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Objetivos

- Analisar as transformações do gênero paisagem na história das artes visuais.

- Confeccionar cartões postais de paisagens imaginárias com a turma.

Conteúdos

- História da arte.

- Pintura de paisagem.

- Cartões postais.

Tempo estimado

Três aulas.

Material necessário

Cópias da reportagem “A reinvenção da paisagem” (BRAVO!, Ed. 169, setembro de 2011) para todos os alunos; projetor ou computador com datashow para mostrar as imagens indicadas neste plano de aula; papel de boa gramatura (tipo cartolina ou canson); lápis grafite; canetas hidrocor; lápis de cor; cola; tesoura e revistas que os alunos possam recortar.

Desenvolvimento

AULA 1 - A pintura de paisagem

Comece explicando para os alunos que nas próximas três aulas vocês vão discutir a representação da paisagem na pintura e irão produzir cartões postais com essa temática.

Para iniciar, explique aos alunos que podemos considerar o gênero artistico “paisagem” como um dos mais antigos (ou tradicionais) da arte, capaz de se reinventar ao longo dos anos e de acordo com os lugares e as diferentes escolas artísticas.

Conte à turma que os egípcios já se utilizavam da pintura de paisagem e de elementos, marcada por uma sociedade fortemente hierárquica e religiosa. Deuses e humanos eram pintados de acordo com uma escala que representava a posição social ou divina de cada indivíduo e não, necessariamente o seu “tamanho real”.

Pergunte aos estudantes se eles conhecem alguma pintura de paisagem e enfatize que dois momentos podem ser citados como divisores de águas no gênero: 1) a descoberta, ou consolidação, da perspectiva com o Renascimento no século 14; e 2) a invenção da tinta em bisnagas descartáveis, no século 19, que permitiu aos pintores um contato mais aprofundado com a natureza – já que as telas e as tintas poderiam ser levadas a ambientes externos com mais facilidade.

Explique que a ilusão de realidade e a noção de profundidade proporcionada pela perspectiva – um conjunto de regras matemáticas consolidadas e muito bem trabalhadas por Brunelleschi (1377-1446), arquiteto e escultor italiano – no Renascimento, ganha ainda mais força nas obras de pintores como o flamenco Jan Van Eyck (1390-1441). Sua maneira minuciosa de pintar cada detalhe de sua paisagem, assim como as figuras retratadas, permitiu que sua obra se convertesse em uma espécie de “espelho do mundo visível”, conforme a reprodução abaixo. Esta foi a primeira grande “revolução” estética na pintura de paisagem.

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O Casal Arnolfini”, de Van Eyck (1434).

Em seguida, conte aos alunos que com a segunda grande transformação estética da pintura de paisagem ocorreu com o advento da tinta em bisnagas descartáveis e a possibilidade de um contato direto com a paisagem observada, já no século 19. Os desafios, nessa fase, voltam-se para o estudo detalhado dos fenômenos naturais. Os impressionistas, em especial Claude Monet (1840-1926), exploraram as pinturas em série feitas com base em uma mesma paisagem observada em diferentes condições de luz – no amanhecer, no anoitecer, ao meio-dia – e em diferentes estações do ano.

Para exemplificar, mostre à turma um dos mais importantes exemplos da pesquisa impressionista. Trata-se da série de pinturas feitas por Monet da Catedral de Rouen, na França, entre 1892 e 1894. As fortes oscilações da luz que incidia sobre a Catedral propiciaram mudanças dramáticas na utilização das cores nas obras, acentuando ou diluindo sombras, brilhos e contrastes.

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Representações da Catedral de Rouen, de Claude Monet, feitas em diferentes momentos do dia e do ano.

Depois de mostrar exemplos internacionais, vale falar um pouco sobre a pintura de paisagem no Brasil. Explique que em nosso país o gênero também percorreu as mudanças dos movimentos artísticos internacionais. Mencione os artistas viajantes que aportaram por aqui nos séculos passados para retratar o Brasil para a corte portuguesa, como Albert Eckhout, Debret e Taunay, até chegarmos às paisagens modernistas pintadas por Tarsila do Amaral e Anita Malfatti.

Seus alunos podem questionar se o advento da fotografia não acabou com a paisagem na pintura – já que as paisagens podem ser fotografadas, por que seriam pintadas conforme as enxergamos. Conte que a fotografia mudou a forma como pintores representam a paisagem e que o gênero foi revisitado por artistas contemporâneos, tanto na pintura, quanto nas instalações ou na própria fotografia.

Em seguida, distribua cópias da reportagem de BRAVO! para os alunos e solicite que façam a leitura silenciosa do texto. Ressalte que, nas representações contemporâneas da paisagem os artistas são movidos por indagações pessoais, e questionam fronteiras e identidades pré-estabelecidas no mundo globalizado. Conte que alguns artistas veem na renovação do gênero paisagem uma forma de se posicionar e compreender o mundo.

Finalize a aula propondo que os alunos comparem os métodos de representação da paisagem utilizados pelos artistas Marcelo Moscheta e Marina Rheingantz, para elaborar seus trabalhos expostos na Bienal do Mercosul, conforme a reportagem. Enquanto Marcelo deslocou e catalogou objetos retirados de uma determinada paisagem, Marina utilizou a pintura para construir uma espécie de diário de imagens e registrar suas memórias. Solicite que observem as imagens da reportagem de BRAVO! e a tela abaixo. Peça que registrem suas impressões sobre as obras no caderno, que servirão como inspiração para os trabalhos que serão realizados nas próximas aulas.

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Pic Nic”, de Marina Rheingantz (2008), óleo sobre tela.

AULA 2 – Transformar a paisagem em cartões postais

Retome as principais informações discutidas sobre o gênero paisagem na aula anterior e pergunte aos alunos se eles já viram ou se já receberam cartões postais de algum lugar. Lembre que, assim como os postais tradicionais, a pintura de paisagem começou retratando os lugares de maneira documental e que esse fazer se modificou ao longo dos anos. Se julgar necessário, mostre à turma mais imagens de pinturas de paisagem feitas em diferentes épocas e lugares.

Em seguida, informe os alunos que eles deverão confeccionar, individualmente, um cartão postal que será enviado pelo correio. Para inspirar a turma, apresente algumas imagens de cartões postais de cidades brasileiras, disponíveis em http://abr.io/postais e questione a classe sobre quais seriam as funções desses cartões. Procure ressaltar as características documentais das imagens apresentadas e sua função de compartilhar com o destinatário um local visitado pelo remetente.

Relembre a discussão sobre a reinvenção da paisagem levantada pela reportagem de BRAVO! e acrescente um desafio à proposta: assim como a arte reinventou a paisagem, cada aluno deve reinventar seu cartão postal de paisagem desenvolvendo imagens de lugares imaginários.

Como atividade preparatória peça que os alunos relembrem e descrevam alguns locais imaginarios retratados em filmes ou livros e anote cada lugar lembrado na lousa.

Em seguida, leia o seguinte trecho do livro “As cidades invisíveis”, de Ítalo Calvino, para a turma e mostre a imagem que ilustra a descrição de Bauci:

“Depois de marchar por sete dias através das matas, quem vai a Bauci não percebe que já chegou. As finas ondas que se elevam do solo a grande distância uma da outra e que se perdem acima das nuvens sustentam a cidade. Sobe-se por escadas. Os habitantes raramente são vistos em terra: têm todo o necessário lá em cima e preferem não descer. Nenhuma parte da cidade toca o solo, exceto as longas pernas de flamingo nas quais ela se apóia, e, nos dias luminosos, uma sombra diáfana e angulosa que se reflete na folhagem. Há três hipóteses a respeitos dos habitantes de Bauci: que odeiam a terra; que a respeitam a ponto de evitar qualquer contato; que a amam da forma como era antes de existirem e com binóculos e telescópios apontados para baixo não se cansam de examiná-la, folha por folha, pedra por pedra, formiga por formiga, contemplando, fascinados, a própria ausência”.

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Após a leitura e a apreciação da imagem peça, como lição de casa, para que cada aluno traga para a próxima aula, uma breve descrição de um local imaginado por ele.

AULA 3 – Confecção e envio de postais

Discuta rapidamente com a turma sobre os locais que imaginaram. Em seguida, disponibilize os materiais descritos no início desta sequência didática (canetinhas, lápis de cor, lápis grafite, revistas para recortar etc.) e entregue para cada aluno um papel de boa gramatura (tipo cartolina ou canson) em uma medida aproximada de 20x15 cm. Oriente que, individualmente, os alunos criem uma imagem para sua cidade imaginária, utilizando diversos procedimentos artísticos como: colagem, desenho e pintura.

Enquanto os alunos confeccionam os postais, passe de carteira em carteira para acompanhar o desenvolvimento dos trabalhos e tirar dúvidas que possam surgir entre os estudantes.

Encerrada a etapa de criação da imagem, demonstre para os alunos como deve ser o verso de um postal (separando espaço para o texto, o endereço do destinatário, o nome do remetente e o espaço do selo). Solicite, então, que os alunos escrevam um breve texto no verso de seus postais, com a descrição da visita ao local imaginado e ilustrado por eles. Cada postal será enviado a um colega de classe e as dedicatórias podem ser direcionadas.

Se possível, faça junto com os alunos o percurso até o Correio mais próximo para a compra dos selos e o envio dos postais. Se não for possivel sair da escola com a turma faça uma “vaquinha” para a compra dos selos e poste você mesmo todos os trabalhos. Assim que receberem os postais dos colegas, os alunos podem trazê-los novamente para a escola para que organizem uma pequena exposição dos trabalhos, em um varal montado no corredor da escola ou na sala de aula.

Avaliação

Retome os objetivos estabelecidos no início desta sequência e, por meio das discussões em sala, verifique se os alunos compreenderam as características do gênero paisagem e suas principais transformações no mundo das artes – desde o Renascimento, até os trabalhos dos artistas contemporâneos. Os postais confeccionados também serão bons indícios da compreensão dos estudantes. Observe, também, a criatividade e a originalidade dos alunos durante a criação dos cartões. Aproveite o momento da confecção dos postais para tirar eventuais dúvidas da classe.

Consultoria Carlos Arouca, professor de Arte da Escola da Vila e da Escola Vera Cruz, em São Paulo.

1 comentário(s) de 1

  1. ... estou adorando e pensando em aplicar as idéias que aqui aprendi. Excelente.

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