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Daniel Klajmic

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Em 1988, quando Antonio Fagundes ousou protagonizar a adaptação teatral de Fragmentos de um Discurso Amoroso – livro do pensador francês Roland Barthes –, parte da crítica achou a empreitada muito “intelectual” para o público atraído pelo carisma do ator na TV e no cinema.

Em Vermelho, seu novo espetáculo em cartaz no Teatro Geo, em São Paulo, Fagundes volta a investir alto na inteligência e sensibilidade do espectador.

O texto do norte-americano John Logan é um elogio ao prazer vindo do debate de ideias e das formas. Na Nova York do final dos anos 50, o pintor russo Mark Rothko (1903-1970), vivido por Fagundes, trabalha sob encomenda numa série de murais para um festejado restaurante da cidade. A chegada ao ateliê de um jovem assistente, Ken, interpretado por Bruno Fagundes, o levará a refletir sobre o bem remunerado contrato assinado para expor suas pinturas a comensais que não lhes darão a menor bola.

O relacionamento de Rothko com o aprendiz dosa teorias da arte e da filosofia ao retratar conflitos de geração e entre artista e sociedade. A filiação dos atores, evidentemente, acrescenta mais dramaticidade à versão brasileira da obra montada e premiada nos Estados Unidos e na Inglaterra.

Cores dramáticas

Fagundes é hábil no humor bipolar do pintor, humanizando-o em sua integridade criativa e avessa à voracidade dos negócios da arte. Bruno ganha mais presença e voz ao longo do espetáculo, justo nos embates diretos com o mestre.

A direção e o desenho cenográfico de Jorge Takla valorizam essa intimidade explosiva na escala monumental do pé-direito do Geo. As telas de Rothko, reproduzidas e suspensas nesse belo palco recém-inaugurado na cidade, transportam o olhar para o infinito.

 

*Valmir Santos é jornalista e pesquisador de teatro

 

Serviço

Vermelho, de John Logan.

Direção de Jorge Takla. Com Antonio Fagundes e Bruno Fagundes.

Teatro Geo (r. Coropés, 88, Pinheiros, SP, tel. 0++/11/3728-4930).

Até 29/7. 5ª e sáb., às 21h; 6ª, às 21h30; dom., às 18h.

De R$ 100 a R$ 120.

 

Tags: vermelho, antonio fagundes, Mark Rothko,

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