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Valéria Mendonça
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Rodolpho Parigi em seu ateliê, no bairro paulistano de Santa Cecília. Explosão de formas caracteriza o trabalho do pintor

O canudo do curso de artes plásticas mal esquentou nas mãos de Rodolpho Parigi e uma fila de colecionadores já aguarda um quadro seu. Paulistano do bairro da Aclimação, ele descobriu a vocação para artista aos 25 anos, durante um período sabático na Espanha. Lembra que, em Madri, entrou no Museu do Prado e se deteve na sala com obras do pintor barroco Rubens. "Fiquei ali por umas sete horas, chorando." De volta ao Brasil, tratou de estudar arte. Embriagado pelo clique meio tardio, Parigi passou os cinco anos da faculdade (a Faap) com um portfólio embaixo do braço, circulando entre vernissages e cursos paralelos. Como ele mesmo diz, se jogou "de cabeça no circuito". Ouviu muitos conselhos. Viu muitas referências. E quando foi, ainda tímido, convidar uma de suas mais caras influências, a artista Adriana Varejão, para ajudá-lo na monografia final da graduação, recebeu como resposta: "Tudo bem, mas eu e o Bernardo queremos também comprar uma tela sua". Pronto. Com uma pintura entre as peças de Bernardo Paz, marido de Adriana e um dos maiores colecionadores do país, Parigi pulou direto para a lista dos nomes desejados por marchands e galeristas.

Hoje, aos 31 anos, sua assinatura está entre as raras apostas seguras de valorização em um mercado de alto risco. Em cerca de um ano, vendeu tudo o que produziu — cada obra sua de grandes dimensões custa R$ 20 mil — e experimentou um reconhecimento precoce se comparado à via-sacra que jovens em início de carreira costumam cumprir, mas pertinente se analisado diante do grau de amadurecimento que suas criações esbanjam. Dono de uma linguagem particular, Parigi mantém diálogo muito próximo com uma manifestação aparentemente diversa do puro exercício pictórico. Suas peças, mais abstratas que figurativas, remetem à dança. Não por acaso, ele trabalha muitas vezes ouvindo música, rock de preferência. "Meus traços revelam o movimento de meu corpo enquanto pinto. Diante do quadro, protagonizo um tipo de coreografia."

Sem rascunho, suas formas ganham definição direto na tela, em um processo artesanal que dura pelo menos um mês e meio para se concluir. Terminada, a obra de acabamento primoroso lembra muito os desenhos precisos de um computador: "Quero levar o espectador a pensar que está diante de algo artificial mesmo. Adoro tecnologia".

Com a participação garantida na coletiva I/Legítimo, que se divide entre o Paço das Artes e o Museu da Imagem e do Som, em São Paulo, a partir do dia 18, Parigi acaba de inaugurar seu ateliê. É lá que ele deve passar boa parte do tempo até fevereiro de 2009, quando finalmente estréia uma individual na galeria paulistana Nara Roesler. "As pinturas do Rodolpho vendem muito rapidamente. Já foram 15 desde julho de 2007", diz Teresa Halfin, uma das produtoras da galeria. "Cumpri um caminho meio ao contrário. Enquanto a maioria faz uma exposição para depois começar a vender e se tornar conhecido, eu vivi tudo isso e só agora preparo minha primeira mostra", explica Parigi.

A crítica de arte Luisa Duarte, que acompanha de perto a evolução do artista, comemora: "O país vem assistindo ao surgimento de um novo e expressivo grupo de pintores, que também inclui Marina Rheingantz, Rodrigo Bivar e Bruno Dunley. Em Rodolpho, há uma explosão de formas, e por vezes de cores, que mistura de maneira singular o humor e a organicidade, os traços psicodélicos e a precisão formal. Vale a pena prestar atenção nele e nessa nova geração de pintores".

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