Artes Visuais
O Espírito do México
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Manuel AlvarezACASO Menina Vendo Passarinhos, de 1931. Bravo dizia que fotografava por impulso, sem programar com muita antecedência o que iria ou gostaria de registrar -
Manuel AlvarezREALISMO Lembrança de Atzompan, de 1943. O fotógrafo, que chegou a trabalhar para os muralistas Diego Rivera (1886-1957), José Clemente Orozco (1883-1949) e David Alfaro Siqueiros (1896-1974), nutria grande simpatia pela classe operária -
Manuel AlvarezDOIS LADOS O Eclipse, de 1933. Figura emblemática do período que se seguiu à Revolução Mexicana, a partir da década de 1920, Bravo soube aliar em sua fotografia o desejo de modernização e a busca pela identidade do país -
Manuel AlvarezTELA Sede Pública, de 1933-1934. Bravo, que chegou a estudar pintura, aplicou noções pictóricas em várias de suas imagens, como o jogo de claro-escuro, nítido nesta foto. O ar de mistério também é um dado bastante presente em sua obra -
Manuel AlvarezINFLUÊNCIA Filha dos Dançarinos, de 1933. Amigo do casal Diego Rivera e Frida Kahlo (1907-1954), o fotógrafo adotou bastante de seus estilos nas cenas. Suas mulheres têm muito em comum com os quadros de Frida -
Manuel AlvarezCHAPÉUS Com Seu Filho, da década de 1950. Apesar de não ter viajado para os centros da atividade fotográfica na época, Paris e Nova York, Bravo desenvolveu uma linguagem bem-humorada e com ares vanguardistas
Falar da fotografia mexicana do século 20 é falar principalmente de Manuel Álvarez Bravo (1902-2002). Com uma obra que se estende por 70 anos, de 1920 a 1990, o artista desfruta de um prestígio raro entre os críticos da área: seu nome é tido como o que melhor captou o espírito de seu país. E esse status, que pode até soar como uma frase de efeito assim, à primeira vista, significa muito quando confrontadas a cultura mexicana – calcada nos exageros visuais e no colorido intenso – e as imagens de Bravo – econômicas no traço e tiradas em sua maioria em preto-e-branco.
Tanto é que, para discorrer sobre o trabalho do ex-marido, Colette Álvarez Urbajtel escreveu no livro Fotopoesia, que o Instituto Moreira Salles acaba de lançar no Brasil: “(Bravo) Odiava o excesso, o pitoresco, o lugar-comum, a afetação, os clichês da beleza”. A publicação acompanha uma retrospectiva, na sede carioca da instituição, com mais de 200 cenas do fotógrafo mexicano. Bravo, que cresceu cercado de referências da linguagem – o pai era fotógrafo amador, e o avô, um pintor com muito interesse pela fotografia – é reconhecido ainda por incorporar as correntes estéticas modernas, em especial o surrealismo. Chegou a trabalhar no cinema com o diretor espanhol naturalizado mexicano Luis Buñuel e ganhou do escritor e poeta francês André Breton um dos comentários definitivos para alcançar o lugar que ocupa hoje: “Ele mostrou tudo o que é poético no México”. A seguir, BRAVO! apresenta um ensaio com personagens mexicanos do dia a dia, uma das especialidades do artista.
A EXPOSIÇÃO
Fotopoesia, de Manuel Álvarez Bravo. Instituto Moreira Salles (r. Marquês de São Vicente, 476, Gávea, Rio de Janeiro, RJ, tel. 0++/21/3284-7400). Até 26/2/2012. De 3ª a 6ª, das 13h às 20h. Sáb. e dom., das 11h às 20h. Grátis.
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