9;m, o ensaio do cr&#xED;tico Jo&#xE3;o Luiz Lafet&#xE1; (1946-1996) intitulado <em>Rubem Fonseca, do Lirismo &#xE0; Viol&#xEA;ncia</em>. A obra contribui bastante para a compreens&#xE3;o do autor e enfatiza a an&#xE1;lise cr&#xED;tica dos contos por ele escritos.</p> <p>Realizada esta segunda etapa, &#xE9; hora de provocar os jovens (no bom sentido, claro) com um conto impactante. Algumas sugest&#xF5;es s&#xE3;o: <em>Desempenho</em>, <em>Passeio Noturno - Parte I</em>, <em>Feliz Ano Novo</em> ou <em>Relato de Ocorr&#xEA;ncias em que Qualquer Semelhan&#xE7;a n&#xE3;o &#xE9; Mera Coincid&#xEA;ncia</em>. &#xC9; poss&#xED;vel encontrar alguns desses contos na internet.</p> <p>Para finalizar, sugira, como atividade extraclasse, que os estudantes busquem novas informa&#xE7;&#xF5;es sobre o autor na internet, bibliotecas ou locadoras de v&#xED;deo. Importante: essa atividade torna-se muito mais prazerosa se n&#xE3;o for obrigat&#xF3;ria.</p> <p><strong>2&#xAA; aula</strong> - Fa&#xE7;a uma aula expositiva conceituando o g&#xEA;nero conto. Instigue a turma a tentar caracterizar este g&#xEA;nero liter&#xE1;rio. Pe&#xE7;a compara&#xE7;&#xF5;es entre o conto, a cr&#xF4;nica e o romance. Quais s&#xE3;o os pontos em comum? Onde eles se distanciam?</p> <p>Voc&#xEA; pode encontrar refer&#xEA;ncias te&#xF3;ricas sobre a origem e as caracter&#xED;sticas do conto nos livros <em>Formas Simples</em> de Andr&#xE9; Jolles, e <em>Formas Breves</em> de Ricardo Piglia (<em>veja na bibliografia abaixo</em>).</p> <p>Enrique&#xE7;a sua aula com considera&#xE7;&#xF5;es sobre o destino da literatura na Era Moderna feita por um dos maiores nomes da fic&#xE7;&#xE3;o policial de todos os tempos, o escritor norte-americano Edgar Allan Poe (1809-1849). Ele discorre sobre as novas tend&#xEA;ncias dos textos ficcionais em decorr&#xEA;ncia da expans&#xE3;o e solidifica&#xE7;&#xE3;o da imprensa. Em <em>De "Marginalia</em><em>" (Excertos)</em>, Poe j&#xE1; percebeu "o primeiro ind&#xED;cio de uma era em que se ir&#xE1; caminhar para o que &#xE9; breve, condensado, bem digerido, e se ir&#xE1; abandonar a bagagem volumosa; &#xE9; o advento do jornalismo e a decad&#xEA;ncia da disserta&#xE7;&#xE3;o". &#xC9; justamente por esta propens&#xE3;o "ao texto enxuto que os homens da era da imprensa possuem o pensamento mais &#xE1;gil, mais r&#xE1;pido, mais reto, mais met&#xF3;dico, menos pesado. [...] Somos inclinados a enfeixar o m&#xE1;ximo poss&#xED;vel de ideias no m&#xED;nimo de volume, a espelh&#xE1;-las o mais rapidamente que pudermos".</p> <p> <em>Poe Museum/Divulga&#xE7;&#xE3;o<img src="http://imgms.alexandria.abril.com.br/1/edgar-allan-poe.jpg" rel="migration"/></em> </p> <p> <em> <strong>Polivalente: Edgar Allan Poe foi um dos precursores do g&#xEA;nero policial</strong> </em> </p> <p> <em> <strong>e se tornou c&#xE9;lebre pelos contos de horror, mas tamb&#xE9;m gostava</strong> </em> </p> <p> <em> <strong>de escrever s&#xE1;tiras e de teorizar sobre a literatura</strong> </em> </p> <p> <em>Em outro importante ensaio, A Filosofia da Composi&#xE7;&#xE3;o, Poe procura explicar o seu modus operandi por meio da an&#xE1;lise composicional de seu poema mais conhecido, O Corvo. Nele, o escritor revela que toda a constru&#xE7;&#xE3;o do poema seguiu "a precis&#xE3;o e a sequ&#xEA;ncia r&#xED;gida de um problema matem&#xE1;tico". A esquematiza&#xE7;&#xE3;o desse processo foi esbo&#xE7;ada por ele desta forma: a) a inten&#xE7;&#xE3;o do autor; b) o efeito que a obra deve produzir no leitor; c) o tom que a obra deve adquirir; d) uma estrutura que amarre os acontecimentos e incidentes da obra.</em> </p> <p>Procure discutir estas ideias com seus alunos de maneira que eles possam participar com opini&#xF5;es, asser&#xE7;&#xF5;es e questionamentos a respeito do conto, do novo rumo da escrita ap&#xF3;s o advento e consolida&#xE7;&#xE3;o da imprensa e do m&#xE9;todo composicional de Poe. Pergunte se alguma das caracter&#xED;sticas do conto estudadas nesta aula confere com o texto lido na aula anterior. Fa&#xE7;a uma releitura do conto se necess&#xE1;rio.</p> <p><strong>3&#xAA; aula</strong> - A &#xFA;ltima aula &#xE9; dedicada &#xE0; an&#xE1;lise do conto <em>Manh&#xE3; de Sol</em>, de Rubem Fonseca, presente na obra <em>L&#xFA;cia McCartney</em>, de 1967, e que est&#xE1; sendo relan&#xE7;ada pela Editora Agir. Antes da leitura, contextualize o per&#xED;odo de lan&#xE7;amento do livro - os anos de chumbo da ditadura militar, onde a liberdade de express&#xE3;o foi fortemente reprimida. Esta introdu&#xE7;&#xE3;o hist&#xF3;rica &#xE9; fundamental. A leitura pode ser realizada individualmente ou pela media&#xE7;&#xE3;o do professor ou de algum aluno volunt&#xE1;rio.</p> <p>Em <em>Manh&#xE3; de Sol</em> a proximidade entre personagem e autor emp&#xED;rico est&#xE1; presente na personagem do Comiss&#xE1;rio de um Distrito Policial. A hist&#xF3;ria se desenvolve ap&#xF3;s uma tentativa frustrada de furto. Uma funcion&#xE1;ria p&#xFA;blica que estava a caminho da feira leva um encontr&#xE3;o de um "Punguista" e, percebendo suas inten&#xE7;&#xF5;es, se atraca com ele enquanto pede socorro. "Policiais Militares" aparecem e levam o acusado ao Distrito Policial da regi&#xE3;o.</p> <p>Durante todo o processo da pris&#xE3;o em flagrante e do depoimento da "V&#xED;tima", o homem detido jura inoc&#xEA;ncia. O interrogat&#xF3;rio do "Comiss&#xE1;rio" vai se tornando mais rigoroso e, diante do impasse, a "V&#xED;tima" procura ir embora dali, sem sucesso. Estranhamente, o preso come&#xE7;a a dar cabe&#xE7;adas contra a grade da cela. O "Comiss&#xE1;rio" manda chamar um "Professor" no col&#xE9;gio ao lado para que sirva de testemunha de que o preso estava "causando em si mesmo les&#xF5;es corporais".</p> <p>Discuta com a turma a tem&#xE1;tica abordada no conto e aproveite para aprofundar a discuss&#xE3;o sobre os recursos formais do texto: os nomes pr&#xF3;prios s&#xE3;o escritos com letras min&#xFA;sculas enquanto as profiss&#xF5;es dos personagens s&#xE3;o grafadas com a inicial mai&#xFA;scula, e o uso de uma linguagem sint&#xE9;tica, tal como a de um escriv&#xE3;o da pol&#xED;cia. A aus&#xEA;ncia de alguns sinais de pontua&#xE7;&#xE3;o favorece este &#xFA;ltimo recurso.</p> <p>Para finalizar, pe&#xE7;a um coment&#xE1;rio por escrito sobre o autor e o conto estudado.</p> <p> <strong>BIBLIOGRAFIA</strong> </p> <p><strong>L&#xFA;cia McCartney</strong>, Ruben Fonseca, Ed. Francisco Alves, tel. (21) 2240-7989</p> <p><strong>A Dimens&#xE3;o da Noite</strong>, J. L. Lafet&#xE1;, Ed. 34, tel. (11) 3816-6777</p> <p><strong>Formas Simples</strong>, Andr&#xE9; Jolles, Ed. Cultrix, tel. (11) 6166-9000</p> <p><strong>Formas Breves</strong>, Ricardo Piglia, Companhia das Letras, tel. (11) 3707-3500</p> <p><strong>Poemas e Ensaios</strong>, Edgar Allan Poe, Ed. Globo, tel. 0300-789-1700</p> <p>------</p> <p>Atividade proposta por <strong>Rodrigo Priante Ug&#xE1;</strong>, mestrando em Literatura e Cr&#xED;tica Liter&#xE1;ria pela Pontif&#xED;cia Universidade Cat&#xF3;lica de S&#xE3;o Paulo (PUC/SP) e professor do Ensino M&#xE9;dio da Rede P&#xFA;blica do Estado de S&#xE3;o Paulo.</p> 2011-06-02T14:30:22-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Novembro/2009 Sala de Aula Redação Bravo BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/villa-lobos-sua-obra Villa-Lobos e sua obra 2011-06-03T11:50:44-03:00 <a href="/materia/heitor-villa-lobos-folclore-sou-eu" rel="migration"><strong>M&#xFA;sica "O Folclore Sou Eu" - leia a mat&#xE9;ria</strong> </a> <p> <strong>CONTE&#xDA;DO</strong> </p> <p>Villa-Lobos e sua obra</p> <p> <strong>HABILIDADES</strong> </p> <p>Apreciar as obras <em>Bachianas Brasileiras n&#xBA; 2</em>, <em>Bachianas Brasileiras n&#xFA;mero 5</em>, pe&#xE7;as folcl&#xF3;ricas do <em>Guia Pr&#xE1;tico</em> e os <em>Choros</em> n&#xFA;meros 1, 5 e 10 e reconhecer a est&#xE9;tica composicional de Villa-Lobos, salientando as influ&#xEA;ncias do barroco europeu e da m&#xFA;sica nacional, por meio da aprecia&#xE7;&#xE3;o e da cria&#xE7;&#xE3;o musical</p> <p> <strong>TEMPO SUGERIDO</strong> </p> <p>Quatro aulas</p> <p>------</p> <p>O texto de <strong>BRAVO!</strong> sobre o maior compositor erudito do Brasil lembra os 50 anos da morte de Heitor Villa-Lobos e os mist&#xE9;rios que cercam sua vida. Se n&#xE3;o faltam d&#xFA;vidas sobre a trajet&#xF3;ria desse carioca, seu talento &#xE9; uma certeza. Como mostra a revista, sua obra &#xE9; extensa. Mas o mais importante &#xE9; que &#xE9; preciosa, e as festividades em homenagem a Villa-Lobos s&#xE3;o uma &#xF3;tima oportunidade para aproxim&#xE1;-la dos jovens.</p> <p> <strong>ATIVIDADES</strong> </p> <p><strong>1a aula -</strong> Comece com a reprodu&#xE7;&#xE3;o da obra <em>Bachianas Brasileiras n&#xBA; 2</em>, dando &#xEA;nfase ao &#xFA;ltimo movimento, <em>O Trenzinho do Caipira</em>. Sem dar nenhum dado sobre a obra e seu autor, pe&#xE7;a que os alunos respondam por escrito &#xE0;s seguintes quest&#xF5;es:</p> <p>&#xB7;Quais instrumentos musicais voc&#xEA; consegue perceber?</p> <p>&#xB7;Existe um padr&#xE3;o r&#xED;tmico constante de notas graves e curtas? Por que o compositor utilizou esse ritmo e qual sua fun&#xE7;&#xE3;o na m&#xFA;sica?</p> <p>&#xB7;&#xC9; poss&#xED;vel perceber na obra outros exemplos de sons referenciais (que imitam elementos externos &#xE0; m&#xFA;sica)? Em quais instrumentos?</p> <p>&#xB7;O que o compositor mudaria na m&#xFA;sica se o t&#xED;tulo fosse <em>O Cavalinho do Caipira</em>? E se fosse o <em>Metr&#xF4; da Cidade</em>?</p> <p>&#xB7;Voc&#xEA; j&#xE1; conhecia a m&#xFA;sica?</p> <p>&#xB7;Quem &#xE9; o compositor?</p> <p>&#xB7;Conhece outras obras dele? Quais?</p> <p>Convide os jovens a compartilhar suas impress&#xF5;es com a turma, retornando &#xE0; aprecia&#xE7;&#xE3;o quando houver necessidade de ilustrar alguma opini&#xE3;o. Observe e complemente os coment&#xE1;rios com informa&#xE7;&#xF5;es sobre a orquestra&#xE7;&#xE3;o da obra e a influ&#xEA;ncia da m&#xFA;sica sertaneja, ouvida por Villa-Lobos em suas viagens.</p> <p>Aborde o conceito de m&#xFA;sica descritiva e proponha a discuss&#xE3;o do tema em analogia &#xE0; obra apreciada: seria <em>O Trenzinho do Caipira</em> uma obra sinf&#xF4;nica descritiva?</p> <p>Com base na discuss&#xE3;o, proponha a seguinte atividade pr&#xE1;tica. Reunidos em grupos, os alunos devem representar a partida e a chegada de um trem com sons vocais, corporais, ou com instrumentos musicais dispon&#xED;veis, e apresentar para a classe. Depois, convide os grupos a expandir a proposta para novos sons, modificando o t&#xED;tulo da obra para <em>O Cavalinho do Caipira</em>, <em>O Metr&#xF4; da Cidade</em> ou outros criados pelos jovens. Ap&#xF3;s a apresenta&#xE7;&#xE3;o, cada grupo deve justificar suas escolhas sonoras, abordando aspectos como timbre, din&#xE2;mica e andamento.</p> <p><strong>2a aula -</strong> Fa&#xE7;a um panorama geral da vida de Villa-Lobos, destacando as principais composi&#xE7;&#xF5;es: <em>Bachianas Brasileiras</em>, <em>Choros</em>, <em>Prole do Beb&#xEA;</em> e o resgate folcl&#xF3;rico com o <em>Guia Pr&#xE1;tico</em>. Villa-Lobos era um grande admirador da obra de Bach e da m&#xFA;sica popular brasileira. Nesse momento, vale a pena ilustrar essas influ&#xEA;ncias com algumas obras, como um movimento de um dos <em>Concertos de Brandenburgo</em>, de Bach, um dos chorinhos de Pixinguinha e algumas das belas serestas brasileiras. Em seguida, relacione essas obras com a produ&#xE7;&#xE3;o de Villa-Lobos apreciando a &#xE1;ria <em>Cantilena</em>, das <em>Bachianas Brasileiras n&#xBA; 5</em>. Essa &#xE1;ria possui uma das melodias mais conhecidas da obra de Villa-Lobos e foi inspirada nas serestas brasileiras.</p> <p>As viagens de Villa-Lobos pelo Brasil proporcionaram tamb&#xE9;m o contato com o folclore infantil de diversas regi&#xF5;es, resultando na publica&#xE7;&#xE3;o do <em>Guia Pr&#xE1;tico</em>. Escolha e apresente aos alunos algumas can&#xE7;&#xF5;es dessa obra. Em seguida, pe&#xE7;a que pesquisem para a aula seguinte uma can&#xE7;&#xE3;o ou parlenda do folclore infantil de sua regi&#xE3;o.</p> <p>Se a escola possuir um laborat&#xF3;rio de inform&#xE1;tica &#xE0; disposi&#xE7;&#xE3;o dos alunos, vale a pena convid&#xE1;-los a visitar o site do <a href="http://www.museuvillalobos.org.br/" rel="migration">Museu Villa-Lobos</a>, onde &#xE9; poss&#xED;vel ler sobre sua biografia e conhecer o panorama pol&#xED;tico da &#xE9;poca do maestro e compositor, por meio da cronologia ilustrada.</p> <p> <em>Divulga&#xE7;&#xE3;o</em> </p> <p> <em> <img src="http://imgms.alexandria.abril.com.br/1/marcos-palmeira-be-147-g.jpg" rel="migration"/> </em> </p> <p> </p> <p> <strong>Nas telas: Marcos Palmeira interpretou o maestro no cinema</strong> </p> <p><strong>3a aula -</strong> Comece retomando &#xE0; aprecia&#xE7;&#xE3;o de can&#xE7;&#xF5;es do <em>Guia Pr&#xE1;tico</em>, destacando aspectos significativos do arranjo instrumental e vocal. Em seguida, proponha aos estudantes que, em grupos, escolham uma das can&#xE7;&#xF5;es ou parlendas infantis pesquisadas por eles e realizem um arranjo musical para essa can&#xE7;&#xE3;o, com voz, sons do corpo ou instrumentos musicais. Esse projeto pode se transformar em uma apresenta&#xE7;&#xE3;o para os alunos dos anos iniciais do Ensino Fundamental.</p> <p>Ao t&#xE9;rmino da atividade, pe&#xE7;a que cada grupo descreva e justifique por escrito suas escolhas na realiza&#xE7;&#xE3;o do arranjo. Proporcione um momento para coment&#xE1;rios e para o debate com os demais. Filmagens das apresenta&#xE7;&#xF5;es finais podem auxiliar nessa auto-avalia&#xE7;&#xE3;o.</p> <p><strong>4a aula -</strong> Conte que a aula ser&#xE1; dedicada &#xE0; s&#xE9;rie <em>Choros</em>. Considerados a parcela mais expressiva da obra de Villa-Lobos, os <em>Choros</em>, assim como as <em>Bachianas Brasileiras,</em> apresentam diversas forma&#xE7;&#xF5;es instrumentais, que v&#xE3;o desde o viol&#xE3;o e o piano solo a grupos camer&#xED;sticos e grandes orquestras sinf&#xF4;nicas. Para o conhecimento dessa s&#xE9;rie, comece com a execu&#xE7;&#xE3;o dos <em>Choros n&#xBA; 1</em>, para viol&#xE3;o solo, <em>n&#xBA;</em> 5, para piano solo, e <em>n&#xBA; 10</em>, para coro e orquestra.</p> <p>O <em>n&#xBA; 1</em> possui a est&#xE9;tica mais tradicional do ciclo. O <em>n&#xBA; 5</em> tem o subt&#xED;tulo de <em>Alma Brasileira</em> e &#xE9; uma das mais conhecidas partituras para piano do compositor. No <em>n&#xBA; 10</em>, para coro misto e orquestra, Villa-Lobos utilizou o poema <em>Rasga Cora&#xE7;&#xE3;o</em>, de Anacleto de Mediros e Catulo da Paix&#xE3;o Cearense <em>(leia o poema abaixo)</em>. No entanto, por causa de um processo por pl&#xE1;gio movido por Catulo, teve de substituir o poema por um vocalise (pequenas frases musicais normalmente utilizadas como exerc&#xED;cio para o treinamento da voz). Hoje os choros s&#xE3;o executados ora com o vocalise, ora com o poema de Catulo, com os devidos direitos pagos &#xE0; fam&#xED;lia.</p> <p> <strong>Rasga o Cora&#xE7;&#xE3;o</strong> </p><p> (Anacleto de Medeiros / Catulo da Paix&#xE3;o Cearense)</p><p> <em>Se tu queres ver a imensid&#xE3;o do c&#xE9;u e mar</em> </p><p> <em>Refletindo a prismatiza&#xE7;&#xE3;o da luz solar</em> </p><p> <em>Rasga o cora&#xE7;&#xE3;o</em> </p><p> <em>Vem te debru&#xE7;ar</em> </p><p> <em>Sobre a vastid&#xE3;o do meu penar</em> </p><p> <em>Rasga o que h&#xE1;s de ver</em> </p><p> <em>L&#xE1; dentro a dor a solu&#xE7;ar</em> </p><p> <em>Sob o peso de uma cruz de l&#xE1;grima a chorar</em> </p><p> <em>Anjos a cantar</em> </p><p> <em>Preces divinais</em> </p><p> <em>Deus a ritmar seus pobres ais</em> </p><p> <em>Sorve todo olor</em> </p><p> <em>Que anda a recender</em> </p><p> <em>Pelas espinhosas flora&#xE7;&#xF5;es do meu sofrer</em> </p><p> <em>V&#xEA; se podes ler nas suas pulsa&#xE7;&#xF5;es</em> </p><p> <em>As brancas ilus&#xF5;es e o que ele diz no seu gemer</em> </p><p> <em>E que n&#xE3;o pode a ti dizer nas palpita&#xE7;&#xF5;es</em> </p><p> <em>Ouviu brandamente, docemente a palpitar</em> </p><p> <em>Casto e purpural .... vesperal</em> </p><p> <em>Mais puro que uma c&#xE2;ndida vestal</em> </p><p> <em>Se tu queres ver a imensid&#xE3;o do c&#xE9;u e mar</em> </p><p> <em>Refletindo a prismatiza&#xE7;&#xE3;o da luz solar</em> </p><p> <em>Rasga o cora&#xE7;&#xE3;o.</em> </p> <p>Essa obra tamb&#xE9;m utiliza a can&#xE7;&#xE3;o <em>Macoc&#xEA;-c&#xEA;-mak&#xE1;</em>, recolhida por Roquete Pinto entre os &#xED;ndios.</p> <p>Durante a aprecia&#xE7;&#xE3;o de cada m&#xFA;sica, solicite que os alunos anotem suas principais caracter&#xED;sticas, orientados pelas seguintes quest&#xF5;es:</p> <p>&#xB7;Se essa m&#xFA;sica fosse a trilha de um filme, que tipo de cena poder&#xED;amos estar assistindo ao escut&#xE1;-la?</p> <p>&#xB7;Qual o sentimento despertado pela composi&#xE7;&#xE3;o? Que parte ou elemento foi marcante para despertar esse sentimento?</p> <p>Ap&#xF3;s a aprecia&#xE7;&#xE3;o dos <em>Choros</em>, pe&#xE7;a que os alunos fa&#xE7;am uma resenha com o objetivo de divulgar um concerto fict&#xED;cio, que apresentar&#xE1; essas tr&#xEA;s obras em seu programa.</p> <p> <strong> <em>Internet</em> </strong> </p> <p> <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/sinapse/ult1063u104.shtml" rel="migration">Os passos para compreender Villa-Lobos</a> </p> <p> <a href="http://www.museuvillalobos.org.br" rel="migration">Museu Villa-Lobos</a> </p> <p> <a href="http://www.classical.net/music/comp.lst/articles/villa-lobos/orpheonic.php" rel="migration">Sobre a experi&#xEA;ncia do canto orfe&#xF4;nico no Brasil</a> </p> <p> <strong> <em>Bibliografia</em> </strong> </p> <p><strong>O Coro dos Contr&#xE1;rios: a M&#xFA;sica em Torno da Semana de 22</strong>, Jos&#xE9; Miguel Wisnik, Livraria e Editora Duas Cidades, tel. (11) 3668-2160</p> <p> <strong> <em>Filmografia</em> </strong> </p> <p><strong>Villa-Lobos, Uma Vida de Paix&#xE3;o</strong>, de Zelito Viana, 1999, Rio Filme, tel. (21) 2225-7082</p> <p>Aula sugerida por <strong>&#xC1;udrea da Costa Martins</strong>, professora de Arte da EMEF S&#xE3;o Jo&#xE3;o Batista, em S&#xE3;o Leopoldo, RS, e vencedora do Pr&#xEA;mio Victor Civita - Educador Nota 10 em 2009.</p> 2011-06-02T14:30:17-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Novembro/2009 Sala de Aula Redação Bravo BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/queda-corpo A Queda do Corpo 2011-06-03T11:50:27-03:00 <p> <strong>Uma mesma linguagem, com corpos diferentes</strong> </p> <p> <strong>OBJETIVOS</strong> </p> <p>Perceber que um mesmo bailarino pode dan&#xE7;ar "corpos" diferentes</p> <p> </p> <p> <strong>CONTE&#xDA;DO</strong> </p> <p>Dan&#xE7;a; bal&#xE9; cl&#xE1;ssico; dan&#xE7;a moderna</p> <p> </p> <p> <strong>TEMPO ESTIMADO</strong> </p> <p>Tr&#xEA;s aulas</p> <p> <strong>INTRODU&#xC7;&#xC3;O</strong> </p><p> A reportagem "Um milagre brasileiro", publicada na revista BRAVO! de setembro, apresenta uma companhia de dan&#xE7;a brasileira que se diferenciou por n&#xE3;o se especializar em uma t&#xE9;cnica espec&#xED;fica, mas por apresentar em seu repert&#xF3;rio desde bailados cl&#xE1;ssicos at&#xE9; contempor&#xE2;neos, passando por montagens modernas. Trata-se da S&#xE3;o Paulo Companhia de Dan&#xE7;a, criada h&#xE1; cerca de dois anos pelo Governo do Estado e sediada na capital paulista. </p><p>Aproveite a reportagem e o plano de aula abaixo para discutir com seus alunos as mudan&#xE7;as no uso do corpo na dan&#xE7;a ao longo do &#xFA;ltimo s&#xE9;culo.</p> <p> <strong>DESENVOLVIMENTO</strong> </p> <p><strong>1&#xAA;</strong> <strong>AULA</strong></p> <p>Proponha que os alunos leiam a reportagem "Um milagre brasileiro", publicada em BRAVO!. Em seguida, pergunte a eles quem j&#xE1; assistiu a alguma apresenta&#xE7;&#xE3;o dessa companhia e se sabem identificar a t&#xE9;cnica de dan&#xE7;a usada pelos bailarinos.</p> <p>A partir das respostas da turma, pergunte se os estudantes sabem diferenciar a dan&#xE7;a cl&#xE1;ssica da moderna. Se eles viram alguma vez a S&#xE3;o Paulo Cia de Dan&#xE7;a, a diferencia&#xE7;&#xE3;o dever&#xE1; ser feita com base em obras j&#xE1; assistidas. Divida o quadro em dois: bal&#xE9; cl&#xE1;ssico e dan&#xE7;a moderna e anote as diferen&#xE7;as. Se eles n&#xE3;o assistiram a espet&#xE1;culos da Companhia, permita que venham respostas identificadas pelo senso comum, como o uso da sapatilha de ponta, o p&#xE9; no ch&#xE3;o, a presen&#xE7;a ou n&#xE3;o do tutu (saia comum nas apresenta&#xE7;&#xF5;es de bal&#xE9; cl&#xE1;ssico) no figurino etc. Essa anota&#xE7;&#xE3;o ser&#xE1; retrabalhada na aula seguinte.</p> <p>Em seguida, proponha uma pesquisa sobre dois bal&#xE9;s: "A sagra&#xE7;&#xE3;o da primavera" (vers&#xE3;o original) e o bal&#xE9; "Giselle". Pe&#xE7;a que a turma se divida em quatro grupos, sendo dois respons&#xE1;veis por cada tema. Explique que um grupo deve pesquisar imagens, fotos e v&#xED;deos, enquanto o outro busca dados hist&#xF3;ricos relativos ao bal&#xE9; escolhido.</p> <p>Os grupos que v&#xE3;o pesquisar imagens/videos devem ficar atentos &#xE0; rela&#xE7;&#xE3;o da m&#xFA;sica com o gesto dan&#xE7;ado (o movimento refor&#xE7;a a m&#xFA;sica?), ao uso dos elementos c&#xEA;nicos (cenografia e figurino) e &#xE0; utiliza&#xE7;&#xE3;o do corpo na dan&#xE7;a (qual movimento predomina? Que parte do corpo &#xE9; mais utilizada? Como &#xE9; o uso do corpo no espa&#xE7;o?).</p> <p> <strong>2&#xAA; AULA</strong> </p> <p>Organize a apresenta&#xE7;&#xE3;o dos trabalhos e explique que os grupos ter&#xE3;o, no m&#xE1;ximo, 10 minutos cada para falar. Comece pela pesquisa te&#xF3;rica sobre Giselle.</p> <p>A turma deve mostrar &#xE0; classe que o bal&#xE9; &#xE9; uma cria&#xE7;&#xE3;o de Th&#xE9;ophile Gautier com Vernoy de Saint-George e Adolphe Adam. A obra foi dan&#xE7;ada a primeira vez pela &#xD3;pera de Paris, em 1941, e conta a hist&#xF3;ria de Giselle, uma alde&#xE3; que se apaixona por Albrecht, um nobre disfar&#xE7;ado de campon&#xEA;s. Ao descobrir a verdadeira identidade do amado, a protagonista enlouquece e morre. Albrecht, ent&#xE3;o, decide visit&#xE1;-la em seu t&#xFA;mulo e &#xE9; atacado por Willis (esp&#xED;ritos que obrigam a pessoa a dan&#xE7;ar at&#xE9; a morte). Giselle salva seu amado e, ao final, o perdoa.</p> <p>Depois da explica&#xE7;&#xE3;o te&#xF3;rica, pe&#xE7;a que o outro grupo apresente a pesquisa de imagens. Nessa apresenta&#xE7;&#xE3;o, os alunos devem responder &#xE0;s quest&#xF5;es formuladas na aula anterior, percebendo, entre outras coisas, que a dan&#xE7;a refor&#xE7;a a m&#xFA;sica, que pernas a bra&#xE7;os s&#xE3;o as partes do corpo mais utilizadas, que h&#xE1; um predom&#xED;nio para a eleva&#xE7;&#xE3;o, forma&#xE7;&#xE3;o de desenhos geom&#xE9;tricos no uso do espa&#xE7;o.</p> <p>Por fim, ser&#xE1; a vez dos dois grupos de dan&#xE7;a moderna. Os alunos que pesquisaram as imagens devem explicar aos colegas que, na vers&#xE3;o original, o virtuosismo do bal&#xE9; cl&#xE1;ssico foi eliminado - o movimento foi reduzido a pulos pesados, com os p&#xE9;s virados para dentro (no bal&#xE9; cl&#xE1;ssico s&#xE3;o para fora), e predomina o contato com o ch&#xE3;o. A turma que ficar com a explica&#xE7;&#xE3;o te&#xF3;rica deve mostrar que a primeira vers&#xE3;o de "A sagra&#xE7;&#xE3;o da primavera" foi apresentada em 29 de maio de 1913. Por conta das diferen&#xE7;as em rela&#xE7;&#xE3;o ao padr&#xE3;o dan&#xE7;ado at&#xE9; aquele momento, a obra foi vaiada e a apresenta&#xE7;&#xE3;o s&#xF3; chegou ao final pela insist&#xEA;ncia do core&#xF3;grafo Nijinsky, que fazia a marca&#xE7;&#xE3;o sob os apupos da plateia. (<a href="/materia/vaia-inaugural" rel="migration">Saiba mais sobre essa obra no plano de aula "A Vaia Inaugural".</a> ) </p> <p>No final da aula, pe&#xE7;a que os alunos refa&#xE7;am o quadro da aula anterior, com as diferen&#xE7;as das duas t&#xE9;cnicas, acrescentando o que foi descoberto com as pesquisas.</p> <p> <strong>3&#xAA; AULA</strong> </p> <p>Nesta aula os alunos v&#xE3;o pesquisar no corpo o que descobriram na aula anterior. Pe&#xE7;a que retomem suas anota&#xE7;&#xF5;es sobre as diferen&#xE7;as entre as duas t&#xE9;cnicas e, com base no que viram e anotaram, que criem uma pequena c&#xE9;lula-coreogr&#xE1;fica que comece com a t&#xE9;cnica cl&#xE1;ssica e termine com a moderna.</p> <p>A coreografia ser&#xE1; feita no grupo de origem da aula anterior. Baseados nas anota&#xE7;&#xF5;es e no que viram nos v&#xED;deos os alunos devem selecionar passos que sejam t&#xED;picos do bal&#xE9; cl&#xE1;ssico e outros que sejam da dan&#xE7;a moderna. Devem lembrar um dos princ&#xED;pios do bal&#xE9; cl&#xE1;ssico (da eleva&#xE7;&#xE3;o do corpo, do corpo et&#xE9;reo) que &#xE9; antag&#xF4;nico &#xE0; dan&#xE7;a moderna (voltada mais para o ch&#xE3;o, para a realidade). Escolhidos os passos a serem utilizados, os alunos montam a c&#xE9;lula-coreogr&#xE1;fica, de modo que ela comece como se fosse uma coreografia de bal&#xE9; cl&#xE1;ssico e termine como moderna. Cada c&#xE9;lula ter&#xE1;, no m&#xE1;ximo, dois minutos, e ser&#xE1; apresentada ao final da aula<em>.</em></p> <p>Antes de come&#xE7;ar a montagem, lembre a turma de fazer o aquecimento abaixo:</p> <p>Alongamento de bra&#xE7;os e pernas, da coluna e da articula&#xE7;&#xE3;o coxofemural. P&#xE9;s paralelos: desce enrolando a coluna em oito tempos. Sobe idem. Repete em quatro, em dois e em um tempo. Rota&#xE7;&#xE3;o do quadril (oito para cada lado). Rota&#xE7;&#xE3;o coxofemural direita (quatro para fora e quatro para dentro). Idem com a esquerda. Alonga a perna atr&#xE1;s (alternadamente direita e esquerda 20 segundos cada). Rota&#xE7;&#xE3;o do ombro (igual coxfemural). Alonga o bra&#xE7;o. Rota&#xE7;&#xE3;o da cabe&#xE7;a, direita e esquerda, em oito tempos. Alonga a cabe&#xE7;a (segurando para direita e depois esquerda).</p> <p> <strong>PARA IR AL&#xC9;M</strong> </p> <p>Se puder, apresente &#xE0; turma o livro "Por exemplo a cadeira, ensaio sobre as artes do corpo", de Antonio Pinto Ribeiro, e proponha que leiam as p&#xE1;ginas 8 a 11. A obra traz um bom referencial te&#xF3;rico para a discuss&#xE3;o sobre a queda do corpo do bal&#xE9; cl&#xE1;ssico para a dan&#xE7;a moderna</p> <p> <strong>AVALIA&#xC7;&#xC3;O</strong> </p> <p>Pe&#xE7;a que os alunos, individualmente, escrevam um texto sobre a experi&#xEA;ncia de queda que o corpo viveu do bal&#xE9; cl&#xE1;ssico &#xE0; dan&#xE7;a moderna. No texto o aluno dever&#xE1; relatar sua percep&#xE7;&#xE3;o sobre essa "queda do corpo". A ideia &#xE9; que o aluno consiga compreender que houve uma mudan&#xE7;a do uso do corpo espacialmente e tamb&#xE9;m na tem&#xE1;tica das coreografias.</p> <p> <strong>PARA SABER MAIS</strong> </p> <p>RIBEIRO, Antonio Pinto<strong>. Por exemplo a cadeira: Ensaios sobre as artes do corpo</strong>. 1&#xAA; ed. Lisboa, Livros Cotovia, 1997.</p> <p>Consultoria <strong>Neila Baldi</strong>, licenciada em Dan&#xE7;a pela Universidade Anhembi Morumbi e p&#xF3;s-graduada em Dan&#xE7;a e Consci&#xEA;ncia Corporal pelas Faculdades Metropolitanas Unidas - FMU.</p> Mostre aos alunos como se deu a transformação do balé clássico para a dança moderna 2011-06-02T14:29:48-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Setembro/2010 Mostre aos alunos como se deu a transformação do balé clássico para a dança moderna Sala de Aula Redação Bravo BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/historia-arte-vanguardas-europeias-brasileiras As Vanguardas Europeias e Brasileiras 2011-06-03T11:50:18-03:00 <strong>ARTE</strong> <p> <strong> <a href="/materia/livros-monstros-guardados-critica" rel="migration">"Duchamp Levou o Urinol para a Galeria...", leia a mat&#xE9;ria</a> </strong> </p> <p> <strong>CONTE&#xDA;DOS</strong> </p> <p>Hist&#xF3;ria da arte, as vanguardas europeias e brasileiras</p> <p> <strong>HABILIDADES</strong> </p> <p>Analisar e apreciar uma pe&#xE7;a de teatro, discutir o espet&#xE1;culo "O Livro dos Monstros Guardados" e posicionar-se frente ao objeto art&#xED;stico</p> <p> <strong>TEMPO SUGERIDO</strong> </p> <p>Tr&#xEA;s aulas</p> <p>------</p> <p> <strong>Vanguardas no Brasil e no mundo</strong> </p> <p> <em>Mostre &#xE0; turma que uma pe&#xE7;a de teatro pode ser a porta de entrada para conhecer a hist&#xF3;ria da arte nacional e internacional</em> </p> <p>O diretor de teatro Flavio Desgranges costuma dizer que compreender uma pe&#xE7;a e analis&#xE1;-la com esp&#xED;rito cr&#xED;tico requer dedica&#xE7;&#xE3;o e preparo. Segundo ele, "guardadas as devidas diferen&#xE7;as, a prepara&#xE7;&#xE3;o dos espectadores para um espet&#xE1;culo pode assemelhar-se &#xE0; prepara&#xE7;&#xE3;o dos artistas em um processo de montagem, tendo em vista que os receptores s&#xE3;o tamb&#xE9;m criadores e, quanto mais familiarizados com os variados aspectos da tem&#xE1;tica, (...) maior sua autonomia cr&#xED;tica e criativa".</p> <p>Aproveite a tem&#xE1;tica para apresentar &#xE0; turma a pe&#xE7;a "O Livro dos Monstros Guardados", de Rafael Primot, e mostrar que um espet&#xE1;culo teatral pode ser uma maneira agrad&#xE1;vel e divertida de estudar as vanguardas brasileiras e europeias.</p> <p> <strong>ATIVIDADES</strong> </p> <p><strong>1a aula</strong> - Para iniciar a aula, pe&#xE7;a que a turma leia a critica de Dirceu Alves Jr. sobre a pe&#xE7;a "O Livro dos Monstros Guardados", publicada em BRAVO!. Ap&#xF3;s a leitura, proponha um pequeno debate sobre o que &#xE9; uma obra de arte. Pergunte por que um vaso sanit&#xE1;rio foi considerado arte e, em seguida, discuta com a mo&#xE7;ada a influ&#xEA;ncia das artes pl&#xE1;sticas em outras artes. Os alunos devem buscar argumentos na cr&#xED;tica lida, nas obras estudadas anteriormente e em lembran&#xE7;as de espet&#xE1;culos teatrais que tenham visto ou ouvido falar - talvez alguns at&#xE9; conhe&#xE7;am os diretores Antunes Filho, do Eduardo Tolentino e Z&#xE9; Henrique de Paula, citados no texto.</p> <p>Depois desse aquecimento, realize uma retrospectiva hist&#xF3;rica partindo da Primeira Guerra Mundial, passando pelas mudan&#xE7;as nas artes pl&#xE1;sticas, na fotografia e no cinema. Vale mencionar movimentos europeus de vanguardas como Cubismo, Dada&#xED;smo e Surrealismo - que exerceram influ&#xEA;ncia sobre toda a arte do s&#xE9;culo XX. Comente que esses movimentos se inspiraram em artistas do s&#xE9;culo XIX, como Paul Cezanne e Vincent Van Gogh, e tiveram grande impacto na Europa ap&#xF3;s a Primeira Guerra.</p> <p>Em seguida, refa&#xE7;a a pergunta sobre o que pode ser considerado obra de arte e veja se a opini&#xE3;o da turma mudou depois da explica&#xE7;&#xE3;o. Leve-os a refletir sobre o assunto e encomende uma pesquisa sobre os movimentos de vanguarda europeus.</p> <p><strong>2a aula</strong> - A segunda aula &#xE9; dedicada &#xE0;s vanguardas brasileiras, em especial a Semana de Arte Moderna de 22. Comente com os alunos os fatos mais relevantes desse movimento, idealizado pelo pintor Emiliano Di Cavalcanti. A Semana, que ocorreu no Teatro Municipal de S&#xE3;o Paulo, em 1922, tinha como objetivo mostrar as tend&#xEA;ncias art&#xED;sticas que j&#xE1; vigoravam na Europa. Esta forma de express&#xE3;o n&#xE3;o foi compreendida pela elite paulista, que era influenciada por uma est&#xE9;tica europeia mais conservadora.</p> <p>Conte &#xE0; mo&#xE7;ada que a Semana colocou em evid&#xEA;ncia o descontentamento dos modernistas com a arte brasileira da &#xE9;poca. No campo da literatura, destacaram-se os escritores Oswald de Andrade, Guilherme de Almeida e Manuel Bandeira. Na pintura, a principal figura era Anita Malfatti, que realizou a primeira exposi&#xE7;&#xE3;o modernista brasileira em 1917. Suas obras, influenciadas pelo Cubismo, Expressionismo e Futurismo, escandalizaram a sociedade e foram atacados por in&#xFA;meros intelectuais, entre eles Monteiro Lobato. A cr&#xED;tica, no entanto, acabou fortalecendo ainda mais o movimento modernista.</p> <p>A &#xFA;nica &#xE1;rea em que n&#xE3;o ocorreram grandes mudan&#xE7;as com a Semana de 22 foi o teatro, pois a est&#xE9;tica vigente na &#xE9;poca era o realismo. As inova&#xE7;&#xF5;es no panorama teatral vieram em 1943, com a montagem de "Vestido de Noiva", de Nelson Rodrigues, pelo diretor Ziembinski. E somente com "O Rei da Vela", de Oswald de Andrade edire&#xE7;&#xE3;o de Jos&#xE9; Celso Martinez Corr&#xEA;a, em 1967, a vanguarda se instalou, de fato, no teatro brasileiro.</p> <p>Para que a turma entenda melhor o que &#xE9; o teatro de vanguarda no pa&#xED;s, fa&#xE7;a a leitura em voz alta de trechos de uma das duas pe&#xE7;as citadas acima e procure explicar como as artes pl&#xE1;sticas podem contribuir para a composi&#xE7;&#xE3;o de um espet&#xE1;culo teatral. Observe com os alunos as diferen&#xE7;as entre uma dramaturgia teatral e um texto liter&#xE1;rio.</p> <p> </p> <p> <img src="http://imgms.alexandria.abril.com.br/1/renato-borghi-147-be-g.jpg" rel="migration"/> </p> <p>(foto de divulga&#xE7;&#xE3;o)</p> <p><strong><em>O ator Renato Borghi em "O Rei da Vela", de Jos&#xE9; Celso Martinez</em></strong> Corr&#xEA;a</p> <p><strong>3a aula</strong> - Para a &#xFA;ltima aula, retome a cr&#xED;tica de Dirceu Alves Jr sobre a pe&#xE7;a "O Livro dos Monstros Guardados" e fa&#xE7;a uma reflex&#xE3;o com a turma sobre as vanguardas estudadas nas aulas anteriores e os elementos apresentados na cr&#xED;tica.</p> <p>Direcione a discuss&#xE3;o para o segundo par&#xE1;grafo do texto - em que se apresenta a sinopse da pe&#xE7;a - e converse com os alunos sobre como as situa&#xE7;&#xF5;es-limite em que nos encontramos algumas vezes podem se tornar tema de uma boa hist&#xF3;ria e at&#xE9; de uma pe&#xE7;a teatral. Explique que boa parte do material tratado nas pe&#xE7;as contempor&#xE2;neas &#xE9; baseado em textos n&#xE3;o necessariamente dram&#xE1;ticos, mas liter&#xE1;rios. Exemplos disso s&#xE3;o "Agreste" - pr&#xEA;mio Shell de melhor espet&#xE1;culo em 2004 - e "O Que Diz Molero" - adapta&#xE7;&#xE3;o teatral de Nuno Artur Silva para o romance de Diniz Machado.</p> <p>Converse com os alunos e pergunte a opini&#xE3;o deles sobre o trabalho dos atores. Retome o final do &#xFA;ltimo par&#xE1;grafo da cr&#xED;tica, em que fica claro como o diretor exige do elenco precis&#xE3;o de gestos e rigor nas marca&#xE7;&#xF5;es, e pe&#xE7;a que debatam os fatores que influenciam a qualidade de uma apresenta&#xE7;&#xE3;o teatral.</p> <p>Para finalizar, encomende um texto dissertativo sobre a influ&#xEA;ncia dos movimentos de vanguarda europeus e brasileiros na concep&#xE7;&#xE3;o teatral atual.</p> <p> <strong>ATIVIDADE EXTRA</strong> </p> <p>Como atividade complementar, fica a sugest&#xE3;o de pedir &#xE0; turma que fa&#xE7;a um levantamento de perguntas para serem encaminhadas aos atores e ao diretor da pe&#xE7;a "O Livro dos Monstros Guardados", tendo em mente as quest&#xF5;es est&#xE9;ticas estudadas e curiosidades em geral.</p> <p> <strong>BIBLIOGRAFIA</strong> <strong>:</strong> </p> <p><strong>O Moderno e o Modernismo, a Soberania do Artista,</strong> Frederick R.Karl, Rio de Janeiro, Imago Editora, tel. (21) 2242-0627</p> <p><strong>Obras Escolhidas, Magia e T&#xE9;cnica, Arte e Pol&#xED;tica,</strong> Walter Benjamin, S&#xE3;o Paulo, Editora Brasiliense, tel. (11) 3087 0000</p> <p><strong>Artigo: Oficina de Espectadores: a Desmontagem como Processo Criativo,</strong> Flavio Desgranges, 2004.</p> <p>-------</p> <p>Atividade proposta por <strong>M&#xF4;nica Andr&#xE9;a Grando</strong>, mestre em Comunica&#xE7;&#xE3;o e Semi&#xF3;tica pela PUC de S&#xE3;o Paulo, professora do Centro Universit&#xE1;rio Bar&#xE3;o de Mau&#xE1;, em Ribeir&#xE3;o Preto, e do Teatro Escola Macuna&#xED;ma, em S&#xE3;o Paulo.</p> 2011-06-02T14:29:35-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Sala de Aula Redação Bravo BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/estudo-linguagem-jose-saramago Estudo de Linguagem em José Saramago 2011-06-03T11:50:08-03:00 <p> <strong>Objetivos</strong> </p> <p>Identificar e analisar as caracter&#xED;sticas da linguagem de Jos&#xE9; Saramago presentes no livro "Conto de uma ilha desconhecida";</p> <p>Estudar os elementos constituintes de seu universo narrativo;</p> <p>Ressaltar a import&#xE2;ncia de Jos&#xE9; Saramago como um dos autores mais significantes da Literatura Portuguesa, bem como da Literatura Universal.</p> <p> <strong>Conte&#xFA;do</strong> </p> <p>L&#xED;ngua Portuguesa, Literatura - Jos&#xE9; Saramago</p> <p> <strong>Tempo estimado</strong> </p> <p>Quatro aulas</p> <p> <strong>Material necess&#xE1;rio</strong> </p> <p>Livro <strong>O Conto da Ilha Desconhecida</strong>, Jos&#xE9; Saramago, 64 p&#xE1;gs., Companhia das Letras, 31 reais</p> <p> <strong>Desenvolvimento</strong> </p> <p>A revista BRAVO! de julho traz um artigo sobre o romancista portugu&#xEA;s Jos&#xE9; Saramago escrito por sua conterr&#xE2;nea, a tamb&#xE9;m escritora Inez Pedrosa. Nele, a autora ressalta as influ&#xEA;ncias que a obra de Saramago exerce nas novas produ&#xE7;&#xF5;es liter&#xE1;rias e o quanto &#xE9; universal. A partir deste plano de aula, proponha &#xE0; turma uma reflex&#xE3;o sobre a obra de Jos&#xE9; Saramago por meio da an&#xE1;lise de sua linguagem. Para tanto, comece lendo o texto abaixo.</p> <p> <strong>Texto de apoio ao professor</strong> </p><p> Uma das caracter&#xED;sticas mais marcantes da cria&#xE7;&#xE3;o romanesca do escritor portugu&#xEA;s Jos&#xE9; Saramago &#xE9; a reconstitui&#xE7;&#xE3;o da oralidade em sua escrita. Como ponto de partida, podemos tomar um racioc&#xED;nio do pr&#xF3;prio Saramago, para quem as caracter&#xED;sticas de sua t&#xE9;cnica narrativa </p><p>"...prov&#xEA;m de um princ&#xED;pio b&#xE1;sico segundo o qual todo o dito se destina a ser ouvido. Quero com isso significar que &#xE9; como narrador oral que me vejo quando escrevo e que as palavras s&#xE3;o por mim escritas tanto para serem lidas como para serem ouvidas. Ora, o narrador oral n&#xE3;o usa pontua&#xE7;&#xE3;o, fala como se estivesse a compor m&#xFA;sica e usa os mesmos elementos que o m&#xFA;sico: sons e pausas, altos e baixos, uns, breves ou longas, outras" (SARAMAGO, Cadernos de Lanzarote, 1997: 223).</p> <p>A narrativa do escritor portugu&#xEA;s reafirma a import&#xE2;ncia da voz dos exclu&#xED;dos e marginalizados para o entendimento humano. Por&#xE9;m, muito mais do que um mero recurso estil&#xED;stico, trata-se de um projeto bem sucedido de recupera&#xE7;&#xE3;o da cultura popular na literatura.</p> <p>A obra de Saramago &#xE9; constitu&#xED;da por quatro elementos fundamentais:</p> <p>1.a d&#xFA;vida do homem moderno, diante do desafio de assumir uma posi&#xE7;&#xE3;o cr&#xED;tica sobre o passado e, ao mesmo tempo, aprender com ele;</p> <p>2.a introdu&#xE7;&#xE3;o dos elementos fant&#xE1;sticos na narrativa, sem se distanciar do mundo real;</p> <p>3.a tentativa de criar uma nova linguagem ao alterar a express&#xE3;o gr&#xE1;fica e a pontua&#xE7;&#xE3;o, respeitando a sintaxe da narrativa comum;</p> <p>4.por &#xFA;ltimo, a viagem n&#xE3;o s&#xF3; no mundo real, mas tamb&#xE9;m no interior do Homem por meio da imagina&#xE7;&#xE3;o.</p> <p>Com esses elementos - o tempo, o sobrenatural, a torrencialidade da narrativa e a viagem - os livros procuram a utopia por meio de alus&#xF5;es aleg&#xF3;ricas, cr&#xED;ticas e &#xE9;ticas.</p> <p>Saramago busca a harmonia entre a realidade e a imagina&#xE7;&#xE3;o por meio de trabalhos que unem os planos expressivos da fala, do pensamento e da escrita. Para compreender suas obras, &#xE9; importante atentar para essa rela&#xE7;&#xE3;o de quase simbiose entre o narrador e a mat&#xE9;ria narrada, o discurso interior e as tens&#xF5;es internas do discurso narrativo. O que se percebe facilmente em seus romances &#xE9; o esp&#xED;rito renovador e experimental, e a cria&#xE7;&#xE3;o de um estilo muito pessoal, solto e torrencial.</p> <p>A escrita do autor portugu&#xEA;s &#xE9; marcada pelo uso de apenas v&#xED;rgula e ponto final, n&#xE3;o distinguindo discursos diretos e indiretos. O texto exige uma aten&#xE7;&#xE3;o especial dos leitores, dando-lhes a impress&#xE3;o de estarem envolvidos diretamente com o mundo real e, ao mesmo tempo, fict&#xED;cio.</p> <p>Para al&#xE9;m do elaborado trabalho de linguagem, Saramago aborda profundamente os problemas de Portugal e da identidade do povo lusitano. Al&#xE9;m de apresentar o rumo que o pa&#xED;s deve seguir e sua vis&#xE3;o do mundo, o escritor procura a identidade do homem perdida na sociedade moderna.</p> <p>Enfim, a grandeza das obras de escritor portugu&#xEA;s reside no esfor&#xE7;o de evocar a Hist&#xF3;ria e a identidade da 'p&#xE1;tria perdida', juntamente com a procura de uma nova linguagem liter&#xE1;ria.</p> <p> <strong>Atividades</strong> </p> <p> <strong>1&#xAA; aula</strong> </p> <p>Inicie a primeira aula com a apresenta&#xE7;&#xE3;o da biografia de Jos&#xE9; Saramago. Fale sobre a trajet&#xF3;ria de vida do autor, os fatos importantes de sua vida, a publica&#xE7;&#xE3;o e repercuss&#xE3;o de suas obras etc. Utilize recursos audiovisuais: imagens, declara&#xE7;&#xF5;es de cr&#xED;ticos e do pr&#xF3;prio Saramago e trechos de reportagens. Apresente tamb&#xE9;m as obras do autor e comente os estudos acad&#xEA;micos j&#xE1; realizados a partir delas <em>(veja sugest&#xF5;es de sites do final deste plano)</em>.</p> <p>Ao final, solicite que a turma leia, em casa, o livro "O Conto da Ilha Desconhecida".</p> <p> <strong>2&#xAA; aula</strong> </p> <p>Na segunda aula, organize uma roda de leitura para que os alunos comentem o livro. Pe&#xE7;a que destaquem o que mais gostaram e proponha que releiam para os colegas os trechos que acharam mais relevantes. Oriente para que os alunos fa&#xE7;am, primeiramente, a leitura silenciosa dos textos e preparem-se para a leitura em voz alta.</p> <p>Proponha que cada um leia um trecho para os colegas. Em seguida, inicie uma discuss&#xE3;o com a turma a respeito das caracter&#xED;sticas dos textos lidos. Chame a aten&#xE7;&#xE3;o para a escrita de Saramago, pe&#xE7;a que observem os aspectos que causam certa estranheza no texto e anote-os no quadro. Depois disso, levante os pontos comuns entre os diversos trechos - como os temas abordados e a aus&#xEA;ncia dos discursos diretos. Explique &#xE0; mo&#xE7;ada que o escritor inaugura um estilo ousado ao subverter a pontua&#xE7;&#xE3;o em suas obras <em>(aproveite o texto inicial para essa explica&#xE7;&#xE3;o)</em>.</p> <p>Comente a estrutura da narrativa do escritor portugu&#xEA;s, os m&#xE9;todos poss&#xED;veis de composi&#xE7;&#xE3;o de suas obras e a import&#xE2;ncia dele no cen&#xE1;rio liter&#xE1;rio. Por fim, sintetize as ideias debatidas oralmente e pe&#xE7;a o registro delas por cada aluno.</p> <p> <strong>3&#xAA; aula</strong> </p> <p>Na terceira aula, utilize os mesmos fragmentos para propor que os alunos produzam par&#xE1;frases. Cada aluno deve parafrasear o fragmento que escolher, fazendo as adapta&#xE7;&#xF5;es que julgar necess&#xE1;rias. Fale sobre as caracter&#xED;sticas da par&#xE1;frase e os meios de produ&#xE7;&#xE3;o (utilizar a mesma ordem de ideias que aparece no texto original; n&#xE3;o omitir nenhuma informa&#xE7;&#xE3;o essencial; n&#xE3;o fazer qualquer coment&#xE1;rio acerca do que se diz no texto original; utilizar constru&#xE7;&#xF5;es que n&#xE3;o sejam uma simples repeti&#xE7;&#xE3;o daquelas que est&#xE3;o no original e, sempre que poss&#xED;vel, um vocabul&#xE1;rio tamb&#xE9;m diferente).</p> <p>Aproveite, tamb&#xE9;m, para refletir com a classe sobre as diferen&#xE7;as entre o portugu&#xEA;s falado em Portugal e no Brasil e tamb&#xE9;m sobre o uso convencional da pontua&#xE7;&#xE3;o na L&#xED;ngua Portuguesa versus a maneira como Saramago escreve.</p> <p>Reserve algum tempo da aula para que a turma produza a par&#xE1;frase a partir dos trechos lidos e analisados em sala de aula. Circule entre os alunos e acompanhe a produ&#xE7;&#xE3;o. Quando a classe terminar, recolha o material para corrigir.</p> <p> <strong>4&#xAA; aula</strong> </p> <p>Na quarta aula, devolva as par&#xE1;frases corrigidas &#xE0; turma. Apresente as observa&#xE7;&#xF5;es e pe&#xE7;a que os alunos fa&#xE7;am os ajustes necess&#xE1;rios.</p> <p>Com os textos finalizados, organize com a mo&#xE7;ada uma apresenta&#xE7;&#xE3;o das par&#xE1;frases. Cada um deve fazer a leitura de seu texto e a turma deve compar&#xE1;-lo com o texto original.</p> <p>Ao final, fa&#xE7;a uma roda de discuss&#xE3;o, na qual os alunos possam debater as diferen&#xE7;as das linguagens utilizadas pelo Saramago em suas obras e a usada pelos alunos nas par&#xE1;frases. Solicite a vers&#xE3;o final das par&#xE1;frases aos alunos para a montagem de um portf&#xF3;lio coletivo, que pode ficar exposto em sala de aula.</p> <p> <strong>Avalia&#xE7;&#xE3;o</strong> </p> <p>Considere as leituras e as an&#xE1;lises feitas pelos alunos sobre os fragmentos lidos das obras de Jos&#xE9; Saramago. Observe se a turma apreendeu as especificidades da escrita do autor portugu&#xEA;s e se conseguiu compreender seu m&#xE9;todo de produ&#xE7;&#xE3;o. Avalie as par&#xE1;frases produzidas e a apresenta&#xE7;&#xE3;o de cada uma.</p> <p> <strong>Para saber mais:</strong> </p> <p> <strong>Bibliografia</strong> </p> <p><em>Saramago: Biografia</em>, Jo&#xE3;o Marques Lopes, Editora Leya</p> <p><em>Cadernos de Lanzarote,</em> Jos&#xE9; Saramago, 496 p&#xE1;gs., Companhia das Letras, 67,50 reais</p> <p><em>O Conto da Ilha Desconhecida</em>, Jos&#xE9; Saramago, 64 p&#xE1;gs., Companhia das Letras, 31 reais</p> <p> <strong>Internet</strong> </p> <p> <a href="http://www.josesaramago.org/" target="_blank" rel="migration">Visite o site da Funda&#xE7;&#xE3;o Jos&#xE9; Saramago</a> </p> <p> <a href="http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/pratica-pedagogica/ideias-claras-escrita-clara-423611.shtml" target="_blank" rel="migration">Leia a entrevista de Jos&#xE9; Saramago &#xE0; revista NOVA ESCOLA</a> </p> <p>Consultoria <strong>Patr&#xED;cia Rodrigues Alves Lage</strong>, mestranda em Literatura e Cr&#xED;tica Liter&#xE1;ria pela PUC-SP e professora da L&#xED;ngua Portuguesa na Escola T&#xE9;cnica Walter Belian - Funda&#xE7;&#xE3;o Antonio e Helena Zerrenner</p> 2011-06-02T14:29:21-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Julho/2010 Sala de Aula Redação Bravo BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/como-elaborar-resenhas-culturais-fanzines-murais-filipetas Como elaborar resenhas culturais para fanzines, murais e filipetas 2011-06-03T11:50:05-03:00 Carlos Arouca <p> <strong>Objetivos</strong> </p><p> Valorizar diferentes express&#xF5;es culturais;</p><p> Se apropriar da estrutura escrita para a elabora&#xE7;&#xE3;o de s&#xED;nteses;</p><p> Socializar informa&#xE7;&#xF5;es e incentivar a comunidade escolar a se apropriar do circuito cultural da cidade ou do bairro.</p><p> <strong>Conte&#xFA;dos</strong> </p><p> Cultura musical, teatral, gastron&#xF4;mica, expositiva e liter&#xE1;ria;</p><p> Procedimentos de elabora&#xE7;&#xE3;o de resenha.</p> <p><strong>Tempo estimado</strong>Quatro aulas.</p> <p><strong>Material necess&#xE1;rio</strong>L&#xE1;pis grafite;</p><p> Folhas pautadas de monobloco;</p><p> C&#xF3;pias dos textos citados;</p><p> Revistas e jornais;</p><p> Grampeador;</p><p> Se poss&#xED;vel, computador para digitar os textos.</p><p> <strong>Introdu&#xE7;&#xE3;o</strong> </p><p> A BRAVO! de dezembro de 2010 apresenta uma sele&#xE7;&#xE3;o dos 100 melhores produtos culturais deste in&#xED;cio de s&#xE9;culo 21. Aproveite a reportagem para convidar os alunos a criar um guia cultural da cidade ou do bairro em que a escola est&#xE1;.</p> <p> <strong> Desenvolvimento</strong> </p><p> <strong>1&#xAA; aula</strong> </p><p> Inicie a aula apresentando &#xE0; classe reportagem de capa da BRAVO! de dezembro: "os 100 melhores do s&#xE9;culo 21(at&#xE9; agora)".</p> <p>Pe&#xE7;a que os alunos leiam o texto. Chame a aten&#xE7;&#xE3;o para o per&#xED;odo a que ele se refere. Diferente de escolher as melhores produ&#xE7;&#xF5;es culturais do s&#xE9;culo 20 - que j&#xE1; terminou - a revista chama aten&#xE7;&#xE3;o para artistas que se destacaram nesses dez primeiros anos do s&#xE9;culo 21.</p> <p>Feita essa discuss&#xE3;o inicial, apresente &#xE0; turma a proposta para as pr&#xF3;ximas aulas: criar uma revista sobre diferentes express&#xF5;es culturais. A publica&#xE7;&#xE3;o ter&#xE1; como alvo a comunidade escolar e ser&#xE1; composta de dicas de atra&#xE7;&#xF5;es dispon&#xED;veis na cidade ou no bairro em que a escola est&#xE1;. Explique aos estudantes que o trabalho &#xE9; uma boa oportunidade de divulgar as atra&#xE7;&#xF5;es que eles j&#xE1; conhecem e ampliar o repert&#xF3;rio cultural de cada um.</p> <p>Converse com a turma sobre os textos que comp&#xF5;em um guia cultural como o da BRAVO!. Pergunte se algu&#xE9;m sabe o que &#xE9; uma resenha. Apresente esse g&#xEA;nero textual &#xE0; classe.</p><p> Divida a classe em grupos de, no m&#xE1;ximo, quatro alunos. Entregue uma das resenhas publicadas na reportagem de capa da BRAVO! a cada aluno. Pe&#xE7;a que cada um leia a sua e socialize as informa&#xE7;&#xF5;es com os outros tr&#xEA;s integrantes do grupo.</p><p> Em seguida, proponha que cada grupo observe as resenhas que t&#xEA;m em m&#xE3;os e anote as caracter&#xED;sticas que se repetem em todos os textos. D&#xEA; um tempo para a realiza&#xE7;&#xE3;o da atividade e pe&#xE7;a que os alunos apresentem suas conclus&#xF5;es. Anote os principais t&#xF3;picos no quadro e explique &#xE0; classe a fun&#xE7;&#xE3;o de uma resenha e os elementos que a comp&#xF5;em:</p><p> A resenha &#xE9; um texto semelhante a uma s&#xED;ntese. Ela tem como objetivo apresentar uma atra&#xE7;&#xE3;o cultural ao leitor e dar a ele elementos para avali&#xE1;-la. Para tanto, o texto deve ser claro e direto. Uma boa resenha conta com uma descri&#xE7;&#xE3;o geral do assunto, seguida por um coment&#xE1;rio cr&#xED;tico.</p><p> <strong>2&#xAA; aula</strong> </p><p> Pe&#xE7;a que os alunos retomem os grupos da aula anterior. Como primeiro exerc&#xED;cio, proponha que cada grupo produza uma resenha de um filme que tenha assistido recentemente.</p><p> D&#xEA; um tempo para que realizem a atividade. Em seguida, pe&#xE7;a que leiam em voz alta os textos escritos. Proponha que a classe analise conjuntamente as propostas, apontando qualidades e pontos que podem ser melhorados.</p><p> Pergunte aos alunos que outras atra&#xE7;&#xF5;es culturais gostariam de indicar, al&#xE9;m dos filmes - livros, lanchonetes, discos, museus, lugares interessantes etc. Pe&#xE7;a que cada um escolha um ou dois tipos de arte que mais lhe interessam (cinema e m&#xFA;sica, por exemplo). Reagrupe a turma juntando estudantes com interesses semelhantes.</p><p> Em seguida, providencie c&#xF3;pias das agendas culturais que s&#xE3;o publicadas mensalmente na BRAVO!. Em cada edi&#xE7;&#xE3;o da revista h&#xE1; cinco agendas: Livros, Teatro e Dan&#xE7;a, Artes Pl&#xE1;sticas, Cinema e M&#xFA;sica. Entregue as c&#xF3;pias aos grupos correspondentes.</p><p> Com os textos em m&#xE3;os, solicite que os estudantes leiam os quatro primeiros itens de cada indica&#xE7;&#xE3;o:</p><p><strong>Programa:</strong> resumo do evento ou s&#xED;ntese da publica&#xE7;&#xE3;o indicada</p><p><strong>Por que ir:</strong> justificativas</p><p><strong>Preste aten&#xE7;&#xE3;o:</strong> caracter&#xED;sticas especiais que devem ser observadas</p><p><strong>Onde:</strong> endere&#xE7;o do evento ou de onde comprar a publica&#xE7;&#xE3;o</p><p> Pe&#xE7;a que a classe observe atentamente como essas informa&#xE7;&#xF5;es s&#xE3;o colocadas no texto.</p><p> Explique que cada grupo deve preparar uma p&#xE1;gina como essa para a revista cultural da classe, colocando indica&#xE7;&#xF5;es que julgarem interessantes. Reserve os 15 &#xFA;ltimos minutos da aula para que os grupos conversem entre si e fa&#xE7;am uma lista das atividades culturais que querem incluir em suas colunas. Explique que cada estudante deve ficar respons&#xE1;vel por uma ou duas.</p><p> Como proposta para casa, pe&#xE7;a que cada aluno prepare um texto sobre as atra&#xE7;&#xF5;es que escolheu colocando as quatro informa&#xE7;&#xF5;es acima e, se for poss&#xED;vel, alguma imagem de refer&#xEA;ncia. Pe&#xE7;a que os grupos determinem previamente os tamanhos dos textos. Caso os estudantes tenham acesso ao computador, sugira que definam um tipo de letra e um tamanho, e que todos tragam os textos digitados.</p><p> <strong>3&#xAA; aula</strong> </p><p> Pe&#xE7;a que os alunos retomem os grupos da aula anterior e discutam os textos trazidos de casa. Reserve cerca de 20 minutos para que organizem as dicas culturais em folhas sulfite mantendo os quatro t&#xF3;picos sugeridos (Programa, por que ir, preste aten&#xE7;&#xE3;o, onde). Circule entre os grupos e d&#xEA; sugest&#xF5;es para melhorar os trabalhos. Quando todos terminarem, recolha as p&#xE1;ginas prontas.</p><p> Separe outros 20 minutos para que cada grupo crie uma ideia de nome e uma proposta de capa para a revista.</p><p> Ao final da aula, proponha uma vota&#xE7;&#xE3;o para a escolha do nome e da capa. O grupo respons&#xE1;vel pelo projeto de capa escolhido deve entregar para o professor a arte final antes da pr&#xF3;xima aula. Combine com a turma uma data e um hor&#xE1;rio para a entrega.</p><p> <strong>4&#xAA; aula</strong> </p><p> Antes da aula, tire c&#xF3;pias da capa escolhida e dos textos preparados e montados em folhas sulfite pelos alunos. Prepare tamb&#xE9;m uma p&#xE1;gina com um breve texto sobre o projeto e o nome dos alunos envolvidos nele. Aproveite como refer&#xEA;ncias a Carta ao leitor e o Expediente da BRAVO!.</p><p> Chegando &#xE0; classe, entregue o material para a turma e proponha que finalizem as revistas. Para tanto, os alunos devem grampear as p&#xE1;ginas da agenda, a capa e o texto de apresenta&#xE7;&#xE3;o, de modo a formar uma revista. Lembre a turma de deixar dois ou tr&#xEA;s exemplares sem grampear para coloc&#xE1;-los nos murais da escola.</p><p> Com as revistas prontas, sugira que os alunos circulem pela escola e entreguem uma em cada sala, explicando a proposta. Eles podem tamb&#xE9;m deixar alguns exemplares em pontos estrat&#xE9;gicos como a biblioteca, a sala dos professores etc.</p><p> <strong>Avalia&#xE7;&#xE3;o</strong> </p><p> Leve em conta a participa&#xE7;&#xE3;o individual de cada componente dos grupos nas atividades. Observe se o aluno preparou a resenha solicitada, se cumpriu os itens propostos, se teve cuidado com o acabamento. Avalie tamb&#xE9;m o trabalho dos grupos. Cheque se a din&#xE2;mica ocorreu sem transtornos, se os projetos de capa foram executados com cuidado, se a edi&#xE7;&#xE3;o das p&#xE1;ginas e a montagem da revista ocorreram com aten&#xE7;&#xE3;o e seriedade.</p><p> -----------------------------</p><p> Consultoria Carlos Arouca, professor de Arte da Escola da Vila e da Escola Vera Cruz., em S&#xE3;o Paulo</p> Este plano de aula está ligado à reportagem Os 100 melhores do século 21(até agora), publicada na BRAVO! de dezembro de 2010 2011-06-02T14:29:15-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Dezembro/2010 Este plano de aula está ligado à reportagem Os 100 melhores do século 21(até agora), publicada na BRAVO! de dezembro de 2010 Sala de Aula Redação Bravo BRAVO!