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Foto Ieve Holthausen
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A estilista em sua casa e ateliê, em Porto Alegre. Quando criança, ela colecionava imagens de revistas de moda

“Estou numa cruzada. Quero desconstruir a ideia que as pessoas têm do tricô e do crochê”, anuncia a gaúcha Helen Rödel, 28 anos. Natural de Lajeado, a estilista encontrou nessas duas antigas técnicas manuais plataformas valiosas para a criação. Proprietária de uma grife há apenas quatro anos, ela caiu nas graças de marcas como Ellus e Redley. Em 2009, viu suas peças desfilarem na vanguardista semana de moda islandesa, evento que já teve como patrona a estilista inglesa Vivienne Westwood.

A moda fisgou Helen ainda criança. Durante as férias de verão na casa da avó, espiava as primas mais velhas folheando revistas dedicadas ao métier e ficava hipnotizada. “As publicações tinham uma mística que eu não entendia”, diz. Aos 12 anos, já colecionava imagens de moda: passava as tardes criando colagens com as páginas. Mesmo assim, foi preciso começar dois cursos superiores diferentes (e desistir deles) até se render. Já estudando para se formar estilista, pediu a uma amiga que fizesse em crochê um vestido que idealizara. “Ele percorria uma gradação de cores desde o verde-chão até o azul do céu mais profundo. Batizei a peça de Dandy Lion”, conta Helen, que sem perceber recuperava então uma tradição familiar com o trabalho manual – sua mãe tricotava suéteres e ela mesma sabe fazer tricô e crochê. Em pouco tempo, abandonou o tecido plano para se dedicar somente às duas técnicas.

Seu processo criativo ainda remete às colagens: está sempre procurando o que há de mais luminoso e onírico. O marido, Guilherme Thofehrn, é parte essencial de sua grife. “Ele questiona meus desenhos. Não chega com respostas: faz perguntas.” O ritmo do casal não cabe nos moldes tradicionais da indústria da moda. Fiéis ao esquema do it yourself (faça você mesmo), controlam todo o processo, do primeiro esboço da coleção à passarela. “No começo, tentamos a produção comercial. Foi só quando desistimos de fazer algo direcionado ao mercado que nos encontramos”, explica Guilherme.

Seis artesãs tecem seus modelos – o que faz com que as criações levem até dois meses para ficar prontas. As peças piloto, portanto, vão para os desfiles e ainda não são produzidas em série. Mesmo que fossem, sua natureza de produto manufaturado impossibilita que as peças sejam iguais. Para o futuro, Helen busca parcerias com cooperativas de crocheteiras. “É uma simbiose: um pouco do que eu faço sendo interpretado por outros”, filosofa.

O próximo passo da cruzada da estilista acontece em maio deste ano, na 31ª temporada da Casa de Criadores – evento conhecido por lançar tendências e talentos –, quando 15 modelos desfilarão saias, casacos, vestidos e calças idealizados por Helen. O convite veio do diretor, André Hidalgo. “Pouca gente faz isso hoje em dia de forma moderna e sem ficar caricato. Ela reintroduz um elemento que sempre esteve na moda, mas que caiu no esquecimento. A Helen tem o ponto certo”, entusiasma-se Hidalgo.

Tags: Primeira Fila, Nossa Aposta, Helen Rödel, Crochê, Estilista,

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