BRAVO! - Teatro e Dança http://bravonline.abril.com.br/feed/atom 2012-05-18T17:50:35-03:00 BRAVO! http://bravo4.abrilm.com.br/imagem/favicon.ico Bravo! Cultura no Brasil - Feed Teatro e Dança Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados http://bravonline.abril.com/materia/dancas-para-bach Danças para Bach 2012-05-18T17:50:35-03:00 Redação <p> A convite do m&#xFA;sico Dimos Goudaroulis, seis core&#xF3;grafos criaram pe&#xE7;as inspiradas nas <em>Seis Su&#xED;tes para Violoncelo Solo,</em> de Bach. O resultado do processo, que envolveu artistas como Jorge Garcia, Luis Arrieta e Henrique Rodovalho, pode ser visto no espet&#xE1;culo<em> Logos-Di&#xE1;logos, </em>que acontece neste m&#xEA;s em S&#xE3;o Paulo.<strong> BRAVO!</strong> acompanhou os ensaios de Garcia e Arrieta, que contracena com a bailarina Ana Botafogo em um<em> pas-de-deux</em>.</p> <p> Confira o v&#xED;deo abaixo:</p> <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="338" width="600"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=41430601&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=0&amp;show_byline=0&amp;show_portrait=0&amp;color=00adef&amp;fullscreen=1&amp;autoplay=0&amp;loop=0"/><embed allowscriptaccess="always" height="338" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=41430601&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=0&amp;show_byline=0&amp;show_portrait=0&amp;color=00adef&amp;fullscreen=1&amp;autoplay=0&amp;loop=0" type="application/x-shockwave-flash" width="600"/></object></p> <p> &#xA0;</p> Assista a um ensaio do espetáculo <em>Logos-Diálogos</em>, que acontece neste mês em São Paulo 2012-05-02T13:31:08-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Assista a um ensaio do espetáculo Logos-Diálogos, que acontece neste mês em São Paulo Teatro e Dança BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/o-dramaturgo-do-afeto O Dramaturgo do Afeto 2012-05-15T12:44:03-03:00 Enrique Diaz <p> <em>A Primeira Vista</em>. &#xC9; esse o t&#xED;tulo da pe&#xE7;a &#x2013; sem crase, mesmo &#x2013; sobre duas amigas que se conhecem h&#xE1; muito tempo. O original era <em>A Beautiful View</em>, mas ficamos pensando, eu e as atrizes Mariana Lima e Drica Moraes, que <em>Uma Bela Vista</em> poderia remeter ao bairro paulistano ou apontar para uma pe&#xE7;a pretensamente po&#xE9;tica, no sentido de adocicada demais. Sim, ela &#xE9; po&#xE9;tica, e n&#xE3;o, ela n&#xE3;o &#xE9; adocicada. &#xC9; delicada, divertida e pode ser bastante emocionante.</p> <p> Escrevi para Daniel MacIvor, o autor canadense, explicando a situa&#xE7;&#xE3;o, mas logo conclu&#xED;mos que <em>A Primeira Vista</em> era bom (dif&#xED;cil explicar que no Brasil as pessoas teriam uma tenta&#xE7;&#xE3;o imensa de acrescentar uma crase ao t&#xED;tulo, sem perceber que a brincadeira era exatamente a aus&#xEA;ncia dela). Do mesmo modo, conversamos por e-mail sobre como estabelecer uma rela&#xE7;&#xE3;o &#xED;ntima com o p&#xFA;blico sem precisar transportar a trama do Canad&#xE1; para o Brasil. No texto, por exemplo, o urso &#xE9; muito citado: os ataques de urso, o medo de urso. Ao mesmo tempo, as personagens falam muito com o p&#xFA;blico, como se estivessem falando com um amigo, algu&#xE9;m com quem se busca alguma intimidade. Como &#xE9; que a gente fala de urso como algo pr&#xF3;ximo para uma plateia carioca? Conversar por e-mail com algu&#xE9;m que nunca se viu para resolver um problema dessa natureza &#xE9; tamb&#xE9;m procurar fazer o distante pr&#xF3;ximo.</p> <p> Foi assim: eu estava em Nova York em 2001 e vi <em>In on It</em> por nenhum motivo especial. Eu me deparei com uma pe&#xE7;a para dois atores, um deles era Daniel, que tinha escrito o texto e dirigia a montagem. Um jogo vivo, divertido, com um equil&#xED;brio fino entre a com&#xE9;dia, o drama tradicional e um olhar psicanal&#xED;tico, alguma coisa sobre as proje&#xE7;&#xF5;es que fazemos de n&#xF3;s mesmos e dos outros. A pe&#xE7;a brincava com aspectos do teatro com os quais eu tinha me acostumado a brincar: as camadas da narrativa, a metalinguagem, o tr&#xE2;nsito suave do ator por essa topografia dramat&#xFA;rgica. Procurei o autor no dia seguinte, sem sucesso. Anos mais tarde, depois das apresenta&#xE7;&#xF5;es da minha pe&#xE7;a <em>Ensaio.Hamlet</em> em um festival em Nova York, fez-se o contato. Por e-mail. O ato seguinte s&#xE3;o dois anos de apresenta&#xE7;&#xF5;es de <em>In on It</em>, entre 2009 e 2011, com os talentosos amigos Fernando Eiras e Em&#xED;lio de Mello, e o Daniel, ainda que no Canad&#xE1;, por perto, dialogando com a montagem, no profundo e no raso.</p> <p> Daniel MacIvor &#xE9; brilhante, canadense, espirituoso, ator, diretor, dramaturgo, roteirista e cineasta (deve ser v&#xE1;rias outras coisas, mas essas s&#xE3;o as que conhe&#xE7;o). Entre 1986 e 2007, esteve &#xE0; frente da companhia da da kamera, escreveu pe&#xE7;as para dois ou mais atores, como<em> Never Swim Alone</em>, <em>How It Works</em>, entre outras, e v&#xE1;rios solos em que ele mesmo atuava, tais como <em>Cul-de-Sac</em>, <em>House</em> e<em> Monster</em> (talvez a minha pr&#xF3;xima&#x2026;).</p> <p> Na segunda pe&#xE7;a dele que monto,<em> A Primeira Vista</em>, a mesma sensa&#xE7;&#xE3;o de parecer simples, ser simples. O tipo de simplicidade que abre janelas e portas onde menos se espera e p&#xF5;e em xeque a mania de querer que as coisas sejam as coisas e nos deixem em paz, parando de se transformar em outras. As pe&#xE7;as dele tocam no muito pr&#xF3;ximo de n&#xF3;s, e a&#xED; &#xE9; um saco sem fundo, uma parede falsa, uma renova&#xE7;&#xE3;o de olhar que tem que estar sempre atento. &#xC9; do afeto que estamos falando, e o afeto n&#xE3;o tem cara de marrom-glac&#xEA;.</p> <p> O afeto &#xE9; terr&#xED;vel e violento, surpreendente, porque se n&#xE3;o for para arriscar, a&#xED; n&#xE3;o tem afeto, a&#xED; s&#xE3;o s&#xF3; fortalezas e verdades paradas e sem vida. Pois Daniel &#xE9; assim, ele fala do afeto: ele fala, me parece, daquele lugar entre as pessoas em que elas percebem que n&#xE3;o &#x201C;s&#xE3;o&#x201D; uma coisa em si, mas que &#x201C;s&#xE3;o&#x201D; naquilo que se mistura com os outros. E a&#xED; &#xE9; um deus-nos-acuda porque a gente quer e n&#xE3;o quer, a gente se mistura, mas quer o nosso cantinho bem arrumado, reconhec&#xED;vel. E n&#xE3;o &#xE9; assim que a banda do Daniel toca.</p> <p> &#xC9; sutil e brilhante a maneira como ele aproxima suas tramas e o dia a dia de uma esp&#xE9;cie de grande sil&#xEA;ncio &#x2013; de um sil&#xEA;ncio como condi&#xE7;&#xE3;o, que est&#xE1; por tr&#xE1;s de tudo, por baixo, por cima, pelos lados, e que faz todo o resto, todas as afli&#xE7;&#xF5;es e dramas e raz&#xF5;es e argumentos virarem uma esp&#xE9;cie de m&#xFA;sica, uma m&#xFA;sica que vai passar, j&#xE1; est&#xE1; passando. A morte pode ser uma das formas desse sil&#xEA;ncio, mas nome&#xE1;-lo como morte seria localiz&#xE1;-lo demais. Na obra de Daniel MacIvor, esse sil&#xEA;ncio &#xE9; maior e mais interessante do que uma ideia de algo que nos acontece quando n&#xE3;o funcionamos mais.</p> <div class="onde-quando"> <p> <strong>A PE&#xC7;A</strong></p> <p> <em>A Primeira Vista</em>. De Daniel MacIvor. Dire&#xE7;&#xE3;o de Enrique Diaz. Com Drica Moraes e Mariana Lima. Teatro Poeira (r. S&#xE3;o Jo&#xE3;o Batista, 104, Botafogo, RJ, tel. 0++/21/2537-8053). At&#xE9; 17/6. 5&#xAA;, 6&#xAA; e s&#xE1;b., &#xE0;s 21h; dom., &#xE0;s 19h. De R$ 50 a R$ 70.</p> </div> Em <em>A Primeira Vista</em>, que vem se destacando no Rio de Janeiro, a dupla de protagonistas divide com o público os vaivéns de sua amizade – mais ou menos como o casal da premiada <em>In on It</em>, de 2009. Enrique Diaz, diretor das duas peças de Daniel MacIvor, escreve para <strong>BRAVO!</strong> sobre o universo do canadense 2012-05-15T12:30:04-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 177 - Maio 2012 Em A Primeira Vista, que vem se destacando no Rio de Janeiro, a dupla de protagonistas divide com o público os vaivéns de sua amizade – mais ou menos como o casal da premiada In on It, de 2009. Enrique Diaz, diretor das duas peças de Daniel MacIvor, escreve para BRAVO! sobre o universo do canadense Teatro e Dança BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/volta-aos-palcos Volta aos palcos 2012-05-07T19:09:04-03:00 Redação Bravo! <p> Em<em> A Primeira Vista</em>, em cartaz no Rio de Janerito, Drica Moraes e Mariana Lima interpretam duas amigas que formam uma banda chamada Ukeleladies. Com dire&#xE7;&#xE3;o de Enrique Diaz, o espet&#xE1;culo marca o retorno de Drica ao teatro depois de quarto anos. Ou&#xE7;a o depoimento da atriz sobre a montagem.</p> <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="81" width="100%"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="https://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F45634370&amp;show_comments=true&amp;auto_play=false&amp;color=ff7700"/><embed allowscriptaccess="always" height="81" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="https://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F45634370&amp;show_comments=true&amp;auto_play=false&amp;color=ff7700" type="application/x-shockwave-flash" width="100%"/></object></p> <p> &#xA0;</p> <p> <em>A Primeira Vista</em>. De Daniel Maclvor. Dire&#xE7;&#xE3;o de Enrique Diaz. Com Drica Moraes e Mariana Lima.</p> <p> Teatro Poeira (r. S&#xE3;o Jo&#xE3;o Batista, 104, Botafogo, RJ, tel. 0++/21/2537-8053)</p> <p> At&#xE9; 17/06. 5&#xAA; , 6&#xAA; e s&#xE1;b., &#xE0;s 21h; dom., &#xE0;s19h. De R$ 50 a R$ 70.</p> Ouça o depoimento da atriz Drica Moraes, que retorna ao teatro depois de quatro anos com a peça<em>&nbsp;A Primeira Vista</em> 2012-05-07T18:45:03-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Só no Site Ouça o depoimento da atriz Drica Moraes, que retorna ao teatro depois de quatro anos com a peça A Primeira Vista Teatro e Dança BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/formiguinha Formiguinha 2012-04-30T12:55:56-03:00 Silvia Gomez <p> Se fosse parte de uma pe&#xE7;a teatral, o di&#xE1;logo a seguir seria importante para conquistar a empatia do p&#xFA;blico por nossa hero&#xED;na, algu&#xE9;m que vai superar &#x2013; mais do que grandes montanhas &#x2013; o senso comum. Estamos em 1981, a conversa &#xE9; mais ou menos o-que-voc&#xEA;-vai-ser-quando-voc&#xEA;-crescer. &#x201C;Diretora de teatro&#x201D;, diz a jovem de 15 anos. A m&#xE3;e provoca: &#x201C;Voc&#xEA; &#xE9; mulher e &#xE9; baixinha. Por que escolhe sempre o caminho mais dif&#xED;cil?&#x201D; Torcendo por ela, o p&#xFA;blico acompanharia suas perip&#xE9;cias e no final descobriria que, &#xE0;s vezes, o caminho mais dif&#xED;cil acaba sendo, a sua maneira, o mais f&#xE1;cil.</p> <p> A protagonista em quest&#xE3;o &#xE9; a diretora paulistana Cibele Forjaz, com 1,43 m de altura, mas s&#xF3;lida como um dos nomes fundamentais da gera&#xE7;&#xE3;o teatral que despontou na d&#xE9;cada de 1990. &#xC0; semelhan&#xE7;a de Ant&#xF4;nio Ara&#xFA;jo, do Teatro da Vertigem, e S&#xE9;rgio de Carvalho, da Companhia do Lat&#xE3;o, Cibele &#x2013; que fundou a Cia. Livre em 2000 &#x2013; se construiu por meio da pesquisa de grupo e da experimenta&#xE7;&#xE3;o com a cidade, o palco, o p&#xFA;blico. &#x201C;Aquela pergunta foi prepara&#xE7;&#xE3;o para a vida. Me serviu como alavanca para mostrar o quanto o desejo, a f&#xE9; e a articula&#xE7;&#xE3;o intelectual s&#xE3;o maiores do que a expectativa alheia&#x201D;, diz ela, aos 45 anos.</p> <p> Depois de levar o extenso romance O Idiota, do russo Dostoi&#xE9;vski, para as mais de seis horas de apresenta&#xE7;&#xE3;o de sua &#xFA;ltima montagem, a encenadora embarca neste m&#xEA;s com a Cia. Livre no Fortuna Tropical, navio negreiro &#xE0; deriva, onde quer discutir a cicatriz da escravid&#xE3;o no Brasil, nossa identidade e mem&#xF3;ria. Batizado A Travessia da Calunga Grande, o espet&#xE1;culo resulta da pesquisa do grupo sobre os mitos dos povos amer&#xED;ndios, que come&#xE7;ou em 2006 e desembocou primeiro em Vem Vai &#x2013; O Caminho dos Mortos (2007), pelo qual Cibele levou o pr&#xEA;mio Shell de melhor dire&#xE7;&#xE3;o. Para falar de identidade, a trupe buscou apoio na trag&#xE9;dia grega de S&#xF3;focles, &#xC9;dipo Rei, aquele que desconhece sua origem.</p> <p> &#x201C;Quem &#xE9; voc&#xEA;?&#x201D; Dita pelo coro de Calunga, a pergunta quer desconcertar os espectadores. Se eles se mexerem sem resposta, talvez se sintam como Cibele diante de um ensaio: as pernas cruzam e descruzam, o p&#xE9; expulsa o sapato Crocs, o ombro deixa escorregar a al&#xE7;a do vestido enquanto a m&#xE3;o anota corre&#xE7;&#xF5;es, ajeita os &#xF3;culos. Nossa protagonista diz n&#xE3;o acreditar em talento: prefere o estudo e o trabalho de 16 horas por dia. &#x201C;Sou uma formiga&#x201D;, confessa a certa altura, sem se lembrar de tomar o caf&#xE9; que pediu no bar pr&#xF3;ximo ao pr&#xE9;dio onde mora com o filho de 14 anos, no centro de S&#xE3;o Paulo. S&#xE3;o 8 horas da manh&#xE3; e ela tinha se deitado &#xE0;s 3 da madrugada. N&#xE3;o pede nada para comer, o expresso esfriando. &#x201C;Fico assim em &#xE9;poca de estreia.&#x201D;</p> <p> <strong>POLIFONIA &#xC9;PICA</strong></p> <p> Em seu apartamento, o m&#xF3;vel principal &#xE9; uma estante de 5 m de comprimento, repleta de livros. Sobressaem os que ela encenou: O Idiota, Hamlet, de Shakespeare, e Um Bonde Chamado Desejo, de Tennessee Williams. Se Cibele vai da R&#xFA;ssia aos Estados Unidos, das adapta&#xE7;&#xF5;es liter&#xE1;rias &#xE0; cria&#xE7;&#xE3;o coletiva, como definir o trabalho da diretora? O pesquisador teatral Alexandre Mate fala de coer&#xEA;ncia est&#xE9;tica. &#x201C;Ela realiza uma obra &#xE9;pica, que provoca a imagina&#xE7;&#xE3;o ao reinterpretar as vanguardas, sempre com um p&#xE9; no hist&#xF3;rico.&#x201D; L&#xFA;cia Romano, integrante da Cia.Livre h&#xE1; cinco anos e atriz de Calunga, concorda. &#x201C;Brincamos que Cibele &#xE9; uma encenadora &#xE9;pico-ritual. Ela enxerga o teatro como celebra&#xE7;&#xE3;o e religi&#xE3;o, um lugar de resist&#xEA;ncia.&#x201D;</p> <p> &#xC9; hora de devolver a pergunta a Cibele: quem &#xE9; voc&#xEA;? &#x201C;Dif&#xED;cil falar individualmente, pois sigo o grupo, o que implica pluralidade, polifonia.&#x201D; Para ela e os colegas que se formaram na Escola de Comunica&#xE7;&#xF5;es e Artes da Universidade de S&#xE3;o Paulo, a ECA, onde cursou dire&#xE7;&#xE3;o teatral no fim dos anos 80 e hoje leciona, conciliar vontades foi algo natural. Na contram&#xE3;o da gera&#xE7;&#xE3;o anterior, mais personalista, eles se interessavam pelo processo colaborativo. A tend&#xEA;ncia ganhou visibilidade a partir de 1998, com o movimento Arte contra a Barb&#xE1;rie e impulsionou a cria&#xE7;&#xE3;o da Lei de Fomento ao Teatro de S&#xE3;o Paulo, que financia at&#xE9; 30 projetos em grupo por ano na cidade.</p> <p> Ainda no segundo ano de ECA, Cibele fundou com William Pereira a Barca de Dion&#xED;sios. Ele dirigiu e ela fez a ilumina&#xE7;&#xE3;o de Leonce e Lena, do alem&#xE3;o Georg B&#xFC;chner, em 1987. A montagem conquistou a cr&#xED;tica &#x2013; Cibele ganhava respeito como iluminadora. Depois de assinar a dire&#xE7;&#xE3;o de espet&#xE1;culos como Woyzeck, entrou em 1992 para o Teatro Oficina, de Z&#xE9; Celso Martinez Corr&#xEA;a, onde passou dez anos.</p> <p> &#x201C;Fiz a luz em Leonce e Lena porque a montagem precisava. Esta &#xE9; a quest&#xE3;o de estar em grupo: todos trabalham para que a pe&#xE7;a aconte&#xE7;a. E ela &#xE9; mais importante do que tudo.&#x201D; Mais importante do que a vida? &#x201C;O neg&#xF3;cio &#xE9; explodir a consci&#xEA;ncia do rei&#x201D;, responde, um tanto enigm&#xE1;tica e fazendo men&#xE7;&#xE3;o a uma fala de Hamlet. &#x201C;O que importa e nos move &#xE9; usar o teatro para explodir a consci&#xEA;ncia da cidade.&#x201D; Ou, ainda, para explodir o senso comum e, por que n&#xE3;o, transpor aquelas grandes montanhas.</p> <div class="descricao-autor"> <p> <strong>Silvia Gomez</strong> &#xE9; jornalista e dramaturga, editora da revista CASA CLAUDIA e autora das pe&#xE7;as O C&#xE9;u Cinco Minutos Antes da Tempestade e O Amor e Outros Estranhos Rumores.</p> </div><div class="onde-quando"> <p> <strong>A PE&#xC7;A</strong></p> <p> <em>A Travessia da Calunga Grande. </em>De Gabriela Almeida. Dire&#xE7;&#xE3;o de Cibele Forjaz. Com Cia. Livre. Sesc Pompeia (r. Cl&#xE9;lia, 93, SP, tel. 0++/11/3871-7700). At&#xE9; 29/4. 5&#xAA; a s&#xE1;b, &#xE0;s 20h30; dom., &#xE0;s 18h30. R$ 16.</p> </div> Um dos principais nomes do teatro de grupo paulistano, a diretora Cibele Forjaz não acredita em talento. Prefere confiar em pesquisa coletiva e 16 horas diárias de trabalho 2012-04-30T12:55:57-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 176 - Abril 2012 Um dos principais nomes do teatro de grupo paulistano, a diretora Cibele Forjaz não acredita em talento. Prefere confiar em pesquisa coletiva e 16 horas diárias de trabalho Teatro e Dança BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/respeite-e-depois-mate-o-pai "Respeite e depois mate o Pai" 2012-04-24T16:41:52-03:00 Armando Antenore <p> &#xA0;</p> <p> Est&#xE1; quase na hora do almo&#xE7;o quando Ken &#x2013; um garoto de 20 anos, prestativo, arguto e inquiridor &#x2013; adentra o ateli&#xEA; de Mark Rothko. O rapaz trabalha h&#xE1; alguns meses como assistente do renomado pintor. Limpa pinc&#xE9;is, mistura pigmentos, carrega quadros pesados, aplica a cor de base sobre as telas e faz compras. Nenhuma das obriga&#xE7;&#xF5;es, por&#xE9;m, parece t&#xE3;o ingrata quanto suportar o temperamento do chefe, um cinquent&#xE3;o taciturno, de cabelos escassos e &#xF3;culos redondos, que fuma e bebe desbragadamente, se enfurece &#xE0; toa e usa blazer ou terno mesmo em ocasi&#xF5;es pouco solenes. O est&#xFA;dio que ambos compartilham todos os dias entre 9 da manh&#xE3; e 5 da tarde &#xE9;, na realidade, um antigo gin&#xE1;sio da Associa&#xE7;&#xE3;o Crist&#xE3; de Mo&#xE7;os. Fica em Nova York e abriga um andaime extenso, al&#xE9;m de prateleiras com latas de tinta. O espa&#xE7;o n&#xE3;o poderia se mostrar mais adequado para a tarefa que Rothko assumiu naquele ver&#xE3;o de 1958: produzir uma s&#xE9;rie de murais abstratos em que o vermelho, o alaranjado, o negro, o marrom e o castanho se revezam.</p> <p> Ken traz comida chinesa da rua e, mal abre a porta do gin&#xE1;sio, avista o patr&#xE3;o reflexivo, ouvindo m&#xFA;sica cl&#xE1;ssica. &#x201C;Visitei a exposi&#xE7;&#xE3;o de Pablo Picasso ontem &#xE0; noite&#x201D;, conta o funcion&#xE1;rio, que sonha virar pintor. Rothko, desdenhoso, apregoa que o artista espanhol j&#xE1; atravessou fases melhores. &#x201C;Agora se contenta em bancar o charlat&#xE3;o. Confecciona vasinhos horrorosos e p&#xF5;e o nome em menus para sobreviver.&#x201D; O assistente n&#xE3;o diz nada. Rothko prossegue: &#x201C;Tr&#xE1;gico &#xE9; se tornar sup&#xE9;rfluo em plena exist&#xEA;ncia... N&#xF3;s destru&#xED;mos Picasso e o cubismo. Pisoteamos aquela dupla infernal at&#xE9; a morte. Hoje ningu&#xE9;m ousa esbo&#xE7;ar um quadro cubista, sob o risco de cair no rid&#xED;culo.&#x201D;</p> <p> A primeira pessoa do plural, aqui, se refere &#xE0; ruidosa turma de pintores que entrou para a hist&#xF3;ria como art&#xED;fice do expressionismo abstrato: Jackson Pollock, Willem de Kooning, Barnett Newman, Clyfford Still, Franz Kline e o pr&#xF3;prio Rothko, entre outros. O grupo nova-iorquino despontou imediatamente depois da Segunda Guerra e logo alcan&#xE7;ou reconhecimento internacional. Ganhou o r&#xF3;tulo de &#x201C;expressionista abstrato&#x201D; por causa de cria&#xE7;&#xF5;es n&#xE3;o figurativas, que questionam o racionalismo e exalam uma intensidade emocional semelhante &#xE0; do expressionismo alem&#xE3;o &#x2013; movimento est&#xE9;tico que sacudiu a Europa no come&#xE7;o do s&#xE9;culo 20.</p> <p> &#x201C;Voc&#xEA; se orgulha disso, n&#xE3;o? De ter pisoteado o cubismo at&#xE9; a morte&#x201D;, indaga Ken, antevendo a resposta. &#x201C;Todo filho deve banir o pai&#x201D;, sentencia Rothko. &#x201C;Respeit&#xE1;-lo, mas mat&#xE1;-lo.&#x201D; O di&#xE1;logo constitui um dos pontos altos de Vermelho, pe&#xE7;a do norte-americano John Logan que estreia em S&#xE3;o Paulo ap&#xF3;s passagens bem-sucedidas pela Inglaterra e pelos Estados Unidos. Se j&#xE1; soava representativa nas encena&#xE7;&#xF5;es de fora, a conversa adquire for&#xE7;a ainda maior na vers&#xE3;o paulistana, dirigida por Jorge Takla. Afinal, os atores que a protagonizam s&#xE3;o, de fato, pai e filho: Antonio e Bruno Fagundes, um com 62 anos, o outro com 22.</p> <p> O dramaturgo e roteirista de Chicago &#x2013; que assinou um sem-n&#xFA;mero de filmes badalados (A Inven&#xE7;&#xE3;o de Hugo Cabret, O Aviador, O &#xDA;ltimo Samurai, Gladiador e Sweeney Todd) &#x2013; lan&#xE7;ou o espet&#xE1;culo em dezembro de 2009 num teatro londrino. Depois de tr&#xEA;s meses, o levou para a Broadway, colecionou elogios e acabou faturando os pr&#xEA;mios mais importantes da temporada.</p> <p> Parte do que se desenrola no palco aconteceu de verdade. Em 1958, Rothko realmente ocupou um velho gin&#xE1;sio de Nova York, onde se dedicava &#xE0; composi&#xE7;&#xE3;o de 27 telas, t&#xE3;o grandes e impactantes que ele preferia cham&#xE1;-las de murais. O artista pensava e agia de maneira similar &#xE0; figura irasc&#xED;vel que Logan desenhou. Em compensa&#xE7;&#xE3;o, n&#xE3;o consta que dispusesse de assistentes na &#xE9;poca. Ken, portanto, &#xE9; fict&#xED;cio &#x2013; e o &#xFA;nico personagem que contracena com o pintor.</p> <p> Ora c&#xE1;usticas e sufocantes, ora espirituosas e amenas, as conversas entre veterano e novato espelham as m&#xFA;ltiplas faces de uma rela&#xE7;&#xE3;o quase sempre desigual. H&#xE1; momentos em que a autoridade de Rothko predomina. O mestre, ent&#xE3;o, orienta o disc&#xED;pulo. O empregador humilha o empregado. O patriarca educa o herdeiro. O g&#xEA;nio consagrado esmaga o reles mortal. Em outras cenas, no entanto, o assistente toma as r&#xE9;deas e se agarra &#xE0; petul&#xE2;ncia da juventude para afrontar ou reverter as certezas de Rothko. Sobressaem tamb&#xE9;m os (poucos) instantes em que o relacionamento parece menos assim&#xE9;trico, como se amigos papeassem dentro de um bar. &#xC0;s vezes, tem-se igualmente a impress&#xE3;o de que Ken se transforma no alter ego do pintor. Em tais circunst&#xE2;ncias, o di&#xE1;logo lembra uma esp&#xE9;cie de solil&#xF3;quio. Rothko fala com o assistente na &#xE2;nsia de falar consigo mesmo e se escutar.</p> <p> <strong>Futurismo</strong></p> <p> Quando proclama que &#x201C;o filho deve matar o pai&#x201D;, o pintor ecoa uma das ideias mais emblem&#xE1;ticas do s&#xE9;culo 20, muit&#xED;ssimo cara &#xE0;s artes e &#xE0; psican&#xE1;lise. Em 1897, o m&#xE9;dico austr&#xED;aco Sigmund Freud escreveu para o colega alem&#xE3;o Wilhelm Fliess e lhe apresentou uma hip&#xF3;tese pol&#xEA;mica: a de que os beb&#xEA;s, por nutrirem imensa paix&#xE3;o pela m&#xE3;e, tomam o progenitor como rival e sentem &#xF3;dio dele. Ao longo das tr&#xEA;s d&#xE9;cadas seguintes, o psiquiatra aprofundaria o racioc&#xED;nio e refletiria sobre a paternidade tanto nos ensaios que definem o complexo de &#xC9;dipo quanto nos livros Totem e Tabu (1913) e Mois&#xE9;s e o Monote&#xED;smo (1938). Dos estudos, resultou a tese de que todo filho, inconformado por dividir a m&#xE3;e com o pai, precisa assassin&#xE1;-lo simbolicamente para se afirmar como sujeito &#x2013; ou melhor, para se apoderar da pr&#xF3;pria individualidade e, assim, fundar uma nova fam&#xED;lia.</p> <p> Ainda no final do s&#xE9;culo 19 e in&#xED;cio do 20, eclodiram os c&#xE9;lebres movimentos de vanguarda, que inauguraram o modernismo e corroeram o establishment pol&#xED;tico-cultural da Europa. Seus integrantes defendiam posturas e conceitos ousados. Julgavam-se precursores de uma sociedade diferente, ut&#xF3;pica, e abra&#xE7;avam a miss&#xE3;o de guiar os contempor&#xE2;neos rumo &#xE0;s mudan&#xE7;as. Pregavam, acima de tudo, a ruptura com o passado. &#x201C;Queremos destruir os museus, as bibliotecas, as academias&#x201D;, alardeava em fevereiro de 1909 Filippo Tommaso Marinetti, o poeta italiano que engendrou o futurismo, um dos primeiros levantes vanguardistas. Treze meses depois, os pintores Umberto Boccioni, Luigi Russolo e Carlo Carr&#xE1; puseram mais lenha na fogueira. Redigiram, com o apoio de Marinetti, um manifesto que propunha &#x201C;o varrer geral dos assuntos velhos e gastos, a fim de expressar a voragem do moderno&#x201D;. Em outras palavras: &#xE0; sua moda, as vanguardas tamb&#xE9;m preconizavam a &#x201C;morte do pai&#x201D;. Para futuristas, dada&#xED;stas, cubistas e surrealistas, n&#xE3;o bastava erigir uma nova ordem. Era preciso soterrar a antiga.</p> <p> Dif&#xED;cil negar que pensamentos do g&#xEA;nero continuam presentes na seara das artes ou mesmo no cotidiano. H&#xE1;, inclusive, quem classifique a atualidade de &#x201C;hipermoderna&#x201D;, um per&#xED;odo em que tudo &#x2013; cren&#xE7;as, reflex&#xF5;es, objetos, comportamentos &#x2013; fica obsoleto rapidamente e nunca consegue virar tradi&#xE7;&#xE3;o. O passado, de acordo com essa &#xF3;tica, se converteu num mal t&#xE3;o daninho que requer enfrentamento ininterrupto e veloz. Certos te&#xF3;ricos, por outro lado, argumentam que nos encontramos em plena &#x201C;p&#xF3;s-modernidade&#x201D;. O passado j&#xE1; n&#xE3;o se configuraria propriamente como inimigo. Da&#xED; minguarem as raz&#xF5;es para rejeit&#xE1;-lo e extingui-lo. Trata-se, agora, de super&#xE1;-lo, sem jamais o apagar. Ou, ent&#xE3;o, de reinterpret&#xE1;-lo, imit&#xE1;-lo, celebr&#xE1;-lo, parodi&#xE1;-lo. Vide o advento do YouTube, m&#xE1;quina do tempo em que ontem e hoje se enla&#xE7;am harmoniosamente.</p> <p> Por volta de 1945, entretanto, a chama da iconoclastia ainda flamejava com vigor, sobretudo nos Estados Unidos. A Segunda Guerra deixara a Europa em ru&#xED;nas e evidenciara a terr&#xED;vel crise moral do continente que servira de ber&#xE7;o para o nazifascismo. Os norte-americanos, vitoriosos na luta contra Adolf Hitler e Benito Mussolini, almejavam liderar um mundo que abolisse os paradigmas anteriores. Sob tal impulso, mecenas e galeristas de Nova York, como Peggy Guggenheim e Betty Parsons, resolveram financiar talentos emergentes. As inquietas senhoras desejavam promover no pa&#xED;s o surgimento de um estilo pict&#xF3;rico in&#xE9;dito, que se projetasse internacionalmente. Foi muito por causa delas que o expressionismo abstrato avan&#xE7;ou durante os anos 50.</p> <p> De linguagem heterog&#xEA;nea, os artistas que o representavam possu&#xED;am em comum n&#xE3;o s&#xF3; o olhar cr&#xED;tico sobre a Europa. Questionavam igualmente a prosperidade dos Estados Unidos, o triunfo do capitalismo e suas consequ&#xEA;ncias: &#x201C;a paranoia anticomunista; o sonho suburbano de vestido xadrez e meia soquete; o carr&#xE3;o na garagem; mam&#xE3;e assando torta; o pequeno Billy jogando futebol, motivado pela torcida calorosa de Susie sardenta; papai saindo para o escrit&#xF3;rio de terno alinhad&#xED;ssimo; a fam&#xED;lia inteira ofegando e saltando de alegria, como Rex, o labrador feliz, e sempre tendo ao fundo a TV cintilante&#x201D;, conforme a descri&#xE7;&#xE3;o avassaladora do historiador brit&#xE2;nico Simon Schama no livro O Poder da Arte.</p> <p> Por meio de trabalhos n&#xE3;o ilustrativos, que enfatizassem a vitalidade da cor e do tra&#xE7;o, os expressionistas abstratos pretendiam despertar a Am&#xE9;rica, arranc&#xE1;-la da zona de conforto em que aportara. Desenvolveram, para tanto, t&#xE9;cnicas que frequentemente tiravam os pintores da atitude contemplativa habitual e lhes exigiam um esfor&#xE7;o f&#xED;sico incomum. Jackson Pollock, por exemplo, abolia o cavalete e deitava as enormes telas sobre o ch&#xE3;o. A seguir, caminhava ao redor ou em cima de cada quadro e gotejava ou atirava tinta nele. O resultado, ca&#xF3;tico e desconcertante, evidenciava o potencial criativo da improvisa&#xE7;&#xE3;o e do gesto espont&#xE2;neo. Em 1952, o cr&#xED;tico Harold Rosenberg cunhou um termo para abarcar as obras que derivavam de procedimentos como aquele: action paintings (pinturas de a&#xE7;&#xE3;o).</p> <p> <strong>Len&#xE7;o Kleenex</strong></p> <p> Nenhum dos expressionistas abstratos aceitou com tanto empenho a ambiciosa tarefa de acordar os Estados Unidos e lhes devolver o sangue &#xE0;s veias quanto Marcus Rothkomitz. Judeu nascido em setembro de 1903 na Let&#xF4;nia, ele migrou para Portland quando crian&#xE7;a. Mais tarde, trocou a Costa Oeste por Nova York, adquiriu a cidadania norte-americana e simplificou o nome. Tornou-se apenas Mark Rothko. Paralelamente &#xE0;s investidas como pintor, construiu uma frut&#xED;fera carreira de professor, lecionando arte. Iniciou-se nos pinc&#xE9;is com naturezas-mortas, paisagens e nus, influenciado pelo franc&#xEA;s Paul C&#xE9;zanne (1839-1906). Retratou ainda grupos familiares, mascates, quartetos de corda e o metr&#xF4; de Manhattan. Depois, bebendo do surrealismo, concebeu seres mitol&#xF3;gicos e criaturas invertebradas, de fei&#xE7;&#xF5;es pr&#xE9;-hist&#xF3;ricas. At&#xE9; que, em 1949, finalmente descobriu a p&#xF3;lvora &#x2013; achou o estilo que lhe garantiria fama e dinheiro.</p> <p> Dali para a frente, abdicou por completo da figura&#xE7;&#xE3;o e assinou telas que ostentam somente blocos de cor, &#xE0;s vezes quadrados, &#xE0;s vezes retangulares. O modo como organizava os elementos e associava as tintas gera um efeito peculiar&#xED;ssimo. &#xC0; primeira vista, as &#xE1;reas coloridas parecem im&#xF3;veis, pac&#xED;ficas. Mas, de repente, ap&#xF3;s dois ou tr&#xEA;s minutos de olhar atento, um milagre acontece. Os trabalhos passam a n&#xED;tida sensa&#xE7;&#xE3;o de que pulsam, como se respirassem. Ou, novamente nas palavras de Simon Schama, &#x201C;como se irradiassem um magnetismo estranho, t&#xE3;o intenso que, mesmo quando lhes damos as costas, &#xE9; imposs&#xED;vel escapar de tamanha luminosidade&#x201D;. Sem medo do exagero, o historiador compara os melhores quadros do artista &#x2013; &#x201C;complexos, espantosos, de contempla&#xE7;&#xE3;o inesgot&#xE1;vel&#x201D; &#x2013; &#xE0;s maravilhas de Rembrandt (1606-1669) e William Turner (1775-1851).</p> <p> Consciente do impacto que provocava,Rothko n&#xE3;o se julgava um pintor abstrato. &#x201C;Minhas cores s&#xE3;o mais do que cores&#x201D;, esclarecia. &#x201C;S&#xE3;o atrizes.&#x201D; Int&#xE9;rpretes dedicadas e habilidosas, que buscam instigar o p&#xFA;blico e exprimir &#x201C;a trag&#xE9;dia humana, as emo&#xE7;&#xF5;es elementares&#x201D;. Ele tinha, segundo v&#xE1;rios depoimentos, uma rela&#xE7;&#xE3;o obsessiva com as pr&#xF3;prias cria&#xE7;&#xF5;es, frutos de muito c&#xE1;lculo. Sofria ao v&#xEA;-las &#x201C;sair pelo mundo&#x201D; e, n&#xE3;o raro, chorava diante da separa&#xE7;&#xE3;o. Tamb&#xE9;m reivindicava de museus e galerias condi&#xE7;&#xF5;es perfeitas para exibi-las. Tentava controlar os m&#xED;nimos detalhes: a intensidade da luz, o posicionamento das obras na parede, a dist&#xE2;ncia que o observador deveria manter de cada quadro. Se n&#xE3;o o atendessem, armava um fuzu&#xEA; ou cancelava a exposi&#xE7;&#xE3;o. Quando recebia elogios do tipo &#x201C;voc&#xEA; faz pinturas lindas&#x201D;, se exasperava. N&#xE3;o queria que o confundissem com &#x201C;um decorador de interiores&#x201D;. &#xC0; semelhan&#xE7;a de outros papas da abstra&#xE7;&#xE3;o, torcia o nariz para os antecessores &#x2013; &#xED;cones das vanguardas como Picasso e Salvador Dal&#xED;. &#x201C;Envelheceram mal. Acomodaram-se&#x201D;, bradava. Tampouco livrava a cara da gera&#xE7;&#xE3;o que o sucederia (e ofuscaria), a de Andy Warhol, Robert Rauschenberg, Jasper Johns e Roy Lichtenstein, astros da pop art. Taxava todos de superficiais, lacaios da cultura de massa, t&#xE3;o descart&#xE1;veis &#x201C;quanto um len&#xE7;o Kleenex&#x201D;. N&#xE3;o satisfeito em matar os pais, desejava trucidar os pr&#xF3;prios descendentes.</p> <p> No ver&#xE3;o de 1958, aceitou a encomenda que o espet&#xE1;culo de John Logan menciona. A destilaria canadense Seagram planejava revestir tr&#xEA;s paredes do restaurante Four Seasons com murais do artista. O luxuoso estabelecimento de Manhattan, que continua funcionando, abriu em 1959 e se localiza no edif&#xED;cio-sede da empresa. Projetado por uma dupla de ex&#xED;mios arquitetos, o alem&#xE3;o Mies van der Rohe e o norte-americano Philip Johnson, costuma reunir a nata financeira da cidade. O pintor ganharia US$ 35 mil pela empreitada &#x2013; cifra que, atualmente, se aproxima dos US$ 2 milh&#xF5;es. Durante meses de trabalho exaustivo, confeccionou 27 quadros. Do conjunto, pretendia extrair os nove do restaurante. &#x201C;Vou tirar o apetite dos ricos calhordas que frequentam o lugar&#x201D;, trombeteava enquanto preparava a s&#xE9;rie. N&#xE3;o se tratava de mera bravata. Ele realmente acreditava que os comensais esqueceriam o menu quando avistassem as pinturas e vivenciariam algo como uma epifania &#x2013; o in&#xED;cio de uma transforma&#xE7;&#xE3;o moral, impulsionada pelos sentimentos que as telas despertariam.</p> <p> Ocorre que, t&#xE3;o logo o Four Seasons inaugurou, Rothko o visitou e... &#x201C;Quem aprecia aquela comida, quem paga aquele pre&#xE7;o nunca colocar&#xE1; os olhos num quadro meu!&#x201D;, rosnou para um amigo, ao telefone. &#x201C;Era uma descri&#xE7;&#xE3;o ou uma prescri&#xE7;&#xE3;o? Uma triste constata&#xE7;&#xE3;o ou uma amea&#xE7;a?&#x201D;, pergunta-se Simon Schama. O pintor jamais respondeu. Apenas abriu m&#xE3;o da &#xAD;incumb&#xEA;ncia e devolveu o adiantamento de US$ 7 mil. A partir de ent&#xE3;o, se deixou tragar por ondas gigantescas e peri&#xF3;dicas de melancolia. Acabou cortando os pulsos em 25 de fevereiro de 1970. Suicidou-se horas antes de os nove murais do Four Seasons chegarem &#xE0; Tate Gallery, de Londres (hoje Tate Britain), onde ainda ocupam uma sala.</p> <p> <strong>Coragem</strong></p> <p> Na pe&#xE7;a, o jovem Ken, antagonista de Rothko e admirador da pop art, se revela fundamental para que o pintor abandone o projeto da Seagram. Os confrontos que a plateia testemunha modificam os dois personagens. Fora do palco, no entanto, Antonio e Bruno Fagundes d&#xE3;o respostas parcimoniosas, quase evasivas, quando lhes indagam se Vermelho reflete tamb&#xE9;m as diferen&#xE7;as entre ambos &#x2013; n&#xE3;o s&#xF3; as est&#xE9;ticas como as inerentes &#xE0; rela&#xE7;&#xE3;o de parentesco. Um e outro parecem comprometidos em refutar a ideia (simpl&#xF3;ria, acreditam) de que a montagem estimularia uma catarse familiar. &#x201C;Claro que o espet&#xE1;culo possibilita incont&#xE1;veis leituras. Entre todas, me agradam especialmente as relativas &#xE0; arte. Qual o papel de um cineasta, um escultor, um bailarino, um romancista, um ator? Vermelho nos lan&#xE7;a a quest&#xE3;o o tempo inteiro. O texto de John Logan mostra que Rothko almejava mudar as pessoas por meio da pintura. &#xC0; minha maneira, creio que o teatro possa alcan&#xE7;ar o mesmo&#x201D;, diz Antonio Fagundes. O int&#xE9;rprete, que j&#xE1; soma 46 anos de carreira, investiu R$ 1 milh&#xE3;o na montagem em sociedade com o diretor Jorge Takla. &#x201C;Conseguimos permiss&#xE3;o para captar dinheiro via Lei Rouanet, mas n&#xE3;o encontramos patrocinadores&#x201D;, explica.</p> <p> Diplomado em rela&#xE7;&#xF5;es p&#xFA;blicas, Bruno &#xE9; tamb&#xE9;m filho da atriz e dramaturga Mara Carvalho, segunda mulher de Antonio. O casamento durou pouco mais de uma d&#xE9;cada. &#x201C;Convivo com artistas desde cedo. Recordo-me vagamente de ver meus pais em Macbeth quando beirava os 5 anos. Foi a primeira vez que entrei numa coxia. N&#xE3;o me soa impr&#xF3;prio ou esquisito, portanto, trabalhar em fam&#xED;lia. Pelo contr&#xE1;rio: acho bacana que a gente re&#xFA;na for&#xE7;as, sem nenhum tipo de competi&#xE7;&#xE3;o.&#x201D; O rapaz, que canta e pinta nas horas vagas, estreou profissionalmente como ator em 2006 e, al&#xE9;m de Vermelho, participou de tr&#xEA;s pe&#xE7;as. &#x201C;Ele vem demonstrando muita coragem&#x201D;, avalia Jorge Takla. &#x201C;&#xC9; um risco dividir a cena com o pai famoso. Volta e meia, o aconselho: &#x2018;Prepare-se, menino. Por melhor que voc&#xEA; fa&#xE7;a, provavelmente sofrer&#xE1; cobran&#xE7;as pesadas&#x2019;.&#x201D; Talvez t&#xE3;o ferozes quanto as que Rothko impingiu &#xE0; turma da pop art.</p> <p> &#xA0;</p> <div class="onde-quando"> <p> <strong>A PE&#xC7;A</strong></p> <p> <em>Vermelho</em>, de John Logan. Tradu&#xE7;&#xE3;o: Rachel Ripani. Dire&#xE7;&#xE3;o: Jorge Takla. Com Antonio Fagundes e Bruno Fagundes. Teatro Geo (r. Corop&#xE9;s, 88, Pinheiros, SP, tel. 0++/11/3728-4930). 5&#xAA; e s&#xE1;b., &#xE0;s 21h; 6&#xAA;, &#xE0;s 21h30; dom., &#xE0;s 18h. De R$ 100 a R$ 120.</p> </div> Na peça "Vermelho", em que vive o pintor abstrato Mark Rothko, <strong>Antonio Fagundes</strong> contracena com o filho e reascende uma velha discussão: Jovens artistas precisam renegar seus mestres? 2012-03-30T15:44:23-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 176 - Abril 2011 Na peça "Vermelho", em que vive o pintor abstrato Mark Rothko, Antonio Fagundes contracena com o filho e reascende uma velha discussão: Jovens artistas precisam renegar seus mestres? Teatro e Dança BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/o-prazer-da-forma-e-das-ideias O prazer da forma e das ideias 2012-04-24T13:02:12-03:00 Valmir Santos <p> Em 1988, quando Antonio Fagundes ousou protagonizar a adapta&#xE7;&#xE3;o teatral de <em>Fragmentos de um Discurso Amoroso</em> &#x2013; livro do pensador franc&#xEA;s Roland Barthes &#x2013;, parte da cr&#xED;tica achou a empreitada muito &#x201C;intelectual&#x201D; para o p&#xFA;blico atra&#xED;do pelo carisma do ator na TV e no cinema.</p> <p> Em <em>Vermelho</em>, seu novo espet&#xE1;culo em cartaz no Teatro Geo, em S&#xE3;o Paulo, Fagundes volta a investir alto na intelig&#xEA;ncia e sensibilidade do espectador.</p> <p> O texto do norte-americano John Logan &#xE9; um elogio ao prazer vindo do debate de ideias e das formas. Na Nova York do final dos anos 50, o pintor russo Mark Rothko (1903-1970), vivido por Fagundes, trabalha sob encomenda numa s&#xE9;rie de murais para um festejado restaurante da cidade. A chegada ao ateli&#xEA; de um jovem assistente, Ken, interpretado por Bruno Fagundes, o levar&#xE1; a refletir sobre o bem remunerado contrato assinado para expor suas pinturas a comensais que n&#xE3;o lhes dar&#xE3;o a menor bola.</p> <p> O relacionamento de Rothko com o aprendiz dosa teorias da arte e da filosofia ao retratar conflitos de gera&#xE7;&#xE3;o e entre artista e sociedade. A filia&#xE7;&#xE3;o dos atores, evidentemente, acrescenta mais dramaticidade &#xE0; vers&#xE3;o brasileira da obra montada e premiada nos Estados Unidos e na Inglaterra.</p> <p> <strong>Cores dram&#xE1;ticas</strong></p> <p> Fagundes &#xE9; h&#xE1;bil no humor bipolar do pintor, humanizando-o em sua integridade criativa e avessa &#xE0; voracidade dos neg&#xF3;cios da arte. Bruno ganha mais presen&#xE7;a e voz ao longo do espet&#xE1;culo, justo nos embates diretos com o mestre.</p> <p> A dire&#xE7;&#xE3;o e o desenho cenogr&#xE1;fico de Jorge Takla valorizam essa intimidade explosiva na escala monumental do p&#xE9;-direito do Geo. As telas de Rothko, reproduzidas e suspensas nesse belo palco rec&#xE9;m-inaugurado na cidade, transportam o olhar para o infinito.</p> <p> &#xA0;</p> <p> <em>*Valmir Santos &#xE9; jornalista e pesquisador de teatro</em></p> <p> &#xA0;</p> <p> <strong>Servi&#xE7;o</strong></p> <p> <em>Vermelho</em>, de John Logan.</p> <p> Dire&#xE7;&#xE3;o de Jorge Takla. Com Antonio Fagundes e Bruno Fagundes.</p> <p> Teatro Geo (r. Corop&#xE9;s, 88, Pinheiros, SP, tel. 0++/11/3728-4930).</p> <p> At&#xE9; 29/7. 5&#xAA; e s&#xE1;b., &#xE0;s 21h; 6&#xAA;, &#xE0;s 21h30; dom., &#xE0;s 18h.</p> <p> De R$ 100 a R$ 120.</p> <p> &#xA0;</p> Em <em>Vermelho</em>, o ator Antonio Fagundes vive o pintor russo Rothko e investe alto na inteligência do espectador 2012-04-24T13:02:13-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Em Vermelho, o ator Antonio Fagundes vive o pintor russo Rothko e investe alto na inteligência do espectador Teatro e Dança BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/do-mito-ao-coracao-humano Do Mito ao Coração Humano 2012-04-10T17:55:44-03:00 Valmir Santos <p> O teatro contempor&#xE2;neo costuma beber nas fontes da cultura grega, paradigma de um humanismo mais rarefeito nos dias de hoje. N&#xE3;o &#xE0; toa um ciclo de sauda&#xE7;&#xE3;o &#xE0; trag&#xE9;dia cl&#xE1;ssica est&#xE1; em curso em S&#xE3;o Paulo. No ano passado, o mineiro Gabriel Villela dirigiu H&#xE9;cuba, enquanto a diretora baiana Maria Tha&#xED;s visitou o mito de Prometeu, e o paranaense Elias Andreato, o de &#xC9;dipo. J&#xE1; em 2012, Cibele Forjaz rel&#xEA; S&#xF3;focles em A Travessia da Calunga Grande e o fluminense Roberto Alvim mergulha em sete textos de &#xC9;squilo. Por sua vez, a Companhia Elevador de Teatro Panor&#xE2;mico, cofundada h&#xE1; 11 anos pelo paulista Marcelo Lazzaratto, apresenta Ifig&#xEA;nia neste m&#xEA;s no Sesc Belenzinho, com dramaturgia de C&#xE1;ssio Pires baseada em Ifig&#xEA;nia em &#xC1;ulis, de Eur&#xED;pedes.</p> <p> No enredo, o rei Agam&#xEA;mnon sacrifica a pr&#xF3;pria filha &#xE0; deusa &#xC1;rtemis para que o vento volte a impulsionar as embarca&#xE7;&#xF5;es de soldados gregos no ataque &#xE0; cidade de Troia, tomada por b&#xE1;rbaros. Em vez da fatalidade, &#xE9; a puls&#xE3;o de vida que guia Ifig&#xEA;nia. Resignada, a princesa se imola conscientemente sob o imperativo de salvaguardar seu povo, sua terra. Sem se preocupar em conduzir o p&#xFA;blico &#xE0; catarse, como conviria a uma montagem que seguisse a conven&#xE7;&#xE3;o grega, Lazzaratto lan&#xE7;a m&#xE3;o de um aspecto formal para retrabalhar os embates morais entre sujeito e Estado no ber&#xE7;o da p&#xF3;lis grega. Em sua trag&#xE9;dia contempor&#xE2;nea, os protagonistas surgem do meio do tradicional coro, recurso que termina por ressaltar o conflito em Ifig&#xEA;nia.</p> <p> <strong>Sobre as ondas</strong></p> <p> Vestidos com saias no tom da pele, os atores vivem alternadamente os coreutas, os personagens masculinos e os femininos. Revezam-se entre os pap&#xE9;is sutilmente, colocando em pr&#xE1;tica o sistema de improvisa&#xE7;&#xF5;es que Lazzaratto desenvolve h&#xE1; 20 anos, o &#x201C;campo de vis&#xE3;o&#x201D;. Nesse jogo de cena, os int&#xE9;rpretes, livres de marca&#xE7;&#xF5;es r&#xED;gidas, movimentam-se de acordo com a din&#xE2;mica de todo o grupo, criando resultados diferentes a cada apresenta&#xE7;&#xE3;o.</p> <p> Ao ressaltar personagens muito definidos entre os integrantes do coro, a montagem demarca uma individualidade na multid&#xE3;o. A companhia de Lazzaratto alinha-se, assim, ao estudioso de mitologia Junito de Souza Brand&#xE3;o, para quem o cosmo tr&#xE1;gico, em Eur&#xED;pedes, &#xE9; deslocado da grandiosidade do mito para a particularidade do cora&#xE7;&#xE3;o humano.</p> <p> Ondas sugeridas pelo ir e vir de corpos, sons e imagens comp&#xF5;em uma met&#xE1;fora de mar no espet&#xE1;culo, construindo sua unidade formal. Um fluxo que acaba banhando o inconsciente do espectador.</p> <div class="descricao-autor"> <p> <strong>Valmir Santos</strong> &#xE9; jornalista e pesquisador de teatro.</p> </div><div class="onde-quando"> <p> <strong>A PE&#xC7;A</strong></p> <p> <em>Ifig&#xEA;nia</em>. De C&#xE1;ssio Pires. Dire&#xE7;&#xE3;o de Marcelo Lazzaratto. Com Carolina Fabri, Gabriel Miziara, Pedro Haddad e outros. Sesc Belenzinho (r. Padre Adelino, 1000, SP, tel. 0++/11/2076-9798). At&#xE9; 29/4. 3&#xAA; e 4&#xAA;, &#xE0;s 21h; s&#xE1;b., &#xE0;s 20h; e dom., &#xE0;s 17h. R$ 6 a R$ 24.</p> </div> Em “Ifigênia”, da Companhia Elevador de Teatro Panorâmico, os protagonistas se misturam ao coro em um engenhoso jogo de cena que subverte convenções da tragédia grega 2012-04-10T17:42:11-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 176 - Abril 2012 Em “Ifigênia”, da Companhia Elevador de Teatro Panorâmico, os protagonistas se misturam ao coro em um engenhoso jogo de cena que subverte convenções da tragédia grega Teatro e Dança BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/banho-de-guace Banho de guache em Antonio Fagundes 2012-04-02T16:11:19-03:00 Redação <p> Na pe&#xE7;a <em>Vermelho</em>, em cartaz em S&#xE3;o Paulo, o ator Antonio Fagundes vive o pintor Mark Rothko, um dos &#xED;cones do expressionismo abstrato. A hist&#xF3;ria se passa pelo final dos anos 50. Nascido em 1903, na Let&#xF4;nia, o artista se suicidou em 1970. Para produzir a imagem de capa, a equipe de <strong>BRAVO!</strong> jogou tinta no rosto de Fagundes.</p> <p> &#xA0;</p> <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="338" width="600"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=39362891&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=0&amp;show_byline=0&amp;show_portrait=0&amp;color=00adef&amp;fullscreen=1&amp;autoplay=1&amp;loop=0"/><embed allowscriptaccess="always" height="338" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=39362891&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=0&amp;show_byline=0&amp;show_portrait=0&amp;color=00adef&amp;fullscreen=1&amp;autoplay=1&amp;loop=0" type="application/x-shockwave-flash" width="600"/></object></p> Assista ao&nbsp;<em>making of </em>da foto que estampa a capa da edição de abril de <strong>BRAVO!</strong> 2012-04-02T16:11:19-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Assista ao making of da foto que estampa a capa da edição de abril de BRAVO! Teatro e Dança BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/sobre-derrocadas-e-triunfos Sobre Derrocadas e Triunfos 2012-03-22T17:54:10-03:00 Mariana Delfini <p> H&#xE1; duas ruas na rua do Triunfo. A primeira fica no bairro de Santa Ifig&#xEA;nia, regi&#xE3;o central de S&#xE3;o Paulo, tem cinco quarteir&#xF5;es e separa a avenida Ipiranga do largo General Os&#xF3;rio. Para percorr&#xEA;-la a p&#xE9;, gasta-se menos de dez minutos. Sem muito movimento de carros e situada numa parte da cidade que desde a d&#xE9;cada de 1990 &#xE9; conhecida como Cracol&#xE2;ndia, devido &#xE0; concentra&#xE7;&#xE3;o de usu&#xE1;rios de crack a c&#xE9;u aberto, essa rua alinha em suas cal&#xE7;adas pr&#xE9;dios baixos, estacionamentos e lojas-cemit&#xE9;rios entulhadas de impressoras obsoletas e velhos computadores de cor bege. Quase nada resta do burburinho de antigamente, quando a regi&#xE3;o, apelidada de Boca do Lixo, era frequentada tanto pelos viajantes hospedados nos hot&#xE9;is das redondezas quanto pelos artistas de um pequeno polo cinematogr&#xE1;fico que se desenvolveu por l&#xE1; entre o final dos anos 60 e come&#xE7;o dos 80.</p> <p> &#xC0; outra rua do Triunfo tem-se acesso justamente pela primeira, t&#xE3;o logo se entra no pr&#xE9;dio salm&#xE3;o de n&#xFA;mero 301, perto do largo General Os&#xF3;rio. O pequeno galp&#xE3;o de dois andares abriga a nova sede do Pessoal do Faroeste, grupo que encena ali o espet&#xE1;culo <em>Cine Camale&#xE3;o &#x2013; A Boca do Lixo</em>. Indicada a pr&#xEA;mios como o Shell e o da Cooperativa Paulista de Teatro, a pe&#xE7;a transporta o espectador para um lugar simb&#xF3;lico: uma rua do Triunfo que, localizada na Boca do Lixo de 1978, transcende o passado real do degradado endere&#xE7;o.</p> <p> No enredo, a produtora Cine Camale&#xE3;o, do diretor Tony Reis, recebe a visita da cantora Wanda Scarlatti, que apresenta uma proposta tentadora: ela financiar&#xE1; o filme <em>Faroeste na Rua Apa</em>, que Reis espera fazer h&#xE1; anos, desde que ele inclua no roteiro a primeira cena de sexo expl&#xED;cito do Brasil &#x2013; protagonizada por ela mesma. A pe&#xE7;a mistura a proje&#xE7;&#xE3;o do longa j&#xE1; realizado a flashbacks e ao momento em que Wanda assiste &#xE0; fita, ansiosa por ver a cena er&#xF3;tica.</p> <p> A sensa&#xE7;&#xE3;o do p&#xFA;blico, ao final do espet&#xE1;culo, &#xE9; de ter passado por dentro de um furac&#xE3;o. Em uma trama repleta de idas e vindas, as refer&#xEA;ncias hist&#xF3;ricas, amarradas por fic&#xE7;&#xE3;o, pululam &#x2013; o cineasta Glauber Rocha, o Dops (Departamento de Ordem Pol&#xED;tica e Social), o filme <em>Imp&#xE9;rio dos Sentidos</em>, do japon&#xEA;s Nagisa Oshima. Objetos improv&#xE1;veis, como miniaturas de &#xED;ndios no estilo Forte Apache, cortinas de pl&#xE1;stico e manequins envoltos em HQs de sexo, se espalham pelo cen&#xE1;rio. O jogo de luzes demarca flashbacks e alguns del&#xED;rios. Os personagens, escorados numa linguagem melodram&#xE1;tica, se imaginam em Hollywood, e n&#xE3;o na Boca do Lixo. Ainda que neles se possam entrever decad&#xEA;ncia e sarcasmo, o tom da montagem &#xE9; de celebra&#xE7;&#xE3;o &#xE0; Boca, com direito a um n&#xFA;mero apote&#xF3;tico de canto e dan&#xE7;a, inspirado no grupo Dzi Croquettes.</p> <p> <strong>Sonhos</strong></p> <p> Talvez soe como alucina&#xE7;&#xE3;o do Pessoal do Faroeste retratar de maneira t&#xE3;o euf&#xF3;rica e colorida a Boca do Lixo, que recebeu o apelido por agregar, desde a d&#xE9;cada de 1950, bandidos, trombadinhas e prostitutas. As equipes de cinema que dividiam espa&#xE7;o com essa popula&#xE7;&#xE3;o flutuante tampouco exalavam muito glamour.</p> <p> Os filmes da Boca, em sua maioria pornochanchadas e faroestes sem grandes pretens&#xF5;es art&#xED;sticas &#x2013; com exce&#xE7;&#xE3;o &#xE0;s cria&#xE7;&#xF5;es de diretores como Walter Hugo Khouri, Ozualdo Candeias e Carlos Reichenbach &#x2013;, inundavam o mercado (nos anos 70, 30% das produ&#xE7;&#xF5;es brasileiras vinham de l&#xE1;) e chegavam a atrair at&#xE9; 2 milh&#xF5;es de espectadores. O amadorismo de boa parte dos realizadores somava-se &#xE0; precariedade de t&#xE9;cnicas e equipamentos. Muitas fitas recebiam no corte final cenas de outros longas, que n&#xE3;o prejudicavam o roteiro porque mal havia um. As filmagens n&#xE3;o paravam, de olho na alt&#xED;ssima demanda gerada por uma lei que obrigava os cinemas a exibir tramas nacionais.</p> <p> &#x201C;Paralelamente ao preconceito dos que viam na Boca somente o fato principal de uma produ&#xE7;&#xE3;o de baixo n&#xED;vel que assolou o pa&#xED;s, parece haver tamb&#xE9;m uma vis&#xE3;o contr&#xE1;ria, que tende a &#x2018;romantizar&#x2019; aquele per&#xED;odo e as experi&#xEA;ncias dele resultantes&#x201D;, escreve o pesquisador Alessandro Gamo em sua tese de doutorado, <em>Vozes da Boca</em>. &#x201C;Viv&#xED;amos numa Boca dos Sonhos&#x201D;, lembra a atriz Helena Ramos, em outra tese acad&#xEA;mica sobre o assunto, <em>Boca do Lixo: Cinema e Classes Populares</em>, assinada por Nuno Cesar Pereira de Abreu, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). &#xC9; essa dicotomia que parece nortear a montagem do Pessoal do Faroeste em <em>Cine Camale&#xE3;o</em>.</p> <p> &#xA0;</p> <p> Eugenia</p> <p> &#xC0;s 23 horas do primeiro s&#xE1;bado de fevereiro, o port&#xE3;ozinho do n&#xFA;mero 301 estava trancado. Do lado de dentro, cerca de 15 pessoas celebravam o final da primeira apresenta&#xE7;&#xE3;o da pe&#xE7;a na nova sede. Do lado de fora, no escuro, se aglomerava um grupo silencioso. Era a parcela de usu&#xE1;rios de crack que coube &#xE0; rua do Triunfo depois da opera&#xE7;&#xE3;o policial que, no come&#xE7;o de janeiro, dispersou os &#x201C;noias&#x201D; do cora&#xE7;&#xE3;o da Cracol&#xE2;ndia, a rua Helv&#xE9;tia, a 600 m dali.</p> <p> A situa&#xE7;&#xE3;o n&#xE3;o se mostrava completamente estranha ao Pessoal do Faroeste. Instalada desde 2006 na alameda Cleveland, perto da sede atual, a trupe n&#xE3;o convivia com usu&#xE1;rios em sua porta &#x2013; acomodava os espectadores em bancos e cadeiras, na cal&#xE7;ada, enquanto esperavam o in&#xED;cio dos espet&#xE1;culos &#x2013;, mas cruzava frequentemente a zona em que eles se reuniam e, com o tempo, deixou de sentir a apreens&#xE3;o que costuma perseguir quem &#xE9; de fora. &#x201C;A Cracol&#xE2;ndia nunca representou uma amea&#xE7;a para a gente&#x201D;, diz o diretor Paulo Faria. &#x201C;S&#xF3; nos causa indigna&#xE7;&#xE3;o pelo que tem de desumano.&#x201D;</p> <p> As recentes a&#xE7;&#xF5;es da Pol&#xED;cia Militar na &#xE1;rea chamam a aten&#xE7;&#xE3;o do grupo, que montou h&#xE1; pouco tempo a Trilogia Degenerada. As pe&#xE7;as &#x2013; unidas pelo tema da eugenia, a mentalidade de purifica&#xE7;&#xE3;o das ra&#xE7;as &#x2013; t&#xEA;m como cen&#xE1;rio o centro de S&#xE3;o Paulo ao longo do s&#xE9;culo 20. Todo o elenco afirma em un&#xED;ssono que nunca presenciou viol&#xEA;ncia ou roubo na Cracol&#xE2;ndia. Paulo &#xE9; enf&#xE1;tico ao condenar a opera&#xE7;&#xE3;o policial: &#x201C;Trata-se de mais um ato eugen&#xED;stico da administra&#xE7;&#xE3;o da cidade. Claro que a regi&#xE3;o est&#xE1; melhor, mas melhor desse ponto de vista segregador, que exclui pobres, moradores de rua, drogados.&#x201D;</p> <p> Ele relembra a tentativa, ainda na Cleveland, de o grupo empregar como faxineira uma usu&#xE1;ria de crack, moradora de um corti&#xE7;o pr&#xF3;ximo que j&#xE1; foi demolido. Andr&#xE9;a ficou mais de um ano no emprego, mas por causa da droga faltava sempre e acabou demitida. &#x201C;Vimos que n&#xE3;o t&#xED;nhamos condi&#xE7;&#xE3;o de lidar com o problema. Precis&#xE1;vamos de psic&#xF3;logo, assistente social... E n&#xF3;s somos artistas&#x201D;, avalia Paulo. &#x201C;Nosso trabalho &#xE9; est&#xE9;tico. &#xC9; denunciar tudo isso por meio dos espet&#xE1;culos.&#x201D;</p> <p> <strong>Boca a boca</strong></p> <p> A sobreposi&#xE7;&#xE3;o da rua do Triunfo fict&#xED;cia &#xE0; rua do Triunfo real significa um recome&#xE7;o para o Pessoal do Faroeste. No teatro da Cleveland, a lota&#xE7;&#xE3;o variou desde o in&#xED;cio da temporada, em 15 de outubro de 2011: &#xE0;s primeiras apresenta&#xE7;&#xF5;es, que contaram com amigos e convidados, seguiu-se um vazio de p&#xFA;blico que durou at&#xE9; o final de novembro. &#x201C;Conhecidos me diziam que queriam vir &#xE0; pe&#xE7;a, mas desistiam porque temiam a Cracol&#xE2;ndia&#x201D;, conta a atriz Lorenna Mesquita. Aos poucos, por&#xE9;m, o boca a boca &#x2013; &#x201C;Pode ir, &#xE9; tranquilo&#x201D; &#x2013; fez efeito, e em dezembro os 40 lugares por sess&#xE3;o eram ocupados rapidamente, mandando para casa espectadores sem ingresso.</p> <p> No primeiro final de semana na rua do Triunfo, as arquibancadas que agora acomodam 80 pessoas n&#xE3;o exibiam mais de 20, embora muitos dos lugares vazios se devessem apenas &#xE0; pr&#xF3;pria mudan&#xE7;a de endere&#xE7;o, e n&#xE3;o &#xE0; nova localiza&#xE7;&#xE3;o. Mas a aus&#xEA;ncia de estacionamentos &#xE0; noite &#x2013; o grupo j&#xE1; conversa com alguns na pr&#xF3;pria rua &#x2013; e os viciados que se re&#xFA;nem ali perto a partir do fim da tarde preocupam a companhia. Os artistas entendem que, para quem n&#xE3;o circula pela regi&#xE3;o e s&#xF3; toma conhecimento dela &#xE0; dist&#xE2;ncia, a Cracol&#xE2;ndia parece uma terra devastada.</p> <p> Pouco antes de assistir ao espet&#xE1;culo na nova sede, uma produtora cultural sugeriu que a trupe fretasse uma van para levar os espectadores da avenida Paulista &#xE0; rua do Triunfo. A proposta foi veementemente refutada por Paulo. &#x201C;Eu quero que eles venham at&#xE9; aqui sozinhos, por iniciativa pr&#xF3;pria.&#x201D;</p> <div class="onde-quando"> <p> <strong>ONDE E QUANDO</strong></p> <p> <em>Cine Camale&#xE3;o &#x2013; A Boca do Lixo</em>. Texto e dire&#xE7;&#xE3;o de Paulo Faria. Com Mel Lisboa, Beto Magnani e outros. Sede Luz do Faroeste (r. do Triunfo, 301, Santa Ifig&#xEA;nia, SP, tel 0++/11/3362-8883). S&#xE1;b., &#xE0;s 21h; dom. e 2&#xAA;, &#xE0;s 19h. Contribui&#xE7;&#xE3;o livre. At&#xE9; 1/4.</p> </div> Rua paulistana, que já abrigou um pequeno polo cinematográfico e hoje faz parte da Cracolândia, serve de inspiração e sede para o grupo Pessoal do Faroeste 2012-03-22T17:50:28-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 175 - Março 2012 Rua paulistana, que já abrigou um pequeno polo cinematográfico e hoje faz parte da Cracolândia, serve de inspiração e sede para o grupo Pessoal do Faroeste Teatro e Dança BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/a-pele-que-habito A Pele que Habito 2012-03-20T12:52:43-03:00 Valmir Santos <p> A banaliza&#xE7;&#xE3;o das cirurgias pl&#xE1;sticas no pa&#xED;s coloca em evid&#xEA;ncia o corpo como objeto. O rosto contempor&#xE2;neo reflete cada vez mais a deforma&#xE7;&#xE3;o da beleza. N&#xE3;o precisa cartilha feminista para ler os tempos que correm. Basta uma sess&#xE3;o de<em> A Vingan&#xE7;a do Espelho: A Hist&#xF3;ria de Zez&#xE9; Macedo</em>. Apesar da veia c&#xF4;mica, a pe&#xE7;a carioca que chega para temporada paulistana, no Teatro Vivo, evidencia a crueldade dos efeitos cosm&#xE9;ticos sobre quem se presume feio.</p> <p> A atriz Zez&#xE9; Macedo, comediante inscrita na tradi&#xE7;&#xE3;o brasileira das chanchadas, ao lado de Grande Otelo, Oscarito, Dercy Gon&#xE7;alves e outros, tinha um tipo f&#xED;sico baixo, esguio. Fazia cirurgias pl&#xE1;sticas no rosto a cada dois anos. Sua imagem era vinculada &#xE0; figura subjugada, alvo de piadas f&#xE1;ceis. O cinema e o palco lhe exploraram bastante o papel de empregada dom&#xE9;stica, e na televis&#xE3;o a personagem da <em>Escolinha do Professor Raimundo</em> imprimia em seu pr&#xF3;prio nome a ironia: Dona Bela.</p> <p> Para interpretar a humorista, Betty Gofman valoriza a express&#xE3;o facial em meio &#xE0;s reviravoltas da biografada. Encontra o mesmo registro de voz rascante e o olhar l&#xE2;nguido. No roteiro, que homenageia Zez&#xE9; com muita dignidade, um grupo de teatro ensaia um espet&#xE1;culo sobre a atriz, lembrando supera&#xE7;&#xF5;es e perdas, como a queda e morte do primeiro beb&#xEA;, uma dor estampada pelo grito parado no ar em cita&#xE7;&#xE3;o &#xE0; pintura desesperadora do noruegu&#xEA;s Edvard Munch.</p> <p> <strong>APLAUSOS</strong></p> <p> A dramaturgia de Flavio Marinho alterna cenas em que diretor e elenco discutem como adaptar essa hist&#xF3;ria e representam os momentos marcantes. H&#xE1; o primeiro beijo, os dois casamentos, a saudade da m&#xE3;e, a conviv&#xEA;ncia com colegas de of&#xED;cio. A despojada dire&#xE7;&#xE3;o de Amir Haddad investe na alegoria e &#xE9; mais surpreendente quando valoriza a inst&#xE2;ncia do dram&#xE1;tico, aquela da qual Zez&#xE9; Macedo foi alijada a contragosto. O &#xE1;pice s&#xE3;o as declama&#xE7;&#xF5;es de poemas que a atriz legou, conhecemos agora. A comunica&#xE7;&#xE3;o com o p&#xFA;blico &#xE9; efusiva, com aplausos em cena aberta.</p> <p> Uma ressalva &#xE9; a falta de percep&#xE7;&#xE3;o do espet&#xE1;culo no diagn&#xF3;stico daquilo que a trajet&#xF3;ria da comediante escancara: a televis&#xE3;o martelando o culto ao corpo ideal. Soam ir&#xF4;nicas as telas planas dispostas nas laterais da plateia e no miolo do palco exibindo fotos e trechos de filmes e humor&#xED;sticos. Faltou aos criadores sublinhar tal contradit&#xF3;rio da mesma forma que criticam em cena o <em>Dicion&#xE1;rio Aur&#xE9;lio</em> pela preconceituosa elabora&#xE7;&#xE3;o do verbete &#x201C;chanchada&#x201D; como pe&#xE7;a teatral sem valor, de baixa qualidade.</p> <div class="descricao-autor"> <p> <strong>Valmir Santos</strong> &#xE9; jornalista e pesquisador de teatro.</p> </div><div class="onde-quando"> <p> <strong>A PE&#xC7;A</strong></p> <p> <em>A Vingan&#xE7;a do Espelho: A Hist&#xF3;ria de Zez&#xE9; Macedo</em>. De Flavio Marinho. Dire&#xE7;&#xE3;o de Amir Haddad. Com Betty Gofman, Tadeu Mello e outros. Teatro Vivo (av. Doutor Chucri Zaidan, 860, SP, tel. 0++/11/7420-1520). De 9/3 a 29/4. 6&#xAA;, &#xE0;s 21h30; s&#xE1;b., &#xE0;s 21h; dom., &#xE0;s 19h. R$ 40 e R$ 50.</p> </div> Homenagem à comediante Zezé Macedo, o espetáculo <em>A Vingança do Espelho</em> escancara a crueldade dos efeitos cosméticos sobre quem se julga feio 2012-03-20T12:28:13-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 175 - Março 2012 Homenagem à comediante Zezé Macedo, o espetáculo A Vingança do Espelho escancara a crueldade dos efeitos cosméticos sobre quem se julga feio Teatro e Dança BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/duas-ruas Duas Ruas 2012-03-08T12:51:12-03:00 Redação <p> Na rua do Triunfo, na regi&#xE3;o central de S&#xE3;o Paulo conhecida como cracol&#xE2;ndia, &#xE9; poss&#xED;vel ser transportado no tempo. A pe&#xE7;a<em>Cine Camale&#xE3;o - A Boca do Lixo</em>, da Companhia Pessoal do Faroeste, leva seu p&#xFA;blico para a mesma rua de 40 anos atr&#xE1;s, quando ainda era apelidada de Boca do Lixo, uma mistura de p&#xF3;lo cinematogr&#xE1;fico com o reduto da marginalidade paulistana. Na trama, a atriz Mel Lisboa interpreta a cantora pop Wanda Scarlatti, que decide financiar um filme de faroeste para protagonizar a primeira cena de sexo expl&#xED;cito do cinema brasileiro.O espet&#xE1;culo, indicado a importantes pr&#xEA;mios de teatro, mostra uma rua do Triunfo envolta em glamour &#x2013; ainda que o endere&#xE7;o real n&#xE3;o tenha sido t&#xE3;o on&#xED;rico em sua &#xE9;poca de Boca do Lixo, entre as d&#xE9;cadas de 1970 e 80, nem o seja hoje.</p> <p> Para conhecer melhor o local, assista abaixo a dois v&#xED;deos sobre a antiga Boca do Lixo: o primeiro, um curta-metragem documental intitulado<em>Uma </em><em>R</em><em>ua </em><em>C</em><em>hamada Triumpho</em>, do diretor Ozualdo Candeias, retrata as pessoas que por l&#xE1; circulavam na d&#xE9;cada de 70. A segunda, um teaser da pe&#xE7;a do Grupo Pessoal do Faroeste, mostra algumas cenas da montagem.</p> <p> <em>Uma Rua Chamada Triumpho</em></p> <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="315" width="420"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/XD06DUR8OEk?version=3&amp;hl=pt_BR"/><embed allowscriptaccess="always" height="315" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="http://www.youtube.com/v/XD06DUR8OEk?version=3&amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" width="420"/></object></p> <p> &#xA0;</p> <p> <em>Cine Camale&#xE3;o - A Boca do Lixo</em></p> <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="315" width="560"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/MtVZFOFufp4?version=3&amp;hl=pt_BR"/><embed allowscriptaccess="always" height="315" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="http://www.youtube.com/v/MtVZFOFufp4?version=3&amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" width="560"/></object></p> <p> &#xA0;</p> <p> &#xA0;</p> <p> Leia a mat&#xE9;ria<em>Sobre Derrocadas e Triunfos</em>na edi&#xE7;&#xE3;o de mar&#xE7;o/175.</p> A peça <em>Cine Camaleão - A Boca do Lixo</em>&nbsp;leva o espectador à Rua do Trifunfo dos anos 60 2012-03-07T19:20:09-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados A peça Cine Camaleão - A Boca do Lixo leva o espectador à Rua do Trifunfo dos anos 60 Teatro e Dança BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/edicao-174 RG e CPF, senhor Shakespeare 2012-02-23T17:15:05-02:00 Paulo Nogueira <p> Cheio de balangand&#xE3;s e foguet&#xF3;rios, o filme <em>An&#xF4;nimo</em>, do alem&#xE3;o Roland Emmerich, com estreia prevista para este m&#xEA;s, &#xE9; a mais opulenta exposi&#xE7;&#xE3;o cinematogr&#xE1;fica da teoria segundo a qual William Shakespeare n&#xE3;o era William Shakespeare cois&#xED;ssima nenhuma. Quem n&#xE3;o sabia dessa controv&#xE9;rsia, fique sabendo agora: segundo a &#x201C;quest&#xE3;o da autoria&#x201D;, quem escreveu as obras daquele que &#xE9; consensualmente considerado o maior esp&#xED;rito criativo de todos os tempos n&#xE3;o teria sido Shakespeare ou nem sequer outra pessoa que, por mera coincid&#xEA;ncia, tivesse o mesmo nome que ele.</p> <p> As hip&#xF3;teses s&#xE3;o muitas e personalidades ilustres &#x2013; como os escritores norte-americanos Mark Twain e Henry James, e at&#xE9; o pai da psican&#xE1;lise, o austr&#xED;aco Sigmund Freud &#x2013; deram seu palpite. <em>An&#xF4;nimo</em> embarca em um dos v&#xE1;rios desvarios em torno do assunto: no filme, um tal William n&#xE3;o passa de testa de ferro do conde de Oxford, o g&#xEA;nio original. Ali&#xE1;s, Edward de Vere, identidade do conde, &#xE9; um dos nomes preferidos para assumir a autoria de Shakespeare. H&#xE1; uma longa linhagem de advers&#xE1;rios da bardolatria, que envolve palpites absurdos, fraudes e debates acalorados. Emmerich apenas p&#xF4;s a bola para rolar e escolheu um time. Bom, tamb&#xE9;m escolheu o juiz.</p> <p> A pen&#xFA;ria de dados biogr&#xE1;ficos &#x2013; em contraste com a notoriedade, influ&#xEA;ncia e longevidade do legado de Shakespeare &#x2013; d&#xE1; r&#xE9;dea solta &#xE0;s especula&#xE7;&#xF5;es mais alucinadas. Para come&#xE7;ar, as &#xFA;nicas tr&#xEA;s imagens &#x201C;hipot&#xE9;ticas&#x201D; do Bardo podem ser de um man&#xE9; qualquer. A que desponta na capa da primeira reuni&#xE3;o das obras completas de Shakespeare, o famoso <em>Primeiro F&#xF3;lio</em>, de 1623, &#xE9; &#x201C;uma obra de impressionante &#x2013; podemos quase dizer magn&#xED;fica &#x2013; mediocridade&#x201D;, como observa um bi&#xF3;grafo.</p> <p> Ele mesmo nota que a outra representa&#xE7;&#xE3;o, o busto na igreja de Stratford-upon-Avon, onde o bardo ingl&#xEA;s nasceu e foi enterrado, &#xE9; tamb&#xE9;m de 1623, sete anos depois da morte do escritor, e &#x201C;lembra aqueles manequins sem tra&#xE7;os usados antigamente para exibir chap&#xE9;us nas vitrines das lojas&#x201D;. Por fim, h&#xE1; o retrato <em>Chandos</em> (nome do ex-propriet&#xE1;rio; hoje a pe&#xE7;a est&#xE1; na National Gallery, em Londres), que mostra um careca de brinco e &#xE9; da &#x201C;&#xE9;poca certa&#x201D;. E &#xE9; a cara e o focinho de Shakespeare &#x2013; e nem podia deixar de ser, pois &#xE9; nela em que nos baseamos quando pensamos na fisionomia do bardo.</p> <p> Fatos biogr&#xE1;ficos? Cinco por cento comprovados, 95 por cento chutes. Que ele existiu, s&#xE3;o favas contadas. Nasceu em Stratford, casou com uma mulher mais velha depois de engravid&#xE1;-la, teve tr&#xEA;s filhos (o &#xFA;nico menino, Hamnet &#x2013; n&#xE3;o recorda certo pr&#xED;ncipe da Dinamarca? &#x2013;, morreu crian&#xE7;a), foi para Londres, virou autor e ator e bateu as botas aos 52 anos. Nem h&#xE1; certeza da grafia do nome dele: assinou &#x201C;Shaksp&#x201D;, &#x201C;Shakespe&#x201D;, &#x201C;Shakespere&#x201D; e &#x201C;Shakespeare&#x201D; (o <em>Oxford Dictionary</em> prefere Shakspere, talvez para poupar tinta).</p> <p> Todavia, para se contrapor a todas as lacunas de evid&#xEA;ncias, h&#xE1; muito mais refer&#xEA;ncias a Shakespeare do que alus&#xF5;es a qualquer outro dramaturgo elisabetano: 66, para ser preciso, em documentos de sua &#xE9;poca que incluem esmagadoras provas de suas liga&#xE7;&#xF5;es com o teatro em geral e suas pr&#xF3;prias pe&#xE7;as em particular. Por outro lado, embora tenha deixado quase 1 milh&#xE3;o de palavras de texto, temos apenas 14 palavras de seu pr&#xF3;prio punho &#x2013; o nome assinado seis vezes e as palavras &#x201C;por mim&#x201D; em seu testamento.</p> <p> Com essa titica de galinha que &#xE9; a biografia emp&#xED;rica de Shakespeare, cada s&#xE9;culo fez aquilo que lhe deu na telha, e foram os vitorianos que o consolidaram como autor. Como indicou o cr&#xED;tico austro-brasileiro Otto Maria Carpeaux, devemos ao poeta ingl&#xEA;s Coleridge o reconhecimento da unidade e homogeneidade estrutural do c&#xE2;none shakespeariano &#x2013; para mim, o argumento decisivo do Shakespeare-autor-das-pe&#xE7;as-de Shakespeare.</p> <p> <strong>Pouco latim e nenhum grego</strong></p> <p> Mas ainda no s&#xE9;culo 19 surgiu a d&#xFA;vida: em 1884, o n&#xFA;mero de publica&#xE7;&#xF5;es sobre a quest&#xE3;o somava 255 volumes, segundo o professor da Universidade de Columbia James Shapiro, autor do livro que detalha a trajet&#xF3;ria de algumas especula&#xE7;&#xF5;es, <em>Contested Will</em> (sem edi&#xE7;&#xE3;o no Brasil, um t&#xED;tulo que poderia ter v&#xE1;rias tradu&#xE7;&#xF5;es, como &#x201C;Testamento Disputado&#x201D;, &#x201C;William Contestado&#x201D; e outras).</p> <p> H&#xE1; basicamente duas fac&#xE7;&#xF5;es na pol&#xEA;mica: os &#x201C;oxfordianos&#x201D;, assim chamados por terem o conde de Oxford &#x2013; protagonista do filme <em>An&#xF4;nimo</em> &#x2013; como seu principal candidato ao trono liter&#xE1;rio, e os &#x201C;stratfordianos&#x201D;, de Stratford-upon-Avon, que jogam em casa &#x2013; o Bardo era o Bardo e n&#xE3;o se fala mais nisso. Os argumentos dos oxfordianos se fundamentam essencialmente em um preconceito. O de que William Shakespeare, dos cafund&#xF3;s de uma cidade brit&#xE2;nica provinciana, era demasiado jeca para se transfigurar no maior g&#xEA;nio da hist&#xF3;ria da humanidade.</p> <p> Ficou famosa a gracinha de Ben Jonson, dramaturgo contempor&#xE2;neo do Bardo e seu amigo, sobre o &#x201C;pouco latim e nenhum grego&#x201D; de Shakespeare. Bobagem. Ele estudou muito latim, porque a vida de um aluno da escola secund&#xE1;ria era dedicada quase inteiramente a ler, escrever e recitar em latim. Um dos textos pedag&#xF3;gicos principais da &#xE9;poca ensinava aos alunos 150 maneiras diferentes de dizer &#x201C;obrigado por sua carta&#x201D; &#x2013; em latim. Outro dia, o jornal <em>The New York Times </em>publicou um artigo cujo autor pontifica, emproadamente, que &#x201C;Shakespeare nunca possuiu um livro&#x201D;. Ora, tal proposi&#xE7;&#xE3;o n&#xE3;o pode ser refutada, pois nada sabemos dos bens de Shakespeare. Assim, tamb&#xE9;m seria irrefut&#xE1;vel sustentar que o Bardo jamais teve uma cueca.</p> <p> Shapiro apresenta o primeiro argumento original sobre a controv&#xE9;rsia em muitos anos. Ele, que &#xE9; o stratfordiano da gema, critica o lapso (cometido pelos dois lados da refrega) de &#x201C;extrair a biografia a partir da obra&#x201D;. Por outras palavras, tentar coar detalhes autobiogr&#xE1;ficos nas pe&#xE7;as e nos sonetos que cimentem a identidade do autor. Exemplo? Diz Shapiro: &#x201C;Oxfordianos me interpelam: &#x2018;O conde de Oxford foi capturado por piratas e teve tr&#xEA;s filhas. Como aconteceu com Hamlet e com o Rei Lear. Portanto, o conde de Oxford escreveu tais pe&#xE7;as&#x2019;&#x201D;.</p> <p> Stephen Greenblatt, estudioso norte-americano que acaba de lan&#xE7;ar no Brasil C<em>omo Shakespeare se Tornou Shakespeare</em> (Companhia das Letras), d&#xE1; a estocada final: &#x201C;&#xC9; hil&#xE1;rio os americanos, plebeus por hist&#xF3;ria e convic&#xE7;&#xE3;o, comprarem a no&#xE7;&#xE3;o de que s&#xF3; um nobre pode escrever sobre nobres. &#xC9; como afirmar que s&#xF3; um presidente pode escrever sobre presidentes. Credo, espero que George Bush n&#xE3;o se atreva!&#x201D;</p> <p> <strong>C&#xF3;digos secretos</strong></p> <p> Mas o trambique original da teoria da conspira&#xE7;&#xE3;o &#xE9; rocambolesco. Tudo come&#xE7;ou com uma norte-americana meio tant&#xE3;, mas indiscutivelmente brilhante, Delia Bacon, que nasceu em 1811. Por raz&#xF5;es obscuras, a fulana encasquetou que Shakespeare n&#xE3;o era Shakespeare. A escolha foi o fil&#xF3;sofo ingl&#xEA;s Francis Bacon &#x2013; que, se n&#xE3;o era necessariamente seu parente, pelo menos tinha o mesmo sobrenome. N&#xE3;o importava que Francis Bacon tivesse publicado in&#xFA;meras p&#xE1;ginas condenando furiosamente o teatro como uma atividade perniciosa. Delia se apoiou na hip&#xF3;tese de que a parte faltante da obra completa de Bacon, <em>Instauratio Magna</em>, era a produ&#xE7;&#xE3;o dram&#xE1;tica de Shakespeare. Consta que Delia era bonita e ergon&#xF4;mica &#x2013; assim, levou no bico numerosos marmanjos dispostos a socorr&#xEA;-la</p> <p> Delia ficou quatro anos na Inglaterra, aplicando um m&#xE9;todo bizarro. Nunca visitou museus ou arquivos &#x2013; apenas percorria os locais onde Bacon passara o seu tempo e, ensimesmadamente, &#x201C;sentia o clima&#x201D;. Publicou um livro ileg&#xED;vel defendendo sua tese (prefaciado sem ler pelo escritor norte-americano Nathaniel Hawthorne, que se arrependeu amargamente). E morreu num manic&#xF4;mio, em 1859, jurando de p&#xE9; junto que era o Esp&#xED;rito Santo. Parece incr&#xED;vel, mas gente arguta como Mark Twain e Henry James ca&#xED;ram no conto do vig&#xE1;rio de Delia.</p> <p> A partir da&#xED;, muita gente comprou a briga de que as pe&#xE7;as de Shakespeare encerravam c&#xF3;digos secretos que revelavam seu verdadeiro autor. Mobilizando f&#xF3;rmulas arcanas que compreendiam n&#xFA;meros primos, ra&#xED;zes quadradas, e logaritmos, encontraram apoio para suas formula&#xE7;&#xF5;es. No melhor estilo Robert Langdon, o paladino ocultista do escritor norte-americano Dan Brown, de <em>O C&#xF3;digo Da Vinci</em>. Apenas um exemplo: no livro <em>Bacon Is Shakespeare</em> (Bacon &#xC9; Shakespeare), de 1910, o advogado brit&#xE2;nico Edwin Durning-Lawrence pescou anagramas espalhados pelas pe&#xE7;as. O mais famoso: uma palavra inventada em <em>Trabalhos de Amor Perdidos</em>, &#x201C;honorificabilitudinitatibus&#x201D;, podia ser convertida no hex&#xE2;metro latino &#x201C;H iludi F. Baconis nati tuiti orbi&#x201D;. Ou &#x201C;Estas pe&#xE7;as, produtos de F. Bacon, s&#xE3;o preservadas para o mundo.&#x201D; Bingo? Me engana que eu gosto.</p> <p> <strong>Pequenos detalhes</strong></p> <p> J&#xE1; no s&#xE9;culo 20, nasce a teoria que entrona o 17&#xBA; conde de Oxford, Edward de Vere, da cabe&#xE7;a de um professor ingl&#xEA;s com o sugestivo nome de Thomas Looney (Lun&#xE1;tico). Looney foi apoiado por dois outros acad&#xEA;micos, inconcebivelmente chamados Sherwood Silliman (Homem Tolo) e George Battey (Tant&#xE3;). A trama envolveria inclusive um romance incestuoso dele com a rainha Elizabeth I, que seria sua m&#xE3;e. Mas Looney nunca apresentou uma migalhinha de prova decente, a n&#xE3;o ser o exangue argumento de que um talento t&#xE3;o sobrenatural n&#xE3;o podia ser uma esp&#xE9;cie de caipira ingl&#xEA;s.</p> <p> Escamoteou o fato significativo de que o conde de Oxford &#x2013; uma criatura de not&#xF3;ria vaidade &#x2013; assinou, todo lampeiro e com seu pr&#xF3;prio nome, numerosos textos incomparavelmente mais ins&#xED;pidos. Faz sentido esconder a autoria de obras geniais? E omitiu tamb&#xE9;m outro detalhezinho concludente: Edward de Vere morreu em 1604, quando muitas das pe&#xE7;as de Shakespeare ainda n&#xE3;o haviam sa&#xED;do do tinteiro <em>(Rei Lear</em> e <em>Macbeth</em>, por exemplo, s&#xE3;o provavelmente de 1606). S&#xF3; se baixou o santo no homem.</p> <p> A lista dos Shakespeares alternativos &#xE9; ainda mais extensa. Inclui uma mulher, Mary Sidney, a condessa de Pembroke, que era amiga de poetas e tinha propriedades na cidade natal do Bardo. Todavia, fora isso e como real&#xE7;a um stratfordiano, &#x201C;a &#xFA;nica coisa que falta para lig&#xE1;-la a Shakespeare &#xE9; algo que a ligue a Shakespeare&#x201D;.</p> <p> Christopher Marlowe, grande dramaturgo renascentista, parecia uma boa pedida tamb&#xE9;m. Tinha a idade certa (apenas dois anos mais velho que o Bardo) e talento a dar com um pau, diferentemente daquele demonstrado pelo conde de Oxford. Apenas dois empecilhos: tampouco era nobre e, a partir de 1593, como repara um analista, &#x201C;estava demasiado morto para trabalhar&#x201D;. Shakespeare morreu em 1616.</p> <p> A estatura c&#xF3;smica da genialidade do Bardo gerou at&#xE9; a teoria de que ele n&#xE3;o podia ser uma s&#xF3; pessoa, mas uma esp&#xE9;cie de sindicato ou confedera&#xE7;&#xE3;o de talentos excelsos, incluindo os j&#xE1; mencionados Bacon e a condessa de Pembroke. Para n&#xE3;o assinalar outras obje&#xE7;&#xF5;es (a l&#xF3;gica elementar e a absoluta falta de provas), tal teoria exigiria uma conspira&#xE7;&#xE3;o do sil&#xEA;ncio de fazer inveja ao c&#xF3;digo mafioso da Omert&#xE0;. Deixemos, portanto, o filme <em>An&#xF4;nimo </em>resvalar para seu merecid&#xED;ssimo anonimato.</p> <div class="descricao-autor"> <p> <strong>Paulo Nogueira</strong> &#xE9; jornalista e escritor, autor do romance O Suicida Feliz, entre outros.</p> </div><div class="onde-quando"> <p> <strong>O FILME</strong></p> <p> <em>An&#xF4;nimo</em>. De Roland Emmerich. Com Rhys Ifans, Vanessa Redgrave. Estreia prevista para este m&#xEA;s.</p> </div> Parcos dados biográficos e uma série de preconceitos colocam em dúvida a identidade do maior dramaturgo da história 2012-02-23T17:15:05-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 174 - Fevereiro 2012 Parcos dados biográficos e uma série de preconceitos colocam em dúvida a identidade do maior dramaturgo da história Teatro e Dança BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/humor-sem-perder-o-tino Humor sem perder o Tino 2012-02-10T12:02:48-02:00 Valmir Santos <p> A nuvem midi&#xE1;tica d&#xE1; a entender que a sociedade brasileira est&#xE1; rindo exageradamente. E n&#xE3;o s&#xF3; por causa da performance econ&#xF4;mica dos &#xFA;ltimos anos. Ri-se com cinismo no palco, na plateia, diante das c&#xE2;meras ou no sof&#xE1; da sala. Poucos, no entanto, se permitem contrastar os sentidos demasiado tr&#xE1;gicos e humanos do humor. Algumas raras produ&#xE7;&#xF5;es c&#xF4;micas escapam da infesta&#xE7;&#xE3;o da piada-pegadinha, como o espet&#xE1;culo em cartaz em S&#xE3;o Paulo <em>Eu Era Tudo pra Ela e Ela Me Deixou</em>, que qualifica o di&#xE1;logo com o p&#xFA;blico e tem a gra&#xE7;a literal de promover o encontro de duas gera&#xE7;&#xF5;es: Mira Haar e Marcelo M&#xE9;dici.</p> <p> Mira &#xE9; correspons&#xE1;vel pela irrever&#xEA;ncia espirituosa do grupo Pod Minoga nos anos 70, com Naum Alves de Souza, Carlos Moreno e outros. A mesma cad&#xEA;ncia de ent&#xE3;o &#xE9; verificada quando ela assume a dire&#xE7;&#xE3;o de M&#xE9;dici, artista projetado na d&#xE9;cada passada e dos mais consistentes no g&#xEA;nero que abra&#xE7;a. Aqui, em franca virtuose transformista, ele cria composi&#xE7;&#xF5;es fon&#xE9;ticas e gestuais caprichadas para caracterizar a natureza de cada uma das nove figuras representadas.</p> <p> <strong>Trocas-Rel&#xE2;mpago</strong></p> <p> M&#xE9;dici abre a noite como D&#xF3;ris, a mulher que pede o div&#xF3;rcio a Samuel, vivido por Ricardo Rathsam. &#xC0; maneira de um <em>road movie</em>, satirizando o suspense, o texto de Emilio Boechat transcorre sob o ponto de vista do sujeito despachado ap&#xF3;s dez anos de casamento. A atua&#xE7;&#xE3;o de Rathsam &#xE9; mais contida e linear, delegando a M&#xE9;dici o protagonismo com suas trocas-rel&#xE2;mpago de figurinos e adere&#xE7;os entre bares, inferninhos, ruas e sonhos. Ele vive a m&#xE3;e avoada, o bandido em fuga, a prostituta ga&#xFA;cha com tend&#xEA;ncias suicidas, a gerente de hotel rumbeira, a drag queen e seu duplo, entre outros.</p> <p> O comediante n&#xE3;o descarrila essas divertidas reviravoltas porque conduz muito bem o tempo de cena. N&#xE3;o o tempo cronometrado para abrir as portinholas e janelas do bem bolado cen&#xE1;rio multiangular de Carol Mariottini, reaparecendo em segundos na forma de outro corpo e m&#xE1;scara. Mas o tempo de cada personagem: com respeito a cada uma delas, n&#xE3;o ofusca ou estereotipa suas pr&#xF3;prias criaturas. Tampouco se envaidece diante do espectador. H&#xE1; momentos em que o ator tamb&#xE9;m instiga sutilmente com breves tiradas pol&#xED;ticas e sociais, indo do patrulhamento aos fumantes &#xE0; homofobia de um deputado federal. Com flexibilidade e obstina&#xE7;&#xE3;o, M&#xE9;dici proporciona uma esp&#xE9;cie de humor muscular de tino e de visada humana incomuns.</p> <div class="descricao-autor"> <p> <strong>Valmir Santos </strong>&#xE9; jornalista e pesquisador de teatro.</p> </div><div class="onde-quando"> <p> <strong>A PE&#xC7;A</strong></p> <p> <em>Eu Era Tudo pra Ela e Ela Me Deixou</em>. De Emilio Boechat. Dire&#xE7;&#xE3;o de Mira Haar. Com Marcelo M&#xE9;dici e Ricardo Rathsam. No Teatro Faap (r. Alagoas, 903, Higien&#xF3;polis, SP, tel. 0++/11/3662-7233). 6&#xAA;, &#xE0;s 21h30; s&#xE1;b., &#xE0;s 21h; dom., &#xE0;s 18h. De R$ 50 a R$ 70. At&#xE9; 29/4.</p> </div> Em “Eu Era Tudo pra Ela e Ela Me Deixou”, o ator Marcelo Médici capricha na composição de nove diferentes personagens que resgatam a tragicidade da comédia 2012-02-10T12:02:48-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 174 - Fevereiro 2012 Em “Eu Era Tudo pra Ela e Ela Me Deixou”, o ator Marcelo Médici capricha na composição de nove diferentes personagens que resgatam a tragicidade da comédia Teatro e Dança BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/shakespeare-para-todos-os-gosto Shakespeare para todos os gostos 2012-02-03T18:24:36-02:00 Mariana Delfini <p> Shakespeare est&#xE1; em cartaz, e, a princ&#xED;pio, n&#xE3;o h&#xE1; nada de novo nisso. Encenado em todos os cantos do mundo, inspira&#xE7;&#xE3;o para montagens das mais variadas vertentes teatrais, o ingl&#xEA;s William Shakespeare (1564-1616), o maior dramaturgo da hist&#xF3;ria, n&#xE3;o se esgota. Sua notoriedade, influ&#xEA;ncia e legado o p&#xF5;em em cena n&#xE3;o s&#xF3; nos teatros, mas tamb&#xE9;m em mir&#xED;ades de estudos acad&#xEA;micos, livros e filmes.</p> <p> Neste m&#xEA;s, uma pol&#xEA;mica batida e debatida entre os especialistas no bardo chega ao p&#xFA;blico leigo como esp&#xE9;cie de novidade: Shakespeare existiu? A d&#xFA;vida em torno da identidade do dramaturgo &#xE9; o tema do longa-metragem <em>An&#xF4;nimo</em>, de Roland Emmerich, com estreia prevista para mar&#xE7;o. O enredo rocambolesco &#x2013; que atribui a autoria da obra de Shakespeare ao conde de Oxford &#x2013; se filia &#xE0;s hip&#xF3;teses, que surgiram j&#xE1; no s&#xE9;culo 19, de que William n&#xE3;o teria escrito suas mais de 30 pe&#xE7;as e diversos poemas. A pen&#xFA;ria de dados biogr&#xE1;ficos de William e a suposi&#xE7;&#xE3;o de que um interiorano de Stratford-upon-Avon n&#xE3;o poderia ter escrito obras t&#xE3;o geniais, sustentam os questionamentos, relata o escritor e jornalista Paulo Nogueira na reportagem <em>RG e CPF, senhor Shakespeare</em>, na <strong>BRAVO!</strong> de fevereiro.</p> <p> Enquanto isso, nos teatros, montagens brasileiras d&#xE3;o ares contempor&#xE2;neos aos textos seculares. Nestes primeiros meses do ano, espet&#xE1;culos inspirados na obra de Shakespeare formam um conjunto expressivo do amplo espectro de leituras poss&#xED;veis das pe&#xE7;as. Conhe&#xE7;a a seguir algumas dessas montagens.</p> <p> <strong>Ensaio.Hamlet</strong></p> <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="315" width="420"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/ZpoQle_paL8?version=3&amp;hl=pt_BR"/><embed allowscriptaccess="always" height="315" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="http://www.youtube.com/v/ZpoQle_paL8?version=3&amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" width="420"/></object></p> <p> Encabe&#xE7;ando a lista que <strong>BRAVO!</strong> fez em dezembro de 2010, para eleger as dez melhores pe&#xE7;as do s&#xE9;culo 21 (at&#xE9; agora), o espet&#xE1;culo do grupo carioca Cia. dos Atores faz uma desconstru&#xE7;&#xE3;o e recria&#xE7;&#xE3;o extremamente contempor&#xE2;neas do cl&#xE1;ssico de Shakespeare. Na montagem, trechos da obra original se costuram a depoimentos dos atores, expondo o processo de montagem teatral e brincando com os limites da representa&#xE7;&#xE3;o.</p> <p> <em>Ensaio.Hamlet</em> estreou em 2004, comemorando 15 anos da companhia, com dire&#xE7;&#xE3;o de Enrique Diaz e ganhou importantes pr&#xEA;mios na &#xE9;poca, como o de Melhor Espet&#xE1;culo, pela Associa&#xE7;&#xE3;o Paulista de Cr&#xED;ticos de Arte (APCA) e o pr&#xEA;mio Shell, no Rio de Janeiro, por Melhor Dire&#xE7;&#xE3;o. Em fevereiro, o grupo reencena a pe&#xE7;a no Sesc Belenzinho, em S&#xE3;o Paulo, no projeto Experimento Shakespeare <a href="http:// http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/busca.cfm?conjunto_id=9320" rel="(veja a programa&#xE7;&#xE3;o completa clicando aqui)" target="_blank">(veja a programa&#xE7;&#xE3;o completa clicando aqui)</a>.</p> <p> <strong>R&amp;J Shakespeare &#x2013; Juventude Corrompida</strong></p> <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="315" width="560"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/O6NAVg9k9KY?version=3&amp;hl=pt_BR"/><embed allowscriptaccess="always" height="315" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="http://www.youtube.com/v/O6NAVg9k9KY?version=3&amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" width="560"/></object></p> <p> Dentro do mesmo projeto do Sesc Belenzinho, que re&#xFA;ne oficinas, leituras de pe&#xE7;as e montagens em torno do dramaturgo ingl&#xEA;s, o diretor Jo&#xE3;o Fonseca apresenta <em>R&amp;J Shakespeare</em>, que em 2011 cumpriu temporada no Rio de Janeiro.</p> <p> O texto, criado em 1997 pelo norte-americano Joe Calarco, contempla uma pe&#xE7;a dentro de outra: quatro estudantes de um col&#xE9;gio interno fazem leituras de <em>Romeu e Julieta</em> entre os compromissos escolares. A brincadeira de representar vai se tornando mais intensa e toma conta da rotina dos garotos.</p> <p> <strong>Penso Ver o que Escuto</strong></p> <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="315" width="560"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/6Y_MmRUXU_I?version=3&amp;hl=pt_BR"/><embed allowscriptaccess="always" height="315" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="http://www.youtube.com/v/6Y_MmRUXU_I?version=3&amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" width="560"/></object></p> <p> A pe&#xE7;a da Cia. Bufomec&#xE2;nica faz uma colagem caleidosc&#xF3;pica dos grandes dramas hist&#xF3;ricos de Shakespeare: <em>Ricardo II</em>, <em>Henrique IV</em>, <em>Henrique V</em> e <em>Ricardo III</em>. A dire&#xE7;&#xE3;o de Cl&#xE1;udio Baltar e F&#xE1;bio Ferreira investe nas influ&#xEA;ncias da arquitetura, das artes visuais e do teatro-f&#xED;sico para compor um espet&#xE1;culo din&#xE2;mico.</p> <p> <em>Penso Ver o que Escuto</em> foi apresentada em curta temporada no Rio de Janeiro no final de 2011, mas deve voltar em cartaz neste ano. Antes de um tour pelo Rio e por S&#xE3;o Paulo, a pe&#xE7;a celebra a abertura do World Shakespeare Festival, em Londres, no dia 18 de maio, rebatizada de <em>Two Roses for Richard III</em> (Duas Rosas para Ricardo III). O espet&#xE1;culo tem coprodu&#xE7;&#xE3;o da Royal Shakespeare Company, da Inglaterra, e foi concebido para o festival, que ao longo de sete meses homenageia o bardo com cerca de 70 montagens de diferentes pa&#xED;ses.</p> <p> <strong>Romeu &amp; Julieta</strong></p> <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="315" width="420"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/K23HWezBhqc?version=3&amp;hl=pt_BR"/><embed allowscriptaccess="always" height="315" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="http://www.youtube.com/v/K23HWezBhqc?version=3&amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" width="420"/></object></p> <p> Com uma estreia hist&#xF3;rica na cidade mineira de Ouro Preto em 1992, <em>Romeu &amp; Julieta</em>, com concep&#xE7;&#xE3;o e dire&#xE7;&#xE3;o de Gabriel Villela, marcou a hist&#xF3;ria do Grupo Galp&#xE3;o. A trag&#xE9;dia do casal apaixonado ganhou elementos da cultura popular brasileira nas can&#xE7;&#xF5;es, figurinos e adere&#xE7;os.</p> <p> Neste ano, o Grupo Galp&#xE3;o volta ao World Shakespeare Festival, em Londres, depois de uma s&#xE9;rie de apresenta&#xE7;&#xF5;es em 2000 no Shakespeare&#x2019;s Globe, o teatro reconstru&#xED;do nos moldes daquele levantado em 1599 pela companhia de do dramaturgo. Em fevereiro, o projeto Experimento Shakespeare, do Sesc Belenzinho, exibe o document&#xE1;rio das apresenta&#xE7;&#xF5;es da pe&#xE7;a em Londres, dirigido por Paulo Jos&#xE9;. Para maio, o diretor Gabriel Villela promete uma montagem de <em>Macbeth</em> com Ana Paula Ar&#xF3;sio e Marcello Antony no elenco.</p> <p> <strong>Servi&#xE7;o</strong></p> <p> <strong>Ensaio.Hamlet</strong></p> <p> Dire&#xE7;&#xE3;o de Enrique Diaz. Com a Cia. Dos Atores.</p> <p> Sesc Belenzinho (rua Padre Adelino, 1000. 0++/11/2076-9700). De 14 a 29/2. Ter&#xE7;as e quartas, &#xE0;s 21h. Sess&#xF5;es extras no Carnaval (dias 20 e 21, &#xE0;s 18h). R$32.</p> <p> <strong>R&amp;J Shakespeare &#x2013; Juventude Interrompida</strong></p> <p> De Joe Calarco. Dire&#xE7;&#xE3;o de Jo&#xE3;o Fonseca. Com Felipe Lima, Jo&#xE3;o Ganriel Vasconcellos, Pablo San&#xE1;bio e Rodrigo Pandolfo.</p> <p> Sesc Belenzinho (rua Padre Adelino, 1000. 0++/11/2076-9700). At&#xE9; 26/2. Sextas e s&#xE1;bados, &#xE0;s 21h30; domingo, &#xE0;s 18h30. No dia 18, &#xE0;s 18h30. R$24.</p> <p> <strong>Romeu &amp; Julieta do Grupo Galp&#xE3;o no Globe Theatre</strong></p> <p> Document&#xE1;rio com dire&#xE7;&#xE3;o de Paulo Jos&#xE9;.</p> <p> Sesc Belenzinho (rua Padre Adelino, 1000. 0++/11/2076-9700). Dia 23/2, &#xE0;s 20h. Gr&#xE1;tis.</p> <p> &#xA0;</p> Espetáculos brasileiros mostram o dramaturgo inglês de diferentes ângulos 2012-02-02T16:33:14-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Espetáculos brasileiros mostram o dramaturgo inglês de diferentes ângulos Teatro e Dança BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/ballet-kirov-deslumbra-e-desaponta Ballet Kirov deslumbra e desaponta 2012-02-02T12:03:30-02:00 Peter J. Rosenwald Tradução de Diana Ricci Aranha <p> No topo da lista de companhias favoritas dos amantes da dan&#xE7;a est&#xE1; o lend&#xE1;rio Ballet Kirov, fundado pelos czares no s&#xE9;culo 18 e, desde ent&#xE3;o, uma refer&#xEA;ncia no bal&#xE9; cl&#xE1;ssico. Renomeada Bal&#xE9; do Teatro Mariinsky devido a sua famosa sede, em S&#xE3;o Petersburgo, a companhia foi recebida no Brasil com mais adula&#xE7;&#xE3;o do que talvez merecesse. Com apresenta&#xE7;&#xF5;es no Theatro Municipal de S&#xE3;o Paulo e no do Rio de Janeiro e no Pal&#xE1;cio das Artes em Belo Horizonte no final de agosto e come&#xE7;o de setembro, o Kirov dan&#xE7;ou O Lago dos Cisnes e um programa Gala, com duas coreografias na &#xED;ntegra e trechos de outras, como um pas de deux do bal&#xE9; Carmen e outro de Don Quixote.</p> <p> Quando abrem-se as cortinas para o lago dos cisnes, com cada bailarino perfeitamente im&#xF3;vel, a bela linha, que tem sido uma marca da companhia, est&#xE1; l&#xE1;, inconfund&#xED;vel. A gra&#xE7;a dos bailarinos, especialmente no movimento dos bra&#xE7;os, e o alinhamento caracter&#xED;stico n&#xE3;o deixam de ser um exemplo do melhor estilo cl&#xE1;ssico, ainda que o grupo, uma companhia itinerante bastante jovem, n&#xE3;o mostre o Kirov em seu melhor esplendor. A falta de personalidade da companhia como um todo foi o que mais decepcionou.</p> <p> <strong>Fogo e T&#xE9;cnica</strong></p> <p> O Lago dos Cisnes, talvez o bal&#xE9; mais famoso e amado j&#xE1; criado, exige tanto excelente habilidade t&#xE9;cnica do grupo quanto virtuosismo de seus bailarinos principais. Na coreografia, a primeira bailarina deve retratar a perfei&#xE7;&#xE3;o rom&#xE2;ntica do cisne branco e, em contraste, o feroz poder sedutor do negro, o que desafia at&#xE9; a artista mais talentosa. Yekaterina Kondaurova, uma das tr&#xEA;s bailarinas que interpretaram esses pap&#xE9;is no Brasil, trouxe um fogo consider&#xE1;vel e uma t&#xE9;cnica brilhante para seu cisne negro, mas menos autoridade para o branco.</p> <p> Seu Pr&#xED;ncipe Siegfried, interpretado por Danila Korsuntsev, um dos bailarinos principais do Kirov, foi elegantemente correto, mas n&#xE3;o tinha o poder da personalidade que caracterizou estrelas do Kirov, tais como Vaslav Nijinsky, Rudolf Nureyev e Mikhail Baryshnikov. Se O Lago dos Cisnes &#xE9; a assinatura do Kirov, e seu programa Gala, com Divertissements, uma amostra de seu brilho hist&#xF3;rico, essa personalidade deveria ter sido nova e excitante.</p> <p> Pareciam cansados a encena&#xE7;&#xE3;o, a ilumina&#xE7;&#xE3;o, os trajes e a produ&#xE7;&#xE3;o geral de O Lago dos Cisnes e Gala. Uma mudan&#xE7;a bem-vinda foi Simple Things, &#xFA;nica pe&#xE7;a moderna do programa, coreografada por Emil Faski e apresentada com muito entusiasmo pelos jovens bailarinos.</p> <div class="descricao-autor"> <p> <strong>Peter Rosenwald </strong>foi colaborador do The Wall Street Journal por 17 anos e &#xE9; cr&#xED;tico de dan&#xE7;a de BRAVO!.</p> </div> A prestigiada companhia russa trouxe, em “O Lago dos Cisnes”, a graça de seus bailarinos, maspecou pela falta de personalidade 2011-10-31T16:11:35-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 170 - Outubro 2011 A prestigiada companhia russa trouxe, em “O Lago dos Cisnes”, a graça de seus bailarinos, maspecou pela falta de personalidade Teatro e Dança BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/nelson-rodrigues-o-eterno Nelson Rodrigues, o Eterno 2012-01-27T12:45:08-02:00 Marcella Franco e Valmir Santos <p> Da precoce carreira jornal&#xED;stica nos anos 30 &#xE0; fama que lhe render&#xE1; homenagens neste ano, em que se comemora seu centen&#xE1;rio, a vida e a carreira de Nelson Rodrigues percorreram a hist&#xF3;ria brasileira no s&#xE9;culo 20. Foi ele quem criou o teatro moderno nacional, com <em>Vestido de Noiva</em>, em 1943, quem mais exaltou o futebol da gera&#xE7;&#xE3;o de Pel&#xE9; nos anos 60, quem conquistou inimizades por se alinhar &#xE0; ditadura dos anos 1970.</p> <p> Com sua obra, suas controv&#xE9;rsias e a pr&#xF3;pria biografia, Nelson Rodrigues inscreveu-se como um dos polemistas mais bem-humorados do pa&#xED;s, o hiperb&#xF3;lico cronista do futebol e nosso maior dramaturgo. S&#xF3; depois de sua morte, no entanto, em 1980, passaria a ser um raro caso de unanimidade inteligente (o que, para ele, era um ox&#xED;moro), com montagens do diretor Antunes Filho para suas pe&#xE7;as, o estudo de sua obra pelo cr&#xED;tico S&#xE1;bato Magaldi e, em 1992, o lan&#xE7;amento da biografia <em>O Anjo Pornogr&#xE1;fico</em>, do jornalista Ruy Castro. Desde ent&#xE3;o, Nelson foi rediscutido, remontado, relan&#xE7;ado.</p> <p> No primeiro m&#xEA;s de 2012, <strong>BRAVO!</strong> d&#xE1; in&#xED;cio ao &#x201C;ano Nelson Rodrigues&#x201D;, que prev&#xEA; diversas atividades, como espet&#xE1;culos teatrais, relan&#xE7;amentos e tradu&#xE7;&#xE3;o de parte de sua obra, exposi&#xE7;&#xE3;o em S&#xE3;o Paulo e Recife, cidade-natal de Nelson, e a divulga&#xE7;&#xE3;o de um curta-metragem antes considerado desaparecido: <em>Fragmentos de Dois Escritores</em>, do dramaturgo Jo&#xE3;o Bethencourt, em que Nelson aparece.</p> <p> Influ&#xEA;ncia para dramaturgos e cronistas, Nelson Rodrigues comemora 100 anos sem ter envelhecido. Nos momentos transcendentais que pontuam suas hist&#xF3;rias, no retrato cru que fez da sociedade brasileira, nos temas e personagens que povoam sua obra, a &#xFA;nica marca do tempo &#xE9; a da eterna atualidade.</p> <p> Era outro tempo, em um Brasil imemorial. Era a &#xE9;poca em que as m&#xE3;es e as vi&#xFA;vas tinham furores de Sarah Bernhardt, a c&#xE9;lebre atriz francesa do s&#xE9;culo 19. As mo&#xE7;as na rua, as datil&#xF3;grafas, as colegiais andavam pelas cal&#xE7;adas com um charme de Joana d&#x2019;Arc. No futebol, a bola tinha um instinto clarividente e infal&#xED;vel que a fazia acompanhar o verdadeiro craque. O pr&#xF3;prio tempo era uma conven&#xE7;&#xE3;o que n&#xE3;o existia nem para o craque, nem para a mulher bonita.</p> <p> Nelson Rodrigues considerava a &#xE9;poca em que viveu tr&#xE1;gica e &#xE9;pica. Como cronista, desenhava contornos de duelo em uma simples briga e revestia, como costumava dizer, a mais s&#xF3;rdida pelada de futebol de uma complexidade shakespeariana. Nas cr&#xF4;nicas que escreveu nos anos 60, Nelson carregou o s&#xE9;culo passado para fora do tempo; transformou o cotidiano &#xF3;bvio em momentos transcendentais.</p> <p> O olhar agu&#xE7;ado, Nelson desenvolveu desde cedo, quando deu in&#xED;cio a sua carreira de jornalista aos 13 anos e meio, em <em>A Manh&#xE3;</em>. No jornal de seu pai, recheava de drama as hist&#xF3;rias com mortes mais banais e tornou-se perito em recriar os enredos dos namorados que se matavam por amor. Vinte anos depois, na d&#xE9;cada de 1950, o doce amargo das ruas faria com que sua fama explodisse na coluna di&#xE1;ria <em>A Vida Como Ela &#xC9;...</em>, no jornal <em>&#xDA;ltima Hora</em>, de Samuel Wainer.</p> <p> Em paralelo &#xE0;s cr&#xF4;nicas, as pinceladas breves e expressionistas inspiradas no dia a dia carioca pintaram tamb&#xE9;m outros quadros. Em 1953, dois anos depois de estrear sua famosa coluna, Nelson escreveu <em>A Falecida</em>, que d&#xE1; in&#xED;cio &#xE0; fase das trag&#xE9;dias cariocas em sua obra teatral. As oito pe&#xE7;as que integram esse conjunto delimitado pelo estudioso S&#xE1;bato Magaldi est&#xE3;o coladas nos tipos e nas situa&#xE7;&#xF5;es suburbanos de ent&#xE3;o, circunscritas &#xE0; Zona Norte do Rio, &#xE0; semelhan&#xE7;a de <em>A Vida Como Ela &#xC9;....</em> Os saltos transcendentais se evidenciam tanto nas falas dos personagens quanto nas rubricas para os atores.</p> <p> &#x201C;Nelson Rodrigues n&#xE3;o fica d&#xE9;mod&#xE9; porque fala sobre a vida, e a vida n&#xE3;o &#xE9; datada&#x201D;, diz Arnaldo Jabor, cineasta que nos anos 70 filmou de Nelson a pe&#xE7;a <em>Toda Nudez Ser&#xE1; Castigada</em> (1965)e o romance <em>O Casamento </em>(1966). E as remontagens de seus diversos textos por alguns dos grupos mais relevantes de hoje n&#xE3;o cessam, apenas comprovando sua atemporalidade. Desde os anos 90, j&#xE1; levaram Nelson para os palcos os diretores Eduardo Tolentino, com o Grupo Tapa, o encenador Rodolfo Garc&#xED;a V&#xE1;zquez, dos Satyros, o mineiro Gabriel Villela, Cibele Forjaz, com sua Companhia Livre, a carioca Armaz&#xE9;m Companhia de Teatro, com o diretor Paulo de Moraes, e a mineira Yara de Novaes, entre outros.</p> <p> &#x201C;Por que voc&#xEA; n&#xE3;o escreve sobre pessoas normais?&#x201D; Se tivesse vindo de qualquer pessoa, que n&#xE3;o Manuel Bandeira, a pergunta n&#xE3;o teria do&#xED;do tanto. Mas foi o poeta, que desde a primeira pe&#xE7;a de Nelson, <em>A Mulher sem Pecado </em>(1941), n&#xE3;o lhe poupava elogios, quem jogou um grande balde de &#xE1;gua fria no dramaturgo logo ap&#xF3;s a leitura de <em>Senhora dos Afogados</em>, de 1947. Esse texto teve o mesmo destino de <em>&#xC1;lbum de Fam&#xED;lia</em>, do ano anterior &#x2013; sina de que <em>Anjo Negro</em>, escrita entre uma e outra, escapou por pouco: a censura. A incompreens&#xE3;o de Bandeira ecoava o inc&#xF4;modo do &#x201C;teatro desagrad&#xE1;vel&#x201D; que Nelson vinha fazendo. &#x201C;S&#xE3;o obras pestilentas, f&#xE9;tidas, capazes, por si s&#xF3;s, de produzir o tifo e a mal&#xE1;ria na plateia&#x201D;, descrevia o pr&#xF3;prio autor &#x2013; que no entanto achava que estava, justamente, falando de pessoas normais em sua obra.</p> <p> <strong>Invent&#xE1;rio das paix&#xF5;es humanas</strong></p> <p> &#x201C;Nelson fez um trabalho de visualiza&#xE7;&#xE3;o humana &#xFA;nico. Sua obra &#xE9; o tratado mais completo sobre as classes m&#xE9;dias brasileiras, sobre seu comportamento psicol&#xF3;gico, sexual e lingu&#xED;stico&#x201D;, diz Jabor. Os instant&#xE2;neos do grande retratista acabam por superar a efemeridade e conquistar o status de um &#x201C;rico invent&#xE1;rio das paix&#xF5;es humanas&#x201D;, nas palavras de Magaldi. &#x201C;Em qualquer r&#xE9;plica, ou frase de efeito, &#xE0; primeira vista, apenas escandaloso, o dramaturgo esconde uma verdade psicol&#xF3;gica mais s&#xF3;lida que a percebida pelo verniz social&#x201D;, postula o estudioso. A alta voltagem sexual vem romper uma capa de inoc&#xEA;ncia, hipocrisia e moralismo de fachada da classe m&#xE9;dia.</p> <p> Os sacrif&#xED;cios da fam&#xED;lia de <em>Os Sete Gatinhos </em>(1958) para que a ca&#xE7;ula se case de v&#xE9;u e grinalda ou a aspira&#xE7;&#xE3;o maior de Zulmira, de <em>A Falecida </em>(1953), de ter um enterro de luxo decupam os desejos persistentes da classe m&#xE9;dia, emoldurados em sexo reprimido e deformado por costumes morais, sociais e religiosos. Os desvios do lar s&#xE3;o belamente sintetizados por Peixoto, genro e funcion&#xE1;rio de um empres&#xE1;rio milion&#xE1;rio em <em>Otto Lara Resende</em><em> ou Bonitinha, Mas Ordin&#xE1;ria</em>, de 1962. Conversando no bar com um colega, Peixoto sentencia: &#x201C;Toda a fam&#xED;lia tem um momento em que come&#xE7;a a apodrecer. Percebeu? Pode ser a fam&#xED;lia mais decente, mais digna do mundo. E l&#xE1;, um dia, aparece um tio pederasta, uma irm&#xE3; l&#xE9;sbica, um pai ladr&#xE3;o, um cunhado louco. Tudo ao mesmo tempo&#x201D;.</p> <p> <strong>Homofobia e racismo</strong></p> <p> &#x201C;A sensa&#xE7;&#xE3;o que tenho &#xE9; que Nelson anda reescrevendo as pe&#xE7;as em cima das not&#xED;cias dos jornais&#x201D;, diz, brincando, o diretor paulistano Marco Ant&#xF4;nio Braz, devoto fervoroso do evangelho rodriguiano. Na sua mais recente montagem de <em>O Beijo no Asfalto </em>(1960), em cartaz no Teatro de Arena Eug&#xEA;nio Kusnet, em S&#xE3;o Paulo, ele v&#xEA; saltar da trama discursos latentes da homofobia ou do <em>bullying</em> que est&#xE3;o na pauta do dia.</p> <p> No enredo, o jovem protagonista Arandir presencia o atropelamento de um homem e corre para acudi-lo. Ajoelha-se, segura a cabe&#xE7;a do sujeito e beija-o, compadecido, antes do &#xFA;ltimo suspiro. O beijo se transforma em uma acusa&#xE7;&#xE3;o escandalosa de homossexualismo, que evoluir&#xE1; para desconfian&#xE7;a dentro de sua pr&#xF3;pria fam&#xED;lia e, por fim, seu assassinato.</p> <p> <em>Anjo Negro</em>, de 1946, foi o ponto de partida para a discuss&#xE3;o sobre racismo que retornou &#xE0; ordem do dia em 2006, na montagem do diretor alem&#xE3;o Frank Castorf, do Teatro Volksb&#xFC;hne, que juntou Nelson Rodrigues ao compatriota Heiner M&#xFC;ller. Ismael e Virg&#xED;nia, que no texto de Nelson vivem uma rela&#xE7;&#xE3;o de viol&#xEA;ncia permeada por infantic&#xED;dios motivados pela cor da pele dos filhos, foram mergulhados no contexto de uma revolta de escravos na Jamaica.</p> <p> Para al&#xE9;m de temas ainda contempor&#xE2;neos como esses que pontuam a obra de Nelson, &#xAD;&#xAD;a &#x201C;medita&#xE7;&#xE3;o sobre o amor e morte&#x201D;, quest&#xE3;o fundamental, circunscreve seu teatro. T&#xE3;o eterno quanto esse tema, o universo do chamado &#x201C;Flor de obsess&#xE3;o&#x201D;, como Nelson foi definido pelos seus amigos, era delimitado por outras quest&#xF5;es recorrentes nos textos, como o tabu desnudado, a obsess&#xE3;o pela pureza, e a ambival&#xEA;ncia do mundo familiar e do mundo p&#xFA;blico. Os temas vinham regidos por procedimentos tamb&#xE9;m marcados, como os personagens que transformava em caricaturas, as m&#xE1;ximas e a fala coloquial. Tudo para expressar uma verdade interior, sem sutilezas, sem censura, com &#x201C;gosto em devassar a intimidade do indiv&#xED;duo, libertando-o da carga censora que disciplina o conv&#xED;vio social&#x201D;, comenta Magaldi.</p> <p> Derrubar as m&#xE1;scaras para destrinchar o homem por tr&#xE1;s do verniz social, cavoucar sua ess&#xEA;ncia por entre os acontecimentos do dia a dia. Esses procedimentos j&#xE1; eram, na primeira metade do s&#xE9;culo passado, associados a um nome que seria entronizado nos anos seguintes: Sigmund Freud (1856-1939). Suas ideias eram na d&#xE9;cada de 1930 vulgarizadas pelos jornais, explica Ruy Castro, e ele era ent&#xE3;o &#x201C;o tarado oficial&#x201D;.</p> <p> Nelson n&#xE3;o leu os preceitos que fundariam a psican&#xE1;lise, mas foi e seria muito mais com o passar do tempo associado a ela. Tanto pelos tabus que trazia &#xE0; tona quanto pelas estruturas de alguns textos que faziam do palco quase um div&#xE3; &#x2013; nos planos da realidade e do del&#xED;rio em que se passa <em>Vestido de Noiva </em>(1943), por exemplo, ou no mon&#xF3;logo <em>Valsa N&#xBA; 6 </em>(1951), em que a autorreflex&#xE3;o de uma adolescente destila ang&#xFA;stias, del&#xED;rios e abstra&#xE7;&#xF5;es em busca de sua identidade.</p> <p> <strong>Inconsciente coletivo</strong></p> <p> No quesito inconsciente, Antunes Filho prospectou mais fundo e trouxe &#xE0; baila outras camadas da obra. Nas montagens que re&#xFA;nem diversas pe&#xE7;as do dramaturgo &#x2013; <em>Nelson Rodrigues: O Eterno Retorno </em>(1981), <em>Nelson 2 Rodrigues </em>(1984) e <em>Para&#xED;so Zona Norte </em>(1989) &#x2013;, Antunes Filho apoiou-se na teoria dos arqu&#xE9;tipos do psiquiatra su&#xED;&#xE7;o Carl Gustav Jung e nas teorias simb&#xF3;licas do mit&#xF3;logo romeno Mircea Eliade. Recentemente, na montagem de <em>A Falecida Vapt-Vupt </em>(2009), recorreu tamb&#xE9;m ao psicanalista franc&#xEA;s Jacques Lacan. &#x201C;Eu fui para o inconsciente estrutural, coletivo: a cultura que foi imposta a todos&#x201D;, explica o diretor do Centro de Pesquisa Teatral.</p> <p> As camadas mais profundas que se revelam nos textos de Nelson estabelecem entre estudiosos a ideia de uma obra que jamais ser&#xE1; datada. Como diz Antunes Filho, Nelson est&#xE1; sempre na esquina, esperando alguma coisa acontecer. &#x201C;A gente ouve o rumor permanente daquelas vozes que saltam como se fossem explosivos, p&#xF3;lvoras. S&#xE3;o as frases objetivas, altissonantes, derradeiras. Os personagens falam aquilo, mas h&#xE1; um rumor por baixo, por fora.&#x201D; Um ru&#xED;do de fundo que, seja no sil&#xEA;ncio pr&#xE9;-unanimidade, seja no alvoro&#xE7;o dos eventos centen&#xE1;rios, n&#xE3;o esmorece.</p> <p> &#xA0;</p> Com seu olhar ao mesmo tempo trágico e épico, o centenário dramaturgo nunca deixou de ser nosso contemporâneo. 2012-01-09T12:50:31-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 173 - Janeiro 2012 Com seu olhar ao mesmo tempo trágico e épico, o centenário dramaturgo nunca deixou de ser nosso contemporâneo. Teatro e Dança BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/tarado-e-reacionario Tarado e Reacionário 2012-01-27T12:44:56-02:00 Marcella Franco e Valmir Santos <p> Querem me chamar de reacion&#xE1;rio, chamem. Querem me pichar como reacion&#xE1;rio, pichem. Querem me pendurar num galho de &#xE1;rvore como ladr&#xE3;o de cavalo, pendurem.&#x201D; Em uma exaltada ret&#xF3;rica que terminaria obviamente por afirmar o contr&#xE1;rio do que sugeria no in&#xED;cio &#x2013; &#x201C;Realmente, eu sou um libert&#xE1;rio&#x201D; &#x2013;, Nelson Rodrigues assume, ironicamente, o ep&#xED;teto que lhe reservaram para o final da vida. Apoiador declarado da ditadura militar brasileira e anticomunista ferrenho, o &#x201C;reacion&#xE1;rio&#x201D; Nelson provocava arrepios na esquerda. Mas, durante boa parte de sua vida, quem fazia o sinal da cruz &#xE0; men&#xE7;&#xE3;o de seu nome eram os que resistiam a uma &#xE9;poca de mudan&#xE7;as constantes nos padr&#xF5;es de comportamento e que, por sua vez, lhe cunharam o apelido de &#x201C;tarado&#x201D; por causa de suas pe&#xE7;as e folhetins recheados de adult&#xE9;rios e incestos. Atacado pelo flanco esquerdo na pol&#xED;tica e pelo direito na &#xE1;rea dos costumes, o tarado de suspens&#xF3;rios, o reacion&#xE1;rio amigo do general Em&#xED;lio Garrastazu M&#xE9;dici, que presidiu o Brasil no auge da tortura, era bastante mais complexo e contradit&#xF3;rio do que os r&#xF3;tulos podem cravar.</p> <p> Longe, por exemplo, do fervor sexual de uma Engra&#xE7;adinha, a fogosa adolescente capixaba do folhetim <em>Asfalto Selvagem </em>(1960), Nelson Rodrigues conduzia a vida de maneira a estar sempre nos conformes do comp&#xEA;ndio da moral e dos bons costumes &#x2013; em termos rodriguianos, naturalmente, mas de qualquer forma bem longe do que se podia imaginar de um tarado. Com dois casamentos em seu curr&#xED;culo e alguns pares de casos extraconjugais, Nelson era machista com a &#xE9;poca em que viveu &#x2013; ao mesmo tempo que marcava encontros vespertinos com amantes, adulava com flores e bombons a Am&#xE9;lia que o aguardava em casa. E ai de Elza, sua primeira mulher, se ousasse uma roupa mais curta ou pintura no rosto. Enquanto isso, o &#x201C;tarado&#x201D; declarava acreditar no amor eterno e lamentava a banaliza&#xE7;&#xE3;o da nudez pelo biqu&#xED;ni.</p> <p> Acreditar que sua obra seja uma cartilha de pecados e tabus &#xE9; tamb&#xE9;m apenas uma leitura rasa dos homens universais que Nelson punha em movimento no sub&#xFA;rbio carioca. Ele mesmo afirma que suas pe&#xE7;as s&#xE3;o obras morais, que &#x201C;deveriam ser encenadas na escola prim&#xE1;ria e nos semin&#xE1;rios&#x201D;, ao que os estudiosos, em un&#xED;ssono, respondem relativizando qualquer moralidade nos textos, para o bem ou para o mal. &#x201C;Ao chamar-se de tarados os personagens, arqu&#xE9;tipos de Nelson Rodrigues, cai-se no mesmo e profundo rid&#xED;culo que corresponderia a uma acusa&#xE7;&#xE3;o desse tipo feita a &#xC9;dipo, do <em>&#xC9;dipo Rei</em>, de S&#xF3;focles&#x201D;, escreveu o psicanalista e escritor Helio Pellegrino em texto do volume <em>Teatro Completo &#x2013; Nelson Rodrigues</em>.</p> <p> <strong>Matizes</strong></p> <p> Com a pol&#xED;tica era diferente. Sua posi&#xE7;&#xE3;o era bem clara: ele abominava a ditadura comunista da ent&#xE3;o Uni&#xE3;o Sovi&#xE9;tica e de Cuba, ao mesmo tempo que apoiava a ditadura no Brasil, aproximando-se de maneira pessoal dos militares. &#xC9; famoso o epis&#xF3;dio em que Nelson volta de uma partida de futebol a que foi assistir em S&#xE3;o Paulo no avi&#xE3;o particular do general M&#xE9;dici. Nessa ocasi&#xE3;o, relata Ruy Castro, ao questionar o general sobre a exist&#xEA;ncia de tortura no Brasil, ouviu dele um &#x201C;dou-lhe a minha palavra de honra que n&#xE3;o se tortura&#x201D;. Foi justamente a tortura, no entanto, que abalou sua grande certeza pol&#xED;tica. Ap&#xF3;s um per&#xED;odo de milit&#xE2;ncia no grupo revolucion&#xE1;rio MR-8, seu filho Nelsinho caiu nas m&#xE3;os da pol&#xED;cia. Ao encontr&#xE1;-lo pela primeira vez ap&#xF3;s a pris&#xE3;o, o pai quis saber se Nelsinho havia sido torturado. &#x201C;Muito&#x201D;, o rapaz respondeu.</p> <p> O preto no branco dos r&#xF3;tulos j&#xE1; vinha sendo matizado por um Nelson humanista, que usava de sua proximidade dos militares para libertar jovens de esquerda que ca&#xED;am prisioneiros do regime. Descobrir a tortura foi o ponto final de uma carreira de defesa do regime, que para ele se igualou &#xE0; vers&#xE3;o comunista da ditadura no que ele mais combatia: a falta de liberdade. &#x201C;Nelson Rodrigues foi reacion&#xE1;rio apenas na medida em que n&#xE3;o aceitou a submiss&#xE3;o do indiv&#xED;duo a qualquer regime totalit&#xE1;rio&#x201D;, escreve o estudioso S&#xE1;bato Magaldi. &#x201C;Quando a pessoa humana for revalorizada, tamb&#xE9;m desse ponto de vista ele ser&#xE1; julgado revolucion&#xE1;rio.&#x201D;</p> <p> Compat&#xED;veis com essa vis&#xE3;o humanista s&#xE3;o as posi&#xE7;&#xF5;es de Nelson a respeito de racismo e homossexualismo. O esperado do &#x201C;reacion&#xE1;rio&#x201D; seria que ele refor&#xE7;asse qualquer preconceito? Pois Nelson criou todo um enredo tr&#xE1;gico em torno de um beijo gay, em <em>O Beijo no Asfalto</em>. E, irm&#xE3;o do M&#xE1;rio Filho que em 1947 publicou o ensaio interpretativo <em>O Negro no Futebol Brasileiro</em>, depois de celebrizar os craques mulatos em cr&#xF4;nicas, escreveu em 1946 a pe&#xE7;a <em>Anjo Negro</em> para colocar no centro do palco o racismo velado do pa&#xED;s. E brigou &#x2013; e perdeu &#x2013; para que o protagonista fosse representado n&#xE3;o por um ator branco com o rosto pintado de preto, como era comum na &#xE9;poca, mas por um ator negro, Abdias do Nascimento, para quem havia escrito o texto. &#x201C;Retratando e levando &#xE0;s &#xFA;ltimas consequ&#xEA;ncias os estere&#xF3;tipos racistas cultivados pela nossa &#x2018;democracia racial&#x2019;, Nelson demolia as absurdas pretens&#xF5;es &#xE0; harmonia racial&#x201D;, declarou Nascimento.</p> <p> &#x201C;Junte o maio de 68 franc&#xEA;s, a chegada da p&#xED;lula, can&#xE7;&#xE3;o popular e festivais, a corrida espacial que foi o auge da Guerra Fria, tudo agravado pelo Golpe de 64. &#xC9; nesse ambiente que Nelson se apresenta como reacion&#xE1;rio&#x201D;, pondera o escritor e professor de literatura brasileira Lu&#xED;s Augusto Fischer. Em um mundo que avan&#xE7;ava cada vez mais r&#xE1;pido, Nelson talvez possa ser mais bem retratado pela defini&#xE7;&#xE3;o do artista pl&#xE1;stico, escritor e ensa&#xED;sta Nuno Ramos, que v&#xEA; na obra do dramaturgo um eterno retorno ao arcaico: Nelson &#xE9; &#x201C;como uma m&#xE1; not&#xED;cia ambulante a assombrar a velocidade do mundo l&#xE1; fora&#x201D;.</p> <div class="descricao-autor"> <p> <strong>Marcella Franco</strong> &#xE9; jornalista, escritora e autora do blog elatatuoupalavra.blogspot.com.</p> <p> <strong>Valmir Santos </strong>&#xE9; jornalista e editor do site teatrojornal.com.br</p> </div> Rótulos simplistas como esses escondem um homem tão contraditório quanto qualquer mortal 2012-01-27T12:37:39-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 173 - Janeiro 2012 Rótulos simplistas como esses escondem um homem tão contraditório quanto qualquer mortal Teatro e Dança BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/o-senhor-da-galhofa O Senhor da Galhofa 2012-01-27T12:44:43-02:00 Paulo Nogueira <p> Nelson Rodrigues foi um polemista absolutamente &#xFA;nico entre os brasileiros. Suas bordoadas, quase sempre nas mesmas pessoas e pelos mesmos motivos, eram, paradoxalmente, delicadas como broncas de m&#xE3;e amorosa &#x2013; mas convicta e dura. Isso conta muito sobre ele. Nelson Rodrigues, nos combates que travou no campo das palavras, jamais pareceu interessado em destruir seus alvos e nem sequer em bat&#xEA;-los nos argumentos &#x2013; mas, sim, em fazer os leitores pensarem, de prefer&#xEA;ncia com um sorriso no rosto. Nelson Rodrigues, e este &#xE9; um tra&#xE7;o seu pouco valorizado, foi um dos melhores humoristas do pa&#xED;s.</p> <p> O humor estava presente em todas as pol&#xEA;micas que travou &#x2013; e tamb&#xE9;m nas provoca&#xE7;&#xF5;es que fez. Como toda a elite intelectual do Rio de Janeiro de seu tempo, tinha pelos paulistas uma mistura de desprezo, despeito, raiva e admira&#xE7;&#xE3;o. Traduziu tudo isso numa de suas numerosas frases memor&#xE1;veis. &#x201C;O pior tipo de solid&#xE3;o &#xE9; a companhia de um paulista&#x201D;, escreveu. S&#xF3; um paulista muito tacanho poderia se sentir agredido por Nelson Rodrigues. Como sempre, a vergastada estava envolta num humor t&#xE3;o fino que subtra&#xED;a quase toda a contund&#xEA;ncia &#x2013; sem minar a ess&#xEA;ncia da mensagem.</p> <p> Essa grande tirada sobre os paulistas, ele, como de h&#xE1;bito, repetiria muitas vezes, quase que obsessivamente. Nelson Rodrigues produziu um n&#xFA;mero extraordin&#xE1;rio de frases memor&#xE1;veis nas pol&#xEA;micas que travou e nas provoca&#xE7;&#xF5;es que fez e para ampliar sua for&#xE7;a usava a estrat&#xE9;gia da repeti&#xE7;&#xE3;o. Se ele fosse apenas um autor de frases, como o franc&#xEA;s La Rochefoucauld, j&#xE1; teria conquistado um lugar destacado nas letras brasileiras. Suas m&#xE1;ximas abarcaram virtualmente todos os campos, da pol&#xED;tica &#xE0; religi&#xE3;o, do futebol &#xE0; psicologia &#x2013; isso para n&#xE3;o falar do amor.</p> <p> N&#xE3;o era um polemista que se movimentava conforme as circunst&#xE2;ncias. Isso o distinguiu, por exemplo, de Paulo Francis. Francis foi de esquerda quando era chique ser de esquerda, nos anos 60 e 70. Na d&#xE9;cada de 1980, em que o conservadorismo galvanizou boa parte do planeta na figura da primeira-ministra brit&#xE2;nica Margaret Thatcher, Francis virou um polemista de direita (hoje, em que o receitu&#xE1;rio thatcherista &#xE9; apontado por muitos como uma das raz&#xF5;es da presente crise econ&#xF4;mica mundial e por isso perdeu grande parte do brilho, Francis provavelmente retornaria &#xE0; esquerda).</p> <p> <strong>Eleg&#xE2;ncia bem-humorada</strong></p> <p> Nelson Rodrigues n&#xE3;o tinha problema nenhum em ser chamado de &#x201C;reacion&#xE1;rio&#x201D; numa &#xE9;poca em que isso era um dos maiores insultos que um intelectual poderia receber. Era um homem convicto n&#xE3;o das virtudes do capitalismo, mas dos defeitos para ele insol&#xFA;veis do socialismo. Os s&#xED;mbolos da esquerda de seu tempo foram uma formid&#xE1;vel inspira&#xE7;&#xE3;o para ele. Do cardeal dom Helder C&#xE2;mara, um expoente da Teologia da Liberta&#xE7;&#xE3;o &#x2013; corrente esquerdista da igreja que pregava o ativismo em prol dos pobres &#x2013;, ele dizia, por exemplo, que &#x201C;s&#xF3; olhava para o c&#xE9;u para ver se ia chover&#x201D;. O fasc&#xED;nio er&#xF3;tico que Che Guevara despertava nas mulheres da alta sociedade carioca tamb&#xE9;m foi objeto de an&#xE1;lises espirituosas, ferinas e divertidas.</p> <p> A eleg&#xE2;ncia bem-humorada com que ele esgrimia contrasta intensamente com as armas de outro c&#xE9;lebre polemista brasileiro, Carlos Lacerda. Lacerda, que na juventude foi comunista e depois na idade adulta viraria anticomunista, tinha uma agressividade destrutiva que voc&#xEA; jamais encontra em Nelson Rodrigues. Em seu melhor e ao mesmo tempo pior momento como polemista, Lacerda comandou um ataque sangrento ao presidente Get&#xFA;lio Vargas, cuja administra&#xE7;&#xE3;o era segundo ele um &#x201C;mar de lama&#x201D;. Compare isso com a resposta cl&#xE1;ssica de Nelson aos jovens rebeldes que nos anos 60 o acusavam de ser mentalmente e ideologicamente senil. &#x201C;Jovens: envelhe&#xE7;am.&#x201D; Mais uma vez, o tom firme mas doce de uma m&#xE3;e que deseja o melhor para seus filhos.</p> <p> Diferentemente de tantos polemistas, Nelson Rodrigues n&#xE3;o fez barulho simplesmente sendo do contra, mesmo sabendo da fraqueza do chamado pensamento convencional. Ele expressou isso numa de suas frases mais citadas: &#x201C;Toda unanimidade &#xE9; burra&#x201D;. Se &#xE9; poss&#xED;vel tra&#xE7;ar uma linha de Paulo Francis a Diogo Mainardi entre os polemistas, Nelson Rodrigues, lamentavelmente, n&#xE3;o deixou sucessores. Arnaldo Jabor, que filmou algumas das hist&#xF3;rias de Nelson e &#xE9; um de seus mais consp&#xED;cuos disc&#xED;pulos, bem que tentou, mas acabou ficando a uma dist&#xE2;ncia consider&#xE1;vel do mestre. Principalmente naquilo que foi talvez a marca maior de Nelson Rodrigues como polemista: o humor fino, suave, que leva o leitor a refletir com uma risada, e n&#xE3;o a imprecar, seja contra ou a favor, com uma carranca.</p> <div class="descricao-autor"> <p> <strong>Paulo Nogueira</strong> &#xE9; jornalista e colaborador da Abril M&#xED;dia em Londres.</p> </div> Nelson Rodrigues esgrimia com um de seus traços mais fortes – o humor 2012-01-27T12:43:12-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 173 - Janeiro 2012 Nelson Rodrigues esgrimia com um de seus traços mais fortes – o humor Teatro e Dança BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/na-linha-de-fogo Na Linha de Fogo 2012-01-16T12:28:53-02:00 Daniel Schenker <p> O diretor carioca Ivan Sugahara, da companhia Os Dezequilibrados, se tornou conhecido pela expressiva utiliza&#xE7;&#xE3;o de espa&#xE7;os n&#xE3;o convencionais. J&#xE1; encenou pe&#xE7;as em apartamento <em>(Um Quarto de Crime e Castigo)</em>, hall de cinema <em>(Vida, o Filme)</em>, boate <em>(Bonitinha, Mas Ordin&#xE1;ria)</em> e no pr&#xE9;dio do Oi Futuro <em>(Mem&#xF3;ria Afetiva de um Amor Esquecido)</em>. Um de seus objetivos est&#xE1; em afastar o espectador de uma aprecia&#xE7;&#xE3;o passiva, incluindo-o na cena ou pelo menos aproximando-o dela. Agora, Sugahara apresenta em um teatro o espet&#xE1;culo <em>Mulheres Sonharam Cavalos</em>, do argentino Daniel Veronese. Mas, mesmo no Poeirinha, espa&#xE7;o do Teatro Poeira, em Botafogo, no Rio de Janeiro, mantem a natureza das propostas anteriores. Emoldura a cena com uma parcela da plateia, nas laterais, e posiciona o restante dela entre os atores, integrado ao cen&#xE1;rio que o envolve.</p> <p> O espectador fica na linha de fogo dos embates passionais travados entre os integrantes de uma fam&#xED;lia desestruturada. Os tr&#xEA;s irm&#xE3;os e suas respectivas mulheres trazem &#xE0; tona uma grande carga de insatisfa&#xE7;&#xF5;es. A tens&#xE3;o decorrente de relacionamentos conjugais abalados pelo desgaste do tempo e pelo desprezo se soma &#xE0; descoberta de uma doen&#xE7;a terminal de um dos irm&#xE3;os. Os personagens d&#xE3;o vaz&#xE3;o a uma sucess&#xE3;o de catarses, mesmo sem terem a plena consci&#xEA;ncia de que a viol&#xEA;ncia &#xE9; mais preocupante na esfera familiar do que no mundo externo, a respeito do qual falam vez por outra. A solid&#xE3;o, o desamparo e, em especial, a sensa&#xE7;&#xE3;o de falta de identifica&#xE7;&#xE3;o explodem num jorro de surpreendente extravasamento.</p> <p> <strong>Claustrofobia</strong></p> <p> Esse panorama familiar descortinado por Daniel Veronese &#x2013; destaque do teatro argentino, um dos fundadores do grupo El Perif&#xE9;rico de Objetos e reconhecido ainda pela apropria&#xE7;&#xE3;o de textos de autores como Ibsen e Tchekhov &#x2013; &#xE9; materializado na proposta cenogr&#xE1;fica do espet&#xE1;culo. Flavio Graff, que assina a dire&#xE7;&#xE3;o de arte, opta por uma ambienta&#xE7;&#xE3;o estilizada para o apartamento improvisado onde se passa a a&#xE7;&#xE3;o. Evidencia conte&#xFA;dos do texto por meio de solu&#xE7;&#xF5;es como o c&#xF4;modo interditado aos olhos dos espectadores, t&#xE3;o oculto quanto os acontecimentos e as emo&#xE7;&#xF5;es at&#xE9; ent&#xE3;o n&#xE3;o revelados que irrompem em meio ao conv&#xED;vio claustrof&#xF3;bico. O emaranhado de fios que cobre boa parte do cen&#xE1;rio tamb&#xE9;m parece informar sobre os relacionamentos intrincados. Alguns objetos, a exemplo do colch&#xE3;o, dispostos sobre os pratic&#xE1;veis por onde o afinado grupo de atores transita, comprovam que, naquela fam&#xED;lia arruinada, n&#xE3;o h&#xE1; mais como utilizar m&#xF3;veis novos para esconder antigas manchas. </p> <div class="descricao-autor"> <p> <strong>Daniel Schenker</strong> &#xE9; jornalista e cr&#xED;tico de teatro.</p> </div><div class="onde-quando"> <p> <strong>A PE&#xC7;A</strong></p> <p> <em>Mulheres Sonharam Cavalos.</em> De Daniel Veronese. Dire&#xE7;&#xE3;o de Ivan Sugahara. Com Jos&#xE9; Karini e outros. No Teatro Poeirinha (r. S&#xE3;o Jo&#xE3;o Batista, 108, Rio de Janeiro, tel. 0++/21/2537-8053). 6&#xAA; e s&#xE1;b., &#xE0;s 21h30. Dom., &#xE0;s 20h. At&#xE9; 26/2. R$ 20.</p> </div> Em ”Mulheres Sonharam Cavalos”, o público se posiciona no meio da cena, entre os atores, e vê de perto os embates passionais de uma família desestruturada 2012-01-16T12:25:43-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 173 - Janeiro 2012 Em ”Mulheres Sonharam Cavalos”, o público se posiciona no meio da cena, entre os atores, e vê de perto os embates passionais de uma família desestruturada Teatro e Dança BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/ao-lado-dos-deuses Ao lado dos Deuses 2011-12-29T12:09:58-02:00 Marcella Franco <p> N&#xE3;o h&#xE1;, nas p&#xE1;ginas da literatura, escudeiro mais fiel e c&#xE9;lebre que o lavrador Sancho Pan&#xE7;a. Acompanhando o fidalgo delirante Dom Quixote de la Mancha nas aventuras em busca de sua amada, &#xE9; ele quem sustenta o cavaleiro andante sobre seu pangar&#xE9;, sempre absorto em fantasias. Nos palcos brasileiros &#x2013; e fora deles &#x2013;, dois atores incorporam com louvor o mesmo papel de bra&#xE7;o direito dos dois maiores encenadores do pa&#xED;s. H&#xE1; 25 anos, no Rio de Janeiro, uma troca de olhares unia o diretor paulista Jos&#xE9; Celso Martinez Corr&#xEA;a ao ator carioca Marcelo Drummond. Dez anos depois, em S&#xE3;o Paulo, o ent&#xE3;o professor de educa&#xE7;&#xE3;o art&#xED;stica paulistano Emerson Danesi se preparava para um teste e entrava para o grupo do diretor, tamb&#xE9;m paulistano, Antunes Filho.</p> <p> Desses encontros nasceriam frut&#xED;feras conex&#xF5;es que, assim como no romance de Cervantes, ultrapassam as incumb&#xEA;ncias cotidianas e compreendem uma evolu&#xE7;&#xE3;o m&#xFA;tua. Se no romance de Cervantes Pan&#xE7;a vai aos poucos pousando os p&#xE9;s de Quixote no ch&#xE3;o, enquanto este o contamina com desvarios, nas trupes as duplas &#x2013; que nem sempre dividem as mesmas opini&#xF5;es &#x2013; alternam-se no ensinamento das t&#xE9;cnicas dos grupos, na escolha de elenco e nas quest&#xF5;es administrativas.</p> <p> <strong>Milagre do Esbarro</strong></p> <p> Dion&#xED;sio, Boca de Ouro e Oswald de Andrade s&#xE3;o alguns dos personagens j&#xE1; vividos por Marcelo Drummond, que aos 49 anos ocupa o posto de primeiro-ator do Teatro Oficina. Sua estreia na companhia, ao lado de Z&#xE9; Celso e do ator Raul Cortez, data de 1991, com a pe&#xE7;a <em>As Boas</em>, do dramaturgo franc&#xEA;s Jean Genet. A entrada no grupo, no entanto, &#xE9; anterior &#xE0; subida aos palcos. Em 1986, em um momento cr&#xED;tico da companhia, dispersa desde 1974 por causa do ex&#xED;lio de Z&#xE9; Celso em Portugal, Drummond literalmente esbarrou no diretor.</p> <p> Aos 24 anos, j&#xE1; tinha ouvido falar de &#x201C;Z&#xE9;&#x201D;, mas conhecia mais o trabalho de seu irm&#xE3;o, o ator Lu&#xED;s Ant&#xF4;nio. Na &#xE9;poca, Drummond tinha desistido do curso de Biologia e fazia esporadicamente alguns de teatro, al&#xE9;m de bicos como gar&#xE7;om para ganhar dinheiro. Conheceu Z&#xE9; Celso na rua, no Baixo G&#xE1;vea, bairro bo&#xEA;mio do Rio de Janeiro, em um encontro que o pr&#xF3;prio diretor descreve em seu blog como el&#xE9;trico: &#x201C;Veio para n&#xF3;s o MILAGRE DO ESBARRO/ nos jogou no Vertigo da Vertigem/ nos fez voltar pra tr&#xE1;s e nosso olhar se atravessa como ponte lis&#xE9;rgica, a rua./ O olhar determinado de Dion&#xED;sios,/ um menino lindo com os l&#xE1;bios muito carnudos/ atravessou a rua e veio ao meu encontro./ A eletricidade eletrocutava&#x201D;.</p> <p> Depois de passarem a noite juntos, Drummond aceitou o convite para vir morar com o parceiro em S&#xE3;o Paulo. &#x201C;Eu era <em>junkie</em>, maluco&#x201D;, relembra, enumerando seus h&#xE1;bitos de juventude, como se vestir de preto inclusive nos dias quentes e frequentar a praia usando sapatos. &#x201C;Queria acima de tudo sair do Rio, daquela coisa cerceada pela Rede Globo.&#x201D; Enfrentou a resist&#xEA;ncia principalmente dos amigos &#x2013; para quem Z&#xE9; Celso era um maldito &#x2013; e a descren&#xE7;a de que o novo projeto daria certo. &#x201C;Vim para um teatro que era um buraco, as pessoas falavam que n&#xE3;o ia dar em nada&#x201D;, diz, a respeito da reforma do pr&#xE9;dio, no bairro do Bixiga, centro de S&#xE3;o Paulo, idealizada pela arquiteta italiana Lina Bo Bardi. Foram cinco anos at&#xE9; a inaugura&#xE7;&#xE3;o, em 1993, de que Drummond participou como protagonista: viveu o personagem-t&#xED;tulo da montagem <em>Ham-let</em> e, com este papel, assumido dois anos depois de sua estreia em <em>As Boas</em>, foi enfim revelado.</p> <p> <strong>&#x201C;Cala a Boca, z&#xE9;&#x201D;</strong></p> <p> &#xC9; fina a sintonia de Drummond com as propostas do fundador do Teatro Oficina. &#x201C;Acredito num teatro miscigenado, religioso e ritual. Acredito muito no que o Z&#xE9; fala sobre incorpora&#xE7;&#xE3;o&#x201D;, afirma, lembrando a montagem de <em>As Bacantes</em>, de 1996, em que recebeu diversos coment&#xE1;rios sobre sua atua&#xE7;&#xE3;o &#x201C;incorporada&#x201D; do deus Dion&#xED;sio. Mesmo assim, as brigas nos ensaios e at&#xE9; um &#x201C;Cala a boca, Z&#xE9;&#x201D; em cena aberta s&#xE3;o inevit&#xE1;veis. &#x201C;N&#xE3;o tenho perfil de ator&#x201D;, diz Drummond, que a cada novo projeto repete que aquela ser&#xE1; a &#xFA;ltima vez que subir&#xE1; ao palco. &#x201C;Talvez por isso eu seja o ator mais rebelde e quem o Z&#xE9; menos conseguiu dirigir na vida.&#x201D;</p> <p> Ainda que se debata, Drummond segue protagonista das pe&#xE7;as e n&#xE3;o consegue negar o t&#xED;tulo de bra&#xE7;o direito. Muitas vezes, &#xE9; a ele que os jovens atores do Oficina cumprimentam com rever&#xEA;ncia, pedindo beijo &#xE0; moda da &#x201C;b&#xEA;n&#xE7;&#xE3;o&#x201D; de antigamente &#x2013; s&#xF3; durante a entrevista para esta reportagem, numa tarde de novembro, foram dois. A adora&#xE7;&#xE3;o e a conviv&#xEA;ncia harmoniosa entre Z&#xE9; Celso e Drummond seguem as mesmas de 25 anos atr&#xE1;s. N&#xE3;o namoram mais, mas vivem em dois apartamentos unidos, no bairro paulistano do Para&#xED;so.</p> <p> <strong>Destrui&#xE7;&#xE3;o Constante</strong></p> <p> Foi com a imagem de um homem rude e arrogante que Emerson Danesi seguiu, em 1996, para o teste no Centro de Pesquisa Teatral (CPT), companhia do diretor Antunes Filho, mito para a classe e de quem se escutavam hist&#xF3;rias recheadas de ofensas e humilha&#xE7;&#xF5;es de atores iniciantes. &#x201C;Eu estava nervoso&#x201D;, conta Danesi, &#x201C;mas logo que entrei senti que o Antunes me olhava e aquilo me desarmou completamente. Pensei que ele n&#xE3;o era aquele monstro que todo mundo dizia.&#x201D; No dia seguinte, recebeu a convoca&#xE7;&#xE3;o por telefone para a montagem de <em>Dr&#xE1;cula e Outros Vampiros</em>, encenada no mesmo ano.</p> <p> A aprova&#xE7;&#xE3;o imediata, resultado de seu talento e tamb&#xE9;m da urg&#xEA;ncia na composi&#xE7;&#xE3;o de um novo elenco, n&#xE3;o lhe permitiu participar do Curso de Introdu&#xE7;&#xE3;o ao M&#xE9;todo do Ator, apelidado de &#x201C;CPTzinho&#x201D;. Foi direto para as m&#xE3;os do mestre, para um processo que define como &#x201C;destrui&#xE7;&#xE3;o constante&#x201D;. &#x201C;O Antunes percebe tudo em voc&#xEA; e escolhe seu ponto nevr&#xE1;lgico para cutucar e te fazer estrebuchar. A ideia &#xE9; tirar dali o seu melhor&#x201D;, diz. Na &#xE9;poca com 24 anos, Danesi tinha se formado no Centro Universit&#xE1;rio Belas Artes de S&#xE3;o Paulo e era professor de educa&#xE7;&#xE3;o art&#xED;stica no ensino m&#xE9;dio. Relutava em escolher definitivamente o teatro e Antunes Filho flagrou essas d&#xFA;vidas. &#x201C;Ele me chamava de &#x2018;professorzinho de merda&#x2019;. Dizia: &#x2018;Japon&#xEA;s, voc&#xEA; n&#xE3;o ensina nada!&#x2019;.&#x201D; Ele pensava quase diariamente em desistir, chorava muito: &#x201C;S&#xF3; que eu tinha certeza de que aquilo n&#xE3;o era pessoal, tinha a ver com o trabalho. E por isso fiquei. Larguei tudo para me dedicar de vez ao teatro&#x201D;.</p> <p> Mesmo que assustado com a rigidez de Antunes Filho, Danesi se encantou com a disciplina. &#x201C;Era tudo muito regrado e eu abomino bagun&#xE7;a. Gosto de gente pegando no meu p&#xE9;, cobrando hor&#xE1;rios. Acho que &#xE9; por causa do meu lado oriental&#x201D;, diz, creditando tamb&#xE9;m ao mestre o aflorar de suas caracter&#xED;sticas diretamente ligadas &#xE0; ascend&#xEA;ncia japonesa: a objetividade, uma vis&#xE3;o po&#xE9;tica e, principalmente, a paci&#xEA;ncia.</p> <p> <strong>Serenidade Oriental</strong></p> <p> Em 1997, com menos de dois anos no grupo, Danesi participou da cria&#xE7;&#xE3;o do <em>Pr&#xEA;t-&#xE0;-Porter</em>, projeto que, em cenas curtas, explora o m&#xE9;todo de atores de Antunes Filho, o falso naturalismo. Desde ent&#xE3;o, atuou em sete das dez edi&#xE7;&#xF5;es e h&#xE1; 13 anos &#xE9; o &#x201C;professorzinho de merda&#x201D; respons&#xE1;vel pelas aulas no CPTzinho que colocam os aprendizes de atores para exercitar a t&#xE9;cnica j&#xE1; no palco, na sede da companhia no Sesc Consola&#xE7;&#xE3;o. &#x201C;Ele &#xE9; meu bra&#xE7;o direito e, &#xE0;s vezes, o esquerdo tamb&#xE9;m&#x201D;, declara Antunes Filho. Outro voto de cumplicidade ao &#x201C;Japon&#xEA;s&#x201D; &#x2013; vocativo de que o mestre o chama at&#xE9; hoje, v&#xE1;rias vezes ao dia &#x2013; foi confiar-lhe a dire&#xE7;&#xE3;o do musical <em>Lamartine Babo</em>, com dramaturgia sua. &#x201C;Foram tr&#xEA;s anos e meio tentando montar a pe&#xE7;a, e ele acabou entregando-a para mim, alegando que tenho uma grande conex&#xE3;o com a poesia&#x201D;, diz. O que se sabe &#xE9; que, ao ver a pe&#xE7;a pronta, Antunes Filho chorou feito crian&#xE7;a.</p> <p> Ainda que Danesi insista em atribuir a conselhos m&#xE9;dicos a mudan&#xE7;a gradual no comportamento do diretor &#x2013; do homem que gritava com viol&#xEA;ncia do meio-dia &#xE0;s 7 da noite para outro que diminuiu o ritmo e o volume das broncas &#x2013;, n&#xE3;o h&#xE1; como n&#xE3;o associar a vers&#xE3;o mais pac&#xED;fica de Antunes Filho &#xE0; serenidade oriental de Danesi, mimese da evolu&#xE7;&#xE3;o m&#xFA;tua do sonhador Quixote e do Sancho Pan&#xE7;a p&#xE9;-no-ch&#xE3;o. &#x201C;&#xC9; inevit&#xE1;vel assumir o t&#xED;tulo de bra&#xE7;o direito porque esse processo todo inclui, sim, estar ali presente, pronto para executar. S&#xF3; que &#xE9; uma rela&#xE7;&#xE3;o em que tamb&#xE9;m cabe opinar, participar. &#xC9;, na verdade, uma grande troca. E posso dizer que, daquele Emerson que entrou assustado no palco do teste 15 anos atr&#xE1;s, sobraram s&#xF3; mesmo as qualidades&#x201D;, avalia o ator, emocionado. &#x201C;Antunes me lapidou.&#x201D;</p> <div class="descricao-autor"> <p> <strong>Marcella Franco</strong> &#xE9; jornalista e autora do blog elatatuoupalavra.blogspot.com.</p> </div> Como os atores Marcelo Drummond e Emerson Danesi tornaram-se o braço direito de Zé Celso e Antunes Filho 2011-12-29T12:09:58-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 172 - Dezembro 2011 Como os atores Marcelo Drummond e Emerson Danesi tornaram-se o braço direito de Zé Celso e Antunes Filho Teatro e Dança BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/dicas-da-semana-finais-de-temporada Dicas da Semana: Finais de temporada 2011-12-02T15:57:13-02:00 <p> Junto com o ano, encerram-se as temporadas de alguns espet&#xE1;culos. <strong>BRAVO!</strong> fala de tr&#xEA;s pe&#xE7;as que voc&#xEA; n&#xE3;o pode deixar de ver antes das festas natalinas: <em>Cidade Fim - Cidade Coro - Cidade Reverso</em>, do grupo Teatro de Narradores, a tragicom&#xE9;dia <em>Os Altru&#xED;stas</em>, com dire&#xE7;&#xE3;o de Guilherme Weber e Mariana Ximenes no elenco, e <em>Viver sem Tempos Mortos,</em> protagonizada pela atriz Fernanda Montenegro (foto). Na pe&#xE7;a com dire&#xE7;&#xE3;o de Felipe Hirsch, Fernanda vive a fil&#xF3;sofa francesa Simone de Beauvoir (1908-1986) e reconta sua vida a partir de sua correspond&#xEA;ncia com o marido, o tamb&#xE9;m fil&#xF3;sofo Jean-Paul Sartre (1905-1980).</p> <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="81" width="100%"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="https://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F29552528"/><embed allowscriptaccess="always" height="81" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="https://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F29552528" type="application/x-shockwave-flash" width="100%"/></object></p> <p> <em>Cidade Fim - Cidade Coro - Cidade Reverso</em></p> <p> At&#xE9; 11/12</p> <p> Espa&#xE7;o Maquinaria 2&#xBA; andar</p> <p> R. Treze de Maio, 240 - Bela Vista &#x2013; Centro, S&#xE3;o Paulo, SP</p> <p> S&#xE1;b. e dom. &#xE0;s 19h</p> <p> Gr&#xE1;tis</p> <p> &#xA0;</p> <p> <em>Os Altru&#xED;stas</em></p> <p> At&#xE9; 18/12</p> <p> Teatro Augusta</p> <p> R. Augusta, 943 - Consola&#xE7;&#xE3;o &#x2013; Centro, S&#xE3;o Paulo, SP</p> <p> Sex., &#xE0;s 21h30; s&#xE1;b. &#xE0;s 21h e dom. &#xE0;s 19h</p> <p> R$ 70</p> <p> &#xA0;</p> <p> <em>Viver sem Tempos Mortos</em></p> <p> At&#xE9; 11/12</p> <p> Teatro Raul Cortez</p> <p> R. Dr. Pl&#xED;nio Barreto, 285 - Bela Vista &#x2013; Centro, S&#xE3;o Paulo, SP</p> <p> Sex., &#xE0;s 21h30; s&#xE1;b. &#xE0;s 21h e dom. &#xE0;s 18h</p> <p> R$ 80 (sex. e dom.) e R$ 100 (s&#xE1;b.)</p> Editora de Teatro e Dança de <strong>BRAVO!</strong>, Mariana Delfini fala de três peças para assistir nesse fim de semana 2011-12-02T15:57:13-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados 2 de Dezembro de 2011 Editora de Teatro e Dança de BRAVO!, Mariana Delfini fala de três peças para assistir nesse fim de semana Teatro e Dança BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/ao-lado-dos-mestres Ao lado dos mestres 2011-12-02T09:09:12-02:00 Por Redação <p> Se hoje Emerson Danesi acumula participa&#xE7;&#xF5;es em diversas edi&#xE7;&#xF5;es do Pr&#xEA;t-&#xE0;-Porter, &#xE9; professor do CPTzinho &#x2013; curso de introdu&#xE7;&#xE3;o ao m&#xE9;todo do o Centro de Pesquisa Teatral (CPT) - e se declara o bra&#xE7;o direito de Antunes Filho, teve que percorrer um longo caminho at&#xE9; conquistar essa posi&#xE7;&#xE3;o. Desde seu teste para entrar na companhia, em 1996, foram anos de aprendizado e uma gradual conquista da confian&#xE7;a do lend&#xE1;rio diretor.</p> <p> J&#xE1; Marcelo Drummond, hoje primeiro ator do Teatro Oficina, literalmente esbarrou em Z&#xE9; Celso, em 1986, no Rio de Janeiro. Apaixonados, os dois mudaram-se para S&#xE3;o Paulo e escreveram uma hist&#xF3;ria conjunta no teatro. Hoje, mesmo separados, continuam a parceria nos palcos.</p> <p> Emerson e Marcelo, que em 2011 completam 15 e 25 anos nas respectivas companhias, falam a seguir sobre o CPT e o Teatro Oficina, no document&#xE1;rio <em>CPT 25 Anos</em> (filmado em 2008 por alunos do curso de Cinema Digital da Universidade Metodista de S&#xE3;o Paulo) e em um trecho do document&#xE1;rio que integra os DVDs &#x201C;Festival Teat(r)o Oficina&#x201D;.</p> <p> <em>CPT 25 anos</em></p> <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="315" width="560"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Gq9JmtUCMeE?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0"/><embed allowscriptaccess="always" height="315" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="http://www.youtube.com/v/Gq9JmtUCMeE?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0" type="application/x-shockwave-flash" width="560"/></object></p> <p> <em>Teatro Oficina</em></p> <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="315" width="420"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/UzKZr9J3VAs?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0"/><embed allowscriptaccess="always" height="315" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="http://www.youtube.com/v/UzKZr9J3VAs?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0" type="application/x-shockwave-flash" width="420"/></object></p> Marcelo Drummond e Emerson Danesi, braço direito dos diretores Zé Celso e Antunes Filho, falam de suas companhias 2011-11-30T16:27:04-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Dezembro de 2011 Marcelo Drummond e Emerson Danesi, braço direito dos diretores Zé Celso e Antunes Filho, falam de suas companhias Teatro e Dança BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/sou-fumante-por-causa-de-um-personagem "Sou Fumante por causa de um Personagem" 2011-12-02T09:09:01-02:00 Armando Antenore <p> O pernambucano Marco Nanini gosta de dizer que passou a inf&#xE2;ncia morando em teatros. Gerente de hotel, o pai dele trocava de emprego &#x2013; e de cidade &#x2013; com certa frequ&#xEA;ncia. Para cada lugar que se deslocava, arrastava a fam&#xED;lia. O menino perambulou, assim, por Recife, Caldas de Cip&#xF3; (BA), Manaus, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Quase sempre, vivia nos estabelecimentos onde o pai trabalhava. &#x201C;E o que s&#xE3;o os hot&#xE9;is?&#x201D;, pergunta o ator, hoje com 63 anos de idade e 46 de carreira. &#x201C;S&#xE3;o cen&#xE1;rios em que se alternam diferentes enredos, figurinos e personagens.&#x201D;</p> <p> Na noite de 4/10, Nanini recebeu o pr&#xEA;mio Artista Bradesco Prime de 2011, conferido pelos leitores de <strong>BRAVO!</strong>. O int&#xE9;rprete &#x2013; que percorre o Brasil como protagonista da pe&#xE7;a <em>Pterod&#xE1;tilos</em>, dirigida por Felipe Hirsch &#x2013; j&#xE1; o ganhara em 2005. Na tarde daquele dia, entre um e outro cigarro, conversou com a revista.</p> <p> <strong>BRAVO!: H&#xE1; quanto tempo voc&#xEA; fuma?</strong></p> <p> <strong>Marco Nanini: </strong>Desde os 36 anos... E por culpa do teatro!</p> <p> <strong>Como assim?</strong></p> <p> Na minha juventude, todo mundo fumava. A moda exigia. Eu, no entanto, preferia remar contra a mar&#xE9; &#x2013; sem terrorismo, sem levantar bandeira, sem recriminar ningu&#xE9;m. Simplesmente n&#xE3;o ligava para cigarro. Acontece que, em 1984, protagonizei a montagem de <em>M&#xE3;o na Luva</em>. Um dia, durante os ensaios, o Aderbal Freire-Filho, diretor da pe&#xE7;a, sugeriu que meu personagem fumasse. &#x201C;Vai cair bem&#x201D;, argumentou. &#x201C;Um pouco de fuma&#xE7;a naquele instante em que o personagem se cala... Aumentaria a solid&#xE3;o da cena, n&#xE3;o acha?&#x201D; De fato, um cigarro ali deixaria tudo mais on&#xED;rico, mais bacana plasticamente, e refor&#xE7;aria a postura reflexiva do personagem, um jornalista em crise. Mesmo assim, resisti: &#x201C;Esque&#xE7;a, Aderbal. Temo me viciar&#x201D;. A ideia, por&#xE9;m, n&#xE3;o saiu da minha cabe&#xE7;a. &#x201C;&#xC9;, talvez d&#xEA; para arriscar... Uma &#xFA;nica cena, rapid&#xED;ssima. N&#xE3;o preciso nem tragar.&#x201D; Acabei concordando. De in&#xED;cio, no palco, evitava cigarros e fumava somente cigarrilhas. Tamb&#xE9;m cumpria &#xE0; risca a decis&#xE3;o de n&#xE3;o tragar. Mas, depois, perdi o controle. Traguei, substitu&#xED; as cigarrilhas pelo cigarro, chutei o balde. No final da temporada, j&#xE1; me considerava fumante. Hoje, consumo sete ma&#xE7;os por semana, mais ou menos.</p> <p> <strong>Nunca tentou parar?</strong></p> <p> Tentei, claro! Usei, inclusive, adesivos de nicotina. O problema &#xE9; que reca&#xED;... E, novamente, por causa da profiss&#xE3;o! <em>(risos)</em> Estava havia cinco dias sem fumar quando sa&#xED; de casa para gravar um especial da Globo, <em>O Engra&#xE7;ado Arrependido</em>, que se baseava num conto do Monteiro Lobato. Eu fazia um comediante de chanchada &#x2013; um sujeito feio e histri&#xF4;nico, que incorporava diversos tipos em suas apresenta&#xE7;&#xF5;es. Naquela manh&#xE3;, cheguei &#xE0; maquiagem por volta das 6h30. Perto das 7, passei pelo espelho e me avistei com trajes de Carmen Miranda. Frutas, balangand&#xE3;s, o figurino completo. Folheei o <em>script</em> para conferir quais criaturas ainda teria de interpretar at&#xE9; a noite: um beb&#xEA; de fralda, um porteiro negro, um caipira... &#x201C;Deus do c&#xE9;u! Me arranjem um cigarro!&#x201D; <em>(risos)</em></p> <p> <strong>Houve outros momentos em que voc&#xEA; &#x201C;se contaminou&#x201D; pelos tra&#xE7;os de um personagem?</strong></p> <p> Li recentemente uma biografia do Oscar Wilde <em>(poeta, dramaturgo e romancista irland&#xEA;s) </em>que me impressionou muito. N&#xE3;o recordo o t&#xED;tulo do livro agora. Minha mem&#xF3;ria &#xE9; horr&#xED;vel... De qualquer modo, segundo o bi&#xF3;grafo, o Wilde percebia que botava algo de si nos personagens, mas n&#xE3;o conseguia apontar o qu&#xEA;. Sou exatamente desse jeito! Misturo-me nos personagens e os personagens se misturam em mim. S&#xF3; que, nem sempre, identifico as diferentes partes da combina&#xE7;&#xE3;o. Provavelmente, sofri milh&#xF5;es de influ&#xEA;ncia dos pap&#xE9;is que representei. Nenhuma, entretanto, me parece t&#xE3;o forte, t&#xE3;o vis&#xED;vel quanto o h&#xE1;bito de fumar. Ali&#xE1;s, sobre a simbiose ator-personagem, tenho um neg&#xF3;cio curioso para contar: detesto me observar em cena. Fico traumatizado...</p> <p> <strong>Por qu&#xEA;?</strong></p> <p> Porque n&#xE3;o bate! Penso que me comportei de determinada maneira e, quando vou checar o resultado, me d&#xE1; uma impress&#xE3;o horr&#xED;vel de descompasso. O que julgava estar fazendo no palco ou no set n&#xE3;o corresponde &#xE0;quilo que me vejo fazendo, compreende? Cito um exemplo: em <em>Pterod&#xE1;tilos</em>, represento dois personagens. Um deles, a Ema, &#xE9; uma adolescente hipocondr&#xED;aca, que se veste de noiva. Enquanto a interpreto, me sinto uma garota. Eu sou aquela menina! Creio piamente que ando, que falo, que gesticulo como uma jovem &#x2013; e a situa&#xE7;&#xE3;o me diverte &#xE0; be&#xE7;a. Mas, na hora que me mostraram o v&#xED;deo do espet&#xE1;culo, levei um susto: &#x201C;U&#xE9;, cad&#xEA; a garota?! Cad&#xEA; a Ema?!&#x201D; Enxerguei apenas um senhor de 63 anos com vestido de noiva... Rolou uma afli&#xE7;&#xE3;o e desliguei o v&#xED;deo imediatamente. Na d&#xE9;cada de 1980, amarguei um inc&#xF4;modo ainda pior. Termin&#xE1;ramos de rodar o longa <em>Feliz Ano Velho</em>, em que eu vivia um rapaz de nome Beto, e o diretor <em>(Roberto Gervitz)</em> me chamou para dublar minhas cenas. Seriam tr&#xEA;s dias de trabalho. Logo no primeiro, me deparei com um plano demorad&#xED;ssimo do filme, que exibia um <em>close</em> do Beto. Assisti &#xE0; sequ&#xEA;ncia uma &#xFA;nica vez e, pronto, fiquei completamente rouco! O impacto de me flagrar enorme na tela, a decep&#xE7;&#xE3;o de imaginar uma coisa e encontrar outra me roubaram a voz. O pessoal do est&#xFA;dio, l&#xF3;gico, n&#xE3;o entendeu nada. Adiamos tudo e descolei um fonoaudi&#xF3;logo, um massagista de cordas vocais, o diabo. S&#xF3; no terceiro dia consegui emitir um som decente. Tempos depois, aceitei o papel de dom Jo&#xE3;o VI em <em>Carlota Joaquina</em><em>, Princesa do Brazil</em>. Como sabia do fuzu&#xEA; que aprontei naquela dublagem, a diretora Carla Camurati n&#xE3;o me permitiu ver o copi&#xE3;o do longa. &#x201C;Voc&#xEA; vai surtar de novo!&#x201D; <em>(risos)</em></p> <p> <strong>&#xC9; correto afirmar que, em cena, os atores experimentam uma esp&#xE9;cie de transe &#x2013; um alheamento da realidade que os impede de perceber os pr&#xF3;prios atos por inteiro?</strong></p> <p> N&#xE3;o me parece correto, n&#xE3;o. Pelo menos, n&#xE3;o &#xE9; assim que lido com a profiss&#xE3;o. Acredito que um ator deva se entregar de corpo e alma quando sobe no palco. Mas entregar-se n&#xE3;o significa abandonar-se. Do contr&#xE1;rio, vira loucura, uma quest&#xE3;o psiqui&#xE1;trica. O int&#xE9;rprete n&#xE3;o pode largar o personagem nem abdicar de si mesmo. Precisa se equilibrar o m&#xE1;ximo poss&#xED;vel na corda bamba. Uma parte de mim atua e outra vigia, controla, reporta o que est&#xE1; se passando, me avisa dos perigos: &#x201C;Cuidado com o degrau! Pegue leve no tapa para n&#xE3;o machucar a atriz!&#x201D; Por isso, jamais bebo &#xE1;lcool ou uso drogas antes de interpretar. Quero me manter completamente l&#xFA;cido, atento. &#xD3;bvio que, &#xE0;s vezes, nos atrapalhamos. Em <em>M&#xE3;o na Luva</em>, a Juliana Carneiro da Cunha fazia a protagonista feminina, e todo o cen&#xE1;rio descia do teto enquanto represent&#xE1;vamos &#x2013; a porta, a janela, o umbral. Havia, ent&#xE3;o, uma zona de seguran&#xE7;a onde t&#xED;nhamos de nos posicionar para n&#xE3;o trombar com nada. Uma noite, a Juliana se distraiu. Deixou-se levar pela trama, pisou fora da &#xE1;rea segura, e um espelho pesad&#xED;ssimo acertou o rosto dela, que desandou a sangrar. Era muito sangue. S&#xF3; que a pobre da Juliana, ainda no barato do personagem, n&#xE3;o notou o estrago e continuou o di&#xE1;logo da pe&#xE7;a. Eu, desesperado, gritei: &#x201C;Chega, Juliana! N&#xE3;o d&#xE1; mais!&#x201D; Interrompi a sess&#xE3;o e sa&#xED;mos dali para o hospital. J&#xE1; ocorreu tamb&#xE9;m de o p&#xFA;blico aderir sem r&#xE9;deas &#xE0; fantasia. No espet&#xE1;culo <em>Os Filhos de Kennedy</em>, meu personagem engatava um solil&#xF3;quio em que se dizia fr&#xE1;gil e triste. Quando conclu&#xED;a o desabafo, mirava o vazio e pedia: &#x201C;Me abrace!&#x201D; Mais de uma vez, algu&#xE9;m da plateia se levantou comovido para atender &#xE0; solicita&#xE7;&#xE3;o.</p> <p> <strong>E voc&#xEA;?</strong></p> <p> Recebia o abra&#xE7;o. O bonito do of&#xED;cio &#xE9; justamente a briga da realidade com a fic&#xE7;&#xE3;o. Amo caminhar na fronteira entre uma e outra, na tal corda bamba. Sei que n&#xE3;o me chamo Ema, sei que n&#xE3;o vou me casar. No entanto, desejo me tornar a Ema, desejo me tornar uma noiva. &#xC9; maravilhoso!</p> <p> <strong>J&#xE1; que mencionamos os limites entre o real e o fict&#xED;cio, voc&#xEA; sente a emo&#xE7;&#xE3;o do personagem no palco ou apenas finge que sente?</strong></p> <p> Procuro sentir, n&#xE9;? Sen&#xE3;o desanda. Soa posti&#xE7;o, falso, esquisito. N&#xE3;o adianta recorrer &#xE0; t&#xE9;cnica para forjar a emo&#xE7;&#xE3;o. A t&#xE9;cnica ajuda a pronunciar bem as frases, a dosar a com&#xE9;dia e o drama, a descobrir o tom adequado de voz. Mas n&#xE3;o fabrica uma emo&#xE7;&#xE3;o genu&#xED;na. O ideal &#xE9; que as circunst&#xE2;ncias do personagem emocionem de fato o ator.</p> <p> <strong>E se n&#xE3;o emocionarem?</strong></p> <p> Nesse caso, o ator tem de buscar o sentimento em outro lugar e transferi-lo para a cena. Alguns trechos de <em>Os Filhos de Kennedy</em>, por exemplo, reivindicavam uma pung&#xEA;ncia que nem sempre o personagem me trazia. &#x201C;Minha Nossa Senhora, onde vou arrumar tamanha dor!&#x201D; Foi quando reparei que um samba do Cartola, <em>As Rosas N&#xE3;o Falam</em>, me tocava imensamente. Perfeito! Tratei de pensar na can&#xE7;&#xE3;o durante aqueles trechos da pe&#xE7;a. Se a dor n&#xE3;o surgisse do personagem, nasceria da m&#xFA;sica. No palco, persigo a emo&#xE7;&#xE3;o despudorada. Fora dele, ajo com mais pudor. Sou meio formal e desconfiado. N&#xE3;o gosto de multid&#xE3;o, de festas e de estreias. Como odeio bancar o inconveniente, s&#xF3; me mostro extrovertido perto de pessoas &#xED;ntimas. Publicamente, priorizo a discri&#xE7;&#xE3;o. Moro sozinho no Rio de Janeiro, em uma casa, com tr&#xEA;s cachorros. &#xC0;s vezes, pintam umas namoradas, uns namorados... Namoradas, n&#xE3;o. Namorados... Mas, se n&#xE3;o pintam, sem problemas. J&#xE1; vivi o que necessitava viver nessa seara.</p> <p> <strong>Voc&#xEA; faz algum ritual para entrar em cena?</strong></p> <p> Fa&#xE7;o. Na coxia, &#xE0; beira do terceiro sinal, rezo uma ora&#xE7;&#xE3;o que bolei quando crian&#xE7;a. Minha m&#xE3;e, religiosa, me ensinou a ave-maria, o pai-nosso e outras preces cat&#xF3;licas. Por consider&#xE1;-las extensas demais, perguntei: &#x201C;Posso criar uma ora&#xE7;&#xE3;o curtinha?&#x201D; Ela concordou. Ent&#xE3;o inventei: &#x201C;Meu Jesus, vos quero muito bem, pois sois t&#xE3;o bom. Como v&#xF3;s, ningu&#xE9;m&#x201D;. Minutos antes de o pano abrir, me lembro de mortos queridos e, para cada um, rezo a ora&#xE7;&#xE3;ozinha. &#xC9; um jeito de me concentrar, de me abster do mundo exterior. Curioso que, no camarim, tamb&#xE9;m costumo enfrentar instantes terr&#xED;veis de depress&#xE3;o. Fico mal, sem for&#xE7;as, destru&#xED;do. &#x201C;E agora? Vai acontecer uma cat&#xE1;strofe daqui a pouco! N&#xE3;o darei conta do recado.&#x201D; Entretanto, basta me lan&#xE7;ar no palco que, bum!, mudo radicalmente de &#xE2;nimo. Talvez a depress&#xE3;o seja a maneira que meu corpo encontrou de economizar energia para a pe&#xE7;a.</p> <p> <strong>Com frequ&#xEA;ncia, a cr&#xED;tica e o p&#xFA;blico o apontam como um dos melhores atores do Brasil. Voc&#xEA; concorda?</strong></p> <p> Sinceramente? In&#xFA;meras vezes, me indago se estou entre os melhores ou se, no fundo, sou um embuste. N&#xE3;o descarto nenhuma possibilidade. Corro o risco, sim, de me descobrir uma farsa. Quem sabe n&#xE3;o me superestimaram? Quem sabe eu pr&#xF3;prio n&#xE3;o me enganei ao longo dessas d&#xE9;cadas? Tenho certeza apenas de que me aplico, de que estudo bastante para cada papel e de que trabalho com alegria. Na minha opini&#xE3;o, a tarefa primordial do ator &#xE9; contar bem uma hist&#xF3;ria. N&#xE3;o &#xE9; ocupar um pedestal. Adoro quando algu&#xE9;m diz que me viu num filme ou numa pe&#xE7;a e, depois, acrescenta: &#x201C;Que hist&#xF3;ria!&#x201D; Prefiro ouvir algo assim do que &#x201C;puxa, voc&#xEA; arrasou!&#x201D;. Claro que aprecio o reconhecimento. Claro que o procuro. Mas n&#xE3;o aposto 100% das fichas no sucesso. N&#xE3;o o tomo como um bem adquirido. Mesmo que dure, o sucesso &#xE9; circunstancial &#x2013; depende, inclusive, de minha sa&#xFA;de. Se perco os movimentos, se fico lel&#xE9;, adeus <em>glamour</em>. Comparo o sucesso com a luz de um daqueles holofotes girat&#xF3;rios. Num momento, o foco ilumina voc&#xEA;. No momento seguinte, o abandona e n&#xE3;o volta nunca mais. Todo artista em evid&#xEA;ncia deveria se preparar para quando o sucesso se retirar. Eu tento, seja garimpando outros interesses, seja tratando os elogios com naturalidade.</p> Eleito pelos leitores de BRAVO! como Artista Bradesco Prime do Ano, o ator Marco Nanini resgata momentos engraçados, doídos e prazerosos da carreira, revela o que sente antes de entrar em cena e aponta as ilusões da profissão 2011-10-31T16:22:13-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 171 - Novembro 2011 Eleito pelos leitores de BRAVO! como Artista Bradesco Prime do Ano, o ator Marco Nanini resgata momentos engraçados, doídos e prazerosos da carreira, revela o que sente antes de entrar em cena e aponta as ilusões da profissão Teatro e Dança BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/mitos-e-sussurros Mitos e Sussurros 2011-12-02T09:08:50-02:00 Valmir Santos <p> Poucos mitos da Gr&#xE9;cia antiga foram t&#xE3;o revisitados como o de Prometeu. O personagem, que apareceu pela primeira vez nos versos da <em>Teogonia</em>, do poeta Hes&#xED;odo, teria roubado o fogo de Zeus. Como vingan&#xE7;a, o l&#xED;der dos deuses do Olimpo acorrentou o tit&#xE3; a um rochedo e fez com que ele fosse fustigado por uma &#xE1;guia durante milhares de anos. Tal hist&#xF3;ria inspirou grandes autores do Ocidente, como &#xC9;squilo, Plat&#xE3;o, Goethe, Pirandello, Franz Kafka, Heiner M&#xFC;ller e Machado de Assis. Na primeira incurs&#xE3;o pela trag&#xE9;dia cl&#xE1;ssica em 12 anos de curr&#xED;culo, a Companhia Teatro Balagan bebe de todas essas fontes e prop&#xF5;e uma vers&#xE3;o inovadora do mito &#xE0; luz dos dias atuais em <em>Prometheus &#x2013; A Trag&#xE9;dia do Fogo</em>, em cartaz no Tusp, em S&#xE3;o Paulo.</p> <p> Na dramaturgia assinada por Leonardo Moreira, mas criada coletivamente e ainda em constante muta&#xE7;&#xE3;o, Prometeu perde o papel de protagonista, fun&#xE7;&#xE3;o que assume na obra de &#xC9;squilo mais conhecida em palcos brasileiros. Sua saga &#xE9; contada tamb&#xE9;m por outros personagens que interagem com ele, gerando uma polifonia de vozes. Entre os relatos agregados est&#xE3;o os de Epimeteu, o irm&#xE3;o, os da &#xC1;guia, que a tudo sobrevoa vigilante, e os de Pandora, primeira f&#xEA;mea enviada por Zeus, com sua caixa que guardaria todos os males.</p> <p> <strong>Ato Transgressor</strong></p> <p> O trabalho de multiplicar as vozes n&#xE3;o se limita &#xE0; estrutura narrativa. Na d&#xE9;cada passada, Antunes Filho foi decisivo para tirar a pompa do g&#xEA;nero tr&#xE1;gico e valorizar a linguagem em pe&#xE7;as dos cl&#xE1;ssicos gregos S&#xF3;focles e Eur&#xED;pedes. O projeto da Balagan, encabe&#xE7;ado pela diretora Maria Tha&#xED;s, vai mais adiante: &#xE9; um marco no aprofundamento da qualidade do trabalho vocal (prepara&#xE7;&#xE3;o feita pelo ator Jean Pierre Kaletrianos). A voz &#xE9; pilar em interven&#xE7;&#xF5;es individuais ou por meio do coro. &#xC0;s poderosas imagens do texto somam-se os c&#xE2;nticos em grego arcaico. S&#xE3;o recursos que evitam a simplifica&#xE7;&#xE3;o do her&#xF3;i e ampliam os sentidos de seu ato transgressor para incutir reflex&#xE3;o. O espectador nota o desacordo entre a previd&#xEA;ncia e a imprud&#xEA;ncia, sejam divinas ou humanas.</p> <p> O uso pouco convencional do espa&#xE7;o distribui a plateia em quatro &#xE2;ngulos. A cenografia de M&#xE1;rcio Medina e a ilumina&#xE7;&#xE3;o de F&#xE1;bio Retti sincronizam movimentos de cena por meio de cortinas, ora em plano aberto, ora fechado. Em sua minuciosa cria&#xE7;&#xE3;o, a companhia consegue redimensionar os ritos sacrificais e os v&#xED;nculos ancestrais, como se os sussurrasse ao ouvido.</p> <div class="descricao-autor"> <p> <strong>Valmir Santos</strong> &#xE9; jornalista e pesquisador de teatro.</p> </div><div class="onde-quando"> <p> <strong>A PE&#xC7;A</strong></p> <p> <em>Prometheus &#x2013; A Trag&#xE9;dia do Fogo</em>. Texto de Leonardo Moreira. Dire&#xE7;&#xE3;o de Maria Tha&#xED;s. Com Companhia Teatro Balagan (Antonio Salvador, Gustavo Xella e outros). Tusp (r. Maria Ant&#xF4;nia, 294, SP, tel. 0++/11/3123-5233). 5&#xAA; a s&#xE1;b., &#xE0;s 21h; dom., &#xE0;s 19h. R$ 20. At&#xE9; 4/12.</p> </div> Em “Prometheus – A Tragédia do Fogo”, a Companhia Teatro Balagan expõe a complexidade da saga do titã que rouba o fogo de Zeus 2011-11-25T12:30:53-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 171 - Novembro 2011 Em “Prometheus – A Tragédia do Fogo”, a Companhia Teatro Balagan expõe a complexidade da saga do titã que rouba o fogo de Zeus Teatro e Dança BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/dicas-da-semana-belo-indiferente Dicas da Semana: <em>O Belo Indiferente</em> 2011-12-02T09:07:38-02:00 Por Redação <p> Editora de Teatro e Dan&#xE7;a de <strong>BRAVO!</strong>, Mariana Delfini fala do espet&#xE1;culo <em>O Belo Indiferente</em>, em cartaz em S&#xE3;o Paulo. O mon&#xF3;logo, estrelado pela atriz Djin Sganzerla e que conta com dire&#xE7;&#xE3;o de Andr&#xE9; Guerreiro Lopes e Helena Ignez (m&#xE3;e de Djin e que j&#xE1; interpretou a mesma personagem), fala da hist&#xF3;ria da rela&#xE7;&#xE3;o obsessiva de uma cantora com seu namorado indiferente. O texto de Jean Cocteau foi feito em 1939 para que a cantora francesa Edith Piaf protagonizasse o espet&#xE1;culo. Ou&#xE7;a o podcast.</p> <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="81" width="100%"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="http://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F27588072"/><embed allowscriptaccess="always" height="81" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="http://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F27588072" type="application/x-shockwave-flash" width="100%"/></object></p> <p> <em>O Belo Indiferente</em></p> <p> At&#xE9; 16 de dezembro</p> <p> Sesc Consola&#xE7;&#xE3;o &#x2013; Espa&#xE7;o Beta</p> <p> Rua Dr. Vila Nova, 245 &#x2013; Vila Buarque/ S&#xE3;o Paulo-SP</p> <p> Quintas e sextas-feiras, &#xE0;s 21 horas</p> <p> R$ 10</p> <strong>BRAVO!</strong> recomenda nova montagem do texto de Jean Cocteau 2011-11-09T16:07:16-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados 9 de Novembro BRAVO! recomenda nova montagem do texto de Jean Cocteau Teatro e Dança BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/o-caminho-de-nanini O caminho de Nanini 2011-12-02T09:06:34-02:00 Por Redação <p> Marco Nanini vive um dos grandes momentos como ator, aclamado pela cr&#xED;tica e pelo p&#xFA;blico &#x2013; que, na &#xFA;ltima edi&#xE7;&#xE3;o do Pr&#xEA;mio<strong> BRAVO! </strong>Bradesco Prime de Cultura, o elegeu em vota&#xE7;&#xE3;o pela internet o Artista Bradesco Prime do Ano. &#xC9; ele que estampa a capa da <strong>BRAVO! </strong>deste m&#xEA;s e conta, em entrevista a Armando Antenore, sua rela&#xE7;&#xE3;o com os personagens que interpreta, rituais para entrar no palco e como se tornou fumante por causa do teatro. Ou&#xE7;a um trecho.</p> <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="81" width="100%"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="http://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F26625243"/><embed allowscriptaccess="always" height="81" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="http://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F26625243" type="application/x-shockwave-flash" width="100%"/></object></p> <p> Confira a entrevista na &#xED;ntegra nas p&#xE1;ginas da<strong> BRAVO! </strong>deste m&#xEA;s. J&#xE1; nas bancas.</p> O ator resgata momentos de sua carreira 2011-10-28T17:00:23-02:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Novembro de 2011 O ator resgata momentos de sua carreira Teatro e Dança BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/dicas-da-semana-hedwig-e-o-centimetro-enfurecido Dicas da Semana: <em>Hedwig e o Centímetro Enfurecido</em> 2011-12-02T08:59:40-02:00 Redação <p> No podcast de hoje, Mariana Delfini, editora de Teatro e Dan&#xE7;a de <strong>BRAVO!</strong>, sugere a todos que n&#xE3;o percam as &#xFA;ltimas apresenta&#xE7;&#xF5;es de <em>Hedwig e o Cent&#xED;metro Enfurecido</em>, em S&#xE3;o Paulo. O musical, sob dire&#xE7;&#xE3;o de Evandro Mesquita, est&#xE1; na capital paulista ap&#xF3;s temporada carioca.</p> <p> Ou&#xE7;a podcast:</p> <p> <object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" height="81" width="100%"><param name="quality" value="high"/><param name="allowScriptAccess" value="always"/><param name="movie" value="http://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F25472877&amp;secret_url=false"/><embed allowscriptaccess="always" height="81" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" quality="high" src="http://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F25472877&amp;secret_url=false" type="application/x-shockwave-flash" width="100%"/></object></p> <p> &#xA0;</p> <p> <em>Hedwig e o Cent&#xED;metro Enfurecido</em></p> <p> At&#xE9; 16 de outubro</p> <p> Sextas-feiras, &#xE0;s 21h30; s&#xE1;bados, &#xE0;s 21 horas; e domingos, &#xE0;s 18 horas.</p> <p> Teatro Nair Belo - Shopping Frei Caneca</p> <p> Rua Frei Caneca, 569, 3&#xBA; piso, Consola&#xE7;&#xE3;o - S&#xE3;o Paulo/SP</p> <p> Tel.: 0/XX/11/ 3472 2414</p> <p> R$60</p> <p> &#xA0;</p> <p> &#xA0;</p> <p> &#xA0;</p> Editora de Teatro e Dança de <strong>BRAVO!</strong>, Mariana Delfini comenta o musical <em>Hedwig e o Centímetro Enfurecido</em> 2011-10-13T17:37:49-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados 13 de outubro de 2011 Editora de Teatro e Dança de BRAVO!, Mariana Delfini comenta o musical Hedwig e o Centímetro Enfurecido Teatro e Dança BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/em-busca-do-pai Em Busca do Pai 2011-12-02T08:59:04-02:00 Valmir Santos <p> Os s&#xED;mbolos paternos, esparsos, mas muito significativos na obra do dramaturgo Samir Yazbek, ocupam o centro da arena em As Folhas do Cedro, espet&#xE1;culo em cartaz no Teatro Augusta, em S&#xE3;o Paulo. A pe&#xE7;a conta a hist&#xF3;ria de uma fam&#xED;lia de imigrantes libaneses no cora&#xE7;&#xE3;o da Amaz&#xF4;nia dos anos 70, baseando-se nas lembran&#xE7;as de uma mulher que, educada somente pela m&#xE3;e, consagra e questiona diferentes figuras paternas. Em sua reconstru&#xE7;&#xE3;o afetiva, apresenta o pai espiritual, que seriam as tradi&#xE7;&#xF5;es herdadas da ascend&#xEA;ncia libanesa; o Brasil, pai-na&#xE7;&#xE3;o metaf&#xF3;rico; e seu pr&#xF3;prio pai biol&#xF3;gico, comerciante que se embrenhou na floresta para empreitar um trecho da rodovia Transamaz&#xF4;nica, se agarrou ao ideal de progresso e se engra&#xE7;ou com uma &#xED;ndia do vilarejo.</p> <p> Combinam-se, na reconstitui&#xE7;&#xE3;o dessa identidade, a voz da narradora e de outros personagens, que surgem em espa&#xE7;os e tempos diferentes &#x2013; remetendo aos heter&#xF4;nimos do poeta Fernando Pessoa na premiada montagem de O Fingidor (1999), que projetou Yazbek. Nessa m&#xFA;ltipla paisagem, est&#xE3;o presentes um engenheiro, consciente dos obst&#xE1;culos &#xE0; rodovia que atravessaria v&#xE1;rios estados, e uma gerente de hotel vinda da Alemanha. H&#xE1; ainda a terna presen&#xE7;a de uma menina, sentada &#xE0; margem da arena, e cuja placidez no rosto e no olhar irradia a crian&#xE7;a que j&#xE1; foram um dia a filha e a m&#xE3;e.</p> <p> <strong>C&#xCD;RCULO M&#xC1;GICO</strong></p> <p> No in&#xED;cio do espet&#xE1;culo, o ch&#xE3;o &#xE9; demarcado com areia, concentrando o territ&#xF3;rio da atua&#xE7;&#xE3;o em um c&#xED;rculo &#x2013; &#xED;cone do fluxo de consci&#xEA;ncia entre o imaginado e o vivido. Os atores Helio Cicero, Daniela Duarte e Gabriela Flores dignificam seus pap&#xE9;is; com a prepara&#xE7;&#xE3;o realizada pelo pedagogo Ant&#xF4;nio Januzelli, equilibram sabiamente emo&#xE7;&#xE3;o e t&#xE9;cnica entre a atmosfera et&#xE9;rea de fundo e a dol&#xEA;ncia do primeiro plano na trindade pai/m&#xE3;e/filha. O cuidado com a representa&#xE7;&#xE3;o das etnias asi&#xE1;tica e europeia derrapa justo com a &#xFA;nica representante ind&#xED;gena: a beleza contempor&#xE2;nea urbana da atriz Mariza Virgolino soa t&#xE3;o exc&#xEA;ntrica quanto a designa&#xE7;&#xE3;o de &#x201C;Nativa&#x201D; atribu&#xED;da a ela.</p> <p> De origem libanesa, mas nascido e criado em S&#xE3;o Paulo, Yazbek se equilibra entre realidade e fic&#xE7;&#xE3;o. Reafirma suas duas d&#xE9;cadas potentes de escrita teatral e ainda se reconcilia com a fun&#xE7;&#xE3;o de diretor, conjugada de maneira turva na &#xFA;ltima experi&#xEA;ncia, A Noite do Barqueiro (2009). A s&#xED;ntese e a mansid&#xE3;o obtidas calam fundo como uma ora&#xE7;&#xE3;o.</p> <div class="descricao-autor"> <p> <strong>VALMIR SANTOS</strong> &#xE9; jornalista e pesquisador de teatro.</p> </div> Em “As Folhas do Cedro”, o dramaturgo Samir Yazbek conta a história de uma mulher educada apenas pela mãe – e, com isso, refaz a saga de uma família libanesa 2011-10-10T15:33:08-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Ediçao 169 - Setembro 2011 Em “As Folhas do Cedro”, o dramaturgo Samir Yazbek conta a história de uma mulher educada apenas pela mãe – e, com isso, refaz a saga de uma família libanesa Teatro e Dança BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/palco-na-estrada Palco na Estrada 2011-12-02T08:59:03-02:00 Patrícia Jota <p> Trago aqui, em meu peito guardado, o retrato da minha afei&#xE7;&#xE3;o. Esta chama que arde e que queima &#xE9; amor, &#xE9; ci&#xFA;me, &#xE9; paix&#xE3;o...&#x201D; Entoando essa frase, ao som de sanfona, os atores do Grupo Imbua&#xE7;a, de Sergipe, invadiram a pra&#xE7;a da Liberdade, no centro de S&#xE3;o Paulo &#x2013; com m&#xE1;scaras douradas no rosto pintado de branco e em trajes enfeitados de fitas e babados. Quem cruzava o local ou sa&#xED;a do metr&#xF4; dava de cara com a estranha cena e interrompia o passo apressado. O estudante de enfermagem Daniel Santana Moreira, 19 anos, se acomodou no fundo da multid&#xE3;o. &#x201C;&#xC9; uma oportunidade de a gente apreciar a cultura brasileira&#x201D;, reconheceu. &#x201C;Mesmo na correria, parei para assistir.&#x201D; Durante uma hora, foram interpretadas tr&#xEA;s hist&#xF3;rias que comp&#xF5;em o espet&#xE1;culo O Mundo T&#xE1; Virado..., recheado de m&#xFA;sicas e coreografias do folclore sergipano e de situa&#xE7;&#xF5;es cotidianas peculiares. Depois de S&#xE3;o Paulo, o elenco seguiu para Curitiba e Macap&#xE1; e, de abril a novembro, completar&#xE1; 70 apresenta&#xE7;&#xF5;es por todo o pa&#xED;s.</p> <p> Como o Imbua&#xE7;a, outras 15 companhias de artes c&#xEA;nicas &#x2013; incluindo teatro adulto, infantil, de bonecos, de anima&#xE7;&#xE3;o, circo e dan&#xE7;a &#x2013; est&#xE3;o com o p&#xE9; na estrada. Elas foram selecionadas pelo Servi&#xE7;o Social do Com&#xE9;rcio, o Sesc, para fazer parte do Palco Girat&#xF3;rio, um projeto realizado desde 1998 e totalmente gerido pela entidade. &#x201C;Sent&#xED;amos que faltava um di&#xE1;logo sobre o que era produzido no Brasil como um todo&#x201D;, diz Marcos Rego, coordenador nacional do Palco Girat&#xF3;rio. Todos os anos, entram novos grupos e, de l&#xE1; pra c&#xE1;, j&#xE1; aconteceram 5.474 apresenta&#xE7;&#xF5;es em 114 cidades do pa&#xED;s &#x2014; nas instala&#xE7;&#xF5;es do Sesc, em pra&#xE7;as e outros espa&#xE7;os urbanos. Ao todo, os espet&#xE1;culos foram vistos por mais de 2,5 milh&#xF5;es de espectadores. &#x201C;Escolhemos trabalhos que tenham uma linha de pesquisa autoral&#x201D;, afirma o coordenador. &#x201C;Um dos fatores que nos interessam &#xE9; a diversidade de linguagem.&#x201D;</p> <p> <strong>REDE CULTURAL</strong></p> <p> O objetivo do Palco Girat&#xF3;rio n&#xE3;o &#xE9; apenas difundir as montagens regionais pelo pa&#xED;s afora mas tamb&#xE9;m servir como um canal de interc&#xE2;mbio entre os atores e os profissionais das diferentes equipes e origens. Entre as atividades paralelas, h&#xE1; o chamado Pensamento Girat&#xF3;rio, espa&#xE7;o onde s&#xE3;o discutidos estudos com a comunidade e um profissional acad&#xEA;mico convidado; a Aldeia, uma grande mostra local de artes c&#xEA;nicas; e tamb&#xE9;m oficinas de forma&#xE7;&#xE3;o abertas ao p&#xFA;blico. &#x201C;&#xC9; o maior projeto de circula&#xE7;&#xE3;o do teatro, provavelmente da Am&#xE9;rica Latina, que eu conhe&#xE7;o&#x201D;, afirmou Lindolfo Amaral, do elenco do Imbua&#xE7;a &#x2013; que, ao participar do Palco Girat&#xF3;rio, ajudou a levar cultura para mais gente.</p> Dezesseis companhias de diferentes estados estão percorrendo o país num circuito que já levou a arte teatral a 2,5 milhões de pessoas. 2011-10-10T15:29:10-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Edição 169 - Setembro 2011 Dezesseis companhias de diferentes estados estão percorrendo o país num circuito que já levou a arte teatral a 2,5 milhões de pessoas. Teatro e Dança BRAVO! BRAVO! http://bravonline.abril.com/materia/cinema-no-teatro Cinema no teatro 2011-12-02T08:58:49-02:00 Por Redação <p> Quatro anos depois de <em>Les &#xC9;ph&#xE9;m&#xE8;res</em>, espet&#xE1;culo que levou mais de 6 mil pessoas ao Sesc Belenzinho, em S&#xE3;o Paulo, a trupe francesa<em> Th&#xE9;&#xE2;tre du Soleil </em>apresenta no mesmo endere&#xE7;o sua mais recente pe&#xE7;a, <em>Os N&#xE1;ufragos da Louca Esperan&#xE7;a</em>. Em cena, o grupo &#x2013; um dos mais importantes do mundo e dirigido por Ariane Mnouchkine - mostra as grava&#xE7;&#xF5;es de um filme mudo no in&#xED;cio do s&#xE9;culo 20. Veja abaixo algumas imagens do espet&#xE1;culo.</p> Grupo <em>Théâtre du Soleil</em> apresenta seu mais novo espetáculo no Brasil 2011-10-05T16:51:48-03:00 Copyright Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados Outubro de 2011 Grupo Théâtre du Soleil apresenta seu mais novo espetáculo no Brasil Teatro e Dança BRAVO! BRAVO!