Cinema
Para ver música
Uma frente significativa e numerosa na produção cinematográfica nacional hoje e que está presente na mostra do Segundo Festival de Cinema de Paraty é a exibição de documentários musicais. Estão ainda reservados para essa edição títulos como O Milagre de Santa Luzia, Simonal - Ninguém Sabe o Duro que Dei e Herbert de Perto.
Nesse sábado foi exibido A Casa do Tom - Mundo, Monde, Mondo. O filme, dirigido por Ana Jobim, última mulher do músico, é uma montagem sobre as imagens que Ana documentou a partir de 1987. O caráter pessoal da narrativa e até da seleção das fotografias e vídeos conferem certa irregularidade ao documentário, que circula em torno de temas como a família, a natureza e, claro, a música do maestro soberano. A fragilidade da opção do roteiro ter como fio condutor o poema "Chapadão", que Tom Jobim levou oito anos para escrever - e que não chega a dar liga para a trama - acaba se resolvendo na narração pessoal de Ana, que permeia o vídeo-álbum de família. E não impede ainda que o filme ganhe uma força emotiva preciosa quando, mais para a metade do filme, imagens como a de Tom e Maria Luisa - aquela do Samba de Maria Luiza, gravado em seu último CD - ou de duetos com Dorival Caymmi surjam na tela. E fazem com que valha a pena ver mais esse relato sobre um dos músicos mais importantes da música brasileira.
Veja um trecho de A Casa do Tom:
O Milagre de Santa Luzia, que será exibido neste domingo, às 18h, no Cine Tela Brasil, na Praça da Matriz, se define como uma viagem pelo Brasil que Toca Sanfona. Dominguinhos, Renato Borghetti e sanfoneiros fundamentais para a história do instrumento, já falecidos, como Sivuca e Mário Zan, prometem narrativas comoventes para esse documentário que mostra os diferentes lugares, personagens e formas de tocar esse instrumento. Outra importante figura que dá seu depoimento no filme de Sérgio Roizenblit é o poeta cordelista Patativa do Assaré.
Um dos trechos em que o cordelista aparece pode ser conferido abaixo:
No mesmo horário, 18h, no Cine Teatro Paraty, do outro lado da Praça da Matriz, será exibido Herbert de Perto, de Roberto Berliner e Pedro Bronz. A vida do líder da banda nascida nos anos 80, Os Paralamas do Sucesso, será contada desde o início passando pelo acidente que matou sua mulher e o deixou paraplégico. O filme promete contar uma história de superação e, como pano de fundo, uma história do pop-rock brasileiro dos anos 80.
Assista ao trailer oficial:
Dentre todos os documentário musicais exibidos, um que merece ser visto sem dúvida nenhuma - e que fez sucesso nas salas de exibição de todo o país no primeiro semestre desse ano - é Simonal - Ninguém Sabe o Duro que Dei. O Filme de Cláudio Manoel, Micael Langer e Calvito Leal não é apenas a história da ascensão e queda de Wilson Simonal (1939-2000), o cantor negro que chegou a ser mais popular que Roberto Carlos - e que virou tabu entre a geração engajada da década de 70 por um envolvimento nunca provado de fato com a ditadura militar. Esse documentário é um belo perfil de um grande cantor e um talvez um dos maiores showmen brasileiros. Mas é sobretudo a história das relações políticas de um país em plena ditadura militar e de como era arriscado, sendo um artista com a projeção de Simonal, não se posicionar politicamente num espectro tão bipolarizado entre esquerda e direita. A não escolha, naquele contexto - e Simonal foi prova disso - acabou virando ela também uma opção política. Que podia ser - e foi - fatal para uma carreira tão brilhante como a do artista.
Assista ao trailer do documentário:
E para você, qual dos filmes acima é o melhor documentário musical exibido na Mostra do Festival? Qual você gostaria de ter visto? Dê sua opinião
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