Revista

A A A

Os mistérios que envolvem o beijo, ao longo da história do homem, não se restringem apenas aos segredos de alcova ou às manifestações públicas desse gesto de afeto e amor. O beijo, na verdade, foi tema de manifestações artísticas e literárias das mais variadas naturezas. E pelo menos duas imagens clássicas sobreviveram aos tempos como símbolo de romantismo, liberdade e expressão.

A mais antiga delas é do fotógrafo alemão Alfred Eisenstaedt que imigrou para os Estados Unidos e durante décadas fotografou para a revista Life. Foi em 14 de agosto de 1945, o dia da Vitória, que Eisenstaedt capturou a essa imagem do beijo, durante as comemorações do fim da Segunda Guerra Mundial em plena Times Square, em Nova York, o local mais célebre das comemorações da vitória dos aliados. A imagem circulou mundo afora como um símbolo de liberdade, de romantismo e de um novo tempo que viria com a paz. E, entre as versões que explicavam a cena, dizia-se que o casal apaixonado sequer se conhecia na ocasião do beijo. A identidade do casal da cena permaneceu. Em 1980, a revista Life divulgou que, até aquela data, onze homens já tinham se apresentado à revista alegando serem o marinheiro da foto. Quanto à enfermeira, foram três. Uma delas, Edith Shain, professora de crianças, convenceu o próprio Eisenstaedt, que foi à Califónia fotografá-la para a Life.o-beijo620

A foto Le baiser de l’hôtel de ville (O beijo em hotel de ville), de Robert Doisneau, igualmente perpetuada como um símbolo universal romântico, foi tirada em Paris, em 1950. Doisneau se recusou a revelar a identidade do casal, até que em 1993, a Françoise Bornet, processou-o em 18 mil dólares pelo uso de imagem não autorizada. Para se defender, Doisneau admitiu que, na verdade, a cena foi armada, com a ajuda de um casal de namorados que, na hora, estava circulando pelo local. A foto original foi vendida em leilão, em 1994, por 242 mil dólares.

A versão mais recente do beijo romântico foi perpetuada em 2011 durante um choque da Polícia com torcedores de dois times de hóquei do Canadá. Depois de por fogo em dois carros, os torcedores foram reprimidos pela polícia, e recuaram. “Quando parei de correr, percebi duas pessoas deitadas no espaço vazio atrás da linha de policiais. Fiz a foto, mas somente na hora da edição é que não eram pessoas feridas, mas, sim, se beijando”, contou o autor da foto Rich Lam.

 

Nenhum comentário