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Os atores Gabriela Rocha e Francisco Miguez em cena do filme. Eles estudam numa escola onde a fofoca circula em mensagens de celular

Ei, quem aí que sabe, afinal, quais são as melhores coisas do mundo? Alguém ali diz que depende, que varia. Varia de pessoa para pessoa. E até na mesma pessoa varie de um momento para outro. Tem hora que a melhor coisa do mundo é quebrar ovos na parede da cozinha. E tem hora em que a melhor coisa do mundo é chorar e ser confortado por alguém de quem se goste. Ou beijar na boca, ou então conseguir tocar guitarra e todo o mundo te achar demais

Como se disse, depende, varia.

É nesse intervalo de variações, na zona de sombra do que é e não é mas talvez pode ser que seja, que As Melhores Coisas do Mundo pega os espectadores. Acabado o filme, créditos escorrendo na tela, o carinha fica meio grudado na cadeira, olho fincado na penumbra, pensando no Mano que ele é ou que ele foi.

Porque todo mundo foi, numa hora ou noutra, um pouco ou muito Mano.

As Melhores Coisas do Mundo conta a história de dois irmãos adolescentes, Mano (interpretado por Francisco Miguez) e Pedro (vivido pelo ator Fiuk), que numa crise brava da família vivem seus momentos de verdade. Vida e morte estão à espreita, é preciso ficar esperto. Música, teatro e blogs são formas de expressão. Serão saídas? Numa bicicleta, Mano percorre incansáveis itinerários paulistanos e, igualmente incansável, vai aprendendo a caminhar entre suas crises. Se Mano é diurno, externo e veloz, Pedro é dark, arisco,afundado em si mesmo. Seu blog é sua ponte para o mundo.

No auge da crise familiar, temperada de preconceito e arrogância intelectual, os irmãos crescem. Numa escola fria, cercada de grades e raras vezes solidária, a vida explode sem disfarces. Em vez de livros, celulares. E nas pequenas telas, o "bullying" corre solto, trazendo para a esfera pública o que é íntimo e privado. Alianças e desilusões fazem parte da aprendizagem. Os cenários - imagens aceleradas, trânsito feérico que é um rio vertiginoso de luzes, sólidas escadarias que se repetem, a areia que cai na ampulheta e uma luminosa piscina de água límpida - talvez sejam elementos percebidos pelo espectador como metáforas.

E, nos significados que sugerem, recolocam a questão-título: quais são, mesmo, as melhores coisas do mundo ? Bomba de chocolate? Pedro e Mano descobrem, parece. E com eles, talvez também o espectador. Decididamente, uma das melhores coisas do mundo é um bom filme.

Como este de Laís Bodanzky .

Marisa Lajolo é escritora, autora de Monteiro Lobato, Um Brasileiro sob Medida, entre outros

O FILME

As Melhores Coisas do Mundo, de Laís Bodanzky. Com Paulo Vilhena, Caio Blat, Francisco Miguez, Gabriela Rocha. Em cartaz.

Tags: As Melhores Coisas do Mundo - Sexo, Blogs e "Bullying",

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