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Autumn de Wilde
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A cantora Norah Jones. "Estou numa idade complicada. Sinto que todos os meus amigos na faixa dos 30 anos estão experimentando mudanças na vida"

A americana Norah Jones tinha tudo para ter enlouquecido com o sucesso. Num intervalo de poucos meses ela foi de garçonete do café do museu nova-iorquino Metropolitan à estrela da música mundial. Tão logo lançou seu primeiro álbum, a pianista e cantora baixinha, com um charmoso olhar estrábico, saiu colecionando prêmios Grammy e virou o nome de maior cartaz da gravadora EMI, a mesma que nos anos 60 revelou um certo quarteto de Liverpool. Mas sua "alma antiga", como ela mesma define, manteve-a longe de badalações. Norah continuou o longo namoro com o baixista de sua banda, Lee Alexander. Continuou ainda ouvindo intérpretes como a americana Billie Holiday (1915-1959). E assim chegou aos 30 anos: com muito prestígio, muito dinheiro e paz para caminhar pelas ruas de Nova York sem ser incomodada por fotógrafos ou fãs alucinados.

O aniversário vem, no entanto, promovendo mudanças. Após rodar o filme Um Beijo Roubado (2007), com o diretor chinês Wong Kar-Wai, Norah viu a relação com Alexander chegar ao fim. O término do relacionamento de sete anos e meio de certa forma está documentado em The Fall, disco que ela lançou no fim de 2009 e que repete o fenomenal desempenho comercial de seus três trabalhos anteriores. Além de ser o seu álbum mais triste, The Fall também se destaca por trazer canções mais roqueiras e com influências de soul music, com Norah trocando o piano pela guitarra. Em uma conversa por telefone, ela falou dessa nova fase a BRAVO!.

O que você acha de ser chamada de cantora de jazz? O termo é apropriado?

Não muito. Eu realmente sou influenciada pelo jazz, então entendo o porquê de as pessoas me tratarem assim. Não está errado, mas há tantas coisas que eu gostaria de explorar. Tenho a sorte de as pessoas me deixarem agir dessa forma. Da minha gravadora aos meus fãs. Claro que existem os que gostariam que eu continuasse a ser sempre a mesma Norah do primeiro disco. Mas, no geral, as pessoas têm aceitado bem minhas mudanças e tentativas de experimentar coisas diferentes.

Você começou a ouvir mais rock nos últimos tempos ou esse ritmo te acompanha desde pequena?

Depende. Eu sempre amei os Rolling Stones. E, quando eu era mais nova, adorava Nirvana.

Você era grunge?

Um pouco. O mais certo seria dizer que mais recentemente eu comecei a ouvir música produzida por pessoas da minha idade. Fui uma alma antiga por muito tempo e agora finalmente estou ouvindo música mais jovem. Antes só escutava música feita há mais de 50 anos.

Prefere ouvir música em vinil?

Sim. Amo vinil. Mas a música digital facilita muito para quem viaja sempre como eu.

E como você encara as mudanças que estão acontecendo na indústria da música neste momento?

Acho que não há muito o que fazer para mudar as coisas. Você tem de fazer o seu melhor e aceitar as mudanças. É um mundo diferente. Eu não sei a resposta para resolver essa questão do download ilegal. Enxergo o lado bom e lado ruim disso.

Está feliz com a política no seu país nesse momento? No seu álbum anterior você chegou a fazer uma música sobre a reeleição de George W. Bush (My Dear Country, na qual tratava o antigo presidente por "aquele que nós odiamos")...

O clima político ficou menos intenso. Mas o pessoal mais jovem precisa continuar ligado no que está acontecendo. Algumas coisas já melhoraram, mas vai ser um longo caminho, com muitos obstáculos.

Há pouco tempo você montou uma banda de rock, o El Madmo, onde era a guitarrista. Por que fez isso?

Por que não? Para mim, projetos paralelos são ótimos para tentar coisas novas e ter uma personalidade musical fora dos meus próprios discos. Você fica mais livre para experimentar, sem pensar no que os outros vão achar. E tanto no El Madmo quanto em minha banda country, o Little Willies, todo mundo tem voz igual. É diferente do meu trabalho solo, onde a palavra final sempre é minha.

O fato de você ter se separado do namorado que conhecia desde antes da fama (o baixista Lee Alexander, músico da banda de Norah e do Little Willies) afetou seu mais recente CD?

Com certeza. Tudo o que você vivencia acaba influenciando. Mas o disco não é um diário. Muitas das canções são inspiradas na minha própria vida, mas não todas. Eu também estou numa idade complicada. Sinto que todos os meus amigos da minha faixa etária estão experimentando mudanças na vida. Você nunca sabe o que vai acontecer.

Eu ia justamente perguntar se ter feito 30 anos alterou sua abordagem artística...

Foi divertido fazer 30. Mas também um pouco assustador. No fim das contas, envelhecer é muito bom. Você fica mais confiante. É algo que eu abracei. E, como disse antes, sempre fui meio que uma alma antiga. Agora que tenho 30, não quero ser adolescente de novo. Por outro lado, me sinto mais jovem do que quando tinha 20. Eu me divirto mais fácil, me sinto mais confortável, tenho mais facilidade de rir de mim mesma...

Como vai sua carreira de atriz?

Fazer aquele filme (Um Beijo Roubado, de Wong Kar-Wai) foi muito divertido. Mas não é nada que eu vá fazer o tempo todo. Adoraria realizar algo parecido no futuro, mas não vou construir uma carreira no cinema.

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José Flávio Júnior é jornalista.

Tags: Norah Jones - "Eu Era Uma Alma Antiga",

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