Revista

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Rembrandt Harmensz
The-Nightwatch,-Rembrandt-Harmensz
The Nightwatch, de Rembrandt Harmensz

Objetivos

- Conhecer, compreender e experimentar os meios de expressão presentes na arte contemporânea.

- Reconhecer e valorizar a relação entre a arte e a realidade.

Conteúdos

- Arte contemporânea.

- Artistas contemporâneos brasileiros.

- Releitura de objetos de arte

Tempo estimado

Quatro aulas

Materiais necessários

- Cópias da reportagem “Os sete mandamentos da Arte” (BRAVO!, Ed. 170, outubro de 2011) para todos os alunos.

- Imagens de algumas obras de arte da antiguidade, da Idade Média e da Idade Moderna, disponíveis em: http://www.wga.hu/ e http://www.googleartproject.com/.

- Projetor para mostrar as imagens das obras aos alunos.

- Espaço amplo (pode ser a sala de aula, com as carteiras encostadas na parede) para que os alunos trabalhem suas criações artísticas.

Desenvolvimento

1ª AULA – O que quer a arte contemporânea?

Conte aos alunos que nas próximas aulas será abordado um tema bastante amplo: o mercado de arte e a contemporaneidade. Explique que uma reportagem publicada na revista BRAVO! (“Os sete mandamentos da Arte”, Ed. 170, outubro de 2011) nos coloca diante de um tema que vem rendendo muitas discussões entre críticos, historiadores, artistas e até entre o público. Com muita frequência encontramos pessoas comentando que “não entendem a arte de hoje”, ou ainda “mas isso é arte?”.

Antes de entrar no mérito da questão ou mesmo de ler o texto com seus alunos proponha a eles como um “aquecimento” uma breve conversa a respeito da palavra “contemporâneo”. Para tanto você poderá levar para a aula um conjunto de imagens de diversos períodos da História da Arte (por exemplo, arte antiga, medieval, arte do Renascimento, do Barroco, do século 19, arte da primeira e da segunda metade do século 20). É importante que essas imagens também contemplem obras de arte produzidas recentemente.

Em seguida, proponha aos alunos que eles organizem as imagens respeitando os períodos nos quais as obras de arte foram produzidas. Os estudantes estarão fazendo um recorte cronológico da arte.

Explique à turma que esse tipo de agrupamento das obras pode mostrar uma das noções de “contemporâneo”, que diz respeito às obras realizadas em uma mesma época sucessora de outra época ou “movimento” artístico. Esclareça que essa noção não corresponde exatamente ao que historiadores, críticos, artistas e outras pessoas do mercado artístico consideram como contemporâneo na arte.

Aproveite o momento e mostre imagens de obras da segunda metade do século 20, desde a Pop Art (obras de artistas como Andy Warhol e Roy Lichtenstein, por exemplo). Compare essas imagens às obras de períodos anteriores e discuta com a turma que mudanças podem ser observadas nos diferentes momentos da arte ao longo da história: temas, materiais, técnicas. Vocês provavelmente observarão que as mudanças foram muitas e que uma das grandes rupturas ocorridas nos últimos 60 anos diz respeito às linguagens e aos suportes adotados para as criações artísticas.

Ressalte a ideia de que quando se fala em arte contemporânea fica difícil separar, por exemplo, pintura, desenho ou escultura, como se fazia em tempos passados. Além do mais, os próprios materiais que vem sendo aplicados na criação das obras ultrapassaram a tradicional tinta aplicada a pincel sobre tela ou o mármore esculpido. Faça com que os alunos percebam que hoje não há limites para materiais, técnicas, meios e que até mesmo o universo digital já foi incorporado ao das realizações artísticas.

Mas, como se deu essa mudança? Quando isso ocorreu? Para facilitar o entendimento da turma e ilustrar o que será explicado, recorra ao banco de imagens formado (ou ainda leve algumas imagens extras) e mostre que desde o começo do século 20 os artistas já discutiam os rumos da arte. Mostre aos alunos uma imagem da obra “A Fonte” (1917) de Marcel Duchamp. Trata-se de um mictório assinado que causou grande espanto em sua época e tornou-se um ícone nesse processo de questionamento. A ele se seguiram todos os artistas do movimento Dadaísta e diversos outros movimentos que buscavam manter a arte sempre viva e conectada ao seu tempo.

Conte aos estudantes que talvez aí esteja a chave da questão da contemporaneidade: a coerência com o momento. Até o final do século 19 o mundo estava acostumado com uma determinada estrutura e dinâmica sociais, mas o século 20 foi marcado por severas mudanças, desencadeadas, em especial, por duas grandes guerras mundiais que alteraram a configuração político-social do globo.

Explique aos alunos que no campo cultural muitos intelectuais, cientistas e artistas das mais diversas áreas fugiram da grande recessão econômica e, principalmente das perseguições políticas que ocorriam na Europa. A maior parte deles migrou para a América, em especial para os Estados Unidos. Desse modo ocorreu toda uma mudança do grande centro cultural mundial que era Paris para Nova York e outras cidades norte-americanas e também da América Latina. As experiências que estavam sendo vividas pela humanidade passaram a repercutir fortemente naquilo que os artistas produziam: a música, o teatro, a literatura, as artes estavam em transformação porque o mundo estava mudando.

Esse processo certamente representou uma grande transformação no modo de se fazer arte. Após o final da Segunda Guerra Mundial (em 1945), o pintor norte-americano Jackson Pollock rompe definitivamente com as pinceladas sobre a tela: coloca o suporte no chão e passa a gotejar e a despejar a tinta sobre ele, criando grandes pinturas formadas por pingos de tinta. Tais mudanças representaram uma revolução. Outros artistas fizeram seus experimentos buscando integrar a arte e a vida, chegando a incorporar o corpo e até o público à obra como nas performances ou happenings (um tipo de arte visual que é gerada na ação e que, portanto, nunca pode ser reproduzida exatamente da mesma forma).

Cada vez mais a arte torna-se politizada e crítica. Isso não significa que em outros momentos os artistas não tenham expressado suas opiniões a respeito do que acontecia no mundo. Se forem observadas as pinturas do inglês William Hogarth (1697-1794), ou ainda as de Honoré Daumier (1808-1879) localizaremos ali fortes discussões a respeito das relações sociais. No entanto, o primor técnico e muitas vezes a linguagem codificada empregada pelos artistas “mascarava” essa crítica.

Conte aos alunos que na arte contemporânea tudo muda: as técnicas são outras, as temáticas também e nem sempre a figuração é o elemento mais importante. A arte abstrata e posteriormente as apropriações de imagens, materiais, objetos, a hibridização (mistura) das linguagens, as novas tecnologias passaram a expressar conceitos que acabaram se sobrepondo aos temas tradicionais (como a paisagem, a natureza morta, o retrato...). A vida e a arte passaram a “conversar” mais de perto. Deixe claro para a turma que isso não impede que um artista contemporâneo trabalhe com técnicas muito tradicionais. Um exemplo é o do artista brasileiro Gil Vicente, que trabalha com técnicas consideradas por muitos como ancestrais dentro da História da Arte, como o desenho a grafite ou a nanquim.

A questão mercadológica é outro ponto interessante e central na reportagem “Os sete mandamentos da arte”. Vocês poderão abordá-la mais especificamente na próxima aula e, para tanto, sugira à turma para que em casa consulte o verbete “Mercado de Arte” da Enciclopédia de Artes Visuais do Itaú Cultural. Ali eles poderão encontrar algumas informações gerais a respeito de mercado de arte e de sua história. Mas há também outros sites específicos a respeitos desse mercado, das galerias etc.

Distribua a reportagem aos alunos e peça que a leiam em casa porque ela também será discutida na próxima aula.

Mapa das Artes

http://www.mapadasartes.com.br/

Mercado de Arte

http://www.consultarte.com.br/scripts/home.asp

http://www.mercadodearte.com/

http://www.artesdoispontos.com/mercado.php?tb=mercado&id=1

Itaú Cultural – Enciclopédia de Artes Visuais (verbete: Mercado de Arte)

http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=termos_texto&cd_verbete=3803

2ª AULA – Conheça o mercado de arte

Neste encontro retome brevemente a conversa da aula anterior e procure resgatar os resultados da leitura realizada a partir do site da Enciclopédia Itaú de Artes Visuais. Anote as observações dos alunos no quadro. Depois disso, vocês poderão ler juntos a reportagem de BRAVO! e, comparando com as informações levantadas no exercício proposto para casa, discutam questões como: o que é o “mercado de arte”? É algo recente? Que transformações esse mercado sofreu ao longo dos séculos? Quem participa do mercado de arte hoje?

Comente com a turma que a “independência” do artista sempre foi algo bastante relativo. Em muitos momentos da história o artista teve que trabalhar sob encomenda, o que pode ter representado um fator limitante para a sua criatividade. Será que hoje isso mudou? Muitas vezes ouvimos falar de “tendências” e isso pode muitas vezes, direcionar o trabalho de um artista.

Conte aos alunos que muitos artistas já passaram por isso: não se curvaram aos apelos desse lado mais “comercial” da arte e caíram no esquecimento por longos períodos.

É muito frequente ouvirmos falar e valorizarmos artistas estrangeiros (seria essa uma influência do próprio mercado?). A reportagem destaca grandes nomes da arte contemporânea internacional, em especial aqueles representados na exposição que comemora os 60 anos da Bienal de São Paulo. Nossos livros de História da Arte costumam destacar a produção europeia e dos Estados Unidos, mas o que sabemos a respeito da nossa arte contemporânea? Será que os artistas do Brasil tem espaço no mercado de arte internacional?

Comente, então, que a cada ano, mais artistas de origem brasileira tem conseguido projetar sua obra para além de nossas fronteiras e que alguns deles vêm conquistando grande reconhecimento, como é o caso de nomes como Rosangela Rennó. Adriana Varejão e Carlito Carvalhosa. Que tal olharmos agora um pouco para esses nomes e aprender mais a respeito deles? Proponha à turma o desenvolvimento de um trabalho de pesquisa a partir do qual eles realizarão obras coletivas.

Peça para os alunos que se dividam em grupos. Sorteie entre eles alguns nomes de artistas contemporâneos brasileiros conhecidos no exterior, como Iran do Espírito Santo, Beatriz Milhazes, Os Gêmeos, Vik Muniz, Regina Silveira e o veterano Cildo Meirelles (veja mais artistas jovens e veteranos da arte contemporânea brasileira no quadro abaixo).

Proponha aos grupos que façam um levantamento a respeito do artista escolhido: qual foi o seu percurso, o que vem desenvolvendo, suas obras mais conhecidas. Com base nesse processo de pesquisa, cada grupo deverá selecionar uma obra do artista sorteado e elaborar uma reinterpretação desse trabalho. Lembrem-se de que estamos tratando de arte contemporânea, ou seja, estamos falando da quebra com os suportes e técnicas tradicionais – o conceito e a experimentação são extremamente significativos.

Peça aos alunos que realizem em casa os levantamentos sobre os artistas e que para a próxima aula levem os resultados das pesquisas e materiais para dar início ao desenvolvimento dos projetos coletivos.

Alguns sites com informações sobre artistas brasileiros

Adriana Varejão - http://www.adrianavarejao.net/site#/

Vik Muniz - http://www.vikmuniz.net/ (em Inglês)

Beatriz Milhazes - http://www.fortesvilaca.com.br/artista/beatriz-milhazes/

Iran do Espírito Santo - http://www.fortesvilaca.com.br/artista/iran-do-espirito-santo/

Os Gêmeos - http://osgemeos.com.br/

Gil Vicente - http://www.gilvicente.com.br/

Rosângela Rennó - http://www.rosangelarenno.com.br/bem_vindo

Regina Silveira - http://www.reginasilveira.com/

Nuno Ramos - http://www.nunoramos.com.br/

Carlito Carvalhosa - http://www.carlitocarvalhosa.com/

Amélia Toledo - http://ameliatoledo.com/

Cildo Meirelles

http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=artistas_biografia&cd_verbete=581

http://www.mac.usp.br/mac/templates/projetos/seculoxx/modulo6/cildo/index.html

3ª AULA – Releitura do mercado de arte e de algumas obras

Reserve esta aula para a elaboração dos trabalhos de releitura de objetos de arte. Para ajudar os alunos, retome alguns conceitos trabalhados no primeiro encontro a respeito do que é arte contemporânea. Destaque que para a realização de seus projetos os grupos poderão utilizar materiais diversos, fazer performances, instalações, graffiti, trabalhar com fotografia, incluir som, vídeo. Tudo dependerá da concepção de cada grupo e dos materiais e espaços disponíveis.

Relembre os alunos de uma coisa muito importante (um dos “sete mandamentos” indicados na reportagem de BRAVO!): cada grupo deverá saber falar a respeito da sua obra, portanto, é preciso haver uma reflexão, saber apresentar o artista e a obra escolhidos como referência, os motivos que levaram o grupo a escolher os materiais, os meios etc. Procure acompanhar as discussões de cada um dos grupos, mas sem direcionar o trabalho (lembre-se de que eles não estão atendendo a uma encomenda).

4ª AULA – Exposição de objetos de arte

Este será o grande dia da apresentação dos trabalhos. Cada um dos grupos deverá apresentar a trajetória do artista investigado, sua produção, a obra escolhida e, em seguida, a sua reinterpretação do trabalho. Divida o tempo da aula levando em consideração o número de grupos, destinado um tempo cronometrado para cada apresentação.

Ao término das apresentações vocês poderão promover um debate a respeito dos artistas escolhidos e dos trabalhos desenvolvidos e sobre como eles veriam esses trabalhos no nosso atual mercado de arte. Para tornar o debate ainda mais rico, vocês poderão expor as releituras e as imagens dos objetos originais em diferentes espaços da escola e conversar com outros professores e alunos, abrindo a discussão para que outras áreas também possam contribuir para esse momento.

Produto final

Exposição de releituras de objetos de arte contemporânea criadas pela turma.

Avaliação

Observe se os alunos compreenderam as principais ideias trabalhadas nas aulas: os meios de expressão presentes na arte contemporânea e a relação entre a arte e a realidade. Verifique, ainda, se são capazes de identificar as principais mudanças na arte no decorrer dos tempos e o que caracteriza cada um dos períodos (suportes, materiais, tipo de pintura, mensagem que quer passar etc). Leve em consideração os trabalhos apresentados pelos alunos e as reinterpretações das obras feitas pelos grupos.

Consultoria Maria José Spiteri Tavolaro Passos

Doutoranda e Mestre em Artes pela UNESP – SP, professora de Estética e História da Arte e Linguagem Visual na Universidade Cruzeiro do Sul e Escultura na Universidade São Judas Tadeu.

4 comentário(s) de 4

  1. Adorei a sugestão vou adaptar a minha realidade.

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  2. Muito obrigada por me ajudar a compreender a matéria pela qual ainda não tinha entendido.Eu tenho 11 anos e moro no Espirito Santo estou cursando o 7°ano.Bravo!

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  3. Gostaria de saber para qual segmento do ensino foi elaborada est proposta?

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  4. a matéria chegou como achado na sala de aula, mergulhei no terceiro mandamento "aprenderás a fala sobre o seu trabalho" para criar um espaço em sala de aula, propício ao exercício do auto conhecimento técnico em arte, na disciplina Critica das Artes Visuais preparo os alunos para argumentares sobre trabalhos de diversos artístas e ainda não tinha me dado conta da importancia deles falarem dos seus.

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