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Dolores Duran na década de 1950. Cantora foi uma das atrações no Beco

O lugar, um corredor aberto entre dois prédios na rua Duvivier, em Copacabana, a poucos metros da famosa praia carioca, é mais simpático do que se costuma imaginar. Na época em que o Beco das Garrafas construía sua mitologia, quatro minúsculas boates dividiam o tal corredor. Três delas — Little Club, Bottle's e Baccarat — se dedicavam à música ao vivo, prática comum no fim dos anos 50 e início dos 60. A quarta oferecia moças a uma clientela bem diferente e foi esquecida pela história.

Numa das boates, o Little Club, Dolores Duran cantou até morrer, em 1959, diante do olhar apaixonado e platônico de um garçom. O garçom era Alberico Campana, que, com o irmão Giovanni, arrendou duas das casas e viu o lugar transformar-se primeiro em sinônimo de música instrumental, com feras como Sergio Mendes, Luis Carlos Vinhas, Luiz Eça, Paulo Moura, Raul de Souza, Edson Machado, Ed Maciel, J. T. Meirelles, Dom Salvador e Dom Um Romão. Depois, em berço do pocket show à brasileira, inventado pela dupla Miele & Bôscoli, e de cantores como Jorge Ben, Elis Regina, Nara Leão e Leny Andrade.

Já em meados da década de 1960, o Beco começou a decair. Os músicos foram tocar nos EUA e até passaram a receber cachê, coisa que não fazia parte do hábito local. Os cantores explodiram em programas de televisão ou palcos bem maiores do que os tablados de dois por dois metros onde se espremiam entre músicos e dançarinos. Até os produtores Ronaldo Bôscoli e Luís Carlos Miele foram ganhar dinheiro em outra freguesia, cansados da falta de grana e do excesso de precariedade. Miele lembra que, no Beco, a mesa de luz era uma velha caixa de sapato "com quatro ou cinco interruptores" e os canhões de luz eram lanternas, "daquelas com três pilhas". Para conseguir ver sentados o show que dirigiam, ele e Bôscoli usavam um estratagema. Ligavam para a boate e reservavam mesa, se passando por jornalistas famosos da época, como Ibrahim Sued e Nina Chavs. Ocupavam o lugar, com as respectivas namoradas, enquanto o figurão não chegava. E ele não chegava nunca.

Agora, depois de longo período às moscas, o Beco começa a renascer, com Miele outra vez à frente, como diretor artístico. Três empresários — Fernando Motta, Carlos Henrique Pollo e Sergio Martino — compraram o espaço. O arquiteto e compositor Carlos Pingarrilho, autor de Astronauta, entre outras músicas, cuida da obra. Ele uniu duas das três boates e criou um espaço para 110 pessoas. No terceiro, com capacidade para 40 passageiros sentados, vai funcionar um misto de museu e local para jam sessions. A data da reinauguração é incerta. Provavelmente, no início do ano que vem, desde que se arranje um patrocinador. Mas o público em vista é muito bem definido, japoneses, europeus e norte-americanos, aquela gente que ainda cultua a bossa nova e assemelhados e estranha enormemente que no Rio de Janeiro, onde esse tipo de música nasceu, não haja um único lugar dedicado a ele.

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1 comentário(s)

  1. Grande e fantástico BECO DAS GARRAFAS,ou das Garrafadas no dizer do saudoso Sergio Porto(Stanislaw Ponte Preta).Eu nasci no Rio,década de 40,e tinha uma tia que morava em Copacabana,eu e os meus pais passávamos as férias na Cidade Maravilhosa,e eu ia em direção ao local do Beco(Rua Duvivier),e de longe ouvia o fantástico e envolvente som que vinha da bateria do fabuloso e ícone da bateria brasileira e mundial,chamado Dom Um Romão.A minha amada e saudosa mãe,o conheceu qdo ele tocava no Orfeão Português na Lapa,isto na década de 40.Eu o conheci pessoalmente e estive com ele,3 vezes qdo veio ao Brasil.Na realidade,Dom Um,após o fantástico e estonteante show no Teatro Paramount em SP,no Show Denti samba,ele com o Copa trio e a cantora Elis Regina,puseram abaixo o teatro com a música que era tocada,e o pessoal na plateia não conseguia respirar de tanta emoção.Dom Um naquela noite se superou,idem qto a Dom Salvador e Gusmão,tdo isto em 64.Em 65,ele gravou o seu disco solo,intitulado DOM UM,e embarcou definitivamente para os States,na época estava casado com a cantora Flora Purim.Nos States,gravou com Tom e Sinatra,e foi convidado por Sergio Mendes,para integrar o seu Brasil 66,que deu a volta ao Mundo por 3 vêzes,divulgando a batida brasileira e o nosso estupendo som.O meu ídolo na Batera é o seu nome,sendo referência na bateria brasileira.DOM UM é o figurino pelo qual se cortam e se cortaram todos os bateristas da nova e da velha geração.Hoje,ele toca para Deus,faleceu no Brasil,envolvido com um projeto musical,foi sepultado em Mesquita.Sou músico tb,embora esteja exercendo na Administração Pública,uma carreira de Estado.Toquei bateria por 16 anos,e a minha referência desde que eu o vi e ouvi,era seguramente o seu nome.Na realidade nos dias atuais,não há um baterista que não tenha um toque do Dom UM,nos pratos,prato de pé,bumbo, e sobretudo naquele contraritmo com a baqueta esquerda cruzada sobre a caixa.O nome de Dom Um Romão,ficou na história da Bateria brasileira e mundial.Obrigado e que saudades daqueles tempos memoráveis.