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Cena da ópera Cendrillon

No intervalo da ópera duas senhoras conversam: “Você viu? Eu achei isso tudo muito estranho. O príncipe é uma mulher!”. E a outra: “Ah, mas as vozes são bonitas, você não achou?”. “Eu achei, mas o príncipe é uma mulher!”, retrucou inconformada.

A ópera era Cendrillon – para nós, Cinderela –, de Jules Massenet (1842-1912) e, para a surpresa das senhoras na plateia, a Royal Opera House tratou de fazer uma montagem que seguisse as recomendações do original, com libreto de Henri Cain: nesta ópera cômica, o Prince charmant deveria ser interpretado por uma soprano com sentimento. E a mezzo, Alice Coote, destacou-se tanto pela belíssima voz, quanto pela virilidade que demonstrou no papel.

A exibição de espetáculos das maiores casas de ópera do mundo – como o Metropolitan Opera House, de Nova York, ou a Royal Opera inglesa, em questão – já não é novidade em muitas salas de cinema brasileiras. E a iniciativa tem méritos: o som e a imagem são excelentes. Além disso, as telonas ajudam a socorrer os amantes de ópera em tempos de vacas magras nas temporadas dos teatros, contribuem para a formação de público e, quiçá, para a ampliação do repertório dos ouvintes – Cendrillon, por exemplo, não é muito encenada.

Não se pode, contudo, ir à ópera em um cinema e esperar a mesma intensidade da experiência ao vivo. E isso não significa que a tela propicie uma experiência menor. Ela só é completamente diferente. E embora olhar bem de perto as feições do príncipe que é uma “moça” cause estranheza (ou desapontamento, no caso da senhora), pode-se acompanhar toda a história com legendas em português. Também se notam detalhes do cenário inteligentíssimo de Barbara de Limburg, que reproduz as páginas do conto de fadas. E ainda vemos os músicos da orquestra regida por Bertrand de Billy e a magnífica expressividade da contralto polonesa Ewa Podlés, intérprete da madrasta, que rouba a cena em vários momentos.

Vale experimentar!

SERVIÇO | ROYAL OPERA HOUSE NOS CINEMAS

Cendrillon, 19 de abril

Rigoletto, 17 de abril (ao vivo)

Così Fan Tutte, 19 de abril e 3 de maio

Il Trittico, 26, 27 e 29 de maio

Macbeth, 26, 27 e 29 de maio

Ingressos: R$ 60

Mais informações sobre os horários e cinemas participantes aqui.

 

Tags: ópera, cinema, cendrillon,

1 comentário(s) de 1

  1. Olha, eu era resistente a assistir ópera no cinema. Mas você me convenceu! Vou dar uma chance! =)

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