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A Semana da Arte Moderna é notícia há 90 anos. Em 2012 não tem sido diferente. Além da atenção da imprensa, chovem lançamentos literários para marcar o quase século do acontecimento cultural ocorrido em 13, 15 e 17, de fevereiro, de 1922, no Theatro Municipal de São Paulo. Entre obras de tom acadêmico e outras mais descompromissadas, “1922 – A Semana que não terminou”, (Cia das Letras, 376 páginas) ocupa a linha do factual e jornalístico, com uma generosa dose de relato histórico. O autor é Marcos Augusto Gonçalves, editorialista e repórter da Folha de SP.

E, se um dos artifícios de um bom jornalista é saber como contar uma história, nesse caso, uma quejá se está cansado de ouvir falar, Marcos optou por trabalhar comas próprias ferramentas profissionais. Manchetes, colunas, e trechos de reportagens publicadas nos jornais da época amarram o enredo de uma obra que fala mais do mesmo, embora pincelado de apontamentos realistas que desmitificam algumas fantasias consagradas como verdades. Como a ideia de que a produção cultural pré-Semana seria qualquer coisa de “passadista” e retrógrada, e de que a arte moderna no Brasil tenha sido inaugurada com o evento.

O compromisso com a verdade, slogan de profissão, é reforçado por apresentações imparciais como as que se relacionam com o patrocínio (bancado pela elite cafeeira) e a escolha do elenco de artistas participantes, que em alguns aspectos eram estilisticamente contraditórios, à exemplo do pianista Guiomar Novaes, em nada modernista.

Longe de sentir embutido da função de denunciar fatos, “1922 – A Semana que não terminou” assume, conforme a progressão da leitura, caráter informativo, prontificado a oferecer um olhar de coxia. Essa configuração de retomada do passado sob novo olhar é introduzida já no título da obra: “É uma paródia, uma espécie de blague quase oswaldiana a partir dos títulos de dois brilhantes best-sellers escritos pelos jornalistas Zuenir Ventura e Laurentino Gomes. Espero que me perdoem”, confessa e encerra Marcos Augusto.

 

Tags: semana de arte moderna., 1922,

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