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Ferreira Gullar leva o prêmio Moacyr Scliar de Literatura
Com quantos prêmios se faz um escritor célebre? Talvez a pessoa mais indicada, no momento, para ilustrar a questão, seja o escritor maranhense Ferreira Gullar. Aos 81, o poeta recebe prêmios atrás de prêmios, desde os 30 e poucos anos de idade. Em entrevista ao Estado de SP à época do Jabuti 2011, Gullar disse, contrariando as expectativas, que este reconhecimento não é um incentivo para continuar a profissão: "O sentido da vida é outro. Quando a gente recebe um prêmio é, na verdade, o outro quem está dizendo que vale a pena continuar".
O último título no Prêmio Moacyr Scliar de Literatura rendeu-lhe, monetariamente falando, R$ 150 mil e a editora R$ 30 mil, graças a obra “Em Alguma parte alguma”, anteriormente premiada com o Jabuti. A trajetória textual de Gullar é marcada por intenções sociais e visões de realidades nuas e cruas. Ao longo de sua vida, o autor de “Poema Sujo” atuou em diversas áreas do jornalismo, das letras e das artes – cênica e plástica.
Confira a lista de conquistas e títulos do literário:
1966 - Em parceria com Oduvaldo Vianna Filho, escreve a peça "Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come", ganha o Molière, o Saci e outros prêmios.
1979 - "Um rubi no umbigo", primeira peça que escreve individualmente, e ganha o prêmio Personalidade Literária do Ano, da Câmara Brasileira do Livro.
1985 - Prêmio Molière pela sua tradução de "Cyrano de Bergerac", de Edmond Rostand.
1999 - Lança o livro "Muitas vozes" e ganha o Prêmio Jabuti na categoria poesia. Obtém também o Prêmio Alphonsus de Guimarães, da Biblioteca Nacional.
2000 - Recebe o prêmio Multicultural2000, do jornal "O Estado de São Paulo".
2002 - Nove professores titulares de universidades de Brasil, Portugal e Estados Unidos indicam Ferreira Gullar ao Prêmio Nobel de Literatura. Recebe o Prêmio Príncipe Claus, da Holanda.
2005 - É o ganhador de dois importantes prêmios, o Prêmio Fundação Conrado Wessel de Ciência e Cultura, na categoria Literatura, e o Prêmio Machado de Assis, a maior honraria da Academia Brasileira deLetras, ambos pelo conjunto da obra.
2007 - Prêmio Jabuti pelo livro "Resmungos".
2009 - Foi considerado pela Revista Época um dos 100 brasileiros mais influentes do ano.
2010 - Prêmio Camões e contemplado com o título de Doutor Honoris Causa, na Faculdade de Letras da UFRJ.
2011 – Prêmio Jabuti pela obra “Em alguma parte alguma”.
2012 – Prêmio Moacyr Scliar de Literatura por “Em alguma parte alguma”, e estamos apenas em fevereiro.
*Leia a matéria "O poeta e suas histórias", da edição de outubro de 2010 de BRAVO! clicando aqui
1 comentário(s)
Comentado em 17.02.2012 às 23:22 por Paulo Cesar Fernandes:
Poema sujo e cristalino No exílio Gullar é pensamento E nasce o Poema Sujo Cristalino e profundo... Lâmina de corte certo Dilacerando peitos libertários Ante a ira e fúria do "Poder Central" Surge como gorgeio final Da ave maranhense José Ribamar Ferreira Sendo na distante terra Passo inicial de retorno Brasil: seu lar Seu seio: Rio de Janeiro Palco de lutas tantas Vida embalada em poesia Palavra sensata nas crises Cabelos brancos rebeldes Caindo na magra face Da história ativa de vida. Ativista... Comunista... Perseguido... Torturado... Hoje um sorriso franco. Ponteia a palavra, a frase, o olhar... Sereno e calmo... Tem sabor de dever cumprido. Paulo Cesar Fernandes 12/02/2002