Revista

A A A

Às 19 horas em ponto, os cerca de 200 lugares do Cine Teatro Coronel Raymundo, no centro histórico de Santana de Parnaíba, na região metropolitana de São Paulo, estavam tomados. Mulheres de saia e cabelo enfeitado, homens de camisa aprumada, meninos perfumados. Todos a postos, de olho na tela montada no palco de cortina azul retrô. Naquele sábado, 16 de julho, a pequena cidade às margens do rio Tietê abrigava um programa diferente: a exibição de três curtas-metragens produzidos por 22 jovens da região: Uma Vida, Um Pijama, Essa Terra É Nossa e Céu à Vista.

Assim foi o encerramento da 68ª Oficina Itinerante, promovida pelo Cine Tela Brasil, um projeto de educação em audiovisual gratuito que começou em 2007, idealizado pelos cineastas Laís Bodanzky e Luiz Bolognesi, da produtora Buriti Filmes. Nesses quatro anos de atuação, eles já formaram 1.496 alunos em diferentes pontos do país, como o Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, Niquelândia, em Goiás, e Mucuri, na Bahia. Em Santana de Parnaíba, a iniciativa funcionou assim: durante duas semanas, o diretor Eduardo Abad, da produtora Corte Seco Filmes, e um dos profissionais que participam da coordenação pedagógica das oficinas, ensinou a turma a elaborar um roteiro, produzir, dirigir, gravar as cenas e montar um filme. “Há 15 dias, os jovens não tinham noção de onde poderiam chegar”, diz Abad. Agatha de Castro Reis, 20 anos, agora sabe: “Depois desse curso, quero fazer cinema.” Já Claudio Souza, 16 anos, protagonista de Essa Terra É Nossa, saiu das aulas com o sonho de se tornar ator.

Telão ambulante

O projeto só chega às cidades da periferia do país que não possuem cinema. Além das oficinas com os jovens da comunidade local, esses municípios ganham uma tenda que reproduz fielmente uma sala das mais modernas, com 225 cadeiras, ar-condicionado, tela de 21 m2, projeção de 35 mm e som digital. Longas-metragens nacionais são exibidos gratuitamente durante três dias, em quatro sessões diárias. O programa já passou por 362 cidades, como Parnarama, no Maranhão, e Carlos Chagas, em Minas Gerais, e até agora atendeu a um público de 840.550 pessoas, e muitas delas nunca tinham assistido a uma produção em tela grande antes.

O Cine Tela Brasil é uma versão mais incrementada do chamado Cine Mambembe, que começou em 1996, com Laís Bodanzky e Luiz Bolognesi levando uma tela e um projetor na caçamba da própria picape: “Queríamos que o Brasil visse os curtas brasileiros. Emprestamos algumas cópias de filmes que gostávamos e saímos pelas praças e escolas projetando os curtas e fazendo debates”, diz Laís. Hoje, a história cresceu tanto que, inscrita na Lei Roaunet, conta inclusive com grandes patrocinadores: Companhia de Concessões Rodoviárias (CCR), Fundação Telefonica, Fundação ArcelorMittal Brasil, Suzano, Cinemark e Comgás.

Tags: Prêmio, Premio, Bravo,

Comente

Nenhum comentário