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Os filhos de Dona Lindu saindo do Nordeste. Filme se aproxima de outro equívoco cinematográfico - Che (2008), de Steven Soderbergh

O filme Lula, O Filho do Brasil, com estreia prevista para o primeiro dia do ano das eleições presidenciais, é uma oportunidade perdida. A família Barreto - Luiz Carlos, produtor, e Fábio, diretor - tinha nas mãos uma das sagas mais intrigantes da história política brasileira. E podia se basear, como se baseou, num bom livro, a biografia de Lula escrita por Denise Paraná. Apesar da simpatia que a autora nutre pelo personagem - e que costuma minar a isenção de reportagens como a que ela se propôs a fazer -, a obra tem momentos reveladores sobre Lula. Nela, fica claro o pragmatismo que é um dos traços distintivos do político pernambucano. Pragmatismo que - como apontou recentemente a revista britânica The Economist em reportagem especial sobre o Brasil -, fez com que o presidente eleito mantivesse o programa econômico de seu antecessor, que anteriormente criticava, para evitar uma crise. A publicação reconhece em Lula um mérito principal: a coragem de se colocar contra o próprio partido - e, pelo bem do país, domá-lo.

Com sua habilidade e contradições, Lula é antes de tudo um político. E este lado fundamental de sua personalidade - que é também o de maior interesse para os brasileiros que são governados por ele - é ignorado no filme da família Barreto. A história começa no semi-árido pernambucano com o nascimento do menino Luiz Inácio da Silva, um dos filhos de Dona Lindu (Glória Pires), e acompanha a trajetória da família até sua chegada a São Bernardo do Campo, onde Lula torna-se o principal líder sindical do Brasil. E termina com a morte de Dona Lindu em 1980, ano da fundação do PT. Entre o nascimento do futuro presidente e a morte da mãe, Lula cresce, torna-se torneiro mecânico, conhece sua primeira mulher, Lurdes (Cléo Pires), que morre de parto, entra no sindicado dos metalúrgicos do ABC, conhece sua segunda e atual mulher, a também viúva Marisa Letícia (Juliana Baroni), opõe-se à ditadura e acaba preso no Departamento de Ordem Política e Social, o Dops, de onde sai apenas para acompanhar o enterro da mãe.

O filme tem certa semelhança com outro equívoco cinematográfico, Che (2008), de Steven Soderbergh. O diretor americano jogou fora todo um período da vida do revolucionário cubano: aquele em que ele participou da política, comandando os expurgos da ditadura de Fidel Castro, e que é essencial para entender a mente e o coração de Che. Pode-se dizer que em Lula, O Filho do Brasil, os Barreto param a história antes que o mais importante comece. Ou seja, narram a vida de um político antes de ele entrar para a política formal. Os produtores fazem questão de ressaltar que sua obra não se beneficiou de renúncia fiscal. Lula, O Filho do Brasil contou com o financiamento de grandes empresas, o que costuma se chamar de "dinheiro bom". OK, o dinheiro pode ser bom. Mas o filme está longe disso.

O FILMELula, O Filho do Brasil. De Fábio Barreto. Com Rui Ricardo Dias e Glória Pires. Estreia prevista para janeiro.

Tags: Lula, O Filho do Brasil - Crítica,

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1 comentário(s)

  1. esse filme foi muito bem proposta para os jovens de hoje ver a realidade da vidas passadas.