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O compositor alemão Ludwig van Beethoven. Ele espalhou que era filho natural de um imperador

Poucas experiências são mais apaixonantes, profundas, provocadoras e divertidas do que parar para ouvir uma sinfonia. Ou um quarteto. Ou um concerto para instrumento solista. Existem várias maneiras de definir a música clássica, ou erudita, ou de concerto. Na era do iPod, no entanto, a mais apropriada parece ser: é aquele tipo de música que você tem de parar para escutar. No escuro de uma sala de concerto ou no silêncio da sala de visitas, diante do aparelho de som ou plugado no iPod. Nesses momentos, o apreciador de música se abstrai por alguns momentos para que seus ouvidos busquem detalhes — da mesma forma que os olhos, na pintura, procuram minúcias numa tela. O que gênios como Bach, Mozart, Beethoven e Brahms propõem ao ouvinte é uma verdadeira aventura pelo mundo do som.

Os volumes da série Grandes Compositores da Música Clássica, criada pela Abril Coleções com o apoio de BRAVO!, têm como principal objetivo tornar essa aventura ainda mais emocionante. A partir do próximo dia 22, livros-CD com o melhor desses criadores chegarão semanalmente às bancas de São Paulo e do Rio de Janeiro (numa segunda fase, os volumes atingirão os demais estados brasileiros). Cada exemplar se compõe de um CD dedicado a um músico, um livreto biográfico e — a grande inovação da coleção — um guia do ouvinte cronometrado. Nesse guia, a música, arte do tempo por excelência, é dissecada em minutos e segundos. Acompanhando o relógio do toca-discos, o ouvinte saberá exatamente quando entra cada tema, onde há um solo de oboé, trompa ou violoncelo que merece atenção, ou onde há a citação de uma música conhecida (como A Marselhesa, hino francês, na Abertura 1812, de Tchaikovsky). "Buscávamos algo diferente de tudo que já foi lançado até então. A ideia é atingir não apenas o público que já frequenta a Sala São Paulo. Queremos ir além dele", explica o editor da coleção, Gerson Sintoni.

O primeiro exemplar de Grandes Compositores da Música Clássica, dedicado a Beethoven, circula com a edição de junho de BRAVO! no Rio de Janeiro e em São Paulo — os assinantes da revista nesses dois estados receberão o CD em casa. Um curso promovido por BRAVO! em parceria com a Casa do Saber do Rio de Janeiro terá como tema música erudita e contará com uma palestra especial ministrada pelo maestro Roberto Minczuk no dia 1º de junho. A convite de BRAVO! e da Editora Abril, o atual regente da Orquestra Sinfônica Brasileira foi o responsável por escolher o melhor e o mais significativo da obra de 37 grandes compositores, com base no catálogo da prestigiosa gravadora norte-americana Naxos.

Em cada CD foram condensados exemplos ilustrativos da produção dos compositores. A Beethoven, Bach e Mozart são dedicados dois exemplares, totalizando os 40 volumes da coleção. Nesses casos, constatou-se que um disco apenas não bastava. "Eu considero esses três os maiores gênios de todos os tempos. Bach, por exemplo, causa espanto. Como ele foi capaz de produzir uma obra ao mesmo tempo gigantesca e absolutamente perfeita? Você pode imaginar alguém que falasse e nunca dissesse uma palavra mal colocada? Ele fazia o equivalente a isso, compunha música com a mesma facilidade com que eu e você falamos português", diz Roberto Minczuk.

Outra inovação de Grandes Compositores da Música Clássica está no texto biográfico que acompanha os CDs. É comum na música erudita uma "literatura de endeusamento" dos grandes compositores, que começou no romantismo musical do século 19 e até hoje costuma contaminar as coleções sobre música clássica no mundo inteiro. Na coleção de BRAVO!, esse tom grandiloquente dá lugar a textos mais objetivos. Para elaborar as biografias, o jornalista João Marcos Coelho consultou a pesquisa acadêmica de ponta sobre os músicos.

Os livros-CD dedicados a Beethoven, por exemplo, revelam que o compositor chegou a espalhar que era filho bastardo do imperador de Frederico, o Grande, imperador da Prússia, para manter o indicativo de nobreza "van" em seu nome. A informação é relevante porque Beethoven tinha toda uma questão com reis, rainhas e assemelhados — chegou a rasgar a dedicatória a Napoleão na Terceira Sinfonia, "Eroica", quando seu então ídolo se tornou imperador da França. Pesquisas recentes sobre Mozart contestam a versão de que o músico austríaco teria morrido pobre e sem reconhecimento; na verdade, ele ganhava bem, mas gastava mais ainda. "O fato de Mozart ter sido enterrado em uma vala comum não sinalizava pobreza nem indigência. Era apenas a medida de higiene pública que se tomava na época. Essas informações enfraquecem a imagem de artista incompreendido que enfrenta dificuldades e reforça a do boê­mio, bon-vivant. Isso, contudo, não diminui em absolutamente nada sua genialidade, a grandeza excepcional de sua obra", diz João Marcos.

O maestro Roberto Minczuk resume o espírito da coleção: "Queremos mostrar aos leitores e ouvintes as razões que fazem da música clássica eterna e atemporal. O que faz a riqueza das composições, dos andamentos, dos recursos. Não temos a pretensão de ensinar a gostar. Porque sensibilidade não se ensina. E a emoção ao ouvir uma obra não depende de nenhum conhecimento anterior. Apenas queremos dar elementos para que se possa apreciar ainda mais". Com a próxima edição de BRAVO!, os leitores e assinantes poderão degustar a Sonata Quase uma Fantasia, também conhecida como Sonata ao Luar, de Beethoven, a Quinta Sinfonia e o Concerto no 5 "Imperador". As três peças funcionam como portal de um mundo apaixonante, profundo, provocador e divertido — para o qual os livros-CD de BRAVO! e da Abril Coleções pretendem ser a um só tempo passagem, passaporte e mapa detalhado.

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