Música
9 Motivos para Ouvir (e não apenas ver) Gaby Amarantos
A intérprete voluptuosa e ousada posa na Floresta Amazônica. Comparada a Beyoncé e Lady Gaga, ela promove e atualiza ritmos populares com seu vozeirão
Chega neste mês às lojas físicas e virtuais o álbum Treme, primeiro (e aguardado) trabalho solo de Gaby Amarantos. A cantora paraense, que se destacou à frente do grupo Tecno Show, conta com a simpatia dos meios de comunicação – ainda que o foco das reportagens esteja em geral menos na música do que no figurino exótico e nas comparações um tanto forçadas com Lady Gaga e Beyoncé. Mas o som de Gaby, uma artista popular que vem seduzindo cada vez mais a elite, não merece ficar em segundo plano. A seguir, nove motivos para apreciá-lo.
1 - Gaby está apresentando para o resto do país o tecnobrega, manifestação eletrônica genuinamente amazônica. O estilo irreverente e dançante ganhou ramificações como o tecnomelody e o eletromelody e já desperta a atenção de DJs internacionais.
2 - Ela é a ponta-de-lança da cena pop de Belém, a mais interessante do Brasil hoje. Se virar mesmo um ícone nacional, Gaby deve abrir portas para outros nomes da capital paraense, como Felipe Cordeiro, parceiro na roqueira Ela Tá no Ar.
3 - A cantora vai além do ritmo que a projetou. Treme inclui o brega clássico Ex Mai Love, escolhido para a abertura da próxima novela das 7 da Globo, e a cúmbia Coração Está em Pedaços, originalmente uma balada de Zezé di Camargo.
4 - A direção artística de Treme é de Carlos Eduardo Miranda, a principal antena do pop brasileiro. Ele contou com a colaboração de Félix Robatto, músico-chave para o resgate da guitarrada (uma lambada instrumental), e do DJ de tecnobrega Waldo Squash.
5 - Já uma grande intérprete, Gaby está em plena evolução. Inezita Barroso e Maria Alcina, por exemplo, se derreteram em elogios. Na gravação do álbum solo, a produtora Cyz Zamorano foi fundamental para tirar o melhor do vozeirão de Gaby.
6 - Ela joga luz em compositores talentosos, mas pouco conhecidos fora dos domínios paraenses. É o caso de Alípio Martins (1944-1997), de quem Gaby gravou Vem Me Amar. Martins ajudou a popularizar o carimbó e a lambada nos anos 70.
7 - A artista canta versos provocadores, como “eu vou samplear, eu vou te roubar”. A passagem está na bem-humorada Xirley, que brinca com o conceito de samplear, utilizar um trecho de uma música, com autorização ou não, para criar outra.
8 - Fernanda Takai participa da faixa Pimenta com Sal. A cantora do Pato Fu, também de origem amazônica, estrela um belíssimo dueto com Gaby nessa canção escrita pelo poeta roraimense Eliakin Rufino.
9 - A intérprete tem a bênção de cantoras paraenses veteranas. Fafá de Belém é uma das maiores incentivadoras de Gaby e Dona Onete, a criadora do carimbó chamegado, dá canja em Mestiça, de sua própria autoria, a faixa mais folclórica de Treme.
Nenhum comentário