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Foto Pedro Loes

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Dois anos após seu primeiro disco, Efêmera, Tulipa Ruiz lança Tudo Tanto

 

“Pode ser ou é”, diz o primeiro verso de Tudo Tanto, segundo álbum da cantora santista criada em São Lourenço (MG), que foi a grande revelação de 2010. Dois anos após sua estreia com Efêmera, Tulipa Ruiz retorna para demonstrar se “pode ser ou é” tudo o que anunciava. Atenta a essa responsabilidade de ser a maior promessa da MPB dos últimos tempos, ela escreveu várias letras sobre expectativa – uma delas foi até batizada com a palavra. Nem precisava ter queimado as pestanas com o tema. Pelas referências sonoras, pela excelência vocal, pelo humor tão necessário nesses tempos sombrios e por estar cercada de músicos extremamente talentosos, Tulipa não deixa dúvidas de que é.

Há duas referências muito claras nesse novo trabalho. Uma é Yoko Ono, obsessão de Tulipa que não pintou tão forte em seu primeiro CD. Em Tudo Tanto são necessários apenas quatro segundos para perceber a influência da artista japonesa. Tulipa dá o primeiro grito de É e Yoko baixa de vez. Os berros voltam mais intensos em Like This, parceria com o saxofonista turco Ilhan Ersahin, do coletivo Wax Poetic. Mas Tudo Tanto não é um trabalho experimental. Claro que Tulipa foge de certos lugares-comuns e é mil vezes mais corajosa do que suas colegas de geração. Mas sua veia pop pulsa sem culpa. A prova disso é que a outra presença marcante no álbum é a do maior esteta do pop rock brasileiro. Lulu Santos apareceu num show da cantora e seguiu para o camarim como qualquer fã (comprou até camiseta na banquinha de merchandising). Tulipa não perdeu tempo e, dias depois, solicitou a voz do ídolo em Dois Cafés. Ele não só aceitou o convite como levou a guitarra para a gravação, fazendo desse o grande momento do álbum (e talvez do ano). Na letra, a cantora radiografa a vida moderna e sugere uma “volta para o mato”.

Apesar de verbalizar alguns dilemas, na maioria das composições – várias divididas com o irmão, guitarrista e produtor do álbum, Gustavo Ruiz – Tulipa parece feliz e satisfeita com o que tem. Na comparação com Êfemera, Tudo Tanto é menos lamentoso. Não é segredo que na vida particular ela vive um relacionamento tranquilo com o cantor e compositor Rafael Castro. Essa harmonia pode ser notada em canções como Desinibida (executada com uma suavidade à The Cardigans por uma turma carioca liderada por Kassin) e Script (que traz o namorado na guitarra). Outro nome de destaque no disco é o de Juliana Perdigão, a responsável pelos sopros na banda mineira Graveola e o Lixo Polifônico. Juliana povoa diversas faixas de Tudo Tanto, brilhando especialmente com seu clarone na bela OK.

Para não dizer que o disco é perfeito, o blues Víbora e os “ai, ai, ais” de Cada Voz podem ser meio malas. Mas, como as faixas fecham o álbum, não pesam nada na fluência. Dá para parar a execução antes da chegada delas. Só com as nove primeiras de Tudo Tanto Tulipa já afirma que veio fazer diferença na música brasileira. E afirma gritando.

José Flávio Júnioré jornalista.

Tags: Tulipa Ruiz, Tudo Tanto, José Flávio Jr, Lulu Santos, Kassin, crítica, Juliana Perdigão, Jacques Mathias,

5 comentário(s) de 5

  1. ta massa o som da mina =)

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  2. a música Víbora meio mala? se não fosse por Víbora o CD cairia no meu conceito, muito mesmo.

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  3. pô, Víbora é o grande lance!

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  4. "Víbora" é a melhor faixa do CD!

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  5. Concordo com tudo o que foi dito do álbum, mas dizer dizer que "Víbora" é um ponto baixo foi forte! O álbum tá redondo, tudo está em seu lugar, e é justamente em "Víbora" que temos o ponto alto do trabalho! Instrumental excelente, vocal impecável, interpretação visceral... Enfim, excelente! Jamais aconselharia "parar a execução" antes das duas últimas faixas, que são ótimas como todo o álbum. Principalmente "Víbora", a melhor das 11 faixas!

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